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14.4.16

Pela última vez, Kobe foi Kobe


Na hora da despedida, Kobe foi Kobe. 
60 pontos e o cesto da vitória. Mas com 50 lançamentos e “hero ball” ao extremo. Foi um bom resumo da carreira do Black Mamba. Uma carreira de feitos e números individuais extraordinários, capaz de esticar os limites do humanamente possível, mas feita à sua maneira.

Como já escrevemos aqui, é um legado complicado, o de Bryant:

“Tem números extraordinários, mas não da forma mais eficiente e muitas vezes de forma contrária aos fundamentos do jogo. Números individuais extraordinários, mas feitos à maneira dele e, muitas vezes, em prejuízo da própria equipa.

A mesma dicotomia que encontramos no seu talento. Kobe é o jogador mais talentoso da sua geração e um dos jogadores mais talentosos de sempre, mas muitas vezes não usava esse talento da forma mais colectiva. Quis sempre fazer as coisas à sua maneira e nem sempre essa era a melhor maneira. Só que conseguia ter sucesso jogando dessa forma errada devido a esse talento extraordinário.

E a mesma dicotomia que encontramos na sua personalidade. Um jogador que queria ganhar acima de tudo, mas nos seus termos e condições. Queria ganhar, mas numa equipa onde ele fosse o líder e melhor jogador. Queria ter sucesso colectivo, mas sem sacrificar o seu sucesso individual.”


Ontem, foi assim mais uma vez. Kobe estabeleceu o máximo de pontos num jogo desta temporada (ultrapassou os 59 de Anthony Davis), mas também estabeleceu o máximo de lançamentos tentados (desta temporada e dos últimos 30 anos! Lançou 50 vezes em 42 minutos de jogo!). Kobe fez mais um feito heróico, mas o ataque dos Lakers durante todo o jogo resumiu-se a passar-lhe a bola e deixá-lo jogar 1x1 (ou 1x2 ou 1x3).

Foi um jogo que tanto dá argumentos aos fãs para o glorificarem como aos haters para o atacarem. E essa é a melhor saída de cena possível para um dos jogadores mais amados e odiados de sempre.

Por uma última vez, Kobe foi herói. E por uma última vez, foi vilão. Pela última vez, Kobe foi Kobe. Não podia ter sido uma despedida mais perfeita. Podemos amá-lo, podemos odiá-lo. Mas vamos com certeza sentir a sua falta.

17.1.16

Grande Ben


Imaginem um poste com 2,02m, sem técnica individual, sem movimentos ofensivos, incapaz de jogar de costas para o cesto e com um mau lançamento. Não lhe augurariam grande sucesso na NBA, pois não? Foi o que os olheiros e general managers da liga também não auguraram a Ben Wallace. 

Após uma carreira universitária longe dos holofotes na divisão II da NCAA, Wallace, previsivelmente, não foi seleccionado no draft de 1996. Acabou por conquistar um lugar no fundo do banco dos (então) Washington Bullets e foi por lá que passou a sua época de rookie (foi utilizado apenas em 34 jogos e uma média de 5 mins/jogo nesse ano).
No seu segundo ano, aproveitou a oportunidade que algumas lesões na equipa lhe deram e jogou um pouco mais (16.3 mins/jogo), mas continuou a ser apenas mais um role player da liga a tentar conquistar o seu nicho.

Em 1999, seguindo um caminho familiar a tantos outros role players, foi um dos jogadores incluído numa troca com os Magic por Ike Austin (um poste que os Wizards acreditavam ter muito mais potencial e pelo qual deram Ben Wallace e mais três jogadores).
Nessa época de 1999-2000, tornou-se o poste titular dos Magic e teve o ano mais produtivo da carreira até ali: 4.8 pts, 8.2 res e 1.6 dl, em 24 mins/jogo.

Mas em 2000 continuou a sua vida de saltimbanco, foi incluído no sign and trade de Grant Hill (Wallace foi incluído no negócio para os Magic libertarem espaço salarial e poderem oferecer um contrato maior a Hill) e enviado para os Pistons. E foi aí, em Detroit, que começou a lenda de Big Ben.

Nos anos seguintes, Ben Wallace tornou-se o pilar da melhor defesa da liga e a maior estrela da NBA desse lado do campo (e um dos melhores de sempre desse lado do campo). Em 2001-02 liderou a liga em ressaltos E desarmes de lançamento (13 e 3.5, respectivamente); em cinco anos ganhou 4 vezes o prémio de Defensor do Ano (só ele e Dikembe Mutombo ganharam o prémio tantas vezes); e foi quatro vezes All Star sem nunca ter marcado mais de 10 pts por jogo. Para além, claro, de campeão em 2004, naquelas memoráveis Finais onde os Pistons surpreenderam os mais-que-favoritos-Lakers e os 2,02m (generosamente listados como 2,06m) de Wallace fizeram o impossível na defesa a Shaquille O'Neal.


Nunca houve outro jogador como Ben Wallace, que alcançou o estrelato como poste da NBA apesar de ser muito baixo para a posição, não ter quase nenhuma técnica individual ofensiva e não saber lançar. Big Ben era todo garra e coração. Um exemplo de como o trabalho, o esforço e a determinação podem levar alguém longe.
E agora, desde ontem à noite, todo esse trabalho, esforço e determinação estão imortalizados no topo do Palace of Auburn Hills. A lenda do Grande Ben vive para sempre:



30.12.15

Curry a mais?


Está Stephen Curry a fazer mal ao jogo de basquetebol? Segundo o seu ex-treinador, está. 
Mark Jackson, treinador dos Warriors entre 2011 e 2014 e actual comentador da ABC afirmou, durante a transmissão do jogo Warriors x Cavs, que "até certo ponto, ele está a fazer mal ao jogo. E o que eu quero dizer com isso é que vou aos jogos de liceu, vejo aqueles miúdos, e a primeira coisa que eles fazem é correr para a linha de três pontos. Não és o Steph Curry. Trabalha nos outros aspectos do jogo. As pessoas pensam que ele é só um atirador certeiro."

Terá Jackson razão? Sim e não. Ou melhor: não tem razão, mas entendo o que ele quis dizer e ele levanta uma questão pertinente. Só que escolheu mal (muito mal) as palavras.

Nenhum jogador que faz coisas que nunca foram feitas faz mal ao jogo. Dr. J e Jordan, quando voaram como nunca ninguém tinha feito, não fizeram mal ao jogo. Magic, quando passou a bola como nunca ninguém tinha feito, não fez mal ao jogo. Pete Maravich, quando manejou a bola como nunca ninguém tinha feito, não fez mal ao jogo.

Estes jogadores fizeram o jogo evoluir e levaram-no mais longe. Mostraram-nos novas jogadas, acrescentaram novos movimentos e novas possibilidades. Tornaram o jogo melhor e mais excitante e conquistaram milhões de miúdos para o jogo. Que é o que Curry está também a fazer. Quando ele lança como nunca ninguém lançou não faz mal ao jogo. Faz bem. 

Mas (e é esta a questão pertinente a que Jackson, nos seus modos errados, se referia) também coloca desafios novos. Coloca desafios diferentes aos treinadores e à formação de jogadores. Falem com qualquer treinador de formação e ele irá confirmar-vos isso. Os miúdos querem ser como ele. E isso é bom e mau.

Os miúdos da minha geração queriam ser como o Jordan. E todos queriam fazer lançamentos a cair para trás como ele. Quantos o conseguiam fazer bem? Cerca de ... zero. 
Isso fez mal ao jogo? Não, mas criou um desafio novo. Os treinadores tiveram de lhes explicar que antes de tentar executar um lançamento daqueles em jogo, tinham muitos fundamentos para aprender primeiro.

A longo prazo, só fez bem ao jogo e deu origem a gerações de jogadores mais criativos e com arsenais ofensivos mais variados. Tal como vai acontecer com Curry. Daqui a 5 ou 10 anos vamos ter mais e melhores lançadores por causa dele. 
Mas, a curto prazo, também vamos ter muitos miúdos a tentar lançamentos que não conseguem ainda fazer e muitos treinadores a explicar que antes de poderem chegar ao ataque e lançar a um metro da linha de 3 pontos têm muito que treinar e muitos milhares de lançamentos que fazer antes.

Com cada novo exemplo vem também a necessidade de explicar, enquadrar e relativizar aquilo que é feito. É esse o desafio que Curry traz. Isso não é bom para o jogo? Não. É óptimo.

27.12.15

Kobe no All Star? Sim.




Os primeiros resultados das votações para o All Star trouxeram-nos (ou não) uma surpresa: Kobe Bryant é o jogador mais votado, e por muito. Kobe tem quase 720 mil votos e o segundo mais votado é Stephen Curry, com "apenas" 510 mil (LeBron James é o terceiro, com 357 mil).

E o cenário que muitos imaginavam (e muitos temiam) que pudesse acontecer vai mesmo acontecer: Kobe Bryant, na pior temporada da sua carreira (sem contar com a de rookie) e longe do seu auge, vai ser titular no All Star Game. À frente de jogadores que estão a realizar temporadas muito melhores, como Blake Griffin, Kevin Durant ou Kawhi Leonard.

Um cenário impensável para alguns e completamente injusto para muitos. Noutra temporada e em quaisquer outras circunstâncias, estaria entre os que defendem a injustiça de tal cenário. 
Porque acredito que devem ir ao All Star os melhores de cada ano. Que o All Star deve ser um prémio daquele ano. É esse o meu critério todos os anos nas escolhas e votações: quem está a jogar melhor, quem são os 12 melhores de cada conferência e quem merece essa distinção naquele ano.

Mas não desta vez. Porque esta não é só mais uma votação para o All Star. 
Esta é a anunciada última temporada de Kobe, a sua Tour de Despedida. E a Tour de Despedida de um dos melhores jogadores de sempre não estaria completa sem uma passagem pelo All Star.

Esta é uma situação especial e extraordinária, como foi, por exemplo, a de Magic Johnson em 1992. Magic já estava retirado da competição desde Novembro e nunca seria escolhido por qualquer critério competitivo ou estatístico, mas, porra, alguém imagina aquele All Star sem ele?
Tivessem ido pela justiça e pelo que era correcto em termos de números e produção em campo naquela época e teríamos sido privados de um jogo que entrou para a História e de um dos Jogos All Star mais emotivos e memoráveis de sempre.

Circunstâncias extraordinárias justificam excepções às regras. E mesmo contra a minha crença de que devem ir os melhores de cada ano, defendo que Kobe merece ir ao All Star. Porque temos de nos despedir dele também nesse palco e porque também o All Star tem de se despedir do Black Mamba. 
Kobe Bryant no All Star? Claro que sim!

16.12.15

"Querido Basquetebol"


Ainda faltam uns dias para o Natal, mas temos uma prenda para vocês. 

Quando, há duas semanas, Kobe Bryant anunciou a sua retirada no final da época, fizemos a tradução para português do seu poema de despedida. Mas queríamos fazer algo mais com as emotivas palavras de Kobe. E pedimos ao actor Ian Velloza que desse voz às palavras do Black Mamba.

O Ian aceitou amavelmente o nosso pedido (muito obrigado, Ian!) e ofereceu-nos a sua interpretação do poema. Por isso, aí têm o nosso presente de Natal para os fãs de Kobe, de basquetebol e da NBA (e do SeteVinteCinco e do podcast MVP!):



(se gostaram - ou se não gostaram, mas não têm prenda melhor -, partilhem com outros fãs e deem-lhes este pequeno presente também.) 

6.12.15

Kobe para sempre



Desde que soubemos, através das suas próprias e emotivas palavras, que esta é a última temporada que vamos ver Kobe Bryant nos campos da NBA, muito se tem escrito sobre a sua carreira e o seu lugar na história. Como não podia deixar de ser, também nós aqui no SeteVinteCinco temos umas palavras a dizer sobre isso:

Kobe Bryant é um dos jogadores mais amados de sempre. E é também um dos mais odiados de sempre. Na história da liga, são poucos os jogadores com tanto sucesso individual e colectivo e, ao mesmo tempo, com tantos detratores e críticos como o Black Mamba (aquele que mais se aproxima nessa lista será LeBron James). E poucos serão os jogadores que, como Kobe, tanta discussão levantam sobre o seu valor e o seu lugar na história. Porque o seu legado é complicado.

E porque, ao reflectir sobre a carreira e o legado de Kobe Bryant, é preciso distinguir entre o seu valor estatístico e o seu valor mitológico. E entre o seu talento e o uso que fez do mesmo.

No valor estatístico e analítico, no seu contributo para o sucesso colectivo das suas equipas, o seu legado é ambíguo. Tem números extraordinários, mas não da forma mais eficiente e muitas vezes de forma contrária aos fundamentos do jogo. Números individuais extraordinários, mas feitos à maneira dele e, muitas vezes, em prejuízo da própria equipa.

A mesma dicotomia que encontramos no seu talento. Kobe é o jogador mais talentoso da sua geração e um dos jogadores mais talentosos de sempre, mas muitas vezes não usava esse talento da forma mais colectiva. Quis sempre fazer as coisas à sua maneira e nem sempre essa era a melhor maneira. Só que conseguia ter sucesso jogando dessa forma errada devido a esse talento extraordinário.

E a mesma dicotomia que encontramos na sua personalidade. Um jogador que queria ganhar acima de tudo, mas nos seus termos e condições. Queria ganhar, mas numa equipa onde ele fosse o líder e melhor jogador. Queria ter sucesso colectivo, mas sem sacrificar o seu sucesso individual.

Para a história fica uma carreira ímpar, mas que podia ter sido ainda melhor (vamos sempre perguntar-nos o que poderia ter sido se Kobe e Shaq tivessem continuado juntos). Poderia ter sido colectivamente melhor, mas se calhar teria sido individualmente pior. É esse o dilema do legado de Kobe.
Um jogador que, para o bem e para o mal, quis sempre ser o melhor. E que nunca sacrificou o indivíduo em prol da equipa. E é isso que os seus detratores usarão sempre contra ele e invocarão sempre para o baixar lugares na lista dos melhores de sempre.


Mas no plano mitológico, o seu valor é indiscutível.
Um miúdo de 10 anos que começa a ver a NBA não está a pensar se ele tem o rating ofensivo x ou o rating defensivo y, qual é a sua percentagem de lançamento ou a sua "true shooting percentage". Está apenas a ver as jogadas espectaculares, os afundanços, os lançamentos impossíveis, os feitos heróicos. Vê o que ele faz e não a eficiência com que o faz.

A reputação dele pode não corresponder totalmente à verdade, pode ser exagerada (e em algumas aspectos do jogo é), mas isso também tem valor. Para a lenda, a reputação conta. Ninguém sabe se Ulisses ou Aquiles ou o Rei Artur fizeram mesmo os feitos narrados nas suas epopeias, mas isso não retira nada à inspiração que deram a tantos.

Se no plano estatístico há discussão sobre o lugar de Kobe na história, não há qualquer discussão sobre o seu valor e lugar no plano mitológico. Podemos discutir se ele é top-3, top-5, top-10 ou top-20 de sempre, mas é indiscutível que é o jogador mais importante da NBA pós-Jordan e o jogador que mais fez pela fama da liga e do basquetebol neste período.

Kobe inspirou milhares de miúdos e graúdos em todo o mundo e conquistou milhões de fãs para o basquetebol. Jogadores como Paul George, LeBron James ou Kevin Durant afirmaram que queriam ser como o Kobe quando eram miúdos. Que ele foi o Jordan deles.

E por isso temos de lhe estar eternamente gratos. Kobe é o herói desta geração. Kobe é e será sempre o Jordan desta geração.

4.12.15

MVP #010 - Obrigado, Kobe!


Esta semana no MVP, temos episódio especial e convidado especial. O jogador internacional português e capitão do Benfica Diogo Carreira juntou-se a mim e ao Ricardo numa edição dedicada a Kobe Bryant, que, como sabem, anunciou a sua retirada no final da temporada numa emotiva carta de despedida.


Revisitamos e recordamos a carreira do Black Mamba, falamos das melhores memórias que temos dele, se ele é ou não o melhor Laker de sempre, se os seus 81 pontos alguma vez serão ultrapassados, qual é o seu lugar na história da NBA e quem é o seu sucessor. São 45 minutos dedicados ao jogador mais importante desta geração:

30.11.15

Querido Basquetebol


Não foi propriamente uma surpresa. Na verdade, foi apenas o anúncio oficial daquilo que já se esperava e daquilo que parecia cada vez mais certo. Mas, por mais previsível e inevitável que seja, é sempre um momento triste e carregado de emoções. E mais ainda pela forma como Kobe o anunciou, numa sentida e emotiva carta de despedida dirigida ao desporto ao qual ele dedicou a vida.

Muitas palavras já se escreveram desde que a carta foi publicada ontem à noite e muitas mais se vão escrever nos próximos dias e meses (e nós também haveremos de escrever as nossas). Mas para já, antes de quaisquer outras, devemos ficar com as palavras dele. Aí têm a carta de Kobe, traduzida para a nossa língua (e boa sorte para tentar segurar uma lágrima; eu não consegui, quando estava a fazer a tradução):


Querido Basquetebol,
Desde o momento
Em que comecei a enrolar as meias do meu pai
E a lançar imaginários
Cestos da vitória
No Great Western Forum
De uma coisa tive a certeza:

Apaixonei-me por ti.

Um amor tão profundo que te dei tudo -
Do meu corpo e mente
À minha alma e espírito.

Como um miúdo de seis anos
Tão profundamente apaixonado por ti
Nunca vi o fundo do túnel.
Só me vi a mim
A sair de um.

E então corri.
Corri para cima e para baixo de cada campo
Atrás de cada bola por ti.
Pediste-me o meu esforço 
Eu dei-te o meu coração
Porque trazia tanto mais.

Joguei para além do suor e da dor
Não porque o desafio me chamava
Mas porque TU me chamavas.
Fiz tudo por TI
Porque é isso que fazes
Quando alguém te faz sentir tão 
Vivo como tu me fazias sentir.

Deste a um miúdo de seis anos o seu sonho de Laker
E amar-te-ei sempre por isso.
Mas não te posso amar obsessivamente por muito mais tempo.
Esta temporada é tudo o que me resta para dar.
O meu coração aguenta a pancada
A minha mente suporta as mossas
Mas o meu corpo sabe que é hora de dizer adeus.

E não há problema.
Estou preparado para te deixar ir.
Quero que saibas agora
Para que possamos apreciar cada momento que nos resta.
Os bons e os maus.
Demos um ao outro
Tudo o que temos.

E ambos sabemos, faça o que fizer a seguir,
Que serei sempre aquele miúdo
Com as meias enroladas
Caixote do lixo no canto
:05 segundos no relógio
Bola nas minhas mãos
5... 4... 3... 2... 1...

Amo-te para sempre,
Kobe 

26.11.15

O melhor afundanço esquecido de sempre?


Um power forward voador e com afundanços de cair o queixo? Antes de Blake Griffin houve o aniversariante do dia:




E o afundanço que está em 3º lugar neste top não tem o reconhecimento e o lugar devido na memória dos fãs. Não só devia ser o nº1 deste top, como é um dos grandes afundanços esquecidos na História da NBA:


É um afundanço de concurso feito em jogo. Um misto de técnica, força e capacidade atlética com um grau de dificuldade enorme. Uma jogada que, quando pensamos nos melhores afundanços em jogo de sempre, merecia estar ao lado de afundanços como o do Vince Carter sobre o Frederic Weis ou o do Blake Griffin sobre o Perkins (ou sobre o Mozgov) ou o do Jordan na cara do Ewing.

Por isso, aqui fica o nosso contributo para a correcção dessa falha. Agora deem o vosso e partilhem. Porque este afundanço não merece ser esquecido.

25.3.15

"It's for the kids"


Penny Hardaway ganhou mais de 120 milhões de dólares ao longo da carreira na NBA. E agora treina a equipa do liceu da sua terra natal. Não porque esteja falido e precise de dinheiro, mas porque o seu amigo de infância, que era o treinador da equipa e foi diagnosticado com cancro, lhe pediu.

Penny Hardaway, um talento incrível que nos presenteou com tantos momentos espectaculares dentro de campo e viu as lesões roubarem-lhe a hipótese de ser recordado como um dos melhores bases de sempre, dá-nos agora um exemplo incrível fora de campo (e se forem como eu, é melhor irem buscar uns lenços de papel antes de começar a ver):


23.3.15

Thank you, Steve



Quais eram as probabilidades de um miúdo canadiano, magrinho e não particularmente atlético, que fez o liceu num colégio privado na província da Columbia Britânica e jogou basquetebol universitário na pequena Universidade de Santa Clara, se tornar uma estrela da NBA? Uma em 500 milhões?
E quais as probabilidades desse miúdo se tornar não apenas uma estrela, mas um dos melhores distribuidores e atiradores de sempre e alguém que mudou a forma como se joga na NBA? Uma em mil milhões? Menos ainda?

Mas foi isso mesmo que Stephen John Nash conseguiu. Não foi um percurso fácil até lá, mas, contrariando todas as probabilidades, o miúdo canadiano que foi assobiado pelos fãs dos Suns quando a equipa o escolheu na 15ª posição do draft de 1996 retirou-se este fim de semana como um dos melhores bases de sempre e um jogador que ficará eternamente na memória dos fãs e na história da liga.

Depois de um começo de carreira em Phoenix em que, num plantel com vários bases e atrás de Kevin Johnson, Sam Cassell e depois Jason Kidd, nunca foi muito utilizado, Steve Nash foi trocado para os Mavs em 1998.
Em Dallas, começou a desenvolver e a mostrar todo o seu talento para lançar, passar e orquestrar um ataque. Ao lado de Dirk Nowitzki e Michael Finley, tornou-se o maestro de um dos melhores ataques da liga e, em 2002, foi escolhido pela primeira vez para o All Star.
Em 2004, depois dos Mavs não igualarem a proposta dos Suns, voltou para Phoenix como free agent. E o basquetebol nunca mais foi o mesmo.

Nash juntou-se a Amare Stoudemire, Shawn Marion e Joe Johnson para formar o ataque mais prolífico da liga (e o melhor da década, com uma média de 110.4 pts/jogo) e a equipa mais excitante de seguir do mundo. Os Suns, que na época anterior ganharam 29 jogos, acabaram com um recorde de 62-20 nessa temporada de 2004-05, foram até às Finais de Conferência (onde perderam com os eventuais campeões Spurs em cinco jogos) e Nash foi eleito o MVP da temporada.

Steve Nash e esses Suns dos "Sete Segundos Ou Menos" revolucionaram os ataques na NBA e mudaram a forma como se joga desse lado do campo. O pick and roll alto e os jogadores abertos foram popularizados por essa equipa e Nash (sob a batuta de Mike D'Antoni, justiça seja feita ao homem) foi o precursor desse ataque que hoje está generalizado na liga.

Actualmente, não há nenhuma equipa na liga que não incorpore o pick and roll alto no seu ataque e a maioria delas fazem desse movimento a base do seu ataque. Todos os grandes bases desta geração fazem desse pick and roll o seu pão nosso de cada dia. E todos eles aprenderam com Nash.

Muitos irão sempre apontar que faltou o título para coroar o legado do canadiano. Ou destacar a sua fraqueza do outro lado do campo. Mas isso não retira Nash do seu lugar na história. E não lhe diminui nenhum dos feitos alcançados:

- 2 vezes MVP da temporada (2005 e 2006; o único jogador com menos de 1,98m a ganhar o prémio por mais de uma vez)

- 8 vezes All Star

- 7 vezes All-NBA (3 vezes First Team; 2 vezes Second Team; 2 vezes Third Team)

- 3º jogador com mais assistências de sempre (10335)

- 7 temporadas com mais de 10 ast/jogo (3ª melhor marca de sempre, só atrás de John Stockton e Magic Johnson)

- Melhor percentagem de lançamento livre na carreira de sempre (90.4%; são mais de 90%, não numa temporada, mas na carreira! Só mais um jogador conseguiu isso em toda a história da NBA: Mark Price, com 90.3%)

- 4 temporadas com 40-50-90 (lançar 40% de 3pts, 50% de 2pts e 90% de LL é um feito que só foi conseguido 10 vezes até agora; 4 dessas vezes são de Nash)

Qualquer um destes feitos por si só já lhe valeria um lugar no Olimpo da NBA. Junte-se a isso a marca que, como dissemos em cima, ele deixou no jogo e na forma como ele é jogado e só podemos dizer "Obrigado por tudo, Steve. Nunca te esqueceremos."

7.3.15

O melhor dunker de sempre


Ontem, em Atlanta, a noite foi de homenagem a Dominique Wilkins. Depois da cerimónia de revelação no dia anterior, a estátua do histórico Hawk foi inaugurada publicamente e a noite foi dedicada ao explosivo e espectacular extremo.

A propósito da "Nique Night" de ontem e da imortalização de Dominique em estátua, explicamos aqui porque ele é o melhor dunker de sempre:


23.2.15

Basketball Hour com Kobe Bryant


Kobe Bryant não é só um dos melhores jogadores da NBA, é também um dos seus melhores entrevistados. Para além de inteligente, não é um jogador de respostas pré-programadas e de cassete e dá sempre respostas e análises perspicazes, reveladoras e pertinentes. 
E com a temporada terminada para ele e muito tempo livre, anda muito falador. Depois da "Kobe: the Interview" com Ahmad Rashad, o jogador dos Lakers foi ao Grantland Basketball Hour para (desta vez com Bill Simmons e o seu "grande amigo" Jalen Rose) mais uma conversa imperdível:



17.2.15

Kobe: The Interview


Para quem não viu a entrevista a Kobe Bryant que passou ontem na NBA TV, aí fica a dita completa:




10.2.15

Master Pop


Ontem, a noite foi de Gregg Popovich. Com a vitória da equipa de San Antonio em Indiana, o já lendário treinador dos Spurs tornou-se o 9º treinador da história da NBA a atingir as 1000 vitórias (e o terceiro mais rápido a consegui-lo).





E, feito ainda mais extraordinário e raro, é apenas o segundo treinador a conseguir 1000 vitórias com uma equipa (o outro é Jerry Sloan, que o fez com os Utah Jazz). 


E esses são apenas alguns dos números impressionantes destas "1000 vitórias de Popovich". Para além disso (e este é provavelmente o mais impressionante de todos), nas quase duas décadas com Pop ao leme, os Spurs têm um recorde positivo com TODAS as equipas da liga. Nem uma equipa conseguiu ganhar-lhes mais jogos do que aqueles que perdeu (a que fica mais próxima são os Lakers, com 37-31):

a ESPN compilou mais alguns aqui (de onde retirámos a imagem acima)


É claro que tudo isto que nem fez Popovich pestanejar:


Mas celebre-o ele ou não, celebramos nós e deixamo-los aqui para a posteridade. São feitos raríssimos de um treinador como não há mais nenhum. Parabéns, Pop! Por tudo.

3.2.15

Dose diária de SeteVinteCinco?



Pessoal, desculpem a minha ausência nos últimos dias, mas infelizmente os últimos tempos têm sido o contrário do lema acima. O trabalho tem apertado e não tenho tido tempo para escrever tanto como habitualmente (e tanto como gostava).

No entanto, como sabem, o blogue é só um dos vértices do ecossistema SeteVinteCinco. Para além dos artigos e textos que fazemos aqui, também partilhamos diariamente conteúdos sobre o melhor basquetebol do mundo (vídeos, fotos, artigos, links, curiosidades, piadas, posts de outros e tudo o mais que nos pareça relevante/interessante/divertido) na nossa página no Facebook e no nosso perfil no Twitter

No início do SeteVinteCinco, concentrávamos todos os conteúdos aqui no blogue, desde artigos, análises e textos mais extensos a vídeos, highlights, fotos, tweets e curiosidades. Tudo o que partilhávamos, era publicado aqui. Entretanto, com o passar do tempo, fomos distribuindo os conteúdos e as partilhas pelas plataformas mais indicadas a cada coisa (o Facebook, por exemplo, presta-se mais a vídeos, highlights, fotos e afins, enquanto o blogue é melhor para artigos e textos mais extensos). 

Por isso, apesar dos posts um bocadinho menos regulares por aqui nos últimos tempos, podem continuar a ter a vossa dose diária de SeteVinteCinco no Facebook e no Twitter. Por lá, continuamos a partilhar coisas todos os dias, várias vezes ao dia e coisas que não partilhamos aqui (quem nos segue no Facebook sabe que temos, por exemplo, os Cestos à Segunda, as Citações à Terça ou os Tesourinhos à Quinta). Portanto, seja aqui ou nos outros sítios, continuamos sempre por cá. 

Obrigado pela vossa compreensão e pelas vossas visitas (aqui e nos outros sítios) e amanhã espero conseguir escrever o artigo que ando para escrever desde o fim de semana (não, não vos vou dizer sobre o que é, que é para terem de cá voltar amanhã).


(e só para esta visita não ter sido em vão - e porque nunca alguém alguma vez se fartará de ver imagens deste senhor - deixo-vos aí os melhores afundanços da carreira de Michael Jordan:

)

25.1.15

O período mais "on fire" de sempre


Sem mais palavras, deixamos aqui para a posteridade a noite histórica de Klay Thompson:


O jogador dos Warriors, para além de ter igualado o recorde de pontos desta temporada (os 52 de Mo Williams), entrou para a história da NBA como o jogador com mais pontos num período:



Foram 37 pontos, 13 em 13 em lançamentos de campo e 9 em 9 em triplos no período mais "on fire" de sempre:

A decisão de não o terem trocado por Kevin Love deve estar a parecer mais acertada que nunca, não é?

17.1.15

Poster Night


Ontem foi noite de posters (e candidatos a afundanços do ano). Foram tantos e tão bons que decidimos compilá-los aqui para a posteridade.

Em Dallas, Chandler passou por Chandler e afundou na cara de Chandler:


Em Toronto, Amir Johnson foi atacado pelo falcão Horford:


Na Florida, tivemos um ataque de Greenzly:


E em OKC, Russell Westbrook pode ter feito o afundanço da noite e o "circus shot" da noite na mesma jogada:




P.S.:
Russell Westbrook, que, para além desta jogada muito pouco usual, fez também uma exibição rara e juntou-se a uma restrita lista de jogadores com mais de 15 pontos, 15 ressaltos e 15 assistências num jogo nos últimos 30 anos:



14.1.15

Mo Williams e as melhores exibições ofensivas de sempre


Na noite passada tivemos o primeiro "jogo de 50 pontos" da época. E o autor da proeza não foi nenhum dos suspeitos do costume. Nem LeBron, nem Kobe, nem Durant, nem Carmelo, nem Harden, nem Curry. Não, o autor de tal proeza foi... Mo Williams:


A capicua de Williams (número 25, 52 pontos) é um novo máximo de carreira para ele e um novo recorde de equipa para os Wolves:



A propósito da primeira prestação da época acima dos 50 pontos, recordamos aqui um segmento de um programa do ano passado na NBA TV, sobre a cada vez maior raridade desses jogos, a dificuldade de marcar 50 pontos actualmente na NBA e as razões para isso:



E, a propósito de exibições ofensivas extraordinárias, os 22 jogadores que, na história da NBA, marcaram 60 ou mais pontos num jogo: