27.2.15

Triplo Duplo - Episódio 16 (2ª temporada)


No TRIPLO DUPLO desta semana:

- a lesão de Derrick Rose, e o futuro do jogador e da equipa (04:14)
- a contratação de George Karl como treinador dos Kings (24:10)
- os problemas entre Rajon Rondo e Rick Carlisle, e o futuro de Rondo e dos Mavs (40:25)
- o abandono de Larry Sanders (57:12)
- e, como sempre, o Wow da Semana (01:12:23)


25.2.15

Fazer o que se gosta


"I'm Larry Sanders. I'm a person, i'm a father, i'm an artist, i'm a writer, i'm a painter, i'm a musician, and sometimes I play basketball." Em entrevista ao The Players Tribune, o ex-poste dos Bucks explica porque decidiu abandonar a NBA:



E depois de ouvir as suas palavras, quem o pode censurar? Já antes destas declarações, achávamos que ele estava mais do que no seu direito de desistir e que podia/devia fazer com a sua vida o que muito bem entendesse. Depois de ouvirmos e lermos as suas palavras, ainda mais acreditamos nisso.

É claro que quando saíram as notícias do seu desejo de deixar de jogar basquetebol e, mais tarde, as notícias do seu "buyout", choveram mensagens de indignação e ódio por toda a internet. No Facebook, no Twitter, nas caixas de comentários da ESPN e de outros sites americanos, centenas (milhares?) de fãs condenaram imediatamente o jovem jogador (ou ex-jogador?) e interrogaram-se como era possível ele não querer jogar mais, como era possível desperdiçar todo aquele potencial e a oportunidade de jogar na NBA. Que era um gajo sem nada na cabeça, que era um drogado, como era possível andar deprimido com um ordenado de 11 milhões de dólares por ano e, talvez o argumento mais recorrente, como era possível não ser feliz e não querer ganhar a vida a jogar basquetebol?

Primeiro: é possível ter dinheiro e ser infeliz. Tal como é possível ter dinheiro e ter problemas do foro psicológico, como a depressão ou ansiedade. Como diz o velho ditado (e os ditados não existem por acaso), dinheiro não traz felicidade.

Segundo: é possível não querer ser jogador profissional. Pode ser uma ideia difícil de conceber para muitas pessoas e esse pode ser um emprego de sonho para 99,9% dos fãs (e das pessoas de estatura normal), mas o facto é que não é um emprego de sonho para muitos destes jovens anormalmente grandes. Muitos deles acabaram a jogar basquetebol mais devido à sua altura do que ao amor que tinham pela modalidade. Muitos deles não sonhavam ser jogadores e não escolheram fazer disso vida. Apenas eram grandes, tinham jeito e foi essa carreira que os escolheu. Larry Sanders não é um caso único. Shawn Bradley, por exemplo, também admitiu que jogar basquetebol foi uma inevitabilidade e que não era a paixão da sua vida. Tal como ele, Sanders não escolheu nascer com aquele corpo e crescer até aos 2,11m.

Ele quer fazer outras coisas da vida? Ainda bem para ele. Quer pintar? Quer escrever? Óptimo. Precisamos tanto de artistas como de jogadores de basquetebol. Como sociedade, gostamos de afirmar e acreditar que devemos perseguir os nossos sonhos e fazer o que gostamos. Para 99% de nós isso seria ser jogador profissional na NBA. Para Larry Sanders não é. E não há nada de errado nisso. Boa sorte nos teus projectos futuros, Larry. Sejam eles quais forem.

24.2.15

Trocas e baldrocas 2015



Agora que a poeira assentou, vamos lá a um resumo mais a frio sobre o que mudou e não mudou com todas as trocas que tivemos no trade deadline mais movimentado de sempre

Primeiro, aquilo que não mudou: as equipas do topo da classificação. Os dois primeiros classificados de cada conferência, Hawks, Raptors, Warriors e Grizzlies, ficaram como estavam. Os Grizzlies já tinham feito o seu afinamento final para esta temporada com a troca de Jeff Green e as outras três parecem bastante satisfeitas com os plantéis que têm. 

Mexer no plantel numa fase tão avançada da temporada é sempre um risco. Porque pode alterar (e estragar) a química duma equipa, porque o tempo para integrar os jogadores novos é curto e é difícil ter a equipa oleada até aos playoffs e porque não há depois margem para corrigir erros. Por isso, quem está bem prefere, normalmente (e compreensivelmente), não mexer e não se arriscar a estragar o que não está estragado.

Habitualmente, quem faz mexidas nesta fase são as equipas pretendentes, aquelas que estão quase lá, a quem falta uma peça ou duas para atingir aquilo a que se propõem e que estão, por isso, mais dispostas a correr esse risco. E as equipas do fundo da tabela; aquelas que, fora da luta pelos playoffs, desistem da temporada presente e começam já a fazer preparativos e limpezas de balneário para a próxima época; e aquelas que estão a meio duma reconstrução, que já entraram na temporada sem aspirações para o presente e que aproveitam esta fase para coleccionar mais algumas peças e activos.

Ora, nessas categorias, o que mudou:

nas do fundo da tabela/sem playoffs à vista/a pensar em reconstrução

Nuggets 
A temporada estava a ser uma desilusão monumental (a maior desilusão da temporada para nós) e os dirigentes de Denver decidiram (começar a) detonar a equipa. Para eles, o trade deadline foi admissão de derrota, oportunidade para largar salário e tentar recolher o máximo possível de activos para uma remodelação. Mas tiveram de dar uma escolha no draft (aos Sixers) só para se livrarem do contrato de JaVale McGee e por Afflalo o melhor que conseguiram foi uma 1ª ronda baixa, uma 2ª ronda e um jogador com algum potencial (Will Barton). Não é um saldo muito positivo, o dos Nuggets neste trade deadline.

Kings
Andre Miller é um dos jogadores favoritos de George Karl e com os playoffs lá longe, precisavam mais dum mentor para os jovens e de alguém que seja um ajudante de Karl em campo do que da produção (e do contrato) de Sessions.

Wolves
O Lobo pródigo regressa a casa. Em termos racionais, podiam e deviam ter conseguido mais por um jogador ainda jovem, no seu auge e produtivo como Thaddeus Young. Mas o impacto emocional para a equipa, para os fãs e para toda a organização é tremendo e não podiam perder essa oportunidade. Kevin Garnett está de regresso e ninguém vai dizer aos Wolves não deviam ter feito esta troca.

Jazz
Transformaram um jogador que iam perder no final da época num par de escolhas no draft (e um jogador para desenvolver).

Celtics
Roubaram Isaiah Thomas aos Suns e ainda conseguiram mais duas peças por Tayshaun Prince (que seria dispensado se não encontrassem nenhum negócio).

Knicks
Mais umas escolhazitas para o saco.

Sixers
Não vamos comentar. Vamos ficar à espera que Sam Hinkie decida que é hora de começar a construir algo que se pareça com uma equipa.


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nas pretendentes à procura dessa(s) peça(s) final(is)

Blazers
All in em Portland. Conseguem um excelente jogador para colmatar o ponto fraco do ano passado, o banco, e que também pode render Matthews e Batum e jogar na primeira unidade. Com Steve Blake, Arron Afflalo, Alonzo Gee, Joel Freeland e Chris Kaman ficam com um óptimo banco e com uma boa rotação para os playoffs.

Rockets
Daryl Morey nunca enjeita uma oportunidade de melhorar a equipa, por pouco que seja, e consegue um bom base suplente e um extremo atlético que pode ser um dos roubos do trade deadline. Ou não. Mas não deram nada de significativo em troca, por isso não têm nada a perder.

Pelicans
Precisavam de um base (qualquer base) para se tentarem manter na luta pelos playoffs e em troca de John Salmons conseguiram um decente.

Detroit
A aposta em Reggie Jackson significa que Brandon Jennings não faz parte dos seus planos futuros. Conseguir Jackson por Augustin e Singler não é uma má troca, mas vamos esperar para ver quanto lhe vão oferecer para renovar para avaliar os méritos do negócio.

Brooklyn
Um jogador à beira do fim por um que pode contribuir por vários anos? Claro, porque não?

Wizards
Com Sessions têm um base mais de acordo com as necessidades da equipa e que os pode ajudar onde e como mais precisam (um base penetrador e que pode criar e facilitar na segunda unidade).

Heat
Pat Riley cheirou sangue na água e atacou. Aproveitou a novela de Dragic em Phoenix e conseguiu sacar aquele que é provavelmente o melhor jogador de todos os envolvidos no trade deadline por quatro jogadores secundários e um par de escolhas no draft. Miami era um dos destinos preferidos de Dragic e Riley pescou antecipadamente um dos free agents mais cobiçados do próximo Verão. Dragic, Wade, Deng, Bosh e Whiteside seria um excelente cinco e uma equipa muito perigosa nos playoffs (cenário entretanto adiado pelo problema de saúde de Chris Bosh).


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numa algures a meio (com algumas aspirações este ano, mas a pensar mais no futuro)

Bucks
Em Milwaukee preferiram sacrificar um pouco de presente por um melhor futuro. Brandon Knight é hoje melhor jogador que Carter-Williams, mas o tecto deste segundo é maior. Apesar do que perdem no imediato, o mais importante para os jovens Bucks é o futuro e o que estão a construir para daqui a dois ou três anos. E trocar a perspectiva de terem de pagar muito por Knight este Verão pela perspectiva de pagar menos por um jogador com mais potencial e que têm tempo para desenvolver ao lado de Antetokounmpo e Jabari Parker faz todo o sentido.
Para além disso, Jason Kidd sabe uma coisa ou duas sobre jogar a base e é um treinador perfeito para retirar o máximo de MCW.



nas que se apanharam com fogos para apagar


Thunder
Estes eram um caso muito particular, com as lesões de Westbrook e Durant a colocá-los numa imprevista luta pelos playoffs e com a situação de Reggie Jackson para resolver. Mas conseguiram matar os dois coelhos duma cajadada: transformaram um jogador que iam perder no final da época (e que nesta época também andava descontente e longe do melhor rendimento) em (pelo menos) três jogadores para a rotação e reforçaram a equipa para o assalto aos playoffs. O banco ficou mais forte, o balneário mais feliz e tudo correu pelo melhor.

Suns
Outro caso particular, duma equipa com aspirações para esta temporada, mas que foi obrigada a uma remodelação forçada. Apanharam-se com a emergência Dragic para resolver e não se saíram mal nesse negócio. O esloveno ia sair de qualquer maneira e iam perdê-lo por nada no fim da temporada, por isso, conseguir duas escolhas no draft por ele não é mau. Não é bom também, mas é melhor que nada.
Só que depois não ficaram por aí e continuaram a despachar bases. E menos compreensível foi trocarem Isaiah Thomas por Marcus Thornton e uma escolha baixa.
Ou abdicar da peça valiosa que era a escolha no draft dos Lakers (que receberam no sign and trade de Steve Nash) para ir depois buscar outro base. Brandon Knight é bom jogador, mas não sei se vale dar em troca uma escolha que se pode revelar tão alta e que lhes podia valer um jogador melhor. 
Estavam com excesso de bases antes? Podiam ter trocado Dragic e ficado com o resto da equipa como estava. Ao invés, entraram numa roleta de jogadores desnecessária e que não os tornou melhores.


Quais foram então as equipas que mudaram melhor neste trade deadline?

Menção honrosa para Blazers e Bucks. Os primeiros por aquilo que melhoram no imediato e pelos frutos que a troca lhes pode trazer este ano, os segundos pelos que lhes pode trazer mais para a frente.

E vitória para Heat e Thunder. A equipa de OKC excisou um cancro, melhorou o banco e, nos playoffs, vai ser um presente envenenado para o primeiro classificado do Oeste. A equipa de Miami sacou o melhor jogador de todos os envolvidos nas trocas e, não tivessem acontecido os problemas de saúde de Chris Bosh, preparava-se para ser a equipa que ninguém ia querer apanhar na primeira ronda no Este.

23.2.15

Basketball Hour com Kobe Bryant


Kobe Bryant não é só um dos melhores jogadores da NBA, é também um dos seus melhores entrevistados. Para além de inteligente, não é um jogador de respostas pré-programadas e de cassete e dá sempre respostas e análises perspicazes, reveladoras e pertinentes. 
E com a temporada terminada para ele e muito tempo livre, anda muito falador. Depois da "Kobe: the Interview" com Ahmad Rashad, o jogador dos Lakers foi ao Grantland Basketball Hour para (desta vez com Bill Simmons e o seu "grande amigo" Jalen Rose) mais uma conversa imperdível:



22.2.15

Leituras de Jogo




Nas sugestões de leitura deste domingo, começamos com dois artigos do Players Tribune:


- e um (mais antigo, mas que ainda não tínhamos lido) do CJ McCollum, onde o base dos Blazers analisa o jogo de quatro dos melhores bases da NBA.


E continuamos com os vencedores dos prémios da PBWA (Professional Basketball Writers Association), que foram anunciados no passado fim de semana e que premeiam os melhores textos sobre a NBA publicados em 2014:

- Ramona Shelbourne, da ESPN, venceu na categoria Notícias de Última Hora, com este artigo sobre a venda dos Clippers a Steve Ballmer.

- Phil Taylor, da Sports Illustrated, venceu na categoria Coluna, com este texto sobre Donald Sterling e a entrevista do ex-dono dos Clippers à CNN.


- e Paul Flannery, da SB Nation, venceu na categoria Crónica de Jogo, com a sua crónica do Jogo 4 das Finais de 2014.

20.2.15

Triplo Duplo - Episódio 15 (2ª temporada)


Foi o trade deadline mais movimentado de sempre. Trinta e sete jogadores (e sete 1ªs rondas no draft) mudaram de equipa no dia em que o mercado de transferências encerrou. No Triplo Duplo desta semana fazemos o balanço desse fecho de mercado de loucos e o comentário de todas as trocas de ontem:


CONTRA-ATAQUE - Trocar ou não trocar


No Contra-Ataque desta semana, o Ricardo Brito Reis fala-nos de trocas. Não daquelas que tivemos ontem no trade deadline mais movimentado de sempre, mas daquelas que se fazem dentro das quatro linhas, no meio campo defensivo:



Trocar ou não trocar, eis a questão

por Ricardo Brito Reis

Não, não é de trocas de jogadores que me proponho escrever esta semana. Apesar de este ter sido o trade deadline mais louco dos últimos anos, vou deixar essa análise para o senhor que manda neste blogue – Márcio, vais ter que refazer os boletins de avaliação das 30 equipas da liga! – e, em vez disso, prefiro focar-me noutro tipo de trocas. Daquelas que se fazem dentro das quatro linhas, no meio-campo defensivo. Até porque as equipas que lideram as duas conferências, Warriors no Oeste e Hawks no Este, abordam as trocas defensivas de perspectivas completamente diferentes e ambas têm tido muito sucesso na defesa.

Toda a gente fala do ataque dos Warriors e dos Hawks, mas toda a gente sabe que é a defesa que ganha campeonatos. Não é, por isso, de estranhar que os líderes classificativos das duas conferências estejam em destaque nos vários rankings defensivos da NBA. A formação orientada por Steve Kerr é, de resto, líder do rácio defensivo (pontos sofridos por cada 100 posses de bola do adversário), com uma média de 97.3 pontos por jogo. O conjunto de Atlanta, por sua vez, ocupa o 6º lugar desse ranking, com uma média de 100.2 pontos. No que diz respeito, por exemplo, à média de roubos de bola por partida, os Warriors são a 4ª melhor equipa da liga (9.4) e os Hawks surgem na posição seguinte (8.8).

Os números são idênticos e os resultados também. Mas será que o processo defensivo é parecido? Não.

Os Golden State Warriors têm um estilo de jogo que vive muito da velocidade e das transições rápidas. São a equipa da liga com maior número de posses de bola por jogo (média de 101.2 por cada 48 minutos). Gostam de correr e, por isso mesmo, seria de esperar que fossem apanhados desprevenidos muitas vezes aquando da recuperação defensiva, mas isso não acontece. Porquê? Por causa da versatilidade defensiva e da própria morfologia dos atletas, que permite que jogadores exteriores defendam interiores e vice-versa. Andre Iguodala e Draymond Green podem defender atletas de quatro posições diferentes (desde point guards a power forwards) e Klay Thompson, Harrison Barnes e Shaun Livingston defendem jogadores das posições 1, 2 e 3. Logo, não há perdas de tempo à procura do atacante directo na recuperação defensiva. Cada um defende o jogador mais próximo e, assim, concedem menos pontos no início dos ataques dos adversários. Nesta fase, a comunicação entre os cinco jogadores é essencial para o sucesso.

Depois, na defesa em meio-campo, Steve Kerr promove trocas defensivas em praticamente todos os bloqueios directos. À excepção de Andrew Bogut, que tem a missão de proteger o cesto, todos os outros podem – e devem – trocar nos bloqueios. Como os atletas à sua disposição são todos fisicamente semelhantes, não há mismatch e, consequentemente, as equipas adversárias não apostam em isolamentos, porque, pura e simplesmente, não há vantagens criadas. O único jogador fisicamente mais fraco é Stephen Curry, mas, quando o base entra nas trocas defensivas, as ajudas são bem mais evidentes. O treinador dos Warriors já afirmou que esta opção de trocar em todos os bloqueios tem como objectivo pressionar os adversários, pois, sem vantagens identificadas, o relógio dos 24 segundos parece correr mais depressa. Aqui, a agressividade dos defensores é chave e Draymond Green é a personificação desse mindset. A ideia é: mesmo na defesa, os jogadores dos Warriors estão a atacar.

Em Atlanta, o técnico Mike Budenholzer toma opções diferentes, embora exista uma matriz defensiva com pontos em comum com a estratégia dos Warriors: proteger a área restrictiva (os Hawks são a 6ª equipa da NBA que menos pontos sofre na zona pintada, com média de 39.7 por jogo) e limitar/contestar todos os lançamentos de três pontos. Não têm defensores extraordinários – DeMarre Carroll é um bom defensor do perímetro e Al Horford é competente nas áreas próximas do cesto -, pelo que o segredo é a defesa colectiva, fruto de um bom posicionamento no meio-campo defensivo. Para isso, é preciso jogadores inteligentes, com disponibilidade física para ajudas e rotações defensivas nos timings certos, em que cada atleta sabe perfeitamente qual é o seu papel e quais são as suas responsabilidades, onde deve estar e onde estão os seus colegas de equipa.

Para Budenholzer, as trocas defensivas devem ser evitadas. O ex- adjunto de Gregg Popovich diz que criam momentos de hesitação que podem ser aproveitados pelos atacantes, pelo que, sempre que possível, os seus atletas devem manter-se com o respectivo atacante directo. O foco dos Hawks é correr para trás – se necessário, abdicar do ressalto ofensivo -, parar os contra-ataques e os ataques secundários, pressionando muito o base ou o portador da bola. É, portanto, sem surpresa que os Hawks são a 2ª equipa da liga que menos pontos sofre em contra-ataque, com média de 10.8 por encontro. Depois, sem trocas e com ajudas muito profundas, o objectivo é obrigar a equipa contrária a utilizar grande parte dos 24 segundos, até porque, dessa forma, os Hawks levam os adversários a escolher a 3ª ou 4ª opção no ataque. Ou seja, eliminam as primeiras opções, que, por norma, são as mais eficazes.

O maior mérito de Kerr e Budenholzer é terem percebido que tipo de jogadores têm e estabelecerem processos defensivos que tirem partido das suas características físicas e mentais. Ao potenciar as mais-valias e, por inerência, ao esconder as lacunas dos atletas, é mais fácil que estes «comprem» as ideias dos treinadores. O êxito é uma consequência natural.


16.2.15

Leituras de Jogo


O fim de semana foi de All Star (e ontem deixámos aí o nosso balanço da noite de sábado), tivemos muito com que nos entreter e, por isso, não deixámos aí as nossas habituais sugestões de leitura ao domingo. Mas agora que temos uns dias de pausa na competição, porque não aproveitá-los para meter a leitura em dia? Enquanto os jogos não regressam (quinta-feira! faltam só 3 dias!), aí ficam umas leituras para se entreterem:


- ainda a propósito do All Star, e da prestação memorável de Zach LaVine no Concurso de Afundanços, não podem perder esta reportagem (e entrevista a Vince Carter) do Zach Harper sobre outra das mais memoráveis prestações de sempre, a de Carter em 2000, na noite em que a Vinsanity nasceu.

- os Warriors foram a melhor equipa da liga até à pausa para o All Star. Será que a boa relação entre todos os jogadores e o facto (raro) de comerem juntos pode ajudar a explicar isso?


15.2.15

Curry e LaVine para a história do All Star


A noite de sábado do Fim de Semana All Star sempre valeu mais pelos momentos e performances individuais do que pelo nível ou competitividade dos concursos. Se descontarmos as raras (muito raras) vezes em que um concurso de triplos ou de afundanços é recordado na sua totalidade, pela competição e pelo despique entre dois ou mais participantes (o duelo entre Jordan e Dominique no Concurso de Afundanços de 88 ou o duelo entre Dominique e Spud Webb no de 86, por exemplo), aquilo que fica para a posteridade são as participações e as exibições extraordinárias de determinados jogadores.

Mais do que o Concurso de Afundanços de 2000, o que ficou para a história foi a performance de Vince Carter no Concurso de Afundanços de 2000. Não ficou para a história o Concurso de Triplos de 1991, mas sim a participação de Craig Hodges e os seus 19 triplos consecutivos no Concurso de Triplos de 1991. Ninguém se lembra do Concurso de Afundanços de 1991 ou do de 1992, mas todos nos lembramos de Dee Brown a insuflar as suas Reebok Pump e a afundar de olhos fechados e de Cedric Ceballos a afundar com os olhos vendados.

São as imagens e os momentos que ficam na memória colectiva e que se tornam parte do imaginário da NBA que fazem (e sempre fizeram) a história do All Star Saturday Night. E a noite de ontem acrescentou mais dois momentos a essa história. Este:


E este:



No mais antecipado concurso de Triplos de sempre, tivemos algumas desilusões (Korver e Redick), várias boas prestações na primeira ronda (Matthews, - que foi eliminado com 21 -, Thompson, Irving e Curry) e uma final anti-climática, com Klay Thompson e Kyrie Irving a perderem a mão quente da primeira ronda e a nem ficarem perto do vencedor. Mas para a história fica a ronda final de Stephen Curry e os seus 13 triplos seguidos (a segunda melhor marca de sempre, a seguir aos 19 de Hodges):

(os 27 pontos de Curry são a melhor pontuação total de sempre, mas agora os jogadores têm quatro moneyballs extra e a pontuação máxima passou de 30 para 34; na pontuação anterior, Curry teria feito 23, "apenas" a 7ª melhor pontuação de sempre)


E no Concurso de Afundanços, Zach LaVine deslumbrou. Começou com dois afundanços que fez o mundo inteiro saltar da cadeira e depois na final nem precisou de suar ou de sacar nenhum truque da manga para vencer. Quando percebeu que o concurso estava ganho, começou já a pensar no próximo concurso e guardou alguns dos seus truques para 2016 (foi o próprio que confessou na entrevista pós-concurso que tinha mais afundanços na gaveta e que no próximo ano tem mais para mostrar; e basta ir ao Youtube ver alguns dos afundanços dele para ver que é verdade).

De resto, Oladipo começou bem e fez um bom primeiro afundanço, mas foi perdendo confiança com cada afundanço de LaVine. Teve algumas boas ideias, mas não as conseguiu executar da melhor forma. E Antetokounmpo e Plumlee foram uma desilusão. Mas nada disso importará daqui a uns anos. A noite foi de LaVinesinity e é isso que vamos recordar. Conquistou milhões de fãs em todo o mundo, deixou-nos com água na boca para o ano que vem e salvou o concurso de afundanços (e tudo isso the old school way, sem teatro e sem adereços; o miúdo de 19 anos, o segundo vencedor mais novo de sempre, chegou lá, fez grandes afundanços e pronto).




Os afundanços de Zach LaVine e a ronda final de Stephen Curry vão para o Olimpo da NBA. E só por isso já foi uma All Star Saturday Night memorável.


(tivemos ainda, nos dois concursos que iniciam as festividades - os dois concursos para aquecer e divertir-nos um pouco enquanto esperamos pelos triplos e afundanços -: um Skills Challenge um bocadinho mais picadinho que o habitual e um formato que criou mais emoção e competitividade; e um threepeat de Chris Bosh - que nasceu para acertar lançamentos de meio campo neste concurso -, Dominique Wilkins e Swin Cash no Shooting Stars)

14.2.15

Rising Stars com futuro


Notícia de última hora: o Rising Stars Challenge deste ano pareceu-se com um jogo de basquetebol!

En anos anteriores, o encontro dos jogadores de primeiro e segundo ano não era mais que uma sucessão de 1-contra-0s e 1-contra-1s, uma colecção de jogadas individuais e afundanços sem qualquer oposição e qualquer semelhança com um jogo de basquetebol era pura coincidência.

Este ano, já se assemelhou a um jogo. Não um jogo a sério, claro, mas, pelo menos, já pareceu um jogo de basquetebol. A Team World venceu a Team USA, Andrew Wiggins levou o prémio de MVP, mas a maior vitória da noite vai para o novo formato, que veio dar uma identidade a este jogo.

Antes, com as Team Shaq, Team Barkley, Team Hill e afins, eram apenas dois grupos de jogadores a mandar umas bolas. Com este formato "Estados Unidos contra o Resto do Mundo", os jogadores estão a representar alguém, os fãs identificam-se com uma ou outra equipa e torcem por uma delas.

O jogo ganha um contexto e um objectivo, ganha história e continuidade (no próximo ano, os Estados Unidos vão certamente querer vingar a derrota), gera mais interesse e um envolvimento maior de todas as partes.

Existem vários obstáculos para este ser um dia o formato do All Star Game (o Ricardo Brito Reis já falou sobre alguns deles no Contra-Ataque da semana passada e eu também falei disso no Triplo Duplo desta semana) e um dos maiores poderá ser a menor rotatividade de jogadores que aconteceria (durante vários anos, os 12 melhores americanos e os 12 melhores do resto do mundo poderiam ser quase sempre os mesmos). 

No Rising Stars, a rotatividade de jogadores está assegurada pela natureza de evento (reservado apenas a rookies e sophomores), pelo que podemos ter um formato de sucesso para muitos e bons anos. No jogo das futuras estrelas, este formato tem futuro e veio salvar o evento.

Love (in) This Game


Ainda não têm um postal de São Valentim para a vossa cara-metade? Nós ajudamos.

Para todo o/a fã da NBA, uma escolha universalmente fofinha, o postal clássico:




Um trocadilho com um êxito musical recente também é um sucesso garantido:




Uma analogia entre o tamanho dos jogadores e o tamanho do vosso amor por alguém também não vos deixará ficar mal:



Este vai marcar muitos pontos junto dos conhecedores/as do jogo:



À procura de algo mais "à frente"? Então experimentem um destes do Mavs Moneyball:





E se forem fãs de um humor um bocadinho mais negro, têm sempre este:

(podem ver mais postais do Mavs Moneyball aqui)

13.2.15

CONTRA-ATAQUE - Regresso ao Futuro (All Star Edition)


Esta semana, invertemos a ordem das coisas. Triplo Duplo na quinta e Contra-Ataque na sexta. E na sua crónica desta semana, o Ricardo Brito Reis regressa da sua viagem ao futuro e conta-nos como foi vai ser o Fim de Semana All Star. Obrigado, Ricardo.


Regresso ao futuro - All-Star edition

por Ricardo Brito Reis

O Márcio confessava, há dias, que o excesso de trabalho lhe tem roubado tempo para dedicar ao SeteVinteCinco. Pois, esta semana, fui invadido por um espírito altruísta e decidi dar-lhe os próximos dias de folga aqui no blogue. Amigo Márcio, segue em baixo a crónica sobre o All-Star deste ano:


Rising Stars Challenge
Era o aperitivo para o fim-de-semana e prometia deixar-nos de água na boca. Como sublinhei na crónica da semana passada, a mudança de formato no jogo das futuras «estrelas» da NBA era uma ideia que tinha tudo para dar certo – uma salva de palmas para Adam Silver! - e, mais do que isso, para fazer a ligação com os adeptos dos quatro cantos do Mundo. Tal como se esperava, assistimos a três períodos de baixa intensidade defensiva, muitos alley-oops, uma quantidade infindável de lançamentos triplos e, sobretudo, sorrisos e boa disposição dos jovens atletas de 1º e 2º ano. Depois, no quarto e último parcial, começou a verdadeira competição, com a defesa aguerrida e uma melhor selecção de lançamentos. E algo pelo que valia a pena lutar. Os norte-americanos, ainda na ressaca do recente triunfo no Campeonato do Mundo, quiseram provar que são melhores do que os outros. Os outros provaram que o basquetebol não-americano é capaz de «bater o pé» à equipa da casa. Cada um a defender a sua pátria, mas em representação de todos os países do Resto do Mundo. E todos nós, do lado de cá da televisão, tivemos uma equipa por quem torcer.

Nota: 7/10
Destaque: Andrew Wiggins e Giannis Antetokoumpo lideraram a equipa do Resto do Mundo a uma vitória claríssima, mas os afundanços de Zach LaVine ficaram na retina e mostraram por que razão era o favorito a vencer o concurso de afundanços.


Skills Challenge
O All-Star Saturday Night abriu com o Shooting Stars, mas o verdadeiro interesse surgiu, apenas, quando começou o Skills Challenge. Oito atletas completaram um percurso com vários obstáculos, que testava a técnica individual de cada um deles, nomeadamente o drible, o passe, o lançamento e a agilidade. E, até às alterações de última hora, havia um grande motivo de interesse. Seria Jimmy Butler, o único participante que não é point guard, capaz de mostrar capacidade técnica para fazer frente aos pequenos bases? Nunca saberemos, pois Butler acabou por desistir da sua participação no concurso devido a uma lesão num ombro, que, ainda assim, não o impediu de participar no All-Star Game de domingo.

Nota: 6/10
Destaque: Isaiah Thomas e Jeff Teague mediram forças por um lugar na final e logo aí se percebeu que, o que vencesse desses dois, ia derrotar Brandon Knight na ronda decisiva. Assim que recebeu o troféu, Teague chamou os outros jogadores dos Atlanta Hawks presentes no pavilhão e, juntos, deram um abraço de grupo.


Three-Point Contest
Foi, sem sombra de dúvida, o momento mais aguardado do fim-de-semana. Os participantes do concurso de lançamentos triplos eram oito dos melhores «atiradores», não só da liga deste ano, mas de sempre. Duas salvas de palmas para Adam Silver! Os «Splash Brothers» como cabeça de cartaz, sobretudo depois de Stephen Curry ter marcado dez triplos frente aos Dallas Mavericks (4 Fev) e Klay Thompson ter concretizado onze, incluindo nove num só período, diante dos Sacramento Kings (23 Jan). Curry tinha até uma vantagem do ponto de vista técnico, pois é o jogador da NBA que melhor lança a partir do drible e o concurso de triplos, com as bolas colocadas ao lado dos atletas, replica o armar do lançamento após drible. Depois havia Kyle Korver, o jogador da NBA com a melhor percentagem de lançamento exterior (53,2%). E havia James Harden, melhor marcador da liga norte-americana e 5º em ambos os rankings de triplos tentados e convertidos. E havia Kyrie Irving, vencedor do concurso em 2013 e que, este ano, já marcou onze triplos num jogo contra os Portland Trailblazers (28 Jan). E havia Marco Belinelli, vencedor do concurso na temporada passada. E havia Wesley Matthews, líder da NBA em triplos tentados e concretizados. E havia J.J. Redick, que está a realizar a melhor época da sua carreira no que ao «tiro» exterior diz respeito. E havia um twist na competição, com uma das séries de lançamentos a ser exclusivamente com money balls, numa posição previamente definida pelo atleta. E… o que mais poderíamos desejar?

Nota: 10/10
Destaque: Curry disse, há dias, que vai continuar a participar no concurso de lançamentos de três pontos até ganhar. Pois o jogador mais votado pelo público para o All-Star Game vai ter mesmo que voltar na próxima época. Numa final entre os 3K (Klay, Kyle e Kyrie), a vitória de Klay Thompson foi totalmente merecida e só foi pena aquela única bola que falhou.


Slam Dunk Contest
Com os anos, o concurso de afundanços foi perdendo interesse. Os atletas perderam interesse em participar e o público perdeu interesse por causa das sucessivas mudanças de formato, sempre para pior. Este ano, recuperou-se o formato clássico – meia salva de palmas para Adam Silver! -, mas isso ainda não foi suficiente para convencer os melhores atletas a participar. Ainda assim, o cartaz apresentou quatro jovens com capacidades atléticas que deixavam antever um bom espectáculo. Havia três jogadores de segundo ano, mas era o único rookie que reunia o favoritismo. O base dos Timberwolves, Zach LaVine, tem uma impulsão fora do normal e, sempre que afundou, fez lembrar Vince Carter. Victor Oladipo era o mais baixo dos quatro e isso foi-lhe favorável, para além de que o base dos Magic prometeu doar parte do prémio a instituições de caridade, o que lhe valeu mais uns pontinhos dos jurados. Giannis Antetokoumpo tem uma morfologia que lhe permitiu fazer coisas que mais ninguém fez, enquanto Mason Plumlee jogava em casa e contava com o factor surpresa, por ser o underdog.

Nota: 8/10
Destaque: Antetokoumpo e LaVine passaram facilmente à final, que foi ganha pelo «Greek Freak» com um afundanço a duas mãos, após saltar um metro atrás da linha de lance livre.


64th NBA All-Star Game
O jogo deste ano estava já marcado pelas ausências. Kobe Bryant, Blake Griffin, Dwayne Wade e Anthony Davis foram substituídos por DeMarcus Cousins, Damian Lillard, Kyle Korver e Dirk Nowitzki, respectivamente. Paul George e Dwight Howard nem entraram nas contas. E até Carmelo Anthony, Jimmy Butler e LaMarcus Aldridge jogaram condicionados. Mas All-Star é All-Star e este correspondeu às melhores expectativas. Quem dizia que o Oeste ia dominar a seu bel-prazer estava redondamente enganado. A selecção do Este, liderada por LeBron James, John Wall e Pau Gasol esteve na frente do marcador desde o início e só no quarto período o Oeste conseguiu dar a volta, quando Steph Curry e James Harden deixaram de jogar para os seus números, numa espécie de duelo pelo título de MVP, e decidiram que estava na altura de passar a bola a Kevin Durant. A formação orientada por Steve Kerr estava na frente do marcador e tudo parecia indiciar o triunfo do Oeste. No entanto, o momento mais inesquecível da noite aconteceu quando, numa acção absolutamente inesperada, Adam Silver pegou no microfone – três salvas de palmas para o comissário! - e, com menos de um minuto para a buzina final, anunciou uma convocatória de última hora para a equipa do Este. Do topo do pavilhão para o centro do campo, como se de um super-herói se tratasse, desceu DeMarre Carroll. O treinador Mike Budenholzer meteu em campo Jeff Teague, Kyle Korver, Paul Millsap e Al Horford e – claro! – o Este ganhou.

Nota: 9/10
Destaque: Dois co-MVPs não é algo inédito na história dos All-Star e aconteceu mais uma vez. Este ano, Steph Curry (57 pontos, com 15 lançamentos triplos) e DeMarre Carroll (2 roubos de bola e 1 desarme de lançamento, nos 43 segundos que jogou) partilharam a honra, naquele que foi um All-Star Weekend memorável.

12.2.15

Triplo Duplo - Episódio 14 (2ª temporada)


Esta semana, o episódio do TRIPLO DUPLO sai do forno um dia mais cedo. Porque amanhã começa o Fim de Semana All Star e tínhamos de vos deixar aí este episódio completamente dedicado às festividades anuais da NBA antes destas começarem. E neste especial All Star fala-se:

- do novo formato do Rising Stars Challenge e da possibilidade deste ser um dia o formato do All Star Game (02:35)
- do Concurso de Triplos e se este é o melhor elenco de sempre (17:13)
- do Concurso de Afundanços e do regresso ao formato antigo (32:08)
- das nomeações de Damian Lillard e Kyle Korver para os lugares dos lesionados Blake Griffin e Dwyane Wade (45:34)
- e dos possíveis substitutos para os lugares de Anthony Davis (gravámos antes de sair a nomeação do Nowitzki; e nenhum de nós o escolheu, de resto) e Jimmy Butler (58:54)

Temos também, como não podia deixar de ser, previsões para os vencedores destes eventos todos e ainda, para terminar, o habitual Wow da Semana (01:02:05).


11.2.15

O All Star dos Hawks



Se alguém dissesse em Setembro que Kyle Korver seria All Star e que a equipa de Atlanta teria quatro jogadores no All Star Game provavelmente passaria por maluquinho e seria recomendado para internamento. Depois duma temporada em que terminaram em oitavo lugar no Este e ficaram pela primeira ronda dos playoffs (apesar de terem levado os primeiros-classificados-Pacers ao limite), e depois duma offseason em que não fizeram nenhuma contratação sonante nem nenhuma alteração significativa no plantel, não passava pela cabeça de ninguém que estivessem nesta posição em Fevereiro. Ou que um jogador como Kyle Korver estivesse sequer na discussão para o All Star, quanto mais seleccionado.

No entanto, aí estão os Hawks com sete jogos de vantagem sobre o segundo do Este e com o segundo melhor recorde da liga. Aí está Korver escolhido para substituir o lesionado Dwyane Wade e aí estão os Hawks com quatro representantes no Jogo das Estrelas.

Escrevemos no nosso Boletim de Avaliação da offseason da equipa, que a maior agitação que se viveu em Atlanta este Verão foi mesmo a polémica com as declarações racistas de Danny Ferry. E como isso parece tão distante agora (aposto que alguns de vocês já nem se lembravam disso). E que ninguém sequer se lembre já disso é uma das maiores provas do trabalho fenomenal que Mike Budenholzer está a fazer. A outra prova é a equipa ter quatros All Stars.


Porque a eleição para o All Star pode ser um prémio individual, mas é também uma prova do trabalho sensacional que o ex-braço direito de Gregg Popovich está a fazer com este plantel. Mesmo com números semelhantes, é possível que, noutro sistema e numa equipa com outros resultados, estes jogadores não estivessem aqui. E é mais provável ainda que noutro sistema não tivessem os números e a produtividade que têm tido.

É um lugar comum usado para descrever um bom treinador, mas Mike Budenholzer está, de facto, a retirar o máximo de cada um dos seus jogadores. Montou uma defesa de topo sem ter os melhores defensores da liga e um ataque de topo sem ter o mesmo talento individual que outras equipas. É um caso em que a soma das partes é verdadeiramente maior que as partes.

Por último, a selecção de Teague, Horford, Millsap e Korver é ainda uma prova de como jogar para a equipa e colocar os objectivos desta acima dos objectivos pessoais não só é o melhor caminho para o sucesso colectivo, mas é também o melhor caminho para o sucesso individual.

Quando uma equipa tem sucesso, os seus jogadores são reconhecidos por isso. Ou alguém duvida que se os Cavs estivessem a dominar o Este (e a liga) como os Hawks estão a fazer, tínhamos James, Irving e Love no All Star? Ou, ainda outro exemplo, Monta Ellis, que nunca foi tão reconhecido como desde que está nos Mavs (a contribuir numa equipa relevante) e só não está no All Star porque no Oeste temos a brutalidade de bases que sabemos.

Os jogadores dos Hawks aderiram completamente a esse conceito de equipa e estão a colher os frutos disso. E o maior responsável por isso é o homem por trás dessa estratégia, Mike Budenholzer. É ele o verdadeiro All Star desta equipa.

10.2.15

Master Pop


Ontem, a noite foi de Gregg Popovich. Com a vitória da equipa de San Antonio em Indiana, o já lendário treinador dos Spurs tornou-se o 9º treinador da história da NBA a atingir as 1000 vitórias (e o terceiro mais rápido a consegui-lo).





E, feito ainda mais extraordinário e raro, é apenas o segundo treinador a conseguir 1000 vitórias com uma equipa (o outro é Jerry Sloan, que o fez com os Utah Jazz). 


E esses são apenas alguns dos números impressionantes destas "1000 vitórias de Popovich". Para além disso (e este é provavelmente o mais impressionante de todos), nas quase duas décadas com Pop ao leme, os Spurs têm um recorde positivo com TODAS as equipas da liga. Nem uma equipa conseguiu ganhar-lhes mais jogos do que aqueles que perdeu (a que fica mais próxima são os Lakers, com 37-31):

a ESPN compilou mais alguns aqui (de onde retirámos a imagem acima)


É claro que tudo isto que nem fez Popovich pestanejar:


Mas celebre-o ele ou não, celebramos nós e deixamo-los aqui para a posteridade. São feitos raríssimos de um treinador como não há mais nenhum. Parabéns, Pop! Por tudo.

8.2.15

Leituras de Jogo



Esta semana foi pródiga em artigos muito bons e temos alguns textos imperdíveis para vocês:

Se só tiverem tempo (ou vontade) para ler um, leiam este: a excelente reportagem do Ethan Sherwood Strauss sobre como os Warriors construíram a melhor defesa da NBA. De leitura obrigatória.



Se tiverem tempo e vontade para mais, aqui ficam mais alguns artigos imperdíveis:


- Blake Griffin volta a mostrar-nos o seu talento para a escrita e, no seu mais recente texto no Players Tribune, fala-nos de todo o trabalho que fez para melhorar o seu lançamento e por que razão já não afunda tanto como antes


7.2.15

Triplo Duplo - Episódio 13 (2ª temporada)


No TRIPLO DUPLO desta semana:

- falamos da mais recente sensação da NBA, Hassan Whiteside (01:50)
- discutimos a ausência de Damian Lillard no All Star e o aumento no número de convocados (14:34)
- abordamos a lesão de Dwight Howard e o futuro dos Rockets (35:55)
- lançamos alguns nomes que mudarão de ares até ao trade deadline (46:31)
- e terminamos, como habitualmente, com o Wow da Semana (01:02:17)


6.2.15

CONTRA-ATAQUE - Ensaio para o All Star do futuro?


No Contra-Ataque desta semana, o Ricardo Brito Reis interroga-se sobre o rumor que circula pelos bastidores da NBA de que o formato deste ano do Rising Stars Challenge (EUA vs Resto do Mundo) poderá ser uma experiência para um formato futuro do All Star Game:

Ensaio para o All-Star do futuro?

por Ricardo Brito Reis

Depois de alguns anos com inúmeras alterações aos eventos do fim-de-semana do All-Star que tiraram «brilho» à festa, o comissário Adam Silver parece querer consertar as coisas. Primeiro, o anúncio de que o concurso de afundanços vai voltar ao formato antigo, numa prova por atletas e não por conferências. E, depois, uma inovação que promete dar uma competitividade extra ao jogo que abre as festividades do All-Star e que coloca dentro das quatro linhas as futuras estrelas da NBA (atletas de primeiro e de segundo ano na liga norte-americana). Este ano, o Rising Stars Challenge coloca frente a frente selecções dos Estados Unidos da América e do Resto do Mundo.

No papel, a ideia parece resultar e espera-se que o jogo possa trazer mais do que um conjunto de miúdos com talento que passam quarenta e oito minutos sem se aplicar no meio-campo defensivo e preferem exibir o seu reportório atacante, numa sequência infindável de alley-oops. Olhando para as convocatórias das duas selecções, há muitos motivos de interesse. De um lado, pelos E.U.A., Michael Carter-Williams, Victor Oladipo, Nerlens Noel e Mason Plumlee são alguns dos nomes escolhidos para medir forças com uma equipa de jogadores internacionais, onde se destacam, entre outros, Giannis Antetokoumpo, Andrew Wiggins, Nikola Mirotic e Dennis Schroder.

Há dias, numa transmissão da SportTV, falei sobre um rumor que anda pelos bastidores da NBA e que dá conta da tentativa de Adam Silver perceber se o formato E.U.A. vs. Resto do Mundo funciona com os jovens para, mais tarde, poder aplicá-lo ao jogo principal. Na minha opinião, a tradição deve ser mantida e, sinceramente, não acredito que o «homem-forte» da liga venha a mexer no formato do All-Star Game. Ainda assim, nada nos impede de fazermos um exercício para perceber que equipas teríamos num jogo deste género, entre norte-americanos e internacionais, e logo numa época em que, pela primeira vez, se ultrapassou a centena de atletas não-americanos na NBA.

Desde logo, salta à vista a quantidade de potenciais “convocáveis”, quer de um lado, quer do outro, mas com especial destaque para os jogadores da casa. Sem ter que procurar muito, é fácil identificar cerca de 30 jogadores com condições para entrar nestas contas. Esta é, de resto, uma das razões pelas quais acredito que Adam Silver não vai alterar o formato do All-Star. Como poderia o comissário da NBA explicar a ausência de tantas «estrelas», mesmo que, tal como se espera que aconteça num futuro próximo, alargasse o lote de convocados? Por sua vez, do lado dos atletas internacionais, também não é complicado reunir um lote de, pelo menos, duas dezenas de basquetebolistas com provas dadas na NBA.

Assim sendo, vou fazer de conta que o formato estaria em vigor já para a edição deste ano do All-Star e, ignorando lesões e mantendo as regras em relação a jogadores de backcourt e frontcourt, apresento-vos, aqui, aquelas que seriam as minhas escolhas:


ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
Cinco inicial
Steph Curry, James Harden, Kevin Durant, LeBron James, Anthony Davis
Suplentes
Chris Paul, John Wall, Russell Westbrook, Carmelo Anthony, Blake Griffin, LaMarcus Aldridge, Chris Bosh

RESTO DO MUNDO
Cinco inicial
Tony Parker, Goran Dragic, Dirk Nowitzki, Pau Gasol, Marc Gasol
Suplentes
Ricky Rubio, Manu Ginobili, Nicolas Batum, Al Horford, Tim Duncan, Marcin Gortat, Nikola Vucevic


É claro que, como referimos anteriormente, o maior problema seriam as ausências. Do lado dos E.U.A., ficariam de fora Damian Lillard, DeMar DeRozan, Derrick Rose, Dwayne Wade, Jeff Teague, Jimmy Butler, Klay Thompson, Kobe Bryant, Kyle Lowry, Kyrie Irving e Mike Conley. E só no que diz respeito ao backcourt! Para o frontcourt, os snubs seriam Al Jefferson, Andre Drummond, DeMarcus Cousins, Dwight Howard, Kawhi Leonard, Kevin Love e Paul Millsap. Quanto aos internacionais, a lista é mais curta, mas igualmente repleta de qualidade: Andrew Wiggins, Giannis Antetokoumpo, Andrew Bogut, Boris Diaw, Joakim Noah, Jonas Valanciunas, Luol Deng, Nené Hilário, Omer Asik e Serge Ibaka. E estou, com certeza, a esquecer-me de alguns nomes nas duas selecções.

O cenário é hipotético, pouco provável, mas uma coisa é certa: seria um grande jogo de basquetebol.

4.2.15

X's e O's - Warriors enganam muita gente


Apesar de, por culpa da sua dupla de atiradores no backcourt, os Warriors serem mais conhecidos pelo seu ataque do que pela sua defesa, a verdade é que até esta temporada a equipa não tinha um ataque muito criativo e era do outro lado do campo que estava o segredo do seu sucesso (em 2013-14, foram a quarta melhor defesa da liga e apenas o 12º ataque). 

Este ano estão ainda melhores na defesa e apesar da responsabilidade de Steve Kerr (e da sua equipa técnica) por essa evolução, ele está apenas a continuar o bom trabalho de Jackson nesse lado do campo. Não é, portanto, aí que Steve Kerr está a deixar a sua marca na equipa. Onde ele está a fazê-lo é no ataque, que está menos estático, mais imprevisível e com soluções mais variadas.

E que tem jogadas engenhosas e criativas como esta. Uma reposição de bola na linha de fundo que de tão simples que é, é quase inacreditável. Mas é exactamente por ser tão simples que é tão boa. 

Quando uma equipa repõe a bola na linha de fundo, tem de repor de um dos lados da tabela. Com a tabela e os defensores pelo meio o jogador que repõe a bola não tem normalmente ângulo nem linha de passe para o lado contrário e, por isso, nenhuma equipa faz esse passe para o lado contrário. A bola é passada quase sempre (para não dizer sempre) para o lado do campo onde é feita a reposição.

É o que os defensores esperam nesta situação, com três Warriors desse lado do campo, preparados para fazer bloqueios e cortes para libertar um deles, e o quarto Warrior (Justin Holiday, neste caso) no canto do lado contrário:





Os três jogadores do lado da bola iniciam a ação:



E enquanto isso acontece, o que os Warriors fazem é muito mais simples: um passe de peito para Holiday. O seu defensor está em posição de ajuda, virado para o campo e quando se apercebe no passe nas suas costas já é tarde demais para impedir o lançamento:


Toda a jogada é baseada numa premissa muito simples: passar para o único sítio para onde a defesa pensa que não vão passar. O defensor do lado contrário da bola, que está em posição de ajuda e à espera que a bola entre do lado forte (e posicionado de acordo), é apanhado de surpresa e os Warriors conseguem, com uma facilidade estonteante, uma situação de lançamento sem oposição.

Tão simples e tão boa. E fica ainda melhor quando a vemos uma e outra vez e nos apercebemos como já a fizeram tantas vezes e já enganaram tanta gente com ela:


3.2.15

Dose diária de SeteVinteCinco?



Pessoal, desculpem a minha ausência nos últimos dias, mas infelizmente os últimos tempos têm sido o contrário do lema acima. O trabalho tem apertado e não tenho tido tempo para escrever tanto como habitualmente (e tanto como gostava).

No entanto, como sabem, o blogue é só um dos vértices do ecossistema SeteVinteCinco. Para além dos artigos e textos que fazemos aqui, também partilhamos diariamente conteúdos sobre o melhor basquetebol do mundo (vídeos, fotos, artigos, links, curiosidades, piadas, posts de outros e tudo o mais que nos pareça relevante/interessante/divertido) na nossa página no Facebook e no nosso perfil no Twitter

No início do SeteVinteCinco, concentrávamos todos os conteúdos aqui no blogue, desde artigos, análises e textos mais extensos a vídeos, highlights, fotos, tweets e curiosidades. Tudo o que partilhávamos, era publicado aqui. Entretanto, com o passar do tempo, fomos distribuindo os conteúdos e as partilhas pelas plataformas mais indicadas a cada coisa (o Facebook, por exemplo, presta-se mais a vídeos, highlights, fotos e afins, enquanto o blogue é melhor para artigos e textos mais extensos). 

Por isso, apesar dos posts um bocadinho menos regulares por aqui nos últimos tempos, podem continuar a ter a vossa dose diária de SeteVinteCinco no Facebook e no Twitter. Por lá, continuamos a partilhar coisas todos os dias, várias vezes ao dia e coisas que não partilhamos aqui (quem nos segue no Facebook sabe que temos, por exemplo, os Cestos à Segunda, as Citações à Terça ou os Tesourinhos à Quinta). Portanto, seja aqui ou nos outros sítios, continuamos sempre por cá. 

Obrigado pela vossa compreensão e pelas vossas visitas (aqui e nos outros sítios) e amanhã espero conseguir escrever o artigo que ando para escrever desde o fim de semana (não, não vos vou dizer sobre o que é, que é para terem de cá voltar amanhã).


(e só para esta visita não ter sido em vão - e porque nunca alguém alguma vez se fartará de ver imagens deste senhor - deixo-vos aí os melhores afundanços da carreira de Michael Jordan:

)