29.12.12

Feliz Ano Novo


Feliz Ano Novo, pessoal! Vamos fazer uma pausa para as festividades da praxe e voltamos no próximo ano. Um bom 2013 para todos (e até dia 2)!


28.12.12

He wants some nasty game


A música que faltava na história do rap e do basquetebol, a homenagem do duo de rappers israelitas Arik Henig And X a Gregg Popovich:


27.12.12

A segunda chicotada psicológica da época


Dizíamos ontem que Avery Johnson tinha de encontrar urgentemente uma solução para o ataque dos Nets e a melhor forma de utilizar Deron Williams. Mal sabíamos nós que o tempo dele para o fazer já se tinha esgotado. O general manager Billy King anunciou esta tarde o despedimento do Pequeno General e os Nets vão procurar uma solução mas com outro treinador.


De Treinador do Mês da Conferência Este em Outubro e Novembro para treinador desempregado em Dezembro, foi rápida a queda de Johnson. E agora? Prognósticos e/ou desejos para novo treinador dos Nets?

26.12.12

Considerações Natalícias


Ontem foi dia de Natal e, como manda a tradição, dia de maratona de jogos e embates especiais na NBA. Aqui ficam cinco considerações sobre a jornada natalícia:


- Avery Johnson tem um problema para resolver no ataque dos Nets. Deron Williams é um dos melhores bases da liga em situações de pick and roll, mas neste ataque mais centrado em isolamentos e 1x1 está a ser apenas mediano. E mediano não é o que os Nets precisam ou esperam do jogador por quem pagaram 98 milhões de dólares. O próprio D-Will já disse que se sente mais confortável em sistemas que privilegiem o pick and roll e o passe e que ainda está a adaptar-se aos movimentos ofensivos de Avery Johnson. Com 9 derrotas nos últimos 12 jogos e um base All Star sub-aproveitado, o treinador dos Nets precisa de encontrar uma solução urgentemente.

- Mike D'Antoni teve a prenda mais desejada, o regresso de Steve Nash, e o ataque dos Lakers é outro com o base canadiano aos comandos. Mais organizado, mais equilibrado e com melhor distribuição e movimentação de bola. Ontem tiveram isso mesmo, com mais jogadores mais e melhor envolvidos no ataque e conseguiram uma moralizadora vitória sobre uma das melhores equipas da temporada. E apesar de Nash não ser um bom defensor, a defesa da equipa também sai beneficiada com ele ao leme. Porque com um ataque mais concretizador e eficaz, evitam contra-ataques adversários e evitam as situações onde são mais fracos: as transições defensivas. Com Nash os Lakers são uma equipa completamente diferente e para eles a temporada começou agora.

- Como já dissemos aqui, quando Ibaka e mais jogadores dos Thunder são envolvidos nas movimentações ofensivas o ataque dos Thunder é muito melhor. Esta temporada têm o melhor ataque da competição devido a isso, mas ontem deram sinais preocupantes de retrocesso. Num jogo especial entre os finalistas do ano passado (digam o que disserem, não é só mais um jogo e é daqueles momentos em que as equipas querem marcar uma posição) e com mais pressão em cima, retrocederam para uma equipa de 1x1 e com demasiadas jogadas individuais de Durant e Westbrook. E com o passar do tempo e quanto mais se aproximava o final do jogo e os momentos decisivos, mais os Thunder retrocediam para essa equipa. O que não correu bem. Esperemos que tenham aprendido a lição e que voltem ao que tão bons resultados lhes tem dado.

- Omer Asik regressou ao United Center e mostrou dolorosamente aos Bulls o que perderam. E que, ao contrário do que todos pensaram (nós inclusive), se calhar o que os Rockets pagaram por ele não foi assim tão exagerado. Ontem fez uns All Starianos 20 pts, 18 res e 3 dl e leva na temporada uns sólidos 11 pts, 11.6 res e 1.2 dl. E como Tyson Chandler provou em Dallas e Nova Iorque, a defesa e as coisas que não aparecem na folha de estatística também podem valer milhões.

- E os Clippers, historicamente a equipa mais fraca da NBA, podem chegar ao fim de Dezembro com o melhor recorde da liga, algo completamente inédito nos mais de 40 anos da equipa (os Clippers nunca chegaram sequer ao início de Dezembro com o melhor recorde da liga!). Mas vão com 14 vitórias consecutivas, um recorde de 22-6 e não só têm ganho jogos, como os têm dominado (são a equipa com melhor diferencial entre pontos marcados e sofridos, com 10.5, e com muitas vitórias por duplos digítos). A profundidade da equipa continua a fazer estragos, o banco continua a detonar (ontem, no segundo período, marcaram 42 pontos e concretizaram em 20 das 27 posses de bola - e concretizaram as últimas 11) e afirmam-se como reais candidatos ao título.

23.12.12

Clippers Air Show


E já que falamos de afundanços do c@#$&%*, parece que não é só durante os jogos que os Clippers fazem shows aéreos:


Slam Dunk Friday


Ainda bem que o mundo não acabou na sexta feira porque perdia-se uma noite de afundanços do c@&%$#:



21.12.12

100 jogadas para ver antes do mundo acabar


Pelo adiantado do dia parece que estamos safos, mas até à meia noite ainda pode acontecer, não é? Por isso, só para prevenir, se por acaso os extraterrestres estiverem à espera da noite para atacar ou se o asteróide estiver neste momento pros lados de Marte, aqui têm as jogadas que não podem deixar de ver antes do mundo acabar. São, de 10 em 10 (os 10 melhores desarmes, os 10 melhores afundanços, as 10 melhores assistências e por aí fora), as 100 melhores jogadas da história da NBA. Para ver aqui


(e se o mundo não acabar, são imperdíveis à mesma, por isso, divirtam-se)

Dois passes de mágica


A propósito das 5000 assistências de Chris Paul, recordamos aqui o líder de sempre da lista de passes para cesto:


E recuperamos dois artigos sobre o que ele e Chris Paul têm em comum:

-  A excepcional leitura e compreensão do jogo, que lhes permite fazer mais com o que a Natureza lhes deu do que alguém esperaria.

- E como, desde a lesão no joelho, Paul mudou o estilo de jogo e começou a jogar menos à Isiah Thomas e mais à John Stockton.

19.12.12

Mais Ibaka, mais Thunder


Com um recorde de 20-4 e uma série de 11 vitórias consecutivas, os Thunder são até agora a melhor equipa desta temporada. Têm o melhor ataque da liga (105.8 pts/jogo e 114.1 de Off Rtg), são primeiros na percentagem de lances livres (84.2%) e segundos na percentagem de 2 e 3 pontos (48.7% e 41.1%, respectivamente). Depois de, na época passada, ter ficado a três vitórias do campeonato, a equipa de OKC continua a evoluir e parece cada vez mais melhor. Kevin Durant está cada vez melhor passador e com um arsenal cada vez mais completo. Russell Westbrook está menos precipitado e continua a melhorar a leitura e a condução de jogo (está com máximos de carreira em assistências, 8.8, e o mínimo de carreira em turnovers, 3.2). Kevin Martin fez esquecer rapidamente James Harden e integrou-se na perfeição no papel de sexto homem. Mas a maior diferença este ano é a evolução de Serge Ibaka.


O congôles naturalizado espanhol vem sempre a evoluir desde que entrou na liga em 2009 e este ano está com um surpreendentemente fiável lançamento de meia distância. É uma arma que já tinha começado a desenvolver e a usar na temporada passada, mas este ano está muito mais perigosa e eficaz (está com o máximo de carreira nos 2pts, 58.4%, num ano em que está a lançar mais vezes e mais longe do cesto). E essa arma de Ibaka está a tornar os Thunder muito melhores.

Como já tínhamos dito em 2011 e na temporada passada, para os Thunder vencerem um campeonato faltava-lhes um bocadinho assim. Faltava-lhes algo que todas as equipas campeãs na história da NBA (com a excepção que referimos na altura) tinham: uma ameaça ofensiva interior. Um jogador capaz de jogar de costas para o cesto, capaz de atacar a partir da posição de poste baixo. 

Como dissemos então, as razões para tal são óbvias: quem tem um jogador assim tem um ataque mais versátil e imprevisível, com um leque de possibilidades e movimentos ofensivos mais vasto. Ora, os Thunder continuam a não ter esse jogador, mas o desenvolvimento de Ibaka como lançador oferece-lhes uma alternativa engenhosa.

Ibaka continua a não ser um jogador para iniciar o ataque e criar o seu próprio lançamento. Os seus lançamentos, como antes, continuam a funcionar apenas após assistência. Mas antes, como não lançava nem tão bem nem de tão longe, ele só era uma ameaça em zonas mais perto do cesto. Antes, após bloqueio, Ibaka normalmente desfazia para dentro, para a área restritiva, e congestionava essa zona  para o jogador que penetrava. Para além disso, o espaço a defender era menor, o que facilitava o trabalho das defesas. E se desfizesse para longe do cesto, as defesas podiam dar-lhe espaço e concentrar-se em defender a penetração.

Mas agora Ibaka também é uma ameaça a lançar mais longe do cesto. Pode por isso desfazer mais vezes para fora (e tem-no feito) e deixar a área restritiva livre para as penetrações de Durant e Westbrook. E quando desfaz para fora, as defesas já não lhe podem dar espaço e o seu defensor tem de o acompanhar. O que significa ainda mais espaço para as penetrações.

E os Thunder têm aproveitado isso da melhor forma e recorrido a muitos pick and rolls entre o espanhol e Durant ou Westbrook. Ibaka faz o bloqueio e desfaz para fora (o chamado pick and pop), Durant ou Westbrook penetram e se a defesa colapsa sobre ele, assistem para o lançamento do espanhol, como podemos ver aqui várias vezes:


Embora não da forma mais tradicional para um power forward, o jogo ofensivo de Ibaka está a proporcionar aos Thunder um ataque mais fluido, mais espaçado e equilibrado. E embora não tenham o jogador interior para jogar a poste baixo, os Thunder encontraram uma alternativa muito eficaz. O ataque dos Thunder está melhor que nunca e Ibaka é o maior responsável por isso.

18.12.12

Linbram-se de mim?


A Linsanidade regressou à Big Apple para infligir a primeira derrota caseira aos Knicks:


17.12.12

Uma Tribo Chamada Banco


É sabido que para ganhar títulos é preciso ter profundidade. A temporada é longa, os minutos começam a pesar, as lesões podem aparecer e, mesmo quando tal não acontece, os 82 jogos deixam mossa no corpo e chega-se aos playoffs cansado, com pequenas mazelas acumuladas e longe da melhor forma. Qualquer treinador sabe bem que manter os seus melhores jogadores frescos para a segunda parte da época pode ser a diferença entre ganhar um campeonato ou ficar pelo caminho. 

Perguntem a Gregg Popovich ou a Doc Rivers, por exemplo. Com Manu Ginobili a 50% em 2010-11, os Spurs ficaram pela primeira ronda e no ano passado perderam o gás a dois jogos das Finais. Em 2009, com Kevin Garnett a jogar só com uma perna, os favoritos Celtics não resistiram aos Magic e no ano passado o gás chegou miraculosamente para levar os Heat até ao jogo 7 na final de conferência, mas não deu para mais.

E embora manter as pernas o mais frescas possível seja mais urgente e necessário numa equipa veterana, é uma verdade que se aplica a todas as equipas. No ano passado, os Clippers chegaram aos playoffs com as duas maiores estrelas, Chris Paul e Blake Griffin, limitadas por lesões e não foram páreo para os Spurs.

É, por isso, fundamental gerir os minutos dos titulares ao longo da maratona que é a temporada regular, poupá-los e tê-los na melhor forma possível na altura que mais importa. E para isso é indispensável, claro, ter um bom banco. Um banco que consiga manter o nível de jogo da equipa, manter uma vantagem e até aumentá-la. 

Nas últimas duas temporadas o Bench Mob dos Bulls foi o exemplo perfeito disso. Com ausências importantes durante grandes bocados dessas duas épocas (Noah e Boozer em 2010-11 e Rose em 2011-12), a segunda unidade ganhou-lhes muitos jogos, levou-os ao melhor recorde dessas temporadas regulares e mostraram como um banco pode tornar uma equipa muito melhor. E quando um banco tem direito a uma alcunha própria isso mostra o protagonismo e a importância que ganharam.


Pois este ano temos um outro banco com direito a nome próprio. Senhoras e senhores: o banco dos Clippers. Ou, como agora são conhecidos, A Tribe Called Bench (um trocadilho com o nome do grupo de hip hop A Tribe Called Quest, cuja música "Scenario" toca nos vídeos de highlights da segunda unidade que os Clippers passam no seu pavilhão). Se o nome é o melhor é discutível, mas indiscutível é que tem sido, de longe, o melhor banco da liga.

São uma unidade com uma identidade definida, que defende muito bem e sai muito rápido e muito bem em transição. Defesa, contra-ataque e uma regularidade e coesão difícil de encontrar até mesmo entre muitos cinco iniciais da NBA. Esta tribo do banco (Bledsoe-Crawford-Barnes e qualquer combinação de Odom-Hollins-Turiaf) está com uns bons 103 pontos marcados por cada 100 posses de bola e com uns fantásticos 89 pontos sofridos por cada 100 posses de bola. São 14 pontos de diferença entre o Rating Ofensivo e o Rating Defensivo, uma marca ao nível dos melhores cincos da liga.

E quanto à missão de manter e aumentar vantagens, têm sido tão bons que, nos últimos 4 jogos dos Clippers, em três deles os titulares não jogaram no último período. Tal como o Bench Mob dos Bulls tantas vezes fazia, foi a segunda unidade dos Clippers que várias vezes ganhou vantagens decisivas e deixou os oponentes para trás. Têm sido dominadores e têm proporcionado muitos minutos de descanso a Griffin e Paul. E isso, quando chegarem os playoffs, como se sabe,  pode fazer toda a diferença.

16.12.12

Olha quem está de volta


Bem vindo de volta, Ricky. Já tinhamos saudades desta rara visão de jogo e de passes espectaculares como este aos 0:59:




13.12.12

All Star Game 2013 - Quatro candidatos à estreia


Os primeiros resultados das votações para o All Star saíram hoje e, sem grandes surpresas, LeBron James e Kobe Bryant são os mais votados. Kevin Durant fecha o trio dos mais votados e dos jogadores com mais de 600.000 votos. Para além destes, temos outros nomes habituais e esperados nestas andanças: Carmelo Anthony, Dwyane Wade, Rajon Rondo, Deron Williams, Kevin Garnett e Chris Bosh a Este e Dwight Howard, Blake Griffin, Tim Duncan e Chris Paul a Oeste (a maior surpresa é mesmo Jeremy Lin ser apenas o terceiro base mais votado. Os fãs chineses não andam a votar tanto nele como se esperava).

Mas, para além de todos estes que estão entre os mais votados e que de certeza marcarão presença em Houston, temos alguns jogadores que estão a fazer excelentes temporadas e merecem ser escolhidos pelos treinadores para vestir pela primeira vez a camisola da selecção do Este e Oeste. Aqui ficam quatro candidatos:



Jrue Holiday
Com a estrela da equipa, Andrew Bynum, de fora, Holiday tem sido o melhor jogador dos Sixers. Marca (18.4 pts), distribui (8.9 ast), dá uma ajuda nas tabelas (4 res), defende (1.5 rb) e tem sido o maior responsável por se manterem nos lugares de playoffs. Tem em Brandon Jennings um sério concorrente a esta selecção, mas, com Rondo e Deron Williams garantidos no All Star, o jogador dos Sixers merece até agora ser o terceiro base da selecção do Este. 

Anderson Varejão
O poste dos Cavs está a fazer, de longe, a melhor temporada da sua carreira. Lidera a liga em ressaltos defensivos totais (198, 9/jogo), em ressaltos ofensivos totais (127, 5.8/jogo) e em média de ressaltos por jogo (14.8). Está com a sua melhor média de sempre de pontos (14.3, o dobro da média de carreira) e assistências (3.3, mais do dobro da média de carreira). Aos 30 anos, o brasileiro não é o jogador mais técnico ou elegante da liga, mas é dos mais trabalhadores e esforçados e isso está a dar-lhe grandes recompensas. Falta uma das maiores de todas: ser All Star.

James Harden
25 pts, 5.4 ast, 4.4 res e 1.9 rb. Não precisamos dizer mais nada, pois não? Já sabiamos que Harden tinha potencial para ser um jogador de topo e que sem Durant e Westbrook a tapá-lo seria uma estrela. O barbudo dos Rockets está a fazer uma temporada sensacional e embora não fosse o Rocket mais provável de vestir a camisola do Oeste (já sabemos do que os fãs chineses são capazes), é sem dúvida o Rocket que mais o merece. E não acreditamos que, se não fôr escolhido para o cinco inicial, não seja escolhido pelos treinadores. 

Rudy Gay
Se o caso de Harden deve ser pacífico quando fôr hora de escolher os suplentes, já o caso do jogador dos Grizzlies é mais bicudo. Porque está numa equipa que vale mais pelo colectivo do que pelas estrelas, que não tem uma estrela clara acima das outras e porque não é tão exclusivamente responsável pelo bom desempenho da sua equipa como outros jogadores. Gay tem Zach Randolph e Marc Gasol para dividir o fardo e estes dois são também candidatos a um lugar no All Star. Mas Randolph e Gasol já foram All Stars, Gay está a fazer (mais) uma boa temporada e os seus 19.1 pts, 6.5 res, 2.4 ast, 1.5 rb e 1.1 dl (números ligeiramente melhores, por exemplo, que OJ Mayo, que muitos apontam como um possível merecedor duma selecção para o All Star) já mereciam uma selecção.

E para vocês? Há algum outro jogador que mereça a primeira selecção da carreira ou que gostassem de ver no All Star pela primeira vez?

12.12.12

Os 10 piores lances livres de sempre


Ainda a propósito da já mundialmente famosa execução de Brian Okam, a Slam Magazine organizou um top 10 dos piores lances livres de sempre. Com a presença de execuções tão desastrosas como esta:


Ou esta:


Estas e todas as restantes, para umas valentes risadas, aqui (e sim, claro que não faltam lá uns do Shaq).

10.12.12

Dwight Howard e o pior lance livre de sempre


O que é que o poste dos Lakers tem a ver com o pior lance livre de sempre? Não, não foi ele a executá-lo. Mas, nem de propósito, no fim de semana em que a terrível execução do jogador da Appalachian State University correu mundo, Dwight Howard, no final de mais um treino dos Lakers e respondendo às inevitáveis questões sobre os seus lances livres, disse aos jornalistas: "não me posso distrair com toda a gente a dizer-me como devo lançar um lance livre. Tenho de chegar lá e lançar à minha maneira e não me deixar levar pelo que todos andam a dizer porque assim é quando falho."


Ok, percebemos a intenção de bloquear as críticas exteriores, tentar não dar ainda mais importância à questão e não pensar demais nos lances livres para não criar um bloqueio mental (ou para não aumentar o bloqueio, neste caso). Mas esta resposta veio depois de um jornalista perguntar a Howard o que Steve Nash (visto a dar umas indicações a Howard durante o treino) lhe tinha dito enquanto ele praticava os ditos lances livres. E a resposta de Howard começou com: "ele estava apenas a sugerir algumas coisas. Não é algo que já tenhamos falado ou que alguém tenha sugerido e não me posso distrair com...". E continuou com a declaração lá de cima.

Mas, para alguém que tem uma percentagem de 58% na carreira e está com uns miseráveis 47% (!) nesta temporada, ouvir sugestões sobre como melhorar nos lances livres era capaz de não ser má ideia. E quando as sugestões vêm de um jogador com mais de 90% na carreira, Howard devia beber cada palavra.

Se o orgulho pessoal e a vontade de ser melhor não são razão suficiente (e deviam ser, pois um jogador do seu nível devia ter vergonha de ter uma parte do jogo em que é tão mau), então por profissionalismo para com quem lhe paga um ordenado milionário e por respeito pelos colegas de equipa, Howard devia fazer tudo ao seu alcance para melhorar num aspecto do seu jogo que já custou vitórias à equipa. E ouvir Steve Nash é capaz de não ser um mau princípio.

Quanto ao pior lance livre de sempre, para quem ainda não viu a terrível execução de Brian Okam, aqui fica:


9.12.12

Classificação Fantasy League


Com mais de um mês de temporada já decorrido e já mais de uma centena de jogos para todas as equipas, vamos ver como está a classificação até agora. Aqui fica o primeiro top 10 da Fantasy League SeteVinteCinco:



1º - Lakers Benfica (Ricardo Alberto) - 4328
2º - Barcelos Coyotes (C. Gomes Duarte) - 4222
3º - Team Farpa (Nuno Melo) - 4214
4º - Team Pinto (Nuno Pinto) - 4210
5º - Team Teixeira (André Teixeira) - 4144
6º - Miami Benfica (Tony Almeida) - 4122
7º - Team ferreira (José Ferreira) - 4079
8º - Covilhã Mafia (Diogo de Albuquerque) - 4049
9º - Las Vegas Dealer (João Moreira) - 4038
10º - Angra Buzzerbeaters (Rodrigo Garcia) - 4007


8.12.12

Mais uns X's e O's - Miami Heat


Última posse de bola do período, a estrela da equipa dribla ou segura a bola perto do meio campo, gasta o tempo, espera pelos últimos segundos para então jogar 1x1 (ou 1xVários) e tentar marcar o último cesto do período (e às vezes do jogo). Quantas vezes já vimos este cenário e quantas vezes já vimos tantas e tantas equipas a usar esta estratégia?

Erik Spoelstra e os Heat (que tantas vezes também já recorreram à jogada individual básica) foram um bocadinho mais imaginativos no final do 1º período do jogo de ontem e tiveram bons resultados.

Tudo parecia encaminhado para mais uma jogada de isolamento e 1x1. LeBron tem a bola depois do meio campo e espera pelos últimos segundos do período. Os restantes jogadores dos Heat espalham-se pelo campo deixando o meio livre para a penetração. Shane Battier e Joel Anthony bem abertos do lado esquerdo e Ray Allen e Mike Miller do lado direito.

No momento em que LeBron se começa a aproximar da linha de três pontos pelo lado direito e se prepara para jogar 1x1, Mike Miller desloca-se para o lado contrário do campo, aparentemente para aclarar e deixar esse lado do campo livre:


LeBron inicia o 1x1 e penetra pelo meio do campo, os defensores de Joel Anthony e Shane Battier vêm na ajuda defensiva, ao mesmo tempo que Mike Miller continua o seu corte até à linha de três pontos, acima da linha de lance livre:


Nesse momento, Shane Battier e Joel Anthony fazem um bloqueio duplo (stagger screen) ao defensor de Mike Miller que, como os defensores daqueles foram ajudar no meio do campo para parar a penetração de LeBron e não há ninguém para dar um tempo de ajuda nos bloqueios, deixa Miller completamente sozinho:


LeBron tem uma linha de passe clara, assiste e Miller, sobre a buzina, concretiza o lançamento completamente isolado. Uma variação inteligente da típica jogada de isolamento de final de período e três pontos fáceis para os Heat, como podem ver aqui a partir dos 34'':


7.12.12

Fastbreak - Acção nas alturas


Este podia ser o título de outro filme de acção chunga (ou a sequela do filme de ontem), mas é um contra-ataque perfeito dos Heat em que a bola toca uma única vez no chão no meio campo ofensivo:


6.12.12

Kobe e Messi - Duelo nas alturas


Podia ser o título de um filme de acção chunga, mas é apenas o novo anúncio da Turkish Airlines, onde o mais recente membro do Clube dos 30000 Pontos encontra uma concorrência diferente daquela a que está habituado na NBA:



Bem vindo ao Clube, Kobe


Com este cesto Kobe Bryant juntou-se a Kareem Abdul Jabbar, Karl Malone, Michael Jordan e Wilt Chamberlain no restrito Clube dos 30000 Pontos:




(Kobe, aos 34 anos, é o mais jovem de sempre a entrar nesta exclusiva lista. Wilt tinha 35 quando marcou o seu 30000º ponto, Kareem e Malone tinham 36 e Jordan tinha 38)

4.12.12

LeBron, o Desportista do Ano


Adorem-no ou odeiem-no, gostem dele assim-assim ou fiquem indiferentes com ele, a verdade é que todos temos de ficar orgulhosos quando, num ano de Jogos Olímpicos e repleto de grandes desempenhos desportivos (Michael Phelps e Serena Williams, por exemplo; e não incluimos aqui Novak Djokovic, Sebastian Vettel, Cristiano Ronaldo ou Messi, porque esta é uma distinção de uma publicação americana e, como sabemos, os americanos pouco se importam com o soccer e com desportos onde não são os melhores; só por 9 vezes nos 58 anos de existência do prémio é que o vencedor não foi americano), um basquetebolista é eleito o melhor desportista de 2012. 

Por isso, independentemente de serem fãs ou haters, todos os fãs de basquetebol e da NBA devem  ficar orgulhosos da eleição de LeBron James como Desportista do Ano da Sports Illustrated:


(e é, diga-se, um prémio justo para um ano em que Lebron fez uma das melhores temporadas individuais de sempre e ganhou tudo o que havia para ganhar no seu desporto: MVP da temporada regular, campeão da NBA, MVP das Finais e campeão olímpico. Era impossível fazer melhor.)

Spurs em maré de polémica


Tony Parker e Tim Duncan mostraram o seu sentido de humor neste Halloween (quer dizer, eles não queriam mostrá-lo ao mundo, mas a foto veio a público ontem). Será que a liga vai ter o mesmo sentido de humor ou vem aí mais uma multa para os Spurs?

"Devolve-nos os 250.000 dólares ou matamo-lo!"

(e antes que perguntem: não, não merecem qualquer multa por isto. É um momento de brincadeira, numa festa privada e o melhor que David Stern pode fazer é dar uma boa gargalhada com a foto e seguir com a sua vida)


3.12.12

Uns Xs e Os para começar a semana


Na madrugada de Sábado para Domingo, num emocionante duelo decidido apenas ao fim de dois prolongamentos, os Blazers sairam de Cleveland com uma vitória graças ao grande lançamento de Nicolas Batum, mas acima de tudo, graças a uma excelente execução na última posse de bola:


Tudo começou com os quatro Blazers colocados nos quatro cantos da área restritiva:


A movimentação iniciou-se então com o bloqueio de Batum, do lado esquerdo do campo, a J.J. Hickson e com uma acção inversa do lado contrário (o jogador que partiu do exterior, LaMarcus Aldridge, é que fez o bloqueio ao jogador que partiu da posição interior, Wes Matthews):


E aqui foi onde a execução dos Blazers se tornou excelente. As movimentações de ambos os lados do campo foram iscos perfeitos para a defesa dos Cavs. O bloqueio de Batum a Hickson e a corte deste para o cesto obrigou o defensor do francês, Alonzo Gee, a dar um tempo de ajuda, pois Hickson poderia receber um alley hoop e ter um cesto fácil. E foi esse tempo de ajuda que permitiu a Batum ganhar o segundo de vantagem que precisava. 

Do outro lado, depois do bloqueio a Matthews, LaMarcus Aldridge não cortou para o cesto, mas antes virou-se para fazer um novo bloqueio, a Batum, que depois do bloqueio a Hickson, cortou para o lado contrário:


Gee foi atrás dele, mas ia já atrasado e ficou ainda mais atrás depois do bloqueio de Aldridge. Batum ganhou metros preciosos e o espaço suficiente para receber e armar o lançamento:


O momento decisivo de toda a movimentação é o bloqueio de Batum (sem o qual não teria conseguido a vantagem que se revelou fundamental) mas toda a execução dos Blazers foi exemplar. Uma execução colectiva perfeita e duas excelentes execuções individuais de Batum (o bloqueio e o lançamento) que valeram três pontos e uma vitória.

2.12.12

Um tiro no pé


O Diogo M. pergunta qual a nossa opinião em relação à polémica em volta dos Spurs e aos 250.000 dólares de multa que estes levaram por terem descansado Tim Duncan, Tony Parker, Manu Ginobili e Danny Green no jogo frente aos Heat. É fácil: Gregg Popovich fez muito bem em descansá-los, tem (ou devia ter) todo o direito de o fazer e a decisão de David Stern não só é injusta, como é indefensável seja qual fôr o ângulo por que se analise. 


Primeiro, não existe nenhuma regra que diga que uma equipa tem de se apresentar num jogo com todos os seus jogadores ou que obrigue as equipas a levar os seus melhores jogadores para os jogos. Existe apenas uma regra que diz que as equipas não podem descansar jogadores de uma forma que seja contrária aos interesses da liga (seja lá o que isso fôr).

Então, do ponto de vista legal, é uma decisão subjectiva e aberta a todo o tipo de interpretações e discussões. O que é do melhor interesse da liga? Ter todos os Spurs presentes num jogo da temporada regular com pouca ou nenhuma importância ou ter os Spurs frescos e na melhor forma quando chegarem os playoffs? Ter estes Spurs na melhor condição em Abril e Junho e a lutar pelo título não será melhor para a liga (e para as audiências?) do que num dos 82 jogos da temporada regular? Ter, eventualmente, estes Spurs em Miami em Junho, a lutar por um título não é melhor para a NBA do que tê-los num jogo que ninguém se lembra daqui a um mês?

Já para não falar que os suplentes dos Spurs a discutirem o jogo até ao fim até deu uma história melhor (e diferente). Podemos argumentar que a curiosidade de ver como se portavam (e como se portaram) os suplentes dos Spurs gerou mais interesse do que se fosse apenas mais um jogo.

Portanto, é muito subjectivo e discutível o que é melhor para a NBA. Não me parece que os fãs dos Spurs se tenham importado muito, pois eles sabem que Popovich fez o melhor para a equipa deles. Também não me parece que os fãs dos Heat se tenham importado muito, pois o máximo que podia acontecer era a sua equipa ter uma vitória mais fácil. E a ausência dos 4 titulares dos Spurs até gerou mais atenção em volta do jogo.


Para além disso, uma liga não pode funcionar de forma arbitrária e subjectiva. As regras têm de ser claras e objectivas. Se os Spurs tivessem quebrado algo que estivesse claramente estipulado, se a regra dissesse "as equipas têm de se apresentar com todos os jogadores" e eles não o fizessem, aí podiam multá-los. Assim abrem um precedente que nunca vão conseguir cumprir. Porque agora o que vai acontecer quando as equipas sentarem jogadores nos últimos jogos da temporada regular para os descansar para os playoffs? Vão multá-las a todas? Ou vão só multar algumas? E como vão decidir quando devem ser multadas ou não? Com esta decisão meteram-se num beco do qual nunca vão conseguir sair.

A unica forma de sair era criar uma regra clara que obrigasse as equipas a apresentarem todos os jogadores nos jogos. Mas a aplicação duma tal regra é impossível. Mesmo que sejam obrigados a ter os jogadores presentes, o treinador pode não os colocar a jogar e deixá-los no banco o jogo todo. Por isso, obrigar uma equipa a apresentar todos os jogadores seria apenas uma formalidade.

Por isso, o melhor que David Stern fazia era ficar quieto e deixar as equipas fazer a gestão dos jogadores como muito bem entenderem. Porque estas vão fazer tudo para estarem no seu melhor nas alturas decisivas. E tê-las no seu melhor nas alturas decisivas é o melhor para a NBA. David Stern devia ficar quieto e confiar que o melhor para as equipas é o melhor para a NBA.

30.11.12

29.11.12

Três em alta


Já destacámos aqui três equipas que estão a surpreender pela positiva neste início de temporada. Hoje é a vez de três destaques individuais para três jogadores que estão a fazer um grande começo de época:


Jrue Holiday
O base dos Sixers evoluiu de forma regular ao longo das suas três primeiras temporadas e mostrou pontecial para ser um dos melhores bases da liga. E este ano está a ser isso mesmo. Subiu a sua média dos 13.5 para uns já-de-topo 18.5 e mais do que dobrou a média de assistências (de 4.5 para 9.1). Quão de topo está a ser este começo de época para Holiday? Bem, ele e Russell Westbrook são os únicos jogadores na liga com mais de 250 pontos e 100 assistências. Holiday está a ser o melhor jogador destes Sixers orfãos de Andrew Bynum e o maior responsável pelo começo positivo da equipa.



Kenneth Faried
O homem que entrou na NBA com uma missão passou pelas provações a que George Karl gosta de submeter os seus rookies e está a afirmar-se como um dos melhores elementos destes Nuggets de 2013. Depois de ter sido pouco ou nada utilizado no início de 2011-12 (George Karl gosta de fazer os rookies e jogadores novos merecerem as oportunidades - JaVale McGee está a a passar pelo mesmo este ano), entrou aos poucos na equipa com o decorrer da temporada, conquistou o seu lugar no cinco inicial e este ano é um dos jogadores que melhor está a jogar nesta equipa.
Depois de números promissores em 2011-12 (10.2 pts, 7.7 res e 1 dl em 22.5 mins/jogo), explodiu em 2012-13 para um excelente duplo-duplo de média (13.5 pts e 11.3 res em 30 mins/jogo). O Manimal pode não estar entre os jogadores com mais técnica da liga, mas poucos jogadores trabalham e se esforçam tanto como ele dentro de campo. Um esforço que está a ser recompensado.


Damian Lillard
E por falar em esforços recompensados, o que dizer do rookie dos Blazers? Passou de jogador quase desconhecido duma universidade pequena (Weber State University) para jogador no radar das equipas da NBA, depois para base mais promissor da colheita deste ano, depois para escolha no top 10 do draft, depois para sensação da Summer League (co-MVP, com médias de 26.5 pts, 5.3 ast e 4 res) e finalmente para concorrência de Anthony Davis ao Rookie do Ano.
Teve uma estreia de sonho na NBA (23 pontos e 11 assistências, juntando-se a Oscar Robertson e Isiah Thomas como os únicos jogadores a conseguirem mais de 20 pontos e 10 assistências no 1º jogo na NBA) e tem tido uma produção surpreendente neste primeiro mês: 19.1 pts, 6.1 ast e 3.2 res.
Um começo de carreira em que já conseguiu algo que parecia impossível: haver  concorrência para Anthony Davis no prémio de Rookie do Ano.

27.11.12

Air Jordan Threepeat


Só para terminar o ciclo Air Jordan: o nosso amigo André Simões fez um verdadeiro serviço público e compilou os anúncios de lançamento de todos os modelos, de 1984 a 2011. Uma playlist imperdível para todos os fãs. Podem vê-la aqui:


26.11.12

Air Jordan I


E a propósito de Air Jordans, aqui fica o anúncio da Nike para o primeiro (e banido pela NBA) modelo de todos:


(as Air Jordan I foram censuradas pela liga porque, na altura, era obrigatório as botas serem brancas ou, pelo menos, terem branco em alguma parte. A Nike - na altura, uma marca ainda pouco conhecida e longe do gigante que conhecemos hoje -, é claro, virou isso a seu favor e usou-o como forma de promoção. Assim, Michael Jordan usou-as à mesma durante a sua temporada de rookie, pagando 500 dólares de multa sempre que jogava com elas.)

History of Flight


Tudo o que precisam (e sempre quiseram) saber sobre todas as Air Jordans está aqui:

(via André Simões)

24.11.12

Carmelo, o Defensor?


Primeiro, tivemos isto:




E agora temos Rick Carlisle a dizer isto: "Neste momento, ele é provavelmente o melhor jogador do jogo. Se olharmos para as estatísticas que tem e para as coisas todas que está a fazer e isso". E Tyson Chandler a dizer isto: "Estamos a jogar o melhor basquetebol e ele está a fazer de tudo nos dois lados do campo". E toda a gente (jornalistas, comentadores, treinadores, outros jogadores) a elogiar o desempenho defensivo de Carmelo Anthony.

Ora aí está algo que nunca ouvimos antes. Carmelo a fazer mais do que marcar pontos e a jogar em ambos os lados do campo? Carmelo como um jogador completo e a defender? Não imaginávamos que esse dia chegasse.

Mas a verdade é que esta temporada o jogador dos Knicks tem mostrado uma vontade de defender que raramente (ou nunca) tinhamos visto. "Eu sei que consigo defender. Não é uma questão de não ser capaz. Foi apenas eu a dizer para mim próprio: 'ok, vou fazê-lo'", disse Anthony. E não está a ficar pelas palavras. 

Com a lesão de Stoudemire, Mike Woodson tem utilizado Anthony como power forward. E se o objectivo era explorar a sua velocidade no ataque contra jogadores mais pesados, a verdade é que também na outra metade do campo, Anthony tem estado bem nos matchups com os power forwards adversários. A sua defesa a poste baixo tem sido de topo: nessas situações, os adversários estão apenas com 33% nos lançamentos e estão a perder a bola em 30% das vezes. 

É claro que o mérito não é todo de Carmelo e algum dele é também para as ajudas defensivas e para o sistema defensivo dos Knicks. Mas o recém-descoberto esforço de Carmelo nas tarefas defensivas está a contribuir para isso e está  a tornar os Knicks numa equipa melhor.

Será que Mike Woodson conseguiu convencê-lo? Será do tempo que passou com Kobe e LeBron nos Jogos Olímpicos? Será maturidade? Ou será que Carmelo apenas se cansou de perder na primeira ronda dos playoffs? Seja o que for, são boas notícias para os Knicks.


(Agora só faltava Stoudemire regressar da lesão e tornar-se também um defensor decente. Se isso acontecer, o fim do mundo deve estar mesmo a chegar.)

22.11.12

Big Color


Hoje não há jogos, mas a propósito de merchandising das equipas e de anúncios, que vos parecem as versões de cor única dos equipamentos que as equipas vão usar no dia de Natal?



(algumas delas já estão disponíveis na NBA Store)

20.11.12

Clash of the Boroughs


O título de Melhor T-shirt da temporada, para já, é dos Nets:


(t-shirt que a equipa de Brooklyn está a distribuir, no Barclays Center, para o derby de dia 26)

Fundamentos


Homem a homem, 2-3, 2-1-2, 1-2-2, 1-3-1, mista, box and one, triangle and two, com ajudas do lado da bola, com ajudas do lado contrário, com trocas, sem trocas. Defesas há muitas, mas todas começam com uma boa defesa individual. Como Jrue Holiday nos demonstra na perfeição aqui:



Posição básica defensiva, pernas flectidas, deslizamentos defensivos, os pés sempre em movimento, manter o peito à frente do atacante e tentar manter-se sempre entre ele e o cesto. Fundamentos que muitos jogadores, muitas vezes, se esquecem.

Duas abaixo


E duas equipas que estão a desiludir e a render abaixo das expectativas neste início de temporada:


Indiana Pacers (4-7)
Os Pacers estão a fazer a temporada passada parecer um acidente. Depois de várias temporadas encalhados na mediania e depois de uma temporada de 2011-12 que nos fez crer que estavam encaminhados para subir na hierarquia do Este, estão a fazer um arranque de temporada que nos deixa a pensar se o que aconteceu no ano passado não foi apenas uma excepção e isto é que é o normal para eles. Até agora estão com um medíocre 4-7 (com um 1-6 fora de casa digno de equipa do fundo da tabela) e longe de mostrar a solidez e regularidade anteriores.


É um facto que estão a jogar sem Danny Granger (o melhor marcador e o segundo melhor nos roubos de bola em 2011-12), mas, numa equipa que não tem nenhuma super-estrela, que vale mais pelo colectivo do que pelas individualidades e que ficou mais profunda e mais equilibrada nesta offseason, só isso não justifica o arranque tão mau.

A defesa continua lá (e ainda melhor que no ano passado; são a melhor defesa da liga até agora, com 98.2 pontos sofridos por cada 100 posses de bola), mas o ataque está miserável (são o segundo pior ataque, apenas atrás dos Wizards, com apenas 96 pontos marcados por cada 100 posses de bola). Estão no fundo em tudo: 29ºs nos 2pts, com 40.5%, 23ºs nos 3pts, com 31.4%, 26ºs nos lances livres, com 71.7% e 29ºs nos turnovers, com 182 (quase 17 por jogo!). Uma velocidade e ritmo de jogo muito baixos para uma equipa tão atlética (também aqui estão no fundo da tabela, com uma média de apenas 90 posses de bola em cada 48 minutos - 28ºs na liga) e um ataque muito estático, com pouca movimentação de bola.

E sem super-estrelas na equipa e com o melhor marcador lesionado, essa rotação de bola no ataque e essa procura de soluções colectivas é ainda mais necessária. E os Pacers vão precisar disso se querem corrigir o caminho que fizeram até agora.


Denver Nuggets (4-6)
E por falar em dificuldades ofensivas, o que se passa também com os Nuggets? Marcar pontos nunca foi um problema para esta equipa e a questão que se colocava para esta temporada era se conseguiam finalmente melhorar a defesa. Se o conseguissem (e têm peças para isso) podiam ser uma das equipas mais perigosas do Oeste. No entanto, não só a defesa não tem estado grande coisa (apenas a 21ª defesa da liga, com um Def Rtg de 106.1), como o ataque tem estado muito abaixo do habitual.


Na temporada passada tiveram o 3º melhor Rating Ofensivo (109.2), jogavam ao segundo ritmo mais rápido da liga (com mais de 94 posses de bola por jogo) e foram a equipa que marcou mais pontos por jogo (104.1). Este ano são apenas o 15º ataque da liga (com um Off Rtg de 103.8 e 98.6 pontos por jogo).

A percentagem de 2pts não está grande coisa (16ºs, com 44.1%), a de 3pts está pelas ruas da amargura (27ºs, com 30.3%) e os turnovers andam descontrolados (22ºs, com 166 - quase 17 por jogo). Gallinari não acerta com o cesto (34% nos 2pts e 21% nos 3pts!), Ty Lawson idem (38% nos 2pts e 23% nos 3pts!) e se não fossem os ressaltos ofensivos (onde são a melhor equipa da liga, com mais de 16 por jogo) a dar-lhes muitas segundas oportunidades, os números ofensivos seriam ainda piores.

Começam mal os Nuggets e começam muito mal Gallinari e Lawson.

18.11.12

Três acima


Com três semanas de temporada decorridas é ainda muito cedo para fazer balanços definitivos. Equipas que começaram mal têm ainda muito tempo para corrigir o seu percurso e equipas que começaram bem têm ainda muitos jogos pela frente para o manter. Até Abril ainda tudo pode mudar, mas, para já, há três equipas que estão a surpreender e a render acima das expectativas neste início de temporada:


New York Knicks (6-1)
Depois de uma offseason em que adicionaram Jason Kidd, Pablo Prigioni, Marcus Camby, Kurt Thomas e Ronnie Brewer, já sabiámos que os Knicks tinham peças para ser uma das melhores equipas do Este. Mas ninguém esperava que fossem a melhor até ao momento. E que estivessem a jogar um basquetebol tão colectivo. A questão para estes Knicks nunca foi a falta de talento (já no ano passado não era), mas sim conseguir colocar todos esses talentos individuais a jogar como uma equipa. E este ano estão a fazê-lo. 


Estão com o melhor ataque da liga (113.2 pontos marcados em cada 100 posses de bola), estão a movimentar melhor a bola no ataque, são a equipa com menos turnovers (74) e estão a lançar bem (46.7% nos 2pts - 6ºs na NBA - e 41.1% nos 3pts - 2ºs na NBA).

Como dissemos no Boletim de Avaliação, ter Kidd era (e está a ser) uma grande ajuda para reforçar o jogo colectivo e a organização ofensiva (assim como Prigioni, que está a ter um papel mais importante do que pensávamos que teria). E ter o Raymond Felton dos melhores tempos também. Depois duma temporada para esquecer em Portland, Felton está de volta às suas médias de carreira, é o terceiro melhor marcador da equipa e o primeiro nas assistências ((16.1 pts e 6.3 ast).

A grande questão para os Knickerbockers vai ser integrar Stoudemire, quando ele regressar da lesão. No ano passado, a incompatiblidade no ataque entre ele e Anthony foi o maior problema da equipa. Mas, para já, com este novo sentido colectivo, os Knicks arrancaram com um surpreendente 6-1 (que inclui vitórias sobre os Heat e os Spurs) para a liderança na conferência e são uma das equipas que melhor está a jogar neste começo de época.


Milwaukee Bucks (6-2)
E se ninguém esperava ver os Knicks no primeiro lugar da conferência, muito menos esperavam ver os Bucks no segundo lugar. Foram uma das desilusões da temporada passada e, depois duma offseason assim-assim, vê-los no topo é a maior surpresa da temporada até agora. Não sabemos se vão ficar por lá muito tempo, mas, para já, merecem um elogio pelo excelente início.


Era previsível que aquele que foi um dos piores ataques em 2011-12 melhorasse com Monta Ellis, mas temia-se que a defesa sofresse com isso e que um backcourt com Ellis e Jennings fosse muito fraco defensivamente. O ataque, como se previa, está melhor (estão num respeitável 12º lugar, com um Ofensive Rating de 105.3), mas a defesa não está pior. Antes pelo contrário. Está também melhor que na temporada passada e estão no top 10 (8ª melhor defesa, com um Defensive Rating de 101.5).

É claro que Jennings/Ellis continuam a ser um problema defensivamente, mas os bons defensores que têm nas restantes posições (e os bons defensores interiores e protectores do cesto que têm) têm compensado bem isso. E no ataque, aquela dupla tem estado on fire (20.3 pts, 5.9 ast, 3.4 res e 1.4 rb para Ellis e 17.5 pts, 8 ast, 3 res e 3.3 rb para Jennings). E se assim continuarem, os Bucks podem passar de uma das desilusões de 2011-12 para uma das surpresas de 2012-13.


Memphis Grizzlies (8-1)
E por falar em "on fire", o que dizer dos Grizzlies? Depois de perderem o primeiro jogo da época (com os Clippers), ganharam os oito seguintes (com excelentes vitórias sobre os Heat, os Thunder e os Knicks - a 1º derrota dos Knicks) e saltaram para o primeiro lugar do Oeste e da NBA.

Estão no top 4 tanto na defesa como no ataque (em 4º lugar em ambos, com 109.3 de Off Rtg e 99.5 de Def Rtg) e o cinco inicial desta equipa, que já leva umas quantas temporadas junto, parece cada vez mais sólido. 


O problema para estes Grizzlies, numa longa temporada, pode ser a falta de um banco à altura e a dependência em demasia desse cinco inicial. Mas para já, seguem sobre rodas e, se pensarmos que não têm um banco tão forte como muitas das outras equipas de topo, este tem sido até agora o melhor cinco inicial da liga.

16.11.12

Boletim de Avaliação - Minnesota Timberwolves


Nestas duas primeiras semanas de temporada, os Wolves já tiveram azar que chegue para uma temporada inteira. E, apesar disso, estão com um recorde positivo (5-3). Por isso já merecem uma palavra de elogio. Não vamos, portanto, adiar mais a sua avaliação e hoje vamos até Minnesota para fazer o balanço dum Verão positivo:


Minnesota Timberwolves

Saídas: Michael Beasley, Darko Milicic, Wesley Johnson, Wayne Ellington, Anthony Randolph, Anthony Tolliver, Martell Webster e Brad Miller
Entradas: Andrei Kirilenko, Brandon Roy, Alexei Shved, Chase Budinger, Dante Cunningham, Greg Stiemsma, Louis Amundson e Will Conroy
Cinco Inicial: Ricky Rubio - Brandon Roy - Andrei Kirilenko - Kevin Love - Nikola Pekovic
Banco: JJ Barea - Luke Ridnour - Alexei Shved - Chase Budinger - Derrick Williams - Dante Cunningham - Greg Stiemsma
Treinador: Rick Adelman

Balanço: Uma equipa cheia de jovens talentosos e que até à lesão de Rubio levava um recorde positivo (21-20) e estava na luta pelos playoffs, não precisava de mudanças drásticas nem de grandes revoluções no plantel. Precisava apenas de continuar a limar as arestas. E para esta equipa isso significava  continuar a desenvolver o seu núcleo, juntar-lhe um pouco de experiência e mais uns suplentes fiáveis.

No draft tinham uma escolha na segunda metade da primeira ronda (18ª) e outra lá bem para o fim (a 58ª). A primeira trocaram por Chase Budinger (um negócio sub-valorizado, que lhes estava a render bastante neste início de temporada) e a segunda usaram em Robbie Hummel, que não ficou na equipa.

Mas as maiores apostas eram na free agency. E apostaram forte: abdicaram de renovar com Beasley, Randolph e Tolliver, dispensaram Webster e amnistiaram a eterna desilusão Milicic para perseguir um free agent de topo. O alvo era o agente livre com restrições Nicolas Batum, a quem ofereceram 46 milhões por 4 anos.

Infelizmente para os Wolves, os Blazers igualaram a oferta e o francês continuou por Portland. Viraram-se então para o plano B e contrataram Andrei Kirilenko e Alexei Shved. Depois de conseguirem o regresso do russo à NBA (e a estreia de outro), viraram-se para outro regresso, o de Brandon Roy.

Kirilenko é uma aposta segura e um excelente reforço para a posição de small forward e Shved é uma aposta para o backcourt que pode render muitos frutos (já está a render). É um bom organizador e passador que pode jogar a primeiro base, mas também um bom atirador para jogar a segundo base. O backcourt Rubio/Shved é o backcourt do futuro para estes Wolves (e que futuro!).
Já a aposta em Roy é arriscada, mas pelo valor e duração do contrato (10 milhões por 2 anos) valia a pena o risco. Se os joelhos de Roy aguentarem (até agora não estão a aguentar muito bem...), a recompensa pode ser grande.

Para terminar, reforçaram a rotação interior com Stiemsma, Amundson e Cunningham (este último por troca com os Grizzlies, por Wayne Ellington).

Foi uma offseason onde os Wolves ficaram melhores e prometiam para esta temporada. No papel, tinham equipa para dar um passo em frente e lutar pelos playoffs. Por isso, a nota só pode ser positiva.

Nota: 13

Infelizmente, têm sido a equipa mais azarada da temporada e as lesões acumulam-se a um ritmo inacreditável. Rubio, como sabemos, já estava (e está) de fora até Dezembro. Love partiu a mão na pré-temporada. E a cada jogo que faziam parecia que alguém se lesionava. Primeiro Barea, depois Roy, depois Budinger (3 a 4 meses de fora, com uma ruptura no menisco) e, por último, Pekovic.
Neste momento, 6 dos seus 9 melhores jogadores estão de fora (Rubio, Love, Barea, Roy, Budinger e Pekovic. Ninguém merece tanto azar. Foi uma óptima offseason que merecia melhor sorte.

13.11.12

All Star Game 2013


Já estão abertas as votações para o All Star Game desta temporada (dia 17 de Fevereiro, no Toyota Center, em Houston). Podem votar nos vossos eleitos aqui.


E agora, D'Antoni.


Mitch Kupchak e Jerry Buss continuam com o dedo leve no gatilho. Depois da demissão relâmpago de Mike Brown e quando tudo parecia encaminhado para o regresso do desejado-pelos-fãs Phil Jackson, eis que os dirigentes dos Lakers nos presenteiam com uma rápida e surpreendente reviravolta nos acontecimentos e anunciam o ex-treinador dos Suns e Knicks como o novo timoneiro dos angelinos:


É então Mike D'Antoni o homem incumbido da missão de levar estes Lakers ao título (sim, porque para esta equipa é, assumidamente, título ou nada). E agora a pergunta obrigatória: será D'Antoni capaz de levar a cabo tal missão?

A julgar pelas reacções imediatas, muitos duvidam que seja. Nós próprios não o apontámos como a melhor solução. Mas dizer que D'Antoni não é homem para esta missão pode ser um veredicto precipitado.

Comecemos por recapitular o que os Lakers precisavam:
- um treinador que tivesse o respeito das estrelas da equipa (e de Kobe em particular) e uma boa relação com estas
- um sistema ofensivo que fosse o mais rápido de aprender possível
- um sistema ofensivo que tirasse o melhor partido possível dos jogadores (nomeada e especialmente de Nash e Howard)

Pois bem, como sabem, Kobe cresceu em Itália (o seu pai, Joe Bryant, jogava lá). E quem era uma das maiores estrelas do basquetebol italiano nessa altura? Mike D'Antoni. Kobe cresceu a idolatrar D'Antoni e sempre o admirou. E, para além disso, já trabalharam juntos também na selecção americana. E quanto à relação com Nash nem precisamos falar. O base canadiano teve os melhores anos da sua carreira sob o comando de D'Antoni. Por isso, respeito das estrelas e de Kobe em particular? Check.

O sistema ofensivo de D'Antoni é muito mais simples que o ataque Princeton e que o triângulo ofensivo, Nash conhece-o de trás para a frente e o tempo necessário para os outros o aprenderem será significativamente menor que para qualquer um dos outros dois sistemas. Um sistema ofensivo que reduza ao máximo o tempo necessário de aprendizagem? Check.

E é um sistema ofensivo onde não vão faltar os desejados pick and rolls para Nash e Howard (e Gasol). Portanto, um sistema ofensivo mais adequado a estes jogadores? Check.

Até aqui, parece uma escolha acertada. Mas nem tudo são rosas e há duas questões fundamentais que se colocam com D'Antoni. A primeira é aquela que é apontada imediatamente como a principal falha deste treinador e das suas equipas: a defesa (ou falta dela). Mas também aqui o veredicto pode ser precipitado.

É um facto que as equipas de D'Antoni nunca foram conhecidas pela sua defesa, mas, como dissemos na análise dos possíveis sucessores de Mike Brown, ele também nunca teve defensores interiores como os que tem nesta equipa e nunca teve um como Howard. Teve Tyson Chandler durante meia temporada nos Knicks e a defesa da equipa deu um salto enorme nesse período (foi mesmo a equipa que mais evoluiu nesse departamento). 
Para além disso, o mito que as equipas de D'Antoni sempre foram más defensoras é exagerado. Nunca foram das melhores da liga, mas também nunca foram das piores. Eram apenas medianas (os Suns, entre 2004 e 2008, foram a 14ª equipa em Defensive Rating). E isto sem defensores interiores de topo. É, por isso, seguro que a defesa de D'Antoni e dos Lakers vai ser boa? Não, mas com estas peças pode ser.

A outra questão, e provavelmente o maior desafio de D'Antoni (talvez até maior do que colocar a equipa a defender bem), é a melhor forma de utilizar Kobe, Artest e Gasol no seu sistema ofensivo. O ataque com 4 jogadores abertos e um poste alto que D'Antoni utiliza (podem ver uma análise mais pormenorizada desse sistema neste artigo que escrevemos sobre os seus Knicks), começa normalmente com um pick and roll alto, acima do garrafão, entre o base e o poste e os outros 3 jogadores abertos. Ora Gasol não é um jogador exterior e terá de ocupar uma posição mais interior do que este ataque habitualmente prevê. E nem Bryant nem Artest são atiradores puros (embora não sejam jogadores que se possam deixar sozinhos).

Bryant pode fazer uma posição semelhante à que Shawn Marion fazia nesse sistema e vaguear pelo ataque à procura dos espaços e buracos na defesa adversária, mas aí deixa menos espaço para Gasol fazer o mesmo. Apenas Artest parece claro para ocupar uma posição aberto na linha de 3 pontos (o que pode ser bom ou mau) e D'Antoni terá de encontrar a melhor forma de arrumar Kobe e Gasol. Kobe terá de jogar mais sem bola, Kobe e Gasol terão de alternar essas movimentações sem bola e quando fôr Gasol a fazê-lo, Kobe pode jogar aberto na linha de 3 pontos. Um desafio, sim, mas longe de impossível.

Como longe de impossível é a missão de Mike D'Antoni. Um grande desafio, sim (o maior da sua carreira), e uma escolha dos dirigentes dos Lakers que, à primeira vista, levanta muitas dúvidas, mas, após uma análise mais atenta, uma que pode ser acertada.

10.11.12

E agora, Lakers?


Mais rápido que o despedimento de Mike Brown, só as reacções de regojizo dos fãs dos Lakers. Assim que foi anunciada a saída, muitos fãs (a maioria dos fãs?) manifestaram a sua alegria e satisfação com a decisão dos dirigentes angelinos. E também não demoraram muito a mostrar quem gostavam de ver como substituto de Brown:



Mas, apesar de celebrada pela maioria, terá sido justa a decisão de despedir Brown ao fim de apenas 5 jogos? E, apesar do desejo dos fãs, será Phil Jackson a melhor solução para substituir Brown?

Para ambas, a resposta é: não. 

Se foi uma decisão acertada e se foi o melhor para a equipa só o tempo o dirá, mas a demissão neste momento da temporada é injusta para Brown. Se os dirigentes dos Lakers não acreditavam nele e pensavam que ele não estava à altura deste desafio, não o deixavam sequer começar a época e contratavam outro treinador na offseason. Se acreditavam nele, davam-lhe tempo para fazer o seu trabalho. Não fizeram nem uma, nem outra e agora têm de recomeçar esse trabalho do zero já com a temporada a decorrer.

Para Brown, pessoalmente, foi uma decisão injusta. Para os Lakers, como organização, foi um passo atrás no processo de construção desta equipa. Poderá até ser um passo atrás necessário e que lhes permita dar dois passos para a frente (como dissemos, só o tempo o dirá), mas foi, inegavelmente e para já, um passo atrás.

Porque há uma coisa que quem quer que seja que vá treinar os Lakers vai precisar: tempo. Tempo para construir a equipa, tempo para os jogadores se conhecerem, tempo para aprenderem os ataques e as defesas, tempo para olear a máquina. E os Lakers só adiaram esse processo. Não deram esse tempo a Brown, mas quem o substituir vai precisar desse tempo na mesma.


O que nos leva à segunda pergunta: é Phil Jackson a melhor solução? Pode o Zen Master, qual Dom Sebastião no nevoeiro, regressar do seu exílio e levar os Lakers às glórias passadas?

Bem, como dizíamos, se for ele o escolhido, vai precisar de tempo, pois o triângulo ofensivo é tão ou mais difícil de aprender que o ataque Princeton. Muitos dos jogadores dos Lakers (por exemplo, as duas maiores contratações, Nash e Howard) nunca jogaram nesse sistema e precisariam de tempo para o aprender (e muito tempo para o dominar). 
Para além disso, à semelhança do ataque Princeton, duvidamos que seja um bom sistema para eles. Tal como o ataque Princeton, o triângulo baseia-se no passe e na movimentação sem bola, pelo que Nash não ia ter muitas vezes a bola na mão e também não iamos ver muitos dos desejados pick and rolls entre Nash e Howard.

Com quem iriamos ver muito disso seguramente era com Mike D'Antoni. Com o ex-treinador de Nash nos melhores anos dos Suns, os Lakers iam ser divertidos de ver, mas como seria na defesa? As equipas de D'Antoni nunca foram conhecidas pela sua defesa, mas D'Antoni também nunca teve um defensor interior e um protector do cesto como Howard (teve Chandler durante meia época nos Knicks e a defesa da equipa melhorou bastante nesse período). Portanto, se atacassem tão bem como as suas equipas habituamente atacam (e as peças para isso estão lá) e defendessem melhor do que habitualmente, podia ser uma boa solução. Mas é um grande se. E se os Lakers estão em modo "ganhar já", nao podem arriscar num "se". 

A margem de erro é curta, os Lakers precisam de certezas e de alguém com que saibam exactamente o que esperar. E precisam de reduzir ao máximo o tempo de aprendizagem e construção da equipa. Ou seja, precisam de alguém cujo sistema de jogo possa ser mais rapidamente aprendido.

Por isso, a melhor solução para o banco dos Lakers? Jerry Sloan. Querem melhor combinação? O melhor treinador nos pick and rolls com os dois melhores executantes desse movimento. O ex-treinador dos Jazz podia fazer de Nash&Howard outros Stockton&Malone. E nenhuma equipa de Jerry Sloan defende mal ou não deixa tudo em campo. Sloan tem currículo no ataque e na defesa, retira sempre o máximo dos seus jogadores e teve sempre equipas que superam as suas possibilidades.

Sloan conseguiu sempre fazer milagres com as equipas que teve, retirar delas mais do que parecia possível. Fez muitas vezes omoletes sem ovos. E nestes Lakers não lhe faltam ovos. Por isso imaginem a omolete que podia fazer.