30.5.11

Chewbacca Dunk


A partir de amanhã as coisas tornam-se sérias, por isso hoje fiquemos com um pouco de humor de desktop:



Mas pensando bem, o gadelhudo Nowitzki parece o Chewbacca...



O que faria dos Storm Troopers... os Heat? Mas isso faria de Lebron...


E Pat Riley? Aquele que desviou Lebron Skywalker para o lado negro da força?


29.5.11

Mavs-Heat, a desforra


Preparem-se, é já esta 3ª feira que começam as Finais:

*

Segunda ida às Finais para Miami e Dallas, segunda vez que se enfrentam. Depois do duelo de 2006, a história repete-se em 2011. E, no entanto, tanta coisa mudou. Das equipas que jogaram essa final, restam apenas dois jogadores de cada lado: Wade e Haslem nos Heat e Nowitzki e Terry nos Mavs.

Mas apesar de ambos os plantéis terem pouco que ver com os que jogaram essa final, esta equipa dos Mavs continua intimamente ligada a ela. Pois aí foi o início da sua reputação como equipa-que-falha-constantemente-nos-playoffs. Toda a história recente dos Mavs está marcada por essa final e todas as épocas depois foram definidas por ela. Foi uma ferida que ficou aberta e desde aí que o objectivo dos Mavs é regressar às Finais e ter de novo a oportunidade de lutar pelo título. Independentemente de todos os jogadores novos no plantel, os dois que restam são os capitães e os jogadores que personificam essa luta dos Mavs, por isso não há ninguém em Dallas que não veja esta final como o recuperar da oportunidade perdida há cinco anos. E como a oportunidade para a redenção.

Para os lados de South Beach, o contexto em que chegam a esta final nada tem que ver com a outra. Mas têm também algo a provar. A reunião dos Três Super-Amigos tornou os Heat nos vilões da NBA e na equipa preferida para odiar. Lebron, Wade e Bosh tentam calar todos os críticos, todos os haters e ganhar o título logo na primeira época juntos. Para Miami, o facto do adversário ser Dallas é indiferente. A sua luta é contra o resto do mundo.

E o que pode o mundo esperar deste duelo?
Bem, apenas três equipas terminaram esta temporada regular no top 10 no ataque e na defesa. Duas delas estão nesta final. Por isso, temos dois ataques de topo contra duas defesas de topo. É coisa para dar uma final excepcional.

Os Mavs não perdem um jogo com os Heat desde essa final de 2006 (10-0 nos cinco anos seguintes, 2-0 este ano). É um dado curioso, mas que pouco conta para aqui. Primeiro porque os oito jogos das quatro épocas anteriores foram contra equipas dos Heat fracas e que nada têm que que ver com a deste ano. E os dois deste ano são de temporada regular (os Bulls tinham 3-0 com os Heat, por exemplo; e já agora, Haslem não jogou nesses dois jogos também).

O que vai então contar para aqui?

Para começar, este é o maior desafio que tanto uma como outra equipa já enfrentou nestes playoffs.


Do lado de Dallas, têm um desafio semelhante ao que os Lakers e os Thunder já lhes colocaram: jogadores exteriores marcadores de pontos, capazes de lançar e penetrar (Kobe, Durant, Westbrook). Mas agora num nível diferente. É aquilo que já enfrentaram, mas agora muito mais difícil. Com o seu melhor defensor do perímetro (Butler) de fora, a tarefa de abrandar Lebron e Wade vai ser de Marion e Stevenson. Frente a Kobe e Durant, Kidd também os defendeu em algumas ocasiões, mas frente a Lebron não vão poder fazer o mesmo, pois Kidd não consegue nem acompanhá-lo no exterior, nem segurá-lo no jogo de costas para o cesto. Já com Wade é diferente e Kidd vai ser um dos defensores designados também.

Mas para abrandar Lebron e Wade, vão precisar de mais. Chandler é um jogador chave para isso. Precisam dele para ser o defensor interior que surge na ajuda e o jogador que protege o cesto. E precisam dele também para parar a terceira opção ofensiva dos Heat, Bosh. O power forward de Miami aproveita bem o espaço livre quando Lebron e Wade penetram e marca muitos lançamentos de meia distância. Chandler terá de ser um dos defensores mais activos nos Mavs. Dele depende muito do sucesso da sua defesa. Portanto, precisam que ele se mantenha em campo e evite problema de faltas.

E esperem também ver mais defesa zona. Na temporada regular tiveram bons resultados frente aos Heat quando o fizeram e vão de certeza recorrer a ela durante alguns períodos do jogo, para evitar os 1x1 de Lebron e Wade.



Do lado de Miami, têm um desafio diferente dos que já tiveram nas eliminatórias do Este. Enfrentaram power forwards que jogavam a poste baixo, de costas para o cesto, e podiam também fazer lançamentos de meia distância (Brand, Garnett, Boozer), mas nenhum como Nowitzki (o melhor jogador nos playoffs até agora), um jogador interior que também joga fora. Anthony consegue defendê-lo no interior, mas não no exterior. Bosh, nem no exterior nem no interior. Haslem é a sua melhor hipótese e poderá ver mais tempo de jogo a defender o alemão. Lebron também vai ter a sua oportunidade (consegue defendê-lo no perímetro e tem o físico para segurá-lo de costas para o cesto).

Mas para além disso, os Mavs movimentam a bola melhor que qualquer uma das equipas que os Heat já passaram (os Celtics movimentavam bem, mas não tinham o jogador interior-exterior para desequilibrar, forçar 2x1 e iniciar a rotação de bola), pelo que vai ser mais difícil aos Heat ajudar no interior e depois recuperar para os atiradores. Os Mavs espalham os seus jogadores, ocupam bem o espaço no ataque e aproveitam os 2x1 a Nowitzki para libertar atiradores. Foi assim que venceram os Lakers. É claro que os defensores do perímetro dos Heat são mais rápidos e não vão ser enxovalhados como os de Los Angeles, mas é algo que ainda não tiveram de defender.


Ponto fraco dos Mavs? Ressaltos defensivos (vejam os ofensivos que os Thunder ganharam). Apesar dos Heat não serem grandes ressaltadores ofensivos, os Mavs vão ter de estar atentos nesse aspecto, porque não podem dar-lhes segundas oportunidades de lançamento. Já é suficientemente difícil pará-los uma vez.

Ponto fraco dos Heat? O banco. É fundamental para Miami tentar não perder por muitos a batalha dos bancos. Os suplentes de Dallas são melhores e vários deles podem sair a marcar muitos pontos em qualquer jogo (Terry, Stojakovic, Barea). Nos Heat, it's all about the Big Three, mas qualquer ajuda do banco será bem vinda.

Previsão (ou desejo?): Dallas em 6 ou 7



(*antes que me acusem de plágio, o seu a seu dono: as imagens do vídeo foram retiradas de um anúncio da PT, autoria da EuroRSCG)

28.5.11

Come play with us


O Street Basket está de regresso a Portugal! Pode não ser uma notícia directamente relacionada com a NBA, mas não só é uma iniciativa da NBA TV em Portugal, como o basquetebol está de novo nas ruas, por isso aqui fica o devido destaque:


Sob o mote "Come play with us", a ZON está a organizar um torneio de 3x3 que vai percorrer Portugal entre Maio e Julho. Depois de etapas em Coimbra, Lisboa, Albufeira e Matosinhos, a Final Nacional será no Porto, no dia 3 de Julho. Podem inscrever-se no site da ZON e ver todas as informações na página do torneio no Facebook.

27.5.11

Uma história do Crossover


Enquanto os Bulls tentam manter-se vivos e ganhar este jogo 5 (quem está acordado a ver?), vamos aproveitar o desconto de tempo para vos deixar este mini-documentário sobre o crossover e alguns dos jogadores que popularizaram essa finta. A minha parte preferida? A confiança (chamemos-lhe assim) de Allen Iverson quando diz "eu fiz o meu melhor movimento e mesmo assim o Michael Jordan quase bloqueava o meu lançamento!".




(Actualização das 13:04: e os Bulls não sobreviveram. Valeu a noitada pelo final de jogo inacreditável. Agora vamos ao momento mais esperado do ano. Num próximo post, lá iremos dissecar as Finais)

26.5.11

O destino dos Mavs

Os Dallas Mavericks já estão nas Finais. Esperam agora pelo vencedor do Este, que ao que parece vão ser os Heat (calma, fãs dos Bulls, eu sei que ainda não acabou, mas neste momento parece muito difícil outra possibilidade; foi uma excelente época, de qualquer forma, melhor do que qualquer um de nós acreditava). A confirmar-se, preparem-se para uma reedição da final de 2006. E essa final ainda hoje deve aparecer em pesadelos aos dois Mavs que restam dessa equipa (três, se contarmos com Mark Cuban): Dirk Nowitzki e Jason Terry.

A temporada estava a ser de sonho. Os Mavericks fizeram mais uma sólida temporada regular (60-22) e, nas semifinais do Oeste, eliminaram os seus maiores rivais (do Texas e, nesse ano, da NBA, os Spurs, que tinham ficado à sua frente na temporada, 63-19) numa renhidíssima série a 7 jogos. Despacharam depois os Suns na final de conferência e ganharam os dois primeiros jogos das Finais, em Dallas. Pareciam lançados para o seu primeiro título.

E então, o pesadelo começou. Estamos no jogo 3. Os Mavs lideram confortavelmente por 13 pontos, a menos de 6 minutos do fim. Contra todas as probabilidades, os Heat fazem uma recuperação milagrosa e vencem por 2 pontos (parece familiar? Durant e Westbrook podem usar isso como consolo). Depois dessa derrota improvável, os Mavs perdem os 3 jogos seguintes e perdem as Finais, 4-2. Foi uma oportunidade de ouro perdida. Os Mavs estiveram a 6 minutos de conseguir uma vantagem que nunca foi virada (3-0) e praticamente garantir o título.

Desde então que tentam voltar a ter essa oportunidade, sem sucesso. Em 2007 (depois duma temporada regular ainda melhor, 67-15, e quando eram os maiores candidatos ao troféu Larry O'Brien), tornaram-se o terceiro nº1 da história a ser eliminado por um nº8 (às mãos dos Warriors), em 2008 perderam de novo na 1ª ronda (os Hornets foram os carrascos desta vez), em 2009 avançaram mais uma ronda, mas perderam com os Nuggets nas semifinais e em 2010 voltaram a cair na 1ª ronda (frente aos velhos rivais Spurs).

Parecia faltar sempre qualquer coisa. Eram bons, mas nunca mais foram tão bons como naquelas épocas de 2006 e 2007. E com isto os seus principais jogadores iam ficando mais velhos e a janela de oportunidade ia ficando mais pequena a cada ano que passava. Até que este ano, numa temporada em que mais uma vez estavam no lote de candidatos, mas não eram, nem de perto nem de longe os maiores candidatos, numa temporada em que todos apontavam os Lakers ou Spurs como vencedores do Oeste, eis que os Mavs começam a jogar o seu melhor basquetebol nos playoffs e chegam onde poucos esperavam.


Nuns playoffs recheados de surpresas, quando menos se esperava, eis que os Mavs voltam a ter a oportunidade que perseguem desde 2006. E ao que parece, vão ter de passar pela mesma equipa. É a oportunidade da vingança. É o destino?

25.5.11

Mais um candidato


Não evitou a derrota dos Bulls (e as Finais parecem agora destinadas a uma reedição da final de 2006), mas foi o melhor afundanço da noite e é mais um candidato ao melhor destes playoffs. Senhoras e senhores, Derrick Rose:


23.5.11

O terceiro Big


E o melhor marcador da série Bulls-Heat é... Chris Bosh? Nada de Rose, nem Wade, nem James? Não. Bosh. Nesta final de conferência, o power forward canhoto já fez duas vezes algo que só fez três vezes em toda a temporada regular: marcar 30 ou mais pontos. No primeiro jogo teve 30 (e 9 res) e no terceiro teve 34 (e 5 res, 2 ast, 2 rb e 1 dl). Foi o melhor marcador da equipa ambas as vezes e o elemento dos Heat que a melhor defesa da liga não conseguiu parar. Nesses dois jogos, Lebron e Wade, juntos, marcaram 33 e 35, com 12-32 e 12-30 em lc. Bosh fez 12-18 e 13-18, 66 e 72%.

Big Two and a Half, o Big Two e o outro, mole, sobrevalorizado, só capaz de jogar bem numa equipa perdedora. Tudo isto e muito mais ouviu o ex-Raptor ao longo da época. Foi, de longe, o jogador (perdoem-me o trocadilho!) mais queimado dos Heat. E a última provocação veio de Carlos Boozer, antes desta série começar. O power forward dos Bulls disse que seria "um grande desafio enfrentar os Heat e os seus dois grandes jogadores". Ouch! Mas o tiro pode ter saído pela culatra.
Parece que Bosh ouviu e usou essas palavras como motivação. No fim deste jogo 3, ainda negou que tal fosse o caso, mas depois acabou por admitir que "podes encontrar inspiração de muitas maneiras diferentes e isso só ajuda."


Os Heat podem estar a ganhar esta série com a sua defesa (limitaram Rose a 21 e 20 pts nos jogos 2 e 3 e têm conseguido forçar mais turnovers, ganhar mais ressaltos defensivos e, consequentemente, fazer muitos mais contra-ataques), mas com Bosh envolvido e a produzir no ataque, são uma equipa muito melhor. Com a bola a passar pelas suas mãos, o ataque fica mais imprevisível e criam mais espaço para Lebron e Wade.

Como já falámos a propósito dos Thunder, um ataque com uma presença ofensiva interior é um ataque melhor e Bosh tem esse papel fundamental nos Heat. Mesmo quando recebe a bola mais afastado do cesto (e Bosh faz muitos dos seus pontos em lançamentos de meia distância), o seu defesa tem de acompanhá-lo e abre espaço no meio para outros jogadores. Quando Bosh não está em campo (ou está, mas não jogam com ele), o ataque dos Heat limita-se a penetrações e lançamentos exteriores. E se isso já é difícil de defender (porque apesar de ser previsível, é feito por Lebron e Wade e é difícil de parar), quando acrescentam a arma interior do 4 de Miami, são praticamente imparáveis.

Por isso, com esta série a aquecer, a pressão a aumentar, os momentos mais decisivos do ano a aproximarem-se e Bosh a responder com as suas melhores exibições dos playoffs, não pode haver melhor notícia para os Heat.

22.5.11

Como silenciar uma multidão


O lendário John Wooden dizia que a altura não se ensina (you can't teach height). Já aqui acrescentámos num post anterior que não se ensina coração (you can't teach heart). Permitam-nos que acrescentemos mais uma: não se ensina experiência.

E a prova disso surgiu-nos esta noite pela mão dos Mavs. Num jogo decisivo, a jogar fora, frente a um público que tem sido dos mais barulhentos e fervorosos destes playoffs e depois de terem perdido em casa pela primeira vez nesta fase, a equipa de Dallas deu uma aula sobre como enfrentar momentos destes.
A mesma equipa que ficou famosa em anos anteriores por quebrar em momentos-chave (o descalabro na final de 2006 e a eliminação na 1ª ronda às mãos dos Warriors em 2007 vai persegui-los para sempre), uma equipa apontada como mentalmente fraca, a crónica candidata ao título que constantemente desilude nos playoffs, chegou a Oklahoma City e mostrou como se comporta uma equipa veterana e um verdadeiro pretendente ao título.

Uma das dificuldades de jogar fora é enfrentar o público adversário e resistir à pressão que este coloca sobre os jogadores. E se acham que isso é fácil, imaginem 18203 pessoas como estas, a um metro do campo, a gritar nos vossos ouvidos e a tentar desconcentrar-vos:


Não é por acaso que tantas equipas falam da importância do apoio do público e que este é considerado como mais um jogador. É o sexto jogador no basquetebol. O 12º jogador no futebol. Porque podem realmente influenciar e alterar um jogo. E é por isso que uma equipa experiente sabe que, em momentos como este, é fundamental retirar o público do jogo e roubar essa vantagem à equipa da casa. E qual a melhor maneira de fazê-lo? Começar a todo o gás e não deixar o público entrar no jogo. Entrar a matar logo no início e ganhar uma vantagem que permita jogar o resto do jogo com o público mais calmo (ou desiludido, porque não estarão mais calmos por estarem a perder. Mas estarão mais calados, de certeza).

Foi isso mesmo que os Mavs fizeram. Dominaram o 1º período, conseguiram uma vantagem de 15 pontos ao fim dos primeiros 12 minutos (27-12, aumentada para 35-12 no início do 2º período) e o público de OKC perdeu o pio. A partir daí jogaram num ambiente mais calmo e silencioso.

Os Thunder tentaram a recuperação, claro. Não desistiram assim tão facilmente e quando conseguiram encurtar a distância, o público voltou (mas mesmo aí a vantagem era para a equipa forasteira; é sempre melhor quando tem de ser a equipa a puxar pelo público do que o contrário). E aí os Mavs deram a segunda parte da aula: não entrar em pânico, manter a calma, baixar o ritmo de jogo, executar as jogadas, colocar a bola nos melhores jogadores e selar o que começaram.
Podem ouvir a lição na primeira pessoa, pela boca de Jason Kidd: "Somos uma equipa velha e se não tivéssemos experiência, podiamos estar em sarilhos. Trata-se de perceber a situação, de perceber o momento. Este jogo é de parciais, 6-0, 10-0, e tentámos minimizar os parciais deles. Eles fizeram uma recuperação, mas ninguém entrou em pânico. Metemos a bola nos jogadores que precisavam de ter a bola e eles fizeram jogadas."

E os Mavs silenciaram um pavilhão e uma cidade. O que é sempre uma boa forma de se colocarem em posição para vencer.

21.5.11

You've been Thunderstruck!


Depois destes dois candidatos instantâneos a melhor afundanço dos playoffs, não tivemos de esperar muito tempo por outro candidato ao título. E para uma fruição total, aqui fica o dito, de dez diferentes ângulos:


19.5.11

Elogio a Thibs


Antes de mais, tenho de começar por confessar que não fui um fã dos Bulls ao longo da temporada regular. O seu ataque demasiado dependente de Rose parecia destinado ao insucesso perante as defesas mais apertadas nos playoffs. A defesa foi boa desde o início da época (a melhor da temporada, com um DRtg de 97.3), mas ofensivamente revelavam limitações que pareciam impossibilitá-los de lutar pelo título já este ano (apenas o 11º melhor ataque, com um ORtg de 105.5). Como tive oportunidade de analisar aqui, acreditava que os Bulls eram bons, mas não bons o suficiente para ir até ao fim, pois não acreditava que pudessem vencer os Heat ou os Celtics no Este e vencer depois a equipa que viesse do Oeste.

Mas a sua prestação nos playoffs está a deixar-me rendido. A defesa, como se esperava, continua a ser de topo. Nesta série têm conseguido limitar muito um dos pontos fortes dos Heat, o contra-ataque. A primeira razão para tal é o ataque eficiente com poucos turnovers, mas também têm feito transições defensivas excelentes e como mandam os livros: com os jogadores rapidamente a ocupar e a proteger o meio do campo.
Na defesa em meio campo, as ajudas são constantes (não poderia ser de outra forma para parar Wade e Lebron) e quando um jogador de Miami penetra (Wade e Lebron normalmente, pois claro) encontra sempre um muro de jogadores a tapar a área restritiva. E, pormenor fundamental (algo em que os Lakers falharam miseravelmente, por exemplo), após essas ajudas, as rotações e as recuperações defensivas têm sido muito rápidas e exemplares.


Mas tem sido o seu ataque que tem surpreendido pela versatilidade e eficiência. Ao longo das duas rondas que já passaram e nesta terceira com os Heat, o ataque dos Bulls vem a revelar-se cada vez melhor e cada vez com mais soluções e mais jogadores envolvidos. Derrick Rose continua (e há-de ser sempre) a sua maior arma, mas outros jogadores dão contributos cada vez mais importantes. Luol Deng tem sido a segunda arma ofensiva (é o jogador dos Bulls que faz os melhores cortes e melhor aproveita as penetrações de Rose), Boozer integra-se agora melhor nos movimentos ofensivos e recebe mais vezes a bola a poste (baixo, para jogar um contra um, e também alto, para combinações com Noah) e role players como Bogans, Korver e Gibson exploram as brechas na defesa e os espaços abertos por Derrick Rose.

Mérito de tudo isto para quem? Tom Thibodeau, pois claro. O Treinador do Ano, conhecido como especialista defensivo, está a conseguir construir um ataque de topo, algo que não parecia que fosse acontecer tão rapidamente. A base da equipa começou na defesa, mas agora (na melhor altura possível) começa a perceber-se a totalidade do seu trabalho e o impacto que este tem na equipa. Os Bulls são uma equipa cada vez mais completa. E, por isso, tiro o meu chapéu a Thibs.

18.5.11

Thunder-Mavs: duas chaves


Já começou o repasto de basquetebol no Oeste também. Num jogo extraordinariamente prolífico em pontos para esta fase, os Mavericks tiveram mais munições e ganharam o primeiro assalto. Foi uma partida onde muitas coisas correram como se esperava e onde vimos várias tendências que devem continuar por toda a série. Aqui ficam duas delas:

- tanto os Mavs como os Thunder têm dificuldades em defender a principal estrela oposta, Durant e Nowitzki. Ambos são um matchup complicado para as respectivas defesas, pois tanto uma como outra não têm defensores com o perfil mais indicado para os defender.
Do lado de OKC, Perkins não pode defendê-lo por ser exclusivamente um defensor interior e não conseguir acompanhar o alemão nas áreas longe do cesto. Os outros jogadores com tamanho para defender o power forward dos Mavs, Ibaka e Collison, são mais móveis, mas são também jogadores habituados a defender jogadores interiores e têm dificuldades em acompanhar Nowitzki longe do cesto. Outros jogadores que poderiam defendê-lo longe do cesto e na linha de 3 pontos (Durant ou mesmo Sefolosha) não têm tamanho para o conseguir parar a poste baixo.
No lado dos Mavs, o único defensor tão rápido e longo como Durant é Corey Brewer, mas é um jogador pouco utilizado na rotação e menos útil no ataque. Teriam de abdicar de armas no ataque para o colocar em Durant. Dos jogadores que jogam habitualmente (e defenderam Durant neste jogo), Marion e Stevenson não têm tanta velocidade e envergadura para correr atrás do extremo dos Thunder e acompanhá-lo em todos os bloqueios que ele recebe.
Esta noite, Durant e Nowitzki explodiram para 40 e 48 pontos, respectivamente (e com uma eficácia fora do normal: Nowitzki fez 48 pts com 12-15 em lc e 24-24 de ll e Durant fez 40 pts com 10-18 em lc e 18-19 em ll) e esperem por mais grandes jogos dos dois.


- como já referimos, aos Thunder falta uma presença ofensiva interior e um jogador capaz de jogar de costas para o cesto. Isso significa que o ataque começa sempre no exterior e baseia-se em penetrações e pick and rolls. Para estas serem eficazes, é fundamental que os jogadores interiores, sempre que há uma penetração, se movimentem, façam cortes para o cesto e ofereçam linhas de passe ao penetrador. Se não o fizerem (e muitas vezes não o fazem), o trabalho da defesa fica mais fácil e só tem de fechar sobre o jogador que penetra. Como acontece muitas vezes, o ataque de OKC fica estático, com um jogador a penetrar (ou dois a fazer o pick and roll) e os restantes parados ao longo do perímetro, o que resulta num ataque mais previsível.
E como os jogadores interiores não são capazes de criar o seu próprio lançamento, a única forma de serem produtivos ofensivamente é através de assistências e ressaltos ofensivos. Sempre que fazem essas movimentações o ataque dos Thunder fica mais eficaz.

Estas são duas das chaves desta série. Qual das equipas consegue abrandar o melhor jogador contrário (e como o vão conseguir) e se os Thunder conseguem dinamizar o seu ataque. Vamos esperar (ansiosamente) pelas cenas dos próximos capítulos.

Cair de pé


(Este post foi escrito no dia 12, após a eliminação dos Celtics, mas devido aos problemas do Blogger nessa semana o post perdeu-se, por isso aqui fica a sua reedição)



Os Celtics caíram. Foram derrotados pelas lesões, pelo cansaço e por uma equipa melhor (nesta série, pelo menos). Mas não foram embora sem dar luta. Quando soou o apito final do electrizante jogo 5, tinham dado tudo o que tinham. E o que não tinham. Rondo, como nos jogos anteriores, jogou limitado pela luxação no cotovelo e ainda teve espasmos nas costas a juntar ao lote de mazelas. Bem longe dos 100%, cada vez que era substituído recebia assistência e deitava-se no chão para tentar relaxar as costas (a lembrar outro histórico Celtic). Jermaine O'Neal também o acompanhou no repouso no chão. O outro O'Neal nem se equipou, com aquele gémeo da perna direita a impedi-lo de dar a sua ajuda. Os trintões Pierce, Allen e Garnett, à semelhança dos outros jogos desta série, jogaram bem durante três períodos e meio, mas o cansaço levou a melhor nos minutos finais.

Os Heat, mais jovens, mais frescos e, no fim, mais fortes, levaram a melhor. Mas os Celtics nunca desistiram. Mostraram a alma de campeão e a urgência perante a eminência da eliminação que, por exemplo, os Lakers não mostraram. Lutaram, esforçaram-se, deram tudo o que podiam. Se perderam, foi porque não conseguiam fazer mais. Caíram, mas de pé (ou mais ou menos de pé, porque no fim desta série, alguns já mal se aguentavam assim!). Podem ter perdido este jogo e esta série, mas uma equipa assim só tem um nome: vencedora.


P.S.: Este post é escrito por um fã de toda a vida dos Lakers, mas quem merece, merece e estes jogadores dos Celtics merecem todo o reconhecimento pelo espírito, pela atitude e pela capacidade de sacrifício que demonstram. São um exemplo para todas as equipas.

16.5.11

Para aperitivo: Gibsons voadores


Se antes de começar a série Bulls-Heat já deixava os fãs com água na boca, este primeiro jogo deixa-nos todos a salivar por mais. Os Bulls dominaram as tabelas, controlaram o ataque em meio campo e conseguiram impedir os Heat de fazer o que mais gostam: correr e contra-atacar. Foi uma vitória em toda a linha da equipa de Chicago, que conseguiu limitar Lebron e Wade a 15 e 18 pontos, respectivamente. E estes afundanços de Taj Gibson, que tal para entrada do repasto?




15.5.11

Receita para uma série apetitosa


Hoje não é só o dia do final da série Thunder-Grizzlies. É também um dia de início. Se dum lado temos o jogo 7 e o fim duma série que tem sido espectacular, do outro lado começa outra que deixa todos os fãs com água na boca. O SeteVinteCinco dá a receita para o repasto de basquetebol que aí vem.


Ingredientes
1 MVP de 2011
1 MVP de 2009 e 2010
1 base do ano
1 shooting guard do ano
1 extremo do ano
2 power forwards q.b.
1 treinador do ano
1 treinador rookie
role players a gosto

Modo de preparação
Num pavilhão, comece por misturar o extremo do ano e MVP de 2009 e 2010 com o shooting guard do ano. Junte-lhes um power forward q.b., um treinador rookie e deixe a marinar para ganhar consistência e homogeneidade.
Enquanto isso, noutro pavilhão junte o base do ano e MVP de 2011 com outro power forward q.b.. Junte-lhes o treinador do ano, role players a seu gosto e deixe a ferver lentamente até ficar uma defesa sólida.
Acrescente então três jogos da temporada regular, uma pitada de polémica e um pouco de ressentimento. Misture depois tudo no mesmo pavilhão e sirva quente.

Sugestão de consumo
Convide uns amigos, recoste-se num sofá ou cadeirão confortável, ligue a televisão ou o computador e desfrute deste repasto delicioso. Acompanhe com umas cervejas fresquinhas (ou sumo, para os nossos leitores mais jovens!) e aperitivos.

(E se quiserem equipar-se a rigor, podem comprar os aventais aqui e aqui)

14.5.11

À sétima é de vez


Como já escrevemos aqui antes, nos playoffs é quando o basquetebol da NBA atinge o seu expoente máximo. Tudo é elevado a um novo nível, a emoção, a incerteza, as grandes exibições e as soluções tácticas. E tudo isso é ainda elevado a um outro nível num jogo 7. Um jogo 7 é o pináculo dum série de playoffs. É o auge da emoção, o máximo da incerteza, a cúpula da adrenalina, a cereja no topo dum bolo de jogos. Não há forma mais emocionante, excitante e memorável duma série terminar que um jogo 7.

E amanhã temos o primeiro destes playoffs. Com a vitória dos Grizzlies esta noite passada, o cenário está montado para o final electrizante desta disputadíssima série. Domingo é o dia. 15.30, a hora (20:30 em Portugal). E a Oklahoma City Arena, o palco. E se este jogo 7 for como os seis que o precederam, é imperdível.


Pois esta tem sido uma das melhores séries (a melhor série?) destes playoffs. Duas equipas que representam uma nova vaga de estrelas da NBA, duas equipas jovens, sem historial na liga (os Thunder eram antes os Sonics e têm história em Seattle, mas não em OKC, pelo que podemos considerá-los uma nova equipa), que atingem aqui o ponto mais alto da sua curta história. Duas equipas muito atléticas, com ataques dinâmicos (mais colectivo o dos Grizzlies, mais dependente das acções individuais das suas estrelas o de OKC) e defesas duras e aguerridas. E se tem havido intensidade e emoção ao longo de toda a série, amanhã estas vão estar nos píncaros.

Recorrendo àquela imortal expressão doutro desporto, se os prognósticos fazem-se no fim do jogo, então num jogo 7, não há prognósticos possíveis. E com duas equipas novas nestas andanças (ambas no primeiro jogo 7 da sua história), tudo pode acontecer.

Se nos playoffs temos o melhor basquetebol do mundo, num jogo 7 temos o basquetebol mais emocionante do mundo. E o duelo de amanhã promete isso mesmo. Até amanhã!

13.5.11

Desconto de tempo


Devido a problemas técnicos da plataforma blogspot.com o nosso último post ("Cair de pé", sobre a eliminação dos Celtics) não está disponível e o blogue não tem estado a funcionar correctamente nas últimas horas. Só agora é que tivemos acesso ao blogue e por esse motivo não conseguimos escrever o post previsto para hoje. A informação que recebemos do site do Blogger é que estão a reparar o erro e a repor gradualmente todos os posts. As razões do problema são-nos alheias, mas pedimos desde já desculpa a todos os leitores. Amanhã a normalidade já deverá estar reposta e cá continuaremos a cobrir estes fantásticos playoffs de 2011.

Até lá, fiquem com estes dois candidatos a afundanço da noite (o de Josh Smith não serviu de muito aos Hawks que, ao contrário dos Celtics, lá foram de férias sem grande alma e sem grande luta, mas um alley-oop destes faz sempre as delícias dos fãs) e digam-nos qual deles leva o título:


11.5.11

Momento geek do dia


A nova (e primeira) tatuagem de Andrei Kirilenko: a sua personagem no World of Warcraft, um paladin nível 80 (seja lá o que isso for!), montada num dragão.


Um salto em frente


Mike Conley, o sénior, conheceu a glória a saltar. Para a frente. Foi praticante de salto em comprimento e triplo salto, campeão mundial e medalhado olímpico (prata em 84 e ouro em 92) neste último. O seu filho escolheu ganhar a vida também a saltar. Mas para cima. E começa agora a conhecer a glória.

Mike Conley, o júnior, tem sido uma das revelações destes playoffs e um dos jogadores mais sólidos dos surpreendentes Grizzlies. E na sua primeira presença na segunda fase está a convencer muitos dos seus críticos no passado.

Conley foi seleccionado no 4º lugar do draft de 2007 (a seguir a Greg Oden, Kevin Durant e Al Horford; não foi o melhor ano daí para baixo), mas não conseguiu garantir o lugar de base titular desde o início. Nas duas primeiras temporadas saltou entre o banco e o cinco inicial (10.1 pts e 4.2 ast nesses dois primeiros anos) e foi apenas na temporada passada que se tornou o base titular indiscutível (uma aposta de Lionel Hollins quando assumiu o comando da equipa). Os seus números melhoraram desde aí (13 pts e 6 ast nos dois últimos anos), assim como a sua regularidade e fiabilidade. A sua capacidade de liderar o ataque dos Grizzlies tem crescido de ano para ano e a equipa tem crescido com ela.


As atenções e os louros pelos brilhantes playoffs que Memphis está a realizar têm recaído quase todas sobre Zach Randolph, Marc Gasol e o jogo interior, mas Conley tem sido um manobrador inteligente e tem colocado a bola nos sítios certos no ataque. E tem sido um manobrador versátil também. Ora joga o pick and roll, ora serve os jogadores a poste baixo, ora assiste para lançadores que se desmarcam, ora vê uma brecha na defesa, penetra e cria um lançamento para si.

Tem sido um distribuidor seguro e tem variado as soluções. Se o ataque dos Grizzlies tem sido imprevisível, é dele a responsabilidade. Sem ser um jogador fora de série em nenhum aspecto do jogo, está a tomar decisões inteligentes e, sem forçar ou sair do seu papel, tem feito muito bem o trabalho que lhe é exigido naquele sistema ofensivo. Melhorou no aspecto onde era mais fraco (na defesa) e, tal como a equipa, meteu uma mudança acima nestes playoffs e os seus números estão os melhores da carreira (16 pts, 6.1 ast e 3.6 res). E depois de meter Tony Parker no bolso, está a lutar taco a taco com Russell Westbrook.

Se muitos não sabiam quem ele era até aqui, isso está a mudar rapidamente. Estes playoffs estão a ser um grande salto em frente para Mike Conley. O júnior.

9.5.11

Swan Lakers


O jogo da reviravolta transformou-se no canto do cisne. O luminoso Laker Show acabou num bailado trágico. E não foi bonito de ver. Diz-se que quanto maior a ascensão, maior é a queda. Pois, os Lakers estiveram no topo da montanha durante os últimos 4 anos, nos píncaros da glória basquetebolística durante quase quatro temporadas consecutivas. A queda não podia ser pequena.

Chegou ontem, mais rápido do que alguém esperava. E foi tão memorável como o domínio que os Lakers tiveram nos dois títulos. Ou não fossem eles da terra do espectáculo, Hollywood. Espectaculares na subida, espectaculares na descida. Estiveram no topo, onde poucos estiveram. E caíram como poucos também, com o primeiro sweep da carreira de Phil Jackson, com Odom e Bynum de cabeça perdida a acabarem expulsos (depois de dois golpes baixos que deixam uma nota de mau perder e mancham a saída dos bi-campeões), com uma derrota pesadíssima, com uma falta de alma e acusações entre os jogadores de falta de espírito de equipa.

Parece que o cansaço e o desgaste de três idas consecutivas às Finais apanhou-os. O Zen Master acredita que sim, que "sabia que era uma grande desafio para esta equipa conseguir o threepeat. Fomos às Finais e voltar lá duas vezes e ganhar depois daquela derrota de 08 põe muita pressão num clube, em todos os aspectos. Personalidades. Espiritualmente. Fisicamente. Emocionalmente. Recarregar baterias jogo após jogo, assalto após assalto (...). Foi um desafio maior do que nós este ano."

E se a temporada regular deixava dúvidas sobre se estariam à altura desse desafio, esta série não deixa as menores dúvidas que não estavam. Porque quando Stojakovic e Nowitzki mostram mais intensidade defensiva que os teus jogadores, quando a tua defesa faz o Barea parecer o Chris Paul e quando o teu melhor jogador não faz uma única entrada na passada em 4 jogos, sabes que estás em apuros.


Crédito à defesa dos Mavs, foi muito boa durante toda a série. A sua defesa individual sobre Kobe e Gasol foi agressiva e tanto um como outro tiveram muita dificuldade em conseguir espaço para lançar dos seus locais mais confortáveis. Quando conseguiam ganhar algum espaço ou passar o seu defensor directo a ajuda estava sempre lá e aquela área restritiva dos Mavs esteve sempre repleta de gente a tapar o caminho para o cesto.

Já a dos Lakers, bem, foi uma verdadeira sodomia do seu garrafão e da sua defesa. Os Mavs entravam e saíam a seu bel-prazer. E nem encontraram resistência. Expuseram mais que nunca a fragilidade defensiva dos Lakers na posição de base (um problema antigo dos de Los Angeles; Derek Fisher não conseguiu sequer abrandar alguém nesta série!) e abusaram da sua má transição defensiva, más rotações defensivas e má recuperação nas ajudas. Os jogadores de Los Angeles chegavam sempre tarde nas rotações e sempre que um Laker ia dar uma ajuda dentro, demorava uma eternidade a regressar ao jogador exterior. Resultado disso? 49 triplos marcados pelos Mavs, um recorde dos playoffs para uma série de 4 jogos. 62.5% detrás dos 7,25 neste jogo e 46.2% na série.

Poucas coisas correram bem aos Lakers. A defesa foi péssima nos 4 jogos e nem o banco, que este ano estava muito melhor e foi uma das chaves do sucesso desde o início da época, se safou. Nos 4 jogos foi batido 198-89 pelo banco de Dallas.

Com a retirada de Phil Jackson e este feio final de temporada, os Lakers vão ter que pensar muito no seu futuro. Lá iremos mais tarde fazer essa análise. Mas para já, a época continua. E os Lakers saem de cena. O seu reinado terminou. Vamos ter um novo campeão.

8.5.11

Rondo, o desfibrilador


Quando alguém desloca o cotovelo num jogo, supõe-se que esse jogador está acabado para esse jogo, certo? Bem, se esse jogador veste de verde e branco e chama-se Rajon Rondo não é bem assim.
Se os Celtics pareciam quase mortos e ligados ao ventilador nesta série, Rondo pode ter-lhes dado o choque que precisavam para acordar. O heroísmo de Rondo (que jogou o 4º período praticamente só com o braço direito e ainda conseguiu fazer um roubo de bola com a mão esquerda!) inspirou o público e os restantes Celtics e deu o impulso final para a necessária vitória sobre os Heat.

O base dos Celtics acreditou que "podia mudar o momento do jogo se conseguisse defender e chegar a umas bolas e para isso só preciso de duas pernas."
O seu estado para o próximo jogo é incerto. A lesão parece séria e pode significar paragem (embora depois disto, tudo é possível). Mas o estatuto de herói do jogo 3 (e da recuperação dos Celtics, se esta se concretizar) já ninguém lhe tira.


7.5.11

O threepeat dos Lakers


Kobe Bryant após o jogo 2, a responder a uma pergunta sobre a dificuldade de fazer um threepeat: "Se queremos fazer história, temos de fazer coisas históricas."
Pois bem, vão ter de fazer a coisa mais histórica de todas, aquela que nenhuma equipa da NBA alguma vez conseguiu: recuperar de uma desvantagem de 0-3.

Mas para isso vão ter de fazer muito melhor do que aquilo que têm feito. Porque até agora o que fizeram foi um threepeat de jogos a defender muito mal. Para vencer um jogo aos Mavs vão ter de defender o pick and roll muito melhor que isto:


Ou que isto (um verdadeiro exemplo de como não defender o pick and roll; Odom esboçou apenas uma tentativa de tempo de ajuda que não fez o driblador desviar-se um milímetro do seu caminho, Fisher nem se deu ao trabalho de libertar-se do bloqueio - e àquela distância da linha de 3 pts, podia ter passado por trás do bloqueio que não havia perigo de lançamento triplo - e se a ajuda se chegasse mais tarde dava tempo a Barea para fazer um piquenique no garrafão antes de marcar):


E defender muito melhor Nowitzki do que têm feito. E pensar em colocar outro jogador que não Gasol a defendê-lo. O alemão sempre teve dificuldades com defensores mais físicos e agressivos. O que não é o forte do espanhol. Senão o extremo dos Mavs vai continuar a marcar com a facilidade que temos visto. Se a defesa ganha campeonatos, defender tão mal dá um bilhete garantido para casa.

5.5.11

Em maus lençóis


No ano passado por esta altura, os Lakers estavam a varrer os Jazz e facilmente a caminho da final de conferência e os Celtics estavam a mandar Lebron para férias (depois de já terem mandado Wade!). Mas isso foi o ano passado e, embora tanto em Los Angeles como em Boston se comece a suspirar por esses bons tempos (e se não fôr pelas vitórias, é porque eram todos um ano mais novos que agora!), a verdade é ambas as equipas cavaram um belo buraco nestas suas eliminatórias de 2011. E com elementos estranhamente semelhantes em ambas.

De todas as equipas que ainda estão a jogar (e de todas as que já não estão também!), os Lakers e os Celtics são as duas com mais experiência, as mais veteranas e com mais jogos realizados nos playoffs nas últimas três épocas. Os de Los Angeles estiveram nas últimas três Finais e os de Boston estiveram em duas Finais nesses três anos (e no ano em que não foram às Finais, avançaram até à final da conferência). E, por isso, de ambas esperava-se que tivessem a vantagem psicológica nas respectivas eliminatórias.

Os Celtics são uma equipa dura, com uma defesa física e agressiva e amiga de jogos psicológicos e provocações para desconcentrar os adversários. Os Celtics são os bullies, os miúdos que fazem as regras do playground.
Os Lakers são uma equipa talentosa, que confia na sua superioridade para os levar aos objectivos. Os Lakers são os bons, que tiveram todo o ano à espera dos playoffs e do momento de brilhar. São os miúdos populares, as estrelas do playground.
E ambas as equipas já estiveram aqui antes, várias vezes. Sabem o que é preciso e sabem o que fazer. São equipas testadas e experimentadas na batalha.


Para além disso, as equipas que enfrentam não são (ou não tinham sido até aqui) propriamente os melhores exemplos de equipas mentalmente fortes. Os Heat foram vítimas do bullying dos Celtics ao longo da temporada regular (3-1 para os Celtics nos jogos entre ambos) e foram vários os momentos na época em que, pressionados, jogaram pior. E os Mavericks têm uma longa história de quebras e desilusões nos playoffs. São os miúdos no playground que têm de esperar vez dos mais velhos para jogar.

Tudo parecia indicar que os Celtics e os Lakers puxariam dos seus galões e mostrariam que aqui ainda mandam eles. Mas nestes dois jogos de cada série tem acontecido exactamente o contrário: os menos experimentados têm sido os agressores. Mavs e Heat tem sido mais confiantes, mais determinados e têm tremido menos. Têm sido mais consistentes, mais regulares e mais concentrados. A vantagem psicológica que não estava no seu lado à partida, é sua agora. Mostraram aos bullies e aos bons (e a eles próprios) que este playground também é deles.

E assim, de forma inesperadamente semelhante, Lakers e Celtics encontram-se em circunstâncias que não estão habituados: num buraco e com os miúdos que antes dominavam a tentar correr com eles do playground. Será que o conseguem reclamar de volta?

3.5.11

OKC: Falta-lhes um bocadinho assim


Muito se escreveu sobre a surpreendente performance dos Grizzlies nestes playoffs. Muito se falou da sua vitória no primeiro jogo das semi-finais do Oeste, frente aos Thunder. E muito se diz sobre aquilo que falhou na equipa de Oklahoma nesse jogo e sobre aquilo que têm de melhorar para vencer a incrivelmente sólida equipa de Zach Randolph e Mike Conley (e poucas vezes no passado se escreveram estas palavras junto ao nomes destes jogadores).

Falou-se do mau jogo de Russell Westbrook e dos muitos turnovers que cometeram, falou-se que Kevin Durant tem de ser mais solicitado e a equipa tem de jogar mais para ele, falou-se da excessiva utilização de jogadas de isolamento e de penetrações (que foram muito bem defendidas pelos Grizzlies) e falou-se do menor rendimento de James Harden. Todas essas são razões que ajudam a explicar o resultado final desse jogo e todas elas são coisas que podem ser corrigidas e melhoradas para os seguintes. Mas, no entanto, há algo que falta a esta equipa de OKC e não pode ser corrigido para o próximo jogo. Nem para o outro a seguir, nem para nenhum jogo desta época.


Na verdade, se olharmos para a história da NBA, é algo que todas (bem, há uma excepção*) as equipas que foram campeãs tinham: um jogador capaz de jogar de costas para o cesto. Um poste ou um power forward capaz de atacar a partir da posição de poste baixo. Uma presença ofensiva interior.

Os Lakers têm Gasol (e Bynum), os Celtics tinham Garnett, os Spurs tinham Duncan, os Pistons tinham Rasheed Wallace, os Lakers do início do século tinham Shaq, os Rockets tinham Olajuwon, os Bulls do 1º threepeat tinham Horace Grant, os Pistons de 89 e 90 tinham Laimbeer e por aí fora. Podemos recuar até aos primórdios da NBA e esse é um elemento comum a praticamente todas as equipas que chegaram ao título.
E as razões para tal são óbvias: quem tem um jogador com estas características (aliado a jogadores exteriores) tem um ataque mais versátil e imprevisível. O ataque pode ser iniciado no exterior ou no interior e o leque de possibilidades e movimentos ofensivos é mais vasto.

E é essa a falta de versatilidade que assola os Thunder. Os seus dois All-Star são jogadores que atacam de frente para o cesto. Ora em penetrações, ora em lançamentos (criados por eles ou após bloqueios para os libertar, mais Durant no segundo caso), mas de frente para o cesto. São dois jogadores exteriores, com movimentos de jogador exterior.
Perkins e Ibaka são dois defensores e ressaltadores excelentes, mas nenhum deles é um jogador ofensivo dotado. E embora Ibaka esteja a desenvolver um bom lançamento de meia distância, também só funciona após assistência. Nenhum deles tem bons movimentos ofensivos a poste baixo ou consegue criar as suas próprias situações ofensivas. O que significa que o ataque dos Thunder começa sempre no exterior.

E essa é uma grande limitação no seu ataque. Seja através de penetrações, pick and rolls ou bloqueios e assistência para um lançador, tudo começa sempre no exterior. Nunca há um passe interior para um jogador que ganhou a posição a poste baixo e para este atacar a partir dessa posição. O que significa que as defesas adversárias nunca têm de fechar sobre um jogador interior. O que significa que as defesas já sabem o que esperar e têm menos alternativas para cobrir. E quanto menos alternativas, mais fácil de defender.

E, como nos mostra a história, isso não leva uma equipa ao título. Por isso, os Thunder não vão ser campeões este ano. E para o serem no futuro vão ter de encontrar essa peça que falta.


*A única equipa que venceu um título (ou três!) sem um jogador bom a poste baixo?
Os Bulls do segundo threepeat, com Dennis Rodman e Luc Longley no interior. Mas essa era uma equipa muito especial. É um caso raríssimo em que os restantes eram tão bons e tão melhores que os outros que ganharam mesmo sem isso. E o triângulo ofensivo de Phil Jackson é um sistema particular, que vive tanto da capacidade de passe do jogador na posição interior como da sua marcação de pontos (e isso Luc Longley fazia bem).

2.5.11

Bola ao ar na 2ª ronda


Se a primeira ronda foi fabulosa, esta segunda promete ser épica. Nos dois jogos de ontem, os Grizllies continuaram a surpreender e tornaram-se no primeiro 8º classificado que elimina o 1º e depois ganha o primeiro jogo da série seguinte. E a sua pose de veteranos continua a ser impressionante. Enquanto os Thunder acusaram os nervos duma equipa jovem que está nestas andanças pela primeira vez, os Grizzlies, mais uma vez, tiveram uma calma e uma compostura que desafia a lógica (18 TO de OKC, contra apenas 7 de Memphis; 7 TO de Russell Westbrook, contra 0 de Mike Conley!).

Ganham aos Spurs de forma convincente, chegam a Oklahoma com apenas um dia para preparar o jogo e, perante um efusivo e muito barulhento público local, dominam os Thunder e ganham com à-vontade. As equipas que são bem sucedidas nos playoffs são aquelas que têm mais uma velocidade e conseguem subir um nível em relação à temporada regular. Pois os Grizzlies meteram umas duas acima e carregaram no acelerador a fundo! E qual Perkins e Ibaka, Zach Randolph e Marc Gasol foram os reis do garrafão!

No outro duelo, o muito aguardado Heat-Celtics, a turma de South Beach segurou para já a vantagem casa e venceu o sempre importante primeiro jogo no seu pavilhão. Num jogo que foi como toda a série promete ser (físico, com muita luta, provocações, algumas querelas e o seu quê de polémica), os Heat apoiaram-se na sua defesa atlética e num inspirado James Jones (25 pts do banco, a substituir o menor rendimento do terceiro vértice dos Super-Amigos, Bosh). Este rendimento de Jones não vai acontecer muitas vezes, por isso não podemos tirar grandes conclusões para os próximos jogos, mas uma coisa ficou clara para os Celtics: se tentam vencer os Heat no plano atlético (como fizeram neste), perdem. Se querem vencer está série têm de se apoiar no seu jogo mais colectivo e táctico. Têm de ser mais inteligentes que os Heat, porque mais jovens e atléticos nunca vão ser.

Esta noite começam os outros dois duelos (um Lakers-Mavs que vai ser uma prova de fogo para os bi-campeões e um Hawks-Bulls, com a equipa de Atlanta a tentar mostrar que podem rivalizar com os melhores do Este). Até lá, para fechar o resumo da 1ª ronda, fiquem com as suas 10 melhores jogadas:


1.5.11

As melhores imagens da 1ª ronda


No dia em que começa a segunda ronda (Heat-Celtics, já falta pouco!), fiquem com um resumo em imagens desta primeira ronda inesquecível.

Derrick Rose, praticamente sozinho, afundou os Pacers.


Ray Allen fez as pazes com os cestos e parecia que não falhava um lançamento,


enquanto Rondo passou pela defesa dos Knicks como faca quente em manteiga.


Os Sixers não foram oposição à altura de Lebron e companhia,


e os Hawks voaram mais alto que os Magic.


No Oeste, Chandler dominou as tabelas e o garrafão para os Mavs,


contra Brandon Roy e uns Blazers que nunca encontraram equilíbrio no seu jogo.


Os Hornets até se esforçaram e ainda assustaram, mas no fim


os Lakers tiveram a última palavra e o melhor afundanço da ronda.


A série que se esperava mais embrulhada, ficou resolvida cedo


e os Grizzlies partiram com tudo para cima dos Spurs,


com uma defesa sufocante que fechou todos os caminhos aos 1ºs classificados.