23.8.12

Silly (off)season


E chegámos àquela altura da offseason em que nada se passa na NBA. Os principais free agents já encontraram equipa (ou quase todos, ainda há um ou outro disponíveis... alguém pega no Andray Blatche?), o draft já lá vai, os rookies já estão assinados, a Summer League já foi, os Jogos Olímpicos já acabaram e as equipas já fizeram as principais movimentações e já têm os plantéis para 2012-13 quase fechados. Agora, basicamente, está toda a gente de férias.

Enquanto não começam os training camps, os sites, revistas e televisões matam o tempo com repetições de jogos antigos, evocações de jogadores antigos, resumos das movimentações feitas até aqui, notícias  para encher chouriço e, claro, fotografias destas:


Pois aqui no SeteVinteCinco vamos fazer o mesmo e tirar uns dias de férias. Até ao fim do mês vamos estar em registo James Harden (mas com menos miúdas) e relaxar. Voltamos em Setembro, com a edição de 2012 do Boletim de Avaliação.

À semelhança do que fizemos em 2010 e em 2011, vamos analisar as movimentações e dar uma nota à offseason de cada uma das 30 equipas. Começamos no dia 1 de Setembro, com os Boston Celtics. Até já! E boas férias (para quem estiver de)!

Kobe Doin' Work - documentário completo


E hoje faz anos este senhor. A propósito do seu aniversário, deixo-vos uma prenda: Kobe Doin' Work, completinho.



21.8.12

Um dos maiores de sempre


E a propósito da linhagem de grandes postes na história dos Lakers, hoje faz(ia) anos este senhor:



(e podem dar uma vista de olhos - arregalados - pelas estatísticas sobre-humanas do Big Dipper aqui)

20.8.12

O futuro de Dwight Howard


O Dwightmare acabou, Howard foi finalmente trocado e tem finalmente uma nova equipa, mas o seu contrato (o ano de opção que activou em Março) continua a terminar no final da temporada. Para os Lakers, há portanto ainda a questão da renovar e manter Howard a longo prazo. Mas a nova foto de perfil da sua página oficial no Facebook deve deixar os fãs dos Lakers mais descansados: 


(se Howard se apresenta como o próximo na linhagem de grandes postes dos Lakers, não vai ficar só uma temporada, não é? Se quer entrar nessa discussão, é porque planeia ficar por muito tempo.)

18.8.12

Dwightmare - o balanço final


Ah, fim-de-semana, tempo para descansar e para escrever a prometida análise do negócio Dwight Howard. Vamos lá então finalmente ao balanço dessa mega-troca entre Magic, Lakers, Nuggets e Sixers e ao que cada uma dessas equipas ganhou, ou não, com a mesma.

Comecemos por recordar a troca:

Os Lakers deram:
Andrew Bynum, Josh McRoberts, Christian Eyenga e a 1ª ronda de 2017
E receberam:
Dwight Howard, Chris Duhon e Earl Clark

Os Sixers deram:
Andre Iguodala, Nikola Vucevic, Moe Harkless e a 1ª ronda de 2015
E receberam:
Andrew Bynum e Jason Richardson

Os Nuggets deram:
Arron Afflalo, Al Harrington e a 1ª ronda de 2014
E receberam:
Andre Iguodala

Os Magic deram:
Dwight Howard, Jason Richardson, Chris Duhon e Earl Clark
E receberam:
Arron Afflalo, Al Harrington, Nikola Vucevic, Moe Harkless, Josh McRoberts, Christian Eyenga e as três 1ªs rondas


Costuma dizer-se que, em qualquer troca, a equipa vencedora é aquela que fica com o melhor jogador. Pois nesse caso, os vencedores indiscutíveis desta são os Lakers. Na verdade, qualquer que seja o ângulo por onde se analise esta troca, não há dúvidas que os Lakers são os maiores vencedores. Mitch Kupchak basicamente conseguiu trocar Andrew Bynum por Dwight Howard. Conseguiram o melhor poste da actualidade (e mais umas peças suplentes) dando em troca o segundo melhor (e mais umas peças suplentes). E conseguiram Howard sem perder Pau Gasol, algo que poucos acreditavam possível. 

E assim, quase instantaneamente, Mitch Kupchak construiu um candidato ao título. Se, quando Steve Nash assinou, dissemos que era um grande upgrade na posição de base e que os pick and rolls com Gasol e Bynum seriam uma delícia de ver, imaginem agora com Howard, que foi o jogador mais eficaz da liga em situações de pick and roll na última temporada. Os Lakers juntam o melhor finalizador a um dos melhores distribuidores. 

Também dissemos, na altura, que na parte defensiva não perdiam nada com Nash, pois já antes não tinham um base bom defensor. Mantinham a mesma defesa, mas com o potencial para um ataque muito melhor. Pois agora, juntem-lhe Howard e têm um grande upgrade também na defesa. 

Pensem nisto: ataques comandados por Steve Nash estiveram sempre os mais eficazes e os que mais pontos marcaram na NBA na última década e defesas comandadas por Dwight Howard estiveram sempre entre as melhores. Steve Nash é um jogador que torna transforma um ataque para melhor e Howard é um jogador que transforma uma defesa para melhor. E agora estão os dois na mesma equipa.

É claro que há questões que se colocam para os Lakers (como é que estes jogadores se vão encaixar, o tempo que vão precisar para o fazer, se os 38 anos de Nash vão começar a pesar, em que forma Howard regressa da cirurgia) e têm ainda muito trabalho pela frente, mas conseguir o melhor jogador disponível no mercado e entrar em campo com um cinco com Nash, Bryant, World Peace, Gasol e Howard (mais Steve Blake, Jodie Meeks, Antawn Jamison e Jordan Hill no banco) é um sucesso estrondoso.


Os Sixers também não saem nada mal deste negócio. Trocaram um All Star por outro e numa posição onde tinham mais necessidade. Para o lugar de Iguodala (um jogador que já queriam trocar há muito tempo), tinham já contratado Dorrel Wright (e Thaddeus Young terá também oportunidade de jogar como small forward) e o que ganham no ataque deve compensar o que perdem na defesa exterior. Ganham um jogador para jogar de costas para o cesto e uma âncora ofensiva no interior e rodeiam-no com atiradores (Jrue Holiday, Wright, Nick Young, Jason Richardson).

Bynum terá um papel mais activo no ataque do que tinha nos Lakers e terá, pela primeira vez na carreira, a oportunidade de ser a primeira opção ofensiva. Depois do melhor ano da sua carreira e da sua primeira selecção para o All Star, tem aqui a oportunidade de mostrar do que é capaz como  principal ameaça ofensiva e como estrela da equipa. 

É claro que ainda há a (nada pequena) questão da renovação e se Bynum sair no final da época o negócio terá sido um fracasso para a equipa de Philadelphia. Mas se Bynum renovar e ficar com os Sixers, têm um núcleo de jogadores jovens (Bynum, com 25 anos, será o mais velho) muito promissor e à volta dos quais podem construir uma equipa de topo.


Os Nuggets também sairam-se bem neste negócio. Em troca de dois jogadores medianos (um, Afflalo, ainda com margem de progressão e outro, Harrington, já na fase descendente da carreira) conseguiram um All Star que encaixa na perfeição no estilo de jogo da equipa. O jogo de transição rápida vai beneficiar Iguodala, que pode ser muito mais perigoso e eficaz nesse sistema do que no ataque em meio campo dos Sixers. Iguodala, nos Nuggets, pode ser melhor no ataque do que era nos Sixers (e não era mau nos Sixers; o ano passado teve a melhor percentagem de 3pts da carreira, 39%), pelo que a equipa de Denver não perde nada ofensivamente com a saída de Afflalo e Harrington. E defensivamente ganham muito com Iggy, que é um dos melhores defensores exteriores da NBA.

E, de qualquer das maneiras, marcar pontos nunca foi um problema para esta equipa. Impedir os outros de marcar é que era um problema. Pois, este ano têm opções também para esse lado do campo. Com Iguodala, Corey Brewer, Kenneth Faried, JaVale McGee e Timofey Mosgov ficam com várias soluções tanto para a defesa exterior como interior. E já sabemos como a boa defesa gera ataques (e daqueles que os Nuggets gostam: contra-ataques e ataques rápidos), pelo que a entrada de Iguodala tem tudo para elevar o nível da equipa nos dois lados do campo.

Por último, quem sai claramente a perder neste negócio são os Magic. É claro que iam sair sempre a perder, pois nunca iam conseguir receber o valor justo por Howard. Estavam entre a espada e a parede e o único objectivo era não o deixar sair sem receber nada em troca e conseguir o melhor possível em troca dele. Mas o melhor que conseguiram foi um shooting guard mediano ainda com alguma margem de progressão (Afflalo), um poste que pode tornar-se um role player decente (Vucevic), um rookie que poderá dar alguma coisa (Harkless), uma série de veteranos que não contam para os planos da equipa e três escolhas do draft que serão de certeza baixas (lá para os vintes, final da primeira ronda)?

Já recusaram ofertas melhores (dos Nets, dos Rockets) por não lhes parecerem suficientemente boas e agora aceitam uma que não lhes dá nenhum jogador bom em troca nem escolhas no draft decentes. Os Magic saem a perder, mas se calhar é mesmo esse o plano. O novo general manager, Rob Hennigan (que é o mais novo GM da NBA, com apenas 30 anos) trabalhou 4 anos no front office dos Thunder e deve querer usar a mesma estratégia de construção que usaram em OKC: ser mau durante uns anos, ganhar escolhas altas no draft e ir construindo através deste.

Aos Thunder correu muito bem (em três anos conseguiram Durant, Westbrook e Harden), mas também pode correr mal (é sempre uma lotaria) ou demorar muito mais tempo do que esperado (vejam os Wizards que estavam encalhados no fundo da tabela há anos). Mas esse plano está na moda na NBA (Bobcats!) e os Magic parecem estar determinados a perder muito para tentar encontrar a próxima estrela da equipa no draft. Bem, se é esse o objectivo então esta troca foi perfeita. 

Mas entretanto têm um pavilhão novo que não se vai pagar sozinho. Boa sorte para convencer os fãs dos Magic a comprar bilhetes para ver esta equipa jogar. Não vão ser fáceis os tempos mais próximos em Orlando.

16.8.12

Se um Carmelo lança muitas vezes....


Aposto que o sonho de Carmelo era ter estes todos nos Knicks. Assim a bola estava sempre no Carmelo:



Duas histórias de perseverança


A análise da troca de Dwight Howard não está esquecida, mas ainda não consegui arranjar tempo para a fazer. Enquanto o trabalho não me permite escrever umas linhas mais detalhadas sobre o desfecho dessa novela e o que cada uma das equipas envolvidas ganhou (ou não) com o negócio, fiquem com umas sugestões de leitura. Uma sobre uma das carreiras mais improváveis na NBA e outra sobre uma das mais azaradas:

           

- Sam Smith, no Bulls.com, faz um já merecido longo artigo sobre Brian Scalabrine. Como diz Smith, a carreira do White Mamba é uma das mais extraordinárias carreiras na NBA. Não pelos prémios individuais, não pelas estatísticas, não porque Scalabrine vá alguma vez entrar no Hall of Fame, mas simplesmente pelo facto dele ter tido uma carreira de mais de 10 anos na NBA. Porque, ao contrário de 99,9% dos jogadores da liga, Scalabrine não tem nenhum talento particular, não é especialmente bom em nada e não é atlético. Mas é uma história de perseverança e de alguém que, contra todas as probabilidades, conseguiu ter uma carreira profissional unicamente pelo trabalho duro e pelo esforço. 
O White Mamba na primeira pessoa: "não sou um atleta natural, não corro rápido, não salto muito, mas ninguém trabalha mais e se esforça mais do que eu. Eu tenho de me esforçar muito mais que todos os outros.
E ter Kevin Garnett e Jason Kidd a dizer que és o melhor colega de equipa que já tiveram não é para todos. 


- E Mark Titus, no Grantland, faz uma rara entrevista a Greg Oden, onde este recorda os cinco anos repletos de lesões que passou em Portland. É um longo e imperdível artigo sobre (e com) um jogador que raramente fala aos jornalistas. Desde a confissão de que praticamente se tornou alcoólico no segundo ano em Portland (quando passou, mais uma vez, toda a temporada de fora) até à admissão que sentia inveja quando via a carreira de Durant descolar, passando pela desarmante honestidade quando diz que não gosta de atenção mediática e da atenção dos fãs por achar que não a merece ("Porque querem tirar uma foto comigo quando agora não sou nada?"), é um retrato imperdível do azarado poste.

14.8.12

O prognóstico de Jason Terry


Não é a primeira vez que Jason Terry demonstra uma fé enorme nas possibilidades da sua equipa. Como se lembram, em Outubro de 2010, antes do início da temporada e quando ninguém acreditava que os Mavs pudessem ser os campeões dessa época, fez esta tatuagem:



Mas não estará a levar a fé longe demais com esta que acaba de fazer?


13.8.12

Londres 2012 - Um balanço


Estão encerrados os Jogos. E acabaram da melhor maneira, com um grande jogo e uma grande final. Espanha fez o seu melhor jogo destes JO, deu muita luta aos EUA, mas no final, venceu a melhor e mais talentosa selecção.


Os EUA confirmaram o seu (grande) favoritismo e voltam para casa com a sua 14ª medalha de ouro. Como tinhamos dito antes dos JO, qualquer coisa abaixo do ouro era um fracasso e a selecção americana cumpriu. O estilo de jogo pode não ter agradado a todos, mas foi mais que suficiente para dominar a competição e ganhar sem margem para dúvidas. E pelo meio, quebraram uma mão cheia de recordes. Quebraram o recorde de pontos marcados num jogo, bateram o recorde de triplos tentados e marcados, Carmelo Anthony bateu o recorde dos EUA de pontos num jogo, Kevin Durant bateu o recorde de pontos dos EUA num Torneio Olímpico (156; 19.5/jogo) e LeBron James tornou-se o melhor marcador de sempre da selecção americana em JO (273) e completou uma das melhores temporadas individuais de que há memória.

A Espanha não fez um grande torneio, não teve um caminho fácil até esta final e só no jogo de hoje é que confirmou o estatuto de única-equipa-que-podia-ganhar-aos-EUA. Como se esperava, hoje apostaram em explorar a vantagem no jogo interior e colocaram a bola dentro sempre que tiveram oportunidade (ora para jogar 1x1 a partir de poste baixo, ora para libertar os atiradores quando viesse a ajuda). Pau Gasol explorou essa vantagem e fez um grande jogo (24 pts, 8 res e 7 ast), Navarro fez o seu melhor jogo de todo o torneio (21 pts, 4-9 3pts) e hoje mostraram que são a segunda melhor selecção do mundo.

A completar o pódio, aquela que apontámos como o wild card deste torneio: a Russia. Dissemos antes dos JO que eram uma equipa organizada e disciplinada, com jogadores grandes, com bons atiradores e que podiam surpreender (como fizeram quando venceram no Eurobasket em 2007). Dissemos que tanto podiam perder logo nos quartos de final, como chegar às medalhas. Pois revelaram-se uma das melhores e mais regulares equipas (descontando a final, jogaram melhor que Espanha e foram a segunda melhor selecção do torneio) e ficaram a um mau-quarto-período de distância de chegar à final. Mas chegaram às medalhas. Mais especificamente, à sua primeira medalha (desde o fim da União Soviética que não ganhavam uma). O que, para eles, foi tão saboroso como ouro.

Uma palavra ainda para a Argentina e para a geração de ouro do basquetebol das pampas. Chegaram a Londres como a selecção mais velha, com menos profundidade que as outras candidatas e dissemos que o talento, a experiência e a garra podia levá-los ao pódio, mas não chegava para mais. Ficaram a 4 pontos desse pódio, mas para a história fica uma medalha de ouro em Atenas, uma de bronze em Pequim e uma geração irrepetível.

Para encerrar este balanço, fiquem com o nosso cinco ideal deste Torneio Olímpico (e não vamos eleger um cinco típico destas ocasiões - com dois bases, dois extremos e um poste -, pois seria uma injustiça deixar algum destes jogadores de fora. Vamos optar por um cinco menos ortodoxo, com um base, três extremos e um poste. São os cinco melhores jogadores dos JO):

Manu Ginobili
O Michael Jordan das Pampas continua, aos 35 anos, a ser o melhor jogador argentino e um dos melhores shooting guards do mundo. Como habitualmente, fez de tudo um pouco: lançou, penetrou, assistiu, ressaltou, contorceu-se pelas defesas dentro e fez lançamentos e jogadas incríveis. Foi o melhor marcador da sua selecção (e 3º do torneio, com 19.4 pts), o segundo nas assistências (4.1), o melhor nos roubos de bola (13) e o melhor ressaltador (5.3/jogo, 43 no total)! E não falhou um único lance livre em todo o torneio (34 em 34)!

Kevin Durant
Durantula chamou um figo à linha de três pontos da FIBA (52%, 34 em 65). Acabou com a segunda melhor média de pontos do torneio (19.5 pts), como o melhor marcador de pontos totais, como recordista de pontos dos EUA num torneio olímpico (156), como o melhor ressaltador da equipa (5.7) e foi, provavelmente, o melhor jogador da selecção americana. O que diz tudo.

Andrei Kirilenko
AK-47 apareceu rejuvenescido e na forma dos seus melhores anos. Foi a maior razão por que os russos terminaram com uma medalha. Como sempre, fez de tudo em campo (17.5 pts, 7.5 res, 2 rb, 1.8 dl) e foi um dos melhores jogadores deste torneio. 

LeBron James
Foi o segundo melhor jogador dos EUA (e se há dúvidas em relação a isto é para cima, nunca para baixo; ou seja, podemos duvidar se foi o segundo melhor ou o melhor, mas não foi menos que isso). Foi "apenas" o 3º melhor marcador da equipa (13,2 pts), mas foi o primeiro nas assistências (5.6/jogo, 45 no total) e foi muito eficaz e importante em muitos outros aspectos (5.6 res, 1.3 rb, 72% 2pts). Nesta selecção não foi tanto marcador de pontos, mas, com os 2x1 e ajudas defensivas que obrigava as equipas a fazer, foi distribuidor. Mas, de qualquer das maneiras, desequilibrou como sempre. 

Pau Gasol
De longe o melhor e mais regular da selecção espanhola (19.1 pts, 7.6 res, 2.8 ast, 1.1 dl e 5.3 faltas sofridas). Se haviam dúvidas que é um dos melhores, mais versáteis e mais completos jogadores interiores do mundo, neste torneio foram desfeitas. Foi o melhor jogador interior do torneio.

12.8.12

Hoje Temos: EUA x Espanha


Já tivemos um final emocionante esta manhã e a Russia a levar para casa a medalha de bronze. E daqui a uma hora e meia (transmissão em directo na RTP 2), temos o jogo para o ouro. As actuais duas melhores selecções do mundo reeditam a final de Pequim.
Há quatro anos, Espanha deu brava luta e, num jogo equilibrado, perdeu por 11 pontos. Poderão repetir hoje o feito e discutir o jogo com os americanos ou os EUA continuam a dominar e levam o ouro para casa sem dificuldade?




11.8.12

Dwight Howard nos Lakers - a conferência de imprensa


Entretanto, o negócio já foi oficializado e Dwight já foi apresentado como o mais recente Laker:



O balanço do negócio para cada uma das equipas envolvidas vem já a seguir.


(e amanhã é dia de final olímpica. EUA e Espanha reeditam a final de 2008, em Pequim, e as duas melhores selecções do mundo encontram-se mais uma vez. E à semelhança do que fizemos nas Finais da NBA, vamos ter aqui amanhã um post da coluna "HOJE TEMOS" onde podemos ir acompanhando e comentando o jogo em directo)

10.8.12

Superman voa para Hollywood


Até agora só tinhamos fontes anónimas a dizer que a troca estava fechada entre as equipas, mas parece que temos a primeira confirmação oficial do negócio. Kobe Bryant na sua página oficial no Facebook:



Bem, parece que a novela de Dwight Howard chega ao fim com um final muito feliz para os Lakers. Vamos só aguardar pela confirmação oficial por parte das equipas para fazermos a análise e o balanço do negócio para cada uma das equipas envolvidas. Até já!

9.8.12

LeBron James - Uma temporada de Rei


Nenhum jogador no mundo provoca reacções tão extremadas como LeBron James. E se a velha máxima que diz que o número de inimigos varia na proporção da nossa importância tem algum fundo de verdade, então James é actualmente o jogador mais importante do mundo, pois a legião de haters é tão grande como a de fãs (ou até mesmo maior). Nenhum jogador desperta tantas paixões e tantos ódios como o extremo dos Miami Heat.

Basta ver pelos comentários aqui no SeteVinteCinco sempre que falamos dele (e já estamos preparados para os comentários deste mesmo post!) que ninguém lhe fica indiferente. Mas essa deve ser a sina dos melhores jogadores do mundo em qualquer desporto (podemos ver o mesmo fenómeno em relação a Cristiano Ronaldo e a Messi, só para referir um exemplo próximo).


Mas, adorem-no ou odeiem-no, LeBron está a fazer uma das melhores temporadas basquetebolísticas de que há memória. Foi MVP da temporada regular da NBA, campeão da NBA, MVP das Finais e está a dois jogos de vencer a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Está a duas vitórias de distância de conseguir um feito que só mais um jogador conseguiu. 

Michael Jordan é, até agora, o único jogador que ganhou, no mesmo ano, o MVP da temporada regular, o título de campeão, o MVP das Finais e o título olímpico (em 92, claro). E LeBron está perto de lhe fazer companhia neste clube estratosférico. 

Juntem a isso a noite de recordes de ontem (conseguiu o primeiro triplo-duplo de sempre numa selecção americana - 11 pts, 14 res e 12 ast; o segundo triplo-duplo de sempre nos JO; o russo Alexei Belov fez 23 pts, 14 res e 10 ast em 1976, contra o Canadá -, igualou o recorde de assistências num jogo da selecção americana, ultrapassou Scottie Pippen e tornou-se o jogador com mais assistências ao serviço dos EUA - 76 - e ultrapassou Charles Barkley no terceiro lugar dos melhores marcadores) e James está a fazer uma temporada sem paralelo.

Adorem-no ou odeiem-no, mas é de tirar o chapéu.

7.8.12

O jogo colectivo (ou a falta dele) dos EUA


Uma das questões mais discutidas ao longo desta primeira semana de torneio olímpico tem sido o défice de jogo colectivo dos EUA. Os jogadores americanos são criticados por serem demasiado individualistas, por recorrerem tantas vezes ao 1x1, por realizarem poucas movimentações ofensivas e lançarem tantos triplos (ou duplos longos) ao fim de um ou dois passes. A opinião que parece generalizar-se é de que os Estados Unidos são tactica e colectivamente fracos e só ganham graças ao superior talento individual dos seus jogadores.

É o que pode parecer à superficie. Mas não é bem assim. Sim, de facto, ganham porque são melhores individualmente. Mas a selecção americana não é tacticamente fraca, apenas não precisa de recorrer a tantas movimentações para marcar. No basquetebol, as equipas recorrem a soluções colectivas e a combinações complexas entre os jogadores porque são obrigadas. Porque contra um adversário com jogadores tão (ou mais) talentosos que os seus, as movimentações simples não são suficientes e têm de passar a níveis mais complexos do jogo. Porque contra jogadores de igual talento e igual capacidade física, não conseguem superiorizar-se em situações simples de jogo (1x1, 2x2) e têm de procurar outras soluções mais elaboradas. 

Se lhes basta um bloqueio simples para o jogador com bola conseguir penetrar ou se lhes basta uma tentativa de penetração e um passe para conseguir um lançamento exterior, porque hão de fazer três bloqueios duplos e 20 passes?

Se Mike Krzyzewski e os jogadores americanos precisassem de recorrer a movimentações mais complexas acham que não seriam capazes de o fazer? Basta ver o que esses mesmos jogadores fazem na NBA (e quanto à capacidade de Krzyzewski, o currículo do homem fala por si) para perceber que sim. No seu campeonato doméstico, contra jogadores de igual talento e equipas de igual qualidade, vemos movimentações muito mais elaboradas, mais trabalho colectivo, muito mais trabalho para receber a bola, para libertar atiradores e para encontrar vantagens.

Eles não são uma selecção tacticamente fraca. Isso seria verdade se não tivessem táctica, usassem uma que não resultasse ou não servisse as características dos seus jogadores. Mas apostarem tanto no 1x1 é exactamente isso: táctica. Não têm falta de táctica, apenas têm uma diferente das outras selecções. Porque têm jogadores diferentes das outras selecções. Jogadores que lhes permitem jogar duma forma que mais nenhuma selecção poderia ou conseguiria. 

Eles não tacticamente fracos. Apenas ainda não encontraram uma selecção que os obrigasse a recorrer a tácticas mais elaboradas. Apenas ainda não precisaram. O objectivo do basquetebol é marcar cesto (e impedir a outra equipa de o fazer). Pois, se o conseguem fazer de forma mais simples que os outros, porque não hão de o fazer?

Mais gifs fresquinhos


O afundanço da noite, cortesia de Russell Westbrook:


E o afundanço-que-não-foi-mas-devia-ter-sido da noite, cortesia de Andre Iguodala:


5.8.12

A receita lituana


Dois dias depois do massacre à Nigéria, os americanos escaparam com uma apertada vitória por 5 pontos sobre a Lituânia e, pela primeira vez neste torneio olímpico, tiveram de suar a sério para ganhar um jogo. Depois dos nigerianos terem mostrado exactamente o que não fazer quando se joga contra os Estados Unidos, os lituanos (que perderam contra a Nigéria no torneio de apuramento para os Jogos) mostraram-nos como se deve jogar contra a selecção americana. 

E se alguma equipa nestes JO quer ter uma chance de ganhar aos EUA, então deve tirar muitas notas do jogo de ontem. Porque se querem ter uma hipótese de os bater, é com a receita que os lituanos deram ontem: com jogo colectivo em ambos os lados do campo. Ninguém é melhor que os americanos a nível individual e em situações de 1x1. E o seu superior talento individual só pode ser contrariado com a força do conjunto.  

Que foi o que os lituanos mostraram. Jogaram como uma unidade, de forma inteligente e com a lição bem estudada. Para evitar os contra-ataques e as ataques rápidos dos EUA, baixaram o ritmo de jogo e fizeram ataques longos. Movimentaram muito (e bem) a bola e não fizeram lançamentos precipitados. Muitos pick and rolls, muitas penetrações e muita rotação da bola. Sempre que Tyson Chandler estava de fora e os EUA jogavam sem um poste (que foi a maior parte do jogo), os lituanos atacaram o cesto. Mas a movimentação não ficava apenas pelo jogador que penetrava e pelo jogador que bloqueava. Os jogadores longe da bola também se movimentavam e ofereciam linhas de passe, tanto com cortes para o cesto e recepções perto deste, como com aberturas para a linha de três pontos, para lançamentos exteriores. 

Terminaram o jogo com 21 assistências (contra 13 dos EUA) e excelentes percentagens de lançamento (63% nos 2pts e 44% nos 3pts). Os jogadores dos EUA são mais atléticos e mais rápidos, mas a execução dos lituanos compensou isso. Mike Krzyzewski chamou-lhe "velocidade de pensamento". "Quando uma equipa tem velocidade em conjunto, é o que faz o nosso desporto tão belo", elogiou o treinador americano. 

Na defesa, também usaram o conjunto para contrapôr ao talento individual dos americanos. Ocuparam o meio do campo, preencheram o garrafão e fizeram boas ajudas e rotações defensivas. Os jogadores do lado contrário da bola estavam sempre na ajuda e prontos a fechar quando havia penetrações. O posicionamento defensivo foi bom e o resultado dessa defesa só não foi melhor porque os americanos são tão talentosos individualmente.

Os lituanos fizeram quase tudo bem. Não fosse o descuido em meia dúzia de posses de bola (terminaram com 23 turnovers e, apesar da maioria deles terem sido provocados pela defesa - os EUA fizeram 17 rb -, tiveram 6 que foram erros não provocados) e tivessem apostado mais em colocar a bola dentro (fizeram-no em várias ocasiões, mas gostávamos que o tivessem feito mais vezes, pois quando o faziam conseguiam boas situações de lançamento e acreditamos que poderiam ter causado mais problemas à defesa americana) e a Lituânia poderia ter saído deste jogo com uma vitória.

Faltou-lhes um bocadinho, mas a receita para aspirar a ganhar aos EUA é esta. A execução por parte dos lituanos pode não ter sido perfeita e mesmo uma execução perfeita da receita pode não garantir a vitória. Mas, se Espanha, Rússia, Argentina ou Brasil querem ter uma hipótese de vencer os EUA, isto é o que têm de fazer.

3.8.12

Uma Nigéria para o livro dos recordes


Comecemos pelo que já todos noticiaram, destacaram e elogiaram do massacre dos EUA à Nigéria:

A selecção americana fez um jogo e um resultado históricos, quebrou o recorde de pontos num jogo nos Jogos Olímpicos (o anterior era 138), conseguiu a maior margem de vitória de uma selecção americana nos JO (a anterior era 68), quebrou o recorde de triplos marcados e tentados num jogo (29 em 46), quebrou o recorde da melhor percentagem de lançamento num jogo (71%!) e Carmelo Anthony quebrou o recorde de pontos marcados por um jogador americano (37 pts em apenas 14:29!, supera os anteriores 31 de Stephon Marbury, mas o recorde dos JO continua a pertencer ao brasileiro Oscar Schmidt, com 55).

Talvez tenham sido as críticas depois do jogo com a Tunísia, talvez tenham sido algumas palavras de Mike Krzyzewski, talvez tenha sido apenas o orgulho dos jogadores. Seja qual fôr a razão, os americanos caíram com tudo em cima da Nigéria e desta vez não tiraram o pé do acelerador.

Depois do jogo contra os campeões africanos, muitos criticaram a postura da equipa dos EUA e acusaram-nos de falta de empenho e até de falta de profissionalismo por jogarem em ritmo de treino e ganharem por "apenas" 47 quando podiam ganhar por 70 ou 80 se jogassem a fundo o jogo todo. Pois neste jogaram sempre em quinta.


Agora a parte que ainda ninguém destacou:

A Nigéria deu uma grande ajuda. Foi um massacre histórico da selecção americana, mas, verdade seja dita, os nigerianos avançaram para o massacre de braços abertos. Ou melhor, de braços abertos no ataque, porque na defesa nem isso fizeram. A diferença deste para o jogo anterior não foi apenas a atitude dos americanos, foi também a atitude dos adversários. Porque desta vez quem jogou de forma displicente e em ritmo de treino foi a outra equipa.

No outro jogo, os EUA jogaram em velocidade de cruzeiro, sem acelerar muito, mas os tunisinos jogaram a sério, de forma inteligente e para perder pela menor diferença possível. Geriram o tempo das posses de bola, seleccionaram bem os lançamentos e tentaram fazer o jogo que mais lhes convinha (ataques longos e sem lançamentos precipitados, para evitar os contra-ataques e o jogo de transição dos americanos).

Já os nigerianos entraram com ataques curtos e precipitados e sem qualquer preocupação defensiva. Era run and gun dos dois lados. E nesse jogo, era óbvio que seriam massacrados. Os EUA tiveram percentagens excelentes de lançamento, mas não tiveram qualquer oposição na maioria deles. Carmelo (e qualquer jogador americano que recebesse a bola no exterior) estava sempre livre, com o defesa a um ou dois metros e com espaço para lançar. 

É claro que estiveram com a mão quente a noite toda (até para um jogador em treino, a lançar sozinho, aquelas percentagens não seriam fáceis de fazer), mas parecia um All Star Game. Quem chegava ao ataque, lançava (porque estava sempre sozinho). Nem sinal de defesa. E com tantos maus ataques e maus lançamentos dos nigerianos, os americanos fizeram mais contra-ataques que nos outros jogos todos juntos.

Sem retirar mérito aos EUA (que fizeram a sua parte, fizeram tudo o que pediam deles e não têm culpa se os outros não os defendem), os nigerianos fizeram tudo para entrar nos livros dos recordes. Pois, conseguiram. Ficarão para sempre na História dos JO. Só que no lado errado.

1.8.12

Doc Rivers faz mea culpa


Afinal a saída de Ray Allen de Boston não se deveu (ou não se deveu totalmente) à má relação que este tinha com Rajon Rondo. Em entrevista ao Yahoo Sports, o treinador dos Celtics diz que muita da culpa pela saída de Ray Allen é dele. Nomeadamente, por ter dado a titularidade a Avery Bradley (relegando Ray Ray para o banco) e por ter dado mais liderança e mais liberdade no ataque a Rajon Rondo. Segundo ele, Ray Ray não ficou satisfeito com nenhuma destas decisões. 


"Podem culpar a questão do Rondo quanto quiserem - e ela existia, sem dúvida -, mas fui eu mais que Rondo. Fui eu que dei a bola ao Rondo. Fui eu que decidi que o Rondo devia ser mais o líder da equipa. Isso não quer dizer que os outros gostaram - e o Ray não adorou - que o Rondo tivesse a bola nas mãos o tempo todo."

"Pensem no que Ray disse quando saiu: 'Eu quero estar mais envolvido no ataque.' E eu olho para isso e penso que a culpa disso não foi do Rondo. Era o que eu queria que Rondo fizesse e era o que ele devia fazer. Porque essa é a força do Rondo, ele é o melhor passador da liga, ele tem a melhor leitura de jogo da liga. Não é um grande lançador, por isso precisa de ter a bola nas mãos para ser eficaz. E isso incomodava o Ray."

"E não ser titular também o incomodava. Por isso, examinando tudo isso, a conclusão a que chego é esta: por fazer as coisas certas, posso ter perdido Ray. Mas se não as fizesse, seria hipócrita. Porque no discurso que faço no início da época digo sempre à equipa: 'Todas as decisões que tomo são a pensar no que é melhor para a equipa e isso pode não ser o que é melhor para um jogador.'"

Doc Rivers acredita que os Celtics podiam ser uma equipa melhor com Ray Allen a começar no banco e a introduzir depois a sua marcação de pontos no jogo. Ray Allen podia não adorar essa ideia, mas Rivers acrescenta que "como treinador, tens de fazer o que é melhor para a equipa. Se alguém não gostar, provavelmente vai-se embora. (...) Mesmo que isso aconteça, tens de o fazer na mesma. Não podes treinar a pensar apenas num jogador. Tens de treinar a pensar em toda a equipa."

Não há como não adorar estas palavras de Doc Rivers. Primeiro, pela honestidade. Ele fala sobre a  questão tão abertamente que devia ser obrigatório para todos os treinadores de futebol cá do burgo verem esta entrevista. Estamos tão habituados aos discursos-cassete e às respostas ocas (e não só no futebol, também na NBA não são todos os treinadores e jogadores que falam tão abertamente e de forma tão relevante sobre o seu ofício) que estas palavras são uma lufada de ar fresco.

Depois, pela filosofia por trás das palavras e das decisões tomadas. É a essência do basquetebol: um jogo colectivo onde a equipa está acima do indivíduo e onde os objectivos colectivos vêm antes dos objectivos pessoais. 

E por último, pela forma natural com que essa filosofia é aplicada. Sem dramas, sem disciplina militar, tudo de forma natural. Doc Rivers não é um disciplinador, nem um treinador que grite com os seus jogadores e os obrigue a fazer aquilo que ele quer. Apesar das palavras poderem sugerir um treinador que diz "é como eu quero e se não gostas, azar", a filosofia não é imposta, é inspirada. Doc Rivers não é um ditador, é um líder. Não obriga os jogadores a segui-lo, mas antes inspira-os a segui-lo. 

Ray Allen decidiu deixar de o fazer. Rivers diz que ficou "f*"#$% com ele". Não por ter ido para Miami, mas pelas razões por que saía. Mas depois pensou sobre o assunto e seguiu em frente. "O Ray tem de fazer o que é melhor para ele." Gotta love Doc.

50557 vezes obrigado


Até agora, Maio era o mês do recorde de visitas no SeteVinteCinco, com 47276. Pois neste passado mês de Julho atingimos novo recorde e passámos pela primeira vez as 50000 visitas mensais. Foram 50557, para uma média diária de mais de 1630. O que me dá uma desculpa para vos agradecer mais uma vez as visitas. 

Já o disse quando tivemos aquele recorde de visitas em Maio e digo-o de novo: ver jogos, ler sobre basquetebol e sobre a NBA, estudar o jogo e escrever sobre ele é um prazer, é algo que já fazia antes de criar o SeteVinteCinco (menos a parte do escrever) e é algo que faria mesmo que não tivesse um leitor. Mas com vocês aí desse lado esse prazer é muito maior. Com vocês aí desse lado tem muito mais piada.

Mais uma vez, obrigado por cá virem. E obrigado por voltarem. And keep loving the game.


Este rapaz salta um bocadinho


O fim do jogo ainda está fresquinho (e sobre ele não há muito a dizer, uns EUA em ritmo de treino cilindraram naturalmente a Tunísia e deu para Anthony Davis se mostrar ao mundo), mas já temos o gif de um dos seus melhores momentos. Para ver uma e outra e outra e outra vez: