7.7.11

Recordar é viver


A única coisa boa deste lockout é que nos dá a oportunidade de recordar a história da NBA. Com a impossibilidade de utilizar imagens dos jogadores ou sequer fazer referência aos seus nomes, o site da NBA, os sites das equipas e a NBA TV estão transformados em museus. A única actividade a registar por estes dias nesses sítios, para além de castings de cheerleaders e vídeos de mascotes, é a recordação de jogadores do passado, equipas do passado e drafts e all stars de tempos idos. Tanta imagem antiga despertou o nosso lado nostálgico e trouxe-nos memórias de quando a NBA tinha anúncios como este (ah, as saudosas tardes de NBA na RTP 2!):


6.7.11

O filho pródigo tornou a casa (e falou)


Depois da festa do título em Dallas, Dirk Nowitzki regressou a casa. E depois desta recepção de herói na sua cidade natal de Wurzburg...


...o alemão deu uma honesta entrevista ao Der Spiegel que foi publicada ontem. É um Nowitzki sincero que afirma que não jogou assim tão bem nas Finais e que se não fosse o grande jogo colectivo dos Mavs ele não teria um anel. E um Nowitzki com os pés assentes na terra que diz que não está interessado na fama e nas dezenas de ofertas publicitárias que recebeu depois das Finais e que o que lhe interessa mesmo é jogar basquetebol. Ou ainda um Nowitzki emocionado que confessa que, quando se retirou para o balneário assim que o jogo acabou, desfez-se em lágimas e não sabia se ia conseguir voltar ao campo para receber o troféu. Vale a pena ler. E podem lê-la na sua totalidade aqui.

5.7.11

Tudo o que precisas saber sobre o lockout


Há umas semanas, quando o fim do Acordo Colectivo de Trabalho em vigor se aproximava e o lockout parecia cada vez mais inevitável, fizemos aqui um artigo com o bê-à-bá do que estava em causa. O lockout chegou mesmo e ninguém arrisca previsões sobre quando poderá terminar. Muitos dizem que esta paragem está aí para durar e alguns dizem até que poderá durar mais que a de 1999. Uma coisa parece certa: a diplomacia que reinou até ao lockout vai diminuir e as posições vão extremar-se.


Até ao dia 30 de Junho, tanto os jogadores como os donos queriam (ou pelo menos queriam mostrar que estavam a fazer tudo para) evitar o lockout. Essa era a data que os pressionava, o prazo que tinham para chegar a algum entendimento. Agora que essa pressão já passou, a próxima data-limite para um entendimento só chega em Outubro. Um acordo até ao início do mês de Outubro é o prazo-limite para a temporada começar a tempo e horas. Se a meio de Outubro não houver acordo, jogos em Novembro são para esquecer.

Por isso, até lá, ambas as partes vão aproveitar para extremar as suas posições e só quando se aproximar esse prazo-limite é que vão começar a sentir (se sentirem) alguma urgência em resolver a questão. Até lá vamos assistir a um Verão de troca de galhardetes, troca de acusações e desinformação. Os jogadores culpam os donos, os donos culpam os jogadores. Os donos querem fazer-nos pensar que estão a perder dinheiro e só cortando nos salários dos jogadores é que podem inverter essa situação. Os jogadores querem fazer-nos pensar que eles já estão a ceder bastante e que os esforços não podem ser só dos jogadores, os donos deviam também fazer a parte deles e negociar um sistema de partilha das receitas entre todas as equipas (à semelhança do que acontece na NFL).

Se quiserem conhecer mais profundamente tudo que o que está em causa neste lockout, deixo-vos aqui uma selecção de artigos que dissecam a questão e também contrariam algumas das ideias feitas:



- E Andrew Sharp, da SB Nation, a propósito do legado de David Stern, faz uma análise interessante do erro que é para os donos das equipas avançarem para este lockout.

3.7.11

Os 10 melhores jogadores estrangeiros de sempre



Dizíamos ontem que Nowitzki é o melhor jogador europeu de sempre, mas ele pode ser mais que isso, pode mesmo ser o melhor jogador estrangeiro de sempre na NBA. De facto, só nos lembramos de mais um jogador que entra nessa luta com ele. Para descobrir de quem falamos procurem no topo desta lista dos melhores jogadores da história da NBA que não nasceram nos Estados Unidos.


Menções Honrosas

Drazen Petrovic - Arvidas Sabonis - Tony Kukoc

Três dos melhores jogadores europeus de sempre. Petrovic foi um dos pioneiros, um dos primeiros jogadores europeus a jogar na NBA. Entrou na liga em 89 e, depois dum começo difícil, estabeleceu-se como um dos seus melhores atiradores. Teve uma média de 21.4 pts e 44.7% nos 3pts nas suas duas últimas épocas e era uma questão de tempo até se tornar All Star, mas um acidente de viação pôs fim à sua carreira e à sua vida.
Sabonis foi o Jogador Europeu do Ano por 8 vezes e foi para a NBA apenas aos 31 anos. Era ainda um dos melhores postes da liga, mas fica por saber o que poderia ter feito se tivesse jogado na NBA no seu auge.
Kukoc também só foi para a NBA depois duma carreira bem sucedida na Europa, mas foi ainda no seu auge. Foi o Sexto Homem do Ano em 96 e um elemento fundamental no segundo threepeat dos Bulls.


10- Vlade Divac
Divac foi outro dos pioneiros europeus na NBA. Foi o primeiro jogador estrangeiro seleccionado pelos Lakers na sua história e tornou-se um dos melhores postes da liga. Foi seleccionado para a All-Rookie First Team em 90 e para o All Star em 2001. É um de seis jogadores na história com mais de 13000 pts, 9000 res, 3000 ast e 1500 dl.

9- Detlef Schrempf
Antes de Nowitzki houve Schrempf. O alemão com ar de Ivan Drago estreou-se na NBA em 85 e aí jogou até 2001. Excelente atirador (51.4% 3pts em 94-95!), foi o Sexto Homem do Ano por duas vezes, All Star por 3 vezes e foi às Finais com os SuperSonics em 96.

8- Yao Ming
O gigante chinês (2,29m) revolucionou a NBA quando lá chegou e abriu as portas do gigantesco mercado chinês. Cortesia de milhões de chineses a votar em massa, foi All Star desde a sua primeira época e leva 8 selecções na sua carreira. Justiça seja feita, apesar do lugar cativo no All Star por via dos votos dos seus compatriotas, foi sempre um dos melhores postes da liga nessas épocas e jogador de mais de 20 pts e 10 res. Infelizmente as lesões recorrentes no pé podem obrigar a uma retirada precoce.

7- Manu Ginobili
Três vezes campeão da NBA, duas vezes All Star e Sexto Homem do Ano em 2008. Os Spurs são uma das equipas da década e Ginobili é um dos maiores responsáveis por isso. Atira, penetra, assiste, defende, luta, faz de tudo em campo e fá-lo bem.

6- Tony Parker
O primeiro europeu a ganhar o MVP das Finais, em 2007. Três vezes campeão da NBA e três vezes All Star. Le Blur leva já 10 temporadas na NBA e por isso esquecemo-nos que só tem ainda 28 anos. Quando acabar a carreira poderá estar um lugar ou dois acima nesta lista.

5- Pau Gasol
Um dos melhores power forwards actualmente na liga e um dos mais versáteis na posição. Marca, ressalta, assiste e defende. É o outro MVP dos Lakers e um dos maiores responsáveis pelo sucesso da equipa nas últimas temporadas. Rookie do ano em 2002, 4 vezes All Star e duas vezes campeão da NBA.

4- Dikembe Mutombo
Um dos melhores defensores interiores e protectores do cesto de sempre. O seu gesto com o dedo sempre que negava um cesto a um adversário tornou-se mítico. Quatro vezes Defensor do Ano, 8 vezes All Star, 2 vezes Melhor Ressaltador, 5 vezes líder nos desarmes de lançamento e o segundo jogador com mais desarmes de lançamento na NBA.

3- Steve Nash
O melhor base não-americano de sempre. Sete Vezes All Star, 3 vezes All NBA First Team e, algo que nenhum não-americano alguma vez conseguiu, 2 vezes MVP da NBA. Liderou a NBA em assistências/jogo 5 vezes (desde 2004 que tem uma média acima das 11/jogo) e é o melhor de sempre em percentagem de lances livres. Faltam-lhe os títulos para disputar o primeiro lugar com os dois jogadores que se seguem.

2- Dirk Nowitzki
O alemão lançou a sua candidatura a melhor estrangeiro de sempre com o título e a performance deste ano. Provavelmente o melhor atirador de sempre entre os jogadores com a sua altura e um jogador de 2.13m com um tipo de jogo nunca antes visto, o que o torna tão difícil de defender. Nove vezes All Star, 4 vezes All NBA First Team, MVP da NBA em 2007, campeão e MVP das Finais em 2011. E com algumas temporadas ainda para jogar este currículo ainda pode aumentar.

1- Hakeem Olajuwon
Mas o melhor estrangeiro de sempre ainda é este senhor. Hakeem The Dream, um dos melhores postes que já jogou na NBA e provavelmente o mais ágil e com melhor trabalho de pés de todos. All Rookie Team em 85, 12 vezes All Star, 6 vezes All NBA First Team, 2 vezes Melhor Defensor, MVP da NBA em 94 e duas vezes campeão (em 94 e 95). É ainda o jogador com mais desarmes na história da NBA, 11º em ressaltos, 9º em pontos e 8º em roubos de bola (o único poste no top 10).


2.7.11

O campo de basquetebol mais louco do mundo


Pois é, a Alemanha não tem apenas o melhor jogador europeu de sempre e o MVP das Finais de 2011, tem também o campo mais louco do mundo:




É um trabalho da autoria do colectivo de artistas Inges Idee e se quiserem experimentar bater umas bolas aqui é só ir até ao Berufsschulzentrum, na cidade de Munique. Mas cuidado com os entorses.

1.7.11

Mais um passo para os Cavs


Afinal os Cavaliers tinham um plano. Depois de anteontem nos perguntarmos qual ele seria quando seleccionaram Tristan Thompson no draft e o que iam fazer agora com J.J. Hickson, os Cavs não demoraram a responder. Não esperaram para saber o que vai acontecer com o CBA e deram mais um passo na reconstrução antes que o lockout fosse declarado. Foi o último negócio antes da NBA entrar em lockout (e agora só quando houver novo Acordo é que pode haver mais movimentações).

E assim, mandaram Hickson para Sacramento em troca de Omri Casspi e uma primeira ronda. Tristan Thompson é então a aposta para power forward a tempo inteiro, com Antawn Jamison como power forward suplente. E com Casspi preenchem mais uma posição onde tinham carências.

O jovem (e grande, 2,06m) small forward israelita é o tipo de jogador que agrada a Byron Scott: lutador, agressivo, com garra. Foi escolhido na 23ª posição do draft de 2009 e fez uma boa temporada rookie (10.3 pts, 4.5 res, em 25.1 min/jogo e 31 jogos como titular). Esta temporada, depois de começar como titular, caiu na rotação e viu o seu tempo de jogo diminuir gradualmente até acabar no fundo do banco (8.6 pts, 4.3 res, em 24 min/jogo e 27 jogos como titular). Os Cavaliers parecem acreditar no seu potencial e escolheram-no para fazer parte do jovem núcleo para o futuro.

E uma das estatísticas que mais agradou à equipa de Cleveland foram os seus 49% nos lançamentos de 3 pontos do canto do campo. O objectivo dos Cavs é ter uma ameaça exterior e um jogador que abra espaços e espalhe a equipa ofensivamente, para Irving penetrar e para Thompson operar no interior. E mais um jogador bom defensivamente e que dê tudo nesse lado do campo, algo que Byron Scott muito aprecia (e algo que Hickson deixava a desejar).

Foi, basicamente, a troca de uma promessa por outra promessa e ainda uma escolha na primeira ronda. E essa pode ser a diferença entre este ser um bom negócio ou um excelente negócio. Vai depender de como usarem essa escolha e quem seleccionarem com ela. Vão certamente tentar preencher mais uma posição e se conseguirem um bom jogador pode ter sido uma excelente troca. Pode, portanto, transformar-se na troca duma promessa por duas promessas (ou dois bons jogadores).

Mesmo agora, sem saber o que vai acontecer com essa escolha, trocar uma promessa por outra e mais uma primeira ronda parece um bom negócio. Escrevemos que, no dia do draft, os Cavs deram um passo em frente e outro para o lado. Agora transformaram esse passo para o lado em mais um pequeno passo para a frente. O caminho até ao topo continua a ser longo, mas parece que os Cavs têm um plano.

Estamos de luto


E pronto, não houve milagre e desde a meia-noite a NBA está em lockout. Se já foram hoje procurar notícias no seu site oficial, já repararam que até mesmo este está em modo de gestão. Esperemos agora que não se cometam os mesmos erros da última vez (onde as duas partes chegaram a estar 45 dias sem se reunir) e se continue a negociar (mas a negociar a sério, não apenas para manter as aparências e a boa-vontade do público) para tentar encontrar um acordo. Todos os fãs que acompanharam esta temporada (e outras) e fizeram dela o sucesso que foi merecem que ambas as partes se entendam rapidamente.

Até lá, enquanto isso não acontecer e enquanto não se voltar a ouvir ténis a chiar e bolas a bater, o SeteVinteCinco está oficialmente de luto (repararam na faixa negra no canto? Vai lá ficar até haver acordo).


(estamos de luto, mas não vamos parar, os artigos e as análises vão continuar e vamos continuar por aqui a falar daquilo que mais gostamos)