31.12.10

10...9...8...7...

Na contagem decrescente para o final do ano, fiquem com os cestos que bateram a contagem decrescente para o final do jogo em 2010. São os 10 melhores buzzer beaters da temporada passada:


30.12.10

Padecimentos? Quais padecimentos?

Bastaram apenas algumas horas para os Lakers confirmarem o que dizíamos no post anterior. Depois de falarmos sobre toda a tinta que corria sobre os seus padecimentos, a equipa da Califórnia jogou em New Orleans, frente aos Hornets. E ganharam. E jogaram bem. Um jogo foi o que bastou para voltarem a encarrilar.

O que mudou? Andrew Bynum voltou ao cinco inicial. Jogou 30 minutos, marcou 18 pontos (nuns efectivos 8-12 em lançamentos) e apanhou 6 ressaltos. Gasol voltou à sua posição original de power forward e nem teve de fazer um grande jogo porque a vitória foi folgada (11 pts, 12 res, 5 ass e, mais importante, jogou apenas 33 minutos). A defesa interior dos campeões melhorou e dominaram o jogo interior nos dois lados do campo. Marcaram 46 pontos na área pintada (contra 30 dos Hornets), com uma percentagem de lançamento de 77% e ganharam claramente a luta das tabelas (44-24).
Lamar Odom voltou ao seu papel de sexto homem e, como suplente de luxo (foi o melhor marcador da equipa, com 24 pontos), liderou uma segunda unidade que destroçou a segunda unidade dos Hornets.
E Kobe também voltou à sua encarnação de jogador que distribui pelos colegas e não joga sozinho. Fez 20 pontos com poucos lançamentos (8-14) e ainda 4 assistências, em apenas 27 minutos.

A importância de Bynum na equipa de Los Angeles é maior do que apenas os seus números. Para além do espaço que ocupa no meio e de melhorar bastante a defesa interior, liberta Gasol para as suas tarefas naturais frente a power forwards mais pequenos e menos pesados que os postes que é obrigado a enfrentar quando Bynum está de fora. Com Bynum o frontcourt dos Lakers é um dos maiores e mais fortes da NBA. Para além, disso, Odom passa a sair do banco, como principal ameaça duma das melhores segundas unidades da liga, dando um impulso fundamental ao ritmo da equipa. Com Bynum no cinco inicial, tudo está no seu devido lugar nesta equipa.

Parafraseando Mark Twain, parece que as notícias sobre a "morte" dos bi-campeões foram manifestamente exageradas. Um dia depois, tudo está bem no reino dos Lakers.

29.12.10

Dos padecimentos dos Lakers

Já o ouvimos antes: os Lakers não estão a jogar bem e dificilmente vão conseguir ganhar o título. Uma ou duas vezes por ano lá surge esta história. Foi assim em 2008, depois da equipa de Los Angeles ter perdido a final para os Celtics. Em vários momentos da temporada regular ninguém parecia acreditar que voltassem às Finais e ganhassem. Foi assim em 2009. Apesar de não terem concorrência no Oeste, não conseguiriam vencer as Finais se não jogassem como os campeões que eram.

E este ano, depois das exibições mais recentes, eis que voltam as manchetes: os Lakers não se esforçam, não jogam bem, os seus principais jogadores estão a jogar mal, Gasol é mole e Kobe está a ficar velho.

Ser de Los Angeles e bi-campeão tem destas coisas. Primeiro porque estar na cidade dos anjos coloca uma equipa sobre um escrutínio muito maior que nas outras cidades. Os meios de comunicação social de Los Angeles, à excepção dos de Nova Iorque, são os mais duros e exigentes. É o preço de viver na cidade das estrelas. Cada movimento, atitude ou jogo é dissecado até à exaustão.

Depois porque as pessoas têm sempre uma vontade mórbida de ver os melhores a falhar. Quando se está no topo nunca falta quem queira derrubar e nada vende mais que a desgraça da melhor equipa. Quando tudo corre bem, não há história, agora quando algo corre mal, a tinta começa a correr.

Queremos com isto dizer que tudo está bem no reino dos Lakers? Claro que não, são inegáveis as deficiências que têm mostrado nos últimos jogos. Com a lesão de Andrew Bynum, Pau Gasol tem jogado muitos minutos, numa posição que não é a sua e que lhe exige muito mais fisicamente. Como resultado disso, tem-se mostrado mais fatigado e o seu rendimento baixou. De médias de 25 pontos e mais de 12 ressaltos no mês de Novembro, baixou para 17 pontos e 9.5 ressaltos em Dezembro. A percentagem de lançamentos veio por aí abaixo também, de 54% para 47%.

Kobe não está muito acertado também e, ao ver os seus companheiros a baixar o rendimento, está a forçar, a voltar aos seus terrenos familiares do cinco contra um e a não passar a bola. No último jogo, frente aos Spurs, teve um espaço de tempo entre o 3º e o 4º período em que falhou 13 lançamentos seguidos.

Para além disso, depois do início escaldante de jogadores como Shannon Brown, Matt Barnes e Steve Blake, e o contributo destes suplentes foi uma das chaves do sucesso inicial da equipa, o banco não tem rendido o mesmo que no começo da época.

Andrew Bynum, ausente nos dois primeiros meses, já voltou à equipa entretanto, mas ainda está longe da melhor forma e vai-se reintegrando lentamente.

Sim, os Lakers não andam muito bem ultimamente. Mas é razão para soarem os alarmes? Ainda não.

Primeiro porque com Andrew Bynum de volta (assim que ele melhorar a forma), Gasol vai voltar à sua posição original de power forward, vai descansar mais minutos e os seus números vão voltar a subir. E o frontcourt dos Lakers (e a sua defesa) vai ficar mais forte novamente.

E também porque a aparente falta de empenho e motivação vai desaparecer quando os Playoffs começarem. Porque esta é uma equipa veterana, experiente, que tem parecido, a espaços, aborrecida com a temporada regular. Não tiveram oposição no Oeste nos últimos dois anos e parecem desejosos de passar os 82 jogos e começar a jogar os que realmente contam para eles. Estão a fazer a temporada regular em velocidade de cruzeiro, mas quando chegarem os Playoffs vão estar no seu melhor. Lembram-se dos Celtics do ano passado?

28.12.10

É aqui que a magia acontece


O campo. O parquet. The hardwood. Como diziam no MTV Cribs, this is where the magic happens. Semanas de treino, litros de suor, horas de vídeo, dias de estudo, noites em claro, tudo por culpa do que acontece ali durante 48 minutos. Quando vemos os jogos, na televisão, eles estão sempre lá, mas só os vemos aos bocadinhos.

Por isso, os meus amigos da Uniwatch (não sei quem são, mas se tiveram o trabalho de recolher e publicar as imagens de todos os campos da NBA, são nossos amigos) fizeram uma galeria com o desenho de todos os campos da NBA desta temporada. Podem vê-los aqui.

Estes são os meus cinco preferidos:






27.12.10

5297. Adivinham que recorde de Shaq é este?

O (agora) Big Shamrock tem uma carreira invejável, recheada de grandes marcas e grandes números. Rookie do Ano em 93, 2 vezes MVP da temporada regular, quatro títulos de campeão, 3 MVP's das Finais, 15 vezes All Star, 3 MVP's do All Star Game, 2 vezes melhor marcador da NBA, 24846 pontos (5º melhor de sempre) e 13039 ressaltos na carreira. E está cada vez mais perto de mais um recorde: o do jogador com mais lances livres falhados.

Falta-lhe falhar mais 508 lances livres para atingir o recorde de Wilt Chamberlain (5805), algo que, se falhar ao ritmo de sempre, pode ser atingido ainda esta época. E falamos apenas da temporada regular, porque nos Playoffs tem mais 1168 lances livres que não passaram o aro (Wilt tem "apenas" 757).

Para se ter uma ideia do que são mais de 5000 lances livres falhados, aqui ficam alguns números:

- Shaq e Wilt são os únicos dois jogadores da história da NBA que falharam mais de 5000 lances livres;

- são quase 50% mais que qualquer outro jogador da história (à excepção de Chamberlain);

- apenas 68 jogadores na história da NBA e da ABA têm mais de 5000 lances livres TENTADOS;

- Steve Nash falhou 253 lances livres em toda a carreira;

- os 12 melhores lançadores de lances livres de sempre, todos juntos, falharam 4995 (em 45076 tentativas);

Pode, portanto, ser uma época de recorde para Shaq. Não o melhor recorde para ostentar, mas, nas suas palavras, "é a forma de Deus mostrar que ninguém é perfeito." Mesmo no seu pior, é Shaq no seu melhor.

(Uma última curiosidade, para terminar: sabem quantos lançamentos de três pontos marcou O'Neal na sua carreira? Um. Foi em 95-96, quando jogava em Orlando. Por engano, seguramente.)

26.12.10

Lakers-Heat: 1º Round

Quando saiu o calendário dos jogos da temporada 2010-11, um foi logo marcado como imperdível por todos os fãs, jornalistas, jogadores e treinadores: os actuais campeões a receber a equipa mais badalada da offseason, no dia de Natal. Um argumento que nem Hollywood engendraria melhor. E sabemos que é um jogo importante quando Hollywood vem em peso ao Staples Center. Cameron Diaz, Javier Bardem, Kanye West, Snoop Dogg, é escolher a celebridade e ela lá estava, nas primeiras filas.

Não é que um jogo da temporada regular em Dezembro decida alguma coisa, mas é a oportunidade de medir forças e mandar uma mensagem ao adversário. Estas duas equipas querem estar nas Finais em Junho e este pode ser apenas o primeiro duelo de muitos. Pois bem, vitória clara neste primeiro assalto para os Heat.

Num jogo dominado, na primeira parte, pelas defesas, foram os Três Super-Amigos que começaram melhor. Marcaram os primeiros 17 pontos da equipa e a equipa de Miami começou o jogo com um parcial de 13-2. Os Lakers tiveram de correr atrás deles o resto do tempo. E não correram muito.

Ambas as equipas conseguiram, na 1ª parte, parar muitas vezes as primeiras opções dos ataques, mas os Heat fizeram o que os Lakers não conseguiram: rodar a bola, movimentar melhor a bola no ataque e encontrar opções secundárias. A equipa de Los Angeles conseguiu defender decentemente o pick and roll na 1ª parte, mas a ajuda e a rotação defensiva não estiveram lá.
A equipa de Miami conseguiu parar o jogo interior dos Lakers, ora defendendo bem um contra um, ora fazendo dois contra um. E quando isso aconteceu, os Lakers nunca conseguiram encontrar alternativas num ataque pouco móvel e previsível.

Na 2ª parte, os Heat subiram a intensidade defensiva e os Lakers... baixaram. Defenderam pior o pick and roll e já nem as primeiras opções do ataque dos Heat conseguiram parar. Ainda tiveram uns momentos a meio do 3º período, recorrendo a pick and roll's entre Kobe e Gasol, em que conseguiram movimentar melhor a bola e encontrar boas situações de lançamento, mas foi apenas durante um bocadinho.
Os Heat começaram o 4º período a apertar ainda mais na defesa, a tapar muito bem as linhas de passe e a provocar turnovers em três posses de bola consecutivas. Os Lakers voltaram ao mau movimento de bola, a sua defesa continuava a piorar, a diferença chegou aos 21 pontos e o jogo acabou aí.

Melhores na defesa, melhores no ataque, com mais garra e determinação nos dois lados do campo. KO para os Heat.

E Lebron James foi o agressor-mor. Terminou com um triplo-duplo (27 pts, 11 res e 10 ass) e acertou nos lançamentos longos como ainda não tinha feito esta época: 5-6 de 3 pontos. Como dizia Mark Jackson durante a transmissão, "When Lebron's making jumpers, forget it, go home!"

E os Lakers foram. Com uma derrota no sapatinho.



24.12.10

FELIZ N(B)ATAL


O SeteVinteCinco deseja a todos os fãs da NBA um Feliz Natal.
Ah, o Natal, aquela altura do ano em que os jogadores fazem figuras destas:


23.12.10

A primeira chicotada (e as que podem vir já a seguir)

Larry Brown foi a primeira baixa nos bancos da NBA esta temporada. O (agora) ex-treinador dos Bobcats não sobreviveu ao 9-19 com que a equipa de Charlotte começou a época. E pior do que o recorde bastante negativo para uma equipa que a temporada passada foi aos Playoffs, é a forma como têm jogado ultimamente. Sem garra, sem luta, sem organização, com um ataque estagnado e uma defesa inexistente.

Nem tudo isto é culpa de Brown. Aliás, muito disto não será culpa dele. Os Bobcats deixaram escapar dois jogadores do cinco inicial (Raymond Felton e Tyson Chandler) nesta offseason e Brown não terá ficado satisfeito. Pensou mesmo em não regressar esta época, fazendo-o apenas, como o próprio afirmou, por Michael Jordan.
E pelo impacto que esses dois jogadores estão a ter nas suas novas equipas (Knicks e Mavs) podemos ver a falta que fazem em Charlotte.
Para além disso, os jogadores que ficaram pareciam já estar desligados de Brown e o treinador revelava-se impotente para conseguir chegar a eles. Na passada terça-feira, antes do jogo frente aos Thunder (mais uma pesada derrota), Brown desabafou que "nunca pensei estar numa posição em que tivesse de suplicar aos jogadores para se esforçarem", acrescentando que se sentia mal "por alguém que goste de basquetebol ter de ver a nossa equipa jogar". As coisas estavam (estão?) mesmo mal para os lados de North Carolina. Era preciso fazer alguma coisa e o treinador é (quase) sempre o elo mais fraco. Adeus, Brown.

Mas se Brown foi a primeira baixa desta temporada, que outros treinadores podem estar mais perto de se juntar a ele na fila do centro de emprego? Quem pode ser o próximo a ser despedido? Aqui ficam os principais candidatos:

John Kuester - Pistons
Os Pistons continuam atolados na metade inferior da tabela e a remodelação da equipa já tarda. Esta época, Kuester já teve problemas com vários jogadores (Hamilton, Prince, Stuckey) e não parece ter a simpatia de todo o balneário. Das duas, uma: ou esses veteranos saem (uma remodelação que o general manger Joe Dumars já devia ter feito) ou, se Dumars mantiver a confiança neste grupo, Kuester pode ser a próxima baixa.

Scott Skiles - Bucks
A equipa de Milwaukee era uma das que tinha mais expectativas para esta temporada. A época passada terminaram em 6º lugar no Este, apuraram-se para os Playoffs pela primeira vez desde 2006 e eram uma das equipas apontadas como tendo mais margem de progressão. Todos apostavam que iam continuar a subir. Mas o caminho até agora tem sido sempre a descer. Têm o pior ataque da liga e Skiles é um treinador com fama de ser muito duro e saturar os seus jogadores ao fim de algum tempo. Esta é a sua terceira época (embora apenas a segunda completa) e se as coisas não melhorarem, pode ter atingido o seu prazo de validade.

Vinnie Del Negro - Clippers
Um treinador inexperiente numa equipa que continua a desiludir. Este ano acreditava-se que os Clippers podiam competir por um lugar nos Playoffs, mas continuam no mesmo lugar de sempre: no fundo da conferência Oeste. Têm uma boa base para construir uma equipa vencedora e por isso podem dar tempo a Del Negro para o fazer. Mas se não conseguir melhorar os resultados e mostrar que pode ser o treinador dessa equipa no futuro, pode ver a porta da saída.

Lionel Hollins - Grizzlies
Tal como em Los Angeles, também em Memphis tinham muitas expectativas para esta época. Depois de vários anos em modo de reconstrução, com um cinco inicial forte e um banco reforçado este verão, o objectivo era (é) conseguir um lugar nos Playoffs. Mas não estão mais perto de o conseguir que na época passada. Já estão com um recorde negativo (12-17) e a afastar-se dos primeiros oito do Oeste. A questão é se Hollins consegue mantê-los a jogar depois de Abril ou se já os levou o mais longe que conseguia.

22.12.10

All you need is heart


Que outro jogador pode fazer um anúncio sem uma única palavra e ser tão inspirador? Simples e perfeito.


21.12.10

Quem se portou bem e quem se portou mal: as maiores surpresas e desilusões até agora

A época das prendas na NBA só chega em Abril e chama-se Playoffs. Aí, quem se portou bem é recompensado e continua a jogar, enquanto quem se portou mal vai de férias mais cedo. Mas, como se aproxima o Natal, é uma boa altura para fazer um balanço e ver quem se está a portar melhor do que se esperava e quem se está a portar pior do que esperado até agora.


AS SURPRESAS:

San Antonio e Dallas
Ambas estão entre as melhores equipas do Oeste e já se esperava que estivessem na primeira metade da conferência e a lutar pelos primeiros lugares, mas ninguém esperava que estivessem, nesta altura, à frente dos Lakers e a jogar o melhor basquetebol deste lado dos Estados Unidos. Os Spurs estão com o melhor recorde da temporada (24-3, o melhor começo da sua história) e os Mavs vêm logo atrás (22-5). No inicio da época acreditava-se que a equipa de Los Angeles não tinha rival à altura no Oeste e tinha o caminho aberto para mais uma presença nas Finais, mas estas duas equipas querem (e estão a) provar o contrário.

New Orleans
Os Hornets foram a maior surpresa do início da temporada, com um começo de 11-1. Desde aí têm estado em queda livre e perderam 11 dos últimos 16. Passada a euforia inicial estão lentamente a voltar à terra, mas continuam acima daquilo que se esperava (16-12) e, depois duma offseason atribulada e com uma equipa que poucos acreditavam que pudesse chegar aos playoffs, estar com um recorde positivo e em 7º do Oeste é uma surpresa.

New York
Uma semi-surpresa porque, com a entrada de Amare Stoudemire, esperava-se que subissem na hierarquia do Este. Mas talvez não tanto (16-12, 6º do Este). Este recorde poderá também não representar fielmente o valor dos Knicks, pois muitas das suas vitórias foram contra equipas mais fracas e com recordes negativos. De qualquer forma, e tendo em conta que muita gente não acreditava que Stoudemire fosse tão bom sem Steve Nash, estão a surpreender.


AS DESILUSÕES:

Milwaukee
Os Bucks foram uma das supresas da época passada, conseguiram o 6º lugar no Este, foram aos playoffs pela primeira vez desde 2006 e eram apontados como uma das equipas com mais margem de progressão na NBA. Mas em 2010-11 andaram para trás. Estão péssimos no ataque (o pior da liga), as percentagens de lançamento estão paupérrimas e ninguém consegue acertar com o cesto. Se os playoffs comecassem agora, estavam fora (10-16, 9º no Este). A maior desilusão da temporada até agora.

Charlotte
Idem para os Bobcats, à excepção de que não tinham a margem de progressão dos Bucks. Acabaram a temporada regular passada em 7º do Este, com temporadas de superação dos seus principais jogadores. Por isso, não parecia que pudessem ir muito mais longe com este grupo. Ou mantinham o rendimento ou baixavam. E como baixaram. Estão com um ataque quase tão mau como os Bucks e Michael Jordan, o dono da equipa, já teve uma reunião com os jogadores. As coisas não estão bem para estes lados.

Golden State
Começaram bem (7-5 nos primeiros 12 jogos) e a entrada de David Lee e um Biedrins saudável trouxeram melhorias na defesa, nos ressaltos e no jogo interior. Mas desde que Lee esteve 3 jogos de fora com uma lesão no cotovelo, que estão a descer descontroladamente. Já estão 9 jogos abaixo dos 50% (9-18), perderam 13 dos últimos 15 e a irregularidade de jogo de outras épocas está a voltar. Esperava-se que fossem para cima e continuam lá em baixo.

Los Angeles Clippers
O que dizer da outra equipa de Los Angeles? Já vimos esta história em tantas épocas anteriores. Um grupo promissor de jogadores, expectativas mais altas e aspirações de chegar aos playoffs. E como acaba? Com uma equipa sem rumo, desorganizada e no fundo da tabela. Parece haver esperança, no entanto: estão a melhorar (4-4 nos últimos 8 jogos e 3 vitórias consecutivas) e quem tem Blake Griffin tem razões para sorrir.

Phoenix
Com a saída de Amare Stoudemire era difícil imaginar os Suns a repetir a prestação da temporada passada (finalistas da conferência Oeste), mas previa-se melhor do que um começo de 13-14 (9º lugar da conferência). As coisas não estão a correr tão bem como esperado e os próprios Suns reconheceram-no ao mexer na equipa e procurar novas soluções. Sabíamos que iam cair, mas não tanto. Uma semi-desilusão.

Oh Me, Oh My!


Blake ataca de novo:


19.12.10

Boletim de Avaliação - Southeast Division - Magic

No Boletim de Avaliação tenho feito uma análise de todas as movimentações de todas as equipas nesta offseason e como se equiparam para a temporada de 2010-11. A última que fiz foram os Indiana Pacers (a 24ª das 30) e, seguindo a ordem alfabética por divisões, seguiam-se os Milwaukee Bucks. Mas os acontecimentos deste fim de semana obrigam a saltar a ordem e fazer uma edição especial do Boletim de Avaliação. Como ainda não cheguei aos Orlando Magic e já mexeram na equipa que começou a época, vamos fazer uma avaliação a essa equipa com uma adenda às novas aquisições.


Orlando Magic

A outra equipa da Florida começou esta temporada com grandes expectativas. Depois de, em 2009, terem avançado até às Finais e, em 2010, até à final da conferência, os Magic apontavam para o título do Este, uma presença na Final e a luta pelo título. São uma das equipas mais bem sucedidas nas últimas épocas e um dos candidatos ao título. Para esta época mantiveram praticamente o mesmo grupo do ano anterior, apostando na continuidade. Claro que tudo isto mudou este fim de semana, com a remodelação que fizeram.

Entradas / Saídas
Na offseason: saíram Matt Barnes e Adonal Foyle (retirou-se) e entraram Chris Duhon, Quentin Richardson e Daniel Orton (escolha no draft).
Este fim de semana: saíram Rashard Lewis, Vince Carter, Marcin Gortat e Mickael Pietrus e entraram Hedo Turkoglu, Jason Richardson, Gilbert Arenas e Earl Clark.

Frontcourt
Dwight Howard é a âncora da equipa e um dos poucos (o único?) jogadores na NBA capaz de, sozinho, desiquilibrar e influenciar o decorrer dum jogo em ambos os lados do campo. Ressaltador, bloqueador de lançamentos e defensor poderosíssimo, continua a melhorar nos movimentos ofensivos. Não fosse a fraca percentagem nos lances livres e seria imparável.
Os Magic têm jogado este ano com um cinco inicial mais clássico, com um power forward interior e Brandon Bass é o detentor do lugar. Com a saída de Lewis (que jogava muitas vezes como falso 4, um 4 exterior), a aposta é ainda mais nele.
Quentin Richardson, Hedo Turkoglu e Gilbert Arenas (num cinco com 3 bases) são os candidatos a uma posição com muitas opções, dependendo de como os Magic queiram jogar.

Backcourt
Jameer Nelson continua com as rédeas da equipa, mas terá agora mais ajuda nessa tarefa. Em alguns períodos do jogo, tanto Arenas como Turkoglu poderão jogar também como organizadores e distribuidores. O mais novo Richardson da equipa, Jason, será o shooting guard titular e um upgrade em relação a Vince Carter. Carter tem sido irregular desde que chegou aos Magic (e desde sempre?) e jogou bastante mal quando mais importava: nos playoffs da época passada. Richardson era o melhor marcador em Phoenix, um excelente atleta e um temível lançador exterior.

Banco
Eram já uma das equipas mais profundas da liga e ficaram com um backcourt e jogo exterior ainda mais profundos. Arenas poderá sair do banco (como fazia pelos Wizards) e providenciar ataque e pontos à segunda unidade. Uma segunda unidade forte, com Duhon, Turkoglu ou Quentin Richardson e JJ Redick. Onde perderam profundidade foi no frontcourt. Com a saída de Gortat, Howard fica sem um suplente de qualidade para lhe dar minutos de descanso e Daniel Orton terá de desenvolver-se enquanto joga.

Treinador
Stan Van Gundy tem feito um bom trabalho com esta equipa e tem agora um novo desafio: integrar rapidamente os novos elementos e tentar ganhar com esta equipa recém formada. Há já muito trabalho de trás, Turkoglu volta a um sistema que já conhece e Jason Richadson e Arenas são jogadores veteranos que demorarão menos tempo a adaptar-se. Mas a fasquia continua alta: atingir as Finais e lutar pelo título.

Resumo
Na offseason optaram pela continuidade, mas depois dum começo menos bom (estão com o mediano recorde de 16-10), o general manager Otis Smith achou que era altura de mudanças. Com esta remodelação ganham mais opções e versatilidade. Todos os novos jogadores são grandes atiradores que encaixam na perfeição no sistema da equipa. Howard continua a ser a âncora no interior que abre espaço para os jogadores exteriores e este ano tem a ajuda dum Brandon Bass que está a fazer uma boa época. É preciso tempo para ver se a remodelação vai funcionar, mas no papel, parecem estar melhores.

Nota da offseason: 12
Nota das trocas: 14

Aterragem falhada


Só para terminar o tema dos voos, um que não correu tão bem:



E parece que não aprendeu a lição, porque dois dias depois, isto:



15.12.10

Candidato a lançamento do ano


A temporada pode ainda ir no início, mas este será seguramente um dos lançamentos do ano:


E já agora, aproveitando a oportunidade, porque não ver, de múltiplos ângulos, algumas das suas melhores jogadas deste ano:


14.12.10

Quando um miúdo de 13 anos chama um jogador da NBA à razão


Terrence Williams conseguiu aquilo com que milhões de miúdos em todo o mundo sonham: jogar na NBA. Depois duma bem sucedida carreira universitária na Universidade de Louisville, foi a 11ª selecção do draft de 2009 e assinou um contrato de 4 anos com os New Jersey Nets. Chegou onde todos os jogadores de basquetebol desejam chegar. Um sonho tornado realidade.

E, uma vez lá, que fez ele? Primeiro impressionou os companheiros de equipa e treinadores com o seu atleticismo e potencial e deixou muita gente em New Jersey entusiasmada com o seu futuro. Para depois chegar atrasado, várias vezes, a treinos e reuniões da equipa. Uma falta de profissionalismo que lhe custou caro.
Para Avery Johnson (um treinador conhecido pela disciplina que exige aos seus atletas. Não é por acaso que é conhecido como o Pequeno General), Terrence precisava de aprender uma lição. E, assim, tornou-o no primeiro jogador da NBA despromovido para a D-League por motivos disciplinares. Terrence foi enviado para Springfield, para a equipa afiliada dos Nets, os Springfield Armor.


E foi aqui que levou a lição que precisava. O extremo-base dos Nets diz que os três jogos que fez na D-League "foram definitivamente um despertar. Fez-me acordar. Não quero estar aqui e dar-vos as respostas típicas, todos os que voltam dizem a mesma coisa, que aprenderam a lição.
Quando digo que aprendi a minha lição, é sentido. Da forma mais sincera possível. Acordou-me e espero que me ajude na minha carreira a longo prazo."

E o que o fez acordar? Não foi apenas ver-se, de repente, passar de arenas lotadas na NBA para pavilhões pequenos e, muitas vezes, quase vazios. Não foi apenas passar de partilhar o campo com as maiores estrelas do mundo para jogar frente a talentos de segunda linha. Foram sim, as palavras que ouviu de um rapaz de 13 anos.

"Um dos apanha-bolas lá tinha 13 anos", recorda Williams, "no primeiro jogo estava a perguntar-lhe 'Vês a NBA?' e ele disse 'Sim, e tu és um dos jogadores que gosto de ver. Porque é que queres desperdiçar isso?' e eu fiquei 'do que tás a falar?', e ele disse 'Porque é que vais armar-te em bom e chegar atrasado? São as coisas mais simples de controlar! E podes tar na NBA? Eu morria para fazer isso, por isso não o desperdices!'"



Carlos Gonzalez Jr. foi mais tarde entrevistado pela ESPN, onde disse que "apenas lhe disse 'Erraste e não deves sentir-te mal por isso porque és um bom jogador. Tens de aprender com isso.' Se eu fosse a ele não queria estar a jogar cá em baixo, queria estar na NBA." E que conselho lhe daria o jovem Carlos? "Preocupa-te com o que estás a fazer agora. Preocupa-te apenas em jogar. E não tomes as coisas por garantidas."
Palavras sábias. Esperemos que lhes dês ouvidos, Terrence.

13.12.10

O Pai Natal e a NBA


Seja para o fã casual ou para o fã incondicional, receber uma prendinha da NBA nesta quadra festiva que se aproxima é sempre melhor que receber umas meias, não é?
Se querem ideias para oferecer a alguém ou para dizerem discretamente ao namorado/namorada/mãe/pai/avó/tia "vi uma coisa tão gira que gostava tanto de ter...", aqui ficam algumas sugestões:

- podem passar pela loja do blog FreeDarko, onde têm impressões das belas ilustrações do seu mais recente livro, The Undisputed Guide to Pro Basketball History e t-shirts muito catitas.


- se querem um mini-cesto-para-pendurar-na-porta a sério, vejam o SKLZ Pro Mini Hoop.

- para quem gosta de consolas, o NBA Jam já saiu.

- se preferirem a leitura, têm o último livro de Phil Jackson, Journey to the Ring.

- mas se o que querem é vídeos, porque não um destes: Kobe Doing' Work, para seguir todos os movimentos de Bryant ao longo de um jogo, ou More Than a Game, para conhecer ou recordar a história da equipa de liceu de Lebron James.

Agora é escrever as cartas ao Pai Natal e esperar que se tenham portado bem este ano.

12.12.10

Jogadas para todos os gostos


Sexta-feira, 9 de Dezembro, Wells Fargo Center, em Philadelphia. Os Celtics perdem por um frente aos Sixers, com 6.6 segundos para jogar. E Doc Rivers desenhou isto para ganharem o jogo:


Em posses de bola no final do jogo, com o resultado por decidir, muitos treinadores da NBA recorrem a jogadas de isolamento para o seu melhor jogador. Já o vimos dezenas de vezes. Mas o treinador dos Celtics é conhecido por sacar da cartola boas jogadas finais. Originais, surpreendentes e, muitas vezes, para o jogador que a equipa adversária menos espera.

Brian Robb, do blogue Celticshub, fez uma selecção de algumas das melhores jogadas que Rivers já desenhou nestas últimas três temporadas. Podem vê-las aqui.

Para abrir o apetite, destaco esta, onde, com 0.4 segundos para jogar, sem tempo suficiente para receber a bola e armar um lançamento, a equipa de Boston precisava de fazer uma tapinha e Doc Rivers desenhou uma jogada para o jogador menos provável para este tipo de jogadas:


11.12.10

As regras mais valiosas de sempre




4. 3 milhões de dólares. Foi esse o valor que David Booth pagou pelas 13 regras originais de James Naismith. As duas folhas escritas pela mão do inventor do basquetebol foram leiloadas esta sexta-feira e as licitações ultrapassaram todas as expectativas, atingindo um valor duas vezes maior que o esperado.

Que tem isto a ver com a NBA? Tudo. Se estas duas folhas de papel não tivessem sido pregadas na parede dum ginásio de Springfield há 119 anos não existia NBA. E esta foi também uma noite de recorde: foi o valor mais alto alguma vez pago por um objecto de memorabilia desportiva. Go, basketball!

A leiloeira, a Sotheby's, preparou uma brochura janota com a apresentação e a história das 13 Regras que podem ver aqui.

10.12.10

Wade e Lebron: uma união (im)possível?


De volta a South Beach. Os Heat vão com seis vitórias consecutivas e Wade e Lebron parecem estar a jogar melhor juntos. Ao longo dos primeiros 17 jogos, quando a equipa de Miami estava com o sofrível recorde de 9-8, a crítica mais vezes levantada envolvia-os aos dois: eram dois jogadores semelhantes e nunca renderiam o mesmo juntos. Ambos estão habituados a ter a bola nas mãos e o papel de ambos no ataque das suas equipas sempre foi o de jogar um contra um e, das duas uma, ou superiorizar-se aos seus adversários e conseguir marcar ou então, se as defesas contrárias caissem sobre eles, assistir e criar oportunidades para os seus companheiros. Nenhum deles é conhecido por ser lançador nem receptor e tanto um como o outro baseiam a maioria do seu jogo na penetração em drible, algo que só um pode fazer de cada vez. O que foi exactamente o que aconteceu em muitos jogos: atacavam o cesto à vez e o outro ficava a assistir. Esse início da época só reforçou as dúvidas sobre se se anulariam um ao outro.

Nos últimos jogos, no entanto, o panorama mudou um pouco e a resposta à questão "poderão Wade e Lebron jogar juntos de forma eficaz?" parece mais encaminhada que antes para uma resposta positiva.

Mas a propósito desta questão, Zachariah Blott, do Hoops Karma, levanta, neste interessante artigo, outra: Alguma equipa campeã da NBA tinha o problema de similaridade de James e Wade?

Será que alguma equipa alguma vez conseguiu ser campeã dessa forma? Haverá esperança para os Heat?

9.12.10

Super-salto


Faster than a speeding bullet! More powerful than a locomotive! Able to leap tall buildings in a single bound! Este é o início do genérico da série dos anos 50, The Adventures of Superman. E podiam ser as palavras para descrever outro Super-Homem. Também veste um fato azul justo, mas, em vez dum S no peito, tem o número 12.
E, se para a esmagadora maioria dos fãs de basquetebol conseguir saltar suficientemente alto para afundar não passa dum sonho, para Dwight Howard a dificuldade é conseguir saltar apenas o suficiente para não bater com a cabeça na tabela. Como aconteceu neste monstruoso abafo a Luol Deng:


8.12.10

Era uma vez a NBA


6 de Junho de 1946. Os proprietários de várias arenas de hóquei no gelo dos Estados Unidos, procurando novas atracções para as noites mortas nos seus pavilhões, reúnem-se para discutir a criação duma liga profissional de basquetebol, um desporto que tinha sido criado 55 anos antes e ganhava cada vez mais adeptos por todo o país.

Com o final da 2ª Guerra Mundial, a vida nos Estados Unidos voltava à normalidade e os espectáculos desportivos floresciam. Para além do basebol, do hóquei e do futebol americano (os desportos mais populares antes da guerra), o basquetebol universitário via a sua popularidade subir. Isto levou Walter Brown, proprietário dos Boston Bruins da American Hockey League e Al Sutphin, também proprietário duma equipa da AHL em Cleveland, a pensar na criação duma liga de basquetebol.

Nessa época, existiam já algumas ligas espalhadas pelo país e os jogadores que saíam das universidades estavam dispersos por elas. Algumas profissionais, como a National Basketball League e a American Basketball League, e outras semi-profissionais e amadoras, como a Amateur Athletic Union, com equipas de empresas e fábricas. Mas Brown e Sutphin pretendiam tornar a sua liga a maior e melhor do país.

Nessa tarde de Junho, dois anos exactos depois da invasão da Normandia, no Hotel Commodore, em Nova Iorque, é fundada a BAA, Basketball Association of America.
A liga começou com 11 equipas e uma temporada regular com 60 jogos. As equipas pioneiras, divididas em duas conferências (Este e Oeste), foram os Boston Celtics, os Chicago Stags, os Cleveland Rebels, os Detroit Falcons, os New York Knickerbockers, os Philadelphia Warriors, os Pittsburgh Ironmen, os Providence Steamrollers, os Saint Louis Bombers, os Toronto Huskies e os Washington Capitols.

E assim, no dia 1 de Novembro de 1946, em Toronto, os Huskies receberam os Knickerbockers, no primeiro jogo da nova liga:


E, perante 7090 espectadores, Ozzie Schectman, dos Knicks, marcou o primeiro cesto de sempre:



Nessa primeira época, os Washington Capitols, treinados por Red Auerbach, acabaram no primeiro lugar do Este com o melhor recorde da temporada regular, 49-11, mais 10 vitórias que o primeiro do Oeste, os Chicago Stags. No entanto, os Capitols perderam para os Stags nos playoffs e a equipa de Chicago avançou para as Finais frente aos Philadelphia Warriors.
Os Warriors, liderados pelo extremo Joe Fulks (melhor marcador da temporada, com 23.2 pts/jogo, mais de 7 pontos acima do segundo) venceram por 4-1 e tornaram-se os primeiros campeões da história da NBA.

7.12.10

Happy Birthday, Larry


Feliz 54º aniversário!


Quem assiste quem


Os geeks do basquetebol do Hoopism estão de volta com mais um gráfico original. Desta vez é uma representação das assistências por equipa e por jogador. Um gráfico que permite ver as conexões em campo entre colegas de equipa. Basicamente, quem faz assistências e para quem essas assistências são feitas.
A cor das linhas representa quem fez o passe e a sua largura a quantidade de passes para esse jogador. Podemos ver os passes entre todos os jogadores duma equipa:



Ou os passes de um jogador para os seus companheiros:



E podem ver o artigo completo, assim como os gráficos para as 30 equipas da NBA, aqui.

6.12.10

Três pontos para os Heat

Para não dizerem que tenho um preconceito com os Heat e estou sempre a criticá-los e a apontá-los como os vilões desta temporada, aqui fica uma história em sua defesa. E esquecamos o que se passa em campo por um momento, porque aqui falamos de algo mais importante.

Christian Liebert fez 8 anos no dia 22 de Outubro e como prenda de aniversário ia assistir, na sua cidade natal de Tampa, na Florida, a um jogo de pré-epoca entre os Heat e os Magic. Disse aos seus pais que não queria uma festa e tudo o que queria nos seus anos era um bilhete para ver a sua equipa preferida. Os bilhetes estavam comprados desde Junho, antes da Decisão de Lebron, pelo que, quando soube que os seu jogador preferido ia juntar-se aos Heat e ia poder vê-lo ao vivo, a sua excitação ainda aumentou.
O jogo, no entanto, foi cancelado devido ao piso estar escorregadio e Christian voltou para casa a chorar.

Sem saber o que fazer para consolá-lo, a sua mãe escreveu uma carta para a equipa de Miami a contar o sucedido. E esta não caiu em saco roto. Sensibilizados pela carta, ofereceram a Christian e os seus pais uma viagem a Miami para assistir ao jogo frente aos Hawks.

Este Sábado, ele lá estava, sentado na primeira fila. Antes do jogo sentou-se no banco da equipa e tirou fotografias com os jogadores. Christian levou uma camisola dos Heat com o número 6, o de Lebron, e o trabalho escolar que escreveu sobre ele.

Três pontos para os Heat. Desta vez foram heróis.

Queres jogar melhor? Então lê


No post anterior falámos do coração. E se o coração é uma das coisas que distingue um grande jogador dos outros, hoje falamos de outra das qualidades que separa as águas entre os melhores e o resto.

Na NBA abundam os grandes atletas. Podemos mesmo afirmar que para lá jogar há que, obrigatoriamente, ser um grande atleta. E por grande atleta queremos dizer ter molas nos pés, ser rápido que nem um relâmpago ou forte que nem um touro. Os exemplos de jogadores com uma ou mais destas características são inesgotáveis. Queremos também dizer outras características atléticas menos óbvias como a resistência e a durabilidade. A temporada é longa e não é fácil aguentar o ritmo de tantos treinos, jogos e viagens. E também aqui não faltam exemplos.

Mas o que também não falta são exemplos de jogadores que, apesar de serem atletas de eleição, espécimes humanos fora de série, dotados de todas as capacidades para dominar num campo de basquetebol, não o fazem. Ou não o fazem tão bem como outros menos dotados fisicamente.

E depois há, mais raros, os casos de jogadores que, não sendo particularmente rápidos, não saltando muito nem sendo muito fortes, conseguem tornar-se estrelas, All Stars e mesmo Hall of Famers.
John Stockton é um dos que vem à mente imediatamente. Não era especialmente rápido, não saltava muito e com os seus 77 kgs por 1,85m era um peso leve. É verdade que tinha uma resistência e durabilidade invulgares, raramente falhando um jogo ou tendo uma lesão. Jogou durante 19 temporadas e apenas por duas vezes não fez todos os 82 jogos da temporada regular. Em 89-90 falhou 4 jogos e em 97-98, 18. 22 jogos perdidos em 19 anos.

Mas, se a sua durabilidade excepcional lhe permitiu ter uma longa carreira, o que a tornou bem sucedida foi essa outra qualidade que distingue os melhores: a leitura de jogo.
Num mundo de grandes atletas aquilo que faz a diferença é quem percebe melhor o jogo, quem o lê melhor. Quem é mais inteligente e toma as melhores decisões.

Deixo-vos dois bons artigos sobre essa qualidade comum aos melhores de sempre:

Beckley Mason, do Hoopspeak, faz uma análise a essa qualidade intangível que faz toda a diferença.


5.12.10

You can't teach heart


A melhor jogada deste fim de semana não foi um afundanço espectacular (que os houve), nem nenhum lançamento de meio campo em cima da buzina (que também os houve), mas sim esta jogada de Chuck Hayes dos Rockets:


Sim, eu sei que foi apenas a décima melhor para a equipa da NBA.com, mas para mim foi a número um. Porquê? O lendário John Wooden dizia que "you can't teach height" (não se pode ensinar altura). Pois coração e esforço também não se ensinam. Quando falamos de coração, não importa quem é mais alto, quem tem mais técnica ou quem lança melhor. Ter coração é estar disposto a fazer tudo para ajudar a equipa. Saltar para as bancadas atrás duma bola, não desistir quando uma jogada parece perdida ou quando um jogo parece decidido. Ter coração é querer ganhar. É dizer ao adversário "eu quero ganhar este jogo mais do que tu". Coração é aquilo que separa um grande jogador dos outros. Porque, como sabem, no basquetebol o tamanho importa. O tamanho do coração.
Por isso, aqui ficam 10 das melhores jogadas de esforço e coração de sempre:




3.12.10

We are all witnesses (outra vez)


Os fãs de Cleveland voltaram a ser aquilo que foram durante 7 anos e a última coisa que queriam ser nesta noite: testemunhas do talento de Lebron. Ele fez o ritual do pó, dominou o jogo e relembrou dolorosamente aos fãs dos Cavaliers as grandes exibições que fez naquele pavilhão. Os Cavs pouca luta deram e não houve história nenhuma no jogo. Lebron dominou e os outros foram (mais uma vez) testemunhas.



Podem ver o resumo da partida, aqui.

2.12.10

O que devia Lebron fazer, agora a sério



É hoje! Cleveland - Miami (às 01:00, na SportTV). O regresso do (Ex-)Rei.
E aquilo que todos queremos saber é: ele vai fazê-lo ou não?

Shaquille O'Neal é um dos muitos que mal pode esperar para ver. Em entrevista ao USA Today, diz que "quero ver se ele faz aquela coisa do pó".

Lebron preferiu manter a expectativa. "O pó? Provavelmente vou fazer. É um ritual para mim, uma rotina que sempre fiz. (...) Não sei. Vamos ver. Posso mudar. Não sei."
Já Dwayne Wade diz que "se ele não fizer, eu faço por ele."

No balneário dos Celtics, "temos apostado que ele não faz", disse Shaq. Daqui a umas horas vamos descobrir.

Boletim de Avaliação - Central Division - Pacers

Indiana Pacers

Com uma equipa desequilibrada e frequentemente desorganizada em campo, os Pacers procuravam um base que pudesse liderar a equipa. Darren Collison mostrou a época passada, nos Hornets, que poderá ser o seu base por muitos e bons anos. De resto, não mexeram muito mais na equipa. Poderão os Pacers aspirar a subir na hierarquia do Este?

Entradas / Saídas
Saíram Troy Murphy e Luther Head e entraram Darren Collison, Paul George (escolha no draft), Lance Stephenson (escolha no draft) e James Posey.

Frontcourt
Roy Hibbert passou o verão no ginásio, está mais forte e mais atlético e, depois de boas indicações na temporada passada, espera-se que continue a melhorar. O power forward Josh McRoberts é outro jogador atlético que pode melhorar a defesa e os ressaltos dos Pacers.
Danny Granger é a estrela da equipa, mas terá de ser mais regular e melhorar a sua defesa para a equipa de Indiana ser uma ameaça no Este.

Backcourt
Collison foi a grande aquisição da offseason e a esperança dos Pacers para estabilizarem numa posição fundamental. Bom lançador, marcador de pontos e distribuidor, foi a surpresa da temporada passada, com médias de 18.8 pts e 9.1 ass nos 37 jogos em que substituiu o lesionado Chris Paul como titular. Esta época terá de mostrar que tem qualidade para ser titular na NBA e consegue manter essa produção durante um ano inteiro.
O shooting guard é outra posição que precisam de estabilizar. Brandon Rush é mais talentoso e Mike Dunleavy mais regular. A consistência de Rush (que ainda não provou todo o seu potencial) é uma das chaves da época.

Banco
Dunleavy, James Posey, TJ Ford, Danhtay Jones, Tyler Hansbrough, Jeff Foster e AJ Price. Jogadores que podem contribuir na defesa (Jones, Posey, Foster), nos lançamentos exteriores (Posey, Dunleavy), no apoio a Collison (Ford e Price) e nos ressaltos e jogo interior (Hansbrough, Foster). Não é um banco extraordinário, mas tem vários jogadores úteis e que podem ajudar em várias áreas. Como se espera de qualquer banco. Não é, no entanto, o banco mais regular e fiável também.

Treinador
Jim O'Brien é um treinador do meio da tabela. Com 30 anos de experiência ao nível universitário e profissional, é por aí que as suas equipas na NBA andam habitualmente. Nunca treinou nenhuma equipa no topo e o objectivo desta equipa também não é mais do que conseguir chegar aos playoffs.

Resumo
As mudanças a nível do plantel não foram muitas e os jogadores escolhidos no draft não parecem prontos para contribuir imediatamente. Mas as mudanças em campo terão de ser muitas se querem ficar nos primeiros oito da conferência. Collison foi uma boa notícia para os fãs dos Pacers, mas é apenas o começo do trabalho que têm a fazer. Um bom começo no entanto. E para o ano ainda têm dinheiro para gastar na free agency, por isso podem estar no bom caminho. Vamos ver como se portam dentro de campo.

Nota: 12


(próximo: Central Division - Milwaukee Bucks)

1.12.10

Mais Pau, mais vitórias


Kobe disse-o no início da época. Os Lakers tinham "muita sorte por ter dois tipos que conseguem quebrar o momentum, eu e o Pau. (...) Podemos ir para ele, sempre que precisamos de um cesto vamos para ele, ele está sempre lá." E Kobe disse mais. Na entrevista a Adrian Wojnarowski, afirmou que quando um colega está a jogar melhor, "deixa-o ir, deixa-o aproveitar isso. Nos meus tempos de jovem nunca pensaria nisso." Era oficial e assumido pelo próprio: os Lakers já não eram apenas a equipa de Kobe. Eram a equipa de Kobe e Pau. E dos outros jogadores. Uma equipa.

Um Kobe disposto a partilhar a bola e os louros com todos os companheiros eram más notícias para os adversários. E o início de temporada dos Lakers demonstrou isso mesmo. Um Kobe a forçar menos lançamentos, a deferir mais para os seus colegas e um Pau Gasol mais envolvido no ataque, a receber mais bolas a poste baixo e a ser mais vezes o iniciador e ponto central do ataque. Nos primeiros oito jogos (8 vitórias da equipa de Los Angeles), Pau teve mais lançamentos tentados que Kobe em sete deles. Gasol foi o MVP dos Lakers nesse início invicto e os Lakers, a continuar assim, pareciam imbatíveis e a caminho do threepeat.

Daí para cá, nos últimos dez jogos, Kobe tentou mais lançamentos que Gasol em todos eles. E os Lakers tiveram um saldo de 5-5 nessa dezena de partidas.

Neste artigo para o Planeta Basket já falei sobre as vantagens para os Lakers em jogar mais com Gasol. O espanhol é, segundo o próprio Phil Jackson, um jogador perfeito para jogar na posição interior do triângulo ofensivo e, sem ele, o ataque dos californianos fica mais previsível e unidimensional.

Kobe a forçar lançamentos e a atirar triplos com defesas em cima não é a melhor receita para o sucesso da equipa de Los Angeles. Voltem a pôr a bola no Pau. Com mais Pau, mais vitórias.

30.11.10

Os 10 melhores documentários de Basquetebol


Para a quadra festiva que se aproxima, a DimeMag dá-nos dez alternativas ao Sozinho em Casa e ao Música no Coração:


- Gunning For That #1 Spot (de Adam Yauch, dos Beastie Boys; acompanha oito jogadores de liceu All-American; alguns deles, como Tyreke Evans ou Michael Beasley, tornaram-se estrelas da NBA)

- Winning Time: Reggie Miller vs The New York Knicks (da série 30 for 30, da ESPN; sobre a rivalidade de Reggie Miller com os Knicks - e Spike Lee - nos anos 90)

- Soul in The Hole (documentário que acompanha uma equipa nova-iorquina, os Kenny's Kings, durante um verão, nas Summer Leagues)

-Magic and Bird: A Courtship of Rivals (a história de rivalidade entre Magic Johnson e Larry Bird, desde os tempos da universidade até à NBA; a história de dois dos melhores jogadores de sempre e da rivalidade Lakers-Celtics dos anos 80)

- Without Bias (da série 30 for 30 da ESPN, é a história de Len Bias, o jogador escolhido no nº 2 do draft de 1986; era apontado como uma futura estrela da NBA e comparado, na altura, a jogadores como Michael Jordan, mas faleceu no dia a seguir ao draft e nunca chegou a jogar na NBA)

- More Than a Game (o documentário sobre a equipa de liceu de Lebron James)

- Hooked: The Legend of Demetrius "Hook" Mitchell (a história de Demetrius Mitchell, supostamente um dos melhores jogadores dos playgrounds americanos de sempre)

- Through the Fire (acompanha Sebastian Telfair no seu último ano no liceu; Telfair era o melhor jogador de liceu dos Estados Unidos, apontado como futura estrela da NBA)

- No Crossover: The Trial of Allen Iverson (da série 30 for 30 da ESPN; a noite de 14 de Fevereiro de 1993 mudou a vida de Allen Iverson, quando se envolveu numa rixa num clube de bowling que acabou com a morte de um rapaz)

- Hoop Dreams (um trabalho épico que acompanha o percurso, e os sonhos de chegar a profissional, de dois miúdos americanos durante 5 anos de liceu)


Vejam aqui o artigo com a descrição mais detalhada de cada um dos filmes e escolham o vosso favorito. Ou, melhor ainda, vejam-nos a todos.

29.11.10

Mais um afundanço para poster


Caso tenham perdido no meio de toda a acção deste Domingo, senhoras e senhores, Russell Westbrook:


Aliens na NBA?


O que temos quando juntamos dois geeks da informática e basquetebol? Formas de apresentação estatística tão originais como esta:




Jason e Matt são irmãos e no seu blog Hoopism procuram novas formas de tratamento e apresentação de dados estatísticos. Nesta tentaram fazer corresponder categorias estatísticas a atributos físicos (mais desarmes de lançamentos correspondem a braços maiores, mais pontos correspondem a uma cabeça maior, as mãos correspondem aos roubos de bola, a boca às faltas técnicas, etc).

Vejam a fórmula completa aqui e a apresentação completa dos bonecos de cada jogador (da temporada passada), aqui.

27.11.10

Uma história sem twist no final


Era assim que todos os jogadores da NBA (e do mundo) gostavam que acabassem todas as histórias em campo. Torcer um pé a jogar basquetebol é uma história tão antiga como a história do próprio jogo e as entorses nos tornozelos são a lesão mais comum na NBA e no basquetebol em todo o mundo.
Por isso, quando uma marca diz que desenvolveu uns ténis que os previnem, merecem a nossa atenção.

Quem o afirma é a Ektio, uma nova marca de calçado para basquetebol, pensada especificamente para prevenir os entorses e lesões nos tornozelos. A apresentação contou com a presença e apadrinhamento de John Starks, ex-jogador dos Knicks.




26.11.10

O que devia Lebron fazer, parte 3


Primeiro foi o anúncio de Lebron, depois a resposta dos fãs de Cleveland e agora é a vez da mistura com um anúncio de Michael Jordan:



Parece mesmo que as palavras de His Airness foram feitas para Lebron, não parece?

25.11.10

Podemos falar da NBA? Yes we can!


Até o líder do mundo livre discute a situação dos Heat:


E se tivéssemos um presidente que gosta de basquetebol? Imaginam o nosso venerável e respeitável professor Cavaco Silva a discorrer sobre o início menos bom do Benfica na LPB? Isso é que era!

24.11.10

Kobe e MJ



No início da sua carreira, um Kobe Bryant ainda adolescente e obcecado com a ideia de ser o melhor recebeu, do nada, um telefonema que, diz, lhe mudou a vida.
Do outro lado da linha estava MJ, que viu nele o seu próprio génio obsessivo e a vontade desesperada de ser o melhor. MJ notou que, como ele, Bryant era muitas vezes incompreendido e criticado pelas suas atitudes e decidiu ligar-lhe para o aconselhar. Kobe recorda que "ele reparou que eu ouvia muita m&#%" por ser diferente" e começou a visitá-lo. Passaram depois horas e horas a conversar no seu rancho Neverland. Sim, Neverland.
Foi assim que Kobe recebeu valiosos conselhos do mais improvável dos MJs. Não Michael Jordan, não Magic Johnson, mas sim Michael Jackson.

Esta é apenas uma das curiosidades da longa entrevista que Kobe deu a Adrian Wojnarowski, da Yahoo Sports. Um retrato da sua personalidade determinada ao ponto da obsessão e do seu crescimento como jogador e como companheiro de equipa.

São tantas as citações que podia colocar aqui, tantos os comentários relevantes, tantas as frases que podia destacar que o melhor é irem ler tudo. Se não tiverem tempo agora, se o patrão já está a espreitar para ver o que estão a fazer ou o jantar já está a arrefecer, guardem, imprimam ou mandem para o mail e leiam depois. Mas leiam. Vale a pena.