28.1.12

Celtics: O que faziam se fossem o Danny Ainge?


Com a vitória de ontem frente aos Pacers, os Celtics voltaram à tona (9-9). Foi a quarta vitória consecutiva e a terceira sobre equipas com recorde positivo. Mas estas são também as únicas vitórias que têm esta temporada sobre equipas com recorde positivo. Até aqui só tinham derrotado equipas da metade de baixo da tabela e tinham sido sempre derrotados de forma esclarecedora pelas equipas do seu campeonato.

Esta última semana vem mudar a imagem que estavam a deixar neste início de época, de equipa envelhecida e incapaz de bater as equipas de topo. Mas será que apaga essa imagem completamente? Serão as exibições desta semana suficientes para fazer Danny Ainge acreditar que este plantel ainda pode ser candidato ao título? Ou está na hora de desfazer o Big Three e começar a reconstrução?


O general manager já admitiu publicamente que, se aparecer um bom negócio, pode trocar Allen, Garnett ou Pierce. E neste caso, um bom negócio para Danny Ainge será um que dê aos Celtics a possibilidade de reconstruir e ser competitivos no futuro mais próximo. Porque Danny Ainge não quer cometer o mesmo erro que, segundo ele, Red Auerbach cometeu com o outro Big Three. 

No início dos anos 90, quando Bird, McHale e Parish estavam já na fase descendente da carreira e a chegar ao fim da sua era, os dirigentes de Boston pensavam na hipótese de desfazer essa equipa e começar a reconstruir. E tiveram possibilidades de o fazer. Tinham uma proposta dos Pacers, que ofereciam Chuck Person e Herb Williams por Bird, e outra dos Mavs, que ofereciam Detlef Schrempf e Sam Perkins por McHale. Mas Auerbach decidiu não desfazer o seu Big Three e ficar com eles até ao fim. 

Mas era já um trio muito longe daquele que reinou na NBA nos anos 80 e sem possibilidades de lutar por títulos. Bird retirou-se em 92, aos 35 anos, e McHale retirou-se um ano depois, aos 35 também. Parish ainda jogou mais um ano em Boston, antes de sair, aos 40 anos, como free agent. E os Celtics atravessaram um longo deserto depois disso. Passaram toda a década de 90 longe do topo e só voltaram a ser candidatos ao título em 2007, quando contrataram Garnett e Allen. Foram quase duas décadas de insucesso para uma das equipas mais bem sucedidas da história e um calvário que Ainge não quer ver repetido.

Esta temporada estão perante a mesma situação. Pierce tem 34 anos, Garnett, 35 e Allen, 36. A produção deles está mais baixa este ano e parece cada vez mais difícil competir com equipas mais jovens e atléticas como os Heat, Bulls ou Thunder. Mas se existem dúvidas sobre se ainda são capazes de levar uma equipa ao título, ninguém dúvida que ainda têm muito basquetebol para dar. Ainda têm mais que suficiente para dar um contributo grande em qualquer equipa. E qualquer equipa (dependendo do que teriam de dar em troca, claro) gostaria de ter algum deles para completar o seu plantel.

Todos em Boston sabem que a janela de oportunidade desta equipa, se não está já completamente fechada, está a fechar. Têm no máximo mais esta temporada. Se não começarem a reconstrução já esta temporada não podem passar da próxima. Mas este ano pode ser um bom ano para o fazer. O draft de 2012 é projectado como um dos mais profundos e talentosos dos últimos tempos e há vários jogadores que poderiam tornar-se numa peça central para o futuro. Por isso, um negócio que lhes dê uma selecção alta no draft pode valer um dos terços do Big Three.

Muitas dúvidas devem passar pela cabeça de Danny Ainge por estes dias. Dar mais este ano de hipótese aos Big Three? Tentar aproveitar uma oportunidade de ouro para reconstruir? Apostar tudo no presente, correndo o risco de comprometer o futuro? Apostar no futuro, correndo o risco de desperdiçar o presente? Que faziam se fossem o Danny Ainge?

26.1.12

O longo caminho dos Lakers


Parece que os Lakers ainda não estão prontos para entregar as chaves da cidade aos Clippers. No segundo round da batalha de LA (e em vários momentos da partida foi mesmo uma batalha!) os Lakers levaram a melhor e mostraram um jogo colectivo que ainda não tinham mostrado esta temporada.

Como já escrevemos mais do que uma vez (aqui e aqui, por exemplo), os Lakers são sempre melhores quando envolvem mais Gasol (e Bynum) no ataque. E ontem foi isso mesmo que aconteceu. Muitos dos ataques da equipa começaram com a bola no interior, a poste baixo, nas mãos de Gasol ou Bynum. A partir daí, ora jogavam 1x1, ora (quando vinha ajuda defensiva) iniciavam a rotação da bola.

Kobe jogou muitas vezes off the ball, ora recebendo a bola após receber bloqueios, ora recebendo-a a poste baixo também (onde desempenhava o mesmo papel de Gasol e Bynum, no 1x1 ou como iniciador da rotação). Os Clippers optaram, na maioria das vezes, por fazer 2x1 a Bryant e este não respondeu com lançamentos forçados, mas antes assistindo e envolvendo os seus companheiros. 

Mike Brown recorreu também muitas vezes ao pick and roll entre Kobe e Gasol, e o shooting guard, sempre que sofria 2x1, assistia o espanhol quando este desfazia. Bryant foi, ao longo de todo o jogo, um facilitador e distribuidor e, como resultado disso, o ataque dos Lakers foi muito mais fluido e eficaz. Depois deste jogo, o Google não vai ter dificuldades em encontrar passes de Kobe e nenhuma posse de bola ilustra isso tão bem como aquela que podem ver aos 2:56:


Kobe a passar a bola numa posse de bola para decidir o jogo! A assistir na posse de bola decisiva, a 32 segundos do fim! Um momento raro e um grande momento para o ataque dos Lakers.

Mas esse ataque é ainda um projecto em construção. Afinal, não se esqueçam que mudaram de treinador e mudaram o sistema ofensivo em que jogavam há mais de uma década. Uns percalços pelo caminho são normais e não podemos esperar que o ataque funcione na perfeição imediatamente.
E por isso, esta temporada têm dois problemas: a fase de adaptação ao novo sistema ofensivo e o comportamento de Kobe durante essa fase.

Porque sempre que os Lakers passam por alguma fase de mudança ou adaptação, Kobe tenta atalhar caminho e tenta resolver e fazer tudo sozinho. Quando a equipa passa por alguma dificuldade (neste caso, dificuldades normais na aprendizagem e prática de novas jogadas), Kobe reage tentando fazer tudo para compensar esses problemas. Tenta fazer mais. E entra num jogo mais individualista que, embora com boas intenções, prejudica a evolução da equipa.

E entram num ciclo vicioso: enquanto a equipa está a aprender o sistema e ainda não executa o ataque tão bem, Kobe tenta compensar e fazer tudo, mas ao fazer isso, interfere com o ataque e prejudica a sua evolução.

Os Lakers (e Mike Brown) têm, portanto, dois problemas interdependentes para resolver e um caminho para percorrer. Ontem deram um passo grande em frente nesse caminho.

25.1.12

Nem o Google encontra os passes de Kobe?


Já que os passes (ou falta deles) de Carmelo e Kobe têm andado nas bocas do mundo, aqui fica mais esta (divertida) acha para a fogueira:


(via Got'em Coach)


Defesa campo inteiro


Depois de Quentin Richardson... Jason Richardson. Parece que os Magic estão a especializar-se em defender a partir do banco:


(via Miguel Lopes)

24.1.12

The Battle of LA, round 2


Antes do primeiro jogo entre os vizinhos e rivais, os Lakers reclamavam Los Angeles para si:



Mas foram os Clippers que levaram a melhor no primeiro round. Pois amanhã, na madrugada de quarta para quinta, temos a desforra. 

E não é só a primazia na cidade de Los Angeles que estas duas equipas disputam esta temporada. Também o título da Pacific Division irá para uma delas (os Lakers já têm 22, os Clippers tentam ganhá-lo pela primeira vez).

E é também uma oportunidade para ganhar uns trocos com os grandes jogos da NBA. Já se registaram no site da Dhoze para testar os vossos conhecimentos? Podem começar só com 10€ e eles oferecem mais 5€ de bónus. Em quem apostam para amanhã?

Unhas de basquetebol


Uma ideia para as nossas leitoras (se os leitores também quiserem fazê-lo, estão à vontade, claro!):



23.1.12

Um nome para a história dos Spurs


Os Spurs anunciaram que vão retirar o número de... Bruce Bowen.
Bowen representou a equipa de San Antonio em 603 jogos (todos como titular), entre 2002 e 2009, com médias de 6.4 pontos, 3 ressaltos e 1.3 assistências. Números que dificilmente colocam um jogador como candidato a ver a sua camisola no topo dum pavilhão. O que só nos mostra que os números não contam a história toda.


Como Gregg Popovich destacou quando o anúncio foi feito, "o Bruce foi o melhor defensor exterior da NBA durante quase uma década." Foi nomeado para a All Defensive Team em oito das nove temporadas que jogou no Texas (8 vezes consecutivas; 3 vezes All Defensive Second Team - 2001, 2002 e 2003 - e 5 vezes All Defensive First Team - 2004 a 2008) e é um dos cinco extremos na história da NBA que conseguiram esse feito (os outros são Scottie Pippen, Michael Cooper, Bobby Jones e John Havlicek).

Voltando às palavras de Popovich, "as estatísticas são insignificantes para medir a sua importância para a organização. A verdade é que os Spurs não tinham ganho títulos em 2003, 2005 e 2007 sem o Bruce Bowen. O sucesso dele é a prova que a determinação e o trabalho duro compensam."

A consciência de Carmelo



Ainda a propósito do post anterior e dos Knicks, Carmelo disse aos jornalistas no final do jogo que se calhar devia lançar menos e passar mais a bola.

Pois, se calhar devia.

22.1.12

Um grande problema na Big Apple


Ontem à noite, os Nuggets escaparam do Madison Square Garden com uma vitória naquele que foi provavelmente o jogo mais trapalhão, mais acidentado e mais mal jogado da temporada. As duas equipas juntas tiveram 43 turnovers e não faltaram erros infantis, muitos maus lançamentos e perdas de bola incríveis. Foi um jogo inacreditável, onde aconteceu de tudo: jogadores a falhar lançamentos isolados debaixo do cesto, jogadores a passar para as mãos dos defensores, jogadores a deixar a bola escapar das mãos, jogadores a recuperar a bola e a perde-la logo a seguir (houve um momento no 3º período em que isso aconteceu três vezes consecutivas num espaço de poucos segundos), Andre Miller no final do tempo regulamentar com uma linha de passe clara para Corey Brewer junto ao cesto e a atirar a bola contra o aro e um final caricato no 1º prolongamento, com o árbitro a agarrar a bola antes desta sair do campo e terem de fazer uma bola ao ar com 0.3 segundos para jogar (atiraram a bola ao ar, acabou logo o tempo e seguimos para 2º prolongamento).

Mas o que também não faltou foi emoção. Pode não ter sido bonito, mas foi sem dúvida emocionante. Embora mal jogado, foi um jogo disputado até ao último segundo e só ao fim de dois prolongamentos a equipa que jogou menos mal conseguiu escapar com a vitória (e vão seis derrotas consecutivas para New York). 

Foi também uma noite de reencontros e recordes. Dois ex-Knicks marcaram o seu máximo de carreira (Gallinari, com 37, e Mosgov, com 16) e outro ex-Knicks, Al Harrington, acabou com 24 e dois triplos decisivos (um no fim dos 48 minutos e outro no fim do 2º prolongamento para selar a vitória). Para quem o reencontro não correu tão bem foi Carmelo, que apesar dos 25 pontos, sentiu muitas dificuldades ao longo de todo o jogo (bom trabalho defensivo de Corey Brewer) e precisou de 36 lançamentos para marcar esses 25 pontos (10-30 em lançamentos de campo, com 1-7 nos 3pts, e 4-6 em lances livres).

E as dificuldades de Carmelo foram apenas o início dos problemas dos Knicks. Mais preocupante foi o  péssimo ataque da equipa (é claro que Carmelo tem responsabilidade nisso, mas não é só ele). Preocupante e surpreendente. Na temporada passada, o ponto fraco deles era a defesa. Terminaram 2010-11 com o 7º melhor ataque e a 22ª defesa. Com a contratação de Tyson Chandler, a selecção no draft de Iman Shumpert e a contratação de Mike Woodson para adjunto, esperava-se que subissem uns lugares na defesa. E assim aconteceu. Esta temporada estão com a 10ª melhor defesa (um DefRtg de 101.1, menos 10 que no ano passado). O que não se esperava era que piorassem no ataque. E como pioraram.

Apesar de continuarem a ser uma das equipas que joga mais rápido (3ª, com 94.5 posses de bola por cada 48 minutos), estão em 24º no Ofensive Rating (98.6 pontos por cada 100 posses de bola). O que quer dizer que jogam rápido, mas mal. E ontem isso ficou bem claro. Abusam nas jogadas de isolamento (são a equipa que mais jogadas destas faz, com 16%), não têm um point guard (jogam Toney Douglas e Iman Shumpert adaptados), não movimentam a bola no ataque, limitando-se a rodar a bola no perímetro até alguém lançar. E isso quando rodam, porque muitas vezes o ataque limita-se a um jogador que recebe a bola e lança ou joga 1x1. Quando não fazem uma jogada de isolamento, fazem muitas vezes um pick and roll com Carmelo. Só que Carmelo é não é um bom passador e um pick and roll com ele termina sempre com lançamento. Dele, claro.

Ontem, o único point guard disponível, Mike Bibby, não jogou um único minuto. É claro que Bibby é um risco na defesa e seria destruído por Ty Lawson ou Andre Miller, mas o ataque estava mau demais para Mike D'Antoni não experimentar essa solução. Porque os Knicks precisam urgentemente de alguém que organize aquele ataque. Precisam de movimentar a bola. E precisam que Carmelo comece a passá-la. Com Shumpert e Landry Fields no cinco inicial (e Douglas a sair do banco) ficam com uma defesa melhor, mas nenhum deles é remotamente um organizador. E depois acontece aquilo que vimos: uma ausência total de fluidez no ataque e uma ausência total de jogo colectivo.

Baron Davis parece perto de regressar (talvez na próxima semana), o que poderá melhorar o panorama. Mas os Knicks têm um problema grande naquele lado do campo para resolver.

21.1.12

Quentin Richardson, o melhor defensor a partir do banco?


Quem disse que é preciso estar em campo para ajudar a equipa na defesa?




E esta? Grande jogada ou grande falha defensiva?


Depois do lançamento de Billups a dar a vitória aos Clippers no último segundo, temos a equipa de Los Angeles do lado oposto da equação:



Grande jogada ou grande falha defensiva? Grande jogada e falha defensiva considerável.

Com 1.5 segundos para jogar, os Wolves só tinham tempo para receber a bola e lançar. Ao contrário da jogada de Billups (onde tinham tempo para explorar várias opções), aqui o jogador que recebesse não tinha tempo para mais nada. E Rick Adelman desenhou uma movimentação que conseguiu o mais difícil numa situação destas: um lançamento isolado, com o jogador a ter tempo e espaço para fazê-lo sem qualquer defesa a pressionar.

Tudo começou com um corte semelhante ao que Butler fez na jogada dos Clippers. Neste caso, é Derrick Williams que corta pela frente daquele triplo bloqueio no topo do garrafão. Nesse triplo bloqueio, temos Love no meio de Rubio e Ellington. E é aqui que tudo começa: Love abre para a linha a três pontos e, nesse momento, Rubio e Ellington juntam-se e fazem um duplo bloqueio ao seu defensor, DeAndre Jordan. Foi, literalmente, como uma porta automática a fechar-se à frente de Jordan (vemos isso na perfeição no plano de frente, aos 1:05 do vídeo).

E é aqui que entra a falha defensiva. Jordan fica completamente fora da jogada e preso no bloqueio. Mas aí não é sua a falha. O mérito maior aí é dos Wolves. Onde os Clippers falham é ao não trocar defensivamente nesse bloqueio. Com tão pouco tempo para jogar, um mismatch duma troca defensiva não era um problema e o único objectivo da defesa tinha de ser não deixar um jogador sozinho. Ter alguém a pressionar o lançador. 

E no entanto, os defensores de Rubio e Ellington (Randy Foye e Ryan Gomes) não trocaram, nem sequer deram um tempo de ajuda e o único jogador que saiu a Love foi DeAndre Jordan. Depois de se libertar do bloqueio e tarde demais, claro. Foye ou Gomes, um deles tinha de trocar no bloqueio e ir atrás de Love. Se a falha é deles ou do treinador Vinnie Del Negro (que pode ter dito para não trocarem nos bloqueios), não sabemos. Mas é uma falha que lhes custou um jogo.

19.1.12

Grande jogada ou grande falha defensiva?




Grande jogada e grande falha defensiva. Uma movimentação bem planeada, com várias opções de lançamento, mas que acabou da forma mais simples e logo na primeira opção.

Caron Butler inicia a jogada passando pelo triplo bloqueio de Griffin, Williams e Jordan no canto do garrafão e cortando para o cesto (se quisermos ser rigorosos podemos considerar esta a primeira opção, mas só uma falha defensiva monumental poderia permitir um lançamento com um corte simples e o verdadeiro objectivo do corte era abrir para o outro lado do campo). 

Butler aclara então para o lado contrário e posiciona-se na linha de três pontos. Após o corte de DeAndre Jordan para dentro do garrafão (posiciona-se para um possível ressalto ofensivo) e um bloqueio de Mo Williams a Griffin, este recebe a bola na linha de três pontos. 
Billups, que repôs a bola em campo, corta em direcção a Griffin e, com este a fazer o bloqueio, recebe a bola à mão. Era aqui que a jogada começava verdadeiramente e tinha, neste ponto, várias opções (podemos vê-las todas no momento em que Billups lança - aos 0:20 no vídeo -):

Primeira: Billups conseguia libertar-se e lançava. Segunda: se Billups não tivesse espaço para lançar e Jason Terry viesse na ajuda, assistia Mo Williams abaixo da linha de lance livre. Terceira: se Billups não conseguisse espaço para lançar, Jason Terry não viesse à ajuda e Mo Williams não ficasse sozinho, Billups aproveitava o bloqueio para driblar para o meio do campo e assistir Caron Butler do lado contrário. Se nenhuma destas funcionasse, Billups tinha ainda a opção de lançar na cabeça do garrafão ou penetrar para o cesto.

Mas com o lapso de Jason Kidd (que se deixou dormir e não acompanhou o corte de Billups para a bola), nem foi necessário passarem da primeira opção: Billups conseguiu espaço para fazer um grande lançamento. 

E a menos que Rick Carlisle tenha dado instruções em contrário (o que naquele caso duvidamos), era também responsabilidade de Ian Mahinmi dar um tempo de ajuda sobre Billups quando Griffin faz o bloqueio. Jason Terry ainda saiu ao base dos Clippers, mas já não foi a tempo. Foi uma jogada ofensiva bem planeada para uma defesa que não esteve à altura.

18.1.12

Em San Antonio têm olho para a coisa


Ontem, com quatro minutos para jogar no 1º período do jogo entre os Spurs e os Heat, a equipa de San Antonio tinha em campo: Cory Joseph, Gary Neal, Danny Green, Kawhi Leonard e DeJuan Blair. Um cinco constituído por uma 29ª escolha no draft, uma 15ª escolha, uma 7ª escolha... da segunda ronda (37º total) e duas descobertas na D-League. 

Mesmo descontando o colapso no 3º período e o resultado final deste jogo, este é o último exemplo do brilhante trabalho de prospecção e recrutamento que fazem em San Antonio. Nenhuma equipa na NBA o faz melhor e de forma mais regular que eles. Ano após ano, o general manager RC Buford e a sua equipa tiram coelhos da cartola e descobrem pérolas que mais ninguém conhece ou em que mais ninguém quer apostar. Descobrem futuros All Star no fundo do draft, encontram jogadores de universidades pequenas e  talentos pelos quatro cantos do mundo.

A lista é inacreditável: Manu Ginobili (57ª escolha no draft de 1999!), Tony Parker (28ª em 2001), George Hill (26ª escolha em 2008, vindo da desconhecida UIPUI), DeJuan Blair (37ª escolha em 2009; este era conhecido e não foi escolhido mais cedo porque haviam muitas dúvidas sobre os seus joelhos, mas os Spurs apostaram nele e mais uma vez sairam-se bem), Beno Udrih (28ª escolha em 2004) e podíamos continuar.


Para além do brilhante trabalho na prospecção de talentos, também são mestres no recrutamento de jogadores veteranos (muitos já em fase descendente da carreira), na reabilitação de jogadores aparentemente perdidos (no fundo do banco de outras equipas ou em ligas secundárias) e na integração desses jogadores na equipa. Pegam em jogadores que já ninguém quer, ninguém quer pegar e conseguem torná-los jogadores úteis para a equipa. Ou jogadores que noutras equipas não rendem metade e os Spurs conseguem retirar deles o que parecia impossível.

Também aqui temos uma lista infindável e inacreditável: Gary Neal (nunca foi escolhido no draft e estava a jogar na Europa), TJ Ford (este não era desconhecido, mas estava perdido no fundo do banco de Indiana), Danny Green (D-League), Fabricio Oberto (jogava na Europa e chegou aos Spurs já com 30 anos), Antonio McDyess (teve uma segunda vida nos Spurs), Matt Bonner, Steve Kerr, Bruce Bowen, Robert Horry, Michael Finley e podíamos continuar por aí fora.

E, sejam rookies desconhecidos ou veteranos reabilitados, Gregg Popovich é um mestre em retirar o máximo rendimento de todos eles. Aliem esta capacidade de os integrar numa estrutura bem sucedida ao brilhante trabalho de olheiro e temos uma das equipas melhor geridas da liga. Um exemplo de como fazer e gerir uma equipa. Um exemplo de como fazer o máximo possível com o que se tem.

16.1.12

Novo balneário dos Pistons


E o novo balneário dos Bad Boys, que vos parece? Nada mau, hein?


(via Ressalto)

Os convocados para Londres 2012



Já saíram os 20 pré-convocados da selecção norte-americana para os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, e eles são:

LaMarcus Aldridge (Portland Trail Blazers)
Carmelo Anthony (New York Knicks)
Chauncey Billups (Los Angeles Clippers)
Chris Bosh (Miami Heat) 
Kobe Bryant (Los Angeles Lakers)
Tyson Chandler (New York Knicks)
Kevin Durant (Oklahoma City Thunder)    
Rudy Gay (Memphis Grizzlies)    
Eric Gordon (New Orleans Hornets)   
Blake Griffin (Los Angeles Clippers)
Dwight Howard (Orlando Magic)
Andre Iguodala (Philadelphia 76ers)
LeBron James (Miami Heat)
Kevin Love(Minnesota Timberwolves)
Lamar Odom (Dallas Mavericks)
Chris Paul (Los Angeles Clippers)
Derrick Rose (Chicago Bulls)
Dwyane Wade (Miami Heat)
Russell Westbrook (Oklahoma City Thunder)
Deron Williams (New Jersey Nets)

Destes, uma dúzia formará a equipa olímpica dos Estados Unidos. Que vos parece? Há alguém que não está aqui e devia estar? E quem serão os 12 com um lugar em Londres?

15.1.12

14.1.12

NBA 2011-12: Esperem o inesperado


Três características estão a definir (e vão definir) esta temporada na NBA: velocidade, imprevisibilidade e sorte. 
Com tantos jogos concentrados em menos tempo, os acontecimentos sucedem-se a um ritmo supersónico. Piscamos os olhos e perdemos logo alguma coisa. Ficamos um dia ou dois sem ver jogos e perdemos logo recordes históricos, momentos marcantes e jogos emocionantes. É essa a primeira grande característica desta época: não podemos desligar-nos por um segundo que seja sem nos arriscarmos a deixar algo importante passar ao lado.

Vejam o exemplo desta semana: só nestes últimos 5 dias tivemos Dwight Howard a bater o recorde da NBA de lances livres tentados num jogo (39!), Dirk Nowitzki a tornar-se o 23º jogador na história a atingir os 23.000 pontos, os Heat, depois dum começo demolidor, a perderem três jogos seguidos, Kobe Bryant numa série de  três jogos consecutivos a marcar 40 ou mais pontos e os Hawks a sofrer um duro golpe nas suas aspirações com a lesão prolongada de Al Horford. E isto só para referir algumas das coisas mais importantes que aconteceram.


O que nos leva à segunda característica desta temporada: tudo pode acontecer. Se numa temporada normal na NBA, qualquer equipa pode ganhar a qualquer uma, então numa temporada com os training camps reduzidos e com tantos jogos em tão pouco tempo, isso nunca foi tão verdadeiro. Com tantos back-to-backs e com back-to-back-to-backs, qualquer equipa pode ganhar qualquer jogo (pronto, tirando os Wizards!). Numa noite podemos ter os Hawks a perder com os Bulls e na noite seguinte ter os mesmos Hawks a ganhar-lhes por 30. 

Temos visto equipas a fazer grandes exibições numa noite e exibições para esquecer no dia seguinte. E até na mesma noite e dentro do mesmo jogo, vemos oscilações grandes nas exibições. E pode acontecer a qualquer equipa. Se as mais veteranas sentem mais dificuldades em aguentar a carga física e o cansaço provoca a irregularidade, as mais jovens sentem mais dificuldades em aguentar o cansaço mental de tantos jogos seguidos e isso provoca irregularidade também. Podemos, por isso, esperar tudo.

E essa carga física e mental, aliada ao pouco tempo de preparação que as equipas tiveram, leva-nos à terceira característica desta temporada: mais lesões. O esforço maior e o tempo de descanso menor provocam inevitavelmente mais desgaste nos corpos dos jogadores. Mais desgaste deixa-os mais propensos a lesões. E até agora temos tido muitas. Entorses, estiramentos e pequenas mazelas têm sido às dezenas e não há uma equipa que não tenha já tido baixas. E, infelizmente, também já tivemos algumas lesões mais graves.

Al Horford rompeu na quinta feira um músculo do peito e está fora de combate por 3 ou 4 meses. Um rude golpe para uma equipa dos Hawks que estava a ter um óptimo começo e estava melhor que em anos anteriores. Agora sem Horford as suas aspirações de desafiar as melhores equipas do Este devem ir desta para melhor. Kwame Brown também está fora de combate por 3 ou 4 meses com uma lesão semelhante e embora este não tenha a mesma importância que Horford, é uma baixa importante para uns Warriors pequenos e com um frontcourt limitado.

Os Grizzlies também foram atingidos pela falta de sorte e sem Zach Randolph por 2 a 3 meses vai ser dificil repetir o êxito da temporada passada. Os Spurs ficaram sem Ginobili por 2 meses também. A sorte vai ter, por isso, um papel maior que o habitual. Basta um momento de azar para mudar todos os planos e poder estragar a temporada duma equipa. 

Este ano, portanto, tudo vai acontecer mais rapidamente e de forma mais imprevisível. Esperem tudo, porque tudo pode acontecer. Que temporada esta!

13.1.12

12.1.12

E vão seis para os Sixers


Ontem tivemos uma jornada de pernas para o ar na NBA. Os Heat perderam surpreendentemente em Oakland (com um descalabro no 4º período a reavivar fantasmas do passado em South Beach) e os medíocres Wizards conseguiram a primeira vitória da temporada. Os contemplados com tal embaraçosa medalha no currículo? Os Raptors. E depois dos jogos de ontem, são cinco as equipas que lideram o pelotão da liga com apenas duas derrotas. Heat, Bulls, Thunder, Blazers e... Sixers.

Se as três primeiras não são surpresa e a quarta é apenas uma meia surpresa, a equipa de Philadelphia é uma surpresa total neste lote. Ontem deram uma cabazada aos Kings e vão em meia dúzia de vitórias consecutivas. Depois de terminarem a temporada passada com um recorde de 41-41 (8º no Este), terem ficado pelo caminho na primeira ronda dos playoffs (1-4, com os Heat) e não terem praticamente mexido no plantel para este ano, ninguém daria metade disto por eles. Esperava-se mediania, mas estão a detonar todas as previsões. E como.


Estão com a melhor defesa e o terceiro melhor ataque. Impensável no início da temporada e impossível de manter até ao fim da mesma, mas, para já, assombroso. São a equipa que sofre menos pontos por jogo (85.6!) e que tem o melhor Defensive Rating (91.9). E se, muitas vezes, os pontos sofridos não representam de forma fiel a defesa duma equipa, pois esse valor pode ser influenciado por um ritmo de jogo baixo (basicamente, se uma equipa jogar mais lento, vai sofrer menos pontos, daí o Defensive Rating ser uma medida mais fiel da eficácia duma defesa), não é o caso nesses 85 pontos sofridos por jogo pelos Sixers, pois têm o nono ritmo de jogo mais elevado (93.1 posses de bola por cada 48 minutos). E o Defensive Rating não mente: são a equipa que menos pontos sofre em cada 100 posses de bola.

No ataque, são a terceira equipa que mais pontos marca por jogo (101.6) e o Ofensive Rating de 109.1 é, como dissemos, o terceiro melhor da liga. E isto tudo é ainda mais surpreendente quando vemos que não têm nenhuma super-estrela na equipa (ou se calhar não, pois obriga-os a jogar de forma mais colectiva; veja-se o exemplo semelhante dos Nuggets também). O seu melhor marcador é Louis Williams, com 16.4, mas têm mais cinco jogadores com mais de 10 pontos/jogo (Holiday, Iguodala, Young, Hawes e Turner; e ainda Elton Brand com 9.6). 

Spencer Hawes, como já referimos neste post das surpresas individuais, está a jogar melhor do que alguma vez jogou, estão a lançar bem (48.5 dos 2pts e 35.7 dos 3pts) e estão a cuidar da bola como nunca cuidaram (a segunda com emnos turnovers!). Não sabemos até quando vão continuar a jogar assim, mas já despertaram a nossa atenção (e a de muita gente). Vamos ficar atentos a estes Sixers.

11.1.12

Mais uma vez Barkley não desilude


Charles Barkley está em grande. No ar ou fora dele, Barkley consegue sempre entreter-nos, por isso, seguindo a sugestão do João Tavares, fiquem com Sir Charles no histórico Saturday Night Live. Primeiro temos o seu monólogo de entrada:



E depois uma sátira ao Inside the NBA, com Sir Charles a fazer o papel de Shaquille o'Neal:



O meu momento preferido? São demais para escolher!

9.1.12

4 jogadores que começaram em grande


Já falámos aqui de duas equipas que estão a surpreender neste início de temporada (e também aquela outra que está a desiludir). Hoje passamos para o plano individual e para quatro jogadores que estão a superar as todas as expectativas e a jogar surpreendentemente bem nestas primeiras semanas:


Kyle Lowry
Falhou os últimos dois jogos (por lesão, mas nada muito grave; uma pancada e um pé dorido a precisar duns dias de repouso) mas até aí, em 6 jogos, estava com números de elite (15.3 pts, 10 ast e 6.2 res). Nas últimas 3 temporadas, Lowry tem melhorado sempre os seus números  e nesta está a dar um salto de gigante. São números muito difíceis de manter até ao fim da temporada, mas foi um dos melhores bases da liga nestas duas primeiras semanas e uma agradável surpresa para uma equipa dos Rockets que teve uma offseason atribulada. 

Ryan Anderson
O power forward dos Magic sempre foi bom atirador, mas este ano juntou-lhe a isso mais agressividade perto do cesto e um arsenal mais completo. Até agora, quase dobrou a média de pontos (de 10.6 em 2010-11 para 18 em 2011-12), está a ganhar mais ressaltos (de 5.5 para 7.3) e até na defesa está melhor. Tem sido o segundo melhor jogador da equipa de Orlando e um dos maiores responsáveis pelo seu bom início de época.

Ricky Rubio
Já esperávamos que o jovem base espanhol fosse bom (e esperávamos que fosse melhor na NBA do que na Europa, pois ter mais espaço e um garrafão menos ocupado beneficia o seu estilo de jogo), mas ninguém esperava que fosse tão bom tão cedo. Os Wolves tinham grandes expectativas para ele, mas mesmo eles não pensavam que estas se concretizassem tão rápido. Com uma equipa jovem, recheada de atiradores, jogadores interiores e muitas armas ofensivas, Rubio está a revelar-se um maestro eficiente e um passador de elite (7.6 ast/jogo e ontem fez 14) e até nos lançamentos, que eram apontados como o seu ponto fraco, está a superar as expectativas (48.3% nos 2pts e 50% nos 3pts).

Spencer Hawes
Lidera a liga em percentagem de lançamento (67%), está a ressaltar como um poste a sério (dobrou o número de ressaltos, de 5.7 no ano passado para 10.6 este ano, e está com números à lá Tyson-Chandler-do-ano-passado na tabela defensiva: 27.1% nos ressaltos defensivos), está a lançar (e bem) de média distância (o que dá mais uma opção aos Sixers nos pick and rolls e, alternando com Elton Brand a jogar no interior e no exterior, um frontcourt mais imprevisível). Nem os Sixers esperavam que Hawes estivesse a jogar tão bem nesta altura.

Ooops, os Mavs fizeram-no de novo


Os campeões Dallas têm desiludido um pouco dentro de campo, mas fora dele continuam a fazer os melhores vídeos de auto-promoção:



8.1.12

A língua de Barkley nunca desilude


Num intervalo da emissão, com o microfone desligado (ou assim pensava ele), Sir Charles diz aquilo que realmente pensa dos Hawks (e também do seu trabalho como comentador):



1996-97 vs 2011-12


Ok, vamos levar isto a votos:
Em discussão com o meu amigo Hugo José sobre se Michael Jordan seria tão bom se jogasse hoje (eu digo que ele seria o melhor jogador do mundo jogasse nos anos 90, agora ou daqui a 20 anos, ele tem as suas dúvidas), uma questão paralela surgiu: se o jogo, atleticamente, evoluiu muito ou pouco desde os anos 90 (esse era o argumento principal para ele ter dúvidas se Jordan seria tão bom hoje, pois, para ele, o jogo teve uma evolução física tremenda desde essa década e jogadas que eram assombrosas nesse tempo são hoje normais). 

E, para defender a sua tese, apresentou-me hoje duas provas. Dois Top 10 de afundanços, um com os melhores afundanços da temporada 96-97 e outro com os dez melhores afundanços desta segunda semana da presente temporada. Segundo ele, pelo menos quatro destes dez entrariam no top 10 da temporada 96-97. Por isso, vamos a votos: algum (ou quais) destes afundanços de Janeiro entrariam no top 10 de 96-97 (e qual tiravam, se tiravam algum)?

(o Top 10 desta semana ainda não está no canal da NBA no Youtube e não nos é possível mostrá-lo aqui, mas podem vê-lo aqui no NBA.com)




7.1.12

Já ganham com a NBA?


Para quem já se registou no site da Dhoze, checkem o blogue do nosso leitor Nuno Pimenta, o Registos Briosos, onde podem encontrar previsões sobre jogos do dia e dicas para fazerem as vossas apostas.

Se ainda não o fizeram, por que esperam? Registem-se e aproveitem as dicas do Nuno (e as nossas, claro) para ganhar uns trocos com os jogos da NBA.


6.1.12

Uma surpresa, uma semi-surpresa e uma desilusão completa


Ainda vamos no início da temporada e esta, como sabemos, é uma maratona. Mas numa mais curta e com mais jogos concentrados em menos dias como esta, há dois momentos fundamentais para as equipas: o começo e o fim. Um bom começo pode dar motivação para o resto e uma margem de manobra mais para a frente, quando as pernas começarem a fraquejar. E um bom final, quando já houver equipas com as pernas a fraquejar, pode ser determinante para uma corrida aos playoffs ou um posicionamento melhor nos mesmos. 

Por isso, com as equipas já com 6 a 8 jogos disputados, podemos fazer um primeiro balanço deste primeiro momento fundamental e destacar algumas equipas que estão a superar as expectativas ou que estão a defraudá-las. Vamos a elas:


A surpresa: PORTLAND TRAIL BLAZERS

Já lhes tinhamos dado uma nota positiva na offseason, mas estão a revelar-se ainda melhores do que esperado. Sabíamos que mesmo sem Roy e Oden continuavam a ter uma boa equipa e com a adição de Jamal Crawford e Kurt Thomas iam manter-se competitivos e com um lugar nos playoffs. Mas ninguém diria que estariam neste momento em primeiro lugar do Oeste. Podemos argumentar que esse lugar se deve tanto ao seu bom desempenho como ao mau desempenho de algumas das equipas favoritas, mas os Blazers estão a jogar o basquetebol mais eficaz da conferência e algum do melhor basquetebol na liga (4º melhor ataque e 6ª melhor defesa). A defesa já sabíamos que ia ser boa, o ataque está a ser sua maior surpresa.
A nível individual, LaMarcus Aldridge está cada ano melhor jogador (um excelente exemplo de evolução, maturação e aprendizagem), Gerald Wallace está de volta à sua forma de All Star e Jamal Crawford continua a fazer o que fazia em Atlanta: sair do banco e marcar pontos. 
Vamos ver até onde podem ir estes Blazers.


A semi-surpresa: MINNESOTA TIMBERWOLVES

Ricky Rubio simboliza o caso de toda a equipa dos Wolves: esperavam-se coisas boas, mas não tão boas. Estão a jogar melhor do que o recorde mostra (2-4, mas com algumas derrotas mesmo no fim) e  parecem muito mais focados e organizados que no passado. Obviamente que não é coincidência que isso suceda quando Rick Adelman chega ao banco e quando Rubio está a jogar como tem feito. Já tinham muito potencial, mas faltava alguém para o dirigir e potenciar. E agora têm alguém para o fazer na linha lateral e no campo. Ainda há muito trabalho para fazer, mas estão no bom caminho. Parece que, como prevíamos, há razões para esperar um futuro mais risonho em Minnesota.


A desilusão completa: WASHINGTON WIZARDS

E nos antípodas dos Wolves e Blazers temos os Wizards. Ninguém esperava que fossem bons, mas também não se esperava que fossem tão maus como têm sido (0-6, com o pior ataque e a 25ª defesa). E o mais preocupante é que dois dos jogadores em que eles apostam o seu futuro (Blatche e McGee) não mostram nenhuma evolução e continuam tão imaturos e desconcentrados como sempre e o outro (John Wall) vê a sua evolução prejudicada por estes. Mas devíamos estar mesmo a adivinhar que era isto que ia acontecer quando o treinador dá um livro sobre liderança a um jogador, para ler na offseason, e ele chega ao training camp e diz que leu metade. Qual foi o jogador? Andray Blatche, pois claro. Como ele, os Wizards ameaçam tornar-se a anedota da liga.


5.1.12

NBA, cheguei!


Já aqui falámos da inspiradora história de vida de Kenneth Faried. Ontem o jovem power forward dos Nuggets marcou os seus primeiros dois pontos da carreira (acabou com 7, mais 4 ressaltos e 4 desarmes, em 9 minutos de utilização). E nada mau para o primeiro cesto na NBA:



NBA All Star Game 2012


Já começaram as votações para o All Star Game deste ano (dia 26 de Fevereiro, em Orlando). Podem votar nos jogadores que querem ver como titulares a Este e Oeste aqui.



4.1.12

Só o mérito de Thibodeau ganhou ao mérito dos Hawks


Antes de mais, as minhas desculpas pelo comentário tardio ao jogo de ontem entre os Bulls e os Hawks, mas foi um dia cheio de trabalho e só agora consegui sentar-me à frente do computador a escrever.
Passando então ao referido, desde que o vi ontem e desde o momento em que, durante o jogo, acompanhava os comentários ao mesmo e li, depois, as reacções àquele que uma ideia me acompanha: mas ninguém dá mérito aos Hawks pela má exibição dos Bulls?

Sim, a equipa de Chicago fez um jogo péssimo. Sim, estiveram desinspiradíssimos e desacertadíssimos durante três periodos. Foram provavelmente os três piores períodos da era Thibodeau-Rose. Mas isso é apenas constatar um facto. O que temos de nos perguntar é: porque jogaram os Bulls tão mal? 
E a equipa de Atlanta teve muito que ver com isso. Desaceleraram o jogo sempre que puderam, jogaram lento e atacaram devagar, tentando sempre usar ao máximo os 24 segundos de ataque. E tiraram aos Bulls o que eles gostam de fazer: jogar rápido, com transições e ataques rápidos. Baixaram o ritmo de jogo e obrigaram-nos a jogar duma forma que não gostam e não estão habituados. Duma forma que demoraram mais de 30 minutos a conseguir contrariar.

A mesma receita já tinha sido aplicada na noite anterior frente aos Heat. Nesse jogo, recorrendo à mesma estratégia, mantiveram a equipa de Miami abaixo dos 100 pontos pela primeira vez esta temporada e saíram de South Beach com uma vitória surpreendente. E ontem essa receita só não teve o mesmo resultado porque falharam aqueles três lances livres nos últimos 16 segundos do jogo.

Por isso, sim, foi um jogo mau dos Bulls, mas os Hawks fizeram muito por isso. Em vez de os tentar bater no jogo deles, levaram-nos para o seu jogo. Não foi bonito, mas foi (quase) eficaz. Por isso, mérito aos Hawks e a Larry Drew pela estratégia. Mas, infelizmente para eles, o jogo não terminou sem um mérito (maior) para Tom Thibodeau. Primeiro por ter colocado Asik, mais lento e menos móvel que Noah, mas mais talhado para este tipo de jogo lento (e foi com o turco em campo que conseguiram contrariar o ataque lento dos Hawks e finalmente começar a contra-atacar) e depois por desenhar esta jogada brilhante na última posse de bola:



Derrick Rose foi o isco que os Hawks morderam. Duas vezes. Primeiro, o base dos Bulls recebeu o bloqueio de Noah e cortou em direcção à bola, como se para a receber, mas continuou o corte e o francês abriu do bloqueio, recebendo a bola na linha de três pontos. Rose voltou para trás, de novo em direcção à bola, como se a fosse receber na mão de Noah. Mas ao mesmo tempo, Luol Deng, que fez a reposição, cortou em direcção ao cesto. Joe Johnson e Josh Smith deviam esperar que Rose fosse receber a bola e, por um breve momento, ficaram os dois preparados para o perseguir. E isso deu a Deng o bocadinho de espaço necessário para se libertar. Noah assistiu-o debaixo do cesto e game winner. 

Thibodeau afirmou no fim que a jogada era mesmo para Rose. Mas ninguém acredita muito nele. Este jogo já acabou, mas há outros por vir. E Thibs quer ver se mais alguém morde este isco outra vez.

3.1.12

O desafio de Shaq


A semana passada, no Inside the NBA, Shaquille O'Neal prometeu mil dólares a quem fizesse uma tatuagem desta fotografia (que imortaliza o final da corrida entre Charles Barkley e Dick Bavetta no All Star Game de 2007):


E estava-se mesmo a ver que ia haver alguém suficientemente corajoso (ou maluco?) para a fazer. O primeiro corajoso (ou maluco?) foi Emmet Bentley, que registou o acontecimento em vídeo e publicou no Twitter a fotografia da dita cuja:


Shaq, apesar da tatuagem ser fraquita, parece que lhe deves mil dólares.

2.1.12

Mavs: tudo é grande no Texas, até as quedas


O Texas é o maior estado americano, maior que a França e quase duas vezes do tamanho da Alemanha. Se fosse um país, seria o 40º maior do mundo. Os americanos costumam dizer que tudo é maior no Texas ("everything is bigger in Texas") e, quando querem descrever algo muito grande, têm a expressão "do tamanho do Texas" ("Texas-sized"). 

Pois essa pode ser a melhor maneira de descrever o início da temporada dos Mavs. Uma queda do tamanho do Texas. Para já, estão em último lugar do Oeste (!) e, em cinco jogos, são 21ºs no DRtg, com 106.4, e 22ºs no ORtg, com 98.2. Uma queda de, respectivamente, 13 e 14 lugares.

Na temporada passada foram 8ºs tanto no DRtg como no ORtg, com 105 de DRtg e 109.7 de ORtg. Quer isto dizer que este ano estão muito piores, tanto no ataque como na defesa (já podíamos adivinhar isto pelos resultados e pelas exibições, mas os números mostram-nos quão grande está a ser a diferença para o ano passado). E os números preocupantes não ficam por aqui. Também nos ressaltos a diferença está a ser abismal. Em 2010-11, foram 11ºs em Res% e este ano caíram para 29º. Estão a ser, portanto, a segunda pior equipa em ressaltos.


O retrocesso na defesa e nos ressaltos é em grande parte explicado pela saída de Tyson Chandler. O poste agora nos Knicks era o seu melhor defensor interior e melhor ressaltador, com uma TRes% de 19.7 e uma DRes% de 26.6. Quer isto dizer que, de todos os lançamentos falhados pelas equipas adversárias, Chandler apanhava mais de 26% dessas bolas. Em calão basquetebolístico, limpava a tabela defensiva. Já para não falar da protecção do cesto e das penetrações e lançamentos que forçava os adversários a falhar. 

E não podemos esquecer também o contributo (menor, mas importante) de DeShawn Stevenson, que era o seu melhor defensor no perímetro. Para além disso, tanto Chandler como Stevenson davam uma agressividade à defesa (e à equipa) que os Mavs antes não tinham. Com eles, tranformaram-se numa equipa dura. Sem eles, estão de volta aos Mavs moles de temporadas passadas.

Mas se essa queda na metade defensiva era esperada (embora surpreenda a dimensão da mesma), mais surpreendente tem sido a queda do seu ataque. Porque se na defesa a saída de Chandler e Stevenson não foi compensada com a entrada de defensores tão bons como eles, para o ataque entraram jogadores que pareciam capazes de compensar a produção dos que saíram. Com Lamar Odom, Vince Carter e Delonte West não se esperavam tantos problemas desse lado do campo, mas estão a marcar menos 11.5 pontos por cada 100 posses de bola. 

Odom, Carter e West são melhores marcadores de pontos e jogadores mais fortes no 1x1 do que Chandler, Stevenson e até mesmo Barea, por isso à primeira vista, mesmo descontando o período sempre necessário à adaptação de novos jogadores, o ataque dos Mavs não devia ter tantos problemas. Mas há uma diferença fundamental entre estes jogadores e os anteriores: estes são penetradores e jogadores que manejam mais a bola e jogam com a bola nas mãos.

Ontem, no jogo frente aos Wolves, essa diferença ficou clara. O ataque dos Mavs passou de um ataque de passes e rotação da bola para um ataque de drible e penetrações. 
Na temporada passada, o ataque dos Mavs começava muitas vezes a poste baixo, com a bola em Nowitzki e atiradores posicionados no perímetro. Daí o alemão podia jogar 1x1 ou então, se a defesa fizesse 2x1 ou viesse a ajuda, soltar a bola e iniciar a rotação até encontrarem alguém sozinho para lançar. 
Outra forma do ataque começar era com Barea ou Terry a receber um bloqueio acima do garrafão. E estes dois eram os únicos que apoiavam o seu jogo em penetrações (e Terry menos que Barea, pois este era também, muitas vezes, um dos atiradores no perímetro). E as suas penetrações eram não só para finalizar, mas também para assistir e criar lançamentos para os outros. 
Este ano, para além de Terry, não têm nenhum jogador capaz de penetrar para criar e não apenas para finalizar. Nem West, nem Carter, nem Odom (embora este seja o melhor dos três e poderá, no futuro, ter um papel maior nesse aspecto) são grandes distribuidores.
E também nenhum deles é um spot-up shooter para ficar no perímetro à espera da bola (como faziam o ano passado Stojakovic e Stevenson).

Apesar de, individualmente, terem este ano jogadores ofensivamente mais fortes e apesar de, aparentemente, terem peças para atacar melhor que na época passada, a verdade é que estas peças (ainda?) não se conjugam tão bem como as do ano passado. São melhores individualmente, mas não funcionam tão bem em conjunto. 
Red Auerbach, o histórico treinador dos Celtics, dizia que um cinco inicial não eram os cinco melhores jogadores da equipa, mas sim os cinco jogadores que melhor jogassem juntos e que melhor se complementassem. No caso dos Mavs podemos ver como isso é verdade. E Rick Carlisle ainda não encontrou a combinação ideal.


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Glossário:

DRtg (Defensive Rating): o número de pontos sofridos em cada 100 posses de bola

ORtg (Ofensive Rating): o número de pontos marcados por cada 100 posses de bola

Res% (Percentagem de Ressaltos): Percentagem dos ressaltos disponíveis que uma equipa captura; no caso dum jogador, refere-se à percentagem de ressaltos que este agarrou dos ressaltos disponíveis enquanto esteve em campo

DRes% (Percentagem de Ressaltos Defensivos): Percentagem dos defensivos disponíveis que um jogador (ou equipa) capturou

TRes% (Percentagem de Ressaltos Totais): Percentagem de todos os ressaltos, defensivos e ofensivos, disponíveis que um jogador (ou equipa) capturou



Actualização - 3.1.12:
Só para nos calar, os Mavs ontem fizeram o seu melhor jogo da temporada e infligiram a primeira derrota aos Thunder (e com a vitória dos Hawks em Miami, já não equipas invictas).
Mas o jogo desta noite confirma também aquilo que aqui escrevemos acima: ontem passaram melhor a bola, foram um ataque mais de passes do que penetrações (ou penetrações para criar e não apenas para finalizar) e tiveram mais e melhor movimentação da bola. O resultado? Um ataque muito mais eficaz.

Vince Carter foi um dos jogadores onde se pôde ver essa diferença, pois não só marcou, como também funcionou como facilitador do ataque e distribuidor. Outro jogador que jogou de forma diferente foi Jason Kidd, que, provavelmente apercebendo-se dessa falta de alguém que penetre na defesa para distribuir que falámos acima, assumiu esse papel. Ontem vimo-lo muitas vezes a penetrar, a distribuir não só no perímetro (como habitualmente faz), mas a levar a bola até mais perto do cesto e a fazer assistências no meio da defesa.

Mais e melhor movimento de bola, com alguns jogadores a assumir papéis um pouco diferentes daquilo que é habitual. Ontem funcionou e pode ser uma receita de sucesso para os Mavs. Vamos ver se correm os próximos jogos.