Este Domingo começa o Torneio Olímpico de Basquetebol. São 12 países divididos em 2 grupos de 6 (EUA, Argentina, França, Lituânia, Nigéria e Tunísia de um lado e Espanha, Brasil, Russia, China, Grã-Bretanha e Austrália do outro) e os quatro primeiros de cada grupo passam aos quartos de final. E nas 12 selecções que conseguiram passagem para Londres temos, obviamente, muitos jogadores da NBA. Vamos então ver todos os que vão estar na capital inglesa e fazer uma pequena antevisão de todas as selecções, começando por:
Os maiores candidatos ao ouro
EUA
Apesar de todos os ausentes (Dwight Howard, Dwyane Wade, Chris Bosh, Derrick Rose, Blake Griffin) a selecção americana é a maior candidata à medalha de ouro e qualquer coisa menos que isso será um fracasso (e todos os jogadores são obviamente jogadores da NBA). Afinal de contas, os americanos têm os melhores jogadores do mundo e jogadores suficientes para fazer duas ou três selecções. E de uma equipa com LeBron James, Kevin Durant, Kobe Bryant, Carmelo Anthony, Deron Williams e Chris Paul não se pode esperar outra coisa.

Se lhes podemos apontar uma fraqueza será a falta de jogadores interiores (é a area com mais ausências) e verdadeiros postes (apenas têm Tyson Chandler). Esse é o seu ponto menos forte e podem ter dificuldades na defesa contra equipas como Espanha ou Brasil (que têm, respectivamente, Gasol/Gasol/Ibaka e Nene/Splitter/Varejão). Mike Krzyzewski tem recorrido muitas vezes nos jogos de preparação a cincos mais baixos, sem qualquer poste em campo, e vai apostar na velocidade e versatilidade para contornar isso.
Os outros candidatos ao ouro
Espanha
Os espanhóis são os maiores candidatos a disputar a final com os EUA. Da NBA levam Pau Gasol, Marc Gasol, Jose Calderon e Serge Ibaka e têm mais uns quantos ex-NBA (Navarro, Rudy Fernandez e Sergio Rodriguez). Têm o jogo interior mais forte de todas as selecções, este grupo leva muitos anos a jogar juntos e são, juntamente com a Argentina, a selecção com mais experiência em competições internacionais. Com bons jogadores interiores (tanto no ataque na defesa), bons atiradores, excelentes executantes no ataque em meio-campo e com a garra que todos conhecemos, são a única selecção que pode roubar a medalha de ouro aos EUA.
Os candidatos a uma medalha
Argentina
Da NBA levam Manu Ginobili, Luis Scola, Carlos Delfino e Pablo Prigioni (este é tecnicamente da NBA, mas ainda não jogou lá) e têm ainda o ex-NBA Andres Nocioni. São cinco jogadores com talento para fazer frente aos EUA e Espanha, mas o banco não está à altura destes. E dois aspectos não beneficiam os argentinos num torneio como este (de curta duração e com jogos dia sim, dia não): a referida falta de profundidade da equipa e a idade (é a selecção mais velha, com uma média de idades de 33 anos). O talento, a experiência e a garra pode levá-los até ao pódio, mas não chega para mais.
Os que podem entrar na luta por uma medalha
Brasil
Nene Hilário, Tiago Splitter, Anderson Varejão e Leandrinho Barbosa são os quatro brasileiros que jogam na NBA e pela primeira vez vão os quatro jogar pelo Brasil numa grande competição. Juntem a estes Marcelinho Huertas e o treinador argentino Ruben Magnano (que levou a Argentina ao título olímpico em 2004) e os nosso irmãos do outro lado do Atlântico podem ser a surpresa do torneio. Têm jogo interior para causar problemas a qualquer equipa (até mesmo aos EUA) e podem chegar ao pódio.
Os que vão à segunda fase
França
Com muitos jogadores na NBA (desta vez levam Tony Parker, Nicolas Batum, Kevin Seraphin, Ronny Turiaf e Boris Diaw, mais o ex-NBA Mickael Gelabale e o futuro-NBA Nando de Colo), a França entra sempre nas competições internacionais com grandes expectativas, mas desilude sempre. Têm grandes jogadores, têm talento, têm físico, mas nunca têm uma grande equipa como resultado disso (o último Eurobasket foi uma semi-excepção; chegaram à final, mas depois não deram grande luta aos espanhóis).
Este ano, no entanto, acontece o contrário. Sem Joakim Noah e com Tony Parker longe dos 100% devido ao problema no olho (vai jogar de óculos), entram com as expectativas baixas (Tony Parker disse que a preparação não foi a melhor, por isso vão ver o que conseguem fazer). Pode ser que o resultado seja melhor. Mas é mais provável que não e não deve chegar para o pódio.
Russia
Timofey Mosgov, Andrei Kirilenko e o futuro jogador dos Wolves Alexei Shved são os jogadores da NBA que a Russia traz para estes Jogos Olímpicos e contam também com o ex-NBA Victor Khryapa. Os russos são historicamente uma potência do basquetebol europeu e mundial, mas já viram melhores dias. Como sempre, são uma equipa muito organizada e disciplinada (levam já muitos anos a jogar no sistema do treinador americano David Blatt), com jogadores grandes e podem sempre surpreender (como fizeram quando venceram o Eurobasket em 2009). Não deve chegar para sonhar com uma medalha, mas são o wild card do torneio (tanto podem perder logo nos quartos, como chegar a uma medalha).
Lituânia
O país europeu onde o basquetebol é rei tem, da NBA, Jonas Valanciunas (tecnicamente, porque só se vai estrear pelos Raptors na próxima temporada) e Linas Kleiza e ainda o ex-NBA Darius Songaila. À semelhança da Russia, são uma potência histórica, mas esta é uma equipa num limbo de renovação. São uma mistura entre a geração mais velha, experiente e talentosa, mas já muito veterana (Jasikevicius, Songaila, Kaukenas), uma geração intermédia menos talentosa (Pocius, Maciulis, Seibutis) e a nova geração ainda inexperiente e em progressão (Kalnietis, Valanciunas). São bons, mas não o suficiente para aspirar a uma medalha.
Os que vão lutar entre si pela segunda fase
Austrália
Sem Andrew Bogut, da NBA trazem apenas Patty Mills. Têm também o ex-NBA David Andersen, mas o objectivo dos australianos é apenas conseguir o apuramento para a segunda fase. Num grupo onde Espanha, Brasil e Russia devem ficar nos três primeiros lugares, os Aussies vão lutar com a China pelo quarto lugar. Quem vencer o jogo entre as duas equipas fica com o lugar e com o apuramento para os quartos (partindo do princípio que ambas ganham à Grã-Bretanha).
China
Da NBA, actualmente, não têm ninguém (Yi Jianlian era o único chinês na NBA em 2011-12, mas voltou para os Guangdong Tigers este ano), mas têm três jogadores com experiência na liga norte-americana (Jianlian, Wang ZhiZhi e Sun Yue). Nem quando tinham Yao Ming eram uma equipa de topo e esta selecção é pior que nesses tempos. Os 40 (!) jogos de preparação que fizeram para estes Jogos Olímpicos não vão servir para mais do que lutar por esse quarto lugar com a Austrália.
E os outros
Nigéria
Os nigerianos fizeram um brilharete na fase de qualificação com vitórias sobre a Grécia e a Lituânia (esta última com alguma polémica à mistura, pois os gregos acusaram os lituanos de não terem feito tudo para ganhar e, assim, deixar a Grécia de fora dos Jogos) e estar em Londres já é o seu prémio. Têm um jogador da NBA (Al-Farouq Aminu) e um ex-NBA (Ike Diogu), mas é muito pouco para passar da fase de grupos. Os lituanos não vão ser surpreendidos de novo (e se na outra vez não fizeram tudo para ganhar, desta vez vão fazer) e, realisticamente, a Tunísia é a única equipa do seu campeonato.
Como curiosidade, na Nigéria podem ver um jogador que joga em Portugal: Richard Oruche, da Académica.
Tunísia
O mais parecido que os campeões africanos têm com um jogador na NBA é o poste Salah Mejri, que esteve numa Summer League com os Utah Jazz. Actualmente joga na Bélgica (é o único jogador tunisino que joga na Europa). Estar nos Jogos Olímpicos já é uma vitória e se conseguirem ganhar um jogo (contra a Nigéria) já têm o torneio feito.
Grã-Bretanha
E, por último, os anfitriões. Têm Luol Deng, têm também o ex-NBA Pops Mensah-Bonsu, têm mais alguns jogadores em Espanha (Joel Freeland, Robert Archibald, Dan Clark), mas, como vimos no Eurobasket do ano passado, são uma equipa menos que mediana, que só está nos Jogos Olímpicos por ser o país organizador. É uma equipa do campeonato da selecção portuguesa e por muito que todos gostassem de ver a equipa da casa a passar a fase de grupos, isso é praticamente impossível. Os únicos jogos que podem sonhar ganhar são os jogos com a China e a Austrália e se ganharem um desses já fizeram mais do que aquilo que se espera deles.