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30.4.15

CONTRA-ATAQUE - Vassoura de dois bicos


Olha quem é ele! É o Ricardo Brito Reis que regressa aos textos no SeteVinteCinco com uma reflexão e muitas curiosidades sobre vassouradas. Sabem quantas equipas ganharam o título depois de varrer 4-0 na primeira ronda? Então leiam e descubram:


Vassoura de dois bicos

por Ricardo Brito Reis

A época 2014/15 da NBA tem sido apontada como uma das mais imprevisíveis de sempre, quer no que diz respeito a equipas candidatas ao título, quer no que se refere aos atletas merecedores de prémios individuais. E os playoffs também foram catalogados, desde cedo, como uns dos mais aguardados dos últimos anos, tendo em conta a qualidade das formações apuradas para a fase a eliminar da temporada, sobretudo na conferência Oeste.

No entanto, a primeira ronda tem sido marcada pela falta de competitividade de algumas equipas, o que acabou por resultar nos já habituais «sweeps», que poderemos traduzir de forma livre para «vassouradas». Para quem perde em apenas quatro jogos, é uma saída sem glória rumo a umas longas férias. Para quem vence é, com toda a certeza, uma injecção de confiança. Mas pode esta demonstração de superioridade ter, também, efeitos negativos?

Uma coisa é certa: uma «vassourada» na primeira ronda dos playoffs não é sinónimo de uma caminhada tranquila até às Finais da NBA. Desde que a liga norte-americana decidiu alterar o formato dos playoffs para 7-7-7-7 em 2003 (antes, era 5-7-7-7), apenas uma das 18 equipas que conseguiram um «sweep» a abrir os playoffs conquistou o troféu Larry O’Brien. Foi há dois anos, em 2013, nas míticas Finais em que um triplo de Ray Allen forçou o prolongamento no jogo 6 frente aos Spurs, para depois LeBron James e os Miami Heat baterem os comandados por Gregg Popovich no jogo 7.

Olhando com atenção para os números do passado recente, a história diz-nos que, dessas 18 equipas que deram uso à vassoura na primeira ronda, quatro nem sequer passaram das meias-finais de conferência, sete atingiram as finais de conferência e apenas sete chegaram às Finais da NBA: os Mavericks de 2006, os Cavaliers de 2007, os Lakers de 2008, os Thunder de 2012, os Heat e os Spurs em 2013, e os Heat de 2014.

Será ferrugem?

Surge, por isso, a questão. Pode o menor número de jogos ter influência negativa no desempenho das equipas? Talvez. Por muito que o descanso seja tão desejado por todos, o facto de terem que esperar vários dias – às vezes, uma semana – pelo próximo adversário, faz com que os atletas percam as rotinas que ganharam ao longo da fase regular da temporada. Para quem se habitua a disputar uma média de um jogo a cada dois dias, parar durante uma semana poderá ter um impacto menos bom. É verdade que se treina, mas não são treinos específicos de preparação da ronda seguinte, porque o adversário ainda é uma incógnita.

Basta ver que, entre 2003 e a época passada, há registo de um total de 26 séries que terminaram em 4-0 (desde a primeira ronda até às finais de conferência) e o primeiro jogo logo após a «vassourada» não tem uma elevada taxa de sucesso. A excepção são os San Antonio Spurs, que já somaram cinco «varridelas» ao longo destes 12 anos e venceram sempre o primeiro jogo da ronda seguinte. Quanto a todas as outras equipas, o registo é de 12 triunfos e nove derrotas, ou seja, uma taxa de sucesso de apenas 57% na partida que se segue a um 4-0 na eliminatória anterior. Estão enferrujados por causa do descanso excessivo, dizem…

Sempre o número 23

A caminhada desde o arranque dos playoffs até ao título é composta por 16 passos, que é o mesmo que dizer 16 vitórias. Mas pode ser necessário um máximo de 28 jogos para lá chegar, se, num cenário hipotético, todas as eliminatórias forem ao sétimo jogo. Nas últimas 12 temporadas, dez campeonatos só ficaram resolvidos após a 23ª partida. Só os Spurs de 2007 (20 jogos) e os Mavericks de 2011 (21 jogos) precisaram de menos que isso para chegar aos anéis.

Acredite-se ou não nos números, parece haver uma tendência que diz que as equipas que descansam mais do que o habitual acabam por tropeçar e dificilmente chegam ao título. Para já, no que aos «varredores» destes playoffs diz respeito, têm a palavra os Golden State Warriors, os Cleveland Cavaliers e os Washington Wizards.

18.3.15

CONTRA-ATAQUE - Uma espécie de tanking


Olá, pessoal! Já estou quase bom e quase-quase de volta à escrita. Até lá e enquanto não regresso aos textos, fiquem com o mais recente Contra-Ataque do Ricardo Brito Reis, esta semana sobre as equipas em lugar de playoffs que poderão ter interesse em perder um ou outro jogo:

Uma espécie de «tanking»

por Ricardo Brito Reis

Todos estamos familiarizados com o conceito de tanking. A ideia, não assumida pelas equipas que utilizam esta estratégia, é perder jogos de propósito para garantir uma maior probabilidade de uma escolha elevada no draft da época seguinte. Veja-se o caso dos New York Knicks. A formação da Big Apple era apontada aos playoffs no início da temporada e exibe, actualmente, o rótulo de pior equipa de toda a NBA. Tudo porque cedo se percebeu que a época seria um fracasso e, assim sendo, os responsáveis dos Knicks decidiram fazer descansar a «estrela» da companhia (bem como levá-lo à mesa das operações) e trocar os atletas com contratos mais dispendiosos. O objectivo é apostar no mercado de free agents, já com os olhos em 2015/16.

Mas desengane-se quem pensa que isto de perder propositadamente é exclusivo das equipas mais fracas da liga norte-americana. Agora que nos aproximamos dos playoffs, há conjuntos com lugar assegurado nessa fase que poderão, aqui e ali, perder alguns jogos a bem de um interesse maior. E, numa altura em que faltam pouco mais de dez partidas para o final da fase regular da época e se dissipam (quase) todas as dúvidas sobre que equipas vão marcar presença nos playoffs, teremos oportunidade de perceber se, à semelhança de anos anteriores, também esta época há quem sofra derrotas estranhas. É que, pelo menos no plano teórico, há lugares na classificação mais desejados do que outros e os mais desejados nem sempre são os de topo...

No Este, não há dúvidas que os Atlanta Hawks vão ficar no primeiro lugar da conferência e os Cleveland Cavaliers devem ocupar o segundo posto. No entanto, parece evidente que, nesta altura, os Cavs estão em melhor forma que os Hawks e, se tivessem a possibilidade de escolher, seria natural que as restantes equipas prefiram defrontar os comandados por Mike Budenholzer. Logo, o lugar mais apetecível da classificação do Este não é o 3º, mas sim o 4º, uma vez que garante vantagem-casa na primeira ronda e colocaria essa equipa diante do vencedor do confronto entre os Hawks e o 8º classificado na segunda ronda, adiando um eventual frente a frente com LeBron James e companhia para as Finais de conferência.

Nos lugares imediatamente atrás de Hawks e Cavaliers estão três equipas que até têm acumulado algumas derrotas surpreendentes nos tempos mais recentes. Os Toronto Raptors perderam dez dos últimos 13 jogos, os Chicago Bulls apenas ganharam um dos últimos seis encontros, enquanto os Washington Wizards somaram oito derrotas nas últimas 14 partidas. Para já, o 4º lugar está nas mãos dos Bulls, mas, com tantos jogos por disputar, ainda haverá mudanças.

Por outro lado, no Oeste, é impossível fazer quaisquer previsões sobre a classificação até bem mais perto do fim da regular season. A única garantia, ainda que por confirmar de forma matemática, é o primeiro lugar dos Golden State Warriors. De resto, tudo pode acontecer daí para baixo. Entre os Memphis Grizzlies (actual 2º classificado) e os Los Angeles Clippers (7º) há apenas cinco jogos de distância e, obviamente, todos os cenários são possíveis.

E se os Cavs são o adversário a evitar no Este, sobre que equipas se poderá dizer o mesmo no Oeste? Os Warriors, claro. Mas, na minha opinião, também os San Antonio Spurs e os Oklahoma City Thunder. Os actuais campeões estão saudáveis e em evidente subida de produção, pelo que – já se sabe – são sempre uma força a ter em conta. Já os Thunder, se conseguirem assegurar um lugar nos oito primeiros, têm que ser considerados uma equipa candidata a ir longe, até porque, para além dos reforços que chegaram via-troca e de um Russell Westbrook a jogar ao nível de um verdadeiro MVP, já deverão contar com o regresso do MVP da última temporada, Kevin Durant.

Será, por isso, interessante perceber se, nos últimos jogos da época alguma equipa faz descansar as suas «estrelas» e acaba por perder um ou dois jogos ou se, por outro lado, “mete toda a carne no assador” para tentar subir um ou dois lugares na classificação da respectiva conferência, com o objectivo de procurar os matchups mais favoráveis na primeira ronda dos playoffs. Ainda assim, independentemente da estratégia, estou convencido que estes playoffs serão os mais imprevisíveis dos últimos anos.

2.3.15

CONTRA-ATAQUE - O ocaso dos Spurs


Será que é desta que o tempo leva a melhor sobre os Spurs? É a questão a que o Ricardo Brito Reis tenta responder no seu mais recente Contra-Ataque:


O ocaso dos Spurs

por Ricardo Brito Reis

Com um (surpreendentemente fraco) registo de 36 vitórias e 23 derrotas, os campeões San Antonio Spurs ocupam o 7º lugar da competitiva Conferência Oeste. Mas pior que o registo são as exibições que os comandados por Gregg Popovich têm feito ao longo da temporada. Será desta que idade leva a melhor sobre os velhinhos Spurs?

O início de época prometia muito para os adeptos da formação do Texas. O plantel que foi campeão a jogar o melhor basquetebol que a NBA viu nos últimos anos manteve-se inalterado e ainda foi adicionado o rookie Kyle Anderson, que os analistas diziam encaixar na perfeição no estilo de jogo lento e nada egoísta dos Spurs. O arranque da temporada até foi positivo, com um registo de 12V-4D em Outubro/Novembro e com Tony Parker a fazer números extraordinários (17.3 pts, 5.7 as, 51% FG e 67% 3P). Mas, depois, vieram as lesões.

O base francês falhou 14 jogos devido a um problema muscular e Kawhi Leonard, MVP das Finais de 2014, esteve ausente em 15 partidas, por causa de uma lesão numa mão. Os Spurs tiveram um Dezembro amargo (8V-10D) e a imprensa não tardou a recuperar uma teoria que é usada há vários anos: Duncan, Parker, Ginobili e companhia estão acabados e é esta época em que o avançar da idade vai afectar a produção dos texanos.

Só que, com a chegada de 2015, o plantel ficou totalmente disponível para coach Pop e Janeiro acabou com 10V-4D, embora a maioria dos jogos deste mês tenham sido diante de equipas da fraquinha Conferência Este. Os Spurs pareciam ganhar balanço para um bom resto de temporada e Tim Duncan recebia a notícia de que jogaria no All-Star Game de Nova Iorque, mas Fevereiro voltou a ser aziago e, em onze jogos, os Spurs perderam cinco.

Contas feitas, o conjunto de San Antonio já perdeu mais encontros esta temporada do que em toda a época passada e, muito provavelmente, estaria no 8º lugar do Oeste se Kevin Durant e Russell Westbrook não tivessem falhado tantos jogos por lesão. Afinal de contas, o que se passa com os Spurs?

Tudo começa com o mindset para esta época. Depois de umas Finais de excepção, em que conseguiram redimir-se da derrota de 2013, os Spurs entraram nesta temporada com a sensação de dever cumprido. E para o técnico Popovich está a ser difícil motivar um grupo de atletas que subiu ao topo da montanha, com tanto brilhantismo. Pop tem tentado de tudo. Disse estar orgulhoso dos seus jogadores depois do péssimo mês de Dezembro, mas também já veio questionar a atitude da equipa inúmeras vezes e chegou mesmo a afirmar que tinha dificuldades em encontrar um «cinco» com vontade de se aplicar dentro das quatro linhas.

Os números mostram que os Spurs têm revelado grandes dificuldades nos jogos frente a equipas em posição de playoffs. Diante das restantes sete equipas dos 8 primeiros lugares do Oeste (Warriors, Grizzlies, Rockets, Blazers, Clippers, Mavericks e Thunder), San Antonio soma 7 vitórias e11 derrotas. E frente às cinco melhores equipas do Este – Hawks, Raptors, Bulls, Cavaliers e Wizards são as únicas com verdadeiras hipóteses de sonhar com as Finais -, os Spurs apresentam um registo de 3V-3D. O pior é que, dos 23 jogos que ainda faltam até ao final da fase regular, oito serão com as tais equipas do Oeste e quatro com as melhores do Este.

No que diz respeito aos jogadores, e apesar da época All-Star de Duncan, Kawhi Leonard ainda não encontrou a sua melhor forma depois de ter recuperado da lesão, Manu Ginobili está cada vez menos eficiente, Boris Diaw tem lançado muito mal e Tiago Splitter não consegue encontrar o seu jogo. Danny Green e Patty Mills parecem já ter atingido o topo das suas capacidades, enquanto Cory Joseph e Aron Baynes estão a ser preparados para, em conjunto com Kawhi, serem as caras do futuro dos Spurs. Mas o problema no presente dá pelo nome de Tony Parker.

A lesão parece ter feito mossa e o gaulês está em claro sub-rendimento. E está a mudar o seu tipo de jogo. Na época passada, 38% dos lançamentos de Parker foram feitos na zona mais próxima do cesto. Esse número caiu, este ano, para 28%. Ou seja, TP está menos agressivo, faz menos penetrações e contenta-se com lançamentos de meia e longa distância. Também faz menos assistências e tem revelado uma menor eficácia no pick&roll. Até na tomada de decisão tem estado muitos furos abaixo em relação a anos anteriores. Em resumo, e se exceptuarmos o ano de rookie, este é o seu pior ano de sempre na NBA.

O estilo de jogo dos Spurs, que privilegia o passe ao drible, define que todos os atletas são uma ameaça ofensiva e isso faz com que, ao contrário do que acontece com a maioria das equipas, não exista um jogador que tenha a obrigação de marcar pontos. Para Pop, há. «Se não tivermos o Tony dos últimos anos, não vamos a lado nenhum. É o nosso jogador mais importante e tem que marcar mais de 20 pontos com consistência, porque o Tim e o Manu já não o conseguem», defendeu recentemente o treinador.

É verdade que a saúde de Kawhi Leonard é um factor decisivo para a consistência defensiva da equipa (com ele, os Spurs sofrem menos oito pontos por jogo do que quando o extremo está ausente) e é igualmente verdade que têm que marcar mais lances livres no final das partidas (69.6% nos últimos cinco minutos dos jogos decididos por cinco ou menos pontos), mas a chave do sucesso ou do insucesso dos Spurs é Tony Parker. A forma com que o base chegar aos playoffs pode determinar se os campeões saem na primeira ronda ou se repetem o feito da época passada.

20.2.15

CONTRA-ATAQUE - Trocar ou não trocar


No Contra-Ataque desta semana, o Ricardo Brito Reis fala-nos de trocas. Não daquelas que tivemos ontem no trade deadline mais movimentado de sempre, mas daquelas que se fazem dentro das quatro linhas, no meio campo defensivo:



Trocar ou não trocar, eis a questão

por Ricardo Brito Reis

Não, não é de trocas de jogadores que me proponho escrever esta semana. Apesar de este ter sido o trade deadline mais louco dos últimos anos, vou deixar essa análise para o senhor que manda neste blogue – Márcio, vais ter que refazer os boletins de avaliação das 30 equipas da liga! – e, em vez disso, prefiro focar-me noutro tipo de trocas. Daquelas que se fazem dentro das quatro linhas, no meio-campo defensivo. Até porque as equipas que lideram as duas conferências, Warriors no Oeste e Hawks no Este, abordam as trocas defensivas de perspectivas completamente diferentes e ambas têm tido muito sucesso na defesa.

Toda a gente fala do ataque dos Warriors e dos Hawks, mas toda a gente sabe que é a defesa que ganha campeonatos. Não é, por isso, de estranhar que os líderes classificativos das duas conferências estejam em destaque nos vários rankings defensivos da NBA. A formação orientada por Steve Kerr é, de resto, líder do rácio defensivo (pontos sofridos por cada 100 posses de bola do adversário), com uma média de 97.3 pontos por jogo. O conjunto de Atlanta, por sua vez, ocupa o 6º lugar desse ranking, com uma média de 100.2 pontos. No que diz respeito, por exemplo, à média de roubos de bola por partida, os Warriors são a 4ª melhor equipa da liga (9.4) e os Hawks surgem na posição seguinte (8.8).

Os números são idênticos e os resultados também. Mas será que o processo defensivo é parecido? Não.

Os Golden State Warriors têm um estilo de jogo que vive muito da velocidade e das transições rápidas. São a equipa da liga com maior número de posses de bola por jogo (média de 101.2 por cada 48 minutos). Gostam de correr e, por isso mesmo, seria de esperar que fossem apanhados desprevenidos muitas vezes aquando da recuperação defensiva, mas isso não acontece. Porquê? Por causa da versatilidade defensiva e da própria morfologia dos atletas, que permite que jogadores exteriores defendam interiores e vice-versa. Andre Iguodala e Draymond Green podem defender atletas de quatro posições diferentes (desde point guards a power forwards) e Klay Thompson, Harrison Barnes e Shaun Livingston defendem jogadores das posições 1, 2 e 3. Logo, não há perdas de tempo à procura do atacante directo na recuperação defensiva. Cada um defende o jogador mais próximo e, assim, concedem menos pontos no início dos ataques dos adversários. Nesta fase, a comunicação entre os cinco jogadores é essencial para o sucesso.

Depois, na defesa em meio-campo, Steve Kerr promove trocas defensivas em praticamente todos os bloqueios directos. À excepção de Andrew Bogut, que tem a missão de proteger o cesto, todos os outros podem – e devem – trocar nos bloqueios. Como os atletas à sua disposição são todos fisicamente semelhantes, não há mismatch e, consequentemente, as equipas adversárias não apostam em isolamentos, porque, pura e simplesmente, não há vantagens criadas. O único jogador fisicamente mais fraco é Stephen Curry, mas, quando o base entra nas trocas defensivas, as ajudas são bem mais evidentes. O treinador dos Warriors já afirmou que esta opção de trocar em todos os bloqueios tem como objectivo pressionar os adversários, pois, sem vantagens identificadas, o relógio dos 24 segundos parece correr mais depressa. Aqui, a agressividade dos defensores é chave e Draymond Green é a personificação desse mindset. A ideia é: mesmo na defesa, os jogadores dos Warriors estão a atacar.

Em Atlanta, o técnico Mike Budenholzer toma opções diferentes, embora exista uma matriz defensiva com pontos em comum com a estratégia dos Warriors: proteger a área restrictiva (os Hawks são a 6ª equipa da NBA que menos pontos sofre na zona pintada, com média de 39.7 por jogo) e limitar/contestar todos os lançamentos de três pontos. Não têm defensores extraordinários – DeMarre Carroll é um bom defensor do perímetro e Al Horford é competente nas áreas próximas do cesto -, pelo que o segredo é a defesa colectiva, fruto de um bom posicionamento no meio-campo defensivo. Para isso, é preciso jogadores inteligentes, com disponibilidade física para ajudas e rotações defensivas nos timings certos, em que cada atleta sabe perfeitamente qual é o seu papel e quais são as suas responsabilidades, onde deve estar e onde estão os seus colegas de equipa.

Para Budenholzer, as trocas defensivas devem ser evitadas. O ex- adjunto de Gregg Popovich diz que criam momentos de hesitação que podem ser aproveitados pelos atacantes, pelo que, sempre que possível, os seus atletas devem manter-se com o respectivo atacante directo. O foco dos Hawks é correr para trás – se necessário, abdicar do ressalto ofensivo -, parar os contra-ataques e os ataques secundários, pressionando muito o base ou o portador da bola. É, portanto, sem surpresa que os Hawks são a 2ª equipa da liga que menos pontos sofre em contra-ataque, com média de 10.8 por encontro. Depois, sem trocas e com ajudas muito profundas, o objectivo é obrigar a equipa contrária a utilizar grande parte dos 24 segundos, até porque, dessa forma, os Hawks levam os adversários a escolher a 3ª ou 4ª opção no ataque. Ou seja, eliminam as primeiras opções, que, por norma, são as mais eficazes.

O maior mérito de Kerr e Budenholzer é terem percebido que tipo de jogadores têm e estabelecerem processos defensivos que tirem partido das suas características físicas e mentais. Ao potenciar as mais-valias e, por inerência, ao esconder as lacunas dos atletas, é mais fácil que estes «comprem» as ideias dos treinadores. O êxito é uma consequência natural.


13.2.15

CONTRA-ATAQUE - Regresso ao Futuro (All Star Edition)


Esta semana, invertemos a ordem das coisas. Triplo Duplo na quinta e Contra-Ataque na sexta. E na sua crónica desta semana, o Ricardo Brito Reis regressa da sua viagem ao futuro e conta-nos como foi vai ser o Fim de Semana All Star. Obrigado, Ricardo.


Regresso ao futuro - All-Star edition

por Ricardo Brito Reis

O Márcio confessava, há dias, que o excesso de trabalho lhe tem roubado tempo para dedicar ao SeteVinteCinco. Pois, esta semana, fui invadido por um espírito altruísta e decidi dar-lhe os próximos dias de folga aqui no blogue. Amigo Márcio, segue em baixo a crónica sobre o All-Star deste ano:


Rising Stars Challenge
Era o aperitivo para o fim-de-semana e prometia deixar-nos de água na boca. Como sublinhei na crónica da semana passada, a mudança de formato no jogo das futuras «estrelas» da NBA era uma ideia que tinha tudo para dar certo – uma salva de palmas para Adam Silver! - e, mais do que isso, para fazer a ligação com os adeptos dos quatro cantos do Mundo. Tal como se esperava, assistimos a três períodos de baixa intensidade defensiva, muitos alley-oops, uma quantidade infindável de lançamentos triplos e, sobretudo, sorrisos e boa disposição dos jovens atletas de 1º e 2º ano. Depois, no quarto e último parcial, começou a verdadeira competição, com a defesa aguerrida e uma melhor selecção de lançamentos. E algo pelo que valia a pena lutar. Os norte-americanos, ainda na ressaca do recente triunfo no Campeonato do Mundo, quiseram provar que são melhores do que os outros. Os outros provaram que o basquetebol não-americano é capaz de «bater o pé» à equipa da casa. Cada um a defender a sua pátria, mas em representação de todos os países do Resto do Mundo. E todos nós, do lado de cá da televisão, tivemos uma equipa por quem torcer.

Nota: 7/10
Destaque: Andrew Wiggins e Giannis Antetokoumpo lideraram a equipa do Resto do Mundo a uma vitória claríssima, mas os afundanços de Zach LaVine ficaram na retina e mostraram por que razão era o favorito a vencer o concurso de afundanços.


Skills Challenge
O All-Star Saturday Night abriu com o Shooting Stars, mas o verdadeiro interesse surgiu, apenas, quando começou o Skills Challenge. Oito atletas completaram um percurso com vários obstáculos, que testava a técnica individual de cada um deles, nomeadamente o drible, o passe, o lançamento e a agilidade. E, até às alterações de última hora, havia um grande motivo de interesse. Seria Jimmy Butler, o único participante que não é point guard, capaz de mostrar capacidade técnica para fazer frente aos pequenos bases? Nunca saberemos, pois Butler acabou por desistir da sua participação no concurso devido a uma lesão num ombro, que, ainda assim, não o impediu de participar no All-Star Game de domingo.

Nota: 6/10
Destaque: Isaiah Thomas e Jeff Teague mediram forças por um lugar na final e logo aí se percebeu que, o que vencesse desses dois, ia derrotar Brandon Knight na ronda decisiva. Assim que recebeu o troféu, Teague chamou os outros jogadores dos Atlanta Hawks presentes no pavilhão e, juntos, deram um abraço de grupo.


Three-Point Contest
Foi, sem sombra de dúvida, o momento mais aguardado do fim-de-semana. Os participantes do concurso de lançamentos triplos eram oito dos melhores «atiradores», não só da liga deste ano, mas de sempre. Duas salvas de palmas para Adam Silver! Os «Splash Brothers» como cabeça de cartaz, sobretudo depois de Stephen Curry ter marcado dez triplos frente aos Dallas Mavericks (4 Fev) e Klay Thompson ter concretizado onze, incluindo nove num só período, diante dos Sacramento Kings (23 Jan). Curry tinha até uma vantagem do ponto de vista técnico, pois é o jogador da NBA que melhor lança a partir do drible e o concurso de triplos, com as bolas colocadas ao lado dos atletas, replica o armar do lançamento após drible. Depois havia Kyle Korver, o jogador da NBA com a melhor percentagem de lançamento exterior (53,2%). E havia James Harden, melhor marcador da liga norte-americana e 5º em ambos os rankings de triplos tentados e convertidos. E havia Kyrie Irving, vencedor do concurso em 2013 e que, este ano, já marcou onze triplos num jogo contra os Portland Trailblazers (28 Jan). E havia Marco Belinelli, vencedor do concurso na temporada passada. E havia Wesley Matthews, líder da NBA em triplos tentados e concretizados. E havia J.J. Redick, que está a realizar a melhor época da sua carreira no que ao «tiro» exterior diz respeito. E havia um twist na competição, com uma das séries de lançamentos a ser exclusivamente com money balls, numa posição previamente definida pelo atleta. E… o que mais poderíamos desejar?

Nota: 10/10
Destaque: Curry disse, há dias, que vai continuar a participar no concurso de lançamentos de três pontos até ganhar. Pois o jogador mais votado pelo público para o All-Star Game vai ter mesmo que voltar na próxima época. Numa final entre os 3K (Klay, Kyle e Kyrie), a vitória de Klay Thompson foi totalmente merecida e só foi pena aquela única bola que falhou.


Slam Dunk Contest
Com os anos, o concurso de afundanços foi perdendo interesse. Os atletas perderam interesse em participar e o público perdeu interesse por causa das sucessivas mudanças de formato, sempre para pior. Este ano, recuperou-se o formato clássico – meia salva de palmas para Adam Silver! -, mas isso ainda não foi suficiente para convencer os melhores atletas a participar. Ainda assim, o cartaz apresentou quatro jovens com capacidades atléticas que deixavam antever um bom espectáculo. Havia três jogadores de segundo ano, mas era o único rookie que reunia o favoritismo. O base dos Timberwolves, Zach LaVine, tem uma impulsão fora do normal e, sempre que afundou, fez lembrar Vince Carter. Victor Oladipo era o mais baixo dos quatro e isso foi-lhe favorável, para além de que o base dos Magic prometeu doar parte do prémio a instituições de caridade, o que lhe valeu mais uns pontinhos dos jurados. Giannis Antetokoumpo tem uma morfologia que lhe permitiu fazer coisas que mais ninguém fez, enquanto Mason Plumlee jogava em casa e contava com o factor surpresa, por ser o underdog.

Nota: 8/10
Destaque: Antetokoumpo e LaVine passaram facilmente à final, que foi ganha pelo «Greek Freak» com um afundanço a duas mãos, após saltar um metro atrás da linha de lance livre.


64th NBA All-Star Game
O jogo deste ano estava já marcado pelas ausências. Kobe Bryant, Blake Griffin, Dwayne Wade e Anthony Davis foram substituídos por DeMarcus Cousins, Damian Lillard, Kyle Korver e Dirk Nowitzki, respectivamente. Paul George e Dwight Howard nem entraram nas contas. E até Carmelo Anthony, Jimmy Butler e LaMarcus Aldridge jogaram condicionados. Mas All-Star é All-Star e este correspondeu às melhores expectativas. Quem dizia que o Oeste ia dominar a seu bel-prazer estava redondamente enganado. A selecção do Este, liderada por LeBron James, John Wall e Pau Gasol esteve na frente do marcador desde o início e só no quarto período o Oeste conseguiu dar a volta, quando Steph Curry e James Harden deixaram de jogar para os seus números, numa espécie de duelo pelo título de MVP, e decidiram que estava na altura de passar a bola a Kevin Durant. A formação orientada por Steve Kerr estava na frente do marcador e tudo parecia indiciar o triunfo do Oeste. No entanto, o momento mais inesquecível da noite aconteceu quando, numa acção absolutamente inesperada, Adam Silver pegou no microfone – três salvas de palmas para o comissário! - e, com menos de um minuto para a buzina final, anunciou uma convocatória de última hora para a equipa do Este. Do topo do pavilhão para o centro do campo, como se de um super-herói se tratasse, desceu DeMarre Carroll. O treinador Mike Budenholzer meteu em campo Jeff Teague, Kyle Korver, Paul Millsap e Al Horford e – claro! – o Este ganhou.

Nota: 9/10
Destaque: Dois co-MVPs não é algo inédito na história dos All-Star e aconteceu mais uma vez. Este ano, Steph Curry (57 pontos, com 15 lançamentos triplos) e DeMarre Carroll (2 roubos de bola e 1 desarme de lançamento, nos 43 segundos que jogou) partilharam a honra, naquele que foi um All-Star Weekend memorável.

6.2.15

CONTRA-ATAQUE - Ensaio para o All Star do futuro?


No Contra-Ataque desta semana, o Ricardo Brito Reis interroga-se sobre o rumor que circula pelos bastidores da NBA de que o formato deste ano do Rising Stars Challenge (EUA vs Resto do Mundo) poderá ser uma experiência para um formato futuro do All Star Game:

Ensaio para o All-Star do futuro?

por Ricardo Brito Reis

Depois de alguns anos com inúmeras alterações aos eventos do fim-de-semana do All-Star que tiraram «brilho» à festa, o comissário Adam Silver parece querer consertar as coisas. Primeiro, o anúncio de que o concurso de afundanços vai voltar ao formato antigo, numa prova por atletas e não por conferências. E, depois, uma inovação que promete dar uma competitividade extra ao jogo que abre as festividades do All-Star e que coloca dentro das quatro linhas as futuras estrelas da NBA (atletas de primeiro e de segundo ano na liga norte-americana). Este ano, o Rising Stars Challenge coloca frente a frente selecções dos Estados Unidos da América e do Resto do Mundo.

No papel, a ideia parece resultar e espera-se que o jogo possa trazer mais do que um conjunto de miúdos com talento que passam quarenta e oito minutos sem se aplicar no meio-campo defensivo e preferem exibir o seu reportório atacante, numa sequência infindável de alley-oops. Olhando para as convocatórias das duas selecções, há muitos motivos de interesse. De um lado, pelos E.U.A., Michael Carter-Williams, Victor Oladipo, Nerlens Noel e Mason Plumlee são alguns dos nomes escolhidos para medir forças com uma equipa de jogadores internacionais, onde se destacam, entre outros, Giannis Antetokoumpo, Andrew Wiggins, Nikola Mirotic e Dennis Schroder.

Há dias, numa transmissão da SportTV, falei sobre um rumor que anda pelos bastidores da NBA e que dá conta da tentativa de Adam Silver perceber se o formato E.U.A. vs. Resto do Mundo funciona com os jovens para, mais tarde, poder aplicá-lo ao jogo principal. Na minha opinião, a tradição deve ser mantida e, sinceramente, não acredito que o «homem-forte» da liga venha a mexer no formato do All-Star Game. Ainda assim, nada nos impede de fazermos um exercício para perceber que equipas teríamos num jogo deste género, entre norte-americanos e internacionais, e logo numa época em que, pela primeira vez, se ultrapassou a centena de atletas não-americanos na NBA.

Desde logo, salta à vista a quantidade de potenciais “convocáveis”, quer de um lado, quer do outro, mas com especial destaque para os jogadores da casa. Sem ter que procurar muito, é fácil identificar cerca de 30 jogadores com condições para entrar nestas contas. Esta é, de resto, uma das razões pelas quais acredito que Adam Silver não vai alterar o formato do All-Star. Como poderia o comissário da NBA explicar a ausência de tantas «estrelas», mesmo que, tal como se espera que aconteça num futuro próximo, alargasse o lote de convocados? Por sua vez, do lado dos atletas internacionais, também não é complicado reunir um lote de, pelo menos, duas dezenas de basquetebolistas com provas dadas na NBA.

Assim sendo, vou fazer de conta que o formato estaria em vigor já para a edição deste ano do All-Star e, ignorando lesões e mantendo as regras em relação a jogadores de backcourt e frontcourt, apresento-vos, aqui, aquelas que seriam as minhas escolhas:


ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
Cinco inicial
Steph Curry, James Harden, Kevin Durant, LeBron James, Anthony Davis
Suplentes
Chris Paul, John Wall, Russell Westbrook, Carmelo Anthony, Blake Griffin, LaMarcus Aldridge, Chris Bosh

RESTO DO MUNDO
Cinco inicial
Tony Parker, Goran Dragic, Dirk Nowitzki, Pau Gasol, Marc Gasol
Suplentes
Ricky Rubio, Manu Ginobili, Nicolas Batum, Al Horford, Tim Duncan, Marcin Gortat, Nikola Vucevic


É claro que, como referimos anteriormente, o maior problema seriam as ausências. Do lado dos E.U.A., ficariam de fora Damian Lillard, DeMar DeRozan, Derrick Rose, Dwayne Wade, Jeff Teague, Jimmy Butler, Klay Thompson, Kobe Bryant, Kyle Lowry, Kyrie Irving e Mike Conley. E só no que diz respeito ao backcourt! Para o frontcourt, os snubs seriam Al Jefferson, Andre Drummond, DeMarcus Cousins, Dwight Howard, Kawhi Leonard, Kevin Love e Paul Millsap. Quanto aos internacionais, a lista é mais curta, mas igualmente repleta de qualidade: Andrew Wiggins, Giannis Antetokoumpo, Andrew Bogut, Boris Diaw, Joakim Noah, Jonas Valanciunas, Luol Deng, Nené Hilário, Omer Asik e Serge Ibaka. E estou, com certeza, a esquecer-me de alguns nomes nas duas selecções.

O cenário é hipotético, pouco provável, mas uma coisa é certa: seria um grande jogo de basquetebol.

30.1.15

CONTRA-ATAQUE - Quem quer tocar no Larry - parte II


Na semana passada, o Ricardo Brito Reis falou-nos daquilo que cada uma das equipas candidatas no Este precisa para meter as mãos no troféu Larry O'Brien. No Contra-Ataque desta semana, a segunda parte dessa reflexão e o que cada uma das candidatas a Oeste precisa para levar o Larry para casa:


Quem quer tocar no Larry? – parte II

por Ricardo Brito Reis

Na sequência da crónica da semana passada, e conforme prometido, é tempo de olhar para o que falta às melhores equipas do Oeste para estarem mais perto de receber o troféu Larry O’Brien das mãos do comissário Adam Silver. E, se havia cinco candidatos no Este, a conferência Oeste tem, pelo menos, sete.

Golden State Warriors (36-7)
Nem os «Splash Brothers», nem a promoção de Draymond Green ao cinco inicial. A chave do sucesso dos Warriors é o poste Andrew Bogut. Sem ele, esta temporada, a formação de Oakland tem um registo de 9 vitórias e 5 derrotas. O australiano é uma autêntica âncora defensiva e a equipa ressente-se sempre da sua ausência, como provam os números. A equipa orientada por Steve Kerr sofre, em média, mais oito pontos por cada 100 posses de bola quando Bogut está de fora. Outro problema a resolver é o número de turnovers da equipa (6ª pior equipa da NBA, com 15.1 por jogo), embora isso resulte do estilo up-tempo dos Warriors, que acabam por obrigar os seus adversários a cometer, igualmente, um número elevado de perdas de bola sem lançamento.

Memphis Grizzlies (33-12)
O estilo «grit and grind» do conjunto de Memphis tem chegado para resolver os jogos na fase regular, mas, quando chegarmos aos playoffs e a velocidade abrandar, a falta de espaçamento no ataque pode ser um problema.O poste Marc Gasol está a fazer uma época que o coloca na luta pelo título de MVP, o base Mike Conley começa a receber o reconhecimento devido e a adição do extremo Jeff Green vem ajudar a colmatar a principal lacuna dos Grizzlies: o lançamento exterior. É que os Grizzlies são a 4ª equipa da liga norte-americana que menos triplos tenta por partida (média de 16.0).E é preciso mais. Talvez por isso se justifiquem os rumores que dão conta do interesse dos responsáveis da equipa em Chris Copeland, dos Indiana Pacers.

Portland Trailblazers (32-14)
O problema dos Trailblazers está no banco de suplentes. Ou melhor, não está! O treinador Terry Stotts tem um dos bancos mais fracos da NBA, sobretudo no meio-campo ofensivo, e isso será bem evidente nos playoffs, numa altura em que a intensidade defensiva aumenta e muito. Com um cinco inicial fortíssimo, alavancado num extremo/poste de eleição e num dos bases mais promissores da liga, os Blazers ficam expostos aos adversários quando Stotts começa a rotação. Para além que dependem em demasia do tiro exterior, uma vez que são a 2ª equipa da NBA que menos pontos marca no interior da área restrictiva. E como diz Charles Barkley: «If you live by the jumper, you die by the jumper».

Los Angeles Clippers (32-14)
O técnico Doc Rivers já assumiu que tem um grande desafio pela frente, que passa por dotar a sua equipa de uma mentalidade defensiva. O talento no meio-campo ofensivo dos Clippers é tanto, que o treinador afirma que, muitas vezes, sente que os atletas entram em campo apenas com o objectivo de marcar mais pontos do que a equipa adversária. E acrescenta que só defendem a sério quando querem. No dia de Natal, por exemplo, quiseram e arrasaram os Golden State Warriors. Actualmente, os Clippers ocupam o 14º lugar do rácio defensivo (pontos sofridos por cada 100 posses de bola do adversário), mas já estiveram bem perto do 20º lugar desse ranking esta época. Ou seja, bem pior. Ou seja, estão a defender melhor à medida que a época avança. Se, à entrada para o playoff, estiverem no top-10 (e se, entretanto, reforçarem a posição de small forward), temos candidato.

Houston Rockets (32-14)
James Harden defende (melhor). Josh Smith está a encontrar o seu papel na rotação da equipa. Dwight Howard está mais evoluído no ataque, sobretudo no reportório individual nas zonas próximas do cesto. À volta do poste, atiradores e mais atiradores. O plano é perfeito. Ou quase. Os comandados por Kevin McHale fazem uma média de 17.3 turnovers por partida – pior só os 76ers, com 18.6/jogo – e, como consequência, sofrem mais de 15 pontos por jogo, em situação de contra-ataque. Falta, portanto, um bom base para que os Rockets tenham hipóteses de ir longe nos playoffs. Jose Calderon e Pablo Prigioni, ambos dos New York Knicks, estão disponíveis para uma troca e qualquer um deles (sobretudo o argentino) encaixaria bem no sistema de McHale.

San Antonio Spurs (30-17)
Acabem em 1º, 2º ou no actual 7º lugar da Conferência Oeste, os Spurs serão sempre favoritos. Mas, tal como os L.A. Clippers, os actuais campeões têm que ultrapassar um bloqueio mental. Se na época passada tiveram que lidar com a frustação de perder as Finais de 2013, esta temporada têm que lidar com o oposto, ou seja, com a eventual falta de motivação, depois de umas Finais de 2014 em que jogaram o melhor basquetebol que o mundo da NBA viu nos anos mais recentes. Ainda assim, Gregg Popovich já demonstrou ter experiência suficiente para motivar as suas tropas. Mas, pela primeira vez, parece que a idade está mesmo a ter um impacto na saúde física dos veteraníssimos Spurs. E, mesmo abusando dos DNP, isso é algo que Pop não controla.

Dallas Mavericks (30-17)
Com 110.1 pontos por cada 100 posses de bola, os Mavericks só não lideram o ranking do rácio ofensivo porque há uma equipa chamada Los Angeles Clippers (111.0). E, tal como os Clippers, a defesa é a preocupação da equipa técnica liderada por Rick Carlisle, mesmo com a subida nos rankings defensivos depois da troca que trouxe Rajon Rondo de Boston. E, tal como os Clippers, os ressaltos são a outra lacuna do conjunto do Texas, mesmo que Rajon Rondo seja o melhor base ressaltador da NBA. Rondo trouxe muito aos Mavericks, mas o que os Mavs deram em troca – leia-se alguns dos melhores elementos da rotação da equipa - pode custar-lhes a longevidade nos playoffs. Cuban tem sempre uma carta na manga e diz-se que Jermaine O’Neal pode ser essa carta…

P.S.: Escrevi, há duas semanas, que não acredito que os Oklahoma City Thunder (23-23) atinjam os playoffs. Mas não sou o Nostradamus, pelo que admito que Durant, Westbrook e companhia lá cheguem. E, se chegarem, têm que ser considerados candidatos.

22.1.15

CONTRA-ATAQUE - Quem quer tocar no Larry?


A presença do troféu Larry O'Brien em Portugal (hoje, na Sport TV) serve de mote ao Contra-Ataque do Ricardo Brito Reis desta semana:


Quem quer tocar no Larry?

por Ricardo Brito Reis

A iniciativa da SportTV de permitir que, esta quinta-feira, os adeptos portugueses da NBA possam tirar fotografias com o troféu Larry O’Brien serviu de mote para a crónica desta semana. Afinal, o que falta às melhores equipas da liga norte-americana para se tornarem verdadeiros candidatos a marcar presença nas Finais e poderem, elas também, ter a oportunidade de tocar no troféu de campeão? Será que estas equipas vão retocar os respectivos plantéis, através de trocas ou da contratação de free agents, por forma a eliminar os problemas que têm revelado nesta primeira metade da época? Esta semana, debruço-me sobre os cinco conjuntos do Este que se destacam dos demais e que, na minha opinião, são as únicas formações desta conferência com hipóteses de lutar pelo título.

Atlanta Hawks (35-8)
Há dias escrevi aqui sobre as razões do sucesso dos Hawks. Na altura, sublinhei também algumas das suas lacunas. A formação de Atlanta precisa de uma maior presença nas zonas interiores e, sobretudo, quando a luta é na tabela atacante. O treinador Mike Budenholzer privilegia uma boa transição defensiva a uma segunda oportunidade no ataque e, talvez por isso, os Hawks são a pior equipa da NBA no ranking dos ressaltos ofensivos (8.4) e nos pontos após ressalto ofensivo (10.5), para além de ocuparem a 23ª posição nos pontos marcados na área restrictiva (41.0). Como referi na crónica sobre os Hawks, este factor poderá ser importante nos playoffs, frente a equipas com atletas grandes nas áreas próximas do cesto.

Washington Wizards (29-14)
O que dizer de uma equipa que parece ter tudo, pelo menos no papel? Que é preciso melhorar a eficácia da linha de lance livre. Os Wizards são uma das equipas mais completas do Este, com um backcourt de excepção e jogadores interiores dominadores. É verdade que o número de perdas de bola preocupa – são a 12ª equipa da liga com mais turnovers, com 14.8/jogo -, mas este número vai baixar nos playoffs, quando tudo abranda e se joga mais em meio-campo. Mas, para serem candidatos ao que quer que seja, não podem lançar apenas 73.9% da linha de lance livre. E talvez precisem de mais um atirador para a rotação, pelo que não é de estranhar o alegado interesse em contratar Ray Allen e em voltar a juntá-lo ao seu amigo de longa data Paul Pierce.

Toronto Raptors (27-15)
Os canadianos são um daqueles casos de uma equipa cujo foco é ganhar jogos a marcar mais pontos do que os adversários. De facto, não são uma grande equipa defensiva e a ausência de um poste que proteja o cesto é evidente. O lituano Jonas Valanciunas não é um grande defensor e isso ajuda a explicar que os Raptors sejam a 20ª equipa da NBA no ranking do rácio defensivo (104.5 pontos sofridos por cada 100 posses de bola dos adversários), para além de que estão no top-10 das equipas que mais pontos permitem na área restrictiva (43.2) e no top-5 das formações que mais pontos permitem após ressalto ofensivo dos adversários (14.3). E, no ataque, não podem estar tão dependentes do base Kyle Lowry.

Chicago Bulls (27-16)
Tal como os Wizards, os Bulls têm todas as peças. Na teoria. Os comandados por Tom Thibodeau não têm maus registos em todas as áreas do jogo, mas também já não são a força defensiva que foram nos últimos anos. Nas épocas mais recentes, os Bulls têm estado no top-3 dos vários rankings defensivos e, este ano, estão a meio dessas tabelas. De facto, nota-se uma diminuição da intensidade defensiva dos jogadores de Chicago, o que os leva a ser a 3ª equipa da NBA que menos roubos de bola faz (6.2) e, consequentemente, uma das que menos pontos marca após turnovers dos adversários. No entanto, o factor mais importante para estes Bulls serem um verdadeiro candidato é a saúde das suas «estrelas», como Derrick Rose e Joakim Noah. Sem lesões, os Bulls podem sonhar.

Cleveland Cavaliers (23-20)
Os responsáveis dos Cavaliers identificaram bem cedo que os maiores problemas da equipa estavam no meio-campo defensivo. Os Cavs apresentam vários indicadores negativos, no que diz respeito ao desempenho defensivo da equipa, e as recentes chegadas de Iman Shumpert e Timofey Mozgov servem para colmatar essas fraquezas. O poste russo está a assentar que nem uma luva e Shumpert, quando recuperar da lesão no ombro, também deverá ser um upgrade à defesa do perímetro. Assim que o base entrar no cinco inicial, J.R. Smith regressa ao banco e, nessa altura, veremos se tudo bate certo ou se a rotação do técnico David Blatt ainda precisa de mais alguém.
  

Na próxima semana, farei o mesmo exercício no Oeste. Terei trabalho a dobrar, portanto.

15.1.15

CONTRA-ATAQUE - Porque os Thunder não vão aos playoffs


Suns, Pelicans, Thunder ou Nuggets? Qual destas ganhará a corrida ao oitavo lugar no Oeste? No CONTRA-ATAQUE de hoje, o Ricardo Brito Reis diz que não será a equipa de Oklahoma:




Porque OKC não vai aos playoffs

por Ricardo Brito Reis

A luta pelo acesso aos playoffs está ao rubro, sobretudo no Oeste. Nesta altura, e se considerarmos que os Denver Nuggets têm que ser incluídos no rol de equipas candidatas às oito vagas, são onze os conjuntos que aspiram chegar à segunda fase da época. Três vão entrar de férias em meados de Abril e, se antes do arranque da temporada, os Oklahoma City Thunder eram uma das formações com lugar (quase) garantido, agora o cenário é bem diferente. E nem a recuperação de Kevin Durant e Russell Westbrook lhes está a valer de muito.

Para já, sete equipas parecem ter o passaporte praticamente carimbado para a fase a eliminar da competição: Warriors (31-5), Blazers (30-9), Grizzlies (27-11), Rockets (27-12), Mavericks (27-13), Clippers (27-13) e Spurs (24-16). Só um golpe de teatro, como uma ou várias lesões prolongadas de algumas «estrelas» pode ter impacto suficiente para retirar uma destas equipas dos oito lugares cimeiros da Conferência Oeste. Assim sendo, sobra uma vaga para ser disputada por Suns (23-18), Pelicans (19-19), Thunder (18-19) e Nuggets (18-20).

Mesmo com a desvantagem actual, a formação de Oklahoma City é, para muitos, a principal candidata ao oitavo posto, mas talvez esta previsão não seja assim tão linear. Os comandados por Scott Brooks têm apresentado várias lacunas no seu jogo e nem o regresso de Durant (falhou 23 partidas) e Westbrook (ausente em 13 jogos) tem sido especialmente positivo para a equipa. OKC mostra um estilo de jogo demasiado individualista e que privilegia os isolamentos das suas vedetas. A prova disso é o 29º lugar no ranking das assistências (19.8 por jogo), a 22º posição no rácio ofensivo (101.1 pontos por cada 100 posses de bola), para além das míseras percentagens de «tiro» (36.9% de lançamentos de campo, incluindo 32% de triplos).

É verdade que Westbrook e o ainda MVP da liga têm feito os seus números, mas os role players têm estado aquém das expectativas. Mesmo com as ausências das duas superestrelas, Serge Ibaka baixou o seu registo individual em relação à época passada (14.2 pontos, 7.2 ressaltos e 2.4 desarmes, em comparação 15.1/8.8/2.7 na temporada transacta), enquanto Anthony Morrow, Jeremy Lamb e Perry Jones tardam em contribuir ou têm-no feito de forma intermitente. E ainda é cedo para sabermos qual o verdadeiro impacto de Dion Waiters na equipa.

O maior adversário dos Thunder na corrida pelos playoffs são mesmo os Phoenix Suns. A vantagem na tabela classificativa é animadora para o conjunto do Arizona e a forma como têm jogado ultimamente também. Os Suns fazem da velocidade uma das suas mais-valias (3ª equipa da NBA com mais posses de bola por 48 minutos, com média de 99.1, e 2ª equipa da liga em pontos em contra-ataque, com 19.1), mas nem isso os impede de seleccionar bem os seus lançamentos, uma vez que estão no top-10 dos rankings de percentagem de lançamentos de campo (46.4%) e de triplos (36.1%).

O tridente de bases Dragic-Bledsoe-Thomas cria inúmeras dificuldades de match ups aos adversários, para além de que o desenvolvimento de jovens atletas como Alex Len e os irmãos Markieff e Marcus Morris está a ter um impacto imediato na produção da equipa. E a chegada de Brandan Wright vem ajudar a colmatar uma das pechas da formação orientada por Jeff Hornacek, que é a luta das tabelas.

No entanto, o maior argumento para afirmar que os Suns vão, de facto, garantir a última vaga do Oeste em detrimento dos Thunder é o calendário até ao final da época. Vários sites da especialidade calculam a força do calendário (Strength of Schedule - SOS) de todas as equipas da NBA, através de fórmulas que determinam uma média da dificuldade dos jogos de cada equipa, tendo em consideração factores como os registos V-D dos adversários e dos adversários dos adversários. Estão presentes, também, dados como se o jogo é em casa ou fora, se é um back-to-back, se está incluído em road trips, etc..

A maior parte dos sites especializados, mesmo com pequenas nuances nas fórmulas de cálculo do SOS, consideram que os Phoenix Suns têm um dos calendários mais fáceis da liga, até final da época regular. Por exemplo, no ranking da ESPN, os Suns apresentam o 3º calendário menos complicado da NBA, enquanto os Thunder ocupam o 18º lugar da tabela. A título de curiosidade, os Nuggets estão em 21º e os Pelicans em 29º.

É, apenas, teoria, mas são bons indicadores. E, por tudo isto, é bem provável que Durant, Westbrook, Ibaka e Scott Brooks assistam aos playoffs pela televisão.

8.1.15

CONTRA-ATAQUE - Spurs 2.0


No Contra-Ataque desta semana, o Ricardo Brito Reis faz uma extensa e excelente análise dos primeiros classificados do Este, os surpreendentes Atlanta Hawks:

Spurs - versão 2.0 

por Ricardo Brito Reis

Com a vitória desta noite frente aos Memphis Grizzlies, os Atlanta Hawks somam 27 triunfos e 8 derrotas, lideram a classificação da respectiva conferência e, pelo meio, ganharam a alcunha de «Spurs do Este». O seu estilo de jogo baseado na movimentação constante dos jogadores sem bola e consequente boa selecção de lançamentos, para além do desempenho defensivo assinalável, justificam essa comparação, mas reduzir o sucesso dos Hawks ao sistema é injusto. Vamos, por isso, dissecar a formação da Georgia, tentar perceber quais são os ingredientes desta receita vencedora e se, de facto, são um conjunto tirado a papel químico dos San Antonio Spurs.

O treinador
Neste ponto, a comparação com os actuais campeões é inevitável. Mike Budenholzer trabalhou 19 anos nos Spurs, antes de pegar na equipa dos Hawks. Começou como coordenador de vídeo e, dois anos mais tarde, passou a sentar-se ao lado de Gregg Popovich e tornou-se seu discípulo. Aí ficou 17 temporadas e, da famosa árvore de Coach Pop, Budenholzer era o ramo mais desejado pelas equipas que, por esta ou aquela razão, ficavam sem treinador. A sorte saiu aos Hawks.
Desde que chegou a Atlanta, o técnico nunca escondeu que ia implementar muito do que aprendeu em quase duas décadas no Texas e disse, em jeito de brincadeira, que, se as coisas corressem bem, estaria disposto a enviar 90% do seu ordenado a Popovich. Parece que está na hora de pagar.

Os jogadores
As comparações entre Hawks e Spurs são feitas inúmeras vezes, pelos principais analistas norte-americanos. E os atletas não fogem à regra. Se olharmos com atenção, há vários pontos em comum entre alguns deles.
Jeff Teague é um penetrador agressivo e assertivo e, à semelhança de um Tony Parker mais novo, acaba invariavelmente por lançar bem dentro da área restrictiva da equipa contrária. O base dos Hawks ainda não é uma ameaça tão mortífera quanto Parker no pick&roll, mas Mike Budenholzer quer que Teague aprenda a dominar as leituras do bloqueio directo tão bem como o francês. Kyle Korver é dos poucos jogadores da NBA que lança melhor da linha dos 3 pontos (51.3%) do que Danny Green (40,0%), embora seja pior no meio-campo defensivo. DeMarre Carroll faz lembrar Kawhi Leonard, ou seja, um atleta de dimensão marcadamente defensiva, mas que tem desenvolvido o seu jogo ofensivo nos últimos dois anos. E, com as devidas distâncias, Al Horford é uma espécie de Tim Duncan, na medida em que é uma força interior nos dois lados do campo. Ambos power forwards que aparecem muitas vezes na posição de poste, com capacidade para jogar de costas para o cesto, mas também de lançar de meia-distância. Ambos líderes dos respectivos conjuntos, nada egoístas, trabalhadores e disponíveis para sacrificar números individuais em prol da equipa. Sobra Paul Millsap, que pode ser comparado a Boris Diaw, pelo menos no que diz respeito à sua capacidade de passe, pese embora seja muito mais efectivo ofensivamente do que o francês. OK, esta última é a comparação mais forçada, mas não queria deixar o Millsap de fora.
Há, no entanto, diferenças evidentes entre os dois conjuntos. A maior é a ausência de um verdadeiro big no plantel dos Hawks, como Tiago Splitter ou Aron Baynes, dos Spurs. Por algum motivo são a 4ª pior equipa da NBA em matéria de ressaltos, com uma média de 41.0 por jogo (2ª pior em ressaltos ofensivos, com média de 8.5 por jogo) e a 8ª pior formação da liga em pontos marcados na área restrictiva, com uma média de 41.0 por jogo. Este factor pode vir a tornar-se decisivo, sobretudo nos playoffs, se tiverem que enfrentar os Chicago Bulls (Noah, Gasol, Gibson) ou os Washington Wizards (Gortat, Nené, Humphries). Para além desta lacuna, têm um banco com pouca profundidade, onde não há nenhum Manu Ginobili e apenas Dennis Schroder e Mike Scott contribuem com números significativos.

O sistema
A prioridade da equipa técnica liderada por Budenholzer era melhorar a circulação da bola, depois de vários anos com sistemas que viviam com base em isolamentos (quer para Joe Johnson, quer para Josh Smith). E, assim, Bud implementou um ataque por conceitos em tudo idêntico ao dos Spurs, com vários cortes e bloqueios, sobretudo do lado fraco, mas com uma premissa sempre presente: todos os cinco atletas em constante movimento e, pelo menos, uma mudança do lado da bola em cada ataque. A imprevisibilidade tornou-se imagem de marca do ataque dos Hawks, uma vez que cada atleta é uma ameaça ofensiva, até porque, à excepção de Elton Brand, todos os elementos que compõem o plantel são capazes de lançar do perímetro. Outra das regras de ouro do ataque dos Hawks é abdicar de um bom lançamento para privilegiar um excelente lançamento (‘good to great’) e, por isso, a qualidade de passe e a tomada de boas decisões são, também, referências para esta formação.
Defensivamente, os Hawks gostam de assumir as responsabilidades individuais e as ajudas são, mesmo, o último recurso. E é comum usarem como estratégia a variação dos match ups defensivos várias vezes no mesmo jogo, obrigando os adversários a terem que ajustar consoante o defensor que têm à frente.
É um sistema que depende do Q.I. basquetebolístico dos atletas e, nesse capítulo, os Atlanta Hawks estão muito bem servidos. E, como diz Popovich, não têm todo o talento do mundo, mas têm as peças certas que se complementam na perfeição.

Os números
Toda a gente fala da qualidade de passe, mas, apesar de liderarem o ranking da assist % (percentagem de lançamentos concretizados após assistência de um colega) entre todas as equipas da NBA, com 67.0%, os Hawks estiveram no top-10 deste ranking nas últimas cinco temporadas. A diferença é que todos contribuem no ataque e isso vem do trabalho de desenvolvimento individual promovido por Mike Budenholzer. Basta ver, por exemplo, que Paul Millsap marcou mais triplos na época passada do que em sete temporadas nos Utah Jazz. E, tal como Millsap, outros têm evoluído muito desde a chegada de Bud.
Defensivamente, estão melhores a cada novo ano. Esta época, são 5º no rating defensivo (pontos sofridos por cada 100 posses de bola do adversário) e estão no top-10 de outros rankings defensivos, como os roubos de bola, os pontos sofridos em contra-ataque e pontos sofridos na área restrictiva.

A química
DeMarre Carroll não tem dúvidas quanto à explicação do sucesso dos Hawks. O extremo diz que todos os jogadores confiam uns nos outros, o que não acontecia no passado recente. Elton Brand acrescenta que, das equipas por onde passou, esta é aquela em que os jogadores mais querem trabalhar e sublinha que são os que jogam menos ou os que têm contratos garantidos por mais de um ano que dão o exemplo, treinando no limite, porque querem melhorar e contribuir.
A este mindset dos atletas não será alheio o papel do treinador. Após cada jogo, seja vitória ou derrota, Mike Budenholzer promove um jantar na cidade em que se encontra a equipa. A presença no jantar não é obrigatória, mas ninguém falta. Em vez de apanharem um charter de regresso a Atlanta, os jogadores e técnicos dos Hawks jantam juntos, num ritual que o treinador chama de «breaking bread», e esses jantares têm aproximado os jogadores entre si e os atletas com os técnicos. Os laços entre todos saem reforçados e isso reflecte-se, depois, dentro das quatro linhas.

O futuro
É a primeira vez em 17 anos que os Hawks lideram isolados a Conferência Este. Nos anos mais recentes, a equipa não tem sido má, mas também não tem sido boa. E isso reflecte-se nas bancadas. Registam a 9ª pior média de assistência da NBA, mas, com este sucesso deste ano, essa média subiu em 2200 pessoas, o que é o maior aumento da liga norte-americana. O futuro passa por aqui. Tornar a equipa suficientemente excitante, para ter cada vez mais gente a assistir aos jogos. Essa envolvência com as pessoas de Atlanta vai ajudar a tornar a formação mais apelativa para outros jogadores, free agents ou não. A cidade já é atractiva para muitos jogadores de outras equipas, e alguns deles têm casa em Atlanta, mas faltava qualquer coisa para atrair as superestrelas. Esse “qualquer coisa” começa a aparecer. Uma boa equipa e uma cultura de vitória.