31.12.14

Bola ao ar no 2015


Um Feliz Ano Novo para todos os leitores do SeteVinteCinco! Bom Ano, pessoal! :)



Tenham uma boa passagem de ano, divirtam-se e não bebam muito. Ou bebam! ;)





30.12.14

Aniversário Real


LeBron James e Kobe Bryant são dois dos jogadores mais polarizadores da NBA. Provavelmente os dois jogadores mais polarizadores do basquetebol mundial. Dois jogadores que não deixam nenhum fã indiferente e que têm tantos seguidores como detractores. Dois jogadores que são heróis para uns e vilões para outros. Os dois mais amados e, ao mesmo tempo, os dois mais odiados.

Isso é algo que, aconteça o que acontecer, dê o mundo basquetebolístico as voltas que der, não vai mudar. E nem sequer tem de mudar. Todas as histórias precisam de heróis e vilões e o desporto não é excepção. Adoptar lealdades a uns e antipatias por outros não só faz parte da nossa natureza humana, como é uma parte integral da vivência desportiva. É normal. E, como tudo na vida, quando não é radical ou fundamentalista, até é saudável. Significa que se gosta da coisa em questão e que se segue apaixonadamente essa mesma coisa. Que nos envolvemos, que faz parte da nossa vida, que nos sentimos parte da mesma.



Adorem-no ou odeiem-no, são inegáveis os seus feitos. Como inegável é a nossa sorte de ver jogadores deste calibre em atividade e assistirmos a estes feitos. Tal como a exibição dos Spurs nas Finais de 2014 ou o terceiro lugar de Kobe na lista de marcadores, a carreira de LeBron James é mais uma das coisas que vamos contar aos netos e que vamos recordar daqui a 30 ou 40 anos. Podemos adorá-lo ou odiá-lo, mas temos de respeitar as suas façanhas.

LeBron é o terceiro jogador na história da NBA com 4 prémios de MVP aos 30 anos (os outros são Kareem Abdul-Jabbar e Bill Russell), ...


e tem um currículo ímpar para um jogador com esta idade:


LeBron é, e será sempre, um dos jogadores mais amados e um dos mais odiados. Mas é, e será sempre, também um dos melhores que já tivemos a sorte de ver jogar. 


29.12.14

Um 2014 memorável


Não é fácil resumir em 2 minutos e 30 segundos um ano tão memorável e com tantos momentos incríveis como o de 2014, mas a NBA deu o seu melhor:


28.12.14

Leituras de Jogo


A partir de hoje, e aos Domingos, vamos deixar-vos aqui uma sugestão de textos, artigos, reportagens e/ou coisas interessantes e com as quais vale a pena perder ganhar uns minutos. Umas LEITURAS DE JOGO para ocupar as preguiçosas tardes (ou noites) de domingo. E esta semana, sugerimos para leitura domingueira:



- No último Triplo Duplo, falámos da inspiradora história de vida de Jimmy Butler. Aqui fica a reportagem de que falei, onde Butler falou pela primeira vez sobre essa história.



26.12.14

Triplo Duplo - Episódio 9 (2ª temporada)


No TRIPLO DUPLO de hoje, discutimos as duas grandes notícias desta semana: a troca que levou Rajon Rondo para os Mavs e a dispensa de Josh Smith dos Pistons (e a sua subsequente ida para os Rockets).
Destacamos ainda a história de superação de Jimmy Butler e o seu improvável percurso até à NBA e, para terminar, como habitualmente, o Wow da Semana:


(não sei se já repararam, mas agora temos as marcas temporais com o início de cada tema na descrição do vídeo; por isso, se houver algum assunto que não vos interesse ou se só vos interessar algum assunto em particular, é clicar lá e ouvir apenas a partir daí.)

22.12.14

E agora, Josh?



Desta é que ninguém estava à espera. Os Pistons surpreenderam o mundo com uma decisão sem precedentes, ao anunciarem hoje a dispensa de Josh Smith. Não é que seja surpresa para alguém que os Pistons se queriam ver livres dele. É óbvio que a estadia de Smith em Detroit não estava a correr bem (para sermos muito simpáticos) e os resultados desportivos estavam (de novo, para sermos muito simpáticos) bastante aquém das expectativas. A surpresa é a solução radical (e inédita) de dispensar um jogador e um contrato com este valor e preferirem mandá-lo embora sem receber absolutamente nada em troca.

Quão más tinham de estar as coisas naquela equipa e naquele balneário para preferirem pagar-lhe 40 milhões para ele se ir embora e ir jogar noutra equipa? Porque na prática foi isso que fizeram (pronto, isso e libertar espaço salarial). A menos que alguma equipa reclame o seu contrato nas próximas 48 horas (spoiler: a única equipa com espaço para isso são os Sixers, portanto isso não vai acontecer), os Pistons terão de lhe pagar os 40 milhões que restam no seu contrato (deste e dos próximos dois anos). A única vantagem é que podem estender o pagamento ao longo de vários anos e só uma parte do salário é que conta para o tecto salarial (vão libertar cerca de 5 milhões por ano no salary cap com isso).

Quando Smith assinou pelos Pistons nunca esperámos que corresse tão bem como eles pensavam e não augurávamos um grande sucesso para a equipa. Mas também não pensávamos que corresse tão mal. Esperávamos pelo menos uma equipa mediana. Agora, depois das duas piores temporadas da sua carreira, o seu tempo como Piston acabou da pior forma possível.

Mas, dizíamos, se nenhuma equipa o reclamar, Josh Smith torna-se agente livre sem restrições e poderá então assinar por qualquer equipa. E não vão faltar equipas interessadas. Smith pode ter tido dois anos miseráveis e completamente para esquecer em Detroit, mas, alguma justiça lhe seja feita, ele jogou fora da sua posição natural de power forward e numa posição de small forward que potenciou o pior do seu jogo e os seus pontos mais fracos (nomeadamente, o lançamento exterior).

Se voltar a jogar como power forward, se se concentrar naquilo que faz melhor (jogar perto do cesto, defender e ganhar ressaltos) e controlar os seus lançamentos exteriores, Smith pode dar um contributo importante a muitas equipas. E há várias que gostavam de ter um jogador interior com a sua qualidade (e a palavra a reter aqui é "interior"; será esse o maior desafio de quem lhe pegar).

Rockets, Mavs, Cavs, Clippers, Heat e Kings são algumas das equipas que parece que já mostraram interesse.

Os Rockets são o nome mais referido e uma das poucas equipas deste lote onde ele poderia continuar a ser titular (e a única equipa candidata onde seria; nos Mavs, Cavs e Clippers teria de sair do banco e ser um dos elementos da rotação interior). Mas, ao contrário do que muitos dizem, Smith não é o melhor encaixe nesta equipa. Nesta equipa dos Rockets o que encaixaria na perfeição era um stretch 4, um power forward capaz de lançar de fora (como Chris Bosh). Se Smith joga no perímetro poderá ser um desastre como em Detroit. E se ele joga no interior, vai roubar espaço a Dwight Howard e às penetrações de James Harden. Os Rockets jogam com quatro jogadores abertos e isso iria outra vez potenciar o pior de Smith.

Nos Mavs teria a oportunidade de jogar com o seu companheiro de equipa no liceu, Rajon Rondo (algo que eles já disseram que gostavam de fazer um dia). E, mantendo-se dentro do papel, seria um óptimo substituto para Brandan Wright. Era um risco, mas se já arriscaram com Rondo, porque não ir "all in" com Smith?
Os Clippers precisam claramente de profundidade interior e de melhores defensores interiores. Smith poderia ser um excelente reforço para aí. Nos Cavs, que precisam desesperadamente de defesa, idem. Nos Kings seria titular, mas não teria a oportunidade lutar por um título (e encaixar Gay, Smith e Cousins também seria um desafio). E aos Heat, com a lesão de Josh McRoberts, também lhes dava jeito um substituto e Smith poderia jogar no interior com Bosh no perímetro.

Onde ele acabará e onde ele encaixará melhor vai depender muito daquilo que ele esteja disposto a fazer (se aceita ser suplente ou se quer continuar a ser titular; e se consegue, ou está disposto, a adaptar o seu jogo às necessidades da equipa). Mas Josh Smith ainda vai a tempo de contribuir numa equipa de topo e, com isso, salvar a sua carreira.

20.12.14

Presents, we're talking bout presents?


Bela campanha para a jornada natalícia da NBA, esta da ESPN. Temos o anúncio da decisão do Pai Natal:



O Pai Natal a mostrar o Gregg Popovich que há em si:



E neste, quem é que o Pai Natal vos lembra?



Boa, ESPN.

(no canal da estação no Youtube podem ver mais vídeos da conferência de imprensa do Pai Natal)

Mavs rondam o título?


Vamos lá aos bitaites sobre a troca de Rajon Rondo e a um balanço do negócio para cada um dos lados:


Para o lado dos Mavs, alguém tem dúvidas que é uma boa troca? Arriscada, sim, mas uma oportunidade que não podiam desperdiçar e que os pode catapultar para o topo da conferência. Há dúvidas? Comecemos por elas.

Fazer mudanças na equipa durante a temporada (e numa equipa que está a jogar bem) é arriscado? Sim, é sempre arriscado e nunca se sabe se se vai perturbar a química da equipa. Mas numa equipa veterana esse risco é menor. E estes Mavs têm jogadores (e treinadores) que já viram de tudo e já passaram por tudo nesta liga, por isso não é um balneário perturbável como o de equipas mais jovens e inexperientes. E, de qualquer forma, com aquilo que pode compensar, vale o risco. 

Não têm nenhuma garantia que Rondo renove com eles no final desta temporada? Sim, mas Mark Cuban não é conhecido por ser conservador ou por não correr riscos. É um all in nesta temporada e uma aposta em que esta corra bem e convença Rondo a continuar. Têm 6 meses para o converter a Dallas. E Mark Cuban também não é conhecido por ser forreta e não terá problemas em abrir os cordões à bolsa para o manter.

Rondo não é o jogador mais fácil de gerir? E encaixá-lo neste ataque traz alguns desafios? Sim a ambas, mas se há treinador capaz de fazer ambas é Rick Carlisle. O timoneiro dos Mavs é um dos melhores treinadores da liga (provavelmente, o mais sub-valorizado), o seu ataque é um dos mais criativos, versáteis e eficazes da liga e Carlisle é um génio dos Xs e Os. Pode ser um desafio integrar Rondo neste ataque (particularmente, nas adaptações que terão de fazer no espaçamento, pois Rondo não é um atirador), mas desconfio que Carlisle o consegue fazer.
E na parte da gestão de personalidades? Carlisle treinou (com sucesso) os Pistons de Ben Wallace e os Pacers de Ron Artest, Stephen Jackson e Jamaal Tinsley. Ao pé dessas personagens todas, gerir Rondo deve ser brincadeira de criança.

Perderam um jogador importante do banco? Sim, mas esses são muito mais fáceis de substituir (já se fala de Jermaine O'Neal para esse lugar, por exemplo).

Agora as certezas: 
os Mavs fazem um enorme upgrade naquela que era a posição claramente mais fraca do cinco inicial. Rondo traz aquilo que mais precisavam: um base que defende e ajuda nos ressaltos.
Numa conferência Oeste recheada de excelentes bases, os Mavs entravam em todos os jogos com um grande mismatch e em desvantagem nessa posição. Com Jameer Nelson, ia ser um desafio parar os fortíssimos backcourts do Oeste nos playoffs e teriam de compensar esse ponto fraco individual através do colectivo e do sistema defensivo. Agora já não precisam. Agora já têm alguém para defender os bases adversários. Com Rondo na primeira linha de defesa e Chandler lá atrás, a defesa dos Mavs vai ser muito melhor.

No ataque, Rondo não terá de marcar pontos ou ser o ponto fulcral da equipa (como lhe era exigido nos Celtics pós-Big Three). Nos Mavs regressará ao papel que sempre desempenhou melhor: assistir, abastecer as armas ofensivas da equipa e, pelo meio, aproveitar os espaços que estes abrem na defesa para penetrar e marcar uns pontos. Era isso que Rondo fazia com Allen, Pierce e Garnett (onde era a 4ª opção do ataque) e é como facilitador que ele está no seu melhor. 

Dissemos em Outubro, no Boletim de Avaliação da equipa, que os Mavs não tinham um base de topo. Entre os três que tinham (Nelson, Harris e Felton, na altura; depois, juntou-se Barea), nenhum era muito bom, mas todos juntos podiam dar um decente. Tinham uma espécie de base por comité, mas faltava um base bom. Agora já têm um.

__

Para o lado dos Celtics, foi o negócio inevitável e possível. Este não era o plano A da equipa e foi algo a que resistiram até ao fim, mas acabaram por não ter alternativa. E para plano B, não foi mau. 

Como sabemos, Rondo é free agent no fim da temporada, e perante a incapacidade de o rodear com jogadores estabelecidos e reconstruir a equipa com ele (era esse o plano A; neste Verão, tentaram contratar, por exemplo, Kevin Love), e perante a possibilidade de o perder sem receber nada em troca, não lhes restava outra hipótese senão tentar conseguir o máximo possível por ele. 

Ora, nessas circunstâncias, já sabemos que uma equipa nunca consegue o mesmo valor em troca. Os Celtics conseguiram dois jogadores promissores e mais um par de escolhas no draft (Jameer Nelson não faz, obviamente, parte dos planos para o futuro). As escolhas não são especialmente boas (uma 2ª ronda e uma 1ª ronda em 2015, mas que não será uma escolha alta), mas são mais peças (para manter na equipa ou para usar em negócios futuros) e mais alternativas para a reconstrução que têm pela frente. Podiam ter conseguido melhor? De certeza que Danny Ainge tentou e gostava de ter conseguido, mas isto deve ter sido o melhor que lhe ofereceram.

Os Celtics ainda tinham uma ténue esperança de reconstruir (mais rapidamente) pela via de trocas e/ou free agency e montar uma equipa com Rondo. Agora, com esta troca, desistiram desse plano e viram-se para o plano da reconstrução (mais lenta) pelo draft e pelo desenvolvimento dos jovens. E esse é um plano que ainda agora começou.

19.12.14

Triplo Duplo - Episódio 8 (2ª temporada)


No TRIPLO DUPLO desta semana:

- o despedimento surpreendente de Mike Malone 
- a atenção que estes Atlanta Hawks merecem
- o marco histórico de Kobe Bryant
- as nossas escolhas para os titulares do All Star
- e, como habitualmente, o Wow da Semana


18.12.14

CONTRA-ATAQUE - Mais achas para a fogueira do All Star



No Contra-Ataque de hoje, o Ricardo Brito Reis deita mais achas para a fogueira da votação para o All Star:




Mais achas para a fogueira do All-Star

por Ricardo Brito Reis

As votações para o All-Star Game de 2015 abriram na semana passada e, apesar de faltar mais de um mês para o fecho das «urnas», o Márcio apresentou aqui as suas escolhas, tendo em consideração o que já se jogou esta época. O mote estava lançado e ficou escolhido, desde logo, o tema da minha crónica desta semana: identificar quem serão os grandes ausentes do jogo das estrelas. Sim, já é possível fazê-lo, até porque, ao contrário de anos anteriores, não deve haver grandes surpresas nas convocatórias deste ano.

Não vou tentar antecipar quem serão os titulares e os suplentes das equipas de Este e do Oeste. Isso tem uma importância muito relativa. A definição dos «cincos» é um concurso de popularidade e, por isso, sabemos de antemão que, mesmo estando lesionados durante grande parte da temporada ou a render menos do que o esperado, nomes como os de Derrick Rose, Kobe Bryant e Kevin Durant vão constar dos 24 privilegiados que farão parte da festa.

Os que estão garantidos
Os nomes mais consensuais são fáceis de listar. No Este, o backcourt vai contar com John Wall, Kyrie Irving, Derrick Rose e Dwayne Wade, enquanto as posições mais interiores serão ocupadas, entre outros, por LeBron James, Chris Bosh, Pau Gasol e Carmelo Anthony. A representar a formação do Oeste, ainda mais certezas. Os bases Steph Curry, Chris Paul, Russell Westbrook, James Harden e Kobe Bryant estarão no All-Star, juntando-se a um frontcourt com Kevin Durant, Anthony Davis, LaMarcus Aldridge, Blake Griffin e Marc Gasol. Contas feitas, oito atletas confirmados no Este e dez no Oeste.

Os que têm boas hipóteses
Depois das certezas, sobram quatro vagas a Este e apenas duas a Oeste e, como não há regras que definam quantos jogadores de backcourt e frontcourt devem incluir as convocatórias, podemos dar início à especulação. Ainda assim, com um certo grau de certeza.
Não há dúvidas que Kyle Lowry deve estrear-se como All-Star. Os Raptors estão na liderança da Conferência Este – e isso é um factor a ter em conta nas escolhas dos suplentes - e, com a lesão de DeRozan, o point guard assume o protagonismo na formação canadiana. Para fechar os bases do Este, a minha aposta vai para Jimmy Butler. O shooting guard tem feito por merecer a chamada, depois de se assumir como a principal ameaça ofensiva dos Chicago Bulls, quando já era um dos melhores defensores da liga. Para as restantes vagas, dois atletas que já jogaram melhor em temporadas anteriores, mas que continuam a ser dos melhores do mundo nas respectivas posições: Kevin Love e Joakim Noah.
No Oeste, há muito talento ainda disponível para os dois espaços em branco na lista definitiva. No backcourt, o lugar deve ser de Damian Lillard. O base não parece afectado por ter sido um dos últimos nomes cortados da convocatória da Team USA que venceu o Campeonato do Mundo, em Espanha, e continua a «brilhar» ao serviço dos Portland Trailblazers. Para as posições mais próximas do cesto e, apesar de já ter falhado vários jogos dos Houston Rockets, Dwight Howard deve agarrar a vaga.

Os que vão ficar de fora (por pouco)
Chegamos, finalmente, à categoria dos injustiçados. São atletas que estão a fazer, em alguns casos, as melhores épocas da carreira e, mesmo assim, são excluídos das contas finais.
O maior exemplo disso está na Conferência Este e dá pelo nome de Jeff Teague. O base dos Hawks está um senhor jogador e tem melhores números (16.8 pts e 7.0 ast, com 37% de lançamentos de 3pts) do que na época passada, mesmo com o regresso de Al Horford. Teague acaba por sair prejudicado pelo excesso de point guards na convocatória (Wall, Irving, Rose e Lowry) e foi isso que me levou a optar por Jimmy Butler. Outro que deverá falhar a presença no Madison Square Garden é Al Jefferson (18.8 pts e 8.0 rst). O poste tem sido a única coisa boa dos Hornets e se a equipa de Charlotte tivesse, como se esperava, um registo bem mais positivo, talvez o “Big Al” pudesse atirar Joakim Noah para a lista dos preteridos.
No Oeste são, pelo menos, três «estrelas» a falhar o All-Star «por uma unha negra». Mike Conley, dos Grizzlies, pelo que escrevi aqui na semana passada, é um deles, mas Klay Thompson (21.7 pts, 3.7 rst, 3.3 ast e 43.8% nos lançamentos de 3 pts) e DeMarcus Cousins (23.5 pts, 12.6 rst e 51.2% de lançamentos de campo) são nomes pelos quais apetece pedir a Adam Silver que alargue as convocatórias do All-Star Game. O «Splash Brother» de Steph Curry já não é só um (ou o mais?) temível lançador de 3 pontos da NBA. Penetra para o cesto com assertividade e defende cada vez melhor. Merece ser All-Star? Sim. Há lugar para ele? Pois, parece que não... Quanto a Cousins, está a fazer a melhor época da carreira e vinha mostrando inúmeros progressos, sobretudo ao nível do controlo emocional. Pena a meningite viral e o despedimento do treinador dos Kings, Michael Malone, o único técnico que pareceu capaz de fazer o poste concentrar-se exclusivamente em jogar basquetebol.

Os que só devem ver pela TV (e não se importam)
Não é habitual, mas os campeões da NBA devem mesmo ficar sem qualquer representante no All-Star Game, a não ser que Tim Duncan ou Tony Parker consigam ser eleitos para o «cinco» pelos adeptos, o que parece muito pouco provável. E até aposto que o Gregg Popovich está a fazer figas… para que isso não aconteça.

15.12.14

O feito de Kobe


Depois de um recorde que pode não ser o mais positivo ou aquele que um jogador mais ambicione ter no currículo, ontem Kobe Bryant atingiu um marco que quem dera a qualquer jogador alcançar. Com este lance livre...


... Kobe ultrapassou Michael Jordan na lista dos melhores marcadores de sempre e é agora o terceiro melhor marcador da história da liga.


Seja pelas suas carreiras, seja por jogarem na mesma posição, seja pelas semelhanças no seu jogo e pelo jogo de Kobe dever obviamente ao jogo de Jordan, as comparações entre ambos são inevitáveis e já todas e mais algumas foram feitas nos últimos dias.





E podemos fazer todas as comparações que quisermos, podemos falar de eras e da possibilidade ou impossibilidade de as comparar, podemos falar de recordes absolutos e recordes relativos, podemos dizer que estes últimos é que importam, podemos discutir eternamente sobre tudo isto e muito mais, mas há duas coisas em que pensamos que todos podemos concordar.

A primeira é na dimensão do feito. Goste-se de Kobe ou não, prefira-se o jogador dos Lakers ou a lenda dos Bulls, este é um feito extraordinário e possível apenas a jogadores que foram muito bons durante muitos anos. Tal como dissemos na altura do recorde de mais lançamentos falhados (e tal como nesse recorde), atingir uma marca como a que Kobe atingiu ontem é sinal de que se teve uma longa carreira ao mais alto nível, que se foi o melhor jogador da equipa (ou um dos melhores) e a primeira opção ofensiva (ou uma das primeiras) durante muitas, muitas temporadas. E isso, só por si, já é um feito estratosférico e raríssimo. Só jogar na NBA durante 19 anos é extraordinário e para muito poucos. Fazê-lo a este nível é incrível.

A segunda, e mais importante, é na sorte que temos de ter assistido a este feito e, também, termos visto jogar dois dos melhores marcadores e melhores jogadores de sempre.

E isso é aquilo que para nós mais importa destacar neste momento. Tal como a exibição dos Spurs nas Finais de 2014, este é daqueles feitos que vamos contar aos nossos netos e dizer-lhes que vimos em directo. Este é daqueles que não vamos esquecer. Este é daqueles para guardar. Por isso, aí fica para a posteridade o momento histórico e que vamos contar daqui a 20, 30 ou 40 anos:


14.12.14

Os nossos All Stars (até agora)


Começou na sexta-feira a votação para o All Star Game. Podem votar no site da NBA para o efeito (e também na aplicação Game Time, no Facebook, Twitter e Instagram; no site têm lá as instruções todas) e este ano, como já devem saber, podem escolher entre todos os jogadores da liga e não apenas entre um lote de pré-seleccionados. E eu escolhi estes:

(ainda vamos com pouco mais de um mês e meio de temporada e as votações só fecham daqui a 36 dias - 19 de Janeiro -, por isso, até lá, ainda posso mudar de ideias. Mas para já, os meus votos vão para estes dez)


Do lado do Oeste, Curry, Gasol e Davis acho que não precisam de explicação. Depois, Russell Westbrook? Sim, Russell Westbrook. Apesar dos poucos jogos que fez, está com números excelentes (25.6 pts, 6.7 ast e 5.6 res), tem feito exibições assombrosas e em 9 jogos já nos deu mais highlights que qualquer outro jogador este ano. E alguém duvida que ele vai continuar a fazer isto até ao All Star e que em Fevereiro ninguém se vai lembrar que ele esteve de fora no primeiro mês e questionar a sua titularidade? Por isso, All Star com ele.

E All Star com LaMarcus Aldridge também, que está com mais de 20-10 de média, está a fazer uma (mais uma) excelente temporada ((22.2 pts, 10 res, 2 ast e 1.3 dl) e tem sido o melhor power forward a seguir a Anthony Davis.

Do lado do Este, James, Gasol e Wall também não precisam de explicação, pois não? Depois, Dwyane Wade? Sim, Dwyane Wade. Mas e Jimmy Butler? E Kyle Lowry? E Kyrie Irving? Considerei todos esses, mas a verdade é que todos perdem na comparação com o jogador dos Heat. O único que tem números semelhantes a Wade é Butler (21.3 pts, 5.9 ast, 3.5 res e 1.1 rb, com 52.5% em lançamentos para Wade; 21 pts, 3.3 ast, 5.7 res e 1.5 rb, com 48.7% em lançamentos para Butler) mas o jogador dos Bulls está a jogar bastante mais minutos (40 mins/jogo para Butler - máximo na NBA - e 32 para Wade) e quando comparamos os números por cada 36 minutos, Wade leva vantagem (23.7 pts, 6.5 ast, 3.9 res e 1.2 rb, contra 19 pts, 2.9 ast, 5.2 res 3 1.3 rb).
A verdade é que, sem se dar muito por isso, Wade está a fazer uma óptima temporada e tem sido, até agora, o melhor shooting guard no Este.

E, a seguir a Gasol, Bosh tem sido o melhor power forward deste lado dos Estados Unidos (21.6 pts, 8.2 res, 2.1 ast, com 50.7% em lançamentos de 2pts e 38.6% nos 3pts). E vá lá, depois de terem ficado sem LeBron, a equipa de Miami precisa de uma alegria. Por isso, dois jogadores dos Heat para o All Star.

Como disse lá em cima, as votações decorrem até 19 de Janeiro e até lá ainda posso mudar de ideias em alguma destas posições. Mais perto do All Star e antes de encerrar o escrutínio, farei uma nova votação e deixarei aí as minhas escolhas dessa altura. Mas para já, são estes os meus dez titulares.

12.12.14

Triplo Duplo - Episódio 7 (2ª temporada)


No TRIPLO DUPLO desta semana:

- o desmembramento dos Nets, que, aparentemente, estão disponíveis para trocar Deron Williams, Joe Johnson e Brook Lopez
- trocas possíveis para Rajon Rondo
- as séries de vitórias consecutivas de Warriors, Clippers e Cavs (a dos Cavs acabou ontem à noite, depois de gravarmos) e qual delas (se é que alguma) é maior candidata ao título
- a defesa melhorada (ou não) de James Harden
- e, como habitualmente, para terminar, o Wow da Semana


11.12.14

CONTRA-ATAQUE - Soltar o Adam Silver que há em mim


Depois de prever o triunfo dos Wizards a Este e vaticinar a vitória dos Mavericks a Oeste, esta semana, o Ricardo Brito Reis decidiu soltar o Adam Silver que há em si:





Soltar o Adam Silver que há em mim

por Ricardo Brito Reis

Esta crónica deveria ser sobre a época dos Knicks. Com 20 derrotas em 24 jogos, a equipa de Nova Iorque está "nas bocas do mundo" do basquetebol e não é por bons motivos. Mas confesso que, assim que comecei a escrever o texto, logo surgiram mais algumas notícias sobre a actualidade dos comandados por Derek Fisher (serão mesmo comandados por ele?) e perdi a vontade de me juntar ao coro de maldizentes.

Por isso, vou continuar dentro da mesma linha das crónicas das duas últimas semanas. Lancei a confusão com a aposta numa final entre Dallas Mavericks e Washington Wizards e, depois das apostas colectivas, pensei em avançar com prognósticos para os prémios individuais entregues anualmente pela liga norte-americana. Mas isso não tinha piada, pois não? Então vamos mais longe.

Decidi vestir o fato de comissário da NBA e criar novos prémios para acrescentar aos do costume. E até acho que alguns deles podiam mesmo tornar-se uma realidade.


Equipa subvalorizada (All-NBA underated team):
Mike Conley (Memphis Grizzlies)
Kentavious Caldwell-Pope (Detroit Pistons)
Giannis Antetokounmpo (Milwaukee Bucks)
Brandan Wright (Dallas Mavericks)
Nikola Vucevic (Orlando Magic)

Neste cinco, tenho que sublinhar um nome em particular: Mike Conley.
Os Memphis Grizzlies são uma equipa de dimensão mais defensiva do que ofensiva e, por isso, têm pouco tempo de antena nos «highlights» diários. Mas são uma grande equipa e as grandes equipas são normalmente comandadas por um grande base. Conley é esse grande base e é, de longe, o jogador mais subvalorizado da NBA.
Depois da melhor temporada da carreira em 2013/14 (17.2pts, 2.9 rs, 6.0 as), o point guard dos Grizzlies está com números muito idênticos neste início de época (16.9 pts, 2.8 rs, 6.1 as), mas a grande diferença é que, este ano, a formação da cidade de Elvis Presley está a jogar melhor no meio-campo atacante e grande parte dessa melhoria tem assinatura de Conley. No 5º lugar do ranking de eficiência ofensiva (pontos marcados por cada 100 posses de bola), o conjunto de Memphis está a beneficiar do crescimento e maturação do base.
A sua capacidade de leitura do jogo é extraordinária, o que, aliada à excelente técnica individual – é praticamente ambidextro (neste caso, será ambicanhoto?!) - , lhe permite tomar quase sempre a melhor decisão. E some-se a tudo isto um máximo de carreira na eficácia no lançamento longo (43.9%).


Jogador que parece-que-desaprendeu-de-jogar (Most unimproved player):
Lance Stephenson (Charlotte Hornets)

Os seus registos estatísticos no capítulo do lançamento dizem tudo. Marca menos pontos por jogo este ano (10.5) do que no ano passado nos Pacers (13.8), em que até partilhava o campo, e a bola, com Paul George. A sua eficácia de «tiro» diminuiu drasticamente (de 49.1% para 38.7% em lançamentos de campo, incluindo uns horríveis 15.9% nos triplos) e a sua equipa está a ressentir-se. E já se fala do seu nome envolvido em potenciais trocas…


Jogador ofensivo (Offensive player of the year):
Chris Paul (L.A. Clippers)

À primeira vista, o nome de James Harden parece assentar como uma luva neste prémio, mas a verdade é que o base dos Clippers é o jogador da NBA com mais influência no ataque da respectiva equipa. Entre os jogadores com um mínimo de dez jogos disputados e média superior a 24 minutos/jogo, CP3 lidera o ranking da eficiência ofensiva individual (pontos marcados por cada 100 posses de bola em que a equipa marca enquanto o atleta em causa está em campo), com um registo de 116.7.


Jogador internacional (International player of the year):
Marc Gasol (Memphis Grizzlies)

Para perceber o porquê, basta lerem o artigo que o Márcio escreveu ontem.


Treinador rookie (Rookie coach of the year):
Steve Kerr (Golden StateWarriors)

Os Warriors têm a melhor defesa da NBA (não sou eu que o digo, mas os rankings de eficiência defensiva), porque Kerr encontrou um sistema que lhes permite defender melhor no geral, mas em particular o pick & roll e os lançamentos de maior eficácia, ou seja, nas áreas mais próximas do cesto. Mas o maior mérito de Kerr é mesmo o de ter sabido lidar com a herança de Mark Jackson, um treinador com registos acima das 50 vitórias/ano e querido pelos jogadores. E tudo sem qualquer tipo de experiência de treino!


P.S.: Fãs dos Knicks, escusam de agradecer.

10.12.14

El MVP


Neste momento, no top 10 da NBA na Corrida para o MVP, temos: LeBron James, o candidato crónico; Stephen Curry, o favorito de muitos; Anthony Davis, o novo menino bonito da liga, que tem os números individuais, mas não tem o recorde colectivo; James Harden, que entra na corrida graças à sua defesa melhorada; LaMarcus Aldridge e Blake Griffin, que continuam a ser dos melhores power forwards da liga; Klay Thompson, Kyle Lowry e Jimmy Butler, que com os seus excelentes começos de temporada, são os candidatos surpresa; e depois temos aquele que menos atenção mediática (e também menos reconhecimento dos fãs) recebe, mas que é só o líder da corrida: Marc Gasol.

Também nós temos sido cúmplices dessa injustiça e ainda não lhe demos o devido destaque este ano, por isso vamos lá corrigir isso.


Gasol tem sido não só um dos melhores postes, mas um dos melhores jogadores da liga nas últimas temporadas. Os seus números e o seu jogo podem não ser os mais vistosos, mas muitas das suas contribuições não são visíveis a "olho nú" (para além de pontos, ressaltos, assistências e afins, os seus passes - dos que podem não dar assistência, mas iniciam movimentações ofensivas -, a sua ocupação do espaço, as suas ajudas e rotações defensivas são exemplares) e é um daqueles casos de um jogador que é muito melhor e muito mais importante do que as estatísticas tradicionais mostram.

Em 2012-13 foi o Defensor do Ano e desde 2009-10 (o seu segundo ano na liga) que a defesa dos Grizzlies não termina a temporada fora do top 10. Se dúvidas havia sobre a sua importância na equipa e o seu impacto em campo, no ano passado os Grizzlies tiveram um recorde de 40-19 com ele e 10-13 nos dois meses em que ele esteve de fora por lesão.

Os seus números já eram bons e mantiveram-se regulares nos últimos 5 anos (cerca de 14 pts e 8 res, 3 ast, 2 dl e 1 rb por jogo), mas este ano elevou o seu jogo a um nível inédito. O poste espanhol dos Grizzlies está a fazer a melhor temporada da sua carreira (20 pts, 8.3 res, 3.9 ast, 1.5 dl e 1 rb; e 23.4 de PER) e a está a fazer coisas em campo que nunca fez (ou nunca fez tão bem).

Uma das razões para tal é a excelente forma física em que apresenta este ano. Gasol diz que, no Verão, cortou o açúcar, os refrigerantes e os alimentos processados da sua alimentação, reduziu também os hidratos de carbono e as carnes vermelhas e aderiu a uma dieta semi-vegetariana.

Este era Marc Gasol na época passada:


E este é Marc Gasol em 2014-15:


Está mais leve e mais móvel e, como consequência disso, melhor jogador no ataque e com um arsenal ofensivo mais variado.
Já era, e continua a ser, um excelente passador, um bom lançador de meia distância e um bom atacante a poste baixo. Mas este ano, para além disso, podemos vê-lo a correr na transição ofensiva, a entrar como trailer no contra-ataque e a receber a bola em movimento como nunca antes o vimos fazer. Podemos vê-lo também a ameaçar o lançamento, a meter o drible e atacar o cesto em penetração (algo que só fazia, normalmente, a partir de poste baixo). Como resultado disso, está a conquistar mais lances livres e a marcar mais pontos que nunca.

Essa maior mobilidade e velocidade também se reflecte do outro lado do campo, onde, se já era um dos melhores defensores interiores da liga (se não o melhor), está ainda melhor na ocupação de espaço, nas ajudas e rotações.

À excepção de Anthony Davis, nenhum outro jogador daquela lista de candidatos lá em cima tem tanto impacto dos dois lados do campo como Gasol. E é o justo, ainda que menos mediático e reconhecido, MVP do que levamos de temporada.

8.12.14

Kaboom by NBA


Qual Quidam by Cirque du Soleil qual quê. Querem ser transportados para um mundo mágico de acrobacias aéreas inspiradoras? Deixem-se encantar por "Kaboom" by NBA, com Giannis Antetokounmpo, Jon Leuer, Andre Drummond e Russell Westbrook:

Giannis: - Afundanço da noite, já não me escapa!


Jon: - Se calhar não, Giannis, se calhar não...


Andre: - Por favor, isso é o vosso melhor?


Russell: - Miúdos, com licença:


Giannis, Jon, Andre: - ...

público: (ovação em pé, palmas apoteóticas) Bravo! Bravo! Bis, Bis!

7.12.14

Guerreiros a temer?


Uma vitória num pavilhão onde não ganhavam desde 2008, ...


...o melhor começo (17-2) e a série de vitórias consecutivas mais longa da história da equipa.


Devem as outras equipas do Oeste ficar preocupadas e começar a temer estes Warriors? Sim. Porque:

Melhoraram a defesa. 
Não que esta fosse má no ano passado. Pelo contrário. Tiveram a 4ª melhor defesa em 2013-14 (com um Rating Defensivo de 102.6). Mas este ano estão ainda melhores desse lado do campo (96.2 pts sofridos/jogo e 1ºs no Rating Defensivo, com 98.1 pts sofridos por cada 100 posses de bola). Andrew Bogut continua a ser o pilar no centro da defesa, excelente nas ajudas, a fechar o meio do campo e a proteger o cesto. Draymond Green é um grande upgrade em relação a David Lee e está a conjugar-se bastante bem com Bogut. E depois têm vários jogadores exteriores (wings) atléticos capazes não só de defender o jogador com bola, mas também de colocar muita pressão sobre as linhas de passes e provocar turnovers (a primeira parte do jogo de ontem foi um exemplo perfeito disso; ativos, agressivos, com muita entre-ajuda e rotações rápidas, cortaram linhas de passe, forçaram perdas de bolas e marcaram 27 pontos em contra-ataque).
O elo mais fraco da defesa é mesmo Stephen Curry, mas de resto têm quatro defensores acima da média no cinco inicial (e mais dois no banco) e a melhor defesa da NBA até ao momento. É uma defesa um pouco diferente, por exemplo, da dos Grizzlies, que aposta mais no posicionamento e no preenchimento de espaços. A dos Warriors não é tão posicional, é mais móvel, mais agressiva e com muitos braços em movimento, mas igualmente eficaz.

Marcam pontos aos molhos, mesmo sem terem a melhor execução ofensiva.
Estes Warriors, mesmo quando não têm a melhor execução e a melhor movimentação de bola, conseguem marcar pontos com uma facilidade estonteante. Muitas vezes não criam as melhores situações de lançamento, mas conseguem marcar na mesma, simplesmente porque acertam os lançamentos. Nada substitui "acertar lançamentos" e a estes Warriors basta-lhes meia oportunidade para marcar. 
E em 3 ou 4 ataques podem marcar 9, 10, 12 pontos e, num ápice, abrir uma vantagem ou recuperar duma desvantagem (ontem, por exemplo, estiveram quase 4 minutos sem marcar no começo do 2º período e depois, nos 8 minutos seguintes, marcaram 32 pontos!).
E mesmo sem terem uma execução perfeita estão no top 10 (7º melhor ataque, com um Rating Ofensivo de 109.2) Agora imaginem se (ou quando) movimentarem melhor a bola e executarem ainda melhor no ataque.

Klay e Dray estão melhores
Klay Thompson melhorou o drible e o manejo de bola e está com um arsenal ofensivo mais completo. Já não é só um atirador, também é capaz de penetrar e está a finalizar mais e melhor no garrafão. Como se já não fosse difícil defendê-lo na linha de três pontos, agora ainda têm de se preocupar com as suas penetrações.
E Draymond Green está a aproveitar da melhor maneira a ausência de David Lee para fazer a melhor época da sua jovem carreira (e já não deve voltar para o banco quando Lee regressar; o que ainda vai melhorar o banco da equipa). Tem sido uma das peças fundamentais da melhorada defesa e um contribuidor muito importante no ataque (mais um que não podem deixar sozinho na linha de três pontos).

Têm mais jogadores a contribuir
Para além da evolução de Thompson e de Green, têm tido mais e melhores contribuições do banco. Iguodala é um suplente de luxo que joga muito tempo com a primeira unidade e continua a ser um dos melhores defensores da liga, Marreese Speights tem dado mãos cheias de pontos a um banco que no passado tinha dificuldades em marcar pontos, Shaun Livingston cria muitos desequilíbrios e mismatches para os backcourts adversários (como vimos ontem; no 4º período, foi fundamental a jogar a poste baixo contra os bases mais pequenos de Chicago, a lançar e a criar desequilíbrios a partir dessa posição). E quando David Lee regressar da lesão, pode ser mais um suplente de luxo e mais um jogador para fazer pontos na segunda unidade. Um banco com Livingston, Barbosa, Iguodala, Lee e Speights? Já vi cincos iniciais piores.

Ser bom dos dois lados do campo normalmente é uma receita para títulos. Estes Warriors estão a ser muito bons num dos lados e são bons com potencial para serem muito bons no outro. E têm mais jogadores a contribuir que nunca. Se tiverem a sorte que não têm tido nas duas últimas temporadas (em ambas jogaram os playoffs sem um dos titulares; David Lee em 2013, Andrew Bogut em 2014), sim, comecem a temê-los.

5.12.14

Triplo Duplo - Episódio 6 (2ª temporada)


No TRIPLO DUPLO  desta semana:

- a sugestão de Mark Cuban de enviar os Mavs para o Este e o problema das conferências na NBA
- o início de temporada miserável dos Charlotte Hornets
- os prémios individuais do mês de Novembro
- e, como habitualmente, o que nos deixou de boca aberta esta semana, no Wow da Semana


4.12.14

CONTRA-ATAQUE - Spurs ou Spurs? Mavs!


Na semana passada, o Ricardo Brito Reis disse-nos a sua aposta para o vencedor do Este. No Contra-Ataque de hoje, o seu palpite para o vencedor do Oeste:




Spurs ou Spurs? Mavs!

por Ricardo Brito Reis

Depois de, na semana passada, ter escrito que aposto nos Washington Wizards para vencer a conferência Este e chegar às Finais da NBA (OK, fãs dos Bulls, admito que se o conjunto de Chicago tiver saúde e factor-casa nos playoffs será difícil fazer frente a Derrick Rose e companhia!), hoje faço o mesmo exercício para o Oeste.

Nesta conferência, há várias candidaturas a chegar longe e os campeões San Antonio Spurs estão, para a maioria dos adeptos e analistas, na liderança desse lote de equipas. Há, no entanto, uma formação que me "enche as medidas", quer pelo que já evidenciou na época passada, quer pelo que tem mostrado este ano. E não são os Golden State Warriors.

Os Dallas Mavericks são, na minha opinião, o mais forte candidato a destronar o basquetebol-à-europeia-e-que-é-um-verdadeiro-regalo-para-os-olhos dos homens orientados por Gregg Popovich e estou convencido que, esta temporada, os Mavs vão repetir a festa de 2011, ano em que se sagraram campeões à custa de um «Big 3» de Miami ainda enferrujado. 

Depois de uma eliminação em 7 jogos às mãos dos Spurs, Mark Cuban apostou muito forte para esta época - e convém gastar as fichas todas enquanto estiver em Dallas um tal de Dirk Nowitzki - e a «offseason» foi de mais uma mini-revolução no plantel às ordens de Rick Carlisle. O Márcio dissecou as entradas e saídas antes do arranque da época (http://setevintecinco.blogspot.pt/2014/10/boletim-de-avaliacao-dallas-mavericks.html) e sublinhou, na altura, a importância da chegada do poste Tyson Chandler e o que poderia significar a perda de Jose Calderon e Vince Carter.

Mas, mesmo tendo em conta a saída dos dois veteranos, a formação do Texas apresenta, a par dos Spurs, a média de idades mais elevada da liga norte-americana (28,7) e uma média de anos de NBA a rondar os oito (7,7). Não vão para novos, mas têm muita experiência, incluindo experiência de playoffs.

E se é verdade que metade da equipa é literalmente nova, os primeiros vinte jogos da época (15V-5D) têm revelado consistência e regularidade assinaláveis.

E se é verdade que metade da equipa é literalmente nova, jogam quase de olhos fechados e parece que se conhecem todos há anos. Procuram sempre a melhor solução de lançamento e os números provam-no.

Os Mavericks lideram - ou ficam muito perto disso - em vários rankings colectivos, sobretudo no capítulo ofensivo. São 1º em rating ofensivo (113,4), 1º em pontos por jogo (110,2), 4º em percentagem de lançamentos (47,8%), 5º em assistências (24,4), 4º em turnovers (11,7) e 1º em pontos a partir de turnovers do adversário (21,8). A defesa não é a melhor da NBA (13º no rating defensivo), mas também é verdade que têm dado muitas primeiras partes de "borla" e, quando aumentam a intensidade defensiva, são um "osso duro de roer". Ainda assim, são 3º em desarmes de lançamento (5,7), 2º em pontos do adversário na área restrictiva (35,9) e 2º em pontos do adversário a partir de turnovers (12,8).

O 18º lugar no ranking dos ressaltos (30,8/jogo e muito longe dos 47,4 dos Portland Trailblazers) é um registo especialmente negativo, até porque Tyson Chandler (11,9) é o terceiro melhor ressaltador da NBA. Há pouca gente a entrar na luta das tabelas, o que se pode explicar pelo facto de o extremo/poste da equipa - o tal de Nowitzki - jogar, sobretudo, em áreas afastadas do cesto, mas este aspecto estará, com certeza, no topo da lista de preocupações de Rick Carlisle.

No topo da lista de preocupações das equipas adversárias está a quantidade de ameaças ofensivas dos Mavericks. Monta Ellis (20,7 pontos/jogo), Dirk Nowitzki (19,6) e Chandler Parsons (14,9) podem decidir qualquer partida e ainda há que contar com os contributos de Tyson Chandler, Brandan Wright, Devin Harris, J.J. Barea e Jameer Nelson. A receita é manter os texanos abaixo dos 100 pontos - perderam os três jogos em que isso aconteceu -, mas a tarefa é muito, muito difícil. 

Carlisle sabe que a saúde será um factor decisivo, esta época, e tem promovido uma rotação larga, com dez jogadores com médias acima dos 12 minutos por jogo e apenas dois (Ellis e Parsons) acima dos trinta minutos. A estratégia parece acertada e está a dar frutos. Será o troféu Larry O'Brien o maior fruto? Eu digo que sim.

3.12.14

Mais disto, se faz favor - Clutch Lopez


O jogo está empatado a 4'' do fim e a tua equipa precisa de um cesto para ganhar. Tens Damian Lillard, Wes Matthews, Nicolas Batum, LaMarcus Aldridge e Robin Lopez em campo. Para qual deles desenhas a jogada para o último lançamento? Para Lillard? Para Aldridge? Para Matthews? Não, para Robin Lopez, claro:


Que a bola ia para Lillard, para Mathews ou para Aldridge foi o que os Nuggets pensaram. Mas o treinador dos Blazers surpreendeu e foi para o jogador menos provável dos quatro que estavam dentro de campo (Batum estava a repor).

A jogada foi muito, muito simples. Tão simples que é quase embaraçosa. Começou com os quatro jogadores de campo dispostos nos cantos da área restritiva:



Lillard e Matthews abriram para os cantos do campo e Aldridge, depois de ameaçar que ia receber um bloqueio de Lopez, subiu para o topo do garrafão:

Aldridge recebeu a bola no topo do garrafão e neste momento os Nuggets deviam pensar que ele ia jogar 1x1 e tentar o lançamento. Só que enquanto os defensores dos Nuggets pensavam isso (e porque pensavam isso), Robin Lopez conseguiu estabelecer posição bem dentro do garrafão, mesmo debaixo do cesto, receber a assistência de Alrdridge e marcar um cesto fácil:


Não fizeram um único bloqueio (!), toda a jogada foi feita só com cortes e movimentação dos jogadores. Foi uma combinação muito simples, mas que surpreendeu pelo jogador escolhido para finalizar (o menos dotado ofensivamente de todos).

Terry Stotts pensou fora da caixa e compensou. Na semana passada, os Spurs já nos tinham dado um exemplo de uma jogada colectiva no final do jogo ao invés de uma jogada de isolamento e agora os Blazers dão-nos outro exemplo de uma jogada simples, mas que foge do convencional e do esperado naquela situação e que surpreende, por isso, a equipa adversária.

Como os Spurs na outra jogada e os Blazers nesta demonstram, variar é bom e traz bons resultados. Portanto, treinadores da NBA, mais disso, se faz favor.

2.12.14

Top Blogs Awards



Diz que estamos nomeados para os Top Blogs Awards. Se quiserem dar uma ajudinha (só para ver se não ganha, como sempre, um blogue de futebol), é seguir o link e votar:


E obrigado! 



1.12.14

O problema das conferências na NBA


Mark Cuban atirou a ideia para o ar: a NBA devia reformular as conferências, mudar os Mavs, os Rockets, os Spurs e os Pelicans para o Este e os Bulls, os Pistons, os Bucks e os Pacers para o Oeste.

Tudo isso para resolver a questão do desequilíbrio que se tem verificado na última década entre o Oeste e o Este e para assegurar que equipas do Oeste com melhor recorde não ficam de fora dos playoffs enquanto outras com pior recorde no Este vão à segunda fase da temporada.

Baralhar as conferências e mudar equipas de lado era uma hipótese. Mas não há forma de assegurar que isso represente equilíbrio no futuro e que esse problema não volte mais tarde. O que nos garante que os Mavs, Spurs ou Rockets vão continuar a ser bons? Ou que Pistons e Bucks não vão ser? E que daqui a 10 anos não teríamos o mesmo problema? Ou porque não mudar os Grizzlies, os Thunder e os Wolves, que estão mais a Este que os Mavs?


É apenas uma reorganização geográfica, que, para além de um pouco arbitrária ou que tem apenas em conta o estado atual das equipas, não muda o formato da competição, nem a natureza do problema (e uma que, claro, neste momento beneficiaria os Mavs). Por isso, esta não nos parece a melhor solução ou uma que resolva o problema a longo prazo.

As conferências existem, desde sempre, por razões logísticas. As equipas foram organizadas geograficamente e colocadas a jogar mais vezes contra equipas da mesma região para evitar tantas viagens longas e tanto desgaste nas mesmas.

Mas isso era há 50 anos, quando as conferências foram criadas. Hoje em dia, é muito mais confortável e mais fácil viajar. As equipas já não viajam em voos comerciais, têm todas os seus voos privados e atravessar os Estados Unidos já não é tão custoso e desgastante como há 40 ou 50 anos.

Por isso, outra hipótese poderia ser eliminar completamente as conferências e, como nas ligas europeias, fazer uma fase regular em que todos jogavam contra todos o mesmo número de vezes (à qual se seguiria uma fase de playoffs com as melhores 16).

Apesar de ser mais fácil viajar, ainda assim isso representaria um aumento na carga de viagens e, para tal, provavelmente precisavam de mexer no número de jogos. Para uma temporada regular em que jogassem todos contra todos o mesmo número de vezes, teriam de fazer um calendário mais reduzido.

Mas já sabemos como isso, não só pelas razões históricas, mas também pelas económicas,  é algo de muito difícil implementação também. Por isso (ou pelo menos tão cedo), esta também não é a solução mais viável.


E depois temos uma terceira hipótese, uma sugerida por Tom Ziller no SB Nation. Uma solução mais simples, que não obriga a mudanças no formato das divisões nem no número de jogos da temporada regular.

Mantém-se o calendário como está (com as equipas agrupadas por divisões e com mais jogos entre equipas de cada divisão e conferência), mas apuram-se para os playoffs as 16 melhores, independentemente da conferência. É claro que esse formato de playoffs podia dar origem a viagens maiores (podíamos ter séries entre equipas de pontas opostas do país), mas isso poderia ser resolvido com a redução (ou até a eliminação) dos jogos da pré-temporada (que servem para muito pouco mesmo). A temporada começava duas ou três semanas antes e podiam ganhar espaço para ter jogos mais espaçados nos playoffs.

O problema da competição entre conferências é um problema complexo e para o qual não há uma solução mágica, mas esta última hipótese era (relativamente) fácil de implementar e seria uma melhoria em relação ao formato e ao desequilíbrio actual. E aquela que, na nossa opinião, a NBA devia considerar seriamente e experimentar. Mark, não queres atirar esta para o ar?