Ah, fim-de-semana, tempo para descansar e para escrever a prometida análise do negócio Dwight Howard. Vamos lá então finalmente ao balanço dessa mega-troca entre Magic, Lakers, Nuggets e Sixers e ao que cada uma dessas equipas ganhou, ou não, com a mesma.
Comecemos por recordar a troca:
Os Lakers deram:
Andrew Bynum, Josh McRoberts, Christian Eyenga e a 1ª ronda de 2017
E receberam:
Dwight Howard, Chris Duhon e Earl Clark
Os Sixers deram:
Andre Iguodala, Nikola Vucevic, Moe Harkless e a 1ª ronda de 2015
E receberam:
Andrew Bynum e Jason Richardson
Os Nuggets deram:
Arron Afflalo, Al Harrington e a 1ª ronda de 2014
E receberam:
Andre Iguodala
Os Magic deram:
Dwight Howard, Jason Richardson, Chris Duhon e Earl Clark
E receberam:
Arron Afflalo, Al Harrington, Nikola Vucevic, Moe Harkless, Josh McRoberts, Christian Eyenga e as três 1ªs rondas
Costuma dizer-se que, em qualquer troca, a equipa vencedora é aquela que fica com o melhor jogador. Pois nesse caso, os vencedores indiscutíveis desta são os Lakers. Na verdade, qualquer que seja o ângulo por onde se analise esta troca, não há dúvidas que os Lakers são os maiores vencedores. Mitch Kupchak basicamente conseguiu trocar Andrew Bynum por Dwight Howard. Conseguiram o melhor poste da actualidade (e mais umas peças suplentes) dando em troca o segundo melhor (e mais umas peças suplentes). E conseguiram Howard sem perder Pau Gasol, algo que poucos acreditavam possível.
Também dissemos, na altura, que na parte defensiva não perdiam nada com Nash, pois já antes não tinham um base bom defensor. Mantinham a mesma defesa, mas com o potencial para um ataque muito melhor. Pois agora, juntem-lhe Howard e têm um grande upgrade também na defesa.
Pensem nisto: ataques comandados por Steve Nash estiveram sempre os mais eficazes e os que mais pontos marcaram na NBA na última década e defesas comandadas por Dwight Howard estiveram sempre entre as melhores. Steve Nash é um jogador que torna transforma um ataque para melhor e Howard é um jogador que transforma uma defesa para melhor. E agora estão os dois na mesma equipa.
É claro que há questões que se colocam para os Lakers (como é que estes jogadores se vão encaixar, o tempo que vão precisar para o fazer, se os 38 anos de Nash vão começar a pesar, em que forma Howard regressa da cirurgia) e têm ainda muito trabalho pela frente, mas conseguir o melhor jogador disponível no mercado e entrar em campo com um cinco com Nash, Bryant, World Peace, Gasol e Howard (mais Steve Blake, Jodie Meeks, Antawn Jamison e Jordan Hill no banco) é um sucesso estrondoso.

Os Sixers também não saem nada mal deste negócio. Trocaram um All Star por outro e numa posição onde tinham mais necessidade. Para o lugar de Iguodala (um jogador que já queriam trocar há muito tempo), tinham já contratado Dorrel Wright (e Thaddeus Young terá também oportunidade de jogar como small forward) e o que ganham no ataque deve compensar o que perdem na defesa exterior. Ganham um jogador para jogar de costas para o cesto e uma âncora ofensiva no interior e rodeiam-no com atiradores (Jrue Holiday, Wright, Nick Young, Jason Richardson).
Bynum terá um papel mais activo no ataque do que tinha nos Lakers e terá, pela primeira vez na carreira, a oportunidade de ser a primeira opção ofensiva. Depois do melhor ano da sua carreira e da sua primeira selecção para o All Star, tem aqui a oportunidade de mostrar do que é capaz como principal ameaça ofensiva e como estrela da equipa.
É claro que ainda há a (nada pequena) questão da renovação e se Bynum sair no final da época o negócio terá sido um fracasso para a equipa de Philadelphia. Mas se Bynum renovar e ficar com os Sixers, têm um núcleo de jogadores jovens (Bynum, com 25 anos, será o mais velho) muito promissor e à volta dos quais podem construir uma equipa de topo.

Os Nuggets também sairam-se bem neste negócio. Em troca de dois jogadores medianos (um, Afflalo, ainda com margem de progressão e outro, Harrington, já na fase descendente da carreira) conseguiram um All Star que encaixa na perfeição no estilo de jogo da equipa. O jogo de transição rápida vai beneficiar Iguodala, que pode ser muito mais perigoso e eficaz nesse sistema do que no ataque em meio campo dos Sixers. Iguodala, nos Nuggets, pode ser melhor no ataque do que era nos Sixers (e não era mau nos Sixers; o ano passado teve a melhor percentagem de 3pts da carreira, 39%), pelo que a equipa de Denver não perde nada ofensivamente com a saída de Afflalo e Harrington. E defensivamente ganham muito com Iggy, que é um dos melhores defensores exteriores da NBA.
E, de qualquer das maneiras, marcar pontos nunca foi um problema para esta equipa. Impedir os outros de marcar é que era um problema. Pois, este ano têm opções também para esse lado do campo. Com Iguodala, Corey Brewer, Kenneth Faried, JaVale McGee e Timofey Mosgov ficam com várias soluções tanto para a defesa exterior como interior. E já sabemos como a boa defesa gera ataques (e daqueles que os Nuggets gostam: contra-ataques e ataques rápidos), pelo que a entrada de Iguodala tem tudo para elevar o nível da equipa nos dois lados do campo.
Por último, quem sai claramente a perder neste negócio são os Magic. É claro que iam sair sempre a perder, pois nunca iam conseguir receber o valor justo por Howard. Estavam entre a espada e a parede e o único objectivo era não o deixar sair sem receber nada em troca e conseguir o melhor possível em troca dele. Mas o melhor que conseguiram foi um shooting guard mediano ainda com alguma margem de progressão (Afflalo), um poste que pode tornar-se um role player decente (Vucevic), um rookie que poderá dar alguma coisa (Harkless), uma série de veteranos que não contam para os planos da equipa e três escolhas do draft que serão de certeza baixas (lá para os vintes, final da primeira ronda)?
Já recusaram ofertas melhores (dos Nets, dos Rockets) por não lhes parecerem suficientemente boas e agora aceitam uma que não lhes dá nenhum jogador bom em troca nem escolhas no draft decentes. Os Magic saem a perder, mas se calhar é mesmo esse o plano. O novo general manager, Rob Hennigan (que é o mais novo GM da NBA, com apenas 30 anos) trabalhou 4 anos no front office dos Thunder e deve querer usar a mesma estratégia de construção que usaram em OKC: ser mau durante uns anos, ganhar escolhas altas no draft e ir construindo através deste.
Aos Thunder correu muito bem (em três anos conseguiram Durant, Westbrook e Harden), mas também pode correr mal (é sempre uma lotaria) ou demorar muito mais tempo do que esperado (vejam os Wizards que estavam encalhados no fundo da tabela há anos). Mas esse plano está na moda na NBA (Bobcats!) e os Magic parecem estar determinados a perder muito para tentar encontrar a próxima estrela da equipa no draft. Bem, se é esse o objectivo então esta troca foi perfeita.
Mas entretanto têm um pavilhão novo que não se vai pagar sozinho. Boa sorte para convencer os fãs dos Magic a comprar bilhetes para ver esta equipa jogar. Não vão ser fáceis os tempos mais próximos em Orlando.