30.8.11

A nossa selecção


Este Eurobasket promete. A maioria das selecções apresentam-se na máxima força (ou muito perto dela) e a grande maioria dos jogadores europeus que militam na NBA vão estar presentes. Se noutras edições, ora por questões físicas, ora por questões contratuais, muitos optavam por não representar o seu país, o lockout deste ano parece ter tido o efeito contrário. Com os training camps ainda longe de começar e com a possibilidade da temporada ser mais curta, a questão do desgaste da competição internacional e do peso que isso pode ter na longa temporada da NBA não se coloca e quase todos decidiram representar os seus países.


À excepção dos ausentes por lesão e um ou outro (Marcin Gortat e Ben Gordon) que tiveram problemas com o seguro em caso de lesão, vão estar presentes as principais estrelas europeias. E com isso, ganha a competição e ganhamos nós. Porque este Eurobasket vai ser uma representação fiel do valor do basquetebol europeu e promete basquetebol do mais alto nível.

Ora neste panorama, que podemos esperar da participação da nossa selecção? Incluída no grupo A, vamos apanhar pela frente a favorita Espanha, a anfitriã e candidata Lituânia, a poderosa e também candidata Turquia e ainda a Polónia e a Grã-Bretanha. Um grupo difícil, com três potências do basquetebol europeu (e mundial), uma boa selecção polaca e a acessível Grã-Bretanha.

Que armas temos para enfrentá-las? Antes de mais, temos de falar das armas que não vamos ter. Lesionados e fora dos planos de Mario Palma, estão Heshimu Evans, João "Betinho" Gomes, Paulo Cunha e Nuno Cortez, todos jogadores importantes e cuja falta será sentida. Assim, as doze armas que temos são:

Bases - António Tavares (Benfica), José Costa (Porto), Miguel Minhava (Benfica) e Filipe da Silva (Paris-Levallois, França)

Extremos - Carlos Andrade (Porto), João Santos (Porto), José Silva (Barreirense) e Fernando Sousa (Académica)

Postes - Elvis Évora (Benfica), Miguel Miranda (Porto), Cláudio Fonseca (V. Guimarães) e Marco Gonçalves (Ginásio Figueirense)

Destes, o cinco inicial provável será José Costa, Carlos Andrade, João Santos, Miguel Miranda e Elvis Évora.


Quais são então as forças e fraquezas desta selecção? Comecemos por estas últimas.

- Falta de wing players
Temos jogadores exteriores e interiores, mas faltam-nos jogadores intermédios, capazes de fazer o jogo de ligação entre um e outro, elementos com jogo de meia distância e penetrações capazes de desequilibrar e tirar as defesas de posição (o tipo de jogo que encontramos em Paul Pierce Shawn Marion ou Lebron James, para dar exemplos da NBA). Carlos Andrade é o único com a versatilidade para fazer esse tipo de jogo, mas mesmo ele é mais um shooting guard defensor e atirador.

- Défice de altura
Este é um problema histórico em Portugal. Somos um país de gente pequena e não podemos fazer nada contra isso. Todas as selecções do grupo têm vários jogadores com 2,08m ou mais e pelo menos um jogador acima dos 2,10m. Nós não temos ninguém que ultrapasse os 2,06m.

- Pouca versatilidade dos bases
Os nossos bases são essencialmente organizadores e atiradores. São jogadores que operam essencilamente pelo perímetro e o único capaz de penetrar e jogar no 1x1 é António Tavares.

- Falta dum go-to player
O nível no cinco inicial é homogéneo e ninguém se destaca, mas o que pode parecer uma coisa boa revela também um lado negativo: falta-nos uma estrela da equipa, um jogador que desequilibre e a quem possamos recorrer em alturas ou posses de bola decisivas.

- Banco
O cinco inicial é competitivo e experiente, mas depois Mário Palma não tem tantas opções no banco como gostaria. Com as lesões, foram chamados nomes menos habituais e alguns deles têm pouca ou nenhuma experiência a este nível. Nos bases, o nível é homogéneo e podemos fazer qualquer rotações com os quatro bases, mas nas outras posições as alternativas aos titulares são inferiores, especialmente nos extremos, onde não há alternativa à altura para João Santos e Carlos Andrade.

Como é sempre o caso, temos de fazer das nossas fraquezas forças e tentar aproveitar o que temos de melhor:

- Distribuição da marcação de pontos
A homogeneidade do cinco e a falta dum go-to player deve ser aproveitada para tornar o ataque mais imprevisível. Não há ninguém que seja a ameaça óbvia e não há um jogador para a equipa adversária neutralizar. Todos os jogadores podem marcar (no último jogo, frente à Finlândia, quatro jogadores marcaram na casa das dezenas, por exemplo).

- Lançamento de 3 pontos
Esta é a nossa especialidade. Tanto que às vezes abusamos dela e conformamo-nos com os lançamentos exteriores. Mas com o défice de altura dos jogadores interiores e a falta de wing players, é uma arma que teremos sempre de explorar e de que precisamos para conseguir espaço noutras áreas do campo.

- Experiência
O núcleo desta selecção já esteve no Europeu de 2007 e já tem experiência a este nível. Por isso as emoções estarão sob controle. E jogadores experimentados e calmos conseguem controlar melhor o ritmo de jogo e ter melhores decisões em campo.

Mas ainda estamos longe das selecções de topo e são, portanto, modestas as aspirações de Portugal neste Eurobasket. Com os três primeiros de cada grupo a passar para a segunda fase, as hipóteses de Portugal consegui-lo são diminutas, para não dizer nulas. Mas já é bom lá estarmos e marcarmos presença nos principais palcos da modalidade. Agora o objectivo é conseguir uma vitória frente à mais fraca Grã-Bretanha ou frente à desfalcada Polónia (sem Gortat e Maciej Lampe, do Caja Laboral) e fazer uma boa figura e o melhor possível contra Espanha, Lituânia e Turquia.


(e o primeiro jogo é já amanhã - ou hoje, dependendo de quando estiverem a ler isto -, quarta-feira, frente à Turquia, às 15:45, com transmissão em directo na SportTV. Podem ver aqui o lista completa e os horários dos jogos da 1ª fase que a SportTV vai transmitir e ver aqui um calendário maravilha de todo o torneio)

29.8.11

Bola(s) ao ar no Eurobasket 2011


A Lituânia é um país de basquetebol. É o desporto mais popular do país, com mais de 25000 praticantes federados (parece um número pequeno, mas a Lituânia tem apenas 3 milhões da habitantes e, para terem uma noção, é o dobro dos praticantes de futebol). Os jogadores de basquetebol são os desportistas mais famosos do país. Os Cristianos Ronaldos e Fábios Coentrões lá do sítio chamam-se Sabonis, Marciulonis ou Jasikevicius.

E para dar início às festividades do Eurobasket 55000 lituanos juntaram-se para driblar 55000 bolas de basquetebol, estabelecendo o recorde do mundo para o maior número de pessoas a driblar ao mesmo tempo:


"Estamos muito contentes por mostrar ao mundo o que o basquetebol significa para nós e o quão loucos por basquetebol somos", disse o presidente da organização, Mindaugas Spokas. Acho que ninguém ficou com dúvidas.

Portugal no Eurobasket


Desculpem a ausência nos últimos dois dias, mas o trabalho tem apertado e entre um Domingo a trabalhar das 11 às 11 e mais umas noitadas na agência não sobra muito tempo para escrever.
Mas, em resposta à questão do JP nos comentários do post anterior, sim, claro que vamos acompanhar as desventuras da nossa selecção no Eurobasket.


Como está escrito na nossa apresentação, o SeteVinteCinco é o blogue português da NBA, por isso antes de sermos da NBA, somos portugueses. E não podemos ficar indiferentes ou ignorar uma rara participação da nossa selecção num Campeonato da Europa. Já basta a distracção das nossas televisões e jornais desportivos.
Para além disso, a NBA continua sem novidades (vamos ter reunião entre os donos e os jogadores esta semana, vamos ver o que dá) e prolonga-se a silly season ad eternum.

Por isso, mantemos um olho no outro lado do Atlântico e vamos ficar atentos ao que por lá aconteça, mas as nossas atenções voltam-se para a Lituânia e para o torneio que começa já esta quarta-feira. Fica prometido para amanhã o post com a análise da selecção portuguesa.

27.8.11

Um pequeno que deixou uma grande marca


Muito bom o artigo de Shaun Powell no NBA.com sobre Muggsy Bogues e os jogadores com menos de 6 pés (1,83m) que tiveram carreiras bem sucedidas na NBA. Uma leitura imperdível sobre o jogador mais baixo de sempre que jogou na NBA (5'3'' ou 1,59m). Um grande jogador que nos fez sonhar a todos e nos fez acreditar, a nós minorcas, que era possível jogar na NBA.


É verdadeiramente inacreditável o que o pequeno Bogues fazia e como conseguiu ter uma carreira de 14 anos nesta liga de gigantes. Como diz no artigo Allan Bristow, seu antigo treinador nos Hornets, "Toda a gente fala de como nunca vai haver outro Michael Jordan ou outro Larry Bird. Mas a verdade é que nunca vamos ver outro Muggsy Bogues."


25.8.11

Era Uma Vez a NBA: os anos 00


E chegamos ao fim da nossa viagem pela história da NBA com a primeira década do novo milénio. E se a NBA já terminou o século XX como uma liga global só reforçou essa posição no início do século XXI. Para isso muito contribuiu a entrada dum gigante que levou a fama da NBA até um país (e um mercado) gigante. Yao Ming abriu as portas da China e ajudou a NBA a conquistar mil milhões de fãs e o espaço que faltava para se tornar verdadeiramente universal.

Para além do fenómeno Yao, uma nova geração de jogadores veio substituir o vazio deixado pela retirada de Michael Jordan e dos outros grandes nomes dos anos 80 e 90. Jogadores como Iverson, Garnett, Nowitzki, Duncan e Bryant (que se estrearam ainda no final dos anos 90, mas atingiram o seu auge nos anos 00) e a primeira geração de estrelas do novo milénio, com Carmelo, Lebron, Howard, Paul, Stoudamire ou Wade.


A nível colectivo, a década começou como acabou: sob o reinado dos Lakers. Com Shaq e Kobe, de 2000 a 2002, e Kobe e Gasol, em 2009 e 2010. E sempre com Phil Jackson. E estas duas encarnações da equipa do Zen Master foram duas das equipas da década. A escolher entre uma delas, a vantagem vai para a primeira. Shaq e Kobe foram uma das melhores duplas interior-exterior de sempre e o Diesel era, no seu auge, um jogador imparável. A única forma de o impedir de marcar era atirar dois ou mesmo três defesas contra ele. Ou então fazer falta e metê-lo na linha de lance livre (o Hack-a-Shaq que Popovich e os Spurs celebrizaram).
E a única coisa que os impediu de dominar toda a década foi o choque de egos entre Shaq e Kobe. Aquele balneário era pequeno para os dois e um, Shaq, acabou por ser trocado. Não fosse isso e quem sabe quantos títulos podiam ter ganho.


Quem ganhou com isso foram as outras duas equipas da década: os Spurs e os Pistons.
Em 2004, a equipa de Detroit aproveitou da melhor maneira a guerra civil que consumia o balneário dos Lakers na última temporada em que Kobe e Shaq jogaram juntos e protagonizou a maior surpresa da década: 4-1 nas Finais frente aos favoritíssimos Lakers de Kobe, Shaq, Payton e Malone. Para além do título desse ano e mais uma ida às Finais no ano seguinte, foram candidatos eternos no Este, com seis finais de conferência seguidas entre 2003 e 2008.

A equipa de San Antonio era já uma das maiores ameaças ao reinado Shaq/Kobe (venceram-nos mesmo e foram campeões em 2003) e aproveitou o fim da sua dinastia para ganhar mais dois, em 2005 e 2007. Foram os campeões dos anos ímpares.

Um destaque ainda para os Celtics de 2008, que criaram muita expectativa com a reunião do seu Big Three de Garnett, Allen e Pierce e dominaram a temporada seguinte. Tivessem-se eles reunido no auge das suas carreiras e quem sabe o que podia ter acontecido. É mais uma dinastia-que-podia-ter-sido. Mas pelo que foi (ainda que curto) e pela amostra que deram do que podia ter sido, terão sempre um lugar em qualquer história desta década. E o nome deles lá estará na lista de campeões da década:

(se bem se lembram, os campeões estão a amarelo e as cruzes indicam as equipas com o melhor recorde da temporada)


Década esta que termina com a ascensão de uma nova geração de jogadores. Rose, Durant, Westbrook, Griffin, Rondo, Curry ou Love são nomes que vamos ouvir bastante nos próximos anos. Mas nos dez anos que ficaram para trás, foram estes os melhores:

Steve Nash - guard
Kobe Bryant - shooting guard
Lebron James - forward
Tim Duncan - power forward
Shaquille O'Neal - center

(esta posição de base não foi nada fácil de escolher. Nash foi o eleito porque 2 MVPs consecutivos é coisa para muito poucos e um feito reservado aos melhores, mas Jason Kidd, que liderou os Nets a duas Finais e é um melhores organizadores e distribuidores de sempre, e Allen Iverson, que foi MVP em 2001 e melhor marcador em 2001, 2002 e 2005, estão taco a taco com ele)

24.8.11

Jordan regressa e traz amigos


Com o início da temporada na NBA em risco, alguns dos melhores jogos de basquetebol deste Outono podem acontecer numa consola perto de ti. O novo NBA2K12, que sai no dia 4 de Outubro, traz, para além de Michael Jordan (que já estava na versão anterior do jogo), mais 15 lendas da NBA.

A lista é apetitosa: Julius Erving, Kareem Abdul-Jabbar, Wilt Chamberlain, Oscar Robertson, Jerry West, Bill Russel, Patrick Ewing, Hakeem Olajuwon, Karl Malone, John Stockton, David Robinson, Scottie Pippen, Isiah Thomas e ainda os Warriors de 91 (o RUN TMC de Hardaway, Mullin e Richmond) e os Kings de 02 (Chris Webber, Stojakovic, Divac e companhia).

E já que por aqui andamos numa de memórias, o trailer do jogo continua a onda de nostalgia:


23.8.11

Space Jam 1.0


Já todos viram o filme, mas quem é que conhece o site original? A Warner Bros mantém online essa verdadeira relíquia, tal como era em 1996, aquando do lançamento do filme. Thank you for the memories.