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13.8.12

Londres 2012 - Um balanço


Estão encerrados os Jogos. E acabaram da melhor maneira, com um grande jogo e uma grande final. Espanha fez o seu melhor jogo destes JO, deu muita luta aos EUA, mas no final, venceu a melhor e mais talentosa selecção.


Os EUA confirmaram o seu (grande) favoritismo e voltam para casa com a sua 14ª medalha de ouro. Como tinhamos dito antes dos JO, qualquer coisa abaixo do ouro era um fracasso e a selecção americana cumpriu. O estilo de jogo pode não ter agradado a todos, mas foi mais que suficiente para dominar a competição e ganhar sem margem para dúvidas. E pelo meio, quebraram uma mão cheia de recordes. Quebraram o recorde de pontos marcados num jogo, bateram o recorde de triplos tentados e marcados, Carmelo Anthony bateu o recorde dos EUA de pontos num jogo, Kevin Durant bateu o recorde de pontos dos EUA num Torneio Olímpico (156; 19.5/jogo) e LeBron James tornou-se o melhor marcador de sempre da selecção americana em JO (273) e completou uma das melhores temporadas individuais de que há memória.

A Espanha não fez um grande torneio, não teve um caminho fácil até esta final e só no jogo de hoje é que confirmou o estatuto de única-equipa-que-podia-ganhar-aos-EUA. Como se esperava, hoje apostaram em explorar a vantagem no jogo interior e colocaram a bola dentro sempre que tiveram oportunidade (ora para jogar 1x1 a partir de poste baixo, ora para libertar os atiradores quando viesse a ajuda). Pau Gasol explorou essa vantagem e fez um grande jogo (24 pts, 8 res e 7 ast), Navarro fez o seu melhor jogo de todo o torneio (21 pts, 4-9 3pts) e hoje mostraram que são a segunda melhor selecção do mundo.

A completar o pódio, aquela que apontámos como o wild card deste torneio: a Russia. Dissemos antes dos JO que eram uma equipa organizada e disciplinada, com jogadores grandes, com bons atiradores e que podiam surpreender (como fizeram quando venceram no Eurobasket em 2007). Dissemos que tanto podiam perder logo nos quartos de final, como chegar às medalhas. Pois revelaram-se uma das melhores e mais regulares equipas (descontando a final, jogaram melhor que Espanha e foram a segunda melhor selecção do torneio) e ficaram a um mau-quarto-período de distância de chegar à final. Mas chegaram às medalhas. Mais especificamente, à sua primeira medalha (desde o fim da União Soviética que não ganhavam uma). O que, para eles, foi tão saboroso como ouro.

Uma palavra ainda para a Argentina e para a geração de ouro do basquetebol das pampas. Chegaram a Londres como a selecção mais velha, com menos profundidade que as outras candidatas e dissemos que o talento, a experiência e a garra podia levá-los ao pódio, mas não chegava para mais. Ficaram a 4 pontos desse pódio, mas para a história fica uma medalha de ouro em Atenas, uma de bronze em Pequim e uma geração irrepetível.

Para encerrar este balanço, fiquem com o nosso cinco ideal deste Torneio Olímpico (e não vamos eleger um cinco típico destas ocasiões - com dois bases, dois extremos e um poste -, pois seria uma injustiça deixar algum destes jogadores de fora. Vamos optar por um cinco menos ortodoxo, com um base, três extremos e um poste. São os cinco melhores jogadores dos JO):

Manu Ginobili
O Michael Jordan das Pampas continua, aos 35 anos, a ser o melhor jogador argentino e um dos melhores shooting guards do mundo. Como habitualmente, fez de tudo um pouco: lançou, penetrou, assistiu, ressaltou, contorceu-se pelas defesas dentro e fez lançamentos e jogadas incríveis. Foi o melhor marcador da sua selecção (e 3º do torneio, com 19.4 pts), o segundo nas assistências (4.1), o melhor nos roubos de bola (13) e o melhor ressaltador (5.3/jogo, 43 no total)! E não falhou um único lance livre em todo o torneio (34 em 34)!

Kevin Durant
Durantula chamou um figo à linha de três pontos da FIBA (52%, 34 em 65). Acabou com a segunda melhor média de pontos do torneio (19.5 pts), como o melhor marcador de pontos totais, como recordista de pontos dos EUA num torneio olímpico (156), como o melhor ressaltador da equipa (5.7) e foi, provavelmente, o melhor jogador da selecção americana. O que diz tudo.

Andrei Kirilenko
AK-47 apareceu rejuvenescido e na forma dos seus melhores anos. Foi a maior razão por que os russos terminaram com uma medalha. Como sempre, fez de tudo em campo (17.5 pts, 7.5 res, 2 rb, 1.8 dl) e foi um dos melhores jogadores deste torneio. 

LeBron James
Foi o segundo melhor jogador dos EUA (e se há dúvidas em relação a isto é para cima, nunca para baixo; ou seja, podemos duvidar se foi o segundo melhor ou o melhor, mas não foi menos que isso). Foi "apenas" o 3º melhor marcador da equipa (13,2 pts), mas foi o primeiro nas assistências (5.6/jogo, 45 no total) e foi muito eficaz e importante em muitos outros aspectos (5.6 res, 1.3 rb, 72% 2pts). Nesta selecção não foi tanto marcador de pontos, mas, com os 2x1 e ajudas defensivas que obrigava as equipas a fazer, foi distribuidor. Mas, de qualquer das maneiras, desequilibrou como sempre. 

Pau Gasol
De longe o melhor e mais regular da selecção espanhola (19.1 pts, 7.6 res, 2.8 ast, 1.1 dl e 5.3 faltas sofridas). Se haviam dúvidas que é um dos melhores, mais versáteis e mais completos jogadores interiores do mundo, neste torneio foram desfeitas. Foi o melhor jogador interior do torneio.

12.8.12

Hoje Temos: EUA x Espanha


Já tivemos um final emocionante esta manhã e a Russia a levar para casa a medalha de bronze. E daqui a uma hora e meia (transmissão em directo na RTP 2), temos o jogo para o ouro. As actuais duas melhores selecções do mundo reeditam a final de Pequim.
Há quatro anos, Espanha deu brava luta e, num jogo equilibrado, perdeu por 11 pontos. Poderão repetir hoje o feito e discutir o jogo com os americanos ou os EUA continuam a dominar e levam o ouro para casa sem dificuldade?




9.8.12

LeBron James - Uma temporada de Rei


Nenhum jogador no mundo provoca reacções tão extremadas como LeBron James. E se a velha máxima que diz que o número de inimigos varia na proporção da nossa importância tem algum fundo de verdade, então James é actualmente o jogador mais importante do mundo, pois a legião de haters é tão grande como a de fãs (ou até mesmo maior). Nenhum jogador desperta tantas paixões e tantos ódios como o extremo dos Miami Heat.

Basta ver pelos comentários aqui no SeteVinteCinco sempre que falamos dele (e já estamos preparados para os comentários deste mesmo post!) que ninguém lhe fica indiferente. Mas essa deve ser a sina dos melhores jogadores do mundo em qualquer desporto (podemos ver o mesmo fenómeno em relação a Cristiano Ronaldo e a Messi, só para referir um exemplo próximo).


Mas, adorem-no ou odeiem-no, LeBron está a fazer uma das melhores temporadas basquetebolísticas de que há memória. Foi MVP da temporada regular da NBA, campeão da NBA, MVP das Finais e está a dois jogos de vencer a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Está a duas vitórias de distância de conseguir um feito que só mais um jogador conseguiu. 

Michael Jordan é, até agora, o único jogador que ganhou, no mesmo ano, o MVP da temporada regular, o título de campeão, o MVP das Finais e o título olímpico (em 92, claro). E LeBron está perto de lhe fazer companhia neste clube estratosférico. 

Juntem a isso a noite de recordes de ontem (conseguiu o primeiro triplo-duplo de sempre numa selecção americana - 11 pts, 14 res e 12 ast; o segundo triplo-duplo de sempre nos JO; o russo Alexei Belov fez 23 pts, 14 res e 10 ast em 1976, contra o Canadá -, igualou o recorde de assistências num jogo da selecção americana, ultrapassou Scottie Pippen e tornou-se o jogador com mais assistências ao serviço dos EUA - 76 - e ultrapassou Charles Barkley no terceiro lugar dos melhores marcadores) e James está a fazer uma temporada sem paralelo.

Adorem-no ou odeiem-no, mas é de tirar o chapéu.

7.8.12

O jogo colectivo (ou a falta dele) dos EUA


Uma das questões mais discutidas ao longo desta primeira semana de torneio olímpico tem sido o défice de jogo colectivo dos EUA. Os jogadores americanos são criticados por serem demasiado individualistas, por recorrerem tantas vezes ao 1x1, por realizarem poucas movimentações ofensivas e lançarem tantos triplos (ou duplos longos) ao fim de um ou dois passes. A opinião que parece generalizar-se é de que os Estados Unidos são tactica e colectivamente fracos e só ganham graças ao superior talento individual dos seus jogadores.

É o que pode parecer à superficie. Mas não é bem assim. Sim, de facto, ganham porque são melhores individualmente. Mas a selecção americana não é tacticamente fraca, apenas não precisa de recorrer a tantas movimentações para marcar. No basquetebol, as equipas recorrem a soluções colectivas e a combinações complexas entre os jogadores porque são obrigadas. Porque contra um adversário com jogadores tão (ou mais) talentosos que os seus, as movimentações simples não são suficientes e têm de passar a níveis mais complexos do jogo. Porque contra jogadores de igual talento e igual capacidade física, não conseguem superiorizar-se em situações simples de jogo (1x1, 2x2) e têm de procurar outras soluções mais elaboradas. 

Se lhes basta um bloqueio simples para o jogador com bola conseguir penetrar ou se lhes basta uma tentativa de penetração e um passe para conseguir um lançamento exterior, porque hão de fazer três bloqueios duplos e 20 passes?

Se Mike Krzyzewski e os jogadores americanos precisassem de recorrer a movimentações mais complexas acham que não seriam capazes de o fazer? Basta ver o que esses mesmos jogadores fazem na NBA (e quanto à capacidade de Krzyzewski, o currículo do homem fala por si) para perceber que sim. No seu campeonato doméstico, contra jogadores de igual talento e equipas de igual qualidade, vemos movimentações muito mais elaboradas, mais trabalho colectivo, muito mais trabalho para receber a bola, para libertar atiradores e para encontrar vantagens.

Eles não são uma selecção tacticamente fraca. Isso seria verdade se não tivessem táctica, usassem uma que não resultasse ou não servisse as características dos seus jogadores. Mas apostarem tanto no 1x1 é exactamente isso: táctica. Não têm falta de táctica, apenas têm uma diferente das outras selecções. Porque têm jogadores diferentes das outras selecções. Jogadores que lhes permitem jogar duma forma que mais nenhuma selecção poderia ou conseguiria. 

Eles não tacticamente fracos. Apenas ainda não encontraram uma selecção que os obrigasse a recorrer a tácticas mais elaboradas. Apenas ainda não precisaram. O objectivo do basquetebol é marcar cesto (e impedir a outra equipa de o fazer). Pois, se o conseguem fazer de forma mais simples que os outros, porque não hão de o fazer?

Mais gifs fresquinhos


O afundanço da noite, cortesia de Russell Westbrook:


E o afundanço-que-não-foi-mas-devia-ter-sido da noite, cortesia de Andre Iguodala:


5.8.12

A receita lituana


Dois dias depois do massacre à Nigéria, os americanos escaparam com uma apertada vitória por 5 pontos sobre a Lituânia e, pela primeira vez neste torneio olímpico, tiveram de suar a sério para ganhar um jogo. Depois dos nigerianos terem mostrado exactamente o que não fazer quando se joga contra os Estados Unidos, os lituanos (que perderam contra a Nigéria no torneio de apuramento para os Jogos) mostraram-nos como se deve jogar contra a selecção americana. 

E se alguma equipa nestes JO quer ter uma chance de ganhar aos EUA, então deve tirar muitas notas do jogo de ontem. Porque se querem ter uma hipótese de os bater, é com a receita que os lituanos deram ontem: com jogo colectivo em ambos os lados do campo. Ninguém é melhor que os americanos a nível individual e em situações de 1x1. E o seu superior talento individual só pode ser contrariado com a força do conjunto.  

Que foi o que os lituanos mostraram. Jogaram como uma unidade, de forma inteligente e com a lição bem estudada. Para evitar os contra-ataques e as ataques rápidos dos EUA, baixaram o ritmo de jogo e fizeram ataques longos. Movimentaram muito (e bem) a bola e não fizeram lançamentos precipitados. Muitos pick and rolls, muitas penetrações e muita rotação da bola. Sempre que Tyson Chandler estava de fora e os EUA jogavam sem um poste (que foi a maior parte do jogo), os lituanos atacaram o cesto. Mas a movimentação não ficava apenas pelo jogador que penetrava e pelo jogador que bloqueava. Os jogadores longe da bola também se movimentavam e ofereciam linhas de passe, tanto com cortes para o cesto e recepções perto deste, como com aberturas para a linha de três pontos, para lançamentos exteriores. 

Terminaram o jogo com 21 assistências (contra 13 dos EUA) e excelentes percentagens de lançamento (63% nos 2pts e 44% nos 3pts). Os jogadores dos EUA são mais atléticos e mais rápidos, mas a execução dos lituanos compensou isso. Mike Krzyzewski chamou-lhe "velocidade de pensamento". "Quando uma equipa tem velocidade em conjunto, é o que faz o nosso desporto tão belo", elogiou o treinador americano. 

Na defesa, também usaram o conjunto para contrapôr ao talento individual dos americanos. Ocuparam o meio do campo, preencheram o garrafão e fizeram boas ajudas e rotações defensivas. Os jogadores do lado contrário da bola estavam sempre na ajuda e prontos a fechar quando havia penetrações. O posicionamento defensivo foi bom e o resultado dessa defesa só não foi melhor porque os americanos são tão talentosos individualmente.

Os lituanos fizeram quase tudo bem. Não fosse o descuido em meia dúzia de posses de bola (terminaram com 23 turnovers e, apesar da maioria deles terem sido provocados pela defesa - os EUA fizeram 17 rb -, tiveram 6 que foram erros não provocados) e tivessem apostado mais em colocar a bola dentro (fizeram-no em várias ocasiões, mas gostávamos que o tivessem feito mais vezes, pois quando o faziam conseguiam boas situações de lançamento e acreditamos que poderiam ter causado mais problemas à defesa americana) e a Lituânia poderia ter saído deste jogo com uma vitória.

Faltou-lhes um bocadinho, mas a receita para aspirar a ganhar aos EUA é esta. A execução por parte dos lituanos pode não ter sido perfeita e mesmo uma execução perfeita da receita pode não garantir a vitória. Mas, se Espanha, Rússia, Argentina ou Brasil querem ter uma hipótese de vencer os EUA, isto é o que têm de fazer.

3.8.12

Uma Nigéria para o livro dos recordes


Comecemos pelo que já todos noticiaram, destacaram e elogiaram do massacre dos EUA à Nigéria:

A selecção americana fez um jogo e um resultado históricos, quebrou o recorde de pontos num jogo nos Jogos Olímpicos (o anterior era 138), conseguiu a maior margem de vitória de uma selecção americana nos JO (a anterior era 68), quebrou o recorde de triplos marcados e tentados num jogo (29 em 46), quebrou o recorde da melhor percentagem de lançamento num jogo (71%!) e Carmelo Anthony quebrou o recorde de pontos marcados por um jogador americano (37 pts em apenas 14:29!, supera os anteriores 31 de Stephon Marbury, mas o recorde dos JO continua a pertencer ao brasileiro Oscar Schmidt, com 55).

Talvez tenham sido as críticas depois do jogo com a Tunísia, talvez tenham sido algumas palavras de Mike Krzyzewski, talvez tenha sido apenas o orgulho dos jogadores. Seja qual fôr a razão, os americanos caíram com tudo em cima da Nigéria e desta vez não tiraram o pé do acelerador.

Depois do jogo contra os campeões africanos, muitos criticaram a postura da equipa dos EUA e acusaram-nos de falta de empenho e até de falta de profissionalismo por jogarem em ritmo de treino e ganharem por "apenas" 47 quando podiam ganhar por 70 ou 80 se jogassem a fundo o jogo todo. Pois neste jogaram sempre em quinta.


Agora a parte que ainda ninguém destacou:

A Nigéria deu uma grande ajuda. Foi um massacre histórico da selecção americana, mas, verdade seja dita, os nigerianos avançaram para o massacre de braços abertos. Ou melhor, de braços abertos no ataque, porque na defesa nem isso fizeram. A diferença deste para o jogo anterior não foi apenas a atitude dos americanos, foi também a atitude dos adversários. Porque desta vez quem jogou de forma displicente e em ritmo de treino foi a outra equipa.

No outro jogo, os EUA jogaram em velocidade de cruzeiro, sem acelerar muito, mas os tunisinos jogaram a sério, de forma inteligente e para perder pela menor diferença possível. Geriram o tempo das posses de bola, seleccionaram bem os lançamentos e tentaram fazer o jogo que mais lhes convinha (ataques longos e sem lançamentos precipitados, para evitar os contra-ataques e o jogo de transição dos americanos).

Já os nigerianos entraram com ataques curtos e precipitados e sem qualquer preocupação defensiva. Era run and gun dos dois lados. E nesse jogo, era óbvio que seriam massacrados. Os EUA tiveram percentagens excelentes de lançamento, mas não tiveram qualquer oposição na maioria deles. Carmelo (e qualquer jogador americano que recebesse a bola no exterior) estava sempre livre, com o defesa a um ou dois metros e com espaço para lançar. 

É claro que estiveram com a mão quente a noite toda (até para um jogador em treino, a lançar sozinho, aquelas percentagens não seriam fáceis de fazer), mas parecia um All Star Game. Quem chegava ao ataque, lançava (porque estava sempre sozinho). Nem sinal de defesa. E com tantos maus ataques e maus lançamentos dos nigerianos, os americanos fizeram mais contra-ataques que nos outros jogos todos juntos.

Sem retirar mérito aos EUA (que fizeram a sua parte, fizeram tudo o que pediam deles e não têm culpa se os outros não os defendem), os nigerianos fizeram tudo para entrar nos livros dos recordes. Pois, conseguiram. Ficarão para sempre na História dos JO. Só que no lado errado.

1.8.12

Este rapaz salta um bocadinho


O fim do jogo ainda está fresquinho (e sobre ele não há muito a dizer, uns EUA em ritmo de treino cilindraram naturalmente a Tunísia e deu para Anthony Davis se mostrar ao mundo), mas já temos o gif de um dos seus melhores momentos. Para ver uma e outra e outra e outra vez:


31.7.12

29.7.12

Let the games begin!


Este Domingo começa o Torneio Olímpico de Basquetebol. São 12 países divididos em 2 grupos de 6 (EUA, Argentina, França, Lituânia, Nigéria e Tunísia de um lado e Espanha, Brasil, Russia, China, Grã-Bretanha e Austrália do outro) e os quatro primeiros de cada grupo passam aos quartos de final. E nas 12 selecções que conseguiram passagem para Londres temos, obviamente, muitos jogadores da NBA. Vamos então ver todos os que vão estar na capital inglesa e fazer uma pequena antevisão de todas as selecções, começando por:


Os maiores candidatos ao ouro

EUA
Apesar de todos os ausentes (Dwight Howard, Dwyane Wade, Chris Bosh, Derrick Rose, Blake Griffin) a selecção americana é a maior candidata à medalha de ouro e qualquer coisa menos que isso será um fracasso (e todos os jogadores são obviamente jogadores da NBA). Afinal de contas, os americanos têm os melhores jogadores do mundo e jogadores suficientes para fazer duas ou três selecções. E de uma equipa com LeBron James, Kevin Durant, Kobe Bryant, Carmelo Anthony, Deron Williams e Chris Paul não se pode esperar outra coisa. 


Se lhes podemos apontar uma fraqueza será a falta de jogadores interiores (é a area com mais ausências) e verdadeiros postes (apenas têm Tyson Chandler). Esse é o seu ponto menos forte e podem ter dificuldades na defesa contra equipas como Espanha ou Brasil (que têm, respectivamente, Gasol/Gasol/Ibaka e Nene/Splitter/Varejão). Mike Krzyzewski tem recorrido muitas vezes nos jogos de preparação a cincos mais baixos, sem qualquer poste em campo, e vai apostar na velocidade e versatilidade para contornar isso. 


Os outros candidatos ao ouro

Espanha
Os espanhóis são os maiores candidatos a disputar a final com os EUA. Da NBA levam Pau Gasol, Marc Gasol, Jose Calderon e Serge Ibaka e têm mais uns quantos ex-NBA (Navarro, Rudy Fernandez e Sergio Rodriguez). Têm o jogo interior mais forte de todas as selecções, este grupo leva muitos anos a jogar juntos e são, juntamente com a Argentina, a selecção com mais experiência em competições internacionais. Com bons jogadores interiores (tanto no ataque na defesa), bons atiradores, excelentes executantes no ataque em meio-campo e com a garra que todos conhecemos, são a única selecção que pode roubar a medalha de ouro aos EUA.



Os candidatos a uma medalha 

Argentina
Da NBA levam Manu Ginobili, Luis Scola, Carlos Delfino e Pablo Prigioni (este é tecnicamente da NBA, mas ainda não jogou lá) e têm ainda o ex-NBA Andres Nocioni. São cinco jogadores com talento para fazer frente aos EUA e Espanha, mas o banco não está à altura destes. E dois aspectos não beneficiam os argentinos num torneio como este (de curta duração e com jogos dia sim, dia não): a referida falta de profundidade da equipa e a idade (é a selecção mais velha, com uma média de idades de 33 anos). O talento, a experiência e a garra pode levá-los até ao pódio, mas não chega para mais.



Os que podem entrar na luta por uma medalha

Brasil
Nene Hilário, Tiago Splitter, Anderson Varejão e Leandrinho Barbosa são os quatro brasileiros que jogam na NBA e pela primeira vez vão os quatro jogar pelo Brasil numa grande competição. Juntem a estes Marcelinho Huertas e o treinador argentino Ruben Magnano (que levou a Argentina ao título olímpico em 2004) e os nosso irmãos do outro lado do Atlântico podem ser a surpresa do torneio. Têm jogo interior para causar problemas a qualquer equipa (até mesmo aos EUA) e podem chegar ao pódio.


Os que vão à segunda fase

França
Com muitos jogadores na NBA (desta vez levam Tony Parker, Nicolas Batum, Kevin Seraphin, Ronny Turiaf e Boris Diaw, mais o ex-NBA Mickael Gelabale e o futuro-NBA Nando de Colo), a França entra sempre nas competições internacionais com grandes expectativas, mas desilude sempre. Têm grandes jogadores, têm talento, têm físico, mas nunca têm uma grande equipa como resultado disso (o último Eurobasket foi uma semi-excepção; chegaram à final, mas depois não deram grande luta aos espanhóis). 
Este ano, no entanto, acontece o contrário. Sem Joakim Noah e com Tony Parker longe dos 100% devido ao problema no olho (vai jogar de óculos), entram com as expectativas baixas (Tony Parker disse que a preparação não foi a melhor, por isso vão ver o que conseguem fazer). Pode ser que o resultado seja melhor. Mas é mais provável que não e não deve chegar para o pódio.

Russia
Timofey Mosgov, Andrei Kirilenko e o futuro jogador dos Wolves Alexei Shved são os jogadores da NBA que a Russia traz para estes Jogos Olímpicos e contam também com o ex-NBA Victor Khryapa. Os russos são historicamente uma potência do basquetebol europeu e mundial, mas já viram melhores dias. Como sempre, são uma equipa muito organizada e disciplinada (levam já muitos anos a jogar no sistema do treinador americano David Blatt), com jogadores grandes e podem sempre surpreender (como fizeram quando venceram o Eurobasket em 2009). Não deve chegar para sonhar com uma medalha, mas são o wild card do torneio (tanto podem perder logo nos quartos, como chegar a uma medalha).

Lituânia
O país europeu onde o basquetebol é rei tem, da NBA, Jonas Valanciunas (tecnicamente, porque só se vai estrear pelos Raptors na próxima temporada) e Linas Kleiza e ainda o ex-NBA Darius Songaila. À semelhança da Russia, são uma potência histórica, mas esta é uma equipa num limbo de renovação. São uma mistura entre a geração mais velha, experiente e talentosa, mas já muito veterana (Jasikevicius, Songaila, Kaukenas), uma geração intermédia menos talentosa (Pocius, Maciulis, Seibutis) e a nova geração ainda inexperiente e em progressão (Kalnietis, Valanciunas). São bons, mas não o suficiente para aspirar a uma medalha.


Os que vão lutar entre si pela segunda fase

Austrália
Sem Andrew Bogut, da NBA trazem apenas Patty Mills. Têm também o ex-NBA David Andersen, mas o objectivo dos australianos é apenas conseguir o apuramento para a segunda fase. Num grupo onde Espanha, Brasil e Russia devem ficar nos três primeiros lugares, os Aussies vão lutar com a China pelo quarto lugar. Quem vencer o jogo entre as duas equipas fica com o lugar e com o apuramento para os quartos (partindo do princípio que ambas ganham à Grã-Bretanha).

China
Da NBA, actualmente, não têm ninguém (Yi Jianlian era o único chinês na NBA em 2011-12, mas voltou para os Guangdong Tigers este ano), mas têm três jogadores com experiência na liga norte-americana (Jianlian, Wang ZhiZhi e Sun Yue). Nem quando tinham Yao Ming eram uma equipa de topo e esta selecção é pior que nesses tempos. Os 40 (!) jogos de preparação que fizeram para estes Jogos Olímpicos não vão servir para mais do que lutar por esse quarto lugar com a Austrália.


E os outros 

Nigéria
Os nigerianos fizeram um brilharete na fase de qualificação com vitórias sobre a Grécia e a Lituânia (esta última com alguma polémica à mistura, pois os gregos acusaram os lituanos de não terem feito tudo para ganhar e, assim, deixar a Grécia de fora dos Jogos) e estar em Londres já é o seu prémio. Têm um jogador da NBA (Al-Farouq Aminu) e um ex-NBA (Ike Diogu), mas é muito pouco para passar da fase de grupos. Os lituanos não vão ser surpreendidos de novo (e se na outra vez não fizeram tudo para ganhar, desta vez vão fazer) e, realisticamente, a Tunísia é a única equipa do seu campeonato.
Como curiosidade, na Nigéria podem ver um jogador que joga em Portugal: Richard Oruche, da Académica.

Tunísia
O mais parecido que os campeões africanos têm com um jogador na NBA é o poste Salah Mejri, que esteve numa Summer League com os Utah Jazz. Actualmente joga na Bélgica (é o único jogador tunisino que joga na Europa). Estar nos Jogos Olímpicos já é uma vitória e se conseguirem ganhar um jogo (contra a Nigéria) já têm o torneio feito.

Grã-Bretanha
E, por último, os anfitriões. Têm Luol Deng, têm também o ex-NBA Pops Mensah-Bonsu, têm mais alguns jogadores em Espanha (Joel Freeland, Robert Archibald, Dan Clark), mas, como vimos no Eurobasket do ano passado, são uma equipa menos que mediana, que só está nos Jogos Olímpicos por ser o país organizador. É uma equipa do campeonato da selecção portuguesa e por muito que todos gostassem de ver a equipa da casa a passar a fase de grupos, isso é praticamente impossível. Os únicos jogos que podem sonhar ganhar são os jogos com a China e a Austrália e se ganharem um desses já fizeram mais do que aquilo que se espera deles.