28.6.11

Cavs: um passo em frente e outro para o lado?


E passamos do topo da classificação para o seu fundo. Dos primeiros para os penúltimos. Depois do pesadelo que foi a última offseason, em que viram o seu melhor jogador e a face da organização mudar de equipa, este ano os Cavs foram bafejados pela sorte na lotaria do draft e ficaram com a primeira e a quarta escolhas. Uma questão de karma?


Karma ou não, o facto é que Cleveland conseguiu uma oportunidade única de reconstruir (ou começar a reconstruir) a sua equipa e a aposta para tal recaiu em Kyrie Irving e Tristan Thompson. Irving vai encontrar Byron Scott, um treinador que jogou ao lado de um dos melhores bases de sempre, Magic Johnson, e treinou dois dos melhores bases da liga, Jason Kidd (nos Nets) e Chris Paul (nos Hornets). Coincidência ou não, Paul é o jogador com quem Irving é frequentemente comparado e ele sempre deu o mérito pelo seu desenvolvimento a Scott. Por isso, este emparelhamento não podia ser melhor para Irving começar a sua carreira. Scott é conhecido por retirar o melhor rendimento dos seus bases e vai ser um excelente professor para o jovem base.

Porque a tarefa do ex-Duke não vai ser fácil. Apesar de serem jogadores completamente diferentes e apesar de ninguém esperar de Irving o mesmo que esperavam de Lebron, a verdade é que muitas das esperanças dos fãs dos Cavs recaem nos seus ombros. Ele é o mais parecido com uma estrela que os Cavs têm neste momento e a pressão vai ser grande para corresponder a todas as expectativas. As expectativas que advém de ser o nº1 do draft e as que advém de ir substituir Lebron como a estrela da companhia.

Quanto ao outro jogador escolhido no draft, Tristan Thompson, a expectativa pode ser menor, mas a responsabilidade nem por isso. Primeiro, porque ninguém esperava que fosse uma selecção tão alta (e vai ser muito escrutinado por isso) e, segundo, porque ele parece ser outro pilar para o futuro desta equipa. O que nos leva à questão que nos colocámos desde que ouvimos o seu nome anunciado no draft: o que pensam os Cavs fazer com J.J. Hickson?

O power forward é (ou era) o jogador em que mais apostavam e um dos jogadores com que contavam para a reconstrução. Os Cavs acreditam que ele é um jogador com potencial para se tornar um power forward de topo. Então porquê escolher outro jogador para essa posição? Parecia fazer mais sentido escolherem um poste (como Valancuinas) e preencherem mais uma posição. E agora têm um bico de obra para resolver: vão ter de dividir o tempo de jogo entre ele e Thompson, o que pode ser prejudicial para o desenvolvimento dos dois.
Se contam com Hickson a longo prazo, deviam pô-lo a jogar o mais possível e desenvolvê-lo ao máximo. E se por acaso não contam e quiserem trocá-lo, deviam pô-lo a jogar o mais possível também, para subir a sua cotação e conseguir o máximo em troca dele. Assim parece uma situação em que vão ficar sempre a perder.

A menos que tenha a oportunidade de escolher um daqueles jogadores tão bons que não se pode deixar passar (nesse caso escolhe-se independentemente da posição), uma equipa com tantas necessidades e carências em tantas posições deve aproveitar o draft para preencher essas posições. Nem Thompson parece um jogador assim tão bom que não pudessem perder a oportunidade de o escolher, nem os Cavs são uma equipa recheada de bons jogadores. Já tinham um power forward para desenvolver e podiam agora ter um power forward, um base e um poste.

Por isso, estes primeiros passos para a reconstrução parecem um pouco confusos. Independentemente do que aconteça com Thompson, mesmo que este se torne um jogador fantástico, a questão do que fazer com Hickson mantém-se. Pelo que, para já, parece que os Cavs deram um passo em frente com Irving e um passo para o lado com Thompson.

6 comentários:

  1. João Lemos29/06/11, 01:19

    É sempre bom ter mais que um jogador para uma posição, especialmente se são dois jogadores potenciais e assim a concorrência que poderão fazer um ao outro pode ser um factor motivante nos treinos e podem aprender um com o outro. Acho que ambos, mesmo rodando mais do que esperavam, ficarão a ganhar com isso e principalmente a equipa, que bem precisa de se mentalizar num novo ciclo e recuperar progressivamente da péssima época que teve em 2010-2011.

    Saudações :)

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  2. Stoudemire29/06/11, 08:35

    Tambem nao percebo a escolha deles :S
    Podiam ja ficar quase com um bom 5 inicial, e de futuro...

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  3. eu acho que eles fizeram duas boas escolhas podiam era arranjar um bom center que ainda nao o tem.
    o hickson pode jogar a Center e isso e bom para eles, tambem gostava de ver o que vão fazer com o baron davis.

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  4. Detroiteano29/06/11, 16:16

    Esquecem-se do Varejão... O J.J. Hickson com 2,06m, é curto para Center... E para Small Forward, nao sei que tem a aptidao necessaria, apesar de apresentar uma media de 13 pontos, o que nao é nada má...

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  5. Sinceramente, foi uma escolha estranha. Mas mais estranho ainda foi a escolha de Utah ao ir atrás de Kanter em vez de Brandon Knight, na minha opinião. Isso deve ter estragado os planos de Cleveland. Mas também não encontro nenhuma alternativa, talvez Valanciunas ou Vesely? Não sei bem o que achar da pick, parece que temos que esperar para ver :)
    E quanto a Hickson a 5, muito baixo, não deve dar grandes resultados. Talvez optem por uma rotação de 3 grandes, como fazem os lakers. Mas vão ficar com um défice de altura enorme...

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  6. JJ Hickson foi para Sacramento em troca com o Casspi e uma futura 1st round pick

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