30.4.13

E os jogos "psicológicos" dos Warriors


Hoje é dia de jogos "psicológicos". Tom Thibodeau recorreu à graxa (ao árbitro). Já os Warriors recorreram à pressão dos pares e à humilhação pública (para convencer uns fãs a vestir as suas t-shirts):


Os jogos "psicológicos" de Tom Thibodeau


Dar graxa ao árbitro se calhar não vai resultar, mas não custa tentar, não é? Um momento hilariante do treinador dos Bulls:

(via André Miranda)

29.4.13

CONTRA-ATAQUE - A lesão de Westbrook


Como sabem, à segunda temos nova coluna e novo colaborador (se ainda não sabem e perderam a estreia do Pedro Silva na passada segunda feira, podem ver o primeiro Contra-Ataque aqui). Hoje, o Pedro contra-ataca com a sua opinião sobre a lesão de Russell Westbrook e o que esta significa para os Thunder, para os playoffs de 2013 e para a NBA:




A infeliz (mas, ao contrário do que alguns disseram, totalmente casual) lesão de Russell Westbrook levanta uma série de questões pertinentes, para os Thunder, para os playoffs e para a liga.

Uma questão que para mim continua com a mesma resposta é a do campeão. Sinceramente, com ou sem Westbrook, não vejo como qualquer equipa da NBA este ano se vá propor a ganhar quatro jogos em sete a estes Miami Heat. Ainda assim, os Thunder eram a melhor aposta para pelo menos tornar a final bem disputada. Por outro lado, lá por termos uma ideia de como será o final da história, não quer dizer que o caminho até lá não continue a ser interessante, sendo que provavelmente até ficou mais.

Para os Thunder, a coisa ficou mais feia. A equipa vai provavelmente seguir em frente na primeira ronda, depois de se ter safado nos jogos 2 e 3. Completando o "sweep" ou tendo de ir a quinto jogo, estará na semi-final de conferência.

Para OKC, a ausência de Westbrook significa várias coisas. A primeira e mais óbvia é a confirmação de que o homem afinal é humano e não um cyborg, já que o jogo de Sábado foi o primeiro que falhou na carreira, entre 394 consecutivos na época regular, 45 de playoffs, todo o percurso universitário em UCLA e, diz o próprio, o tempo de liceu.

A nível prático, é relativamente previsível o que vai acontecer - Mais Durant (não necessariamente mais minutos, já que Durant foi o segundo jogador da liga com mais minutos disputados, embora os 47 que esteve em campo no jogo 3 possam ser preocupantes - sobretudo quando Scott Brooks não o descansou quando a equipa estava a ganhar por 26 pontos no segundo período...). Para os apreciadores de perfomances individuais, vamos ver KD fazer jogos com altas pontuações no futuro próximo, já que se torna quase a única opção ofensiva consistente dos Thunder. Sem Westbrook, Scott Brooks vai ter que colocar mais minutos em Reggie Jackson (o que não é necessariamente mau), Derek Fisher (o que roça o catastrófico para os Thunder) e Kevin Martin (que escusa de ter maiores responsabilidades - é um jogador que faz os seus pontos com eficiência, mas não é capaz de criar o próprio lançamento e é um cone laranja na defesa).

Talvez mais interessante do que o que acontece aos Thunder sem Westbrook é o que acontece à conferência de Oeste sem Westbrook. Embora ninguém garantisse que seria Oklahoma City a ganhar o direito de ser vice-campeão da NBA disputar a final com Miami, os Thunder seriam o mais forte candidato. Assim, qualquer das 6 equipas ainda vivas (Lakers estão oficialmente fora, os Rockets estão a caminho de os acompanhar) têm legítimas hipóteses de se sagrar campeão do Oeste.
Pessoalmente, acho que quem sobreviver da série Clippers vs Grizzlies (série fascinante, embora nem sempre tão "espectacular" como a dos Warriors vs Nuggets) deverá ser ligeiramente favorito contra os Thunder, ainda que Oklahoma tenha sempre a vantagem de casa. Os Spurs, que aproveitam o merecido tempo livre após correrem com os Lakers, podem ser os grandes beneficiados do joelho estragado de RWB.

Finalmente, talvez seja tempo de a NBA reconsiderar a sua programação de 82 jogos de época regular. O excesso de lesões importantes (Galinari, Kobe Bryant, Rose, Rondo, David Lee, Kevin Love, Stoudemire, Granger, Westbrook - sendo que há ainda jogadores como Curry e Noah, que têm jogado debilitados) faz-me achar que era boa altura para cortar 10 ou 12 jogos ao calendário (até porque olhando para os timmings das lesões de Kobe, Galinari, Lee e Westbrook, bem como a de Rose na época passada por esta altura, vemos que se deram no final da temporada e com centenas de minutos acumulados). As lesões acontecem e vão continuar a acontecer. Muitas vezes são simplesmente produto de infelicidade e do acaso, mas não há como pelo menos não reflectir se tantos jogos em tão pouco tempo não têm um papel importante nestes casos que acabam por decidir campeonatos...


Pedro Silva
Autor do Na Desportiva
Escreve aqui às 2ªs

28.4.13

O presente em Oklahoma City


Com os Thunder ainda a recuperar do choque, Russell Westbrook foi ontem operado ao joelho e, como já se sabia, não joga mais esta temporada. E com isso, os playoffs da NBA levaram uma reviravolta de todo o tamanho. Não só as conferências de imprensa dos Thunder vão ficar muito mais enfadonhas e não vamos ter mais imagens destas...




... como o reencontro de Miami e Oklahoma City (nas Finais mais esperadas) fica mais longe de acontecer. Porque por muitas saudades que possamos vir a ter deste colorido nas conferências de imprensa dos Thunder, eles vão ter ainda mais saudades do jogo do seu base.

Westbrook pode muitas vezes ser criticado pelo seu exagero em jogadas de 1x1 e por não beneficiar a movimentação da bola no ataque dos Thunder, mas ninguém pode acreditar que esse ataque vai ser melhor sem ele.

Westbrook tem uma percentagem de utilização de posses de bola (usage rate) de 32.8% (primeiro na equipa, à frente dos 29.8% de Durant), o que quer dizer que um terço dos ataques da equipa terminavam com Westbrook a lançar, a perder a bola ou ir para a linha de lance livre. Sim, o facto dele lançar mais e usar mais posses de bola que Durant é uma das críticas recorrentes e algumas dessas posses de bola serão agora para Durant, mas vão sentir a falta de Westbrook em muitas delas. 

Ele podia exagerar em algumas ocasiões e levar o seu estilo de jogo longe demais, mas a verdade é que os Thunder precisavam que ele jogasse assim. Pois, para além de Durant, não têm mais ninguém tão explosivo e desequilibrador no 1x1. Westbrook marca 29.5% dos pontos da equipa (KD marca 32.9%) e embora Durant possa compensar alguns desses pontos, vão ter dificuldades em encontrar alguém para compensar os restantes.

Como já referimos aqui anteriormente, os jogadores interiores (Ibaka, Perkins, Collison) não são jogadores capazes de jogar 1x1 e ser uma ameaça ofensiva a poste baixo. Não são jogadores capazes de criar o seu próprio lançamento e a maioria dos seus pontos resultam de assistências e ressaltos ofensivos. Mesmo Kevin Martin (o terceiro melhor marcador da equipa) é mais um atirador que um criador. E para isso precisam de Westbrook. 

Durant e Westbrook eram os únicos jogadores do cinco inicial capazes de criar o seu próprio lançamento. Agora resta KD. E quanto mais tempo jogarem sem Westbrook, mais dificil se tornará. Porque quanto mais recorrerem às mesmas soluções em séries em que as equipas se enfrentam dia sim dia não, reconhecem o que a equipa adversária quer fazer e se adaptam de jogo para jogo, mais previsível se tornará. Já para não falar também do cansaço extra para Durant (ontem jogou 47:16 e esteve no banco apenas 44 segundos em todo o jogo!). O fardo nos seus ombros vai ser maior e isso pode custar caro mais à frente.


Para além deste papel de catalizador no ataque, também vão sentir a falta de Westbrook do outro lado lado do campo. Não só de forma directa (pela sua defesa), mas também de forma indirecta, pela pressão que ele coloca nos bases adversários no ataque e aquilo que os obriga a trabalhar na defesa. Sem terem de correr atrás de Westbrook na defesa, Chris Paul, Tony Parker, Mike Conley ou Ty Lawson ficam mais frescos e com energia extra para o ataque.

A falta de Russell Westbrook será bastante sentida nos Thunder e a luta a Oeste fica mais em aberto que nunca. E em Oklahoma City podem ter de pensar no futuro (isto é, na próxima temporada) mais cedo do que pensavam.

27.4.13

O futuro em Boston



Depois duma improvável caminhada até às finais de conferência na temporada passada, de levarem os Heat ao limite nessa série e morrerem com a praia das Finais à vista, escrevemos aqui que era, provavelmente, o fim duma era em Boston. Só que os Celtics não estavam ainda prontos para o aceitar.

Como se veio a confirmar, foi de facto a última vez que vimos o Big Three dos Celtics juntos, mas isso não significou o início de uma reconstrução total. Kevin Garnett e Ray Allen eram free agents no fim da temporada e os discursos no fim dessas finais de conferência soaram a despedida. Ray Allen saiu mesmo, para os rivais Heat, mas Garnett renovou por mais 3 anos e Danny Ainge decidiu dar mais uma oportunidade ao núcleo de Garnett, Pierce e Rondo. 

A esses juntou para esta temporada o jovem Jeff Green (que também renovou depois de passar toda a temporada de 2011-12 de fora depois duma operação ao coração), o rookie Jared Sullinger, Courtney Lee e os veteranos Jason Terry e Leandro Barbosa. Era uma equipa mais profunda que a da época passada e que parecia ter dado passos certos tanto para manter a competitividade no presente como para preparar o futuro.

Os Celtics apostavam, portanto, em dar mais uma hipótese a este núcleo. Infelizmente essa janela de  oportunidade fechou-se mais cedo do que esperavam, com a lesão grave de Rajon Rondo em Janeiro. Aí voltámos a dizer que era tempo dos Celtics aceitarem o fim desta era e seguirem em frente. Não teriam hipóteses realistas de lutar pelo título este ano e, com Rondo de fora (pelo menos) até meio da próxima temporada, não eram candidatos ao título nos próximos dois anos. E como Garnett e Pierce não duram ao melhor nível até lá, pensávamos que era melhor começar a pensar no futuro e em construir um novo núcleo para quando Rondo voltasse. Na nossa opinião a temporada dos Celtics estava acabada e esta era também.

Mas, mais uma vez, os Celtics não pareciam ainda dispostos a aceitá-lo. Danny Ainge não deu a temporada por perdida (ou não conseguiu fechar nenhum negócio com Pierce e/ou Garnett), conseguiu Jordan Crawford por praticamente nada (um Leandro Barbosa lesionado para toda a temporada e Jason Collins) e insistiu numa última oportunidade para este grupo.

Mas agora a realidade parece evidente. Os Celtics estão encostados às cordas, à beira da eliminação na primeira ronda dos playoffs e longe de serem candidatos ao título. A temporada está à beira do fim e a reconstrução não deve (não pode?) continuar a ser adiada. Desta offseason não deve passar. Agora, quer os Celtics queiram, quer não, é mesmo o fim desta era.

26.4.13

As melhores bolas do ano


Este foi um ano de afundanços do cacete (e já mostrámos aqui os 10 melhores para a NBA e mais dois que, para nós, lá deviam estar), mas também não faltaram lançamentos e jogadas do caraças. Aqui ficam as 10 melhores jogadas da temporada regular para a NBA: 


24.4.13

X's e O's - O cesto de Chris Paul que deu a vitória aos Clippers


O comentário do Nuno levantou a questão e decidimos analisá-la mais detalhadamente. O cesto de Chris Paul sobre o apito que deu a vitória aos Clippers no segundo jogo da série foi mal defendido pelos Grizzlies ou o mérito é de CP3 por uma grande jogada? Antes de mais, vamos ver como tudo aconteceu:


O Nuno defende a primeira hipótese e afirma que "foi extremamente mal defendido pelos Grizzlies" porque não só Tony Allen não impediu Chris Paul de penetrar pela direita (a sua mão mais forte), como Mike Conley não deixou o Jamal Crawford para vir à ajuda e fechar a penetração de CP3. 

Nós subscrevemos a segunda. Deviam ter impedido CP3 de penetrar pelo lado direito? Sim, mas há mais mérito de Chris Paul na forma como consegue levar a bola para onde queria do que demérito de Tony Allen. O jogador dos Grizzlies queria levar Chris Paul para o lado esquerdo, como podemos ver pela sua posição defensiva quando se aproximou dele (com o pé esquerdo mais avançado e "dando-lhe" o lado esquerdo do campo):


É Chris Paul que, reconhecendo a posição defensiva de Allen e reagindo como mandam os livros e os fundamentos, atacou esse pé mais avançado do defesa (no vídeo, aos 14'', podem ver como Paul ataca o pé mais avançado de Allen no momento certo e exacto, assim que Allen se aproxima mais dele e tenta fechar o lado direito) e fez um arranque em drible para a direita com um timing perfeito:

(para além disso, Allen também não podia forçar/arriscar o contacto, pois não podia fazer falta e dar dois lances livres a Paul para ganhar o jogo; de seguida, enquanto Paul penetra, vemos que Allen continua a tentar corrigir a posição defensiva e impedir Paul de ir para o lado direito, mas simplesmente não conseguiu)

Paul entrou então, como queria, pelo lado direito. Deveria então Mike Conley ter vindo à ajuda? Se o fizesse deixava Jamal Crawford completamente sozinho na linha de três pontos. Para além disso, Paul estava a penetrar para o lado em que os Clippers tinham Blake Griffin no interior e, consequentemente, os Grizzlies tinham lá um defensor:


Por isso, Conley não fez mal em ficar com Crawford. Não só Paul dirigia-se para onde estava outro defensor dos Grizzlies (e não conseguiria penetrar sem oposição), como era melhor um lançamento de dois difícil e contestado do que um lançamento de três sem oposição. 

E não faltou contestação ao lançamento de Paul. Não só tinha Allen ao lado, como teve Darrel Arthur a sair-lhe ao caminho e o pequeno base dos Clippers teve de fazer o lançamento por cima dos dois:



E isto somos nós com tempo para analisar ao pormenor cada segundo da posse de bola. Em campo acontece tudo em alta velocidade e os jogadores têm de reconhecer, agir, reagir e tomar estas decisões em fracções de segundos. E, em função do que estava a acontecer, os jogadores dos Grizzlies não decidiram mal. Mas Chris Paul fez uma grande jogada e um grande lançamento. Mérito de CP3.

23.4.13

NBA Playoffs 2013 - a nossa grelha


Em 2011, começámos com 40, no ano passado chegámos às 90 e este ano passámos as 100 participações no passatempo NBA Playoffs (recebemos 113 participações, para ser mais exacto). Já temos as vossas previsões para a grelha dos playoffs e, como habitualmente, ficam aqui também as nossas:




Agora é esperar pelo fim de Junho (mais coisa menos coisa) para saber quem leva para casa o THE UNDISPUTED GUIDE TO PRO BASKETBALL HISTORY. Boa sorte a todos!

22.4.13

CONTRA-ATAQUE - As escolhas do Pedro Silva


Hoje estreamos uma nova coluna e um novo colaborador no SeteVinteCinco. A partir de hoje abrimos o nosso espaço à opinião do Pedro Silva. O Pedro é formado em Ciências da Comunicação, um apaixonado por basquetebol e autor do blogue Na Desportiva (se nunca leram, recomendo desde já a leitura). E todas as segundas feiras, vai ter aqui uma coluna. 

Como sempre, vão continuar a levar com as minhas opiniões, teorias e tudo o que me parecer interessante/divertido/curioso/imperdível sobre a NBA. E às segundas feiras, vão ter o CONTRA-ATAQUE do Pedro Silva, um espaço onde ele fará os seus destaques da semana, escreverá sobre algum tema que ele pense que eu devia ter destacado ou algum tema que eu tenha abordado, mas sobre o qual ele tenha uma opinião diferente. Todos os dias têm aqui a minha visão pessoal da NBA. E às segundas, o Pedro contra-ataca com a sua. 

Para esta primeira edição do CONTRA-ATAQUE, depois das minhas escolhas para os prémios individuais da temporada regular, o Pedro contra-ataca hoje com as suas:


Viva! Parece que fui convidado para contrapor as opiniões do Márcio ou simplesmente voluntariar as minhas, pelo que começo hoje com as escolhas pessoais para os prémios da NBA. É natural que concordem com alguns e me acusem de cegueira e demência em outras, mas a vida é assim. Posto isto:

MVP - Lebron James (Miami Heat) - Raras são as vezes na Liga em que um jogador é tão dominante que o segundo melhor profissional do mundo na área (que melhorou em quase todos os aspectos em relação à época anterior) não entra sequer na discussão. À entrada para a época, podia ser uma boa oportunidade de Kevin Durant levar o seu próprio MVP, numa tradição tácita da NBA de atribuir também o prestigiado prémio a outros grandes jogadores em épocas que o melhor do mundo estivesse só "muito bem" (por exemplo, quando Charles Barkley foi eleito MVP na temporada 1992/93, não significava que Jordan não fosse ainda o melhor jogador da liga - acabou com média de 32.6 pontos por jogo, mais 7 que os 25.6 de Barkley). Posto isto, Lebron não permitiu que Durant entrasse realmente na discussão, fazendo uma época que pode ser descrita como "brilhante", "ridícula" ou "épica", com máximos de carreira em % de lançamentos de campo e triplo, subindo a sua eficácia para níveis poucas vezes vistos na história do jogo. Tão assombroso quando os seus números foi a simplicidade e facilidade com que James os conseguiu, dominando os jogos quase todos com uma elegância serena e total. 

Rookie do Ano - Damian Lillard (Portland Trailblazers) - Acredito que Anthony Davis vá ter uma carreira melhor que Lillard, quando ambos tiverem no lar da terceira idade com robes multicoloridos a olhar para o que foram os seus anos na NBA. No entanto, vão olhar um para o outro e concordar que na sua época de estreia, Lillard foi o justo rookie do ano. Davis tem tudo para continuar a evoluir e se tornar um dos melhores jogadores defensivos do jogo e uma boa opção de ataque, mas Lillard fez uma época fantástica. Podem não ter noção, mas foi o jogador que mais minutos jogou esta época. Não entre os rookies, de toda a liga. 3166 minutos, mais 48 (um jogo inteiro) que Kevin Durant, segundo na lista. É verdade que os seus robustos números (19.0 pontos por jogo, 6.5 assistências e 3.1 ressaltos) foram, portanto, conseguidos à base de bastante volume e com eficácia discutível, mas foi ainda assim uma revelação, fazendo uma equipa de Portland de talento mediano (e que chegou a começar jogos com 4 rookies no 5 inicial) a fazer uma época acima das suas possibilidades. 

Sexto Homem do Ano - J.R. Smith (NY Knicks) - Sou fã confesso dos Knicks, pelo que sei bem o que é ter J.R. Smith na equipa. Este ano, foi no geral uma experiência muito positiva, com os ocasionais momentos de "JR, AINDA FALTAM 18 SEGUNDOS NO RELÓGIO DE LANÇAMENTO, PORQUE RAIO ESTÁS A LANÇAR DE TRIPLO (E DE TÃO LONGE!) COM DOIS ADVERSÁRIOS EM CIMA?!!?" Ainda assim, o corte drástico de momentos destes resultam em várias coisas louváveis - um merecido prémio para J.R., que foi, quando a mim, ligeiramente melhor que outros candidatos, sobretudo Jamal Crawford e Jarrett Jack - tem números um pouco melhores e mais momentos decisivos; mais eficácia para a equipa dos Knicks e menos cabelos brancos e/ou arrancados para mim. 

Defensor do Ano - Joakim Noah (Chicago Bulls) - No meu blog, acabei por colocar Noah como o Jogador Defensivo do Ano, apesar do derrape pessoal e dos Bulls na recta final da temporada, que não se podem separar dos problemas físicos de Noah, que o estão a afectar até agora nos playoffs. Ainda assim, há casos muito válidos para atribuir o prémio a uma série de outros jogadores, com destaque para Marc Gasol, Tony Allen, Lebron e Larry Sanders. No fim das contas, optei por não penalizar a lesão de Noah e dar o benefício da dúvida a um jogador que ancorou uma defesa dos Bulls que atravessou dificuldades de lesões durante toda a época e teve períodos de excelência alongados. 

Most improved - Greivis Vásquez (New Orleans Hornets) - Outro prémio para o qual não faltam candidatos válidos. O venezuelano Vásquez destaca-se por ter sido o jogador da NBA que mais assistências fez esta temporada em termos absolutos (com 9.0 por jogo, ficou atrás de Chris Paul e Rondo nas médias, mas ninguém passou as 704 totais de Greivis). Numa liga de bases, onde a maioria das equipas tem um point guard de alta qualidade, os números de Vásquez são bastante impressionantes, e ainda mais ficam quando pensamos no plantel dos Hornets e imaginamos que alguém tinha que finalizar as jogadas para a assistência de Vásquez contar. Da época anterior para esta, Vásquez passou de 8.9 pontos, 5.4 assistências e 2.6 ressaltos por jogo para 13.9 ppj, 9.0 assistências e 4.3 ressaltos, tendo apenas subido 8.6 minutos por jogo para o conseguir. 

Treinador do Ano - Erik Spoelstra (Miami Heat) - Mais uma vez, há uma catrefada de legítimos candidatos ao prémio de melhor treinador do ano, incluindo talvez todos os que levaram as suas equipas aos playoffs na conferência de Oeste (excepção feita a Mike D'Antoni). George Karl fez um trabalho brilhante em Denver, Popovich merece o prémio ano sim, ano sim e Kevin McHale e Mark Jackson conseguiram tirar o máximo (e mais um pouco) de plantéis com lacunas e deficiências. Por outro lado, não podemos penalizar Spoelstra por ter uma equipa muito boa. Se assim fosse, o prémio estava aberto apenas aos outros 29 treinadores no início da época. Assim sendo, este é um bom ano para premiar o treinador dos Heat, que conseguiu o melhor registo da liga, alcançou a segunda maior série de vitórias da história da NBA e reconstruiu totalmente o ataque de Miami, criando um sistema ofensivo que coloca Wade e James a jogar mais frequentemente no interior, puxando Bosh para fora e rodeando-os de atiradores como Ray Allen e Battier. Se não ganha este ano, não sei em que ano ganhará. É fácil não gostar dos Heat e é fácil desvalorizar o trabalho de Spoelstra, mas é de facto um bom treinador e merece muito crédito esta temporada.

Pedro Silva

21.4.13

Os prémios da temporada


Ontem tivemos uma bela jornada de abertura dos playoffs e uma que promete (mais) uns playoffs memoráveis. Pela amostra de ontem, a diversão e a emoção parecem garantidas. Mas antes de mergulharmos de cabeça na segunda fase da temporada, vamos às nossas escolhas para os prémios individuais da temporada regular:


MVP - LeBron James - 26.8 pts, 8 res, 7.3 ast, 1.7 rb, 31.6 PER
Aqui não há discussão e a única dúvida é se o jogador dos Heat será o primeiro jogador na história a ser eleito MVP por unanimidade. Nunca ninguém o conseguiu e se calhar LeBron não o vai conseguir (porque há sempre alguém que vota nalgum jogador que não lembra a ninguém), mas o prémio é dele sem qualquer dúvida. Parecia quase imnpossível, mas James teve uma temporada ainda melhor que no ano passado e acabou com máximos de carreira em percentagem de lançamento (56.5%), percentagem de triplos (40.6%), ressaltos e duplos-duplos. E conseguiu tudo isso lançando o mínimo de lançamentos da carreira (17.8/jogo). Foi a temporada mais eficiente da carreira de LeBron e estabeleceu um novo recorde da NBA de Rating de Eficiência, com 32.18. E, nos últimos 40 anos, sabem quantos jogadores tiveram números semelhantes a estes de Lebron? Dois. Larry Bird e Michael Jordan.

Co-Rookies do Ano - Damian Lillard (19 pts, 6.5 ast, 3.1 res, em 38.6 mins/jogo)  e Anthony Davis (13.5 pts, 8.2 res, 1.8 dl, em 28.8 mins/jogo)
Aqui o vencedor não é tão indiscutível como parece (e como a meio da temporada parecia que ia ser). O base dos Blazers teve melhores números individuais nas categorias estatísticas clássicas, mas Anthony Davis, sem muita gente dar por isso, teve uma temporada mais eficaz e com melhores números nas estatísticas avançadas (e não ficou assim tão atrás nas estatísticas clássicas: 13.5 pts, 8.2 res, 1.8 dl). Lillard teve um PER de 16.4 e Davis, 21.7. 
É difícil não premiar o que Lillard fez esta temporada, mas Davis merece também reconhecimento. Lillard jogou mais (mais jogos e mais minutos por jogo) e, por isso, teve uma contribuição total maior, mas Davis teve uma contribuição mais eficaz. E Davis contribui em áreas que não são tão visíveis como as de Lillard. O base dos Blazers, pela posição em que joga, tem mais vezes a bola nas mãos e contribui (e bem!) em pontos e assistências, enquanto o extremo-poste dos Hornets (ou Pelicans?) contribui com ressaltos, defesa e trabalho poucas vezes reconhecido nas áreas interiores. Por isso, por duas contribuições diferentes, mas igualmente importantes, damos o prémio a ambos.

Sexto Homem do Ano - JR Smith - 18.1 pts, 5.3 res, 2.7 ast, 1.3 rb
Não é, muitas vezes, o jogador mais eficaz e a sua selecção de lançamento é capaz de levar qualquer treinador ao desespero. Mas nenhum jogador saído do banco teve números tão bons e nenhum jogador saído do banco foi tão importante para a sua equipa como Smith. Foi em muitos jogos o melhor marcador e o melhor jogador da equipa. Como em épocas anteriores, entrou e contribuiu com muitos pontos, mas esta temporada contribuiu também nos ressaltos (5.3 é o seu máximo de carreira e um número bstante bom para um shooting guard) e na defesa. Há outros candidatos (Jarrett Jack, Jamal Crawford, Kevin Martin), mas todos ficam um pouco atrás de Smith.

Defensor do Ano - Marc Gasol - 7.8 res (5.5 res def), 1 rb, 1.8 dl, 98 Def Rtg
Em Janeiro, esta era uma corrida em aberto. Tinhamos um jogador na frente da corrida (Joakim Noah) e uma mão cheia de perseguidores (Marc Gasol, Tony Allen, LeBron James, Omer Asik, Serge Ibaka, Larry Sanders). Na altura, Noah levava vantagem, pois nenhum jogador fazia tanta diferença na defesa da sua equipa (os Bulls sofriam mais 10 pontos em cada 100 poses de bola quando o francês estava no banco). Mas Noah perdeu uma grande parte da segunda metade da temporada e perdeu terreno na corrida. E a corrida ficou completamente em aberto. 
Porque é sempre mais difícil medir objectivamente as contribuições defensivas de um jogador (pois, para além dos ressaltos defensivos, dos desarmes de lançamento e do roubos de bola, há muitas contribuições que não aparecem na estatística: ajudas, fechos das linhas de passe, penetrações paradas, lançamentos alterados, etc; e o que é mais importante e/ou difícil? Defesa do perímetro ou do interior? Parar os penetradores no cesto ou impedi-los de penetrar?  Ajudar ou defender 1x1?) e este é um dos prémios menos objectivos. Mas a época de Marc Gasol reúne todos os ingredientes para ganhar o prémio: muito bom na defesa 1x1, muito bom nas ajudas e a fechar o meio do campo, bom nos ressaltos e a garantir a posse de bola na tabela defensiva. O mano Gasol mais novo não é o melhor em nenhuma das categorias estatísticas, mas é o que combina melhor todas elas. Não é especialista só numa característica defensiva e faz de tudo um pouco na defesa. E faz bem. 
Podemos argumentar que tem mais ajuda que alguns dos outros candidatos, mas o pilar da melhor defesa do ano e o melhor defensor da melhor defesa do ano merece este prémio.

Most Improved do Ano - Larry Sanders - 3.6 pts, 3.1 res, 1.5 dl em 20111-12 / 9.8 pts, 9.5 res, 2.8 dl em 2012-13
Esta é outra das categorias menos objectivas (provavelmente a mais subjectiva de todas) e onde há sempre muitos candidatos, dependendo de como se olhe para o prémio (para um jogador desconhecido que faz uma temporada de contos de fadas, para um jovem que tem um ano de explosão, para um jogador já consagrado, mas que continua a melhorar o seu jogo, etc). 
Mas há um ano, a maioria dos fãs da NBA nem sabia quem era Larry Sanders. E passar do quase anonimato para candidato a defensor do ano e favorito de muitos fãs, diz muito da temporada do poste dos Bucks. Depois de duas temporadas passadas no banco dos Bucks, Sanders explodiu esta temporada para quase o triplo das suas médias anteriores. Como ele próprio já admitiu, demorou tempo a adaptar-se ao ritmo da NBA e a perceber como defender neste nível (perceber o que podia ou não fazer na defesa e nos contactos). Mas quando percebeu, tornou-se um dos melhores defensores interiores da liga. 
Uma palavra de apreço para Omer Asik, Paul George, Greivis Vasquez e Jrue Holiday pelo salto que deram esta temporada, mas, para nós, o prémio vai para Sanders.

Treinador do Ano - George Karl
Gregg Popovich é um candidato vitalício ao prémio, Tom Thibodeau continua a fazer milagres com uma equipa dos Bulls dizimada por lesões e Erik Spoelstra fez um trabalho notável a gerir os egos da equipa e conseguir encaixar tantas estrelas numa equipa, mas o que George Karl fez com esta equipa dos Nuggets é verdadeiramente fenomenal. 
Karl montou um sistema perfeito para as peças que tem e desenhou um estilo de jogo que maximiza os jogadores que tem à disposição. Numa liga de super-estrelas, Karl levou uma equipa sem uma a 57 vitórias na temporada e ao topo da conferência e este é um prémio mais que merecido.

20.4.13

Who're you taking?


Começou hoje a luta por um destes. Who're you taking?

















Um miúdo numa loja de doces - o vídeo oficial


Ainda a propósito da nossa aventura em Nova Iorque, para quem perdeu a reportagem na NBA TV e na Sport TV:



E aproveito também a oportunidade para agradecer à Sport TV, que tornou tudo isto possível, e à Patrícia, que foi inexcedível na ajuda, acompanhamento e companhia! :) 

19.4.13

Os melhores afundanços da temporada


Um ano em que este afundanço...


... e este...


... não chegam ao top 10 da temporada teve de ser um ano muito bom. Aqui ficam os sempre-agradabilíssimos-de-ver melhores afundanços do ano:


(foi um ano de afundanços do cacete, mas os afundanços do Kidd-Gilchrist e do Bass mereciam estar aqui! Trocava à vontade o 10º, do Ross, e o 9º, do Griffin, por estes dois)

18.4.13

Passatempo NBA Playoffs 2013


"A energia é mais alta, o público é melhor, (...) tudo é melhor. As luzes brilham mais. As pipocas cheiram a fresco, eles não devem usar as mesmas pipocas. Há algo diferente. Quando eles mostram os vídeos durante os jogos, "Playoffs. Brevemente.",  ficas arrepiado." Dwyane Wade não será o único a sentir isto, pois chegámos à altura do ano por que todos esperamos. It's Playoffs time! 

Sábado começa a luta pelo título. E à semelhança dos anos anteriores, vamos realizar o nosso Passatempo dos Playoffs. Tal como em 2011 e 2012, têm de enviar as vossas previsões para os vencedores de TODAS as rondas dos playoffs, da primeira ronda às Finais, e quem acertar em mais rondas, ganha. 

Mas este ano, para efeitos de desempate (se fôr necessário), vamos acrescentar mais uma previsão: para além dos vencedores das rondas, têm também de adivinhar o resultado da ronda (4-0, 4-1, 4-2 ou 4-3 para qual equipa). Assim, se houver dois ou mais de vocês com o mesmo número de rondas certas, o vencedor será a pessoa que tiver acertado mais resultados das rondas.




Aqui fica então a grelha dos playoffs deste ano. Podem enviar as vossas previsões para o nosso email (setevintecinco@gmail.com - e não se esqueçam de indicar o vosso nome e, se fôr diferente, o nome que usam no perfil de facebook ou google, para vos podermos identificar como seguidores do blogue; se ainda não forem, é fazerem-se para participar!) até à meia noite de domingo (hora de Portugal Continental). Boas previsões e boa sorte!



Mais um recorde para terminar


E agora é que terminou mesmo a primeira fase. No primeiro desfecho que faltava, os Lakers não só venceram o sprint final com os Jazz e estão nos playoffs, como ainda conseguiram ultrapassar os Rockets e terminar no 7º lugar do Oeste, algo que há um mês parecia impossível (e conseguiram assim evitar apanhar os Thunder e apanhar antes os Spurs, que está longe de ser um bom emparelhamento, mas pelo menos correm mais à velocidade dos Lakers).

E no outro desfecho que faltava, Stephen Curry bateu mesmo o recorde de Ray Allen e tornou-se o jogador com mais triplos marcados numa temporada, com 272 lançamentos convertidos atrás da linha dos 7,25:



E agora, playoff time! 



(e sim, vamos fazer mais uma edição do nosso habitual passatempo de previsões para os playoffs! Já anuncio os pormenores logo à noite)

17.4.13

Algumas notas (quase) finais


Eis-nos chegados ao fim de mais uma temporada regular. Seis meses depois da bola ao ar nesta época de 2012-13, chegamos hoje ao fim da primeira fase da mesma. E embora o que todos queremos agora é que os playoffs comecem, não faltam razões para não perder esta última jornada. Hoje jogam todas as equipas e temos 15 jogos, mas todos os olhos vão estar em Los Angeles, Memphis e Portland. 

Em Los Angeles e Memphis decide-se a última vaga no Oeste e vamos finalmente saber se esse lugar fica para Lakers ou Jazz. Os Jazz precisam de ganhar em Memphis (com os Grizzlies ainda a lutar pela vantagem casa na primeira ronda com os Clippers) e esperar que os Lakers percam. A equipa de Los Angeles, por sua vez, "só" precisa de ganhar o seu jogo em casa com os Rockets. O que não será fácil contra uma equipa que se perder cai para o 8ª lugar (quem diria, depois de tudo o que aconteceu nesta temporada, os Lakers ainda podem acabar em 7º! Em Los Angeles basicamente luta-se pelo 7º lugar). Por isso, temos final dramático e luta pelos playoffs mesmo, mesmo até ao fim.

E em Portland, Stephen Curry pode obrigar-nos a actualizar a lista de recordes da temporada. Se marcar dois triplos no jogo de hoje, ultrapassa o recorde de Ray Allen de mais triplos marcados numa época (269, em 2005-06). Dois lançamentos convertidos dos 7,25 não é a tarefa mais difícil para Curry, por isso podemos (devemos?) ter um novo recordista (e mais um recorde de triplos esta temporada!).

Mas enquanto esperamos por estes dois desfechos, três destaques neste final de temporada:

- Carmelo Anthony prepara-se para ganhar pela primeira vez na sua carreira o título de Melhor Marcador (Durant disse que não vai jogar hoje, por isso o título está entregue). Depois de passar toda a temporada atrás de Kevin Durant, Carmelo pegou fogo no último mês, entrou numa série de jogos a marcar sempre acima dos 30 pontos (e acima dos 40 em 4 deles) e leva o título para casa.


- Mas se Durantula não renova o título de Melhor marcador, acaba a temporada com uma distinção não menos extraordinária: é apenas o 9º jogador na história com 50-40-90, i.e., mais de 50% nos lançamentos de 2, mais de 40% nos de três e mais de 90% nos lances livres. E lançar tantas vezes como Durant lança e manter estas percentagens é algo muito, muito difícil de conseguir. Não é por acaso que é apenas o terceiro a conseguir estas percentagens a marcar mais de 20 pontos por jogo (os outros são Larry Bird e Dirk Nowitzki).


- E uma última nota de destaque para o regresso T-Mac à NBA, em mais um exemplo de gestão exemplar dos Spurs. Stephen Jackson andava descontente com o seu papel na equipa e com os poucos minutos de utilização e antes que a situação escalasse e pudesse desestabilizar a equipa e perturbar o balneário (Captain Jack nunca foi de comer e calar), decidiram cortar o mal pela raíz e dispensar Jackson. Foi um mal necessário para evitar males maiores no futuro.
E corta para irem buscar McGrady para substituir Jackson. Independentemente do papel que T-Mac terá na equipa (que será reduzido, uns minutos como suplente de Kawhi Leonard), é bom vê-lo de volta à liga. E T-Mac pode finalmente perder a distinção de único-Melhor-Marcador-que-nunca-ganhou-uma-ronda-dos-playoffs.


16.4.13

Um miúdo numa loja de doces


Nestas coisas de experiências únicas, viagens duma vida e realizações de sonhos, é um lugar comum dizer que não há palavras para descrever. Mas temo que as minhas capacidades narrativas e descritivas não sejam suficientes para descrever fielmente a emoção que foram os dias que passei em Nova Iorque. 

Porque foi de emoção pura que se tratou. O jogador, o treinador e o comentador ficaram em casa e em Nova Iorque esteve o fã. Não estava a ver vídeo, não estava a parar o jogo à procura de como um jogador se libertou para um lançamento, não estava a pensar no sistema que a equipa x estava a usar no ataque ou como a equipa y estava a defender, não estava a dissecar a movimentação de um jogador, não estava a analisar o jogo (pronto, o máximo que é possível desligar isso e não pensar nisso quando vemos um jogo), estava apenas a desfrutar de cada momento passado naqueles pavilhões.

E foram tantos e tão bons estes que espero que sejam os primeiros de muitos momentos passados em pavilhões e campos da NBA. Aqui ficam alguns deles e a minha tentativa de partilhar as emoções que vivi em cada um:



A avistar o Barclays Center pela primeira vez, sair do autocarro e pensar: uau, estou mesmo aqui! 
Ali estava, finalmente, à porta de um pavilhão da NBA e, logo para começar, o mais moderno de todos, com uma entrada que mais parece um museu (mas um museu hi-tech):




Depois, já no meu lugar (porta 23, fila 13, lugar 16), minutos antes do jogo, a ouvir o hino (dos Estados Unidos). E pode não ser o nosso, mas, ao ouvir cerca de 20.000 almas a cantá-lo (e depois de vermos tantas vezes este momento na televisão), tentem não ficar arrepiados. Depois do hino, altura para a apresentação da equipa da casa:


Durante o jogo, há tanta coisa a acontecer e tanta coisa para ver (é o marcador com os ecrãs gigantes a passar o jogo, as repetições e vídeos, é o display a toda a volta do pavilhão sempre a passar estatísticas e resultados de outros jogos, é a música a tocar por cima do jogo, o speaker do pavilhão a falar; para não falar que não há um único tempo morto e há algum número musical/atracção/concurso/animação em todos os descontos de tempo e intervalos) que o mais dificil às vezes é não nos distrairmos do jogo. É um circo, um espectáculo de duas horas e meia com um jogo de basquetebol pelo meio.

Mas valia a pena não nos distrairmos, pois perderíamos um belo jogo, por sinal. Como escrevemos nessa noite, foi um jogo renhido, com muitas ausências nos Bulls e nem sempre bem jogado, mas discutido até ao último segundo e que valeu pela emoção.

Depois do jogo ainda tivemos direito a descer até ao campo e tirar umas fotos:


E foi no meio de toda essa emoção que perdi a mochila e fiquei eternamente grato a um fã dos Nets.

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Se não podia ter pedido melhor estreia, a noite seguinte ainda foi melhor, com uma noite especial na Meca do basquetebol. Com direito a assistir na primeira fila ao aquecimento:



E a trocar duas palavras com o Shumpert...

(eh pá, desculpem lá este vídeo, comecei a filmar com o telefone na vertical e quando me apercebi e o virei durante a filmagem, foi pior a emenda que o soneto)


(com direito a dedicatória para o SeteVinteCinco)



... e com o Prigioni:


E, para além do momento especial da homenagem ao intervalo aos campeões de 73...


(e cinco deles têm o nome e o número lá em cima no topo do Garden), ...

... não foi um jogo nada mau também. Desta vez a partir do camarote, tivemos direito a cesto de meio campo do Jason Kidd (este não registei em vídeo, mas aqui fica o oficial):



A cantos de "MVP" dos adeptos dos Knicks pra Carmelo Anthony, depois deste marcar mais um triplo e chegar aos 40 pontos no jogo:



E ainda a adeptos dos Knicks entusiasmados (chamemos-lhe assim e finjamos que o alcool grátis no camarote não teve nada a ver com isso):


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Na terceira e última noite, apesar do cartaz não prometer o melhor jogo, os Bobcats deram luta e tivemos direito a mais um bom jogo. Por esta altura já estava a habituar-me à rotina de ver um jogo todos os dias e parecia-me um dia-a-dia perfeito.

Assim, de volta ao Barclays Center, desta vez, à semelhança do jogo no Garden, com acesso ao aquecimento:


E um olá (do campo, este não conhecemos) do Deron Williams:


Já instalado no camarote com vista para alguns dos melhores Nets de sempre, ...


era hora de mais um jogo. E desta vez filmei o hino:


Mais um bom jogo de basquetebol e ainda assistimos ao momento raro do Reggie Evans acertar  dois lances livres seguidos. Para terminar, a seguir ao jogo recebemos a visita do Teletovic no camarote:


E chegou ao fim a aventura:


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Houve mais. Houve passeios por Nova Iorque, uma visita à loja da NBA, um grupo muito divertido de participantes de outros países e uma equipa de pessoas da NBA que foram os melhores anfitriões do mundo (obrigado Joannitte, Neikelle, Nicolas!). E muitas, tantas recordações. Nestes quatro dias, desliguei a cabeça, abri o coração e fui apenas fã e adepto deste desporto e desta liga extraordinários. Nestes dias, fui um miúdo numa loja de doces. E como um miúdo numa loja de doces, estava... feliz.