30.4.11

E como os Grizzlies ganharam a série


Se no post anterior analisámos a forma como a equipa de Memphis deixou escapar aquele jogo 5 que tinha na mão, depois da grande vitória de ontem temos de lhes dar o crédito devido e destacar o que foi mais impressionante nas suas exibições desta série.

E se a vitória dos Grizzlies (apenas a 4ª vez que um 8º elimina o 1º) e a forma como se superiorizaram aos Spurs ao longo de toda a série foi uma grande surpresa, aquilo que mais surpreendeu foi a maturidade e a compostura que eles apresentaram. Se não olhássemos para os BI's (ou para as rugas na cara de muitos Spurs!) e tivéssemos que dizer qual era a equipa mais veterana, não teríamos uma tarefa fácil. Se olharmos apenas para a maneira como as equipas se comportaram em campo, os Grizzlies pareceram uma equipa veteraníssima e rodada nestas andanças.


Logo no primeiro jogo, aguentaram a pressão de uma partida fora e renhida até ao último segundo e conquistaram uma vitória inesperada em San Antonio. Depois duma vitória dos Spurs no segundo jogo (o único, de toda a série, em que jogaram melhor que os Grizzlies), voltaram a Memphis e, num FedEx Forum lotado, dominaram os jogos 3 e 4 e ganharam uma vantagem (3-1) que apenas 8 equipas na história da NBA conseguiram virar.

No jogo 5, mesmo com os Spurs encostados às cordas (e em San Antonio!), voltaram a ser os Grizzlies a jogar melhor e só não fecharam logo ali a série pelas razões já expostas no post anterior. E este foi o único momento de todos os 6 jogos em que os Grizzlies tremeram e revelaram a sua inexperiência. Depois do miraculoso buzzer-beater de Gary Neal e depois de já estarem a pensar que tinham a série ganha, não conseguiram recuperar da desilusão desse final de jogo, desconcentraram-se e no prolongamento foram uma presa fácil.

Este poderia ser um momento de viragem na série. Equipas veteranas aproveitam momentos como esse para se motivar e partir para cima do adversário e equipas inexperientes podem quebrar e ceder à pressão. O jogo 6 era uma prova de fogo para a jovem equipa de Lionel Hollins. E como a passaram com distinção! Estiveram à frente durante quase todo o jogo e mostraram-se calmos, focados e determinados. Equilibrados no ataque, a rodar bem a bola, a não forçar lançamentos, parecia que faziam aquilo há anos. Outra prova de fogo chegou a 4:40 do fim: os Spurs passaram para a frente pela primeira vez desde os 0-2. Era outro momento em que parecia que os rodados Spurs iam assumir o controlo do jogo. Mas os Grizzlies saíram do desconto de tempo com um parcial de 12-2 que lhes deu uma vantagem de 9, a 1:11 do fim. Estava selado o destino do jogo e da eliminatória.

E o jogador que melhor simboliza esta inesperada maturidade e compostura dos Grizzlies é Zach Randolph. Depois duma carreira de grandes números em equipas perdedoras, problemas disciplinares e críticas à sua motivação, dedicação e ética de trabalho (pronto, ele era um nut case!), Z-Bo tornou-se um jogador muito regular e fiável. Abraçou o papel de líder e se haviam dúvidas como ele produziria neste nível onde nunca tinha estado, o roliço power forward respondeu a todas elas. Dominou o garrafão, ninguém nos Spurs o conseguiu parar e assumiu a responsabilidade no final dos jogos. Foi o seu líder, o seu go-to guy, o seu clutch player e o seu MVP (21.5 pts, 9.2 res e 3.3 ast, com 50% nos 2pts e 82.1% nos LL).

A vitória dos Grizzlies já não era esperada por muitos (e fora de Memphis não devia ser esperada por ninguém!), mas a forma segura e controlada com que o fizeram? Foi, sem dúvida, a maior surpresa desta primeira ronda.

28.4.11

Como os Grizzlies perderam o jogo


A esta hora podiam estar de volta a Memphis e a celebrar uma vitória histórica sobre os primeiros classificados. Podiam ter sido recebidos como heróis. Podiam ter feito manchetes por todo o mundo. Podiam estar já a descansar e a preparar-se para a segunda ronda frente aos Thunder. Mas por 1.7 segundos não estão.

Estão de volta a Memphis, sim. Mas a prepararem-se para um difícil e decisivo jogo 6 frente aos Spurs. Tiveram a série nas suas mãos, mas deixaram escapar. Porque apesar de todo o mérito que teve Gary Neal naquele lançamento milagroso, foram más decisões defensivas que custaram o jogo aos Grizzlies.

Os Spurs estavam a perder por 3 pontos, com 1.7'' para jogar. Os Grizzlies sabiam que eles iam tentar obrigatoriamente um triplo. Não tinham tempo para mais nada. Tinham então, os de Memphis, duas opções: ou fazer falta ou defender a todo o custo a linha de 3 pontos. Não fizeram nem uma nem outra. Fizeram isto:



A questão de fazer falta nestas situações é uma já largamente debatida e polémica. Fazer logo falta, dar dois lances livres à outra equipa e não os deixar tentar um lançamento de 3? Ou defender e tentar contestar o lançamento triplo?
Aparentemente a lógica diz que se deve fazer falta e assim permitir apenas dois pontos. Mas na prática é mais difícil que isso. Porque depende do local onde é a reposição da bola, depende de onde o atacante recebe a bola e depende de como é feita essa recepção. E no segundo lançamento livre o atacante vai obrigatoriamente falhar de propósito para tentarem um ressalto ofensivo e uma tapinha. Será esse ressalto ofensivo mais fácil de defender que o lançamento de 3 pontos?
Essa é uma questão que ficará para outro post, mas para já vamos apenas dizer que os Grizzlies optaram (e bem, na nossa opinião) por não fazer falta e defender o previsível lançamento de três pontos. E foi aí que falharam redondamente.

A jogada começa com George Hill a cortar na diagonal, pelo meio do garrafão, para ocupar uma posição no canto esquerdo do campo. Ao mesmo tempo, Antonio McDyess faz um bloqueio a Tim Duncan na cabeça do garrafão. Os Grizzlies trocam neste primeiro bloqueio, com Darrell Arthur a ficar com McDyess e Shane Battier a ficar com Duncan. Depois Duncan, defendido por Battier, vai fazer um segundo bloqueio do outro lado da cabeça do garrafão, a Gary Neal.
Aqui a estratégia dos Spurs é clara: libertar Neal para um triplo acima do garrafão, ou numa segunda opção (de recurso, caso Neal não consiga receber), passar a Hill no canto.
E foi aqui que Shane Battier (que ainda por cima é um dos melhores defensores da equipa e da NBA) errou.

Quando Duncan faz o bloqueio, Battier não trocou. Já esta decisão foi errada, porque a ameaça aqui era Gary Neal. Mesmo que Duncan ficasse sozinho, Ginobili não lhe ia passar a bola e, mesmo que passasse, Duncan receber a bola dentro da linha de 3 pontos garantia a vitória.
Mas depois faz pior, ao nem sequer dar o tempo de ajuda (que se exige quando não se troca num bloqueio) à frente de Neal, para tapar a linha de passe e dar tempo a OJ Mayo para ultrapassar o bloqueio e recuperar.
Assim, Neal conseguiu sair do bloqueio sem oposição, receber em boa posição e com espaço para lançar. O que podia (e devia) ter sido um triplo muito contestado e sob a pressão intensa de dois defesas, tornou-se um triplo em boa posição e com um defesa que chegou atrasado e nunca esteve em posição de contestá-lo verdadeiramente.

Diz-se que os pequenos pormenores decidem os grandes jogos. E nos playoffs um pequeno pormenor pode decidir uma série. Nos playoffs a experiência conta. E os Grizzlies aprenderam isso ontem. Ou assim esperam em Memphis.

26.4.11

Uma conclusão, uma surpresa e um dilema


Que fantásticos que estão estes playoffs de 2011! Brent Barry disse ontem na NBA TV, no final do jogo Mavs-Blazers, que estes estão a ser os melhores playoffs de que ele se lembra. E quem somos nós para dizer o contrário. Há muitos anos (se é que alguma vez!) que não havia tantas primeiras rondas tão boas. Muitas vezes, estas eram mais previsíveis e os top seeds passavam (quase) todos. Salvo uma ou outra surpresa ocasional, era apenas a partir da segunda ronda que as coisas começavam a ficar realmente interessantes. Mas este ano, bem, mais emoção e incerteza era dificil de pedir para uma primeira ronda.

A jornada de ontem foi mais uma memorável nesta memorável ronda. Num jogo intenso, os Mavs ganharam vantagem num duelo que está electrizante e em Memphis, um 8º classificado está à beira de, apenas pela quarta vez na história, eliminar um 1º. E os Denver sobreviveram mais um dia.

Para além disso, os bi-campeões não conseguem descolar dos Hornets e os Hawks, com uma estratégia que se está a revelar brilhante (lá iremos num dos próximos posts), têm os (melhores classificados) Magic encurralados. E, pronto, nas outras reinou (ou está a reinar) a normalidade. Mas quatro séries extraordinárias em oito já é uma excelente média.

E de tudo isto podemos retirar uma conclusão, uma surpresa e um dilema.

A conclusão é que não precisam reduzir o número de equipas na NBA para aumentar a competitividade. Esta questão foi levantada durante a época a propósito do acordo colectivo de trabalho (e da reunião dos Três Super-Amigos em Miami). No meio de toda a conversa em torno da negociação de um novo acordo, surgiu a ideia da contracção da liga. Originalmente uma ideia estritamente financeira (cortar equipas de mercados mais pequenos que não tivessem lucros), alastrou depois para o plano basquetebolístico e passou a ser defendida por muitos jornalistas e comentadores como uma forma de subir o nível da competição. O nível competitivo está diluído, os melhores jogadores estão espalhados por muitas equipas e há jogadores fracos que só têm lugar na NBA porque há tantas, dizem eles. Só um punhado delas é que luta pelo título e com menos equipas, haveria mais equilíbrio, acrescentam.


Com o influxo de jogadores estrangeiros dos últimos anos, a NBA é cada vez mais global e no mundo não há jogadores suficientes para 30 equipas competitivas? Pois bem, se estes playoffs nos mostram alguma coisa é que há jogadores suficientes para fazer muitas equipas fortes. E há muito equilíbrio na NBA. E não é nivelado por baixo.

Por outro lado, reduzir o número de equipas seria, para além duma cedência às equipas dos grandes mercados que querem concentrar os melhores jogadores nos seus plantéis, uma renúncia ao esforço e ao trabalho. Se há coisa em que a NBA sempre se diferenciou, é a mostrar que o trabalho compensa. Isto é um problema do desporto americano, porque nas outras ligas profissionais (futebol americano, hoquéi, basebol), é possível construir uma equipa de topo duma época para a outra. Na NBA pode demorar anos. Mas é também isso que faz a beleza desta liga.

"3-1? Para quem? Para nós?! A sério?!"

O que nos leva até à surpresa da (re)construção dos Memphis Grizzlies. O general manager Chris Wallace foi enxovalhado por todos quando trocou Pau Gasol e recomeçou do zero (estavam entre as oito melhores do Oeste, mas não davam grandes perspectivas de subir muito mais; perderam sempre na 1ª ronda e sempre por 4-0), mas está agora a colher os frutos dessa estratégia. Ter paciência, construir através do draft, adicionando e desenvolvendo jovens talentosos e contratar alguns veteranos para complementar a equipa está a revelar-se uma receita de sucesso.
O percurso até aqui não foi isento de erros e más decisões (escolher Hasheem Thabeet no nº 2 do draft vai sempre persegui-los, por exemplo), mas é um exemplo de como se pode construir uma equipa vencedora num mercado pequeno. Quando se falava de contracção, os Grizzlies eram um dos nomes que surgiam como exemplo do tipo de equipa que podia/devia abandonar a liga para esta ser melhor. Pois bem, agora quando se fala deles, fala-se de uma das séries mais inesquecíveis das últimas décadas (se os Grizzlies ganharem, entra directamente no top das 10 melhores aqui do post anterior).

Por último, temos o dilema de Portland. Como ficou mais uma vez demonstrado neste jogo 5, Andre Miller e Brandon Roy não rendem juntos. São jogadores semelhantes, que precisam de ter a bola nas mãos para produzir. Ambos baseiam o jogo em penetrações e lançamentos de meia distância. Brandon Roy usa essas armas mais para marcar, mas também atrai defesas e assiste. Andre Miller usa-as mais para assistir, mas também marca pontos. Ambos são o tipo de base que é mais eficaz a jogar ao lado de um atirador. E nenhum deles é um spot up shooter. Sim, Brandon Roy tem um lançamento de longa distância que Miller não têm, mas mesmo aí é mais eficaz quando lança após drible ou cria o seu lançamento.

"Par ou ímpar? Um, é ímpar, é a minha vez!"

Como se viu ontem, quando Miller e Roy estão juntos no backcourt não se complementam e atacam à vez. Quando Miller tem a bola nas mãos, Roy desaparece no ataque. E quando Roy tem a bola nas mãos, Miller é redundante.
E essa é também uma das razões do baixo rendimento de Brandon Roy. É claro que os joelhos tem um papel no seu apagamento, mas já antes das operações, era claro que os dois tinham dificuldades a jogar juntos. No jogo 4, em que Roy fez aquele fenomenal 4º período? Miller estava no banco.

Este é um dilema que os Blazers vão ter de resolver mais tarde (com qual ficam? Apostam em Roy, mais novo, mas com joelhos incertos? Ficam com Miller, que já tem 34 anos? Não ficam com nenhum?), mas para já Nate McMillan tem um problema mais urgente: como conseguir rendimento dos dois jogadores. Colocando-os em campo alternadamente? E qual deve jogar mais tempo? Insistindo nos dois a jogar juntos? E como pode fazê-lo? Seja qual for a resposta, McMillan tem de encontrá-la rapidamente. O futuro dos Blazers nestes playoffs depende disso.


25.4.11

As 10 melhores primeiras rondas de sempre


Chris Paul, a fazer picadinho da defesa dos Lakers, carrega os Hornets até ao 2-2. Os Grizzlies levam os primeiros classificados Spurs às cordas. Os Hawks deixam os Magic à beira do KO. E os Mavs e os Blazers trocam golpes.

Se ontem falámos da elevação de nível e da evolução do próprio jogo que os playoffs proporcionam, podemos ver que não é apenas tácticamente que a segunda fase da temporada é mais rica. As emoções também atingem um patamar único nesta fase. Quem perde vê a época terminar, os jogos são de tudo ou nada, os pavilhões estão esgotados, os fãs são mais barulhentos que nunca e os jogadores estão mais motivados (e excitados) que em qualquer outro momento. A temporada regular tem emoção, mas nos playoffs é quando o coração fica todo em campo e a temperatura atinge picos inauditos. É mais uma dimensão que nos faz adorar os playoffs.


Por isso, ainda a propósito destes momentos únicos que os playoffs nos proporcionam, não percam este artigo no College Crunch, com as dez melhores primeiras rondas desde 1984, quando os playoffs adoptaram o formato actual com 16 equipas.

Vamos ver se quando estas primeiras rondas de 2011 estiverem terminadas, não há alguma que vai ocupar um lugar neste top. Para já, temos várias candidatas.

24.4.11

O melhor basquetebol do mundo


Todos os anos por esta altura somos relembrados porque gostamos tanto de basquetebol e da NBA. Jogos emocionantes, resultados incertos, exibições individuais extraordinárias e soluções tácticas engenhosas. É por isso que gostamos tanto dos playoffs! É quando os jogos são mesmo a sério, quando os treinadores e jogadores tiram todas as cartas da manga e utilizam todos os recursos à sua disposição. É quando o basquetebol da NBA atinge o seu expoente máximo.

Não é que a temporada regular não tenha estes ingredientes, mas nos playofs tudo é elevado a um outro nível. A temporada regular tem emoção, resultados e jogos imprevisíveis, jogadas espectaculares e sistemas defensivos e ofensivos excitantes, mas as equipas costumam manter-se fiéis a um sistema. Apesar dos scouting reports e da preparação que cada equipa faz para cada jogo, é comum manterem-se dentro do seu sistema e não sairem dele para vencer um jogo isolado. Nessa fase regular, cada equipa está focada em si, em praticar as suas jogadas, em dominar as suas movimentações e criar rotinas individuais e colectivas. São 82 jogos para praticar e consolidar o seu sistema.

As soluções táticas são mais genéricas. O foco é "o que nós temos de fazer e saber" e não "o que temos de fazer para ganhar à equipa x". Para além disso, os treinadores não querem revelar todas as suas armas nesta primeira fase e, principalmente na defesa, optam pelas soluções standard. Nos playoffs, por outro lado, há um estudo do adversário e um planeamento em função deste que não ocorre nos 82 jogos da fase regular. A temporada regular é standard. Os playoffs são personalizados. É a altura de tirar os coelhos da cartola. Nos playoffs é quando o jogo de xadrez começa.



E o facto de termos várias partidas entre as mesmas equipas eleva o nível do jogo a um patamar inédito no resto do ano. Podemos ver isto, por exemplo, na série entre os Bulls e os Pacers.

Nos dois primeiros jogos, os Pacers defenderam Rose da forma "normal": defesa individual, em meio-campo, com o defensor (Darren Collison ou Paul George) a tentar manter-se na sua frente para impedi-lo de penetrar. Quando havia penetração (e houve muitas), vinha a ajuda dos jogadores interiores. Fundamentos defensivos. Coisa dos livros, standard. Se fosse um jogo da temporada regular, ficava por aqui (com os resultados que teve) e as equipas partiam para o próximo jogo. Mas estamos nessa bela época que são os playoffs.

Depois de Rose ter, praticamente sozinho, desmantelado a defesa dos Pacers (37.5 pts de média) nesses dois jogos, no terceiro, Frank Vogel reagiu e mudou a defesa: começou a fazer dois contra um a Rose, muitas vezes antes do base dos Bulls passar o meio-campo. Ele era obrigado a passar logo a bola e assim conseguiam impedir as suas penetrações e também manter a bola fora das suas mãos.


Apercebendo-se da disrupção que isto provocava no ataque dos Bulls, Tom Thibodeau respondeu a essa estratégia, fazendo algo que nunca fez na temporada regular: colocou Rose e CJ Watson em campo ao mesmo tempo, para ter outro base que pudesse controlar a bola.

É este tipo de riqueza táctica que não vemos na temporada regular. É isto que os playoffs fazem à NBA (e ao basquetebol): elevam o nível de jogo, obrigam a soluções criativas e inovadoras. Obrigam as equipas a tentar soluções diferentes. Fazem o jogo evoluir. E é essa dimensão estratégica que torna os playoffs o momento mais alto da melhor liga do mundo. Em suma, oferecem-nos momentos únicos de basquetebol. Oferecem-nos o melhor basquetebol do mundo.

23.4.11

Bynum diz "Presente!"


Os Lakers recuperaram o controlo da série com os Hornets. E se Kobe continua a ser a ameaça de sempre e Gasol recuperou de dois jogos fraquinhos e voltou ao seu nível e Odom continua a contribuir em grande como sexto homem, uma diferença ressalta (sem qualquer trocadilho!) em relação aos anos anteriores: Andrew Bynum.

O jovem poste sempre foi apontado (não só por jornalistas e comentadores, mas também pelo próprio Phil Jackson e por companheiros de equipa) como uma peça-chave para os Lakers serem uma equipa dominadora. Mas nos playoffs das três épocas anteriores esteve sempre ausente ou limitado por lesões. Apesar disso não ter impedido a equipa de Los Angeles de atingir as Finais nesses três anos (e ganhá-las nos últimos dois), ficou sempre a ideia que com Bynum saudável (ou presente), teriam, de longe, o melhor frontcourt da liga e seriam uma equipa impossível de bater (uma ideia só reforçada pelos períodos em que ele jogava e os Lakers se mostravam a equipa e a defesa dominadora que podiam ser).

Em 2008, com a lesão naquele joelho problemático, não jogou nos playoffs (e, coincidentemente, os Lakers perderam a final). Em 2009, limitado e a jogar apenas 17.4 mins/jogo, teve médias de 6.3 pts, 3.7 res e 0.9 dl. Em 2010, de novo com limitações e a adiar uma cirurgia ao joelho até ao fim da época, jogou 24.4 mins/jogo e teve médias de 8.6 pts, 6.9 res e 1.5 dl. Este ano, o joelho ainda pregou um susto no fim da temporada regular, mas apresenta-se nos playoffs mais saudável que nunca. E a amostra de jogos ainda é pequena, mas está a jogar 30.7 mins/jogo, com médias de 14.7 pts, 10.3 res e 1.3 dl.

Bynum está a fazer os melhores playoffs de sempre e se ele continuar a jogar assim (e todos os outros continuarem no seu normal), os Hornets não ganham mais nenhum jogo. E quem vier a seguir vai ter uma tarefa muito difícil (impossível?). Se os Lakers já eram a equipa a bater no Oeste, com Bynum a fazer duplos-duplos e a proteger o cesto dos Lakers, só reforçam essa posição.
Nestes playoffs Bynum está a dizer "presente!". Algo que as restantes equipas devem levar muito a sério. E temer.

21.4.11

Oh Roy, Oh Roy...


Estes playoffs estão a ser tudo aquilo que se esperava. Ou não? A Este todas as séries seguem como previsto. Bulls, Heat e Celtics (com maior ou menor dificuldade) ganharam os seus jogos e lideram com um confortável 2-0 e aquela onde era possível uma surpresa está empatada.
Já a Oeste as coisas parecem um bocado trocadas. As séries que se esperavam renhidas (Mavs-Blazers e Thunder-Nuggets) estão 2-0 e aquelas que se previam mais desequilibradas, estão empatadas (mas, também, sempre dissemos que o Oeste seria mais imprevisível, não é?).

E no entanto, apesar dos resultados inesperados, só numa série as circunstâncias se alteraram significativamente. Os Lakers seguem empatados, mas mesmo assim os Hornets não parecem uma ameaça real (não será nenhuma surpresa se não ganharem mais nenhum jogo). Os Spurs empatados seguem, mas (como vimos no jogo 2) a sua experiência pode desequilibrar um jogo renhido (como se prevêem os próximos) para o seu lado. E a vantagem dos Thunder está a confirmar a sua evolução de pretendentes para candidatos (e o 2-0 é muito mais mérito deles que demérito dos Nuggets).

Onde muita coisa mudou e as previsões (incluindo a nossa) estão a ir por água abaixo, é para os lados de Portland. Esta era uma série que se previa muito renhida e, depois de adquirirem Gerald Wallace, pensava-se que os Blazers podiam ser uma equipa capaz de desafiar as melhores do Oeste. Junte-se isto às desilusões que os Mavs já nos habituaram nos playoffs e tinhamos todos os ingredientes para uma surpresa.

Mas a realidade tem sido bem diferente. Os Mavs parecem sólidos e confiantes e os Blazers tiveram em claro sub-rendimento nos dois primeiros jogos. E um jogador acima de todos personifica esse sub-rendimento: Brandon Roy. Nestes dois jogos, o ex-All Star está com as inacreditáveis médias de 1 pt, 1 res e 1.5 ass (em 17 minutos). É claro que, depois de ter os dois joelhos reconstruidos cirurgicamente, ninguém esperava que ele voltasse à sua forma de All Star ou voltasse a ser o melhor jogador da equipa. Ninguém esperava que fosse a principal ameaça ofensiva dos Blazers e o jogador que fosse liderá-los à vitória. Não, esse papel já não é o dele. Agora esta é a equipa de LaMarcus Aldridge (que ainda não é All Star de facto, mas joga com um), Gerald Wallace (que já foi All Star) e Andre Miller (e Wes Matthews, que é o shooting guard titular e para continuar).

Mas o que os fãs em Oregon (e Nate McMillan) esperam é que Roy seja um jogador importante no seu papel actual: a sair do banco. Um suplente de luxo, capaz de liderar e desequilibrar na segunda unidade e eventualmente jogar muitos minutos com os titulares (um papel como o que Odom tem nos Lakers, em que começa no banco, mas é um dos jogadores mais importantes da equipa e que joga com os titulares nos momentos decisivos).

Como é que vou marcar daqui?

Poderá Roy viver bem nesse papel? É claramente um papel novo e para o qual ainda se está a mentalizar, pois depois da segunda derrota em Dallas (em que jogou apenas 7 minutos), manifestou publicamente a sua frustração e afirmou que "houve um momento na primeira parte em que me senti mesmo mal, senti-me com pena de mim próprio. Especialmente quando penso que posso ajudar. (...) Estaria a mentir se dissesse que não fiquei desapontado (com os 7 minutos de utilização) Mas tenho de seguir em frente e manter-me forte. Mas é duro."

A equipa ameaçadora e perigosa que prometiam ser, parece agora desorientada e encontra-se, mais uma vez devido a lesões, num limbo. Estão encostados às cordas, mas ainda não é tarde para reagir. A série vai a meio e ainda podem inverter o estado das coisas. Mas para isso, Roy tem de render mais e contribuir. O futuro dos Blazers está nas suas mãos. Apenas duma forma diferente à que ele estava habituado.

20.4.11

As melhores jogadas do ano


Ah, vídeos dos melhores afundanços, passes, abafos, buzzer beaters e afins! Nunca são demais. Para recordar mais algumas das maiores emoções da temporada regular, aqui ficam as melhores jogadas de 2010-11:


A vossa preferida entrou na selecção feita pela NBA? Alguma que se lembrem que devia estar aqui? Digam-nos quais foram para vocês as jogadas do ano.

(eu lembro-me, assim de repente, deste lançamento do Lebron e também deste do Al-Farouq Aminu)

19.4.11

Os 10 melhores afundanços do ano


Este início dos playoffs está a ser dos melhores dos últimos anos, mas a temporada regular também foi recheada de grandes momentos de basquetebol. Vamos recordar alguns deles começando (porque nunca nos fartamos de os ver!) pelos dez melhores afundanços do ano:

(e mais alguém acha que o melhor do ano não devia ser considerado um afundanço?)



18.4.11

Playoffs 2011: a grelha SeteVinteCinco


Se era emoção que queríamos nos playoffs, não podíamos ter começado melhor. Equipas que se esperava que vencessem e dominassem (Heat e Bulls), venceram, mas com muitas dificuldades. Equipas que se esperava que vencessem (Spurs e Lakers), perderam. E séries que se esperam equilibradas (Nuggets-Thunder, Blazers-Mavs), começaram assim mesmo, com jogos muito renhidos. E até os Celtics (estes não entram em nenhum dos cenários anteriores) precisaram de um triplo de Ray Allen nos últimos segundos para ganhar aos Knicks. Parece que nos esperam umas semanas muito animadas.

E parece que adivinhar os vencedores de todas as rondas não vai ser tarefa fácil. Ontem terminou o prazo para enviarem as vossas previsões e hoje é a nossa vez de fazer futurologia. Sem mais demoras, esta é a nossa grelha para os playoffs de 2011:

Agora é só esperar (e vibrar!) até Junho. (E sim, os Lakers continuam a ser os meus campeões!)

17.4.11

Jogar em 1D


Como se esperava, no jogo da noite passada que abriu os playoffs, os Bulls venceram os Pacers. E como se esperava, Derrick Rose (com 39 pontos) carregou os Bulls até à vitória. Mas, como não se esperava, os Pacers levaram-nos ao limite e durante mais de 44 minutos foram a melhor equipa em campo. E como não se esperava, os pupilos de Frank Vogel expuseram as lacunas da equipa de Tom Thibodeau e foi só já no último minuto (a 48'' do fim) que a equipa de Chicago passou para a frente do marcador pela primeira vez em todo o jogo.

Alguns números dos Bulls nesta partida:
- Derrick Rose marcou 39 pontos; o resto da equipa, 65.
- Derrick Rose tentou 44 lançamentos (23 LC e 21 LL); os restantes Bulls, 70.
- Rose marcou ou assistiu em 14 dos últimos 18 pontos dos Bulls.

Isto revela algo que já era claro ao longo da temporada regular (e os Pacers sabem-no): a unidimensionalidade do jogo dos Bulls. Jogam em 1D. Ou deveriamos dizer, jogam com 1D(-Rose)? Por isso, a estratégia de Indiana é desgastá-lo, obrigá-lo a trabalhar nos dois lados do campo. Exemplo disso foi Darren Collison, agressivo no ataque, em penetrações para o cesto. Como afirmou no fim da partida, "sabemos que ele vai fazer a maioria dos seus lançamentos. É o seu principal marcador e temos de fechar nele. Temos de tornar as coisas o mais difícil possível para ele."

Os Bulls também o sabem. Kyle Korver foi o porta-voz e disse que "temos de lhe dar mais apoio. Não podemos ir para jogadas de isolamento o jogo todo. Quer dizer, ele vai acabar por se esgotar e nós queremos continuar a jogar por muito tempo."

"O que é que fazemos? Passamos ao Derrick, né?"

A questão que se coloca é até quando Rose vai conseguir carregar a equipa às costas? E até quando isso vai ser suficiente para os Bulls vencerem? Jogar assim pode chegar para ganhar jogos na temporada regular. Pode até chegar para passar uma ronda ou duas nos playoffs. Mas não chega para ir até ao fim.

Porque uma série a sete jogos é completamente diferente dos jogos isolados da temporada regular. Aí, joga-se contra uma equipa e no dia seguinte parte-se para jogar com outra diferente. E jogar sempre da mesma forma (quando essa forma é boa!) pode ser suficiente. Sim, é claro que há scouting reports e as equipas estudam os adversários. E quem jogava com os Bulls durante a temporada sabia como eles jogavam. Mas ter apenas um jogo para aplicar (ou tentar) soluções é uma coisa. Ter vários jogos é outra. Ter uma teoria no papel e apenas uma oportunidade para aplicá-la é uma coisa (quantas coisas saem bem à primeira?). Ter vários jogos e múltiplas oportunidades em campo para experimentar é outra. Os jogadores ficam com um conhecimento melhor e mais profundo do oponente (quem jogou sabe que com mais jogos, fica-se com um "feel" melhor do jogador e da equipa que está à frente) e as defesas adaptam-se. É necessário então variar o ataque para responder às soluções do adversário. Serão os Bulls capazes de o fazer?

Porque poucas equipas sabem tão bem como eles quão fundamental isso é. Afinal, já estiveram nesta posição antes. Michael Jordan carregou a equipa sozinho durante 7 épocas sem qualquer título. Foi apenas quando teve mais apoio do resto dos companheiros e quando jogaram em equipa que alcançaram o sucesso perseguido. A história repetir-se-á?

16.4.11

Wild, wild West!


Se a Este esperamos muitas emoções, então a Oeste os corações de muitos fãs podem não aguentar. E a imprevisibilidade começa logo na primeira ronda, com alguns duelos que podem cair para qualquer um dos lados. Mas qual dos candidatos deste lado chega à corrida pelo título em melhor posição?


Los Angeles Lakers
Já muito se escreveu sobre a temporada (ir)regular dos bi-campeões. Começaram dominantes, depois passaram por algumas dificuldades, voltaram a ser dominantes depois do All Star (17-1 nos 18 jogos a seguir) e voltaram a sentir dificuldades (5 derrotas consecutivas) nas últimas semanas. Terminaram a segurar o 2º lugar e, tal como acontece com os Celtics, pareceram uma equipa desejosa de passar os 82 jogos da primeira fase e chegar aos playoffs. Terminaram a época com o mesmo recorde do ano passado (57-25) e continuam a ser a equipa a bater.
Apanharam um susto com o joelho de Bynum no último jogo, mas as noticias que chegam são boas. Bynum já treinou sem limitações e está pronto para os playoffs. Com ele sólido, os Lakers são a equipa com o jogo interior mais forte e são os nossos favoritos ao título. E no último ano de Phil Jackson, não há melhor final para esta história que o 12º título e o quarto threepeat.
Como já escrevemos, a questão da motivação (ou falta dela) que transpareceu ao longo de toda a temporada regular, desaparece agora.

San Antonio Spurs
A equipa-surpresa no Oeste. Dados como quase-mortos depois da eliminação do ano passado na primeira ronda, ressuscitaram até ao 1º lugar da conferência e passaram a ser os favoritos de muita gente. Mas Ginobili lesionou-se no ombro no último jogo da temporada e está em dúvida para o início dos playoffs. E nele residem muitas das esperanças dos Spurs, pois o argentino é o jogador mais desequilibrador no seu ataque.
O ataque tem sido, aliás, o seu ponto forte este ano (6º, 103.7 pts/jogo). É na defesa (surpreendentemente mais fraca esta época; 14ª, 98 pts/jogo) que precisam de subir um nível se querem chegar a mais uma final.
Apesar disso, com uma temporada regular tranquila, Duncan e todos os veteranos chegam mais frescos que nunca a esta fase e são a equipa que pode desafiar os Lakers. Porque no banco têm Popovich e ninguém terá a lição mais bem estudada que eles para qualquer adversário que venha.

Dallas Mavericks
Mais uma vez terminaram com mais de 50 vitórias (11ª época consecutiva) e mais uma vez são um dos favoritos no Oeste. Mas, por outro lado, dada a sua história de eliminações precoces, são uma das equipas que todas as outras querem apanhar (e Portland quer continuar essa história).
O ataque continuou acima da média (11º, 100.2 pts/jogo) e a defesa subiu um patamar desde a chegada de Tyson Chandler (10º, 96 pts/jogo). Estão com um jogo interior mais forte que em épocas interiores e lideram o grupo de pretendentes. Estão um furo acima das equipas que terminaram abaixo deles, mas resta saber se não estarão um furo abaixo dos Lakers e Spurs. Mas primeiro têm de escapar a essa primeira ronda com Portland.

Oklahoma City Thunder
Com a troca de Perkins, os jovens de Oklahoma passaram de projecto a candidatos legítimos. Desde a troca foram uma das equipas mais sólidas e regulares (e já não eram fragéis e irregulares antes) e ganharam uma agressividade que não tinham. Ainda não são uma equipa testada em fases avançadas dos playoffs e vamos ver como reagem. Mas a distância para as equipas da frente parece significativamente mais curta. É claro que, à semelhança de Dallas, primeiro têm de escapar à primeira ronda (com os surpreendentes e imprevisíveis Nuggets).

Denver Nuggets e Portland Trail Blazers
Duas equipas que ficaram mais fortes desde as trocas de meio da temporada e cujo recorde não reflecte o seu valor actual. São as equipas que ninguém gostava de apanhar na primeira ronda e as maiores candidatas a uma surpresa.
Os Nuggets continuam perigosos no ataque e estão mais versáteis nesse lado do campo desde a saída de Carmelo. E na defesa ficaram melhores. Uma combinação que pode ser letal se a outra equipa (os Thunder ou qualquer outra que se siga) se descuidar.
Os Blazers idem. Gerald Wallace dá-lhes uma dimensão ofensiva que não tinham, contra-ataque e velocidade. E na defesa é dos melhores que podiam desejar. Ainda mais que os Nuggets, esta era a equipa que não queriamos apanhar na primeira ronda.

Memphis Grizzlies e New Orleans Hornets
As duas de quem se espera menos (e menos dos Hornets que dos Grizzlies).
Os Hornets começaram a temporada muito bem, mas foram irregulares desde Janeiro. Nos últimos meses, essa irregularidade parece ter-se pegado a Chris Paul. E sem David West, parecem condenados a começar as férias daqui a uns dias.
Para os Grizzlies, o apuramento para os playoffs é já o melhor resultado desde 2006. No entanto, a infusão de veterania que fizeram na offseason (Tony Allen) e no meio da temporada (Shane Battier e Leon Powe), dá-lhes uma importante dose de experiência para uma equipa maioritariamente novata nestas andanças. E a sua série com os Spurs pode ser uma das mais intrigantes da primeira ronda (dividiram os jogos da temporada regular, 2-2).

Portanto, à excepção dos Hornets, todas as outras eliminatórias do Oeste estão em aberto. E daqui para a frente só fica mais imprevisível ainda. Por isso, vai ser uma corrida louca. Mal podemos esperar que comece!

15.4.11

Partida... lagarta... fugida!


Ainda mal refeitos de todas as emoções da temporada regular, começam já amanhã as ainda maiores emoções da segunda metade da época. Já cheira a playoffs! As equipas estão todas a postos e a corrida pelo título começa já amanhã. E depois de 82 jogos e quase 6 meses à espera deste momento, quais são as equipas que chegam a esta fase em melhor posição para a corrida?




Conferência Este

Chicago Bulls
Depois duma temporada regular surpreendente, entram nos playoffs numa posição inédita: já não como underdogs e uma equipa que pode surpreender, mas sim como os favoritos de muita gente ao título. Terminaram a época em grande, vencendo 22 dos últimos 23 jogos e com uma série de 9 vitórias consecutivas. Com a vantagem-casa assegurada para todos os playoffs, vão ser um osso duro de roer no United Center, onde terminaram com um recorde de 36-5. Mas vamos ver como jogadores ainda inexperientes nos playoffs e um treinador rookie lidam com esta pressão.
O seu forte é a defesa (2ª melhor da fase regular, 91.3 pts/jogo) e diz-se que esta ganha títulos. Resta ver se o ataque (20º, 98.6 pts/jogo, mas a melhorar ao longo da temporada) acompanha.
Uma curiosidade: em todas as épocas que terminaram com 60 ou mais vitórias, os Bulls venceram o troféu. Mas nesses tempos tinham um jogador que dava pelo nome de Michael Jordan (e neste tempos têm um senhor que dá pelo nome de Derrick Rose, dizem alguns de vocês? Será suficiente?).

Orlando Magic
Stan Van Gundy gosta das hipóteses da sua equipa. Para ele, os Magic "a jogar bem, podem ganhar a qualquer equipa". E Van Gundy é conhecido por ser um dos treinadores mais sinceros da NBA, por isso, se o diz, é porque acredita realmente. Mas há um asterisco nas suas afirmações: "a jogar bem", algo que não têm feito sempre e algo que soa também a recado para alguns dos seus jogadores (ouviste, Gilbert Arenas?).
Continuam com uma das melhores defesas (4ª, 93.7 pts/jogo) e um jogador que nenhuma equipa no Este consegue marcar individualmente (que saudades de Perkins em Boston). Mas para poderem chegar mais longe que a segunda ronda, Howard vai precisar de ajuda. Apesar deste ter ficado mais curto desde a troca, o Superman pode valer por um froncourt inteiro. No entanto, o backcourt (hello, Nelson, Arenas, Turkoglu?) vai ter de elevar o seu jogo para os Magic serem candidatos a alguma coisa.

Miami Heat
Ah, os Heat! A equipa que ia dominar a NBA tem agora a sua oportunidade. Agora é a sério e se ganharem o título ninguém se vai lembrar da temporada regular e dos dramas de Novembro ou Março. Os Heat, ao contrário do que parece, são uma boa equipa defensiva (6ª, 94.6 pt/jogo). Na verdade, são bons dos dois lados do campo (uma das poucas que está no top 10 na defesa e no ataque, 8º, com 102.1 pts/jogo). O problema é que dependem quase exclusivamente do seu Big Three. Nenhuma outra equipa depende tanto das suas estrelas e tão pouco dos restantes como eles, o que torna o seu jogo mais previsível. Mas saber o que eles vão fazer é uma coisa. Conseguir impedi-los de fazer, é outra.
Com tanto talento individual vão ser sempre favoritos, mas só com três jogadores a produzir em séries a sete jogos, pode não chegar. Conseguirão fazer o que ainda não fizeram esta época e ter um contributo maior dos outros jogadores? Sem isso, dificilmente chegarão onde querem.

Boston Celtics
Os favoritos no Este durante 5 meses da temporada regular. Perderam gás no último mês e cairam do 1º para o 3º lugar. Resta saber se é cansaço e falta de forma ou apenas uma desaceleração para se prepararem para os playoffs. Porque um grupo veterano como este sabe que agora é que começa a sério. Também o ano passado já os davam como mortos e todos sabemos onde acabaram.
A chave para os Celtics está (como sempre) na saúde dos seus principais jogadores, especialmente Shaquille O'Neal. Porque todos apontam a troca de Kendrick Perkins como a responsável pela queda da equipa de Boston, mas eles estiveram sem Perkins até Fevereiro e estavam a dominar o Este. A diferença? O'Neal estava no meio. E é da sua presença interior que dependem as aspirações dos verdes. Com O'Neal totalmente recuperado (o que ainda não é certo), podem voltar às Finais.

Pacers, Sixers, Hawks e Knicks
Destas espera-se que caiam já na primeira ronda. Para os Pacers e os Sixers, qualquer coisa mais que isso já será uma surpresa. Os Hawks tentam vingar a derrota do ano passado com os Magic e mostrar que podem ser a equipa de topo que nunca mostraram na temporada regular. Não há muitos a acreditar nisso, mas é uma das rondas no Este onde se aposta que pode haver uma surpresa. A outra é a dos Knicks, onde Mike D'Antoni (e Carmelo) continuam a tentar mostrar que o ataque também pode ganhar títulos. Mas só a atacar (28ª defesa, 105.7 pts/jogo)? Boa sorte com isso.


Amanhã, vamos analisar os candidatos do lado do Oeste, onde as coisas parecem bem mais imprevisíveis logo desde a primeira ronda.

14.4.11

"Now the fun starts"


As palavras são de Gregg Popovich no fim do jogo com os Suns. Os Spurs perderam o jogo e perderam também o melhor recorde (algo que há um mês parecia impossível, tal era a vantagem). Quem, de forma surpreendente, termina a temporada regular com o melhor recorde da NBA (e vantagem-casa ao longo de todos os playoffs) são os Bulls. Um final apropriado para uma época-surpresa da equipa de Chicago. Mas, como disse Popovich, agora é que a diversão começa. É tempo de playoffs.

E aí está a grelha para a segunda parte da temporada:


Isto vai ser uma corrida muito interessante. E as emoções começam já na primeira ronda, com alguns duelos que prometem.

Celtics-Knicks é o duelo que concentra mais atenções no Este (pela história das equipas e pelo regresso dos Knicks aos playoffs) e, junto com os Magic-Hawks, as duas eliminatórias que são apontadas como aquelas com maior probabilidade duma surpresa.

No Oeste, a corrida é ainda mais imprevisível. Mavs-Blazers vai ser uma série emotiva e equilibrada, Nuggets-Thunder vai ser, certamente, espectacular e mesmo os Spurs e os Lakers não têm tarefas fáceis (os Grizzlies, por exemplo, estão 2-2 com os Spurs nos jogos da temporada regular).

Daqui para a frente, quem sabe o que pode acontecer. Os dados estão lançados e no fim de semana começa a acção. Sábado começa a primeira ronda e podem enviar as vossas grelhas até Domingo (serão aceites as enviadas até às 24:00 de Dom).

Que a diversão comece!

13.4.11

Um poster catita


A temporada está mesmo, mesmo a terminar e as posições estão quase, quase completamente definidas. No Este já está tudo definido e no Oeste falta apenas saber quem termina em 2º e 3º (Lakers ou Mavs) e quem fica com o 7º e o 8º (Grizzlies ou Hornets). Esta noite jogam todas as equipas, numa jornada de encerramento com 15 jogos. Os últimos 15 jogos. Amanhã já temos a grelha dos playoffs prontinha para os vossos palpites.

Até lá, fiquem com o último trabalho de design basquetebolístico dos nossos amigos do Hoopism: um poster a ilustrar a história de Concurso de Afundanços, com todos os seus participantes.

Está disponível uma versão gratuita de média resolução ou podem comprar a versão 60x90. Um belo poster para o desktop do computador ou para pendurar lá em casa (ou no clube ou no balneário ou onde quiserem).


12.4.11

Festa em Cleveland


Por estes dias, as atenções na NBA estão todas voltadas para a luta pelas posições nos playoffs. Mas no meio de todo o "quem termina em 2º e em 3º", "quem vai jogar com quem na primeira ronda", "quem fica em 6º, quem fica em 8º", já repararam que os Cavs já não são (e não vão terminar a época como) a pior equipa da NBA? Abram o champanhe em Cleveland!


11.4.11

Heat - Celtics, round 4

A pedido de vários leitores (bem, na verdade foi apenas um, mas como é um tema relevante e foi o jogo grande da jornada, vamos fazer-lhe a vontade), vamos falar do embate da noite passada entre os Heat e os Celtics (vitória dos Heat, 100-77).

Podemos fazer duas leituras deste jogo. Uma daquilo que se passou dentro de campo durante estes 48 minutos, outra daquilo que isso significa no contexto dos confrontos entre as duas equipas.

No que à primeira diz respeito, foi um jogo atípico, pois a vitória dos Heat foi conseguida de forma invulgar e contrária ao que tem acontecido durante toda a temporada. O Big Three de Boston marcou mais pontos que o Big Three de Miami (58-54), o que, em condições normais, seria garantia de vitória. Mas com os restantes jogadores aconteceu o contrário: o resto do cinco e o banco dos Celtics marcou menos que o resto do cinco e o banco de Miami (19-46). A equipa de Miami tem sido sempre (quase) exclusivamente dependente das suas três estrelas para produzir, enquanto os Celtics são conhecidos pela profundidade da sua equipa e pela boa produção do banco. Neste jogo foi exactamente o contrário. Apenas mais três jogadores dos Celtics marcaram pontos e nenhum marcou mais que 7 pontos (Rondo). Nos Heat, todos os jogadores marcaram pontos (que raridade para eles!) e apesar de nenhum ter chegado à dezena, vários contribuiram com 6, 7, 8 e 9 pontos.
Também no aspecto físico e na agressividade, outra marca dos Celtics, foram os Heat que estiveram melhor. Nos ressaltos? Idem. A turma de South Beach, criticada ao longo de toda a temporada pelo fraco jogo interior, ganhou a luta nas tabelas e conseguiu mais 16 ressaltos (e mais 12 ofensivos que Boston). Podemos dizer que estes foram 48 minutos em que os verdes provaram do seu próprio remédio. E 48 minutos que não responderam à questão de qual das equipas é melhor.

Numa segunda leitura, esta foi a primeira vitória de Miami sobre Boston esta época, o que pode ser importante em termos mentais. Os Celtics eram um obstáculo que os Heat ainda não tinham conseguido ultrapassar e se tivessem perdido mais este round, poderia ser um bloqueio mental para eles e uma vantagem psicológica de Boston no previsível encontro nos playoffs. Agora, perderam o medo. Agora já sabem que lhes podem ganhar. Foi uma pedra tirada do sapato. Mas pode também ser uma pedra enganadora. Porque, como referimos antes, a forma atípica como ganharam este jogo dificilmente se repetirá num próximo confronto.
Esta vitória no campo foi também uma vitória na batalha mental, mas para quem? Os Heat sabem agora que podem ganhar aos Celtics, mas sabem também que a jogar como habitualmente fazem, nunca o conseguiram. Os Celtics sabem agora que podem perder com os Heat, mas sabem também que a jogar como habitualmente fazem, nunca perderam.
Este round vai para os Heat, mas é um em que não se podem fiar demasiado.

Por isso, no meio de todos estes rounds e todas estas questões, fica apenas uma certeza: indepentemente de quem ganhou este round, independentemente de quem acabar em 2º e em 3º (e se ambas passarem, como se espera, a primeira ronda), espera-as um novo confronto. Terão de passar uma pela outra para desafiar os Bulls (se estes passarem as suas rondas também, claro) na final de conferência. Soou o gongo para o fim do quarto round. Mas ainda faltam sete. O combate ainda não chegou a meio.

10.4.11

Passatempo NBA PLAYOFFS 2011


Faltam três dias para terminar a temporada regular e estão já encontradas as 16 equipas que vão disputar os playoffs. As posições em que as 8 equipas de cada conferência vão terminar ainda não estão completamente fechadas, mas a grelha para os playoffs está cada vez mais perto de estar definida.

O que nos leva até ao nosso passatempo para os Playoffs. Na próxima quinta-feira, após a última jornada, vamos publicar a grelha dos playoffs de 2011. E o que têm de fazer para ganhar uns prémios catitas? É só acertar nos vencedores de cada ronda, até ao título da NBA.

Todos os que acertarem na grelha completa (vencedores de todas as rondas e vencedor das Finais) ganham uma PEN USB destas:


Se ninguém acertar na grelha completa, vamos oferecer uma PEN USB ao leitor que acertar no maior número de rondas.


Podem enviar as grelhas a partir de quinta-feira (dia 14 Abril) e até domingo (dia 17 Abril). Os vencedores serão anunciados em Junho, após o último jogo das Finais.

Enviem-nas para setevintecinco@gmail.com, indicando o vosso nome* e contacto.

*não se esqueçam de indicar o nome utilizado no vosso perfil do Facebook ou do Google, para vos podermos identificar como seguidores da nossa página (se ainda não são seguidores do SeteVinteCinco, não se esqueçam de o fazer para participar no passatempo)

Bons palpites e boa sorte!


Actualização (14-04)

E aqui está a grelha para os playoffs:



Actualização (18-04)

Já estão encerradas as participações. Agora é só esperar até Junho para ver quem será o vencedor (da NBA e do passatempo!).

8.4.11

O humilde começo de Gregg Popovich


De treinador da terceira divisão universitária a tetra-campeão da NBA vai um longo caminho. Mas foi esse o caminho que Gregg Popovich trilhou. O treinador com mais vitórias na história dos Spurs (e terceiro na percentagem de vitórias da história da NBA, com 67.6%) começou a sua carreira na modesta universidade de Pomona-Pitzer, em 1979. E a primeira época não augurava o futuro risonho que viria mais tarde: terminou com um recorde de 2-22. Podem ler este artigo no Alone In The Green Room sobre o humilde começo de Gregg Popovich e o seu percurso pouco habitual até ao banco de San Antonio.

E é esta a partida a que a fotografia no início do artigo se refere:


E se há coisa que Popovich tem muito é sentido de humor. Sentido de humor e um à-vontade com os jornalistas pouco habitual. Vejam lá estas entrevistas (ou tentativas de entrevista) do velho mestre e digam-me se não era muito melhor que os treinadores e jogadores da bola cá do burgo respondessem com esta sinceridade e não metessem sempre a mesma cassete:




7.4.11

Quem é o Co-Treinador do Ano?


Quando Jerry Sloan saiu dos Jazz em Fevereiro, defendemos aqui a sua candidatura a Treinador do Ano. Continuamos a defender que, como é um prémio subjectivo e sem critérios escritos em nenhum lugar, podiam e deviam dá-lo a ele (e antes de apontar a estupidez da ideia, podem ler aqui o artigo com os nossos argumentos). E os treinadores que cumpriram uma época inteira e tiveram grandes resultados? Muito bem, Co-Treinador do Ano para Sloan e outro (nunca aconteceu, mas há sempre uma primeira vez. Já aconteceu no Rookie do Ano e no MVP do All Star Game, porque não no Treinador do Ano?).

E qual seria esse outro Co-Treinador do Ano? São três os candidatos:

Gregg Popovich
O timoneiro dos Spurs recuperou uma equipa veterana que todos davam como acabada e levou-os aos primeiro lugar e (até agora e possivelmente até ao fim) ao melhor recorde da temporada regular. Apesar dos recentes deslizes que fizeram diminuir a vantagem para os perseguidores, os texanos jogaram o melhor basquetebol da liga ao longo de todo o ano. Têm já mais 10 vitórias que o ano passado (faltam 3 jogos, pode subir para 13 o progresso), estão no top 10 no ataque e na defesa, conseguiram a vantagem-casa nos playoffs e são um dos principais candidatos ao título (algo que depois da época passada ninguém apostava). Sim, Ginobili, Duncan e Parker mais frescos tem responsabilidade nisso, mas Popovich é o mestre que continua a dispôr e utilizar as peças à disposição como muito poucos. E este ano foi mais um excelente exemplo disso.

Tom Thibodeau
Se os Bulls foram a revelação do ano, Thibodeau foi um dos grandes responsáveis por isso. Rose foi o outro, mas Thibodeau é também um dos responsáveis pelo seu progresso este ano, por isso podemos dizer que Thibs foi o maior responsável pela grande temporada dos Bulls e a maior revelação do ano.
Mais 16 vitórias que em 2009-10 (pode aumentar para 21, se ganharem os últimos 5 jogos), a melhor defesa, primeiro lugar no Este e ainda a lutar pelo melhor recorde da temporada. Melhor estreia para o ex-adjunto dos Celtics era difícil. Só se ganhar o Treinador do Ano.

George Karl
Foi o milagreiro do ano. Durante a primeira metade da temporada teve de gerir uma equipa com a toda a incerteza e instabilidade provocada pela novela de Carmelo. Durante a segunda metade, teve de reconstruir a equipa sem Carmelo. No meio disto tudo, colocou os Nuggets a jogar algum do melhor basquetebol que a NBA viu nestes últimos meses. Melhoraram na defesa e no ataque e estão (e vão acabar) em 5º do Oeste, com um muito positivo recorde de 48-30. Se uma temporada na NBA pode ser longa e cheia de surpresas e obstáculos, ninguém os superou melhor que Karl.


(se eu acredito que a NBA vai dar o prémio a Sloan e um destes? Obviamente que não. Por isso, estes nossos candidatos a Co-Treinador do Ano, são os candidatos na NBA a treinador do ano e um deles será o vencedor)

6.4.11

O Incrível Hump?


Nos últimos anos tem-se tornado moda entre as equipas da NBA a criação de vídeos e campanhas para promover a candidatura de um jogador a determinado objectivo. Seja para dizer que o jogador X merece ser All Star, seja para vender a candidatura do jogador Y ao Concurso de Afundanços ou ainda para tentar convencer os media dos méritos do jogador Z como _______ (preencher com o nome do respectivo galardão).


E chegados (quase) ao final da temporada regular, começam a surgir os vídeos das equipas a promover os seus jogadores para os prémios desta temporada. Neste, os Nets tentam mostrar os méritos de Kris Humphries para Most Improved Player (e/ou entrar no Cinco Defensivo):


5º da NBA em ressaltos, com 10.4 ressaltos? 23 duplos-duplos? São bons números do 43 dos Nets, mas empalidecem ao pé dos do 42 dos Wolves.

4.4.11

As maiores surpresas individuais ou "este gajo jogou pra c@#%&$o este ano!"


Para terminar esta segunda parte do nosso balanço da temporada regular, ficamos com os jogadores que se portaram melhor do que todos esperavam. São as Cinco Maiores Surpresas Individuais do ano (e mais uma menção honrosa ou outra).

Derrick Rose
A maior e mais positiva surpresa do ano. À semelhança dos Bulls, já se esperava que fosse bom, mas não tão bom. Se lhe dissessem em Outubro que em Abril ia estar à beira de ganhar o MVP, nem ele teria acreditado. Tem sido uma ascensão meteórica até ao topo da liga e este ano deu mais um passo de gigante.





Kevin Love
Outra das grandes surpresas. Os seus méritos esta temporada estão mais que documentados e já são bem conhecidos de todos, por isso não precisamos de defender o seu caso. Melhorou em todas as categorias estatísticas e foi raro o jogo em que não acabou com um duplo-duplo. Foi uma das histórias da temporada.





Landry Fields
A maior surpresa deste draft. Escolhido na segunda ronda, teve um rendimento surpreendente nos Knicks e tem sido um dos melhores rookies. Excelente ressaltador para a sua posição (6.4/jogo), excelente atleta, bom defensor (não é melhor porque... enfim, joga nos Knicks) e ainda dá uma ajuda sólida no ataque (9.8 pts/jogo, 50% 2pts e 40% 3pts) .




Gary Neal
Mais uma pérola descoberta pelos Spurs. Passou pelo draft de 2007 sem ser escolhido e depois de três anos a jogar pela Europa, assinou este verão pela equipa texana. Revelou-se uma das maiores armas a sair do banco de San Antonio e surpreendeu todos com a sua pontaria (9.7 pts em 20 min/jogo, com 41.6% 3pts). O próprio Gregg Popovich já o elogiou publicamente pela rapidez com que se integrou nos esquemas ofensivos e defensivos da equipa e pelo contributo fundamental que tem dado.


Blake Griffin
Já ouvimos falar tanto dele esta época e já vimos tantos highlights que pode já não parecer surpresa para ninguém. Mas lembrem-se que, depois de estar uma temporada inteira de fora por lesão, em Outubro era um grande ponto de interrogação. Embora já se soubesse que era talentoso e já se esperasse muito dele, ninguém esperava que fosse tão bom logo na época de estreia. Foi o primeiro rookie a jogar no All Star Game desde Tim Duncan em 98 e 22.4 pts, 12.1 res, 3.5 ass e centenas de jogadas espectaculares falam por si. Tornar-se um dos jogadores mais populares da NBA em tão pouco tempo é sempre surpreendente e só ao alcance de muito poucos.


Menção Honrosa

Tracy McGrady
Os números e o rendimento já não são os mesmos dos seus tempos aúreos, mas foi um regresso a um patamar competitivo que quase todos já não esperavam possível. Revelou-se sólido na direcção do ataque dos Pistons (mais uma surpresa, pois foi uma posição nova para ele), com médias de 8.1 pts, 3.5 res e 3.5 ass, em 23 min/jogo. Números semelhantes aos da época passada, mas nesta fez toda a temporada e não apenas 20 jogos. Foi uma época positiva para um jogador que já se pensava acabado.

Lamar Odom
Não é exactamente uma surpresa, mas teve, de qualquer forma, um rendimento acima do esperado. Com 14.4 pts, 8.7 res, 3 ass e 53.5% nos 2pts, fez a sua melhor época dos últimos três anos, que o deixa como grande favorito (o vencedor, para nós) a Sexto Homem do Ano.

Tyson Chandler
Outro que não é exactamente uma surpresa, mas antes um regresso (surpreendente?) à forma e utilidade de outros tempos. Foi a presença interior que faltava aos Mavs e um dos pilares da sua defesa. No ataque, re-editou com Jason Kidd o entendimento em campo que tinha com Chris Paul e a média de 10.2 pts é a segunda melhor da sua carreira.

3.4.11

As surpresas da temporada


Podemos dividir esta temporada em três géneros de equipas: o primeiro é o grupo das que tiveram os resultados (bons ou menos bons) esperados. Este grupo é o maior e nele encontramos a maioria das equipas da NBA (Lakers, Celtics, Mavs, Heat, Thunder, Cavs, Cavaliers, Raptors, etc, etc). Depois temos o grupo das equipas que tiveram resultados abaixo do esperado, um grupo mais pequeno, mas ainda com muitas equipas (que já destacamos no anterior artigo das desilusões da temporada). E por último temos o grupo das equipas que tiveram resultados que ninguém esperava. Este é de longe, o grupo mais pequeno e encontrar cinco equipas que o tenham feito não foi tarefa fácil.

Este número reduzido explica-se pela natureza sempre imprevisível deste feito. Ter resultados acima do esperado, superar as suas próprias capacidades é das coisas mais difíceis de fazer e prever as equipas que o vão conseguir é sempre difícil (ou não fossem surpresas!). A Este apenas uma o fez. Todas as outras estiveram dentro do esperado ou abaixo disso. As outras quatro são do Oeste. E apenas duas delas foram verdadeiramente uma surpresa. As duas restantes estiveram melhor do que se podia esperar, mas não são surpresas totais.

Assim sendo, continuamos então o balanço da temporada regular com As Equipas Que Mais Surpreenderam. Aquelas cujo recorde e posição estão acima daquilo que se esperava no início da época e que deixaram os seus fãs (muito) contentes.


Chicago Bulls
Esta escolha é fácil de perceber e nem preciso de a justificar muito. Já sabiamos que iam ser bons este ano, mas ninguém esperava que fossem tão bons. Primeiro lugar na conferência, a um jogo do melhor recorde da liga. A melhor defesa. Um candidato a melhor treinador (na sua 1ª época). E aquele que é para muitos o melhor jogador da temporada. Em Outubro, nem eles acreditariam que a época ia ser tão boa. A maior e melhor surpresa da temporada.

New Orleans Hornets
Quando o esperado é um desastre, um desempenho razoável é já muito bom. A época da equipa do Louisiana não foi brilhante, mas foi bem acima daquilo que vaticinavam em Outubro. Depois duma offseason em que pareciam ter ficado mais ou menos na mesma, o destino que todos lhes traçavam era ficar de fora dos playoffs. A lesão de David West veio complicar as contas para os playoffs, mas fazerem parte deles já é uma boa notícia para New Orleans.

San Antonio Spurs
Quando parecia que tinha chegado o fim da sua era e se esperava que continuassem a descer, voltam ao topo e foram a melhor equipa mais regular do ano. Apesar dos deslizes recentes, foram sólidos e pareceram rejuvenescidos durante 70 jogos. As lesões abrandaram-nos recentemente e deixaram dúvidas na forma como se vão apresentar nos playoffs, mas ninguém lhes tira o título de melhor equipa da temporada regular. Algo em que ninguém apostava em Outubro.

Memphis Grizzlies
Os Grizzlies continuaram o seu progresso e o seu percurso ascendente. Depois de terem ficado à beira dos playoffs no ano passado, este ano mostraram-se mais fortes e podem acabar numa inesperada 6ª posição do Oeste. Esse progresso não é uma surpresa total (era até o que muitos esperavam), mas a solidez, a regularidade ao longo de toda a temporada e bons resultados frente a algumas das melhores equipas foram uma surpresa (parcial).

Portland Trail Blazers
Continuam a fazer verdadeiros milagres e mesmo com todas as lesões que continuam a persegui-los conseguem manter-se nos primeiros lugares do Oeste. Este ano, praticamente sem contar com Brandon Roy, estão em 6º e são uma das equipas que ninguém quer encontrar na primeira ronda dos playoffs. Surpreendente, mas já o fizeram antes, pela que a surpresa não é total.


Menção Honrosa

Denver Nuggets pós-Carmelo
Merecem um destaque pela forma como superaram a perda do seu melhor marcador. Parecem ainda melhores que antes e, sem Carmelo, são uma das equipas mais em forma e com um jogo mais colectivo da liga. O futuro que lhes previam negro, parece agora bastante luminoso.


A seguir, as maiores surpresas individuais da temporada.

2.4.11

A homenagem à Minhoca


Antes de passarmos à segunda parte do nosso balanço da temporada regular, dedicada às surpresas da temporada, vamos ficar com a devida homenagem a um jogador nem sempre amado e nem sempre reconhecido pelo seu talento.

Como já tinhamos falado aqui anteriormente, o dia escolhido foi o das mentiras, mas a homenagem foi verdadeira. E Rodman não desiludiu. Apareceu, como não podia deixar de ser, com um visual extravagante (embora para ele, aquele seja um look discreto), emocionou-se, fez uma homenagem aos falecidos Chuck Daly (seu treinador dos tempos dos Bad Boys) e Bill Davidson (o antigo dono dos Pistons) e cometeu até uma inconfidência quando revelou que tinha sido convocado para estar em Houston na segunda-feira, quando vão anunciar os eleitos deste ano para o Hall of Fame (antes da final da NCAA). Uups, lá vai a surpresa! Rodman esteve igual a si próprio: com as emoções à flor da pele. Fiquem com as imagens e podem também ler este belo artigo de Dan Feldman sobre a cerimónia.


1.4.11

As maiores desilusões individuais ou "Este gajo não jogou um c@$%&0 este ano!"


No seguimento do post anterior, aqui vão os cinco jogadores que mais desiludiram nesta temporada regular. E como uma lesão é algo fora do controlo dum jogador e um azar que pode acontecer a qualquer um, não contamos com aqueles que tenham desiludido por questões médicas (por isso, jogadores como Greg Oden ou Brandon Roy, por exemplo, não entram nesta lista, já basta todo o azar que eles têm!). Assim, estes são jogadores que estiveram em campo, mas não fizeram aquilo que os fãs e os treinadores esperavam (e, alguns, aquilo para que os seus patrões lhes deram milhões para fazer):

Joe Johnson
Os Hawks renovaram-lhe o contrato e desembolsaram uma fortuna para não o perder na free agency (120 milhões/6 anos). E Jonhson agradeceu com a sua pior época desde que está em Atlanta. Pela primeira vez desde que joga pelos Hawks, está com menos de 20 pontos de média (18.5) e retrocedeu em todas as categorias estatísticas. E, com 29 anos e dúvidas sobre se não atingiu já o pico da sua carreira, pode ser isto que vão ter nos restantes 5 anos desse contrato máximo, caros dirigentes dos Hawks.

Aaron Brooks
De Most Improved Player do ano passado para despachado para Phoenix. Uma lesão manteve-o de fora durante alguns jogos, mas independentemente disso, nunca mostrou progresso em relação ao ano anterior. Foi primeiro relegado para o banco dos Rockets e depois para o banco dos Suns. Quase saiu do radar e aqueles dias em que muitos o apontavam como futuro All Star parecem tão distantes.



John Salmons
Salmons é a personificação da época dos Bucks. Um passo para a frente o ano passado, dois passos (grandes) para trás este ano. Pior nos números e pior nas percentagens. O shooting guard atirador que jogou o ano passado pelos Bucks e com quem estes renovaram este verão deve ter sido raptado e colocaram um sósia que atirou tijolos toda a temporada no seu lugar.


Darren Collison
Uma das apostas de muita gente (incluindo aqui no SeteVinteCinco) para ser uma das revelações da temporada, mas nunca conseguiu realizar esse potencial. Este ano, numa época a titular, com mais minutos e mais responsabilidades na equipa, tem praticamente os mesmos números do ano anterior e com piores percentagens (e os números por cada 36 minutos baixaram). Era um dos candidatos a Most Improved, mas acaba nesta lista menos honrosa.


Mike Miller
Miller era a peça que faltava no puzzle do título dos Heat. E é isso mesmo que tem sido durante toda a temporada: uma peça que falta. Se os Bucks andam à procura do ataque, Miller pode pedir-lhes para ver se por acaso encontram o seu lançamento exterior.







Menções (pouco) Honrosas
(não são desilusões completas porque estes são jogadores que já tinham um asterisco no início da temporada e apenas confirmaram as dúvidas que já tinhamos)

Gilbert Arenas
Agent Zero nunca foi uma alcunha tão apropriada como agora. Porque é aquilo que ele se está a tornar: um zero na sua equipa e um zero na NBA. A aposta arriscada de Otis Smith não está a dar os resultados desejados (o rendimento nos Magic tem sido muito pouco: 7.7 pts, 3.4 ass, 33.5% nos 2pts e 25.9% nos 3pts!, tudo mínimos de carreira) e a única velocidade que ainda lhe resta é aquela com que os fãs de todo o mundo se estão a esquecer dele.
(sim, aqui temos algumas razões médicas. Já não é o jogador explosivo que foi, mas para ser o atirador e o organizador que os Magic esperavam, isso não é desculpa suficiente)

Baron Davis
Começou a temporada gordo e fora de forma e perdeu os primeiros jogos da equipa. Depois, como já nos habituou, fez uma época mediana e abaixo das suas capacidades e acabou despachado para Cleveland. E não, gostar de comer e não gostar de correr não são razões médicas.

Andrea Bargnani
O poste amigo da linha de três pontos provou aquilo que muitos já sabiam: que ele não tem talento suficiente para ser um jogador de topo. Com a saída de Chris Bosh tinha uma oportunidade de mostrar que os Raptors eram a sua equipa e podiam construir à volta dele. Mas nunca ninguém acreditou nisso, pois não?


O balanço da temporada regular continua já a seguir. Nos próximos posts vamos virar as atenções para quem superou as expectativas e esteve acima do esperado. São as maiores surpresas da temporada.