Na hora da despedida, Kobe foi Kobe.
60 pontos e o cesto da vitória. Mas com 50 lançamentos e “hero ball” ao extremo. Foi um bom resumo da carreira do Black Mamba. Uma carreira de feitos e números individuais extraordinários, capaz de esticar os limites do humanamente possível, mas feita à sua maneira.
“Tem números extraordinários, mas não da forma mais eficiente e muitas vezes de forma contrária aos fundamentos do jogo. Números individuais extraordinários, mas feitos à maneira dele e, muitas vezes, em prejuízo da própria equipa.
A mesma dicotomia que encontramos no seu talento. Kobe é o jogador mais talentoso da sua geração e um dos jogadores mais talentosos de sempre, mas muitas vezes não usava esse talento da forma mais colectiva. Quis sempre fazer as coisas à sua maneira e nem sempre essa era a melhor maneira. Só que conseguia ter sucesso jogando dessa forma errada devido a esse talento extraordinário.
E a mesma dicotomia que encontramos na sua personalidade. Um jogador que queria ganhar acima de tudo, mas nos seus termos e condições. Queria ganhar, mas numa equipa onde ele fosse o líder e melhor jogador. Queria ter sucesso colectivo, mas sem sacrificar o seu sucesso individual.”
Ontem, foi assim mais uma vez. Kobe estabeleceu o máximo de pontos num jogo desta temporada (ultrapassou os 59 de Anthony Davis), mas também estabeleceu o máximo de lançamentos tentados (desta temporada e dos últimos 30 anos! Lançou 50 vezes em 42 minutos de jogo!). Kobe fez mais um feito heróico, mas o ataque dos Lakers durante todo o jogo resumiu-se a passar-lhe a bola e deixá-lo jogar 1x1 (ou 1x2 ou 1x3).
Foi um jogo que tanto dá argumentos aos fãs para o glorificarem como aos haters para o atacarem. E essa é a melhor saída de cena possível para um dos jogadores mais amados e odiados de sempre.
Por uma última vez, Kobe foi herói. E por uma última vez, foi vilão. Pela última vez, Kobe foi Kobe. Não podia ter sido uma despedida mais perfeita. Podemos amá-lo, podemos odiá-lo. Mas vamos com certeza sentir a sua falta.