30.6.13

Os deuses do Basquetebol deviam estar loucos?


Esperava-se um draft imprevísivel, tivemos um draft insano? Um número um surpreendente, escolhas inesperadas nas posições seguintes, o favorito Nerlens Noel a cair até à 6ª escolha e metade das equipas da liga a trocar escolhas entre si. Em trocas directas ou como parte de negócios maiores, tivemos mais trocas que nunca no dia do draft e, às tantas, já nenhuma equipa estava a escolher para si, mas antes para outra equipa qualquer com quem já tinha uma troca acordada.

Foi um draft que pareceu desafiar toda a lógica. Estariam os deuses do basquetebol loucos nesse dia ou foi apenas um draft normal para as circunstâncias? 


Porque isto é o que pode acontecer (é até mesmo normal que aconteça) quando não há apostas seguras e escolhas claras. Nos anos em que há um LeBron James, um Tim Duncan ou um Shaquille O'Neal, o trabalho das equipas é fácil. Quando há um jogador daqueles que será estrela de certeza, é só escolhê-lo. 
Mas num ano como este, sem estrelas garantidas e com muitos jogadores-ainda-em-projecto e muitos jogadores que as equipas esperam que possam desenvolver-se assim ou assado, não é anormal acontecer isto. Num como este, era uma certeza que o draft seria imprevísivel.

E vai ser preciso esperar (até à próxima temporada ou até mesmo vários anos) para saber quem escolheu bem e quem escolheu mal. É quase sempre assim no draft e num ano em que não há estrelas garantidas e há muitos projectos, ainda mais. 

Mesmo em anos em que parece haver erros clamorosos, só o tempo permite saber isso. Quando, por exemplo, os Blazers escolheram Greg Oden em vez de Kevin Durant não tinham forma de prever as lesões que Oden veio a ter (e que acabaram com uma carreira que podia ter sido excelente). Olhando para trás (um luxo que nenhum GM tem no dia do draft), parece um erro grosseiro, mas Oden era um "7 footer" com potencial para ser dominador e esses jogadores são daqueles que fazem a diferença na NBA. A verdade é que metade dos GMs da liga escolheriam Oden.

Este ano, por exemplo, a escolha dos Cavs no nº1 apanhou todo o mundo de surpresa. A maior necessidade da equipa de Cleveland era na posição de small forward e a escolha mais consensual e mais óbvia para essa posição era Otto Porter. Quando escolheram Anthony Bennett, todos coçámos a cabeça e pensámos "entao, mas eles já têm Tristan Thompson e escolhem outro power forward?!"
Mas se calhar o plano dos Cavs é desenvolver um small forward. Porque Bennett lembra-nos de um jogador que também chegou à NBA como um power forward um pouco pequeno para essa posição na NBA e que se transformou num bom small forward: Larry Johnson.

O ex-Hornet e ex-Knick desenvolveu o lançamento exterior e tornou-se um bom small forward. Bennett já tem um bom lançamento e pode vir a ser um jogador do mesmo género. E se isso acontecer, daqui a uns anos podemos estar a dizer que os Cavs foram visionários e escolheram muito bem. Vamos ter de esperar para ver.

Henry Abbott, do True Hoop, escreveu um bom texto sobre isto e sobre a prudência que devemos ter quando falamos de vencedores e vencidos do draft (um texto com o qual concordamos plenamente). Como ele diz, a única coisa que os GMs da NBA podem fazer "é fazer o trabalho de casa o melhor possível e esperar para ver se corre como esperado." Os deuses do basquetebol não estavam loucos no dia do draft. Foi apenas um dia normal para as circunstâncias.



(só o tempo nos permitirá averiguar o acerto das escolhas no draft; já para avaliar uma troca de jogadores já estabelecidos e dos quais sabemos com o que contar, podemos adiantar uma análise - mas mesmo nestas há sempre uma dose de incerteza e só o tempo pode dizer se essa análise é completamente acertada ou não -; e tivemos duas trocas dessas no dia do draft - embora ainda sejam condicionais, pois só a partir de 10 de Julho é que as equipas podem oficializar qualquer troca -. Por isso, já lá iremos à mega-troca que os Nets e os Celtics acordaram fazer e também à que os Sixers e os Pelicans acordaram)

28.6.13

Goodboooo, Comissário!


Este draft não foi imprevísivel, foi completamente insano (e sobre isso falaremos a seguir). Mas houve alguém que se divertiu à grande: David Stern, no seu último draft (o comissário reforma-se em Fevereiro de 2014 e passa o testemunho a Adam Silver), disfrutou de cada apupo do público como se fosse o último. 

Não foram mesmo os últimos últimos, porque Stern ainda deverá discursar no arranque da próxima temporada e ainda entregará os anéis de campeão aos Heat e ainda ouvirá mais uns apupos. Mas já não lhe restam muitas ocasiões para os ouvir e aproveitou ao máximo a despedida do draft:




Até que, à 900ª vez, na sua última subida ao pódio do draft, teve finalmente direito a uns aplausos (e uma visita especial):


27.6.13

Novas caras para 2013-14


O Draft deste ano (em directo, a partir das 00:00, na NBA TV) é um dos mais imprevisíveis dos últimos tempos. Não há um claro nº1 (nem sequer apenas dois ou três claros candidatos) e nas muitas previsões e drafts simulados que, como habitualmente, se vão fazendo, já houve (pelo menos) uma meia duzia de jogadores diferentes previstos como primeira escolha. 

Se os Cavs quiserem preencher a posição onde têm claramente mais necessidade (small forward), podem escolher Otto Porter. Se quiserem um poste já a pensar na sucessão de Varejão, podem escolher Alex Len. Ou então podem escolher o melhor jogador possível, independentemente de posição. E, mesmo nesse cenário, o plano e a escolha não são obvios, podem escolher um jogador para ficar com ele ou um para usar numa troca futura. E podem escolher Nerlens Noel, Ben McLemore ou mesmo Victor Oladipo.

Não há um claro nº1 neste draft, nem um claro nº2, nem nº3, nem 4º, nem... bem, já perceberam a ideia.  E como qualquer um destes nomes pode, realisticamente (uns mais realisticamente que outros), ser o primeiro a ser dito por David Stern daqui a pouco, é esperar pelo draft para ver. 

Para quem estiver menos familiarizado com estes nomes e estas caras que vamos ver nos campos da NBA na próxima temporada, deixamos aqui uma pequena apresentação dos 10 jogadores convidados para a "sala verde" (aquela zona reservada onde vemos as mesas com os jogadores e as suas famílias e agentes; todos os anos a NBA convida os candidatos aos primeiros lugares do draft para essa zona):


Nerlens Noel - power forward/poste - 2,10m, 103 kgs
Excelente nos desarmes de lançamento, na defesa e nos ressaltos, mas ainda a precisar de desenvolver o seu jogo ofensivo (e os lances livres!). Mas John Calipari (o treinador de Kentucky) disse que, na sua carreira, treinou três jogadores capazes de mudar o rumo de um jogo sem precisarem de marcar pontos: Marcus Camby, Anthony Davis e Nerlens Noel.

Ben McLemore - shooting guard - 1,95m, 85 kgs
Atlético e excelente lançador, tem todo o potencial para ser uma grande ameaça ofensiva. Rápido, com boa técnica e uma mão das melhores do draft. Nos scouting reports, o jogador com quem é mais vezes comparado é Ray Allen.

Victor Oladipo - shooting guard - 1,93m, 96 kgs
Um defensor do perímetro aguerrido e agressivo, muito forte fisicamente e com capacidades atléticas acima da média. Precisa de continuar a melhorar o lançamento e técnica individual ofensiva (fez isso mesmo este ano e mostra capacidade e vontade de continuar a fazê-lo, por isso, tem subido nas previsões). Jogador com quem é muitas vezes comparado? Tony Allen, claro.

Otto Porter - small forward - 2,05m, 90 kgs
Um jogador versátil e completo, capaz de fazer um pouco de tudo e que pode contribuir de várias formas nos dois lados do campo (defende bem, lança bem, ressalta bem, passa bem). É comparado a Tayshaun Prince (e o próprio Porter diz que Prince é o seu exemplo).

Alex Len - poste - 2,15m, 115 kgs
Apontado como o melhor poste deste ano. Bom defensor e bom nos desarmes de lançamento (como se espera de um jogador com o seu tamanho), ainda a precisar de polir o seu jogo ofensivo e aumentar o arsenal ofensivo, mas com boas mãos e potencial para ser um bom atacante (boa coordenação e mobilidade para um jogador da sua altura). É comparado a Zydrunas Ilgauskas e Jonas Valanciunas.

Trey Burke - base - 1,85m, 80 kgs
O Jogador Universitário do Ano e o melhor base deste draft. Excelente técnica individual e controlo de bola, bom penetrador, bom lançador, bom organizador e bom passador. A altura pode ser um problema para defender bases maiores (e há muitos desses na NBA). É comparado a Kemba Walker.

Anthony Bennett - power forward - 2,03m, 108 kgs
Atlético e forte fisicamente, mas, para os padrões da NBA, um pouco pequeno para a posição. Compensa isso (ou tenta, vamos ver como o consegue fazer na NBA) com velocidade, atleticismo e  um bom lançamento (capaz de lançar até aos três pontos). Mas parece que não é o jogador mais esforçado na defesa. É comparado a Rodney Rodgers e Jason Maxiell (mas lançador).

C.J. McCollum - base - 1,90m, 89 kgs
Na universidade jogava a shooting guard, mas não tem tamanho para jogar nessa posição na NBA, pelo que terá de mudar para base. Tem potencial para isso (óptima técnica e um excelente lançador - um dos melhores deste draft), mas terá um inevitável período de adaptação e aprendizagem da posição de base (e terá de melhorar/desenvolver as capacidades de organizador e distribuidor). É comparado a Stephen Curry.

Michael Carter-Williams - 1,98m, 79 kgs
É outro dos melhores bases deste draft. Grande, mas muito franzino (terá de dar no ferro), com uma boa visão de jogo e bom passador, mas sem um grande lançamento exterior. É comparado a Shaun Livingston.

Cody Zeller - power forward/poste - 2,13m, 104 kgs
Grande, rápido, coordenado, com boa técnica e muitas soluções ofensivas, mas frágil fisicamente (leve e pouco dado ao jogo físico). Precisa de ganhar músculo e agressividade, mas é o jogador interior mais versátil e com o melhor arsenal ofensivo neste draft (nas zonas perto do cesto, pois não ainda tem um bom lançamento de meia distância). É comparado a... ao irmão Tyler Zeller.








(fontes: NBA.com, DraftExpress, NBADraft.net)

26.6.13

A classe de 2013


Amanhã é dia de draft. E um bom sítio para se irem preparando e familiarizando com as novas caras que vão chegar à liga na próxima temporada é o canal no YouTube do DraftExpress, onde podem encontrar um extenso scouting report da classe deste ano e perfis pormenorizados de 40 dos jogadores elegíveis. Como este, por exemplo, de um dos principais candidatos ao nº1 do draft, Nerlens Noel:


(e amanhã, a partir das 00:00, podem acompanhar o draft em directo na NBA TV)

25.6.13

Spurs, Campeões da NBA de 2013?


Uuuuupsss... alguém na NBA TV fez burrada e trocou os anúncios:



A propósito deste erro da NBA TV (o anúncio passou, várias vezes ao que parece, no canal durante este fim de semana), já pensaram para onde vão as t-shirts, bonés e afins da equipa que perde as Finais?

Como já devem ter reparado, todos os anos, assim que acaba o jogo, as equipas têm logo t-shirts, bonés e todo o tipo de merchandising a comemorar o título respectivo. Material que, obviamente, é produzido antes e já está pronto e à espera do campeão. Como antes do jogo a NBA não sabe que equipa é que vai ganhar, têm de fazer para as duas equipas. E como só uma é que ganha, ficam com muitas t-shirts, bonés e afins que não podem vender.


Ora, para onde vai todo esse material? Até há uns anos, ia para o lixo. A NBA destruía o material da equipa derrotada e este nunca via a luz do dia. Mas de há uns para cá, a NBA (tal como as outras ligas profissionais americanas) doa esse material à World Vision, uma organização não governamental que trabalha com crianças e famílias de países sub-desenvolvidos e as t-shirts são enviadas para crianças carenciadas em países pobres.

Sim, há muitas crianças em África com t-shirts dos "Heat Campeões de 2011" ou dos "Thunder Campeões de 2012". E embora a NBA preferisse que esse material continuasse bem longe da vista, nesta era global (e com muitos fãs a desejar ter uma dessas t-shirts), é inevitável que ele apareça à venda em ebays e afins.


24.6.13

CONTRA-ATAQUE - That's All, Folks!


A temporada 2012-13 chegou ao fim. No Contra-Ataque de hoje, o Pedro Silva recorda alguns dos momentos e acontecimentos que marcaram esta época:


That's All Folks 

(suspiro)... 

RIP Época 2012-2013 e bem-vindos à interminável espera pelo começo da próxima temporada. Para a história, a época que agora findou será para sempre recordada como a temporada em que: 

- Miami conseguiu a segunda maior série de vitórias de sempre. 

- Lebron James se sagrou pela 4ª vez MVP em cinco anos e pela segunda vez consecutiva MVP das Finais e Campeão. Além disso, jogou bem. 

- Kyrie Irving, Paul George, Steph Curry e Kawhi Leonard mostraram que vão ser estrelas bem brilhantes nos próximos anos desta liga. 

- Quase metade dos treinadores que chegaram aos playoffs (sete dos 16) não vão voltar para a equipa que comandaram, incluindo George Karl, eleito Treinador do Ano (já contando com a transferência de Doc Rivers para os LA Clippers). 

- Javale McGee fez e aconteceu esta temporada. (é sempre boa altura para ir ao youtube ver a obra feita de McGee) 

- Chris Andersen e Rashard Lewis foram campeões. 

- Tim Duncan, Tony Parker, Manu Ginobili e Greg Popovich (e Tracy McGrady!) estiveram a menos de uma dezena de segundos de serem campeões. 

- Danny Green teve a semana mais incrível da sua vida e deixou os adeptos da modalidade quase tão maravilhados como o próprio. 

- Kobe Bryant quase acabou a carreira com um tropeço e deixou os adeptos da modalidade com o coração nas mãos. 

- Lesões, D'Antonis e Dwight Howards aconteceram aos adeptos dos Lakers. 

- Andrew Bynum não jogou um único jogo e fez coisas absurdas com o próprio cabelo. Não se sabe quem será o seu empregador na próxima temporada, mas alguma equipa vai certamente investir demasiado dinheiro e provavelmente lixar-se.

- Os Nets passaram de New Jersey para Brooklyn e New Orleans fez a última época como Hornets antes de passar a ser Pelicans (porque é que alguém escolhe passar a chamar-se Pelicans é uma questão mais profunda e complexa à qual não sei responder). 

- Grant Hill e Jason Kidd fizeram os seus últimos jogos na NBA, com Kidd a começar imediatamente a carreira de treinador, com os Nets, a partir da próxima época. 

- Carmelo Anthony e a sua manga decorativa e James Harden e a sua barba protuberante marcaram montes de pontos. 

- Amare Stoudemire não deu um soco num extintor. 

- Marc Gasol passou a ser melhor que Pau Gasol. 

- Os adeptos de Miami (não todos, mas demasiados) abandonaram o pavilhão e perderam talvez o épico final do jogo mais emocionante e importante da história da equipa e do estádio. 

- David Stern cumpriu a sua última época completa. 

- Chris Bosh levou uma cueca de Chris Paul em pleno All-Star Game. 

- E uns minutos depois levou outra, de Tony Parker. 

- Detroit participou na NBA, mas ninguém consegue se lembrar de um único momento relevante da equipa sem ir ao google fazer batota. 

- Alguns jogadores dos Minnesota Timberwolves estavam fisicamente aptos para alguns dos jogos. 

- Outras coisas importantes aconteceram que este vosso amigo não se lembra.   

Quinta feira há o draft e depois há a Summer League, vamos ter que nos contentar com isso... Fim de Outubro volta a festa.  

Pedro Silva
Autor do Na Desportiva
Escreve aqui às segundas



(a temporada pode ter terminado, mas como habitualmente, o SeteVinteCinco não pára. Temos draft, free agency, summer league e cá continuaremos durante o Verão para comentar e analisar tudo o que continua a acontecer pela NBA. E esta semana divulgaremos os resultados e vencedores do passatempo dos Playoffs. Até já!)

22.6.13

NBA Finals 2013 - Umas para recordar


Já acabou? Não pode ser à melhor de 33? Porque, por nós, em vez de duas semanas, esta série Heat x Spurs podia durar dois meses. E apostamos que muitos dos fãs da NBA por todo o mundo concordariam. Foi o quão boas estas Finais foram. Ninguém queria que acabassem (acho que mesmo os fãs dos Heat, apesar da alegria de ver a sua equipa campeã, não queriam que esta série acabasse). Porque foram uma das melhores Finais dos últimos tempos e uma das melhores de que nos lembramos. 

Uma série bem jogada, bem disputada (e como alguém escreveu num grupo no Facebook, esta série foi a prova de que duas equipas não precisam de se odiar para protagonizarem uma série intensa e agressiva e os seus jogadores não precisam de não gostar uns dos outros para quererem ganhar à outra equipa a todo o custo e deixarem tudo em campo) e com todos os ingredientes dumas Finais para mais tarde recordar.


Ao longo dos sete jogos tivemos de tudo: bom basquetebol (excelente basquetebol em vários dos jogos), boa defesa, bom ataque, excelentes exibições colectivas, excelentes exibições individuais, estrelas à altura do momento, contributos fundamentais de jogadores secundários, jogadas espectaculares e finais épicos. Não nos lembramos mesmo dumas Finais com tantos momentos icónicos e com cada jogo a ter um momento/acontecimento que o marcou e vai ficar na nossa memória colectiva (se fosse escrito não se faria melhor).

O lançamento de Parker no jogo 1, o abafo de LeBron no jogo 2, a mão a ferver de Danny Green (e Gary Neal) no jogo 3, a reencarnação do Flash no jogo 4, a explosão de Manu no jogo 5, o fim épico do jogo 6 e a explosão de triplos (de Lebron e Battier) no jogo 7.

Ao jogo 7, LeBron James aproveitou finalmente o espaço que os Spurs lhe deram e castigou-os finalmente por lhe darem esse espaço. Neste jogo marcou quase tantos triplos como nos outros jogos todos juntos (5 neste, 7 nos primeiros 6 jogos) e variou o seu jogo entre o interior e o exterior mais do que em qualquer um dos outros jogos. Talvez agora cessem (ou diminuam, pois sabemos que não vão acabar) as criticas ao seu desaparecimento nos momentos decisivos. Este era o momento mais decisivo da série e Lebron esteve (e de que maneira!) à altura (37 pts, 12 res, 4 ast, 2 rb e apenas 2 to; 12-23 em lançamentos, com 5-10 nos 3pts; e até marcou o cesto que selou a vitória!).

Junte-se a isto Battier ter acordado (e encarnado o Danny Green do início da série - 6 em 8 em triplos!), os Heat (num excelente esforço colectivo) terem feito um grande jogo defensivo e Ginobili ter feito uns turnovers infantis nos últimos minutos e está contado o grosso da história deste último jogo da época.


Fica para a História o segundo título consecutivo dos Heat (e o terceiro da sua história) e, tão ou mais importante (para todos os fãs que tiveram o privilégio de assistir e para muitos deles que não estavam a torcer por nenhuma das equipas e estavam apenas a torcer pelo melhor basquetebol), umas Finais que vamos recordar por muitos e bons anos.

Foi um hino ao basquetebol e também ao desportivismo. Gregg popovich resumiu-o bem no fim do jogo, quando disse que claro que estava desapontado por ter perdido, mas sentia-se, ao mesmo tempo, contente por ter feito parte dumas Finais tão boas. Se tinha razões para estar triste? Sim, triste pelo resultado, mas satisfeito porque sabia que tinham dado tudo para ganhar. E que isso é tudo o que podia pedir aos seus jogadores. O resultado pode não ser o esperado/desejado, mas essa é a parte que não dependia só deles. Na parte que dependia só deles (fazer tudo para ganhar), sabia que tinham feito tudo.

No fim, venceu a melhor equipa (e a equipa que errou menos nos momentos decisivos). E tenha vencido a equipa que desejavam ou não, todos devemos sentir-nos contentes por ter assistido a umas Finais tão boas. Já acabou mesmo?



(e parece que acertámos na nossa previsão!)

20.6.13

Heat x Spurs - 6º Round


O plano dos Spurs correu bem durante 36 minutos. Com uma dieta equilibrada de jogo interior e jogo exterior e com um esquema defensivo semelhante ao que utilizaram no jogo 5 (com Diaw a defender LeBron durante largos bocados), chegaram ao fim do 3º período com 10 pontos de vantagem e bem encaminhados para fechar a série e conquistar o seu quinto título.

Na primeira parte, (explorando a defesa agressiva dos Heat nos pick and rolls e o facto do defensor de Danny Green não o largar e não ajudar - ou ajudar pouco -) carregaram no interior e Duncan, com mais espaço e apenas contra um defensor, dominou no interior (25 pts e 10 res ao intervalo! dissemos antes do jogo que Spoelstra poderia tentar alternar entre o small ball e o big ball para contrariar o jogo interior dos Spurs; Spo não fez isso e optou por uma solução intermédia: não colocou Bosh e Andersen a jogar juntos, mas, depois do Birdman não ter jogado nos dois jogos anteriores, recorreu a este e alternou entre os dois na defesa a Duncan). 

No 3º período, foi a vez de Tony Parker. O francês foi mais agressivo (e profundo) nas penetrações e, ao seu estilo, manteve os Spurs na frente com alguns cestos e lançamentos acrobáticos. Os Heat não largavam Danny Green (a única vez que o deixaram sozinho nos três pontos Green marcou - o seu único triplo do jogo - acabou com 1-5) e Manu Ginobili voltava a desaparecer em combate, mas Duncan, Parker e a boa defesa dos Spurs mantinham a equipa da San Antonio na frente e em controlo do jogo.


Mas depois os Heat, a perder por 10 e a verem o título por um canudo, acordaram no 4º período. Erik Spoelstra disse aos seus jogadores que teriam de fazer o melhor período defensivo dos playoffs. E os seus jogadores assim fizeram. Caíram em cima dos Spurs e foram aquela defesa sufocante que conseguem ser. Foram agressivos na defesa ao jogador com bola, pressionantes nas linhas de passe e rápidos nas rotações e ajudas.

E LeBron James encarnou o LeBron dos tempos de Cleveland e carregou a equipa no ataque. Atacou o cesto sem descanso, pareceu mais agressivo e determinado que nunca, deixou tudo em campo naqueles 10 minutos (e será que hoje vai jogar sem fita?) e marcou metade dos seus 32 pontos nesse 4º período. Depois de ter sido limitado pela defesa dos Spurs a 3-12 em lançamentos nos 3 primeiros períodos, marcou 7 em 10 no 4º. Ainda defendeu (bem) Tony Parker e andou a correr atrás do base francês durante esse tempo (e terminou o jogo com mais um triplo-duplo: 32 pts, 11 ast e 10 res e ainda 3 rb).

Parker e Duncan pareceram esgotados nesse 4º período e o ataque dos Spurs conseguiu apenas 9 pontos nos primeiros 9 minutos do período. Mesmo assim, os Spurs sobreviveram à cavalgada dos Heat e, a perder por 3 a menos de 2 minutos do fim, passaram para a frente com duas jogadas heróicas de Tony Parker (um triplo em cima do tempo de ataque e mais uma penetração acrobática) e ficaram a ganhar por 2 a 58 segundos do fim.

Depois aconteceu aquele minuto final impróprio para cardíacos:


LeBron quase deitou a perder o seu 4º período heróico com dois turnovers consecutivos. Dois turnovers que deram quatro lances livres para Ginobili (após os Heat terem, naturalmente, feito falta para parar o tempo) e o argentino marcou três (apenas três, como se veio depois a revelar). E a 28 segundos do fim os Spurs ganhavam por 5 pontos e tinham uma mão no troféu Larry O'Brien.

Mas depois LeBron e Ray Allen salvaram um jogo que parecia perdido (e quem sabe, dependendo do que acontecer hoje, podem ter salvado a temporada dos Heat). James primeiro (no ataque seguinte) e Jesus Shutllesworth a seguir (depois de nova falta dos Heat e de Leonard só ter marcado um lance livre), marcaram dois triplos milagrosos (o de Allen então deve ter posto paralíticos em Miami a andar!) e forçaram o prolongamento.

Nesses cinco minutos extra, os jogadores estavam exaustos e não houve táctica que resistisse. O prolongamento foi jogado mais com o coração, mais com ir buscar forças à reserva, do que outra coisa e os Heat arrancaram uma vitória a ferros (com dois desarmes de lançamento decisivos de Chris Bosh, nos dois últimos lançamentos dos Spurs).

Apito final, vitória inacreditável dos Heat e decisão marcada para um épico jogo 7. E a internet quase veio abaixo com as críticas a Popovich (e aos Spurs).


O melhor treinador da NBA esteve mal ou não? Vamos lá então às críticas que lhe apontaram, analisando uma de cada vez:

Popovich fez bem em não ter Duncan em campo nas duas últimas posses de bola do 4º período, quando os Heat marcaram os dois triplos?
Olhando para trás (um luxo que um treinador não também quando tem de escolher a estratégia), não, mas Popovich, sabendo que os Heat precisavam de lançar de três, optou por defender o perímetro e ter defensores móveis para defender os triplos (os Spurs trocam em todos os bloqueios nestas situações, e com Duncan não podem fazer isso - Duncan não podia ficar a defender um dos jogadores exteriores).


Isso custou-lhe o jogo? Mais uma vez, olhando para trás, sim, mas e se os Heat conseguissem um lançamento completamente sozinho de três? Todos iam dizer que deviam ter um defensor nesse jogador. Popovich jogou com as probabilidades e meteu um cinco que lhe dava mais probabilidades de defender melhor a linha de três pontos (e os Heat iam obrigatoriamente lançar de três). Faltou assegurar o ressalto.


A parte da defesa da linha de três pontos correu bem (eles falharam), a parte do ressalto é que não correu bem (nenhuma das opções era sucesso garantido, Popovich tinha de arriscar e meteu os ovos num dos cestos; entre defender pior a linha de três pontos para ter melhores probabilidades no ressalto ou defender melhor a linha de três pontos, mas ter jogadores mais baixos no ressalto, preferiu a primeira). Teve azar (e temos também de dar mérito a Chris Bosh, que conseguiu um grande ressalto ofensivo, e a Ray Allen, que meteu um triplo incrível). 

Não se trata da opção de Popovich ter sido má, apenas não saiu bem a execução. E Tim Duncan concorda.




Deviam ter feito falta na última posse de bola do 4º período?
Também aqui é fácil dizer que sim depois do jogo e depois de sabermos o que aconteceu, mas não é uma decisão tão óbvia assim.

Os Heat tiveram a bola com 19.4 segundos para jogar. Aqui era cedo demais para fazer falta. Imaginem tudo o que ainda podia acontecer se fizessem falta falta tão cedo: os Spurs faziam falta, Chalmers ia para lance livre e marcava os dois. Ficavam os Heat a perder por um, com uns 16, 17'' para jogar. Os Heat faziam falta de novo e ia um jogador dos Spurs para lance livre. Tinha de marcar os dois para continuarem à frente por três. E os Spurs eram confrontados de novo com a mesma situação. Fazer falta ou não? Faziam falta. Mais dois lances livres para os Heat. Falta dos Heat a seguir. Mais dois lances livres para os Spurs.
E tanta coisa que podia correr mal pelo meio. Um lance livre falhado pelos Spurs e de repente aos Heat só ficavam a perder por 2 e já não precisavam de um triplo, bastava um cesto de dois. É claro que um jogador dos Heat também podia falhar e a vantagem dos Spurs aumentar. Ou então (worst case scenario) podia marcar o primeiro, falhar o segundo, os Heat ganharem o ressalto, marcarem um triplo e passarem para a frente por um.

Para além disso, com a regra da continuidade na NBA, o jogador que sofre a falta pode tentar armar o lançamento (ou só atirar a bola lá para cima) e arriscam-se a que o árbitro dê três lances livres. Quando, na Europa, criticamos as equipas da NBA por não fazerem falta esquecemo-nos que com as regras da NBA é mais difícil pôr isso em prática do que no basquetebol da FIBA.

O que queremos dizer com tudo isto é que há tantas possibilidades e tantas variáveis que fazer falta tão cedo é muito imprudente e arriscado. E há tantas variáveis que uma equipa não pode controlar que a estratégia de fazer falta pode ser imprevisível (e sair pela culatra). Ao escolher defender só têm uma variável: defender a linha de três pontos. Só têm de concentrar todos os esforços em não dar uma situação de lançamento sozinho nos três pontos. Uma variável, uma situação para controlar (e um lançamento de três é o lançamento mais difícil do jogo, por isso, manter a outra equipa nessa situação e a precisar obrigatoriamente de um lançamento que os jogadores só marcam, em média, 33% das vezes não é uma má opção).

LeBron lançou o triplo com 10'' para jogar. Até aqui era muito cedo para fazer falta. Depois, no ressalto ofensivo de Bosh, podiam ter feito falta? Sim, aqui podiam (Bosh estava dentro da linha de três pontos e, mesmo com a regra da continuidade, se atirasse a bola lá para cima, eram sempre dois lances livres). Mas mesmo aqui foi tão rápido que mal tiveram tempo para isso. Bosh lutou pelo ressalto (e enquanto a bola estava a ser disputada não iam fazer falta, pois podiam recuperá-la) e assim que o ganhou passou para Allen.

Por isso, antes do lançamento de LeBron era muito cedo (e imprevisível) para fazer falta e depois do lançamento a única oportunidade que tiveram para fazer falta foi no ressalto de Bosh (e não tiveram tempo para fazer).

Há poucas situações (menos do que se diz) onde fazer falta é de facto a melhor solução. Uma coisa é fazer falta mesmo no fim do jogo, a 2, 3, 4'' do fim (quando é o último lançamento e a outra equipa já não terá outra oportunidade), outra bem diferente é fazer falta a 10 ou mais segundos do fim.


Deviam ter pedido desconto de tempo na última posse de bola no prolongamento?
Esta é, talvez, a decisão mais questionável de Popovich. Por um lado, não parar o jogo permitiu atacar a defesa dos Heat sem esta estar montada e preparada e quando os Heat ainda vinham a recuperar defensivamente, por outro não permitiu também organizar um ataque e preparar uma jogada.

O que era melhor? Um ataque com a defesa em contra-pé (e com mais espaço na área restrictiva) ou um ataque planeado, mas com a defesa montada e preparada?

Mesmo sem desconto de tempo (ou se calhar por não terem pedido desconto de tempo), até conseguiram uma boa penetração e uma boa situação de lançamento, apenas não conseguiram marcar (e mais uma vez, mérito também para Ray Allen, que fez uma boa jogada defensiva). Será que tinham conseguido uma situação de lançamento melhor se tivessem feito um ataque preparado e após desconto de tempo?

Mais uma vez, não é uma decisão óbvia e dependeu mais da execução e do resultado da jogada do que da decisão de Popovich. Se Ginobili marcasse cesto, a decisão de Popovich tinha sido de mestre. Assim, foi desastrada. Mas essa é a sina dos treinadores. Se a execução dos jogadores sai bem, a decisão é certa. Se não, a culpa é (quase sempre) da decisão do treinador.



(E hoje temos campeão! Escusado será dizer que hoje ninguém dorme enquanto não se esgotarem todos os segundos no relógio e enquanto não houver uma equipa com o troféu Larry O'Brien bem seguro nas mãos! Até já!)

19.6.13

Um para os livros


Os Spurs tiveram não uma, mas duas mãos no troféu Larry O'Brien. Com 20 segundos para jogar e cinco pontos de vantagem, os funcionários da NBA já se preparavam para a possível cerimónia de entrega do troféu. As fitas amarelas para delimitar o pódio já estavam junto ao campo e um funcionário da liga já tinha os boletins de voto para o MVP das Finais na mão e prontos para distribuir aos membros da comunicação social. 

Mas depois aconteceu a beleza deste desporto. O jogo só acaba com o apito final e quando todos os segundos se esgotam. Até lá tudo pode acontecer. Com um triplo de LeBron James a 20'' do fim e um triplo em desespero de Ray Allen com 5'' para jogar, os Heat arrancaram o troféu das mãos dos Spurs e mantiveram a sua temporada viva. 


Foi um final de jogo épico. Naquele minuto final (e no prolongamento) já não havia táctica que resistisse, naquele minuto (e no prolongamento) foi tudo feito com o coração. Coração e alma e deixar tudo em campo. E os Heat deixaram tudo em campo neste jogo. Mike Miller deixou o sapato, LeBron deixou a fita da cabeça e os Heat fizeram uma das recuperações mais improváveis e mais épicas de sempre. 

Muito há para dizer sobre este jogo e este final e amanhã, depois de rever esses momentos com calma (sim, porque se não houve táctica que resistisse, também não há calma e análise objectiva que resista a um final tão emocionante) faremos a nossa habitual análise ao jogo. Amanhã há tempo para análises táticas e para dissecar o que aconteceu (e o que podia/devia ter acontecido).

Hoje fiquemos com a emoção que todos vivemos e partilhámos esta noite e com o inacreditável e épico que foi este jogo 6. Hoje fiquemos com um dos melhores jogos de Finais que temos memória. Este foi um para os livros, um daqueles que, daqui a muitos anos, vamos recordar e contar (aos amigos, aos filhos?) que vimos em directo. Hoje fiquemos com um daqueles jogos que nos mantém acordados às cinco da manhã e sem vontade de ir para a cama! Um daqueles que faz valer a pena todas as noitadas!

Que jogo extraordinário que testemunhámos, que final louco e que imperdível (imperdível? É para lá de imperdível!) jogo 7 amanhã à noite! Dormir? Dormir é para meninos!

Gotta love this game!


Que jogo extraordinário, que final impróprio para cardíacos e que imperdível jogo 7 na quinta feira!


18.6.13

Heat x Spurs - 5º Round


Spoelstra: - Eu aposto... um small ball.
Popovich: - Hhmmm... então, eu igualo o teu small ball... e aumento com um Tim Duncan no interior!
Spoelstra: - ...  

      

Depois de, no jogo 4, Erik Spoelstra ter regressado ao small ball em que os Heat se dão tão bem (e com o qual voltaram a dar-se muito bem nesse jogo), estávamos muito curiosos para ver como Gregg Popovich ia responder no jogo 5. E, como habitualmente, o timoneiro dos Spurs não desiludiu.

Em vez de tentar contrariar esse estilo de jogo em que os Heat são quase imbatíveis, o treinador dos Spurs decidiu abraçar o small ball e desenhar uma estratégia para os vencer no seu jogo. 

Primeira parte do plano: depois de, nos jogos anteriores, ter Ginobili a sair do banco e não deixar Parker e Ginobili juntos em campo durante muito tempo (normalmente tinha apenas um controlador de bola/organizador/distribuidor de cada vez, com dois atiradores e dois jogadores interiores), lançou Manu Ginobili no cinco inicial, ficando assim com dois controladores de bola/organizadores/distribuidores em campo e dois jogadores que podiam penetrar e assistir. Para além de tentar assim reduzir os turnovers, ficava também com mais jogadores para atacar o cesto a partir do perímetro, para evitar que a defesa dos Heat pudesse defender tão agressivamente os pick and rolls e fechar agressivamente sobre o penetrador (porque se o fizessem, vinha outro a seguir).

Segunda parte do plano: os Spurs aumentaram o ritmo de jogo e sempre que recuperavam a bola, corriam, saíam em transições rápidas e atacavam rápido, procurando uma situação de lançamento nos primeiros segundos do ataque, antes que a defesa dos Heat estivesse montada e preparada.

Durante todo o jogo, ouvimos Popovich a gritar "Pace! Pace!" e a incentivar os jogadores dos Spurs a correr e atacar rápido. Popovich virou o feitiço contra o feiticeiro e atacou os Heat com aquilo que estes tinham usado no jogo anterior. Não só conseguiu atacar a defesa destes antes de estar montada, como impediu também as transições rápidas do outro lado (para isso ajudaram também os poucos turnovers em situações de bola viva. A maioria dos turnovers que fizeram foram faltas ofensivas, passos e situações em que a bola tinha de ser reposta na linha lateral/final. Não perderam muitas bolas em que os Heat pudessem contra-atacar)

Terceira parte do plano: colocar mais a bola em Tim Duncan a poste baixo. Atacar mais vezes no interior e atacar mais o único defensor interior dos Heat.

Quarta parte do plano: para terminar, Popovich jogou ainda um joker e meteu Boris Diaw a defender Lebron durante uma boa parte do jogo. Depois de LeBron ter sido defendido por Leonard e Green durante os jogos anteriores, Pop decidiu apresentar-lhe uma situação nova e um defensor que ainda não tinha enfrentado (e nestas séries em que os jogadores jogam tantas vezes seguidas contra os mesmos jogadores e se habituam e ajustam a isso, apresentar algo novo ao 5º jogo foi, como se viu, decisivo). 


Mas desenhar o plano é apenas metade do caminho. A outra metade é pôr o plano em prática. E os Spurs foram exemplares a executar o plano do seu maestro. Popovich jogou as cartas e saíram-lhe quatro ases: Ginobili, Parker, Duncan e Green.

Ginobili e Parker atacaram (e distribuiram) sem descanso e foram os dois desmanteladores da defesa dos Heat. O argentino fez o melhor jogo da época (24 pts e 10 ast, 8-14 em lançamentos; e excelente altura para o fazer!) e o francês desta vez durou o jogo todo (26 pts e 6 ast, 10-14 em lançamentos; e cestos decisivos na segunda parte a manter a vantagem dos Spurs quando os Heat recuperaram e se colaram no marcador). Tim Duncan venceu o duelo com Chris Bosh e dominou o interior (17 pts, 12 res e 3 dl, com 7-10 em lançamento). E Danny Green continuou com a mão a ferver (24 pts, 6-10 em triplos).

E claro, o joker. Diaw fez uma excelente defesa a LeBron (eu sei, nunca pensámos ler as palavras "Diaw e "excelente defesa" na mesma frase) e foi mesmo um dos factores que desequilibrou o jogo para o lado de San Antonio. A estratégia defensiva dos Spurs não mudou (defender a penetração e dar o lançamento exterior a LeBron e Wade), mas o francês não só conseguiu defender a penetração (dando espaço e com corpo e velocidade suficiente para se colocar à frente dele quando penetrava), como conseguiu defendê-lo a poste quando LeBron tentou ir para o interior. Nesta posição, Diaw é o melhor jogador que os Spurs têm para segurar LeBron e ao conseguir também acompanhá-lo no perímetro consegue uma defesa muito eficaz sobre James. Surpreendeu-nos a todos, mas Diaw foi o defensor mais eficaz sobre Lebron (não é coisa para Popovich usar o jogo todo, mas basta ter alguns períodos desses por jogo para compensar).

Popovich a mostrar mais uma vez porque é o melhor treinador da liga e os seus jogadores a mostrarem mais uma vez uma execução excelente e eficaz. Excelente jogo e excelente vitória dos Spurs. 

E hoje é dia de "all in" para Spoelstra e os Heat. Com os Spurs a uma vitória do título é hora de meter as cartas todas em cima da mesa e ver quem tem a melhor mão. Ou temos campeão hoje ou temos um épico jogo 7 na quinta feira! Até já!

17.6.13

CONTRA-ATAQUE - A bizarria das Finais


Têm sido umas Finais peculiares. E, não só, mas também por isso, têm sido umas Finais espectaculares. No Contra-Ataque de hoje, o Pedro Silva faz um balanço desta série memorável que temos testemunhado:


Que finais deliciosamente bizarras.   

Se é uma das melhores finais de sempre ou pelo menos dos últimos anos é discutível (bem melhor que a do ano passado, certamente), mas que estamos a testemunhar umas finais verdadeiramente estranhas (da melhor maneira possível), não há grande dúvida: 

Ao fim de cinco jogos, tivemos sempre vitórias alternadas - quem perde um jogo vence o seguinte. Apesar da estarmos a ter uma série super equilibrada e sem campeão certo, a maioria dos jogos tem sido "blow-out", com apenas o primeiro de todos a ser decidido no quarto e último período. 

Apesar de normalmente um "blow-out" ser desinteressante, temos tido sempre momentos e questões de interesse que nos prendem ao ecrã até aos últimos segundos. 

Danny Green bateu, a meio do quinto jogo!, o record de triplos de umas finais da NBA. Está a lançar qualquer coisa como 70% da linha de triplo, o que é talvez a coisa mais absurda da história da humanidade. A defesa de Miami tem facilitado e permitido alguns lançamentos com muito espaço para Green, outros são simplesmente dois passos depois do meio campo. Só porque sim. 

Pelo meio desta história, Danny Green, duas vezes dispensado pelos Spurs, dispensado pelos Cavs e com histórico de D-League no sangue está seriamente na discussão para hipotético/eventual MVP das Finais, caso San Antonio consiga fechar o título. É complicado darem o prémio a alguém tão pouco mediático, mas sem nenhum membro do triunvirato dos Spurs a destacar-se com consistência, está em aberto. Seria inédito, de loucos e maravilhoso tudo ao mesmo tempo. Esta é a lista de cavalheiros a que Green se juntaria (bizarro e curioso que o site da NBA não tenha actualizado o troféu de Lebron, na época passada). Mesmo que não ganhe o prémio, nem o título, Danny Green pode sempre olhar para esta semana como a semana em que se tornou milionário. Mais feliz que o próprio e que a sua mãezinha com as suas exibições, só o seu agente. 

O jogo de xadrez entre Popovich e Spoelstra tem sido qualquer coisa de fantástico. Depois da derrota violenta no jogo 3, o treinador de Miami optou por mudar o cinco inicial, colocando Mike Miller no lugar de Haslem, abrindo espaço no interior para as entradas de Lebron e Wade e perturbando o plano de Pop para o jogo. Resultou e Miami venceu com autoridade. À entrada para o jogo 5, perguntaram a Popovich se iria manter o mesmo cinco inicial. Resposta da velha raposa: "Talvez". Resultado - Ginobili titular pela primeira vez em toda a temporada, no lugar de Splitter, com os Spurs a adoptarem sem medo o "small-ball" e a responder a Miami com uma vitória esclarecedora. O que veremos no jogo 6? 

Nesses mesmos jogos 4 e 5 vimos exibições absolutamente vintage de Dwyane Wade e Manu Ginobili, respectivamente, como há muito não mostravam. Aguardo com interesse o monstruoso jogo 6 de Rashard Lewis e o jogo 7 de Tracy McGrady. 

Nota paralela, mas não insignificante - são as últimas finais de David Stern, comissário (ditador mais ou menos benevolente?) da Liga desde 1984 (!) 

Porque raio se jogam estas finais à melhor de 7 e não à melhor de 33 jogos? 

É a última semana de NBA da época, o que é quase traumático de pensar. Merecemos um jogo 7, sim, Deuses do Basket? Não me lixem.

Pedro Silva
Autor do Na Desportiva
Escreve aqui às segundas



(não vos tomamos mais tempo hoje, amanhã publicaremos a nossa análise do Jogo 5. E temos umas quantas palavras simpáticas para Gregg Popovich)

Red Hot Green


Com este triplo no 3º período, o seu 23º nas Finais, Danny Green estabeleceu um novo recorde de triplos marcados numas Finais (batendo o recorde anterior de 22... de Ray Allen):


Depois deste ainda marcou mais dois, elevando o recorde para 25 (até agora!). E alguns deles bem do meio da rua):


E se ontem dizíamos que heróis precisam-se, aconteça o que acontecer no resto desta série, o jogador dos Spurs já gravou o seu nome na história destas (e de todas as) Finais e é já um dos heróis das mesmas. O desempenho de Green da linha de três pontos tem sido assombroso. Não só nunca ninguém marcou tantos triplos, como (não por acaso, claro) nunca ninguém lançou tão bem. Na série está com 25 em 38 para lá dos 7,25. São uns assombrosos 66% da linha de três pontos!

Para se ter uma ideia do feito de Green, esta é uma percentagem que mesmo jogadores interiores que lançam a dois metros do cesto não atingem facilmente. O jogador que terminou a temporada regular com melhor percentagem de lançamento foi DeAndre Jordan (que só faz afundanços e lançamentos a um metro do cesto), com 64%.

Este é o impressionante mapa de lançamentos triplos de Green nas Finais. Um mapa muito... green:



(a análise do 5º round entre Heat e Spurs vem a seguir, mas Danny Green tem sido excepcional e merecia um post só para ele)

16.6.13

Heróis das Finais


Hoje é o dia em que, como diria o Carlos Barroca, heróis precisam-se. Com a série empatada, hoje é o dia de cada jogador trazer o seu "A game", deixar tudo em campo e fazer tudo para deixar a sua equipa à beira do título. Enquanto esperamos pelos desta noite, recordamos aqui alguns heróis (e momentos heróicos) de Finais passadas:

Primeiro em versão Lego...


E depois na versão que nos lembramos:

Garfield Heard mesmo mesmo em cima da buzina, a enviar o jogo 5 das Finais de 76 para o 3º prolongamento, num dos  jogos mais emocionantes de sempre numas Finais!
Dr. J a deixar o mundo de boca aberta com o seu movimento por baixo da tabela nas Finais de 80
O Baby Sky Hook de Magic a silenciar o Boston Garden, no jogo 4 das Finais de 87 e a dar uma vantagem de 3-1 para os Lakers
Vinnie Johnson, em cima da buzina, no jogo 5 das Finais de 90, a dar a vitória e o título aos Pistons
(deste não encontrámos uma foto decente...)
E este não precisa de legenda, não é?


(daqui a umas horas vamos ver quem - se alguém - se vai juntar a estes. Jogo 5, a partir das 01:00. Até já!)

15.6.13

Estes fãs gostam mesmo dos Spurs


O duelo entre Heat e Spurs está empatado, mas no duelo entre os fãs das equipas, acho que os fãs dos Spurs estão a ganhar:







14.6.13

Heat x Spurs - 4º Round


LeBron Raymone James? "Presente!" Dwyane Tyrone Wade? "Presente!" Christopher Wesson Bosh? "Presente!" Com os Heat a precisarem obrigatoriamente de ganhar (ou ficavam com uma desvantagem da qual nenhuma equipa recuperou numas Finais), o Big Three dos Heat não faltou à chamada e James, Wade e Bosh fizeram o seu melhor jogo destas Finais (33 pts, 11 res, 4 ast, 2 rb e 2 dl para James; 32 pts, 6 res, 4 ast e 6 rb para Wade; 20 pts, 13 res, 2 rb e 2dl para Bosh). E quando estes três carburam no mesmo jogo, os Heat são praticamente imbatíveis.


Entre os três marcaram 85 pontos, ganharam 30 ressaltos, fizeram 9 assistências, roubaram 10 bolas e desarmaram 5 lançamentos! Wade reencarnou no Flash de 2006 (alguém ainda se lembrava da última vez que Wade tinha marcado mais de 30 pontos?), James voltou à forma de MVP e Bosh foi uma força no interior (sim, não é erro, Bosh foi o melhor jogador interior do jogo e fez um excelente trabalho como único defensor interior dos Heat).

Nem Erik Spoelstra faltou à chamada. O treinador dos Heat mudou a estratégia e regressou ao small ball que tantos frutos rendeu na temporada regular. Os Heat tinham abandonado essa estratégia na série com os Pacers e mantiveram-na nos primeiros três jogos das Finais. Mas depois do desastre do jogo 3, Spoelstra tirou Chris Andersen, meteu Mike Miller no cinco inicial e mandou LeBron James para power forward.

E com essa mudança os Heat romperam por completo o plano defensivo dos Spurs. Tiago Splitter ficou sem um jogador que conseguisse defender (e no ataque nunca conseguiu ajustar-se aos defensores mais rápidos e móveis) e os Spurs foram obrigados a jogar apenas com um jogador interior. Danny Green explicou-o bem no fim do jogo: "Criou um mismatch para nós, especialmente com D-Wade. Tivemos o nosso 4 a defendê-lo durante uma grande parte do jogo e conseguiram arrancar mais faltas. Permitiu-lhes também acompanhar-nos na defesa. Eles são agressivos, rodam muito rápido, (e no ataque) movem mais a bola. Conseguiram atacar o  cesto e ter boas situações de lançamento."

No small ball os Heat são a melhor equipa da NBA e ontem mostraram-no mais uma vez. Contra os Pacers foram obrigados a abandonar essa estratégia porque a equipa de Indiana fazia-os pagar na defesa (metendo a bola dentro em Hibbert e West). O que ganhavam no ataque, não compensava o que perdiam na defesa. Mas com Tim Duncan a não conseguir impôr-se no interior e com Splitter a eclipsar-se por completo contra essa defesa mais móvel, ontem os Heat puderam manter a estratégia durante todo o jogo (Haslem jogou apenas 10 mins e Andersen nem entrou). 

Os Spurs precisam de meter a bola dentro e jogar mais (e melhor) a poste (e mal podemos esperar para ver o que Popovich vai preparar para o jogo 5) se querem contrariar o small ball de Miami. Porque nesse estilo de jogo os Heat estão como peixe dentro de água. 

Foram activos e agressivos na defesa, provocaram mais turnovers, tiveram mais contra-ataques e transições rápidas, LeBron atacou o cesto cedo (muitas vezes nos primeiros segundos do ataque e antes que a defesa dos Spurs estivesse montada), penetrou, jogou a poste, lançou de fora e foi o jogador agressivo e versátil que é capaz (e que precisa ser para ultrapassar a defesa dos Spurs). No jogo 3, LeBron facilitou o trabalho da defesa, ontem nem um bocadinho. E Wade jogou como se estivéssemos em 2006. E Bosh jogou (ponto). E, como quase sempre sucede quando tudo isto acontece no mesmo jogo, os Heat ganharam.


Têm sido umas Finais peculiares. Em 4 jogos, três ficaram decididos bem antes do apito final e acabaram com os suplentes a jogar. Só o primeiro jogo é que foi equilibrado até ao fim e os outros três terminaram com 19, 36 e 16 pontos de diferença. Mas apesar disso (e se olharmos só para os resultados pode não parecer), tem sido uma série equilibrada. Pode não estar a sê-lo dentro de cada jogo, mas tem-no sido no global. Uma equipa ataca num jogo e a outra responde no outro. Tem sido uma série de golpe e contra-golpe. Vamos ver se, no próximo jogo, os Spurs conseguem aplicar o seu contra-golpe ou se os Heat conseguem dois golpes seguidos. 

13.6.13

Shooting Camp


E hoje, LeBron marca os lançamentos que os Spurs lhe vão dar ou é melhor inscrever-se num destes?


(é já este domingo que começa mais um Campo de Lançamento organizado pela "voz da NBA em Portugal", mas ainda vão a tempo de se inscreverem)

Coach Kidd


Não durou muito a reforma de Jason Kidd. Menos de duas semanas depois de anunciar a retirada, Kidd atravessa a Ponte de Brooklyn, faz o salto directo de jogador para treinador principal e foi anunciado como o novo treinador dos Brooklyn Nets.

Ainda nem tivemos tempo para recordar a sua carreira e fazer um artigo sobre os seus tempos de jogador e já Kidd está de volta à liga. Na verdade, nem a deixou. Este era, obviamente, o seu desejo e o seu plano quando decidiu retirar-se como jogador. Ele não queria tempo livre para empurrar carrinhos de bebé, ...


... ele queria continuar a fazer o que gosta e sabe, mas como as pernas já não davam mais e já não podia fazê-lo dentro de campo, decidiu continuar a fazê-lo com a cabeça e a partir da linha lateral. Como o próprio disse quando foi anunciado como novo timoneiro dos Nets, "é um papel para o qual tenho estudado durante os tempos como jogador.

Bem, esses tempos de estudante não foram maus:


Em particular, os tempos que passou na equipa que agora vai treinar. Nos Nets viveu os melhores anos da sua carreira, teve um quase-triplo-duplo de média nas sete temporadas que passou nos (então) New Jersey Nets (7 temporadas com um quase-triplo-duplo de média!)  e liderou-os até duas Finais da NBA:



Vamos ver se, agora com outras funções, consegue repetir o sucesso anterior. Vamos como correm agora os tempos de fato e gravata. Bem vindo, coach Kidd!

12.6.13

Heat x Spurs - 3º Round


E ao terceiro jogo choveram 3s no Texas. Danny Green e Gary Neal deram um recital de lançamento exterior, estabeleceram um novo recorde de triplos por uma dupla de jogadores em Finais (13, com 6-10 para Neal e 7-9 para Green!) e os Spurs bateram também o recorde de triplos marcados em Finais (16). As mãos de Green e Neal atingiram temperaturas magmáticas e parecia que até podiam lançar de costas que a bola ia entrar. Ontem à noite era até daqui:


Os triplos dos Spurs contam uma (grande) parte da história do jogo, mas não foi só da linha de três pontos que a equipa de San Antonio esteve quase perfeita. 

Na 100ª vitória nos playoffs do trio Parker/Duncan/Ginobili (2ª melhor marca de sempre, atrás das 110 do trio Magic/Kareem/Cooper), os Spurs movimentaram a bola de forma exemplar, encontraram os atiradores e conseguiram lançamento sem oposição atrás de lançamento sem oposição. E quando não os convertiam, recuperavam a bola e conseguiam segundas e terceiras oportunidades. Dominaram as tabelas (52-36, com 19 ressaltos ofensivos! Dos 45 lançamentos que falharam, recuperaram a bola em 19 deles! São 42% dos ressaltos disponíveis na tabela ofensiva!) e foram muito mais agressivos e determinados que os defensores.

E a principal diferença para o jogo 2 residiu aí mesmo, na agressividade e eficácia com que executaram o plano de jogo. Porque não mudaram muita coisa nesse plano de jogo em relação ao jogo anterior. O plano de Popovich não mudou: meter a bola dentro em Duncan e penetrações de Parker e Ginobili.

Esse plano teve apenas um pequeno, mas importante, ajuste para este jogo 3: forçar mais as penetrações e fazê-las mais profundas. Mesmo quando o francês e o argentino não conseguiam deixar o defensor para trás, não paravam a penetração, continuavam o drible (mesmo até à linha final se fosse preciso) e mesmo que não conseguissem marcar, levavam defesas consigo e assistiam (acabaram com 14 assistências entre ambos). 

Vimos Parker a fazer isso logo desde o início do jogo, a levar as penetrações até à linha de fundo (e a assistir daí) e foi assim que os Spurs conseguiram libertar os seus lançadores nesse 1º período. Depois Neal e Green começaram a aquecer a mão e já sabem como acabou essa história.


Na metade defensiva também se mantiveram fiéis ao plano que têm executado desde o primeiro jogo: congestionar a área restritiva e dar espaço a LeBron (e Wade). E LeBron e os Heat não tiveram qualquer resposta para contrariar esse plano. O que nos leva à outra questão do dia: o que se passou com LeBron James?

O plano defensivo dos Spurs têm sido muito eficaz no jogador dos Heat e tem sido disruptivo para o seu estilo de jogo, mas isso não explica completamente o desastre que foi James neste jogo. É o terceiro jogo em que os Spurs o defendem da mesma forma e James já teve tempo mais que suficiente para se adaptar e ajustar. 

A passividade, falta de agressividade e ausência de reacção de ontem não é completamente explicada pela defesa dos Spurs. Até eles estão surpresos pelo sucesso que estão a ter na defesa a James e, como Danny Green disse no fim do jogo, "não somos só nós a pará-lo, ele também se está a parar a si próprio".

Estará James com um algum problema físico que não saibamos? Ou se calhar é apenas cansaço e James está esgotado depois duma longa temporada e duma série fisicamente muito exigente contra os Pacers (da qual os Heat saíram directamente para as Finais e não tiveram tempo para descansar). LeBron é um espécime físico impressionante e um atleta do melhor que existe no mundo, mas é humano e ainda está sujeito às leis da biologia como todos os mortais. E 40 minutos (ou mais) dia sim dia não podem estar a pesar nas pernas.


Os Spurs estão a fechar o garrafão (a pôr um camião à frente do garrafão!) e a dar-lhe o lançamento exterior, mas estão a fazer isso desde o 1º jogo. Estão a defendê-lo bem, sim, mas ele ontem nem tentou ultrapassar e/ou contrariar essa defesa. Raramente procurou ultrapassar o defensor em drible (o que James, fresco, consegue fazer sempre que quiser e mesmo quando não consegue marcar, consegue provocar contacto e tirar faltas; ontem não tentou um único lance livre, o que acontece apenas pela segunda vez na sua carreira, em jogo de playoffs), não foi para poste baixo (uma alternativa que lhe rende sempre frutos quando o lançamento exterior não está a entrar e quando não consegue penetrar), nem sequer aproveitou as inúmeras oportunidades e as ínumeras situações de lançamento sem oposição que lhe deram (e muitos dos que tentou ficaram curtos, o que - como quem jogou sabe - pode ser sinal de falta de pernas).

"Mas LeBron não é um bom lançador e os Spurs estão a explorar bem o ponto fraco do jogo dele", dirão alguns de vocês (e dissem algumas das análises a estas Finais). Isso era verdade em 2007 (até em 2011, quando os Mavs recorreram à mesma estratégia), mas já não é verdade em 2013. LeBron vem duma temporada em que teve as melhores percentagens de lançamento da carreira (com 40.6% nos 3pts) e pode não ser um especialista, mas já tem um lançamento fiável. 

Os Spurs estão a explorar o ponto mais fraco do seu jogo, sim, mas esse ponto já não é fraco. Ou não era. Porque nesta série está a ser. Mas isso pode ser porque até a força e energia de LeBron têm limites. Vamos descobrir nos próximos jogos se é (ou foi) apenas falta de pontaria ou se LeBron está na reserva.

Depois dum jogo 2 em que os Heat foram claramente a melhor equipa, os Spurs responderam na mesma moeda. Ou melhor, com um porta-moedas inteiro. Foi mais um jogo louco e atípico destas equipas (51 pontos de Green e Neal e 15 pontos de LeBron também não vão acontecer muitas vezes). Esta série tem sido rica neles e têm sido umas Finais loucas, por isso esperem tudo no próximo jogo. 


(a única nota negativa para os Spurs foi a possível lesão de Tony Parker, que sentiu dores na coxa durante o 3º período e vai fazer uma ressonância hoje para ver se tem alguma lesão. Se joga no próximo jogo - e em que condições joga - pode ser decisivo para esse jogo e para a série)

Mãos quentes no Texas


Damn! O Danny Green (e o Gary Neal) esta noite até daqui: