31.10.10

Boletim de Avaliação - Atlantic Division - Nets

New Jersey Nets

Fazer pior que a temporada passada (12-70, último lugar na liga) é quase impossível, por isso o único caminho possível para esta equipa é para cima. E por cima começaram as mudanças, com um novo dono, o bilionário russo Mikhail Prokhorov, apostado em construir uma equipa para disputar títulos. Eram uma das equipas com mais espaço salarial e um dos pretendentes de Lebron James nesta free agency. Terminaram-na, no entanto, sem conseguir atrair Lebron nem qualquer dos grandes nomes. Apesar disso, não perderam a cabeça e resistiram à tentação de pagar muito por nomes menos sonantes. Fizeram várias contratações para melhorar no presente, mas continuam a ser uma equipa com mais espaço salarial e flexibilidade para o futuro.

Entradas / Saídas
Saíram Chris Douglas-Roberts, Yi Jianlian, Courtney Lee, Keyon Dooling e Tony Battie e entraram Derrick Favors (nº 3 no draft), Damion James (escolha no draft), Jordan Farmar, Anthony Morrow, Troy Murphy, Travis Outlaw, Johan Petro, Quinton Ross, Sean May e Joe Smith.

Frontcourt
A poste têm um dos pilares para o futuro, Brook Lopez, que se revelou um bom defensor e ressaltador com bons movimentos ofensivos. Troy Murphy, um power forward lançador, vai atrair o seu defensor para áreas mais afastadas do cesto e ajudar a libertar o meio, conseguindo mais espaço para Lopez. Favors era um dos mais talentosos jogadores interiores do draft, mas deverá desenvolver-se a partir do banco.
O atlético Travis Outlaw tentará estabilizar uma carreira irregular.

Backcourt
A base têm outro dos pilares para o futuro, Devin Harris. Bom penetrador, terá de ser mais regular nos lançamentos e, este ano com mais talento a rodeá-lo, terá de ser mais distribuidor.
Anthony Morrow é um dos melhores lançadores exteriores da NBA e, titular pela primeira vez na carreira, poderá ter uma época de explosão. Se Harris e Lopez o procurarem quando sofrerem dois contra um, será uma das maiores ameaças ofensivas dos Nets.

Banco
Com muitos jogadores jovens e em desenvolvimento (Favors, Farmar, Williams, James; Joe Smith e Quinton Ross e Kris Humphries são as presenças veteranas), é, à semelhança de toda a equipa, ainda um projecto de banco. Vários jogadores exteriores talentosos (Farmar, Williams, James), mas menos boas opções no interior.

Treinador
Por aqui passou outra das mudanças dos Nets. O Pequeno General Avery Johnson assume o comando. A defesa e a agressividade são a sua imagem de marca e numa equipa que terminou com a 25ª pior defesa tem muito trabalho para fazer. No outro lado do campo também não tem menos trabalho, pois os Nets foram o pior ataque da liga.

Resumo
O plano dos Nets é conseguir contratar uma super-estrela (Carmelo Anthony é free agent em 2011 e o interesse dos Nets é publico) e construir uma equipa candidata ao título daqui a 2 ou 3 anos. Com Harris e Lopez já têm dois pilares nas duas posições mais difíceis de preencher, um base e um poste. A sua volta têm alguns jogadores (entre atiradores, ressaltadores, penetradores) para os complementar, mas o talento ainda é curto. Mas este ano foram dados os primeiros passos.

Nota: 13


(próximo: Atlantic Division - New York Knicks)

30.10.10

Boletim de Avaliação - Atlantic Division - Celtics

Boston Celtics

O veterano núcleo dos Celtics foi declarado decadente e em fase descendente depois de ter ficado apenas em 4º lugar do Este na temporada regular passada. Mas depois do seu ressurgimento nos playoffs, que culminou numa ida às Finais, passou a ser um grupo experiente que soube gerir o esforço ao longo da época. A jogar em equipa como poucos na NBA, o seu Big Three transformou-se, com a ascensão de Rajon Rondo, num Big Four e este ano, torna-se num Big Five com a adição do (agora) Big Shamrock, Shaquile O'Neal. Foi uma offseason em grande?

Entradas / Saídas
Tinham muitos jogadores que eram free agents este verão e renovaram com a maioria deles, nomeadamente duas das estrelas, Ray Allen e Paul Pierce. Saíram Tony Allen, Shelden Williams, Brian Scalabrine e Rasheed Wallace (retirou-se) e entraram Avery Bradley (escolha no draft), Luke Arangody (escolha no draft), Delonte West, Shaquille O'Neal, Jermaine O'Neal, Von Wafer e o turco Semih Erden.

Frontcourt
Com Kendrick Perkins de fora até Fevereiro (e com o frontcourt como um dos pontos mais fortes dos Lakers), os dois O'Neals vêm reforçar essa área (Shaquille, o titular, Jermaine, a vir do banco). Com Shaq, Kevin Garnett e Paul Pierce, são uma força tanto defensivamente como ofensivamente. É um frontcourt muito veterano (Shaq tem 38, Garnett 34 e Pierce 33), mas se gerirem o esforço ao longo da temporada regular e se mantiverem sem lesões, serão um osso muito duro de roer. E quando Perkins regressar será o frontcourt mais profundo e duro da NBA.

Backcourt
Rajon Rondo já não é o patinho feio do 5 inicial, foi All Star em 2010 e tornou-se uma das estrelas da equipa. O seu lançamento exterior continua a ser fraco, mas é o base da NBA com potencial para fazer mais triplos-duplos (rapidíssimo, penetra muito bem, distribui cada vez melhor e ganha muitos ressaltos, para além de ser um fantástico defensor).
Ray Allen, aos 35 anos, continua numa forma invejável, a ser um atirador fora de série e um jogador a quem nenhuma defesa pode dar espaço.

Banco
Tony Allen e Rasheed Wallace são duas baixas importantes, mas renovaram com Nate Robinson e Marquis Daniels. A saída de Sheed pouco se sentirá, pois, para além dos jogadores referidos antes, ainda têm Glen Davis no jogo interior. No exterior, não têm nenhum defensor do perímetro como Allen e à excepção de Daniels, todos os jogadores exteriores suplentes são mais fortes ofensivamente que defensivamente (Nate Robinson, Delonte West, Von Wafer).

Treinador
Depois de ter ponderado uma pausa na sua carreira, Glenn 'Doc' Rivers decidiu aproveitar a janela de oportunidade de mais um ou dois anos que este grupo tem e voltou para mais uma época ao seu comando. A sua equipa técnica perdeu o guru defensivo, Tom Thibodeau (que foi treinar os Chicago Bulls).

Resumo
Não correu mal a offseason dos Celtics. Esta equipa já joga junta há várias épocas e o que precisam para mais uma hipótese de título é manterem-se saudáveis e livres de lesões. A sua janela de oportunidade está a fechar e só têm mais uma ou duas épocas para tentar ganhar com este grupo. Têm de ganhar agora. A pensar nisso, conseguiram alguns reforços importantes e adicionaram mais algumas peças ao seu puzzle.

Nota: 15


(próximo: Atlantic Division - New Jersey Nets)

29.10.10

Os Super-heróis da NBA


Banda-desenhada e basquetebol, que se pode pedir mais?
O meu amigo Nuno Ribeiro deu-me a conhecer a associação da ESPN à Marvel para a edição de Novembro da ESPN Magazine. Nesta edição publicam 30 ilustrações criadas por artistas da multinacional de comics. Cada uma recria uma capa ou o universo de um personagem da Marvel, mas numa versão NBA.

Temos, por exemplo, a imagem icónica de Amazing Spiderman 50, Spiderman No More, transformada em Lebron No More:





Ou o azul Fantastic Four tranformado num verde Fantastic Five:



São muitas e boas e há uma para cada equipa. Vejam-nas a todas e escolham a vossa favorita, aqui. Enjoy.

28.10.10

8 jogadores a manter debaixo de olho


Os Três Super-Amigos fazem ou não história em Miami, Kobe e os Lakers conseguem ou não o threepeat, Durant é ou não o MVP da temporada regular, Boston consegue ou não mais uma hipótese para ganhar o título? E o Superman e os Magic, continuam ou não a ser a melhor equipa da Florida? E quem será o Rookie do Ano, John Wall ou Blake Griffin?
Estas são as estórias que todo o mundo vai manter debaixo de olho e aquelas que mais tinta farão correr.
Mas todos os anos há histórias e jogadores que passam abaixo do radar, despercebidos. Jogadores que poderão não receber nenhum prémio, poderão não jogar em nenhum dos candidatos ao título, nem receber muita atenção para além dos fãs mais fiéis. Ou podem jogar num candidato ao título e não receber a mesma atenção da(s) estrela(s), mas o seu contributo ser fundamental para o sucesso da equipa. Outros podem ser jogadores que prometeram muito anteriormente e esta época é tempo de confirmar o talento. Por estas ou por outras razões, nestas estórias escreve-se também a história da temporada regular (e dos playoffs).
Aqui ficam oito jogadores a manter debaixo de olho este ano:





Greg Oden
Os Trail Blazers tinham a primeira escolha do draft de 2007 e a escolha era entre os dois melhores talentos universitários do país: Oden ou Kevin Durant. Escolheram Oden. Em 3 épocas jogou apenas 82 jogos (o equivalente a uma época), tem sofrido lesões atrás de lesões e quanto maior é o sucesso de Durant, mais a escolha dos Trail Blazers lembra aquela outra em que escolheram Sam Bowie à frente de... Michael Jordan.
Apesar de tudo, mostrou, nos poucos períodos em que esteve saudável, ser um bom ressaltador, uma força defensiva interior e uma peça fundamental para a equipa. Com ele nos primeiros 21 jogos de 2009-2010, os Trail Blazers eram uma equipa melhor.
Este é o último ano do seu contrato de rookie e os Trail Blazers vão esperar para ver antes de renovar. Para Oden, esta época é de tudo ou nada.

Russell Westbrook
Depois duma boa época de 2009-2010, este ano espera-se que eleve o seu jogo a um novo nível. A entrar na sua terceira época, o sucesso dos Thunder está tão dependente de Kevin Durant como da sua evolução. Tem melhorado o lançamento exterior e a experiência na selecção americana este verão vai ajudá-lo, certamente. Para Westbrook, esta é uma época para se afirmar como um base de elite, capaz de levar uma equipa longe nos playoffs.

Wesley Matthews
Uma das surpresas da época passada, onde não foi seleccionado no draft e foi mais tarde treinar à experiência para Utah. Não só ganhou um lugar na equipa, como tornou-se o shooting guard títular e recebeu na offseason uma oferta de Portland de 34 milhões por 5 anos. Esta época tem de mostrar que os números do ano passado (9.4 pts, 2.3 res, 1.5 ass, que subiram para 13.2 pts, 4.4 res, 1.7 ass e 1.8 roubos bola nos playoffs) não foram um acaso e confirmar o seu talento.

Darren Collison
Foi outra das surpresas da época passada, quando Chris Paul se lesionou e assumiu a titularidade durante 37 jogos, com médias de 18.8 pts e 9.1 ass. Este verão foi envolvido numa troca entre 4 equipas e foi para Indiana. Collison pode ser o base que procuram há anos e vai ter a titularidade e a oportunidade de desenvolver o talento e a liderança que mostrou.

Al Jefferson
Pela primeira vez na sua carreira vai jogar numa equipa vencedora. Terá de mostrar que consegue produzir os números das suas últimas épocas (mais de 20 pts e 11 res) numa equipa a disputar os lugares de topo. É um jogador com potencial de All-Star que esta epoca tem de mostrar se é um vencedor ou mais um Zach Randolph.

Joe Johnson
Os Hawks não queriam perder o seu All-Star e melhor marcador nesta free agency de 2010 e ofeceram-lhe um contrato máximo. 119 milhões por 6 anos. Foi o contrato mais elevado da offseason, por um jogador que, embora bom, não é um franchise player, nem sequer está no top 3 da sua posição. Agora Johnson tem de mostrar que o preço que os Hawks pagaram por ele não foi alto demais.

Rudy Gay
Idem do anterior. Antes que alguma equipa fizesse uma proposta pelo seu free agent, os Grizzlies ofeceram-lhe um contrato máximo, 82 milhões por 5 anos. Muito dinheiro por um jogador que nunca foi All Star, que tem bons números nas últimas 3 épocas, mas estagnados (mais de 19 pts e 5.5 res) e não tem talento para ser um franchise player (segundo ou terceiro jogador no máximo). É uma época em que Gay vai ter de provar que merece tanto dinheiro pago por ele.

Gilbert Arenas
O ex-Agent Zero, o homem mais falador de toda a NBA, que há apenas duas épocas era o jogador mais mediático e que mais se mediatizava em toda a liga, calou-se. Depois da sua carreira ter caído a pique nos últimos anos (primeiro pelos problemas no joelho, depois pelo incidente com a arma), esta é a época em que precisa de mostrar se ainda tem lugar nesta equipa que já não é a dele. Os Wizards são a equipa de John Wall e Arenas terá de provar que pode ser um bom complemento para ele ou, caso não esteja nos planos para o futuro dos Wizards, provar que ainda tem valor para alguma equipa da liga. Esta é a época para responder à pergunta 'Que é feito de Gilbert Arenas?' ou desaparecer para sempre.

27.10.10

Algumas notas do 1º dia



Ontem (esta madrugada, para nós) foi dia de jogo. Comecou a temporada regular.
E, para começar bem, começou nas duas cidades onde já se escreveram mais episódios na história da liga: em Boston, os novos Heat começavam a época frente aos Celtics e em Los Angeles, os Lakers receberam os seus anéis de campeões e enfrentaram os Rockets.
Para terminar, tivemos ainda os Suns frente aos Trail Blazers, em Portland.
Ficam algumas notas breves do primeiro dia da temporada regular:

- Este ano os Lakers têm banco. Steve Blake e Shannon Brown ganharam o jogo para os Lakers, pelo que, ao fim dum jogo, o banco deste ano já deve ser responsável por mais vitórias que o do ano passado em toda a época.

- Não subestimem o tempo, o treino e o trabalho de equipa. Os veteranos de Boston mostraram como ter uma equipa é mais importante que ter um grupo de jogadores.

- Não sobrevalorizem a derrota dos Heat. Foi só um jogo e a única coisa que prova é que é preciso tempo para construir uma equipa. Ainda são um grupo de jogadores e o trabalho deles acabou de começar.

- Phil Jackson recebeu o seu 11º (!) anel. Já tem mais anéis que dedos, por isso, onde vai colocar este?

26.10.10

O que devia Lebron fazer?


Devia agradecer a sorte de ter uma agência de publicidade que lhe faz um anúncio como este e transforma (ou tenta tranformar) todas as decisões desastrosas que ele teve ao longo deste verão em algo positivo.

25.10.10

Boletim de Avaliação - Northwest Division - Jazz

Utah Jazz

Mesmo quando parecem não ter muito espaço de manobra, os Jazz conseguem sempre, ano após ano, e através duma gestão exemplar tanto no front office como no campo, manter a sua equipa competitiva e a lutar pelos lugares dos playoffs. Parece que não conseguem ter umá offseason e este ano não foi excepção. Nem a perda de um dos seus pilares os faz aparentemente descer na hierarquia da conferência e conseguiram substitui-lo por outro jogador tão bom ou melhor.

Entradas / Saídas
Várias mexidas importantes. Perderam o seu power forward All Star e um dos grandes nomes na free agency de 2010, Carlos Boozer (assinou com Chicago), mas entra Al Jefferson (quase oferecido pelos Timberwolves) para o seu lugar. Saíram ainda Kyle Korver, Wesley Matthews e Kostas Koufos e Ronnie Brewer e entraram Gordon Hayward (escolha no draft) e Raja Bell.

Frontcourt
Jefferson é um power forward de 20 pts e 10 res, com potencial de All Star e bom para o ataque de meio campo muito organizado que Jerry Sloan gosta. A saída de Boozer não deverá ser muito sentida, pois têm os mesmos pontos fortes (e até algumas das mesmas fraquezas, como a defesa). Mehmet Okur regressa duma ruptura do tendão de Aquiles e tanto ele como Kirilenko precisam de manter-se livre de lesões para os Jazz aspirarem a ir longe.

Backcourt
Deron Williams é um dos melhores bases da NBA e um base perfeito para o sistema de Jerry Sloan. Conseguir com Jefferson o entendimento e o pick and roll quase perfeito que fazia com Boozer vai ser uma das chaves da temporada. A posição de shooting guard está entre C.J. Miles (que fez um excelente final de época) e o veterano e defensor individual como poucos Raja Bell.

Banco
Aqui foi onde os Jazz podem ter perdido algumas peças importantes. O atirador Kyler Korver foi para Chicago também, assim como Ronnie Brewer. Para os seus lugares seleccionaram Gordon Hayward (outro atirador e outro jogador tacticamente disciplinado, ao gosto de Sloan) no draft e contrataram Raja Bell, bom atirador também e melhor defesa. Paul Millsap tem potencial de titular e continuará a ser uma arma muito forte no banco de Utah.

Treinador
Jerry Sloan é o treinador da NBA há mais tempo na mesma equipa, 20 anos nos Jazz. Trabalhador, exigente e dos mais respeitados da liga, é um dos melhores (senão o melhor) a retirar o máximo rendimento de cada jogador, seja ele um All Star consagrado ou um achado seu da D-league ou de outra liga menor. Em 2o anos com ele, os Jazz foram 17 vezes aos playoffs, tiveram 16 temporadas acima dos 50% de vitórias, ganharam 6 títulos da Divisão, foram a 2 Finais, mas nunca conseguiram o troféu máximo. No entanto, a estabilidade e a organização estão mais que garantidas e vão continuar a ser um exemplo de durabilidade no topo da liga.

Resumo
Parece que, apesar de todas as mexidas, foi uma offseason tranquila em Salt Lake City. Ao contrário daquela equipa em Cleveland, os Jazz tinham um plano B para o caso de perderem o seu free agent. Depois disso acontecer (e isso não entra nas contas porque estava fora do controlo deles) fizeram tudo da melhor forma para manter a equipa onde estava antes. Só por isso merecem uma nota muito positiva.

Nota: 14


(a seguir: Conferência Este)

24.10.10

Memórias de quando o basquetebol era baloncesto


Quem se lembra quando um extremo era um alero e o Michael Jordan machacaba a pelota e segurava os pantallones nas rodillas?

Antes da internet, antes dos dvd's e da Amazon (e para além da Magia da NBA e do jogo da semana), o único contacto com a NBA era através das revistas espanholas vendidas nos quiosques e papelarias.

A Gigantes del Basket (que ainda existe) era generalista e cobria principalmente a ACB, passando também pelo basquete europeu e pela NBA.

Mas a minha preferida era a Superbasket, inteiramente dedicada à NBA.





22.10.10

Boletim de Avaliação - Northwest Division - Trail Blazers

Portland Trail Blazers

Será esta época que acaba o calvário de lesões para os Trail Blazers? Nenhuma equipa sofreu tantas lesões graves num só ano como a de Portland. A meio da época tiveram de fazer uma troca com os Clippers e ir buscar Marcus Camby porque já não tinham mais postes, depois de Greg Oden e o seu suplente, Joel Przybilla, terem ambos fracturado a rótula. O seu melhor jogador, Brandon Roy, também esteve ausente durante vários jogos. Apesar de tudo isso, Nate McMillan ainda conseguiu espremer 50 vitórias desta equipa, o que dá uma ideia da sua profundidade e também do seu coração.
A offseason também não podia ter começado de maneira mais invulgar: o general manager Kevin Pritchard foi despedido no dia do draft (e ainda foi ele que conduziu o draft depois de saber a notícia) e o novo GM, Rick Cho ainda não tem trabalho para mostrar.

Entradas / Saídas
Como o que realmente precisam é saúde e terem todos os seus jogadores disponíveis, não mexeram muito. Saíram Juwan Howard e Martell Webster e entraram Luke Babbit (escolha no draft), Elliot Williams e Wesley Matthews.

Frontcourt
LaMarcus Aldrige tem talento e físico para ser um power forward de elite, mas terá de ser mais regular para chegar a esse nível. Nicolas Batum é outro grande atleta que, depois de ter dobrado a sua produção no ano passado, poderá ter, na sua terceira época, uma época de explosão. E depois há aquele grande ponto de interrogação no meio: conseguirá Oden (que só volta lá para Dezembro) manter-se em campo uma época inteira? Com todos saudáveis e a produzir ao seu nível são um frontcourt jovem, atlético e muito bom.

Backcourt
O All Star Brandon Roy é o ponto central desta equipa, o seu melhor marcador e o líder em campo. Ao seu lado, está o experiente organizador André Miller (que destoa desta praga de lesões e, nos últimos 9 anos, perdeu apenas 5 jogos!). Ambos são mais eficazes com a bola na mão, um problema a resolver esta época, se querem melhorar a eficácia ofensiva.

Banco
Com Miller e Roy a jogarem ambos como marcadores-organizadores, precisavam dum marcador-lançador que jogue sem a bola para os complementar. Wes Matthews foi o escolhido. O espanhol Rudy Fernandez (que queria ser trocado; outro caso a continuar a estranheza da temporada e desta offseason) é uma das principais armas ofensivas duma segunda unidade que se reforçou ainda com aquele que é apontado como o melhor atirador deste draft, Luke Babbit. Abundam os jogadores jovens e com potencial, mas falta experiência nos suplentes.

Treinador
Nate McMillan merece todo o crédito por conseguir 50 vitórias e uma ida aos playoffs numa temporada tão atribulada. Este ano tem de (para além de rezar que ninguém se lesione) arranjar uma forma de Roy e Miller renderem juntos no mesmo backcourt.

Resumo
Se todos os jogadores estiverem disponíveis e saudáveis durante uma época (e Oden é o mais importante de todos nesse cenário), os Blazers têm uma equipa muito profunda e talentosa que deve competir pelos primeiros lugares da sua conferência e pode ir longe nos playoffs. Mas esse é um grande se.

Nota: 12


(próximo: Northwest Division - Utah Jazz)

21.10.10

20.10.10

Boletim de Avaliação - Northwest Division - Thunder

Oklahoma City Thunder

Os Thunder foram uma das histórias de sucesso do ano passado e são a nova equipa da moda na NBA. Venceram mais 27 jogos que há dois anos (23-59 em 2009, 50-32 em 2010), ficaram em 8º na conferência e, apesar de eliminados na primeira ronda pelos Lakers, deram muito que fazer aos futuros campeões. Entusiasmaram todo um estado e no sexto e último jogo da eliminatória, os fãs no pavilhão, como agradecimento, deram-lhes a maior ovação da época. Kevin Durant foi o mais jovem Melhor Marcador da NBA de sempre e subiu ao exclusivo nível das super-estrelas. É uma equipa jovem, em construção e que quer chegar ao lugar mais alto da liga.

Entradas / Saídas
Continuaram o seu inteligente plano de crescimento sustentado. Tinham espaço salarial, mas não foram atrás de nenhum dos grandes nomes da free agency e renovaram antes com Durant por mais 5 anos (o jogador anunciou-o na sua página no Twitter, sem nenhum programa especial em directo na tv). Saiu apenas Kyle Weaver (dispensado) e entraram Daequan Cook, Mo Peterson, Cole Aldrich (escolha no draft) e Royal Ivey.

Frontcourt
Durant como small forward, Jeff Green (outro jovem que entrou na liga no mesmo ano de Durant) como versátil, embora um pouco pequeno, power forward e Nenad Krstic como poste. Um frontcourt muito ofensivo, com múltiplas soluções, e melhor defensivamente do que parece. Foi aí que mais evoluíram e foi a defesa a maior responsável pelo salto da época passada. O único ponto de preocupação era o tamanho e procuraram melhorar esse aspecto com a selecção de Aldrich.

Backcourt
Russel Westbrook despontou como um dos melhores bases e criadores de jogo do Oeste e volta com a experiência adquirida no Campeonato do Mundo ao serviço da selecção americana. Precisa de continuar a melhorar o lançamento exterior. Thabo Sefolosha (o único jogador suíço na NBA), excelente defensor do perímetro, é um complemento perfeito.

Banco
Os Thunder são uma das equipas mais arrumadas da liga e já tinham um banco bem definido e com boas segundas opções em todas as posições (ok, menos a 3, mas aí têm Durant): Eric Maynor a 1, James Harden a 2, Serge Ibaka e Nick Collison a 4 ou 5. Este ano reforçaram-no ainda com Cole Aldrich, um poste forte e com mentalidade defensiva e o atirador Daequan Cook.

Treinador
Scott Brooks foi o obreiro do sucesso deste grupo, insistindo sempre na defesa e no trabalho de equipa. Na sua primeira época completa como treinador ganhou o prémio de Treinador do Ano. Em 2009-2010 poucas pessoas contavam com eles e isso funcionou a seu favor. Em 2010-2011 toda a gente conta com eles para atacar os lugares de topo do Oeste e as expectativas estão altas. Uma prova de fogo para Brooks.

Resumo
Os Thunder são um exemplo de como construir uma equipa na NBA. O seu general manager, Sam Presti, é um dos mais elogiados da liga e o trabalho tem sido feito de forma estruturada e sustentada, apostando na selecção acertada e desenvolvimento dos seus jogadores. A equipa não precisava de muitas mexidas, apenas esperar que os seus melhores jogadores continuem a crescer e ganhar experiência e complementá-los com mais algumas peças. Até agora o plano não podia estar a correr melhor.

Nota: 16


(próximo: Northwest Division - Portland Trail Blazers)

19.10.10

Kobe or not Kobe


Michael Jordan conseguiu criar tanta excitação com apenas algumas palavras como quando desafiava a gravidade num campo da NBA. Na mesma entrevista em que afirmou que se jogasse hoje podia marcar 100 pontos, houve uma outra pequena afirmação que lançou os comentadores de todo o mundo para a frente dos seus teclados e os fãs para as caixas de comentários.
Em resposta à pergunta sobre o lugar onde Kobe Bryant está nos melhores jogadores de sempre, His Airness disse: "É difícil de dizer. Eu acho que ele vai estar sempre na discussão sobre os melhores jogadores quando ele terminar (a sua carreira). Onde ele fica no meio deles, se falarmos de posições? Se estivermos a falar de bases, eu tenho de dizer que ele está no top 10."


Sim, top 10 dos melhores bases, não top 10 dos melhores de sempre. Provocação ou honestidade? A polémica começou logo a seguir, mas não vamos discutir se His Airness tem razão ou não. É, de facto, difícil comparar e já passaram tantos jogadores extraordinários pela NBA que escolher os 10 melhores de sempre estará sempre sujeito a uma grande dose de discussão, já para não dizer de subjectividade (e parcialidade).

Kobe não pareceu muito incomodado: "É uma afirmação acertada. Sou um dos 10 melhores bases. Pode ser o segundo, pode ser o primeiro, pode ser o quarto ou quinto. Sou de certeza um dos mil melhores. Houve muitos grandes bases a jogar o jogo. Eu chegar aqui e dizer 'Ele devia ter dito top 5', é desrespeitador para os outros bases que eu vi jogar."

Entre os 10 melhores bases parece então ser unânime, por isso Jordan não disse nada de errado. Entre os 10 melhores de sempre? Fica (e ficará sempre) aberta a discussão.
Top 10 de bases ou top 10 de sempre, fiquemos com umas imagens dele no liceu:

video

Nada mau para um miúdo de 15 anos, pois não?

18.10.10

Boletim de Avaliação - Northwest Division - Timberwolves

Minnesota Timberwolves

28º ataque, 29ª defesa, 15 vitórias e 67 derrotas. Fazer pior será difícil e para os Timberwolves o único caminho possível é para cima. David Kahn foi, compreensivelmente, um dos general managers mais ocupados deste verão, mas algumas das movimentações não foram assim tão compreensíveis. Houve movimentações duvidosas para todos os gostos, desde trocar a sua maior estrela (a única estrela?) por quase nada, até oferecer um contrato milionário à eterna desilusão Darko Milicic. Mas nem tudo foi mau.

Entradas / Saídas
A lista é longa. Saíram Al Jefferson, Ryan Gomes, Ramon Sessions, Ryan Hollins e Delonte West (West entrou, por troca com Sessions e Hollins, e foi depois dispensado, para libertar espaço salarial). Entraram Wesley Johnson (escolha no draft), Lazar Wayward (draft), Michael Beasley, Martell Webster, Luke Ridnour, Kosta Koufos, Sebastian Telfair e Anthony Tolliver.

Frontcourt
Trocaram Jefferson para dar espaço ao desenvolvimento de Kevin Love e o power forward internacional americano é a sua maior esperança para o lugar de estrela da equipa. É um extremo-poste clássico, com bons movimentos de costas para o cesto e bom passador, mas restam muitas dúvidas se pode algum dia ser um jogador-franchise. Como poste o titular deverá ser Darko Milicic, que renovou por 4 anos e 20 milhões. David Kahn disse que o sérvio era "manna from heaven". As equipas por onde ele passou antes discordam.
Para small forward são várias as opções (o atlético rookie Wesley Johnson, Martell Webster e Michael Beasley) e o titular deverá ser Beasley, que tem sido experimentado como 3 na pre-época. Depois de duas épocas abaixo do esperado, os Timberwolves esperam que concretize o seu potencial.

Backcourt
Jonny Flynn é o seu base para o futuro (até/se Ricky Rubio chegar) e é mais um jovem com potencial, mas muito ainda para desenvolver. Como shooting guard, Corey Brewer é, de todos os jogadores jovens e com potencial da equipa, aquele que mais progresso tem mostrado.

Banco
Depois de 4 bases seleccionados no draft e mais um contratado o ano passado, o único que resta é Jonny Flynn e está lesionado até Dezembro. Luke Ridnour cumprirá a posição até Flynn voltar e será depois um excelente suplente. Este ano a fartura é a small forward. No interior contrataram também Nikola Pekovic (por 3 anos e 13 milhões, em mais uma aposta inflacionada de Kahn) e Anthony Tolliver.

Treinador
Kurt Rambis tem muito que fazer com esta equipa, desde desenvolver muitos talentos individuais jovens até conseguir colocá-los a jogar como uma unidade. São muitos jogadores para dividir o tempo de jogo e será um desafio encontrar um equilibrio entre uma rotação regular e tempo para o desenvolvimento deles.

Resumo
David Kahn quer construir uma equipa e o caminho escolhido parece ser o de juntar mais e mais jogadores com potencial, com a esperança de ter um plantel carregado daqui a um ou dois anos, mas são tantas as incertezas e as apostas que é dificil avaliar o sucesso das movimentações. Entre as aparentemente boas (Johnson, Tolliver, Ridnour, mesmo Beasley, que apesar da incerteza foi praticamente oferecido pelos Heat para libertar espaço salarial e os Timberwolves nada têm a perder), as duvidosas (Pekovic, Webster) e as claramente más (Milicic por 20 milhões, Ramon Sessions trocado por Sebastian Telfair), foi uma offseason que levanta mais dúvidas que certezas. Vamos ver como corre o plano.

Nota: 10


(próximo: Northwest Division - Oklahoma City Thunder)

17.10.10

(H)oops

Uma empresa do Wisconsin fez os calendários da temporada 2010-2011 dos Cleveland Cavaliers. O problema? Fizeram-nos antes de Lebron anunciar a sua decisão na free agency.
O nome da empresa? Perfect Timing. Perfeito.



16.10.10

Jordan marca 100 pontos



Será que íamos ler estas palavras nas páginas de algum jornal ou site se Michael Jordan jogasse hoje na NBA?
A acreditar no próprio, sim. His Royal Airness disse recentemente numa entrevista ao USA Today que o jogo "está menos físico e as regras mudaram, obviamente." E acredita que "com estas regras (...) podia marcar 100 pontos." Poderia?

A marca mítica e (quase) impossível dos 100 pontos só foi conseguida uma única vez na história da NBA. Wilt Chamberlain marcou 100 pontos no dia 2 de Março de 1962, na vitória dos Philadelphia Warriors (a sua equipa) sobre os New York Knicks, por 169-147. Esse recorde impressionante foi conseguido com 36-63 em lançamentos de campo e 28-32 em lançamentos livres (uma marca tão ou mais impressionante para um jogador que tem uma percentagem de carreira de 51.1%). Nessa época de 61-62 Chamberlain acabou com as inalcançáveis médias de 50.4 pts e 25.7 res. Números estratosféricos que seguramente mais nenhum jogador conseguirá alguma vez alcançar.

E Jordan? Poderia ele marcar 100 pontos num jogo se jogasse na NBA actual?
A regra a que ele se refere é o hand check, que permitia a um jogador defensor utilizar o ante-braço para controlar o atacante (à semelhança dum defensor que defende um atacante de costas para o cesto). No final dos anos 80 e início dos 90, Jordan sofria uma defesa muito agressiva de equipas como os Pistons e os Knicks, que usavam e abusavam desses contactos (e doutros menos legais) até ao limite. Hoje em dia, os defensores já não podem fazer isso e os contactos com o portador da bola são mais restritivos. Isso seria algo que beneficiaria seguramente um jogador tão forte no um contra um e a atacar o cesto e penetrar como Jordan.

Poderia marcar mais facilmente contra as defesas actuais então? Não necessariamente, porque, mesmo com a regra antiga, não significa que as defesas era mais fortes nessa altura. Porque Jordan não sofria esse tipo de defesa com todas as equipas. Na verdade eram apenas uma minoria de equipas que o defendiam assim e faziam-no muito mais nos playoffs do que na temporada regular.
Eram comuns os jogos com muito mais de 100 pontos marcados por cada equipa. Magic, Bird, Jordan tiveram muitos jogos em que as suas equipas marcaram 120, 130 ou mesmo 140 pontos. O jogo, apesar da regra, era mais aberto. Os jogadores tinham uma mentalidade ofensiva e as equipas queriam marcar pontos.

A NBA em que Jordan jogou tinha mais posses de bola e um ritmo mais alto.
A época em que Jordan teve a média de pontos mais alta foi a 86-87, onde marcou 37.1 pts/jogo. Nessa época, a equipa dos Bulls teve a média de posses de bola por jogo mais baixa da NBA e, mesmo assim, era 3.1 mais alta que a média das equipas em 2009-10. A última equipa em 87 jogava mais três posses de bola por jogo do que a maioria das equipas agora.
O jogo está mais defensivo, mais fechado e, apesar dos defensores individuais terem mais restrições, as equipas, colectivamente, estão a defender melhor.
Muitas equipas, em muitos jogos, não chegam aos 100 pontos. Na maioria dos jogos uma equipa não tem sequer 100 posses de bola.

Wilt fez 63 lançamentos de campo e 32 lançamentos livres. Isso são números que uma equipa inteira pode fazer hoje num jogo. Por isso, a menos que Jordan jogasse apenas com esse objectivo em mente, tomasse para si todas as posses de bola e fizesse um aproveitamento muito bom delas (Kobe Bryant já tentou e ficou-se pelos 81), não nos parece que fossemos ler aquelas palavras nas páginas de nenhum jornal ou site. Há coisas que nem o melhor jogador de sempre poderia fazer no basquetebol moderno.

15.10.10

Boletim de Avaliação - Northwest Division - Nuggets

Denver Nuggets

Aquele que começou como o Verão de Lebron transformou-se depois no Verão de Carmelo. Toda a offseason (e o futuro) dos Nuggets ficou dependente de uma decisão da sua maior estrela. Actualmente no último ano do contrato, Carmelo Anthony recusou a proposta de extensão por mais 3 anos (e 65 milhões), deixando escancarada a porta para sair como free agent e a equipa receber nada em troca.
Evitar esse cenário tornou-se a prioridade para o novo GM, Masai Ujiri, e começaram a estudar possibilidades de trocas com outras equipas. Entretanto a época está à porta e, sem nenhum negócio a avançar, Anthony continua a bordo (até quando?).

Entradas / Saídas
Não tinham escolhas no draft e, com Anthony a dominar todas as atenções, as mexidas foram poucas. Saíram Johan Petro e Joey Graham e entraram Al Harrington e Shelden Williams, para reforçar o seu problemático frontcourt.

Frontcourt
Com todos os jogadores saudáveis têm um dos frontcourts mais poderosos e talentosos da liga. Mas esse é um cenário visto poucas vezes nos últimos tempos. Kenyon Martin e Nené Hilário estiveram lesionados várias vezes nas últimas duas épocas e ambos (juntamente com o poste suplente Chris Andersen) regressam de operações aos joelhos.
Anthony é o melhor marcador e maior arma ofensiva da equipa, mas a incerteza em volta do futuro não vai ajudar à estabilidade (pode facilmente sair a meio da época).

Backcourt
Chauncey Billups é mais um dos bases com mais de 30 anos (tem 34) que parecem jogar cada vez melhor (e o Oeste parece estar cheio deles). É o elemento mais regular e estável do 5 inicial, o maestro da equipa e o grande responsável pela melhor organização ofensiva que tiveram nos dois anos anteriores.
Aaron Afllalo, bom lançador exterior e bom defensor individual, é o tipo de shooting guard complementar perfeito para jogar ao lado de Billups e Anthony.

Banco
O Birdman, especialista em ressaltos e desarmes de lançamento, volta de uma operação ao joelho e a sua forma será determinante para o sucesso da equipa, pois Al Harrington (mais um jogador interior, mas que também lança de fora) é mais uma arma ofensiva versátil, capaz de marcar muitos pontos, mas contribui pouco (ou nada) na defesa e na luta das tabelas. Ty Lawson é o aprendiz de Billups e um suplente fiável e o instável JR Smith é mais um marcador de pontos. A defesa é mesmo o ponto fraco deste que é um dos bancos ofensivamente mais fortes da liga.

Treinador
As questões médicas estenderam-se até a George Karl, que esteve ausente na segunda metade da época em tratamento dum cancro na garganta. E a sua importância ficou bem demonstrada quando se compara a equipa que foi à final da Conferência e era a maior ameaça aos Lakers em 2009 com aquela que foi eliminada na primeira ronda pelos Jazz em 2010.

Resumo
Com todas as questões em volta de Carmelo e do futuro da equipa, a offseason não foi boa para os Nuggets. Apesar disso, continuam a ter um dos grupos com mais talento do Oeste e o sucesso da equipa depende mais da forma e saúde dos elementos (jogadores e treinador) que já fazem parte da equipa que de novas aquisiçoes. No entanto, pouco fizeram para melhorar esse grupo.

Nota: 9


(próximo: Northwest Division - Minnesota Timberwolves)

14.10.10

Boletim de Avaliação - Southwest Division - Spurs

San Antonio Spurs

Tim Duncan começa a dar sinais de estar na fase descendente da sua carreira, Ginobili não está a ficar mais novo também e a janela de oportunidade desta geração dos Spurs está a fechar. Aquela que foi a equipa mais sólida e regular da década, teve o ano passado uma das suas épocas menos bem sucedidas (50-32, 7º lugar no Oeste) e foram varridos pelos Suns na 2ª ronda dos playoffs. Mas esta é uma das equipas mais bem geridas de toda a NBA e os seus dirigentes parecem sempre conseguir fazer as movimentações certas para mantê-la no topo.

Entradas / Saídas
O veterano núcleo da equipa mantém-se e conseguiram um reforço importante. Saíram Keith Bogans, Malik Hairston e Roger Mason. Entraram Tiago Splitter (escolha no draft em 2007 e que vem finalmente para a NBA, depois de ter sido 2 vezes MVP da liga espanhola), James Anderson (escolha no draft), Gary Neal (rookie não seleccionado no draft) e Bobby Simmons.

Frontcourt
Quando Duncan está a mostrar os primeiros sinais de quebra (a época passada teve os seus mínimos em pontos e ressaltos por jogo: 17.9 pts e 10.1 res) aí vem Splitter, para reforçar a defesa interior, os ressaltos e tornar o frontcourt dos Spurs sólido de novo. Splitter não é um rookie típico, joga há vários anos na Europa e (à semelhança de Luis Scola, por exemplo) chega à NBA pronto para competir e contribuir imediatamente. Com um Richard Jefferson (renovou por 4 anos) mais adaptado ao exigente sistema de Gregg Popovich, este frontcourt voltará a ser um dos mais sólidos do Oeste.

Backcourt
Tony Parker e Manu Ginobili tiveram lesões que os limitaram durante períodos longos da época passada, mas este ano, recuperados e frescos (ambos não participaram no Campeonato do Mundo para descansar) são um dos backcourts mais imprevisíveis e difíceis de defender da NBA. Lançamentos longos, lançamentos de meia distância ou penetrações, fazem de tudo e bem.

Banco
Matt Bonner (o poste titular no ano passado) renovou e será uma das armas a saltar do banco. Juntemos-lhe o veterano e útil Antonio McDyess, DeJuan Blair (um dos rookies revelação em 2009-10), George Hill (que foi o titular durante os jogos em que Parker esteve lesionado e pode fazer ambos os lugares do backcourt) e James Anderson (um dos melhores atiradores do draft de 2010) e temos uma segunda unidade invejável.

Treinador
O emotivo e algumas vezes irascível Gregg Popovich é um dos cinco treinadores na história da NBA com 4 ou mais anéis de campeão. É um dos melhores treinadores nas decisões e ajustamentos durante os jogos e com ele ao leme más decisões e má gestão da equipa não fazem parte da lista de problemas.

Resumo
Quando parecia que os Spurs estavam a chegar ao fim da sua dinastia, conseguiram tirar mais um coelho da cartola com a vinda de Splitter e voltar a entrar no lote de candidatos da conferência. E se com James Anderson e Gary Neal continuarem a fazer achados como já fizeram antes (DeJuan Blair e George Hill, os últimos exemplos), esta offseason pode ser ainda mais bem sucedida do que parece. Os Spurs estão preparados para mais uma corrida pelo título. Podem estar mais velhos, mas não vão embora sem dar luta.

Nota: 13


(próximo: Northwest Division - Denver Nuggets)

13.10.10

O tamanho importa

"I think it's the size of that man's heart and the size of that man's brain that determines who can play and who can't play"

Um episódio inspirador retirado do documentário sobre a equipa de liceu de Lebron James, More Than a Game:


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Boletim de Avaliação - Southwest Division - Hornets

New Orleans Hornets

Quando a principal manchete na offseason duma equipa é o rumor que a sua maior estrela quer sair as coisas não podem estar a correr muito bem. A imprensa americana avançou em Agosto que Chris Paul estava desiludido com a falta de competitividade da equipa e queria ser trocado. Paul nunca o assumiu publicamente e está a bordo para mais uma época. Mas, com o seu contrato a terminar em 2012, a questão é: o que fizeram os Hornets para melhorar a qualidade do plantel e convencê-lo a ficar?

Entradas / Saídas
Fizeram muitas trocas, mas algumas parecem tê-los deixado exactamente no mesmo sítio: na noite do draft tiveram nas suas mãos um possível futuro poste titular da equipa (Cole Aldrich), mas trocaram-no por Quincy Pondexter (bom, mas possivelmente pior que Aldrich) e por Craig Brackins. Depois trocaram Brackins e Darius Songaila por Willie Green e Jason Smith.
Saíram Darius Songaila, Darren Colison, James Posey, Morris Peterson e Julian Wright e entraram Quincy Pondexter, Trevor Ariza, Jason Smith, Willie Green, Joe Alexander, Jannero Pargo e Marco Bellinelli.

Frontcourt
Ariza, a maior contratação da offseason e o small forward titular, é bom para correr os contra-ataques com Paul e encaixa muito melhor nesta equipa que nos Rockets. Com CP-3 a construir o jogo, não terá tanta responsabilidade de criar o seus lançamentos como em Houston e voltará mais ao estilo de jogo (receptor e lançador) que tinha nos Lakers. David West é um power forward All Star que continuará a marcar muitos pontos. Emeka Okafor é um poste limitado ofensivamente, que, apesar de defesa e ressaltos serem o seu forte, jogou bastante abaixo do esperado, e terá este ano de ser a presença defensiva interior que os Hornets não tiveram o ano passado.

Backcourt
Paul é um dos bases de elite da NBA. Bom lançador, bom penetrador, bom defensor e excelente passador. Todo o ataque dos Hornets passa (geralmente de forma superior) pelas suas mãos.
Marcus Thornton (uma das surpresas da equipa o ano passado, quando Paul esteve lesionado, revelando-se um excelente marcador de pontos) será o shooting guard de um backcourt rápido e entusiasmante.

Banco
Peja Stojakovic será um sexto homem de luxo (se conseguir manter-se sem lesões) e não faltam opções para o jogo exterior: Pargo, Bellinelli e Green. Mas é no interior que continuam a faltar soluções: renovaram com Andy Gray (um poste lento e muito limitado) e quando as opções são entre ele, Jason Smith e Joe Alexander não é bom sinal.

Treinador
Monty Wiliams é um treinador rookie, que depois de ter sido adjunto de Gregg Popovich e Nate McMillan, tem a difícil tarefa de tentar colocar os Hornets nos playoff e reduzir o fosso para as melhores equipas da conferência. Pô-los a defender melhor será indispensável para isso (Os Hornets foram apenas a 22ª defesa na última época).

Resumo
Foi uma offseason pouco compreensível. Trocaram Darren Collison (o seu jogador mais promissor, um dos mais talentosos bases jovens da liga e uma garantia para o caso de Paul sair) e Posey (um suplente experiente e um dos melhores defensores da equipa) por Ariza. Cole Aldrich era uma presença defensiva interior que precisavam, mas trocaram por mais um extremo. Depois de tantas trocas, ficam com uma equipa com as mesmas forças e as mesmas fraquezas: bons atiradores e jogadores exteriores, má defesa e jogo interior.

Nota: 8


(próximo: Southwest Division - San Antonio Spurs)

12.10.10

Boletim de Avaliação - Southwest Division - Grizzlies

Memphis Grizzlies

Chris Wallace não é o general manger mais adorado do mundo. Depois de, em 2008, ter trocado Pau Gasol (a âncora da equipa na altura) por praticamente nada, foi muito criticado pelos fãs e pelos media de Memphis (e do país inteiro!). A seguir contratou Allen Iverson, numa decisão que todos anteciparam como desastrosa (e confirmámos todos). O ano passado voltou a ser muito criticado pela contratação de Zach Randolph. Mas esta não saiu mal e, com um Randolph focado, a equipa do Tennessee foi uma das surpresas do ano anterior, lutando por um lugar nos playoffs durante grande parte da temporada regular (na parte final quebraram e acabaram ainda a 10 jogos de distância da 8ª posição).

Entradas / Saídas
Estão em processo de construção da equipa e não mexeram muito no núcleo já formado. Saiu apenas Ronnie Brewer (que se lesionou pouco depois de chegar a Memphis e fez apenas alguns jogos pelos Grizzlies) e entraram Tony Allen, Acie Law, Xavier Henry (escolha no draft) e Greivis Vasquez (escolha no draft).

Frontcourt
Renovaram Rudy Gay (um dos maiores nomes na classe de free agents de 2010), mas pagaram muito (82 milhões por 5 anos) para um jogador que nunca foi All Star e não é um franchise player. Com números regulares, mas estagnados, ao longo das últimas épocas, terá de jogar este ano a um nível superior para justificar o contrato máximo que tem.
No interior, o irmão de Pau, Marc Gasol, foi um dos jogadores que mais evoluíu na época passada, tornou-se um dos pilares da equipa e a sua principal presença defensiva interior. Randolph jogou ao seu melhor nível, o que significa 20 pts, 10 res e pouca defesa. Formam um excelente frontcourt, mas precisam de melhorar defensivamente para fazer frente aos poderosos frontcourts do Oeste.

Backcourt
OJ Mayo é um dos melhores marcadores da equipa, mas precisa de melhorar a sua selecção de lançamento e defesa. O base Mike Conley, um dos elementos mais irregulares e que apenas a espaços mostrou ser um base capaz de liderar uma equipa de topo, é outro dos jogadores que vai ter de subir de nível para a equipa poder aspirar ao playoff.

Banco
Com um cinco inicial estabelecido, foi aqui que fizeram as principais aquisições. Tony Allen providencia experiência e uma muito necessária defesa no perímetro, Xavier Henry é um bom atirador e Greivis Vasquez (o segundo venezuelano a jogar na NBA) foi escolhido para fazer concorrência a Mike Conley e garantir mais profundidade na posição. De Hasheem Thabeet espera-se que ajude na defesa interior (a sua principal arma são os desarmes de lançamentos), melhore o jogo ofensivo e esteja à altura da sua selecção como nº 2 do draft de 2009.

Treinador
Lionel Hollins conseguiu colocar a jovem equipa de Memphis a jogar um basquetebol mais concentrado e colectivo, mas precisa agora de a por a defender melhor se quer um lugar nas oito melhores do Oeste.

Resumo
Não foi uma má offseason para os Grizzlies, que conseguiram reforçar o seu banco e adicionar elementos que podem melhorar as suas maiores fraquezas. A aposta, no entanto, continua a ser o desenvolvimento dos jogadores que já tinham e por eles passa a maior quota de responsabilidade no sucesso da equipa.

Nota: 12


(próximo: Southwest Division - New Orleans Hornets)

11.10.10

Trabalho de equipa


Aqui está algo que os Heat vão precisar e, pegando nas palavras de Kobe, algo que falta a muitas equipas da NBA:


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A outra equipa da Florida

Por estes dias, com a reunião dos Três Super-Amigos em Miami, parece que toda a comunicação social se mudou para a Florida. Centenas (milhares?) de jornalistas acompanham os treinos e jogos dos Heat e seguem todos os movimentos de Lebron, Wade, Bosh e companhia.
E ali mesmo ao lado, alguns quilómetros mais para Norte, há uma equipa que muitos parecem ter esquecido. Mas a outra equipa da Florida é ainda (pelo menos até os Três Super-Amigos e a sua entourage serem mais que uma grande equipa no papel e ganharem alguma coisa) a melhor equipa do estado.


Os Orlando Magic ficaram em segundo lugar da conferência Este no ano passado, com o segundo melhor record da NBA (59-23, apenas atrás dos Cavaliers). Foram eliminados pelos Celtics na Final de Conferência, numa série onde se afundaram irremediavelmente com três maus jogos a cavar um buraco de 0-3. Foram três maus jogos que lhes custaram a temporada, mas foram apenas três jogos e não podemos esquecer que os Magic estão entre as equipas mais bem sucedidas da NBA nas últimas duas épocas.

Tiveram duas épocas consecutivas à beira das 60 vitórias (59-23 em 2008-09 e 2009-10). Em 2009 foram até às Finais e em 2010 até à Final da Conferência. A época passada tiveram o segundo melhor ataque (109.5 pts/jogo) e a segunda melhor defesa (100.2 pts/jogo; a melhor, a dos Bobcats, sofreu 100.2pts/jogo também e só ganhou por milésimas). Em 2008-09 tiveram a melhor defesa.
Têm em Dwight Howard o melhor jogador defensivo da NBA, o único capaz de alterar os planos ofensivos duma equipa adversária. E, apesar de ainda limitado ofensivamente, é um jogador impossível de parar no 1x1, que sofre constantemente 2x1, libertando espaço para os vários e bons atiradores (apenas 2 equipas conseguiram pará-lo, Boston e L.A.; não foi por acaso que lhes ganharam; e já agora, o ponto mais fraco de Miami é a defesa interior).

Para além disso, são um grupo com um núcleo que já está junto há vários anos. Uma equipa que se conhece bem, que já tem os processos bem oleados e que vem melhorando sempre todos os anos. E este ano temos mais isto e isto.

Rashard Lewis (que o ano passado limitava-se muitas vezes ao lançamento exterior) a penetrar para o cesto? E a jogar de costas para o cesto também? E Dwight Howard a fazer lançamentos de curta e média distância de frente para o cesto? E a aumentar o seu leque de movimentos ofensivos?
Eu não apostava já naquela equipa da Florida que todos falam como a melhor. Não se esqueçam que há outra equipa na Florida.

10.10.10

Boletim de Avaliação - Southwest Division - Rockets

Houston Rockets

A primeira boa notícia para os Rockets é que Yao Ming está de volta, depois de perder toda a época passada por lesão. A sua recuperação duma complicada operação ao pé esquerdo (depois de várias fracturas, reconstruiu cirurgicamente o arco do pé para reduzir a carga e o peso dos 2,29m e 140kgs sobre aqueles ossos) e a forma em que estará depois da longa paragem serão fundamentais para o sucesso da equipa.
Os Rockets já anunciaram que estão a pensar a longo prazo, não vão tentar acelerar a recuperação e Yao só jogará 24 minutos por jogo.
A outra boa notícia é que Daryl Morey, o seu general manager, não quis ficar apenas dependente disso, procurou alternativas e continuou a reforçar o plantel.

Entradas / Saídas
Renovaram contrato com alguns jogadores importantes (Luis Scola e Kyle Lowry) e conseguiram ainda algumas adições que se podem revelar muito importantes também. Saíram Trevor Ariza, David Andersen, Hilton Armstrong e Von Wafer. Entraram Patrick Patterson (escolha no draft), Brad Miller e Courtney Lee.

Frontcourt
Um dos principais objectivos desta offseason era renovar contrato com o seu power forward titular, Luis Scola. O argentino e um Yao em forma são um frontcourt tão poderoso como qualquer outro na liga. Scola é uma das armas ofensivas de Houston, um jogador com excelentes fundamentos e movimentos no jogo de poste baixo e Yao é uma força na defesa. Com ele no meio não é fácil para ninguém penetrar para o cesto.
Com a saída de Ariza (trocado depois duma época algo decepcionante), Shane Battier (o protótipo do jogador de equipa) volta ao lugar de small forward no 5 inicial.

Backcourt
Aaron Brooks foi o Most Improved Player do ano passado e Kevin Martin começa a sua primeira época completa com a equipa. São um backcourt muito rápido e capaz de marcar muitos pontos das mais variadas formas, seja em lançamentos exteriores seja em penetrações.

Banco
A renovação de Lowry (um base forte fisicamente) e a contratação de Brad Miller (um poste experiente, para suplente de Yao) sao boas (ambos são o tipo de jogador de equipa que faz um bocadinho de tudo) e tornam o banco dos Rockets mais forte. Com Yao limitado a 24 minutos por jogo, uma alternativa a poste era imperativo e Miller é um jogador que já jogou para Rick Adelman e conhece o sistema.
Com Courtney Lee, excelente atleta e defensor de perímetro, ganham mais soluções a shooting guard e Patrick Patterson, outro jogador de equipa que faz bem um bocadinho de tudo, parece uma escolha perfeita para o sistema colectivo de Houston.
O banco ficou, sem dúvida, melhor.

Treinador
Rick Adelman tem tido água pela barba nas últimas duas épocas, com várias lesões prolongadas dos seus jogadores mais importantes. Apesar disso, conseguiu manter a equipa competitiva e a praticar o basquetebol mais colectivo, aguerrido e lutador da liga. É um dos melhores treinadores da NBA, capaz de arrancar o melhor dos seus jogadores.

Resumo
Os Rockets não fizeram nenhuma contratação sonante, mas fizeram adições acertadas e à imagem da equipa: jogadores que podem não impressionar pelos números, mas fazem todas as pequenas coisas necessárias (daquelas que não transparecem nas estatísticas) para ganhar jogos. Quão longe podem chegar depende da forma de Yao Ming, mas se este for o mesmo jogador que era antes da lesão, têm uma das melhores defesas do Oeste e um ataque com múltiplas soluções exteriores e interiores.
Foi uma offseason bastante positiva e a equipa do Texas quer um lugar no topo da conferência.

Nota: 16


(próximo: Southwest Division - Memphis Grizzlies)

9.10.10

Quem é fã do Greg Kite?


As redes sociais têm destas coisas:

Cinco grupos no Facebook dedicados a obscuros (ou esquecidos) jogadores suplentes dos anos 80. Alguém se lembra do Greg Kite? Ou do Joe Wolf? Conheçam as sociedades dedicadas a preservar a sua memória, aqui.

8.10.10

Campeões do Mundo?

O título de campeão da NBA sempre teve nos Estados Unidos uma designação mais vasta: quem ganha o campeonato da liga profissional norte-americana é coroado World Champion.

Esta quinta-feira, num confronto entre o campeão da NBA e o campeão da Euroliga, os Lakers perderam com o Barcelona no último jogo da sua tournée europeia (92-88, podem ver os melhores momentos aqui).

A vitória foi rotulada de "espectacular" por alguns orgãos de comunicação (europeus) e as questões não demoraram a ser levantadas: É o Barcelona o verdadeiro campeão do mundo? Poderia a equipa do Barcelona ser uma equipa de topo na NBA?

Para Phil Jackson, não: "Eles jogaram bem, mas não estão à altura da competição que enfrentamos dia sim, dia não. Não lhes estou a retirar mérito. A fisicalidade do nosso jogo, o tamanho dos nossos jogadores, são coisas que são muitos dificeis de contrariar dia sim, dia não."

Kobe Bryant discordou: "Eu às vezes não sei porque ele diz essas coisas. Eu acho que eles executaram extremamente bem, conhecem-se muito bem, movimentaram a bola muito bem e é isso que se procura. Na NBA, são poucas as equipas que fazem isso, equipas que jogam em conjunto como uma unidade. Vemos muitas jogadas de isolamento, vemos muito um contra um. Eles fazem um excelente trabalho a rodar a bola, a ajudarem-se uns aos outros defensivamente, por isso, discordo, mas que sei eu?"

Qual deles tem razão? Ambos.
Sim, o Barcelona pratica um estilo de basquetebol mais colectivo, como aliás todas as equipas europeias. Sim, o Barcelona faz algo que escasseia na NBA: trabalho de equipa.
Mas não, o Barcelona não conseguiria competir com as melhores equipas da NBA, nem lutar pelos primeiros lugares da liga, porque não tem tanto talento individual nem o mesmo poder físico que estas.

Ganharia muitos jogos? Mais do que Phil Jackson acredita, pois competir diariamente contra equipas mais fortes também subiria o seu nível. Mas a longo prazo as diferenças viriam ao de cima.

Quantos jogos ganhariam? Era possível que entre 30 e 40. O que não chegaria para ir aos playoffs.

Porque afinal há uma coisa que não podemos esquecer: era apenas um jogo de treino, com uma equipa dos Lakers que está na pre-época. Alguém acredita que os Lakers perderiam aquele jogo se estivesse em causa um título?

7.10.10

Boletim de Avaliação - Southwest Division - Mavericks

Dallas Mavericks

O dono dos Mavericks, o bilionário Mark Cuban, não tem poupado esforços (leia-se dinheiro) para trazer um título para a cidade de Dallas. Têm sido uma das melhores equipas da NBA na última década e a época passada foi a 10ª consecutiva com 50 ou mais vitórias (terminaram a temporada regular com um recorde de 55-27, 2º lugar no Oeste, atrás dos Lakers). O título continua, no entanto, a escapar-lhes.

Entradas / Saídas
Não fizeram muitas mexidas, o objectivo prioritário da offseason era renovar contrato com os jogadores que eram free agents para manter a equipa (já forte) da época anterior. O contrato prioritário era com a sua maior estrela, Dirk Nowitzky.
Saíram Matt Carrol, Eduardo Najera e Eric Dampier e entraram Ian Mahinmi, Tyson Chandler e Dominique Jones (escolha no draft).

Frontcourt
Formado o ano passado a meio da época (por via duma troca com os Wizards), o frontcourt de Nowitzky, Brendan Haywood (um dos free agents que renovou) e Caron Butler vai ter este ano uma época inteira em conjunto, pelo que só pode melhorar.
Com dois grandes marcadores de pontos (Nowitzky e Butler), dois defensores excelentes (Butler e Haywood), dois jogadores com 2,13m (Nowitzky e Haywood), um poderoso ressaltador e protector da área perto do cesto (Haywood), são um dos frontcourts mais dinâmicos da conferência e um dos poucos no Oeste que podem fazer frente ao dos Lakers.

Backcourt
Jason Kidd é, aos 37 anos, um exemplo de longevidade e ainda um dos melhores distribuidores de jogo em actividade. Continua a melhorar o lançamento longo e já não é um jogador que a defesa adversária possa deixar livre. O rapidíssimo francês Rodrigue Beaubois é o shooting guard para esta época (um pé partido antes do inicio do Campenato do Mundo vai atrasar a sua preparação).

Banco
Eram já uma equipa bastante profunda e com a adição de Chandler ganham altura e uma necessária ajuda para o jogo interior. Qualquer um dos bases suplentes pode jogar também no 5 inicial e assegurar pontos (Jason Terry e Jose Barea), têm um ex-All Star versátil e atlético que faz um pouco de tudo e quer recuperar duma época menos positiva (Shawn Marion) e um jogador experiente como Tim Thomas.

Treinador
Apesar das mudanças na equipa durante a época, Rick Carlisle conseguiu levar os Mavericks a mais uma temporada regular muito bem sucedida. Perderam depois na primeira ronda dos playoffs com os San Antonio Spurs.
Este ano, com a equipa reforçada e junta desde o início da temporada, exige-se que os leve mais longe e procure desafiar a hegemonia de Los Angeles.

Resumo
Foi uma offseason bem sucedida, tendo conseguido renovar todos os seus free agents e ainda acrescentar um poste mais móvel e mais novo que Eric Dampier. Nowitzky, que não é um grande defensor nem ressaltador, sempre precisou de ajuda no meio e, com Haywood e Chandler, os Mavericks estão muito mais fortes.
Com mais uma época de entrosamento para este grupo de jogadores, são uma das principais ameaças na caminhada dos Lakers rumo ao threepeat.

Nota: 15


(próximo: Southwest Division - Houston Rockets)

Lakers-Heat na final?

É pelo menos esse o palpite predominante entre os general managers da NBA.
A julgar pelas suas respostas ao já habitual GM Survey (o questionário anual com as suas previsões para a nova época), em Junho vamos ver os Três Super-Amigos a lutar contra Kobe e Gasol pelo troféu Larry O'Brien. E quem o vai levantar?

Aqui ficam as principais previsões:

- 70% acreditam que Miami será o vencedor da Conferência Este (18% apostam em Boston e 11 em Orlando)

- 97% votam nos Lakers para ganhar a Conferência Oeste (apenas 3%, portanto, um GM apenas, apostou nos Dallas. E não foi o de Dallas porque não podiam votar na própria equipa)

- 63% apostam nos Lakers para ganhar a Final e o título da NBA (apenas 33% acreditam que os Três Super-Amigos podem conquistar o título na primeira época juntos)

- 67% disseram que Kevin Durant vai ser o MVP da temporada

- John Wall será o Rookie do Ano também para 67% dos GM's

Durant domina a temporada regular, John Wall reclama um lugar entre as estrelas, Lebron chega à final, mas Kobe levanta o troféu pela terceira vez consecutiva? Daqui a 7 meses saberemos.