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18.9.11

Talento, ganas e ouro


Lisboa, 25 de Julho de 1999. Num Pavilhão Atlântico cheio, a selecção espanhola vence os Estados Unidos (94-87) e sagra-se pela primeira vez campeã mundial de sub-19. Nesse final de tarde, Juan Carlos Navarro, Pau Gasol e Felipe Reyes estavam entre os jogadores espanhóis que levantaram o troféu.

Kaunas, 18 de Setembro de 2011. A selecção espanhola vence a França (98-85) e sagra-se campeã europeia pela segunda vez consecutiva. Entre os jogadores espanhóis que levantaram o troféu esta noite estão Juan Carlos Navarro, Pau Gasol e Felipe Reyes.

E entre estes dois dias, mais de uma década no topo do basquetebol europeu e mundial para a mais bem sucedida geração de sempre do basquetebol espanhol. Depois desse título em Lisboa, o sucesso continuou no escalão sénior e foram vice-campeões europeus em 2003 e 2007, campeões mundiais em 2006, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2008 e campeões europeus em 2009. Hoje somaram mais um título.


E para o conseguir, o melhor ataque deste Eurobasket venceu a França com aquela que foi a principal arma dos gauleses em todo o torneio: a defesa. Foi com uma uma série de jogadas defensivas no segundo período (cinco desarmes de lançamento de Ibaka em cinco minutos, particularmente) que os espanhóis conseguiram ganhar vantagem. Depois, na segunda parte, o seu ataque manteve a distância e levou-os até ao fim. Navarro voltou a aparecer no 3º período e, mais uma vez, cravou adagas de três no coração da equipa adversária. 

No final, para além de mais um título, o atirador espanhol levou para casa o prémio de MVP. E o Gasol mais velho, Pau, juntou-se a ele no cinco ideal do torneio. Merecidamente, Espanha foi a selecção mais representada e a única com dois jogadores nesse cinco (que fica completo com Tony Parker, Andrei Kirilenko e o macedónio Bo McCalebb).

Porque Espanha foi claramente a melhor equipa de todo o torneio. Com Calderon como experiente timoneiro (e Rubio a revezá-lo), Navarro como letal atirador, Rudy Fernandez numa explosiva ligação exterior-interior e os irmãos Gasol (e Ibaka) a formar o melhor frontcourt da Europa, não deram hipótese à concorrência. Tiveram o melhor ataque (937 pontos marcados, 85.2/jogo e 214 ast, 19.5/jogo), foram os segundos melhores nos ressaltos (38.1/jogo, apenas atrás dos 39/jogo da Lituânia) e os melhores nos roubos de bola (8.3/jogo) e desarmes de lançamento (3.8/jogo). Dominaram nos dois lados do campo. Entraram neste Eurobasket como a equipa com o maior arsenal e os principais favoritos e saíram como vencedores e a equipa que jogou melhor. 

Agora, falta apenas um feito a esta geração: vencer o ouro (e os Estados Unidos, para lá chegar) nos Jogos Olímpicos. Vão tentá-lo no próximo verão. Seria fechar com chave de ouro uma geração dourada.

15.9.11

Bons não-tão-velhos-como-isso tempos


Ontem vi este vídeo no Ressalto e as memórias que me trouxe! Para além de ter estado lá neste dia e para além das fantásticas recordações das grandes equipas do Benfica (e do Porto também) nos anos 90, este vídeo recordou-me de bons tempos do nosso basquetebol. Tempos em que tínhamos jogos com pavilhões  cheios, em que tínhamos o Benfica a competir e ganhar jogos na Euroliga (que anos inesquecíveis aquelas de 94 e 95!) e em que tínhamos tantos jogadores portugueses a jogar nas equipas da liga. Se queremos manter (ou subir) o nível da nossa selecção (lá iremos a esse assunto num post futuro) temos de voltar a tempos como estes!



6.9.11

E para terminar: Portugal - Lituânia


Acabou o Eurobasket para a selecção portuguesa. Na quinta e última jornada do grupo foi a vez de defrontar os anfitriões. Portugal aguentou 19 minutos e chegou ao último minuto do 2º período empatado a 35. Não fossem dois triplos consecutivos dos lituanos nos dois últimos ataques e podíamos ter chegado ao intervalo com um surpreendente empate. 

Depois na segunda parte, os lituanos deixaram claras as diferenças entre as duas equipas e nem precisavam do empurrão dado pelos árbitros no início do 3º período, com uma técnica pra lá discutível ao banco português (por ter um jogador em pé, algo proibido pelas regras, mas algo que acontece em todos os jogos e algo para o qual é sempre dada uma grande margem de tolerância) e uma técnica a Mário Palma por protestar a primeira. Mas, independentemente disso, a Lituânia não deixou dúvidas sobre a sua superioridade e o jogo terminou com o máximo de pontos sofridos pela nossa selecção e a maior diferença de pontos dos cinco jogos (98-69). 

E a diferença foi mais que óbvia em três áreas: ressaltos (40-26), percentagens de lançamentos (59.5% dos 2pts e 63.6% dos 3pts contra 34.3% de 2pts e 37% de 3 pts dos portugueses) e contra-ataques (a velocidade dos lituanos no contra-ataque fazia parecer que estavámos a recuperar defensivamente em câmara lenta).


No fim, mais um jogo, mais uma derrota e terminamos a participação no último lugar do grupo sem qualquer vitória. É claro que o mais importante estava conseguido com o apuramento para o torneio. E qualquer balanço deste Eurobasket é sempre positivo só pelo facto de estarmos presentes. É fundamental para a evolução da modalidade e dos jogadores portugueses que Portugal marque presença nos principais palcos do basquetebol europeu. Ser uma presença regular é não só desejável como necessário para a promoção do basquetebol e para a captação de mais praticantes. E só a jogar com os melhores podemos aspirar a ser melhores.

Mas fica também algum amargo de boca por não termos conseguido vencer um jogo. E por termos desperdiçado duas oportunidades para o conseguir. Se era irrealista pensar que conseguiamos fazê-lo contra Espanha, Lituânia e Turquia, não só era possível como tivemos todas as hipóteses para o fazer contra a Polónia e a Grã-Bretanha.

E é sintomático da nossa inadaptação a este nível de competição o facto de termos jogador melhor nos jogos frente às três selecções mais fortes (jogos onde não tinhamos nada a perder) do que nos dois jogos frente às selecções acessíveis. Foi nestes últimos, sob a pressão de ganhar, que mais falhámos. Uma consequência da nossa falta de experiência a este nível e um sinal da nossa incapacidade de lidar com a pressão da competição ao mais alto nível.

Como sintomático é que os nossos jogadores não consigam aguentar o ritmo de cinco jogos em seis dias. Porque não estão habituados. Porque jogam uma vez (ou duas, no máximo) por semana e fisicamente não são desenvolvidos ao máximo.

Algo que só a presença habitual nestes eventos e uma maior exigência no trabalho dos clubes e nas competições domésticas podem mudar. A única coisa que nos pode preparar para aguentar a pressão é passar muitas vezes por situações de pressão, vezes e vezes sem conta até ser algo a que estejamos perfeitamente habituados. E a única coisa que nos pode preparar para jogar a este ritmo é jogar, jogar e jogar mais. Por isso, se queremos ter mais sucesso no futuro é bom que recordemos este Eurobasket. E que todos (clubes, federação e atletas) trabalhem mais e melhor. Para nos aproximarmos dos outros. E para aguentarmos a pressão e a exigência física de jogar com eles. É isso que todos desejamos, não é? Mãos à obra então.

4.9.11

Portugal - Grã-Bretanha: Live by the sword, die by the sword


Nada melhor que uma expressão inglesa para resumir o jogo frente à Grã-Bretanha. Os triplos a que tantas vezes recorremos (média de 24.5 tentativas/jogo nos 4 jogos) e que são a nossa maior arma ofensiva, foram a arma com que a Grã-Bretanha nos derrotou.

À quarta jornada, com a equipa de Luol Deng pela frente, a questão que se colocava era "que Portugal vamos ter hoje? O da primeira parte do jogo com a Polónia ou o da segunda?"
Infelizmente, o Portugal que entrou em campo (sem António Tavares, que ficou de fora com problemas intestinais) foi o da segunda parte do jogo anterior. Uma equipa passiva, com pouca energia, pouco activa e agressiva na defesa (pouca pressão nas linhas de passe, dificuldade em defender os bloqueios directos, em parar as penetrações e/ou em recuperar para os jogadores exteriores após penetração) e desorganizada e precipitada no ataque (não atacaram o cesto com penetrações e fizeram uma má movimentação da bola).

Depois da desilusão do jogo anterior, esperávamos uma equipa motivada para mudar a imagem que deixou e focada em não cometer os mesmos erros. Esperávamos (ou desejávamos) uma equipa com energia e com um sentido de urgência em ganhar. "Vamos deixar tudo em campo, porque é agora ou nunca!" era o que queriamos sentir na atitude dos jogadores portugueses.

Mas o que tivemos foram 13 TO's, vários ressaltos ofensivos (e as consequentes segundas chances de lançamento) consentidos e 44 pontos sofridos, para uma desvantagem de 10 ao intervalo (uma desvantagem que não era má para o que jogámos nesses 20 minutos!).


A caminho da segunda parte, ainda tinhamos esperança. Talvez acontecesse o contrário do jogo anterior e fizessem uma 1ª parte péssima e uma grande segunda parte. E, de facto, no 3º período, entraram mais activos na defesa e começaram a executar melhor no ataque. Mas aí chegou a espada inglesa que acabou com os sinais de vida que tentávamos mostrar. Enquanto nós movimentávamos melhor a bola, mas não acertávamos os lançamentos, eles executavam pior (por mérito da nossa defesa que aumentou a intensidade e conseguiu defender melhor as penetrações), mas marcavam. E aos três de cada vez. 

Nós a executarmos melhor, mas a marcarmos ainda menos (acabou por ser o período menos eficaz, com apenas 11 pontos marcados!) e a os bretões a executar pior, mas, com mais ou menos dificuldade, a marcarem na mesma. E se a jogar o nosso melhor não conseguimos reduzir a desvantagem (pelo contrario, ainda aumentou para 13 pontos no fim do 3º: 59-45), nao restavam muitas esperanças para o 4º período.

O último sinal de vida foi dado a meio deste, quando Mário Palma levou uma Técnica e os jogadores deram algum sinal de luta (literalmente) em campo. A escaramuça entre Minhava e Joel Freeland foi o mais perto que estivemos de mostrar garra em todo o jogo. E ficámos por aí. 
Ironicamente, o nosso pior jogo até agora foi aquele onde estivemos melhor nos lances livres (26 em 27, 96.3%!). Mas no fim, 21 TO's, 37,1% nos 2pts (13-35), 23.3% nos 3pts (7-30!) e uma defesa longe daquela que mostraram em jogos anteriores foram suficientes para acrescentarmos mais uma derrota à nossa aventura lituana. 

Justiça seja feita aos nossos jogadores, quatro jogos em cinco dias é muito mais do que eles estão habituados e parece que o combustível está já na reserva. Não deu para mais.

2.9.11

Portugal - Polónia: à terceira... não foi de vez


Ao terceiro dia de Eurobasket, foi a vez de enfrentarmos a Polónia. Se nas duas jornadas anteriores a missão de Portugal era praticamente impossível e o objectivo limitava-se a tentar discutir o jogo e perder pelo menor número de pontos possível, hoje, frente a uma selecção polaca sem os seus dois melhores jogadores (Marcin Gortat e Maciej Lampe), era um jogo para ganhar. 

E ao intervalo parecíamos bem encaminhados para isso. Salvo ocasionais lapsos, a defesa foi quase perfeita durante os primeiros 20 minutos, com uma boa defesa dos bloqueios directos e boas rotações  e ajudas defensivas. A entrega e a luta aplicada no meio campo defensivo foi exemplar e conseguimos manter os polacos abaixo dos 30 pontos. 

Do outro lado do campo as coisas também correram melhor que nos dois primeiros jogos. Primeiro, devido à boa defesa, conseguimos fazer mais contra-ataques. Depois, no ataque em meio campo, fizemos coisas semelhantes às que fizemos nos jogos anteriores, mas hoje, frente a uma equipa inferior aos adversários anteriores, conseguimos fazê-las melhor. Conseguimos mais penetrações para o cesto e conseguimos muitas vezes desequilibrar a defesa. Conseguimos ainda vários ressaltos ofensivos e segundas oportunidades de lançamento. E se no primeiro período algum desacerto nesses mesmos lançamentos impediu-nos de descolar no marcador, no segundo melhorámos as percentagens e chegámos ao intervalo com uma boa vantagem de 7 pontos (36-29).

Uma vantagem que só não foi maior porque também repetimos erros dos dois jogos anteriores: alguns lapsos em fundamentos como o passe e o drible a originar turnovers e vários lances livres falhados (9-15, 60%).


Mas depois veio o terceiro período. Aqueles que foram os piores 10 minutos que a selecção portuguesa teve nos 120 que jogou até agora. Foi um período péssimo, onde baixámos a intensidade defensiva, tivemos inúmeras desconcentrações e sofremos 20 pontos. No ataque, foi ainda pior. Turnovers atrás de turnovers (uma dezena em 10 minutos e com uma fase onde contei cinco consecutivos) resultaram em 7 minutos sem marcar qualquer ponto (só marcamos o primeiro cesto a 3:55 do final do 3º período!). 

Miraculosamente (e a jogada do lançamento de José Costa sobre o apito é simbólico deste 3º período: atabalhoado, desorganizado e improvisado), chegámos ao fim deste pesadelo empatados (49-49). 

Mas no 4º período o cenário não melhorou muito. A intensidade defensiva nunca mais voltou, deixámos de atacar o cesto, movimentámos pouco a bola e contentámo-nos com lançamentos exteriores vezes demais. E no fim, mais uma derrota.

E se a de ontem, como disse Miguel Miranda, foi uma derrota boa, a de hoje foi definitivamente má. A receita de boa defesa e ataque esclarecido que tão bons resultados deu na primeira parte foi inexplicavelmente esquecida no balneário. E esta foi, infelizmente, uma oportunidade perdida.


(amanhã é dia de descanso. Portugal volta a jogar no Domingo, às 13:15, frente à Grã-Bretanha. Nova oportunidade. Vamos ver se é desta)

1.9.11

Portugal - Espanha


E ao segundo dia, depois dos vice-campeões mundiais, Portugal enfrentou os actuais campeões europeus e principais favoritos à vitória neste Eurobasket. E, como se previa, foi mais uma tarefa impossível. Se ontem tivemos dificuldades com a diferença de altura para os turcos, hoje não foi diferente. Ou melhor, foi. Porque os jogadores interiores turcos eram grandes, mas mais pesados e estáticos. Os espanhóis (Pau Gasol, Marc Gasol e Serge Ibaka) são grandes e também rápidos e móveis. Já viram bem o seu frontcourt? Gasol, Gasol e Ibaka. Este seria um frontcourt de topo na NBA. Por isso imaginem a tarefa hercúlea que tinha o nosso.

E essa altura-aliada-a-velocidade dos nuestros hermanos provocou inevitáveis desequilíbrios nas áreas perto do cesto, com os irmãos Gasol a conseguir ganhar posições de vantagem e marcar muitos pontos (30 entre os dois, muitos deles na área restritiva). E com jogadores exteriores tão ou mais rápidos, as ajudas e as rotações defensivas foram igualmente difíceis. É como a velha história da manta: cobre-se dum lado, destapa-se do outro. Se não faziamos 2x1 aos jogadores interiores eles conseguiam superiorizar-se facilmente, se faziamos 2x1 os rápidos jogadores exteriores desmarcavam-se para lançamentos em posições privilegiadas. Mas apesar de todas essas dificuldades, e apesar de poder não parecer à primeira vista, Portugal defendeu bem. 

(foto FPB)
É claro que Espanha, obviamente, conseguiu ultrapassar a nossa defesa muitas vezes, mas os jogadores nacionais dificultaram-lhes a tarefa ao máximo. Estiveram bem posicionados na maioria do jogo e fizeram boas ajudas e boas rotações defensivas. Espanha marcou muitos pontos, mas, no ataque em meio campo, teve de trabalhar e movimentar bem a bola para os marcar.

E na segunda parte, quando, com o passar do tempo e com o cansaço, as rotações começaram a falhar, Mario Palma experimentou uma defesa zona 2-3 que deu bons resultados. Conseguimos fechar melhor a área restritiva e recuperar mais rápido para os jogadores exteriores e é uma defesa que podemos (e devemos) voltar a ver noutros jogos.

Onde a velocidade espanhola criou ainda mais dificuldades foi no ataque organizado luso. Enquanto os turcos não pressionaram tanto no perímetro e basearam a sua defesa no muro de jogadores interiores que qualquer jogador português encontrava quando tentava penetrar, os espanhóis pressionaram muito os nossos jogadores exteriores. Como resultado disso, no início do jogo sentimos muitas dificuldades em atacar. Calderon, Navarro e Rudy Fernandez pressionaram sempre o portador da bola e as linhas de passe, provocaram muitos turnovers e conseguiram muitos contra-ataques.

Mas com a entrada de António Tavares, conseguimos ultrapassar essa pressão e partir daí atacámos melhor. Embora também devido ao ritmo de jogo mais elevado (com mais posses de bola disponíveis), neste jogo marcámos mais 17 pontos que ontem. E com melhores percentagens tanto de 2pts (16-39, 41%) como de 3pts (9-23, 39.1%).

Portanto, marcámos mais 17 pontos, sofremos apenas mais 8 (com uma equipa espanhola mais talentosa que a turca) e perdemos por uma diferença menor, 14. Nada mau. No final, acabámos com um respeitável 73-87 que não envergonha ninguém. Pelo contrário. Os jogadores portugueses podem dormir bem hoje, sabendo que deram o seu melhor.


(amanhã, às 15:45, é hora de enfrentar a Polónia. E amanhã não é para tentar perder pelo minímo possível. Amanhã é para ganhar.)

Portugal - Turquia



Turquia 79, Portugal 56. Assim terminou a estreia da selecção portuguesa. Como se previa, foi muito difícil contrariar a diferença de estatura para os vice-campeões mundiais. Por acaso até ganhámos mais ressaltos (42-38, com 16-7 em ressaltos ofensivos), mas isso deveu-se a termos falhado muitos mais lançamentos que a Turquia (19-51, 37.3% contra 24-39, 64.5%) e termos tido mais ressaltos disponíveis.

Porque os turcos dominaram o jogo interior. Tanto no ataque, onde Kanter, Savas e Asik ganharam facilmente posições vantajosas e marcaram muitos pontos perto do cesto, como na defesa, onde cada jogador português que penetrasse esbarrava num muro de gigantes turcos. Para além disso, sem termos uma ameaça ofensiva interior, um jogador que receba a bola a poste baixo e consiga jogar 1x1 e atrair ajudas defensivas, torna-se muito difícil penetrar ou conseguir tirar a defesa de posição. E assim não se consegue nem penetrar nem arranjar espaço para lançamentos exteriores.

À vista desarmada e se olharmos para o resultado de forma absoluta e descontextualizada, poderíamos dizer que Portugal não começou da melhor forma. Mas se considerarmos todos os factores e a diferença física e técnica entre as duas selecções, vemos que não é bem assim. É claro que houve lances livres falhados, alguns lançamentos isolados falhados e alguma falta de intensidade em momentos particulares do jogo, mas, de forma geral e na maioria dos 40 minutos, Portugal lutou, fez o que pôde e teve uma estreia positiva (ninguém esperava que vencêssemos a Turquia, pois não?).

Amanhã há mais. Às 13:15 é a vez de enfrentarmos Pau Gasol e a armada espanhola.

30.8.11

A nossa selecção


Este Eurobasket promete. A maioria das selecções apresentam-se na máxima força (ou muito perto dela) e a grande maioria dos jogadores europeus que militam na NBA vão estar presentes. Se noutras edições, ora por questões físicas, ora por questões contratuais, muitos optavam por não representar o seu país, o lockout deste ano parece ter tido o efeito contrário. Com os training camps ainda longe de começar e com a possibilidade da temporada ser mais curta, a questão do desgaste da competição internacional e do peso que isso pode ter na longa temporada da NBA não se coloca e quase todos decidiram representar os seus países.


À excepção dos ausentes por lesão e um ou outro (Marcin Gortat e Ben Gordon) que tiveram problemas com o seguro em caso de lesão, vão estar presentes as principais estrelas europeias. E com isso, ganha a competição e ganhamos nós. Porque este Eurobasket vai ser uma representação fiel do valor do basquetebol europeu e promete basquetebol do mais alto nível.

Ora neste panorama, que podemos esperar da participação da nossa selecção? Incluída no grupo A, vamos apanhar pela frente a favorita Espanha, a anfitriã e candidata Lituânia, a poderosa e também candidata Turquia e ainda a Polónia e a Grã-Bretanha. Um grupo difícil, com três potências do basquetebol europeu (e mundial), uma boa selecção polaca e a acessível Grã-Bretanha.

Que armas temos para enfrentá-las? Antes de mais, temos de falar das armas que não vamos ter. Lesionados e fora dos planos de Mario Palma, estão Heshimu Evans, João "Betinho" Gomes, Paulo Cunha e Nuno Cortez, todos jogadores importantes e cuja falta será sentida. Assim, as doze armas que temos são:

Bases - António Tavares (Benfica), José Costa (Porto), Miguel Minhava (Benfica) e Filipe da Silva (Paris-Levallois, França)

Extremos - Carlos Andrade (Porto), João Santos (Porto), José Silva (Barreirense) e Fernando Sousa (Académica)

Postes - Elvis Évora (Benfica), Miguel Miranda (Porto), Cláudio Fonseca (V. Guimarães) e Marco Gonçalves (Ginásio Figueirense)

Destes, o cinco inicial provável será José Costa, Carlos Andrade, João Santos, Miguel Miranda e Elvis Évora.


Quais são então as forças e fraquezas desta selecção? Comecemos por estas últimas.

- Falta de wing players
Temos jogadores exteriores e interiores, mas faltam-nos jogadores intermédios, capazes de fazer o jogo de ligação entre um e outro, elementos com jogo de meia distância e penetrações capazes de desequilibrar e tirar as defesas de posição (o tipo de jogo que encontramos em Paul Pierce Shawn Marion ou Lebron James, para dar exemplos da NBA). Carlos Andrade é o único com a versatilidade para fazer esse tipo de jogo, mas mesmo ele é mais um shooting guard defensor e atirador.

- Défice de altura
Este é um problema histórico em Portugal. Somos um país de gente pequena e não podemos fazer nada contra isso. Todas as selecções do grupo têm vários jogadores com 2,08m ou mais e pelo menos um jogador acima dos 2,10m. Nós não temos ninguém que ultrapasse os 2,06m.

- Pouca versatilidade dos bases
Os nossos bases são essencialmente organizadores e atiradores. São jogadores que operam essencilamente pelo perímetro e o único capaz de penetrar e jogar no 1x1 é António Tavares.

- Falta dum go-to player
O nível no cinco inicial é homogéneo e ninguém se destaca, mas o que pode parecer uma coisa boa revela também um lado negativo: falta-nos uma estrela da equipa, um jogador que desequilibre e a quem possamos recorrer em alturas ou posses de bola decisivas.

- Banco
O cinco inicial é competitivo e experiente, mas depois Mário Palma não tem tantas opções no banco como gostaria. Com as lesões, foram chamados nomes menos habituais e alguns deles têm pouca ou nenhuma experiência a este nível. Nos bases, o nível é homogéneo e podemos fazer qualquer rotações com os quatro bases, mas nas outras posições as alternativas aos titulares são inferiores, especialmente nos extremos, onde não há alternativa à altura para João Santos e Carlos Andrade.

Como é sempre o caso, temos de fazer das nossas fraquezas forças e tentar aproveitar o que temos de melhor:

- Distribuição da marcação de pontos
A homogeneidade do cinco e a falta dum go-to player deve ser aproveitada para tornar o ataque mais imprevisível. Não há ninguém que seja a ameaça óbvia e não há um jogador para a equipa adversária neutralizar. Todos os jogadores podem marcar (no último jogo, frente à Finlândia, quatro jogadores marcaram na casa das dezenas, por exemplo).

- Lançamento de 3 pontos
Esta é a nossa especialidade. Tanto que às vezes abusamos dela e conformamo-nos com os lançamentos exteriores. Mas com o défice de altura dos jogadores interiores e a falta de wing players, é uma arma que teremos sempre de explorar e de que precisamos para conseguir espaço noutras áreas do campo.

- Experiência
O núcleo desta selecção já esteve no Europeu de 2007 e já tem experiência a este nível. Por isso as emoções estarão sob controle. E jogadores experimentados e calmos conseguem controlar melhor o ritmo de jogo e ter melhores decisões em campo.

Mas ainda estamos longe das selecções de topo e são, portanto, modestas as aspirações de Portugal neste Eurobasket. Com os três primeiros de cada grupo a passar para a segunda fase, as hipóteses de Portugal consegui-lo são diminutas, para não dizer nulas. Mas já é bom lá estarmos e marcarmos presença nos principais palcos da modalidade. Agora o objectivo é conseguir uma vitória frente à mais fraca Grã-Bretanha ou frente à desfalcada Polónia (sem Gortat e Maciej Lampe, do Caja Laboral) e fazer uma boa figura e o melhor possível contra Espanha, Lituânia e Turquia.


(e o primeiro jogo é já amanhã - ou hoje, dependendo de quando estiverem a ler isto -, quarta-feira, frente à Turquia, às 15:45, com transmissão em directo na SportTV. Podem ver aqui o lista completa e os horários dos jogos da 1ª fase que a SportTV vai transmitir e ver aqui um calendário maravilha de todo o torneio)

29.8.11

Bola(s) ao ar no Eurobasket 2011


A Lituânia é um país de basquetebol. É o desporto mais popular do país, com mais de 25000 praticantes federados (parece um número pequeno, mas a Lituânia tem apenas 3 milhões da habitantes e, para terem uma noção, é o dobro dos praticantes de futebol). Os jogadores de basquetebol são os desportistas mais famosos do país. Os Cristianos Ronaldos e Fábios Coentrões lá do sítio chamam-se Sabonis, Marciulonis ou Jasikevicius.

E para dar início às festividades do Eurobasket 55000 lituanos juntaram-se para driblar 55000 bolas de basquetebol, estabelecendo o recorde do mundo para o maior número de pessoas a driblar ao mesmo tempo:


"Estamos muito contentes por mostrar ao mundo o que o basquetebol significa para nós e o quão loucos por basquetebol somos", disse o presidente da organização, Mindaugas Spokas. Acho que ninguém ficou com dúvidas.

Portugal no Eurobasket


Desculpem a ausência nos últimos dois dias, mas o trabalho tem apertado e entre um Domingo a trabalhar das 11 às 11 e mais umas noitadas na agência não sobra muito tempo para escrever.
Mas, em resposta à questão do JP nos comentários do post anterior, sim, claro que vamos acompanhar as desventuras da nossa selecção no Eurobasket.


Como está escrito na nossa apresentação, o SeteVinteCinco é o blogue português da NBA, por isso antes de sermos da NBA, somos portugueses. E não podemos ficar indiferentes ou ignorar uma rara participação da nossa selecção num Campeonato da Europa. Já basta a distracção das nossas televisões e jornais desportivos.
Para além disso, a NBA continua sem novidades (vamos ter reunião entre os donos e os jogadores esta semana, vamos ver o que dá) e prolonga-se a silly season ad eternum.

Por isso, mantemos um olho no outro lado do Atlântico e vamos ficar atentos ao que por lá aconteça, mas as nossas atenções voltam-se para a Lituânia e para o torneio que começa já esta quarta-feira. Fica prometido para amanhã o post com a análise da selecção portuguesa.

18.8.11

Um bom dia para o basquetebol nacional


Fazemos aqui um parênteses na NBA para dar os parabéns à selecção nacional pelo apuramento para o Eurobasket 2011. Com a vitória desta noite na Hungria (66-57), já temos um lugar garantido na prova que vai decorrer entre 31 de Agosto e 18 de Setembro na Lituânia. Agora é só ver se acabamos o apuramento em primeiro ou segundo (falta um jogo frente à Finlândia e quem ganhar fica em primeiro) para ver em que grupo ficamos no Europeu.

Se ficarmos em primeiro, ficamos no grupo da Bósnia, Macedónia, Croácia, Montenegro e Grécia. Se ficarmos em segundo, apanhamos pela frente a Espanha, a anfitriã Lituânia, a Turquia, a Polónia e a Grã-Bretanha.
Tarefa bem complicada em qualquer um deles, mas estamos na Lituânia, agora vamos tentar fazer tão bom ou melhor que em 2007 (uma tarefa muito difícil, eu sei, mas vamos lá tentar).

Mas para já, vamos festejar o apuramento e Parabéns, Portugal!