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20.2.17

Vemo-nos em Los Angeles



Enquanto isso, aqui fica o resumo do All Star Weekend deste ano:










23.12.16

Boas Festas e Bons Cestos


Nós não somos como o Jimmy Butler e até não desgostamos do Natal, por isso, esta semana não há episódio do MVP, vamos fazer uma pausa para celebrações natalícias e na próxima semana temos um episódio especial para fechar o ano. Boas Festas, pessoal, e bons cestos!

3.11.16

O mestre das ATO


Se vos pedirmos para dizer, assim de cabeça, os 5 melhores treinadores da liga (ou até mesmo os 10 melhores), provavelmente não se vão lembrar de Terry Stotts. Irão, provavelmente, lembrar-se de nomes como Popovich, Brad Stevens, Steve Kerr, Tom Thibodeau, Rick Carlisle, Stan Van Gundy, Doc Rivers ou até Luke Walton antes do do treinador dos Blazers.

Stotts pode não ter a fama e a atenção mediática que outros treinadores têm, mas a verdade é que, para além do excelente trabalho que tem feito com a equipa de Portland nos últimos anos, é um dos melhores treinadores da liga a fazer ajustes em jogo e, em especial, a desenhar jogadas de reposição de bola após desconto de tempo (uma ATO, i.e., uma jogada "after time out").
Temos, por exemplo, a famosa jogada do triplo de Damian Lillard nos playoffs de 2014, ou este cesto da vitória de Robin Lopez em Denver.

No início desta semana, os Nuggets voltaram a ser vítima dos engenhosos X's e O's de Stotts:


"Mas os Nuggets também foram muita nabos a defender!", dirão vocês. Sim, é verdade que podiam ter defendido muito melhor. O Faried devia ter dado uma ajuda sobre o corte de Lillard, ou até mesmo trocar e seguir com este; fechava facilmente a linha de passe e entre Meyers Leonard a receber a bola na linha de 3 pontos ou Lillard a receber sozinho debaixo do cesto a escolha é fácil.




Foi o que, perante a mesma jogada dos Blazers, os Suns fizeram ontem. PJ Tucker ficou na ajuda e impossibilitou essa opção:






Mas pensam que Stotts e os Blazers não tinham mais hipóteses desenhadas para o caso de não conseguirem fazer o passe para Lillard? Pensem de novo:


Após o corte de Lillard, tinham ainda mais duas opções: Meyers Leonard, depois de bloquear Lillard, vai bloquear CJ McCollum e este abre para a bola para receber nos 3 pontos.


E, na opção que lhes deu o cesto, Leonard desfaz do bloqueio, corta para o cesto e recebe a bola sozinho (aproveitando a descoordenação dos Suns, que ficaram entre a ajuda e a troca defensiva - Tucker trocou e seguiu com McCollum, mas Brandon Knight hesitou na troca e foi atrás do poste dos Blazers muito tarde).



Esta jogada pode ainda ter outras opções (por exemplo, CJ McCollum recebe o bloqueio de Leonard mas, em vez de abrir para os 3 pontos, faz um curl e corta para o cesto; ou então, em vez de receber o bloqueio de Leonard, McCollum pode voltar para trás e fazer um bloqueio a Lillard para este abrir para os 3 pontos). Por isso, pode não ter sido a última vez que Stotts usa esta movimentação. Com uns ajustes, ainda pode surpreender mais alguma equipa.

E já sabem, da próxima que vos perguntarem pelos melhores treinadores da NBA, não se esqueçam de Terry Stotts.

17.6.16

MVP #039 - Eu, bandwagoner, me confesso



Temos jogo 7 nestas épicas Finais e, como não podia deixar de ser, no episódio desta semana do MVP, falamos do animado e polémico jogo 6 e antecipamos o que Warriors e Cavs terão que fazer para levantar o troféu Larry O'Brien. E discutimos se, ganhe quem ganhar, LeBron James deve ser o MVP das Finais.

Como estamos no fim da temporada e também em época de exames, damos notas ao melhor e pior da época, com referências a Rockets, Spurs, Blazers, tanking, Paul George, Kobe Bryant, teorias da conspiração e bandwagoners. E, ainda, os tomates do Kiki e os tweets da Ayesha.

1.6.16

Dar a volta por cima




É nos maus momentos, quando as coisas estão negras, quando tudo parece perdido, quando a pressão e a exigência são máximas e não há qualquer margem para errar, que se vê aquilo de que alguém é realmente feito. E os Warriors, no seu pior momento, mostraram que também são feitos de força, determinação, coração e garra. 

Até estas finais de conferência, as maiores adversidades por que a equipa de Golden State tinha passado eram as desvantagens de 1-2 nos playoffs do ano passado (na segunda ronda contra os Grizzlies e nas Finais contra os Cavaliers). E, verdade seja dita, em nenhuma dessas ocasiões os Warriors pareceram realmente em apuros. Nenhuma delas inspirou mais do que uma leve preocupação e em ambas reinou a sensação (confirmada depois) de que bastava jogarem o seu normal para recuperarem.

Ao contrário do que aconteceu nesta série com os Thunder. Desta vez, estiveram mesmo encostados às cordas e à beira da eliminação. Desta vez, o fim da temporada dos actuais campeões esteve por um triz.

Até esta série, tinha bastado aos Warriors jogarem o seu normal para ultrapassar as equipas que lhes apareceram pela frente. Mais tarde ou mais cedo, as outras equipas não conseguiam acompanhar o ritmo. Mais tarde ou mais cedo, os lançamentos começavam a entrar e bastava um parcial daqueles para descolarem no marcador. Até agora, o plano A dos Warriors tinha sido suficiente. E eles sabiam que, com mais ou menos dificuldade, no fim, o talento ia assegurar-lhes a vitória. 

Nos jogos 3 e 4, quando levaram aquelas duas sovas em Oklahoma, foi isso que pareceram. Uma equipa que estava habituada a que aquele plano e aquela forma de jogar chegassem.

Mas os Thunder obrigaram-nos a cavar mais fundo, a não se acomodarem com as primeiras opções e soluções, a procurar alternativas, a ter de movimentar mais a bola e a trabalhar mais no ataque.

Frente à versátil, móvel e longa defesa dos Thunder já não encontravam uma boa situação de lançamento após um ou dois passes e já não conseguiam criar lançamentos fáceis com um pick and roll ou com uma combinação entre dois ou três jogadores. Não, os Thunder obrigaram-nos a fazer muito mais. A fazer vários bloqueios e cortes, a atacar o cesto, a passar e a rodar e mudar a bola de lado até encontrar uma brecha na defesa. Até algum defensor falhar uma troca ou não acompanhar um corte ou chegar tarde a um lançamento ou abrir um caminho para o cesto. Contra os Thunder, tiveram de se esforçar mais. E melhor. 

E é por isso que esta desvantagem pode ter sido a melhor coisa que aconteceu aos Warriors. Esta equipa ainda não tinha sido testada e levada ao limite desta forma. Enfrentaram uma adversidade que nunca tinham enfrentado e foram obrigados a elevar o seu nível de jogo. Foram obrigados a crescer. E saem desta série uma equipa melhor.

Rudy Tomjanovich disse para nunca subestimarmos o coração de um campeão. Nesta série, os Warriors descobriram o seu. Um coração que ainda não tinham precisado de usar e que, perante a maior dificuldade que já enfrentaram, descobriram que tinham. No seu pior momento, os Warriors descobriram que são isso mesmo: guerreiros.

12.5.16

(Life) Coach Pop


Estas palavras de Gregg Popovich são um verdadeiro conselho para a vida. Como escreveu o Alberto de Roa, todos precisamos de um desconto de tempo do Pop em algum momento da vida:


6.5.16

MVP #033 - Sempre a subir


O episódio desta semana do MVP é extra especial. É a primeira vez (de muitas, esperemos) que temos a presença de um convidado internacional e com uma ligação direta à NBA:
Daequan Cook, ex-jogador dos Heat, Thunder, Rockets e Bulls e vencedor do Concurso de Triplos de 2009, é o nosso convidado desta edição. 

Estivemos à conversa com ele no Pavilhão da Luz, após um treino do Benfica, e falámos sobre as meias finais de conferência (e sobre os seus Heat e Thunder), a free agency de Durant, a possibilidade duma reunião KD-Scott Brooks em Washington e o impacto de Brooks nos Wizards. Cook fez ainda uma previsão ousada para as Finais da NBA e deu também a sua opinião sobre a atribuição do título de co-MVP a Draymond Green:


14.4.16

Pela última vez, Kobe foi Kobe


Na hora da despedida, Kobe foi Kobe. 
60 pontos e o cesto da vitória. Mas com 50 lançamentos e “hero ball” ao extremo. Foi um bom resumo da carreira do Black Mamba. Uma carreira de feitos e números individuais extraordinários, capaz de esticar os limites do humanamente possível, mas feita à sua maneira.

Como já escrevemos aqui, é um legado complicado, o de Bryant:

“Tem números extraordinários, mas não da forma mais eficiente e muitas vezes de forma contrária aos fundamentos do jogo. Números individuais extraordinários, mas feitos à maneira dele e, muitas vezes, em prejuízo da própria equipa.

A mesma dicotomia que encontramos no seu talento. Kobe é o jogador mais talentoso da sua geração e um dos jogadores mais talentosos de sempre, mas muitas vezes não usava esse talento da forma mais colectiva. Quis sempre fazer as coisas à sua maneira e nem sempre essa era a melhor maneira. Só que conseguia ter sucesso jogando dessa forma errada devido a esse talento extraordinário.

E a mesma dicotomia que encontramos na sua personalidade. Um jogador que queria ganhar acima de tudo, mas nos seus termos e condições. Queria ganhar, mas numa equipa onde ele fosse o líder e melhor jogador. Queria ter sucesso colectivo, mas sem sacrificar o seu sucesso individual.”


Ontem, foi assim mais uma vez. Kobe estabeleceu o máximo de pontos num jogo desta temporada (ultrapassou os 59 de Anthony Davis), mas também estabeleceu o máximo de lançamentos tentados (desta temporada e dos últimos 30 anos! Lançou 50 vezes em 42 minutos de jogo!). Kobe fez mais um feito heróico, mas o ataque dos Lakers durante todo o jogo resumiu-se a passar-lhe a bola e deixá-lo jogar 1x1 (ou 1x2 ou 1x3).

Foi um jogo que tanto dá argumentos aos fãs para o glorificarem como aos haters para o atacarem. E essa é a melhor saída de cena possível para um dos jogadores mais amados e odiados de sempre.

Por uma última vez, Kobe foi herói. E por uma última vez, foi vilão. Pela última vez, Kobe foi Kobe. Não podia ter sido uma despedida mais perfeita. Podemos amá-lo, podemos odiá-lo. Mas vamos com certeza sentir a sua falta.

8.4.16

MVP #028 - Pop à moda do Porto



O jornalista d'O Jogo e autor da coluna semanal 24 Segundos Tiago Fonseca é o nosso convidado desta semana no podcast MVP. O Tiago esteve duas semanas em San Antonio a acompanhar a equipa dos Spurs e veio contar-nos como foi essa experiência única e de sonho. Foi um episódio para meter nojo e deixar-nos roídos de inveja, portanto. 
Antes, ainda analisámos o terceiro round entre Warriors e Spurs que se jogou esta noite:

22.3.16

Onde é que queres estar no dia 13 de Abril de 2016?


Gostarias de estar em Los Angeles, na primeira fila do Staples Center, a assistir ao último jogo da carreira de Kobe Bryant? Quem não gostaria, não é? Pois tens aqui uma hipótese de conseguir isso:


Kobe Bryant, numa parceria com o site de donativos Omaze, vai oferecer dois bilhetes na primeira fila para o seu último jogo. E ouviram bem, não é só para residentes nos Estados Unidos. Qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, pode participar e os vencedores terão a viagem e a estadia pagos.

Sim, as probabilidades não estão a nosso favor e é, literalmente, uma lotaria. Mas é melhor uma hipótese num milhão do que nenhuma hipótese. Eu já me habilitei. Façam figas.

5.3.16

Descubra as diferenças


Vamos fazer um jogo e descobrir as diferenças entre a última posse de bola dos Celtics e a última posse de bola dos Knicks no jogo de ontem entre as duas equipas:




E as Soluções:

CELTICS: reposição de bola na linha lateral do lado direito, com os 5 jogadores preparados e em posição.

O Jae Crowder faz um bloqueio ao Avery Bradley, enquanto o Isaiah Thomas abre para um canto e o Jared Sullinger abre para o outro.


O Evan Turner, que está a repor a bola, passa para o Bradley e vai-lhe fazer um bloqueio directo.


O Bradley aproveita o bloqueio e penetra em drible pelo lado direito.

O Langston Galloway e o Lance Thomas são lentos na troca defensiva e Bradley ganha vantagem e fica à frente do defensor. Nesta altura, a jogada dá-lhe três opções: 1- continuar o drible e lançar na passada; 2 - assistir para o Sullinger, se o Robin Lopez vier à ajuda; 3- assistir para o Thomas, se o Afflalo viesse à ajuda.



Como conseguiu manter a posição à frente do defensor, o Lopez hesitou e ficou a meio na ajuda e o Afflalo não largou o Thomas, Bradley não teve de recorrer as opções 2 ou 3 e fez ele mesmo o lançamento, que se veio a revelar o cesto da vitória.


KNICKS: reposição de bola na linha lateral do lado direito, com os 5 jogadores sem saber o que fazer e incertos das posições que devem ocupar e das movimentações que vão fazer.



O Calderon não sabe para que lado ir, o Lance Thomas não sabe se há-de bloquear o Calderon ou o Porzingis e acaba por não bloquear nenhum, o espanhol esboça um corte para o canto, o letão não faz nada e, sem fazerem qualquer bloqueio ou movimentação, Carmelo acaba por abrir para fora da linha de três pontos.


Carmelo ganha posição de costas para o cesto a dois metros da linha, recebe a bola numa posição desfavorável, dá um drible e lança um triplo em desespero com dois defensores em cima.



Diferença entre uma jogada bem desenhada e bem executada na última posse de bola e uma má jogada (ou uma ausência de jogada, para ser mais exacto) na última posse de bola? Com a primeira vais para casa com uma vitória, com a segunda levas um "L" contigo.

26.2.16

MVP #022 - E o Óscar vai para...




Domingo é noite de Óscares, por isso, no episódio desta semana do MVP, os humoristas e autores do podcast Private Joke Guilherme Fonseca e Pedro Rodrigues Silva (poderão reconhecer o Guilherme do Curto Circuito e do programa do Canal Q "Graças a Deus" e os nossos leitores mais antigos lembrar-se-ão que o Pedro escreveu durante uns tempos uma coluna aqui no SeteVinteCinco) juntaram-se a mim e ao Ricardo para uma edição dedicada aos Óscares da NBA.
Antes, falámos ainda do backcourt do momento e, no fim, como habitualmente, obrigámos os nossos convidados a vestir a pele de uma conhecida personagem da liga:

19.2.16

MVP #021 - Dose dupla de MVP


Esta semana, temos MVP a dobrar. Como prometido na semana passada, o jornalista d'A Bola Miguel Candeias regressou ao podcast para nos contar como foi a viagem a Toronto e fazermos um balanço do Fim de Semana All Star. E como ontem foi dia de "trade deadline", estivemos também à conversa sobre as principais trocas que aconteceram.


Foi por aqui que começámos, na primeira parte do episódio desta semana:





Na segunda parte, fizemos então um balanço do Fim de Semana All Star, falámos do melhor e do pior que aconteceu em Toronto e o Miguel contou-nos algumas das aventuras que viveu por lá (e de como ganhou 100 dólares a DeMarre Carroll):

17.1.16

Grande Ben


Imaginem um poste com 2,02m, sem técnica individual, sem movimentos ofensivos, incapaz de jogar de costas para o cesto e com um mau lançamento. Não lhe augurariam grande sucesso na NBA, pois não? Foi o que os olheiros e general managers da liga também não auguraram a Ben Wallace. 

Após uma carreira universitária longe dos holofotes na divisão II da NCAA, Wallace, previsivelmente, não foi seleccionado no draft de 1996. Acabou por conquistar um lugar no fundo do banco dos (então) Washington Bullets e foi por lá que passou a sua época de rookie (foi utilizado apenas em 34 jogos e uma média de 5 mins/jogo nesse ano).
No seu segundo ano, aproveitou a oportunidade que algumas lesões na equipa lhe deram e jogou um pouco mais (16.3 mins/jogo), mas continuou a ser apenas mais um role player da liga a tentar conquistar o seu nicho.

Em 1999, seguindo um caminho familiar a tantos outros role players, foi um dos jogadores incluído numa troca com os Magic por Ike Austin (um poste que os Wizards acreditavam ter muito mais potencial e pelo qual deram Ben Wallace e mais três jogadores).
Nessa época de 1999-2000, tornou-se o poste titular dos Magic e teve o ano mais produtivo da carreira até ali: 4.8 pts, 8.2 res e 1.6 dl, em 24 mins/jogo.

Mas em 2000 continuou a sua vida de saltimbanco, foi incluído no sign and trade de Grant Hill (Wallace foi incluído no negócio para os Magic libertarem espaço salarial e poderem oferecer um contrato maior a Hill) e enviado para os Pistons. E foi aí, em Detroit, que começou a lenda de Big Ben.

Nos anos seguintes, Ben Wallace tornou-se o pilar da melhor defesa da liga e a maior estrela da NBA desse lado do campo (e um dos melhores de sempre desse lado do campo). Em 2001-02 liderou a liga em ressaltos E desarmes de lançamento (13 e 3.5, respectivamente); em cinco anos ganhou 4 vezes o prémio de Defensor do Ano (só ele e Dikembe Mutombo ganharam o prémio tantas vezes); e foi quatro vezes All Star sem nunca ter marcado mais de 10 pts por jogo. Para além, claro, de campeão em 2004, naquelas memoráveis Finais onde os Pistons surpreenderam os mais-que-favoritos-Lakers e os 2,02m (generosamente listados como 2,06m) de Wallace fizeram o impossível na defesa a Shaquille O'Neal.


Nunca houve outro jogador como Ben Wallace, que alcançou o estrelato como poste da NBA apesar de ser muito baixo para a posição, não ter quase nenhuma técnica individual ofensiva e não saber lançar. Big Ben era todo garra e coração. Um exemplo de como o trabalho, o esforço e a determinação podem levar alguém longe.
E agora, desde ontem à noite, todo esse trabalho, esforço e determinação estão imortalizados no topo do Palace of Auburn Hills. A lenda do Grande Ben vive para sempre:



15.1.16

Um raio não cai duas vezes no mesmo sítio?


Da primeira vez que os Pistons e os Grizzlies se enfrentaram, o jogo acabou assim:



E esta noite, acabou assim:



Bem, os Pistons já não devem poder ver os Grizzlies à frente.

30.12.15

Curry a mais?


Está Stephen Curry a fazer mal ao jogo de basquetebol? Segundo o seu ex-treinador, está. 
Mark Jackson, treinador dos Warriors entre 2011 e 2014 e actual comentador da ABC afirmou, durante a transmissão do jogo Warriors x Cavs, que "até certo ponto, ele está a fazer mal ao jogo. E o que eu quero dizer com isso é que vou aos jogos de liceu, vejo aqueles miúdos, e a primeira coisa que eles fazem é correr para a linha de três pontos. Não és o Steph Curry. Trabalha nos outros aspectos do jogo. As pessoas pensam que ele é só um atirador certeiro."

Terá Jackson razão? Sim e não. Ou melhor: não tem razão, mas entendo o que ele quis dizer e ele levanta uma questão pertinente. Só que escolheu mal (muito mal) as palavras.

Nenhum jogador que faz coisas que nunca foram feitas faz mal ao jogo. Dr. J e Jordan, quando voaram como nunca ninguém tinha feito, não fizeram mal ao jogo. Magic, quando passou a bola como nunca ninguém tinha feito, não fez mal ao jogo. Pete Maravich, quando manejou a bola como nunca ninguém tinha feito, não fez mal ao jogo.

Estes jogadores fizeram o jogo evoluir e levaram-no mais longe. Mostraram-nos novas jogadas, acrescentaram novos movimentos e novas possibilidades. Tornaram o jogo melhor e mais excitante e conquistaram milhões de miúdos para o jogo. Que é o que Curry está também a fazer. Quando ele lança como nunca ninguém lançou não faz mal ao jogo. Faz bem. 

Mas (e é esta a questão pertinente a que Jackson, nos seus modos errados, se referia) também coloca desafios novos. Coloca desafios diferentes aos treinadores e à formação de jogadores. Falem com qualquer treinador de formação e ele irá confirmar-vos isso. Os miúdos querem ser como ele. E isso é bom e mau.

Os miúdos da minha geração queriam ser como o Jordan. E todos queriam fazer lançamentos a cair para trás como ele. Quantos o conseguiam fazer bem? Cerca de ... zero. 
Isso fez mal ao jogo? Não, mas criou um desafio novo. Os treinadores tiveram de lhes explicar que antes de tentar executar um lançamento daqueles em jogo, tinham muitos fundamentos para aprender primeiro.

A longo prazo, só fez bem ao jogo e deu origem a gerações de jogadores mais criativos e com arsenais ofensivos mais variados. Tal como vai acontecer com Curry. Daqui a 5 ou 10 anos vamos ter mais e melhores lançadores por causa dele. 
Mas, a curto prazo, também vamos ter muitos miúdos a tentar lançamentos que não conseguem ainda fazer e muitos treinadores a explicar que antes de poderem chegar ao ataque e lançar a um metro da linha de 3 pontos têm muito que treinar e muitos milhares de lançamentos que fazer antes.

Com cada novo exemplo vem também a necessidade de explicar, enquadrar e relativizar aquilo que é feito. É esse o desafio que Curry traz. Isso não é bom para o jogo? Não. É óptimo.