É nos maus momentos, quando as coisas estão negras, quando tudo parece perdido, quando a pressão e a exigência são máximas e não há qualquer margem para errar, que se vê aquilo de que alguém é realmente feito. E os Warriors, no seu pior momento, mostraram que também são feitos de força, determinação, coração e garra.
Até estas finais de conferência, as maiores adversidades por que a equipa de Golden State tinha passado eram as desvantagens de 1-2 nos playoffs do ano passado (na segunda ronda contra os Grizzlies e nas Finais contra os Cavaliers). E, verdade seja dita, em nenhuma dessas ocasiões os Warriors pareceram realmente em apuros. Nenhuma delas inspirou mais do que uma leve preocupação e em ambas reinou a sensação (confirmada depois) de que bastava jogarem o seu normal para recuperarem.
Ao contrário do que aconteceu nesta série com os Thunder. Desta vez, estiveram mesmo encostados às cordas e à beira da eliminação. Desta vez, o fim da temporada dos actuais campeões esteve por um triz.
Até esta série, tinha bastado aos Warriors jogarem o seu normal para ultrapassar as equipas que lhes apareceram pela frente. Mais tarde ou mais cedo, as outras equipas não conseguiam acompanhar o ritmo. Mais tarde ou mais cedo, os lançamentos começavam a entrar e bastava um parcial daqueles para descolarem no marcador. Até agora, o plano A dos Warriors tinha sido suficiente. E eles sabiam que, com mais ou menos dificuldade, no fim, o talento ia assegurar-lhes a vitória.
Nos jogos 3 e 4, quando levaram aquelas duas sovas em Oklahoma, foi isso que pareceram. Uma equipa que estava habituada a que aquele plano e aquela forma de jogar chegassem.
Mas os Thunder obrigaram-nos a cavar mais fundo, a não se acomodarem com as primeiras opções e soluções, a procurar alternativas, a ter de movimentar mais a bola e a trabalhar mais no ataque.
Frente à versátil, móvel e longa defesa dos Thunder já não encontravam uma boa situação de lançamento após um ou dois passes e já não conseguiam criar lançamentos fáceis com um pick and roll ou com uma combinação entre dois ou três jogadores. Não, os Thunder obrigaram-nos a fazer muito mais. A fazer vários bloqueios e cortes, a atacar o cesto, a passar e a rodar e mudar a bola de lado até encontrar uma brecha na defesa. Até algum defensor falhar uma troca ou não acompanhar um corte ou chegar tarde a um lançamento ou abrir um caminho para o cesto. Contra os Thunder, tiveram de se esforçar mais. E melhor.
E é por isso que esta desvantagem pode ter sido a melhor coisa que aconteceu aos Warriors. Esta equipa ainda não tinha sido testada e levada ao limite desta forma. Enfrentaram uma adversidade que nunca tinham enfrentado e foram obrigados a elevar o seu nível de jogo. Foram obrigados a crescer. E saem desta série uma equipa melhor.
Rudy Tomjanovich disse para nunca subestimarmos o coração de um campeão. Nesta série, os Warriors descobriram o seu. Um coração que ainda não tinham precisado de usar e que, perante a maior dificuldade que já enfrentaram, descobriram que tinham. No seu pior momento, os Warriors descobriram que são isso mesmo: guerreiros.