Estão encerrados os Jogos. E acabaram da melhor maneira, com um grande jogo e uma grande final. Espanha fez o seu melhor jogo destes JO, deu muita luta aos EUA, mas no final, venceu a melhor e mais talentosa selecção.
Os EUA confirmaram o seu (grande) favoritismo e voltam para casa com a sua 14ª medalha de ouro. Como tinhamos dito antes dos JO, qualquer coisa abaixo do ouro era um fracasso e a selecção americana cumpriu. O estilo de jogo pode não ter agradado a todos, mas foi mais que suficiente para dominar a competição e ganhar sem margem para dúvidas. E pelo meio, quebraram uma mão cheia de recordes. Quebraram o recorde de pontos marcados num jogo, bateram o recorde de triplos tentados e marcados, Carmelo Anthony bateu o recorde dos EUA de pontos num jogo, Kevin Durant bateu o recorde de pontos dos EUA num Torneio Olímpico (156; 19.5/jogo) e LeBron James tornou-se o melhor marcador de sempre da selecção americana em JO (273) e completou uma das melhores temporadas individuais de que há memória.
A Espanha não fez um grande torneio, não teve um caminho fácil até esta final e só no jogo de hoje é que confirmou o estatuto de única-equipa-que-podia-ganhar-aos-EUA. Como se esperava, hoje apostaram em explorar a vantagem no jogo interior e colocaram a bola dentro sempre que tiveram oportunidade (ora para jogar 1x1 a partir de poste baixo, ora para libertar os atiradores quando viesse a ajuda). Pau Gasol explorou essa vantagem e fez um grande jogo (24 pts, 8 res e 7 ast), Navarro fez o seu melhor jogo de todo o torneio (21 pts, 4-9 3pts) e hoje mostraram que são a segunda melhor selecção do mundo.
A completar o pódio, aquela que apontámos como o wild card deste torneio: a Russia. Dissemos antes dos JO que eram uma equipa organizada e disciplinada, com jogadores grandes, com bons atiradores e que podiam surpreender (como fizeram quando venceram no Eurobasket em 2007). Dissemos que tanto podiam perder logo nos quartos de final, como chegar às medalhas. Pois revelaram-se uma das melhores e mais regulares equipas (descontando a final, jogaram melhor que Espanha e foram a segunda melhor selecção do torneio) e ficaram a um mau-quarto-período de distância de chegar à final. Mas chegaram às medalhas. Mais especificamente, à sua primeira medalha (desde o fim da União Soviética que não ganhavam uma). O que, para eles, foi tão saboroso como ouro.
Uma palavra ainda para a Argentina e para a geração de ouro do basquetebol das pampas. Chegaram a Londres como a selecção mais velha, com menos profundidade que as outras candidatas e dissemos que o talento, a experiência e a garra podia levá-los ao pódio, mas não chegava para mais. Ficaram a 4 pontos desse pódio, mas para a história fica uma medalha de ouro em Atenas, uma de bronze em Pequim e uma geração irrepetível.
Para encerrar este balanço, fiquem com o nosso cinco ideal deste Torneio Olímpico (e não vamos eleger um cinco típico destas ocasiões - com dois bases, dois extremos e um poste -, pois seria uma injustiça deixar algum destes jogadores de fora. Vamos optar por um cinco menos ortodoxo, com um base, três extremos e um poste. São os cinco melhores jogadores dos JO):
Manu Ginobili
O Michael Jordan das Pampas continua, aos 35 anos, a ser o melhor jogador argentino e um dos melhores shooting guards do mundo. Como habitualmente, fez de tudo um pouco: lançou, penetrou, assistiu, ressaltou, contorceu-se pelas defesas dentro e fez lançamentos e jogadas incríveis. Foi o melhor marcador da sua selecção (e 3º do torneio, com 19.4 pts), o segundo nas assistências (4.1), o melhor nos roubos de bola (13) e o melhor ressaltador (5.3/jogo, 43 no total)! E não falhou um único lance livre em todo o torneio (34 em 34)!
Kevin Durant
Durantula chamou um figo à linha de três pontos da FIBA (52%, 34 em 65). Acabou com a segunda melhor média de pontos do torneio (19.5 pts), como o melhor marcador de pontos totais, como recordista de pontos dos EUA num torneio olímpico (156), como o melhor ressaltador da equipa (5.7) e foi, provavelmente, o melhor jogador da selecção americana. O que diz tudo.
Andrei Kirilenko
AK-47 apareceu rejuvenescido e na forma dos seus melhores anos. Foi a maior razão por que os russos terminaram com uma medalha. Como sempre, fez de tudo em campo (17.5 pts, 7.5 res, 2 rb, 1.8 dl) e foi um dos melhores jogadores deste torneio.
LeBron James
Foi o segundo melhor jogador dos EUA (e se há dúvidas em relação a isto é para cima, nunca para baixo; ou seja, podemos duvidar se foi o segundo melhor ou o melhor, mas não foi menos que isso). Foi "apenas" o 3º melhor marcador da equipa (13,2 pts), mas foi o primeiro nas assistências (5.6/jogo, 45 no total) e foi muito eficaz e importante em muitos outros aspectos (5.6 res, 1.3 rb, 72% 2pts). Nesta selecção não foi tanto marcador de pontos, mas, com os 2x1 e ajudas defensivas que obrigava as equipas a fazer, foi distribuidor. Mas, de qualquer das maneiras, desequilibrou como sempre.
Pau Gasol
De longe o melhor e mais regular da selecção espanhola (19.1 pts, 7.6 res, 2.8 ast, 1.1 dl e 5.3 faltas sofridas). Se haviam dúvidas que é um dos melhores, mais versáteis e mais completos jogadores interiores do mundo, neste torneio foram desfeitas. Foi o melhor jogador interior do torneio.
















