8.3.11

Amor e humor em Minnesota


Minnesota não é, nem de perto nem de longe, um dos mercados mais mediáticos dos Estados Unidos e os Timberwolves não são, nem de perto nem de longe, uma das equipas mais populares da NBA. Mas esta temporada Kevin Love tem conseguido manter o interesse do mundo na equipa.

O jovem power forward continua a coleccionar duplos-duplos e esta noite igualou o recorde (de Moses Malone) de duplos-duplos consecutivos (51, marca que pode bater já esta 4ª feira frente aos Pacers). As más notícias é que os Wolves continuam a coleccionar derrotas (15-50, último lugar no Oeste). O que lhes vale é que parecem ter bastante sentido de humor, como podemos ver neste vídeo, onde gozam com aquele momento caricato em que Love e Wesley Johnson falharam o cumprimento após um lance livre:


7.3.11

O futuro foi este fim-de-semana


Daqui a uns anos vamos ter um programa de computador a decidir a jogada final num jogo da NBA? Ou um informático no banco da equipa ao lado do treinador? E jogadores a usarem sensores que medem e analisam todos os seus movimentos em campo para decidir quais as jogadas em que têm mais probabilidades de sucesso? Para os oradores da Sports Analytics Conference não é uma questão de "se", mas antes de "quando" isso vai acontecer.


Durante dois dias, no Centro de Convenções de Boston, discutiu-se o futuro do desporto (e da NBA). A organização foi da Sloan School of Management (pertencente ao famoso MIT) e o painel de oradores incluía alguns dos mais reputados comentadores, analistas, estatísticos, general managers, treinadores e atletas. Infelizmente não pudemos estar presentes, mas graças a alguns dos nossos amigos que lá estiveram podemos ler o que se falou por lá.

E são tantos os temas interessantes e relevantes que não é fácil destacar só um ou dois. Desde o desenvolvimento de jogadores até à recolha de dados estatísticos, passando pelo papel da tecnologia no trabalho do treinador (e nas suas decisões no campo) ou pelas mudanças que as redes sociais trouxeram à experiência dos fãs (como espectadores e também participantes).

Para além de temas como estes, discutiram-se também outros mais relacionados com a parte empresarial, como "A problemática do lucro na NBA" ou "A propriedade duma equipa é um hobby de ricos?", mas vamos focar-nos apenas na parte desportiva e nos temas mais relevantes para o futuro do jogo e daquilo que acontece dentro de campo. E só com isso já temos leitura e matéria de estudo para muitos dias (ou semanas). Aqui fica uma selecção de artigos sobre alguns dos temas mais interessantes:

- Tarek Amil, director da InfoMotion Sports, prevê que as máquinas podem auxiliar (ou susbstituir) os treinadores nas decisões que têm de ser tomadas (em poucos segundos) em campo. Vejam o artigo de Beckley Mason no True Hoop ou este de Dan Devine, no Ball Don't Lie.

- Ainda neste velho debate do instinto vs informação e na utilização de dados para decidir, este artigo de Sebastian Pruiti. E Rob Mahoney, do Off the Dribble, diz que a evolução da análise estatística é simplesmente uma consequência de querer saber tudo o que fôr possível sobre o jogo.

- Malcolm Gladwell apresentou, no seu livro "Outliers", a teoria das 10.000 horas (que defende que são precisas 10.000 horas de prática para alguém se tornar especialista em qualquer actividade) e nesta conferência explicou como essa teoria se traduz no desporto. Michael Schwartz faz aqui um resumo do que isso significa para o desenvolvimento de jogadores.



- E acabamos com um homem da casa: Wyc Grousbeck, um dos proprietários dos Celtics explicou a receita para construir uma equipa campeã e o blog dos Celtics estava lá para nos contar.

Boas leituras!

6.3.11

It's Shaq Day


Hoje é o dia do Shaq. O Grande Shamrock faz 39 anos e diz aos fãs que pode ser o dia de sorte deles: enviem-lhe uma mensagem de parabéns e podem ganhar ténis e bolas autografadas. Pode ser um vídeo, uma imagem ou apenas umas palavras que toquem o coração de Shaquille. É o próprio que lança aqui o desafio e podem deixar a vossa mensagem na sua página do Twitter ou na sua página do Facebook.


4.3.11

O Joker dos Spurs


Em 1999 ainda comprávamos as botas de basquete com escudos, jogadores memoráveis como Bossio, Michael Thomas e Tote vestiam a camisola do Benfica, Rui Bandeira vence o Festival da Canção, a Microsoft lança a segunda versão do Windows 98 e a fortuna de Bill Gates atinge os 100 mil milhões de dólares. E os Spurs tiveram a sua primeira de doze temporadas regulares consecutivas com mais de 50 vitórias.

Esta 4ª feira, com a vitória em Cleveland (109-99), os Spurs fizeram o que já parece rotina para eles: conseguir pelo menos 50 vitórias numa temporada regular. E igualaram o recorde dos Lakers dos anos 80 para mais épocas consecutivas a fazê-lo. A equipa de Kareem Abdul-Jabbar e Magic Johnson esteve doze anos consecutivos a ganhar mais de 50 jogos, marca agora atingida pelos texanos.

E atingiram as 50 vitórias mais rápido que nunca, no seu 61º jogo. Em 2005-06, ano em que venceram o máximo de jogos da sua história (63), tinham um recorde de 48-13 neste ponto (nesse ano perderam com os Mavericks numa renhidíssima Final de Conferência, em 7 jogos). Estão assim encaminhados para a sua melhor temporada regular de sempre.

Muitas razões já têm sido apontadas para o sucesso dos Spurs esta época: Parker e Ginobili estão mais frescos e livres das lesões que os limitaram o ano passado, Gregg Popovich é um dos melhores treinadores da liga e um mestre a gerir a equipa em situação de jogo, jovens como George Hill e DeJuan Blair continuam o seu desenvolvimento e dão um contributo cada vez mais sólido e relevante, veteranos experientes como Matt Bonner e Antonio McDyess continuam a contribuir e os dirigentes texanos continuam a sacar pérolas como Gary Neal no draft. Mas uma razão que tem sido menos destacada e é uma das maiores diferenças em relação ao ano anterior é o jogo de Richard Jefferson.


Quando assinou pelos Spurs na temporada passada, esperava-se que tivesse um impacto grande na equipa e fosse a peça que faltava para voltarem a ser candidatos ao título. Jefferson era um ex-All Star, com duas idas às Finais da NBA com os Nets e médias de carreira de 18 pts, 5.8 res e 3 ass.

Mas a sua primeira época nos Spurs foi uma desilusão. Jefferson parecia muitas vezes perdido no ataque e ausente em grandes períodos de jogo. O seu contributo foi muito menor do que esperado e rapidamente apontaram esta contratação como um fracasso. Para piorar as coisas, os Spurs ficaram muito abaixo do esperado. E para os críticos, para além da idade das suas estrelas (eram já velhos e tinha passado o seu tempo), Jefferson era outra das razões para isso (não tinha jogado ao seu nível e não compensou o declínio dos outros).

E se este ano as suas estrelas passaram de velhos a experientes, de ultrapassados aos mais fortes candidatos, Jefferson é também uma das razões. Um responsável mais silencioso que os outros, mas igualmente importante.

Como foi também referido pelos seus defensores no ano passado, é comum os jogadores levarem tempo a adaptar-se ao sistema ofensivo de Gregg Popovich e têm muitas vezes um primeiro ano mais fraco (este ano temos o exemplo de Tiago Splitter). E no seu segundo ano, Jefferson está a provar a teoria.

Se olharmos para os seus números totais não sofreram grandes alterações. O ano passado terminou com médias de 12.3 pts, 4.4 res e 2 ass. Este ano estão muito semelhantes: 11.6 pts, 4 res e 1.4 ass. Mas está a fazê-lo com melhores percentagens de lançamento (46% em 2009-10 e 48.3% em 2010-11 de 2 pts e 31.6% contra 43.9% de 3 pts) e com um melhor aproveitamento das posses de bola (ORtg de 116 contra 110 na época passada).

Se antes era comum ver Jefferson desligado dos movimentos dos seus companheiros, agora ele já percebeu os melhores locais para complementá-los e integrar-se nas movimentações. Dois exemplos típicos desta integração no ataque são estas duas jogadas que temos visto muitas vezes esta época:



Nesta primeira, Jefferson ocupa um posição exterior, no canto do lado do pick and roll alto, fornecendo uma terceira ameaça. Neste ataque, têm a opção de penetração de Ginobili, a opção de assistir para Duncan (se o seu defensor sair a Ginobili) e a terceira opção de assistir para o exterior para Jefferson (se vier ajuda para Duncan). Um exemplo perfeito duma ocupação do espaço equilibrada e duma óptima movimentação da bola.

(outra possibilidade também utilizada é Jefferson ocupar o canto contrário ao lado da bola para o mesmo objectivo: um lançamento de 3 pontos sem contestação)




Nesta segunda Jefferson em vez de ir ocupar a posição no canto do lado contrário da bola, corta para o cesto e, com a atenção da defesa no pick and roll, recebe uma assistência para um alley hoop e um cesto fácil no garrafão.

As opções primárias do ataque são obviamente Duncan, Parker e Ginobili. Por estes jogadores começam a grande maioria dos ataques. A Jefferson cabe o papel de ler a movimentação destes jogadores e preencher os espaços entre eles, reconhecer e ocupar os espaços que ficam livres. E este é o papel fundamental de Jefferson. Complementar o ataque, fornecer opções para, se a defesa conseguir parar as opções primárias, ele estar no sítio certo para receber a bola.

Como resultado disso, o ataque dos Spurs está mais fluído e equilibrado. Mais imprevisível e mais difícil de parar. E os Spurs têm já 51 vitórias a confirmá-lo.

3.3.11

O que está a acontecer a Chris Paul?



Chris Paul fez esta noite, frente aos Knicks, mais um jogo bem abaixo daquilo que nos habituou. Apesar das 10 assistências, marcou apenas quatro (4!) pontos, com 2 em 7 de lançamentos. Foi o terceiro jogo mau consecutivo de CP3. Muitas pessoas começam a perguntar o que lhe aconteceu e, em New Orleans, perguntam quando vão ver o CP3 a jogar como MVP outra vez. As hipóteses dos Hornets nos playoffs (e mesmo para chegarem lá) dependem muito disso. Chris Paul não tem sido o mesmo. E embora ele não goste de falar nisso, o seu joelho é o principal responsável.

Desde que rompeu o menisco na temporada passada, Paul já não tem, nem nunca vai ter, a explosividade de antes. O joelho sarou, mas exige manutenção constante. E isso obrigou Paul a mudar o seu estilo de jogo. Este ano tem sido óbvia a diferença para as épocas anteriores. Está mais lento e a penetrar menos. Lança mais de fora, procura mais o passe (ou procura-o de outras posições no campo). Faz menos assistências após penetração e mais no perímetro, manobrando pela linha de três pontos e pela de lance livre. Não é que se tenha tornado pior jogador, apenas está um jogador diferente.

E se antes era apontado como o novo Isiah Thomas, agora Ryan Schwan aponta neste artigo outro jogador com o qual Chris Paul está mais parecido. Uma interessante e esclarecedora leitura para os fãs dos Hornets e para todos os que quiserem saber o que está a acontecer ao melhor base da NBA.

2.3.11

Mais desejos e aspirações das equipas da NBA


E agora o que cada equipa do outro lado dos Estados Unidos espera e deseja nestes 44 dias até aos playoffs:

Northwest Division

Oklahoma City Thunder - Afirmar a nova condição de candidato e continuar a reduzir o fosso entre eles e as três equipas da frente. E que o futuro chegue quanto antes.

Denver Nuggets - Manter a 5ª posição no Oeste e mostrar ao mundo o grande negócio que conseguiram fazer com Carmelo.

Portland Trail Blazers - Que a maldição das lesões os abandone de vez. E que Paul Allen, depois de inventar o Windows com Bill Gates, invente uma forma de criar nova cartilagem nos joelhos de Brandon Roy.

Utah Jazz - Em Salt Lake City estão divididos entre o desejo de apuramento para os playoffs (para, provavelmente, não passarem da primeira ronda) e o desejo de perder o máximo de jogos até ao fim da época e aumentar as hipóteses de ganhar a lotaria do draft (com sorte e o nº 1, podiam seleccionar Kyrie Irving para fazer esquecer Deron Williams).

Minnesota Timberwolves - Que os duplos-duplos de Love mantenham o mundo interessado na equipa, mas a falar de outra coisa que não o crescimento imparável da coluna de derrotas.


Pacific Division

Los Angeles Lakers - Na terra dos sonhos, há centenas de desejos e aspirações a cada esquina. Mas no Staples Center há apenas um: que a temporada regular acabe e comecem os jogos a sério.

Phoenix Suns - Que Steve Nash tenha 27 anos outra vez. Ou que alguém lhes diga o que fazer.

Golden State Warriors - P'ro ano há mais (defesa?).

Los Angeles Clippers - A equipa com mais highlights na NBA não deseja mais nada. Ainda estão gratos por Blake Griffin lhes ter saído em sorte. E por se terem livrado de Baron Davis e do seu gordo contrato.

Sacramento Kings - Que p'ro ano haja mais (em Sacramento?).


Southwest Division

San Antonio Spurs - Se não conhecessemos Gregg Popovich e os dirigentes dos Spurs, diríamos que desejam que esta temporada não acabe. Mas eles sabem que as equipas não são recordadas pela temporada regular. E os desejos de Popovich e R.C. Buford, por muito boa que seja a temporada regular, começam nos playoffs.

Dallas Mavericks - Spurs ou Lakers? Qual destes preferiam enfrentar na segunda ronda dos playoffs? Se mantiverem o 2º lugar no Oeste, apanham os Lakers, se cairem para 3º, apanham os Spurs. Venha o diabo e escolha, por isso, para os lados de Dallas só se deseja que a equipa continue a jogar tão bem como tem feito e se prepare para as batalhas importantes.

New Orleans Hornets - Que Chris Paul volte a jogar como um MVP.

Memphis Grizzlies - Que os seus jovens jogadores continuem a progressão e o bom momento de forma continue até ao fim da temporada para conseguirem o apuramento para os playoffs pela primeira vez desde que Pau Gasol saiu.

Houston Rockets - À semelhança dos Jazz, também em Houston há indecisos quanto aos desejos: conseguir ir aos playoffs e perder logo ou ficar de fora e jogar na lotaria do draft?

1.3.11

Desejos e aspirações das equipas da NBA


Já passámos o (simbólico) meio da temporada, com o All Star para trás e o prazo para trocas esgotado. Agora, a um mês e meio do final da temporada regular, é tempo das equipas fazerem o último esforço para conseguir atingir os objectivos traçados no início da época. Ou, para alguns, até superá-los. Ou ainda, noutros casos, salvarem o que puderem da época. Vamos então ver o que espera e deseja cada uma das equipas da NBA nestes 44 dias até aos playoffs, começando pelo lado dos Estados Unidos mais perto de Portugal:

Atlantic Division

Boston Celtics - Que Danny Ainge tenha feito a escolha certa. E que os trevos de quatro folhas não os deixem ficar mal e os O'Neals se mantenham livres de lesões até Junho (se ainda estiverem a jogar aí).

New York Knicks - Manter, pelo menos, o 6º lugar da conferência e evitar uma viagem a South Beach (ou Boston) na primeira ronda. E continuar a contar os dias para a free agency de 2012.

Philadelphia Sixers - Que os Knicks não mantenham o 6º lugar e evitarem eles a viagem. Não que ganhem a Chicago, mas só para manterem alguma esperança. Esperam também que os seus jovens (Jrue Holiday, Jodie Meeks, Thadeus Young) continuem a desenvolver-se. E que Evan Turner comece finalmente a fazê-lo.

New Jersey Nets - Que Deron Williams goste da sua nova casa.

Toronto Raptors - Que a época acabe.


Central Division

Chicago Bulls - Que Derrick Rose mantenha a forma de MVP e (porque, com o primeiro lugar na divisão e 3º no Este garantido, não têm mais nada para fazer na temporada regular) lutar por um recorde inédito: ganhar todos os jogos da sua divisão (estão com um recorde de 14-0 e faltam apenas 4 mais jogos frente a equipas da Central Division). E que o Luis Avelãs deixe de falar mal deles.

Indiana Pacers - Agarrar este 8º lugar com unhas e dentes e apurar-se para os playoffs pela primeira vez desde 2005. E que Darren Collison lhes relembre porque o contrataram.

Milwaukee Bucks - Que alguém encontre o ataque da equipa. As buscas continuam.

Detroit Pistons - Entrar em campo com 12 jogadores.

Cleveland Cavaliers - Ver o desejo dos Raptors. E multiplicar por 10.


Southeast Division

Miami Heat - Que o elenco secundário entre em acção. E que Bosh esqueça a sua queda para actor dramático e encarne antes um herói de acção. Dos duros.

Orlando Magic - Que Danny Ainge tenha feito a escolha certa (Dwight ainda se está a rir por saber que já não vai ter Kendrick Perkins a defendê-lo). E que o resto dos jogadores consigam levá-los até esse encontro com o frontcourt de Boston.

Atlanta Hawks - Que o tempo volte para trás e possam pensar melhor em oferecer um contrato de 120 milhões a Joe Johnson. Ou que ele acredite que o tempo pode voltar para trás e começe a jogar como se ainda estivesse a lutar para merecer esse contrato.

Charlotte Bobcats - Que Michael Jordan os salve. Ele fazia isso constantemente em campo, não era? Uuups, ele está num gabinete agora, não é?

Washington Wizards - Que seja inventado o transplante de cérebros e possam trocar o de uns quantos dos seus jogadores.


E amanhã, os desejos e aspirações das equipas a Oeste para o que resta da temporada.