31.3.12

Um final emocionante


Falta já menos de um mês para o fim da temporada regular e os próximos 26 dias prometem muita acção. Mesmo numa fase já tão avançada da temporada, a classificação está uma embrulhada e tudo se conjuga para termos uns dos finais de temporada regular mais emocionantes dos últimos tempos.


No topo de cada conferência, a única dúvida que ainda resta é qual dos dois primeiros classificados de cada lado vai terminar em primeiro. Heat e Bulls estão tranquilamente na frente das suas divisões e, com 7 e 9 jogos de vantagem sobre os Magic, vão acabar nos dois primeiros lugares do Este. Mas com dois jogos de diferença entre ambas (42-11 para Chicago e 37-13 para Miami), a luta pelo primeiro lugar (e vantagem-casa nos playoffs) está em aberto. 
No Oeste, idem: Thunder e Spurs estão, respectivamente, 8 e 6 jogos à frente dos Lakers e resta saber qual deles termina no primeiro lugar. E, tal como no Este, separados por apenas dois jogos (39-12 para OKC e 35-14 para San Antonio), vamos ter luta até ao fim pela primeira posição.

No extremo oposto, são já muitas as equipas que estão fora da corrida pelos playoffs. Bobcats, Raptors, Nets, Wizards, Cavs, Pistons (a Este), Hornets, Kings, Warriors, Blazers e Wolves (a Oeste) esperam apenas que a temporada termine e pensam já no draft (e muitas delas entraram já em modo "tanking" para conseguir mais bolas para o sorteio).

Mas é entre estes dois extremos que a luta está ao rubro. No Este, Knicks e Bucks estão num sprint renhido pela oitava e última vaga nos playoffs. Para já, vantagem mínima para a equipa de Nova Iorque (26-26 contra 24-27) e com um jogo entre ambas no dia 11 de Abril (em Milwaukee) temos emoção garantida.

Depois, temos uma situação que pode mudar completamente de um dia para o outro o posicionamento para a segunda fase. Os vencedores de divisão ficam automaticamente nos primeiros quatro e assim os Celtics, apesar de terem um recorde pior que os Pacers e os Hawks, estão em 4º lugar do Este. Mas Sixers e Celtics estão separados por apenas um jogo (29-22 para Boston e 28-23 para Philadelphia) e para estas equipas o primeiro lugar na Atlantic Division significa a diferença entre ficar em 4º ou cair para 7º. Por isso, temos aqui mais uma luta que que promete muita emoção.

A Oeste, tudo pode acontecer. E queremos mesmo dizer tudo. Abaixo dos Thunder e Spurs, a classificação está mais renhida que nunca e um deslize de dois ou três jogos pode atirar uma equipa do 4º lugar para fora dos playoffs. Entre o 3º e o 9º há apenas 5 jogos de diferença e está tudo completamente em aberto.
Os Lakers (31-20) estão em terceiro, mas não estão de forma alguma confortáveis nesse lugar (Clippers e Grizzlies estão logo atrás, com 30-21 e 27-22). E daí para baixo as coisas estão ainda mais embrulhadas. Os Mavs têm 23 derrotas, os Nuggets e Rockets, 24 e os Jazz, 25. Não podem relaxar um jogo que seja pois correm o risco de se verem, num instante, fora dos oito primeiros.

Restam 12 a 14 jogos a cada uma das equipas e vamos ter indefinição mesmo até ao último dia. Por isso, preparem-se para um final de temporada muito emocionante.

30.3.12

Fisher e Mavs - o regresso


Podem acusar o público de Los Angeles de muita coisa - que chegam tarde aos jogos, que não são os fãs mais participativos do mundo - mas ninguém os pode acusar de ingratidão. Depois desta recepção a Lamar Odom, ontem foi a vez de Derek Fisher regressar ao Staples Center envergando a camisola doutra equipa. E os fãs dos Lakers não se esqueceram das 13 temporadas em que ele vestiu de amarelo:



E os Lakers também não se esqueceram e homenagearam as contribuições de Fish para os cinco títulos conquistados com este vídeo:



(podem ver aqui o momento em que o vídeo foi exibido nos ecrãs do pavilhão)



No outro regresso da noite, os Mavs visitaram a American Airlines Arena pela primeira vez desde que lá conquistaram o título em Junho. E se em Los Angeles tivemos um regresso bem sucedido (os Thunder ganharam e o Fish teve 7 pts em 15 minutos), em Miami a história foi outra: os Mavs entraram no jogo dos Heat e não tiveram hipótese.

Enquanto jogaram com as suas armas (atacar com paciência e movimentar a bola) tivemos jogo. Quando entraram no jogo dos Heat (ataques mais curtos, mais drible e penetrações e mais acções individuais), foram aniquilados.

Na primeira parte, a equipa de Dallas atacou com calma, rodou a bola até encontrar um jogador livre e não forçou acções no ataque. Surpreendentemente (ou não, porque depois ficou clara a estratégia), apostaram nos lançamentos exteriores. Sabendo que o ponto fraco dos Heat é o jogo interior, foi com alguma surpresa que vimos os Mavs começar o jogo a lançar triplo atrás de triplo. Mas essa era apenas outra forma (e uma que mais equipas deverão tentar) de atacar o jogo interior de Miami.

Porque ao jogarem tanto no perímetro e ao fazerem pick and rolls sucessivos junto da linha de três pontos, forçaram os jogadores interiores dos Heat a sair da área perto do cesto. E com isso expuseram a falta de velocidade dos jogadores interiores de Miami na recuperação após bloqueios e deixaram mais espaço para os bloqueadores desfazerem para o cesto. E com uma rotação de bola inteligente e bons passes, tiveram, na primeira parte, um ataque eficaz que alternava entre os triplos e as assistências para lançamentos perto do cesto.

E tudo sempre feito com muita paciência. Com pouca velocidade (até de forma bastante lenta, muitas vezes), mas sempre bem posicionados, a fazer bons passes e a jogar de forma inteligente. Os Mavs, menos atléticos, recorriam ao tipo de jogo que os beneficiava. Corria a bola e não os jogadores.


Mas na segunda parte, os defensores exteriores dos Heat aumentaram a pressão sobre o portador da bola e defenderam o perímetro de forma mais agressiva. Tentaram levar o jogo para onde são muito superiores aos Mavs (no atleticismo) e os texanos alinharam: começaram a atacar mais rápido, a usar mais o drible e a recorrer mais a acções individuais. E, num jogo mais veloz e mais dependente de acções atléticas, não tiveram hipóteses.

Não foi um bom regresso dos campeões ao pavilhão onde foram tão felizes o ano passado. Se lá voltarem esta temporada, é porque estão nas Finais com os Heat (as duas equipas já não se encontram mais na temporada regular e a única possibilidade de voltarem a enfrentar-se é nas Finais). Mas se isso, por acaso, acontecer, vão ter de jogar de forma bem diferente para terem hipótese.

29.3.12

Viagem anual ao passado


A NBA (e a sua aparentada e extinta ABA) leva já mais de seis décadas de história (que podem recordar na nossa série de posts Era Uma Vez a NBA). Ao longos desses mais de 60 anos, já tivemos equipas que mudaram de nome, outras que mudaram de cidade e outras que, simplesmente, se extinguiram. E ao longo desses mais de 60 anos, já tivemos muitos equipamentos diferentes. Uns icónicos, outros que foram giros no seu tempo e outros, como este, que é melhor esquecer.

Para recordar e homenagear essa rica e extensa história, todos os anos a NBA escolhe meia dúzia de equipas para usar versões antigas dos seus equipamentos. Estes são os que podemos (re)ver nos campos da NBA esta temporada:

Charlotte Bobcats - Charlotte Cougars, 1969-70 (ABA)



 Los Angeles Clippers - Los Angeles Stars, 1968-69 (ABA)



 Miami Heat - Miami Floridians, 1970-71 (ABA)



 Denver Nuggets - Denver Nuggets, 1975-76 (ABA)



 San Antonio Spurs - San Antonio Chaparrals, 1970-71 (ABA)



Minnesota Timberwolves - Minnesota Muskies, 1967-68 (ABA)



E os meus preferidos:

Indiana Pacers - Indiana Pacers, 1971-72 (ABA)



New Jersey Nets - New York Nets, 1972-73 (ABA)




(e esta noite temos dois jogos imperdíveis: a primeira visita dos Mavs à American Airlines Arena desde que lá conquistaram o título em Junho passado e o regresso de Derek Fisher, agora com a camisola dos Thunder, ao Staples Center)

28.3.12

Cumprimento em comprimento


Bem, deve ser mais fácil decorar o livro de jogadas do que tantos cumprimentos diferentes:



Classe na hora da despedida


As relações entre equipas e treinadores nem sempre acabam bem (Mike D'Antoni não vai fazer um destes de certeza!), por isso é bonito quando um treinador, mesmo depois de despedido, sai com esta classe:

(Anúncio colocado no Oregonian - um jornal de Portland- por Nate McMillan)


26.3.12

Heat x Thunder - round 1


Foi o primeiro ensaio para um duelo que se pode repetir nas Finais e o jogo do dia (azar para Hawks e Jazz que tiveram um thriller com 4 prolongamentos que seria manchete noutro dia qualquer). E, independentemente dos discursos da praxe, não foi apenas mais um jogo. Os jogadores e treinadores podem dizer que é apenas mais um jogo da temporada regular, que não tem nenhum significado especial, mas quando um candidato ao título joga contra outro candidato, nenhuma equipa quer perder. É sempre um jogo de afirmação, com cada uma delas a querer mostrar que é melhor. E o que afirmaram os Thunder ontem à noite? Que o seu jogo interior é muito melhor que o dos Heat.


Muitas das atenções recaíram no duelo individual de Durant e Lebron (por serem os melhores jogadores de cada lado e também pela sua luta pelo MVP) e, inevitavelmente, a história do dia em muitos meios de comunicação é "Durant leva a melhor sobre Lebron", não é essa, de todo, a história do jogo. Porque foram os jogadores interiores dos Thunder que fizeram a diferença neste jogo. Em ambos os lados do campo.

Na defesa, a superioridade de Perkins, Ibaka e Collison sobre Joel Anthony, Ronny Turiaf e Chris Bosh permitiu-lhes sair bastante nas ajudas e impedir as penetrações de Lebron e Wade. Quando estes tentavam penetrar, encontravam sempre dois e, às vezes, três jogadores à frente. Os Thunder fecharam a área restritiva a sete chaves e mesmo quando Wade e Lebron assistiam para os jogadores interiores, os jogadores dos Thunder conseguiam recuperar a tempo.

Sim, Lebron esteve abaixo do seu nível habitual e acabou com números bem abaixo da sua média (17 pts, 3 res e 7 ast), mas isso deve-se mais à defesa dos Thunder e ao bom trabalho dos seus jogadores interiores do que a falhas de Lebron. Com pouco espaço e poucas oportunidades perto do cesto, os Thunder forçaram os Heat a recorrer mais aos lançamentos exteriores e quando isso acontece o seu ataque fica muito menos eficaz.

Do outro lado do campo, aconteceu o inverso. Os jogadores dos Heat tentaram fazer o mesmo que os Thunder e, quando Durant penetrava (ou preparava-se para penetrar), faziam 2x1. Mas Perkins e Ibaka estiveram excelentes no desfazer dos bloqueios e receberam várias assistências para afundanços e lançamentos perto do cesto. Vimos inúmeras vezes jogadas como estas:





Durant esteve ao seu nível e dentro da média habitual nos pontos e ressaltos (28 pts e 9 res). Mas onde esteve bem acima da média foi nas assistências (8 ast, 5 acima da sua média na temporada). E isso, para além de mérito de Durant a reconhecer a vantagem e a encontrar os companheiros em melhor posição, é mérito também dos jogadores interiores, que se libertaram e finalizaram da melhor forma. Não foi portanto, Durant que dominou no ataque, mas sim os seus companheiros interiores. Sem eles, o ataque dos Thunder não teria sido tão eficaz.

É claro que uma vitória na temporada regular pode não querer dizer nada quando chegarem os playoffs. Como já disseram alguns de vocês nos comentários, também os Celtics e Bulls dominaram os Heat na temporada regular passada e depois perderam nas séries de playoff. Mas para já, os grandes dos Thunder fizeram uma afirmação. E se estas equipas se voltarem a encontrar em Junho, os Heat têm um problema grande para resolver.

25.3.12

O dia de todas as sobras


Nesta temporada condensada, tudo acontece mais rapidamente. Por isso, uma semana depois da data limite para trocas de jogadores, sexta-feira foi a data limite para contratações (para poderem jogar nos playoffs, os jogadores tinham de ser contratados até ao final do dia 23). 

Nesta fase, com o período para trocas já fechado, restam apenas jogadores que foram dispensados, jogadores da D-League ou um outro veterano que não faz parte dos planos da sua equipa e chega a acordo com a mesma para o libertar. Mas nessas sobras das equipas podem existir às vezes algumas pérolas e um jogador que não conta num sítio pode ser bastante útil noutro. 

Para as equipas, é a última oportunidade de juntar mais uma peça e tentar encontrar aquele último reforço para ajudar na luta por um título ou por um lugar nos playoffs. Vamos então ver quais as sobras deste ano que podem revelar-se pérolas:


Boris Diaw (San Antonio Spurs)
Os Spurs ganharam o jackpot das sobras. Conseguiram o melhor jogador de todos os disponíveis nesta altura. Diaw é um dos melhores passadores entre os grandes (big men) da NBA. Pode fazer pela segunda unidade o mesmo que Duncan faz no ataque titular (jogar a poste baixo e iniciar o ataque a partir duma posição interior) e pode também jogar ao lado de Duncan.
Vem dar uma versatilidade ainda maior ao frontcourt dos Spurs. Já tinham dois que jogam no interior (Splitter e Blair), um que joga no exterior (Bonner), um interior com arsenal de meia distância (Duncan) e agora juntam um que pode jogar no interior e no exterior.
Depois da troca por Stephen Jackson e agora com o power forward/poste francês, ficam com uma equipa profundíssima e com dois cincos muito equilibrados e completos (Parker, Ginobili, Jackson, Duncan e Blair no cinco inicial, com Neal, Green, Leonard, Diaw e Splitter na segunda unidade; e ainda têm o Bonner)
Para além disso, dificilmente encontravam dois reforços melhores para adicionar a meio da temporada. Jackson já conhece a equipa e o treinador e Diaw já jogou com Jackson (nos Bobcats) e com Parker (na selecção francesa), por isso a adaptação será mais rápida. E com tão pouco tempo até aos playoffs, esse é um factor fundamental. Já eram candidatos antes e agora são ainda mais.

Derek Fisher  (OKC Thunder)
Oklahoma era o destino perfeito para o ex-Laker. Falou-se dos Heat, dos Spurs, dos Bulls, mas não havia um sítio onde Fisher encaixasse melhor que em OKC. Desde que Eric Maynor se lesionou que precisavam de um base fiável para a segunda unidade. E numa equipa jovem e ainda com pouca experiência nas fases mais avançadas, adicionar um base com cinco títulos e muitos lançamentos decisivos em momentos finais de jogos de playoffs e Finais é do melhor que podiam fazer.
Nenhuma equipa precisava tanto daquilo que Fisher significa (mais do que a contribuição estatística, a liderança e a contribuição no balneário) como os Thunder e em nenhum dos outros candidatos ele teria um papel tão importante. Uma excelente adição a um grupo já forte.

Gilbert Arenas (Memphis Grizzlies)
Por 300.000 dólares os Grizzlies não têm nada a perder ao contratar Arenas. Se conseguir recuperar a sua forma (não a de antes das lesões, claro, mas a melhor possível actualmente) o ex-Agent Zero (mudou para o número 10) traz duas coisas que a equipa de Memphis precisa desesperadamente: lançamento exterior e um bom base suplente.
O jogador que marcava 30 pontos por noite em Washington já não existe, mas depois da última época em Orlando e destes meses fora da NBA, o fanfarrão que queria as atenções para si também já não existe. Resta apenas Gilbert Arenas a tentar regressar à liga, a não querer ser o foco das atenções, nem ser uma distracção e a querer apenas contribuir para a equipa. 
É uma aposta sem risco e que pode ter um grande retorno para os Grizzlies.

Ronny Turiaf  (Miami Heat)
Já todos sabemos que a defesa interior dos Heat e a posição de poste são o ponto fraco da equipa.  Apesar de, com Turiaf, continuarem com o mesmo problema que têm com Joel Anthony (são ambos pequenos para a posição; 2,06m para Anthony e 2,08m para Turiaf), o poste francês vem dar mais uma ajuda nesse departamento. Turiaf não vai ter uma contribuição enorme, mas numa equipa já tão boa, qualquer pequena contribuição pode fazer a diferença.

Ryan Hollins (Boston Celtics)
Os Celtics precisavam de um poste. Qualquer um. Com Chris Wilcox e Jermaine O'Neal de fora até ao fim da temporada, não podiam ir para os playoffs com Garnett e Stiemsma como os únicos postes da equipa. Nem se tratava de encontrar o melhor disponível, era mesmo caso de juntar o(s) que conseguissem.
Hollins vai ajudar onde lhe pedem, na defesa e nos ressaltos, é mais um corpo para ocupar o meio e são mais 6 faltas para dar. Hollins não vem mudar os destinos da equipa, mas vem ocupar um lugar que era indispensável ser preeenchido para poderem ter alguma esperança nos playoffs. 


Os Grizzlies cerram fileiras para tentar segurar um lugar nos playoffs, os Celtics fazem o necessário e algumas das equipas mais fortes (Heat, Spurs e Thunder) ficaram mais fortes ainda. Agora é tempo do sprint final para os playoffs. E vai ser ao photo-finish.

23.3.12

E o melhor cinco defensivo da NBA é...


De todas as combinações de jogadores que as 30 equipas já utilizaram, de todos os cincos que já estiveram em campo nesta temporada, adivinham qual é aquele que tem o melhor rating defensivo?

Uma pista: não inclui Dwight Howard, nem Chris Paul, nem Shane Battier, nem Tony Allen, nem Rondo, nem Garnett, nem Noah, nem Deng, nem nenhum desses especialistas defensivos em que estão a pensar.

Não, os cincos jogadores que sofreram menos pontos nos minutos que estiveram juntos em campo são:






Um base que cumpre hoje o seu 39º aniversário, um shooting guard veterano que, mesmo nos seus melhores anos, nunca foi propriamente conhecido pela sua dedicação no lado defensivo, um power forward que também não fica na história da NBA pela sua defesa e um poste assim-assim?!

Pois, também me custou a acreditar. Mas é isso que nos mostra este artigo de Kevin Arnovitz, na ESPN. Nos 154 minutos em que Rick Carlisle utilizou este cinco, sofreram apenas 84.6 pontos por cada 100 posses de bola. 

Dos cinco, o único jogador reconhecido pela sua defesa é Shawn Marion. Como é isto possível então? Como explica Arnovitz, tudo começa com Marion a assumir a missão de defender o melhor jogador, o facilitador, do ataque adversário (à excepção dos postes, Marion é capaz de defender desde os bases aos power forwards). E isto permite aos outros "ficarem em casa" e não terem de ajudar tanto. Para além disso, como não são um cinco veloz, não arriscam nos roubos de bola e nas intercepções e apostam em manter-se na frente dos atacantes e não perder a posição defensiva. E depois, comunicam muito bem. Kidd dá indicações a Haywood quando há penetrações e, todos, estão sempre em constantes ajustes e recuperações. Como resultado, muitos dos turnovers provocados resultam de antecipações e não de pressão individual ou defesa fisicamente agressiva.
E com essa atitude conservadora, quando há lançamento, estão normalmente bem posicionados para ressaltar e apenas concedem ressaltos ofensivos em menos de um quinto das vezes.

Não são o cinco mais atlético (longe disso) e nenhum deles (à excepção de Marion) é um defensor individual de elite, mas compensam isso com melhor comunicação e melhor trabalho de equipa. Pode ser difícil de acreditar, mas estes defensores medianos formam a melhor unidade defensiva da liga. É um hino à inteligência e ao trabalho de equipa.

Red Auerbach dizia que uma equipa não era formada pelos cinco melhores jogadores, mas sim pelos cinco jogadores que melhor funcionavam em conjunto. O lendário treinador dos Celtics dos anos 60 dizia ainda que, para ser grande, uma equipa deve ser melhor que a soma das suas partes. Pois nada o demonstra tão bem como esta defesa dos Mavs.

22.3.12

O flop do ano


Não foi na NBA, mas é bom demais para não pôr aqui:



É o fim do mundo!


Sem mais palavras, aqui fica mais um daqueles momentos de JaVale McGee:



Mas, esperem... não foi um goaltending escandaloso, nem uma burrada, nem uma desconcentração de bradar aos céus?! Não, é mesmo um momento de esforço, concentração e inteligência de McGee! No fim do jogo, a dar a vitória aos Nuggets! E McGee resistiu à tentação de fazer goaltending, controlou o salto, até encolheu os braços, esperou que a bola saísse do círculo do aro e só então fez a tapinha. Well done, JaVale, well done!

21.3.12

Candidatos - Chicago Bulls


Já fizemos a ronda pelos candidatos a Oeste, é tempo de ir até à outra ponta. Assim, depois da análise aos San Antonio Spurs, aos Oklahoma City Thunder e aos Dallas Mavericks, vamos até à cidade ventosa e até à equipa que vai com o melhor recorde da temporada, os Chicago Bulls.


Estão em primeiro do Este e da liga (38-10), mas, mais impressionante que isso, estão com um recorde de 10-4 nos jogos sem Derrick Rose. Para uma equipa que sempre foi acusada de depender demais daquele jogador, é um feito assinalável. E embora na temporada passada já tenham demonstrado que conseguem ganhar jogos com jogadores importantes lesionados, nenhum desses tinha sido o seu MVP. Conseguiram ganhar jogos sem Noah, sem Boozer, sem Noah e sem Boozer, mas continuar a ganhar (e a jogar bem) sem Rose é mais impressionante. 

E mais importante também. Porque de facto, as críticas de demasiada dependência de Rose eram justificadas na temporada passada. O base MVP era a sua maior e, demasiadas vezes, única arma ofensiva, o que custou-lhes caro nos playoffs. D-Rose conseguiu levá-los até à final de conferência, mas não chegou para ultrapassar os Heat. 

Este ano, os Bulls estão com um ataque mais equilibrado e com contribuições de mais jogadores. Para além de Rose, têm mais cinco jogadores na casa das dezenas nos pontos (Hamilton, Boozer, Noah, Deng e Watson). E mesmo suplentes e jogadores secundários como Brewer, Korver, Gibson e John Lucas, têm entrado com a sua parte no ataque e na marcação de pontos. E isso, obviamente, torna os Bulls uma equipa mais imprevisível e perigosa. 

E estão também mais eficazes desse lado do campo. Depois de terminarem a temporada passada com o 11º melhor ataque, estão, este ano, com o terceiro melhor ataque (108.8 de Off Rtg). Podemos comprovar essa eficácia com o facto de que são a 10º equipa que mais pontos marca por jogos (97.6), apesar de jogarem a um dos ritmos mais baixos da liga (apenas 25ª, com uma média de 89 posses de bola por jogo). Quer isto dizer que os Bulls marcam mais pontos em menos posses de bola. A definição, por excelência, de eficácia.

Estes vários jogos sem Rose, na verdade, são um mal que veio por bem, pois não só não tem prejudicado o recorde de vitórias-derrotas, como tem obrigado os outros jogadores a assumirem mais protagonismo e tem contribuido para melhorar o ataque da equipa. E esse era o aspecto onde precisavam de melhorar. Quando for altura de ganhar jogos nos playoffs, estes jogos da temporada regular sem Rose pode ter sido mesmo o melhor que lhes aconteceu.

Porque do outro lado do campo continuam tão bons como no ano passado. Estão com a segunda melhor defesa (98.8 Def Rtg) e são a melhor equipa da liga nos ressaltos (com um diferencial de +6.5, quase o dobro do segundo classificado). Têm uma defesa do lado da bola sufocante e são dos melhores, claro, nas rotações e ajudas defensivas.

Diz-se que se ganham campeonatos com defesa. Também se diz que "no rebounds, no rings". Pois bem, esses dois os Bulls têm. E este ano parece que têm também um ataque ao mesmo nível. Por isso, o mais importante para estes Bulls, mais do que alguma coisa a melhorar dentro de campo, é ter todos os jogadores disponíveis e saudáveis nos playoffs. Se os tiverem, são a maior ameaça para os Heat e são, junto com estes, os maiores candidatos ao título.

19.3.12

Os pontos do Black Mamba


Ontem marcou apenas 15, mas aqui fica uma viagem visual pelos pontos (e pela carreira) de Kobe:

(autor: David Brady)


E, ainda a propósito do Black Mamba, fiquem também com um dos posters da campanha para os novos Nike Kobe VII:









16.3.12

O dia de todas as trocas


Como era esperado, as coisas aqueceram nas últimas horas antes do fecho do mercado. Muitas das equipas envolvidas nas trocas não surpreenderam, mas tivemos algumas trocas bastante inesperadas. No entanto, a notícia do dia não foram os jogadores que mudaram de ares, mas sim aquele que não mudou. Dwight Howard acabou finalmente com a novela (por esta temporada, pelo menos) e activou o ano de opção no contrato. Vamos, portanto, ter Howard em Orlando por mais uma temporada, pelo menos. Este pode não ter saído do sítio, mas houve muitos outros que saíram. Vamos então à lista completa das movimentações e ao comentário da acção neste dia de Trade Deadline:


Monta Ellis, Ekpe Udoh e Kwame Brown dos Warriors para os Bucks, em troca de Andrew Bogut e Stephen Jackson
Esta foi a primeira movimentação deste fecho de mercado, um negócio que foi feito ontem e um negócio entre duas equipas com planos opostos. Em Milwaukee, a aposta é no presente. Bogut e Jackson não jogavam (um por lesão, o outro por questões disciplinares) e, basicamente, ficam com a equipa que já tinham mais duas boas peças que lhes podem dar um empurrão a caminho dos playoffs.
Em Golden State, o plano é o contrário. Com esta troca desistem de lutar pelos playoffs deste ano e começam já a preparar a próxima temporada. Jackson já foi trocado hoje para os Spurs (já lá vamos) e Bogut só joga em 2012-13, por isso, o plano é ficar fora dos playoffs, conseguir uma escolha alta no draft e começar a construir para o próximo ano.

Sam Young dos Grizzlies para os Sixers, em troca dos direitos do base porto-riquenho Ricky Sanchez
Os Sixers recebem um jogador para a rotação e para reforçar o banco. Young não tinha espaço na rotação de Memphis e é um jogador ao estilo de Doug Collins (e perfeito para esta equipa de Philadelphia): bom defensor, com garra e que pode contribuir também no ataque. Não vai transformar a equipa, mas é mais um para ajudar.
Para os Grizzlies, não muda nada. Sanchez joga na Argentina e não faz parte dos planos.

Leandro Barbosa dos Raptors para os Pacers, em troca de uma 2ª ronda no draft
Uma boa troca para os Pacers, que reforçam a rotação dos bases e têm agora uma excelente profundidade no backcourt (Collison e Paul George no cinco, com George Hill e Barbosa a sair do banco). Reforçam-se para os playoffs sem sacrificar a flexibilidade salarial (Barbosa termina o contrato no fim da temporada e os Pacers continuam com os 14 milhões de espaço na próxima offseason) e em troca deram apenas uma escolha na segunda ronda do draft. Um bom dia para os Pacers.
Já em Toronto, não sabemos bem qual será o plano. Não pode ser libertar espaço salarial, pois se queriam fazer isso, só tinham de esperar até ao fim da época. E não receberam nada em troca pque justifique não esperar até lá.

Gerald Wallace dos Blazers para os Nets, em troca de Mehmet Okur, Shawne Williams e uma 1ª ronda no draft de 2012
Com Howard a manter-se em Orlando, os Nets viraram a sua atenção para outros lados e, num esforço para reforçar a equipa e tentar convencer Deron Williams a ficar, conseguiram Wallace. Um jogador que já foi All Star (e ainda pode render perto desse nível) por um jogador que não tem jogado, outro do banco e uma escolha protegida (está protegida até ao nº3, o que quer dizer que se os Nets tiverem uma das três primeiras escolhas no draft, a escolha continua deles) é um excelente negócio. E um cinco inicial com Williams, Marshon Brooks, Gerald Wallace, Kris Humphries e Brook Lopez é um bom princípio de equipa. Resta ver se é suficiente para Williams ficar.
Já em Portland, as coisas devem estar mesmo mal. Foram a equipa mais activa neste dia e decidiram rebentar o plantel actual. O treinador Nate McMillan foi despedido e trocaram vários jogadores (ver negócios seguintes).

Ramon Sessions e Christian Eyenga dos Cavs para os Lakers, em troca de Luke Walton, Jason Kapono e uma 1ª ronda no draft de 2012
Não é o base de elite que os Lakers procuravam, mas é um bom reforço para a posição, sem dúvida. E pelo que deram em troca (dois jogadores do fundo do banco e uma escolha que será previsivelmente para o fim da 1ª ronda), é um grande negócio. Para além disso, conseguiram ainda livrar-se do contrato de Luke Walton (que recebia 7 milhões e não jogava), por isso foi um bom dia para os Lakers também (que não ficaram por aqui nas movimentações).

Marcus Camby dos Blazers para os Rockets, em troca de Hasheem Thabeet, Jonny Flynn e uma 1ª ronda no draft de 2012
Continuou a razia em Portland, já a pensar no próximo capítulo. Camby foi enviado para Houston em troca de uma escolha no bom draft deste ano e dois jogadores que terminam o contrato este ano (e podem ou não fazer parte dos planos dos Blazers no futuro).
No Texas, faz-se uma aposta para o presente, sem comprometer o futuro. O grande contrato de Camby (11 milhões) termina esta época, por isso conseguem um reforço de peso para atacar os playoffs e mantém o espaço salarial para a próxima free agency. Se para ganhar séries de playoff é preciso defender e ressaltar, ficam com dois postes que fazem isso mesmo. E com um frontcourt com Scola, Dalembert e Camby vão ser um osso duro de roer para qualquer equipa.

Stephen Jackson dos Warriors para os Spurs, em troca de Richard Jefferson e uma 1ª ronda
Os problemas disciplinares de Jackson não vão ser um problema em San Antonio. A sua passagem por Milwaukee não correu bem, porque não gostava do treinador e não queria jogar ali. Nesta fase avançada da carreira, queria ir para um candidato ao título e não há melhor equipa para ele que os Spurs. Captain Jack regressa a uma equipa onde foi campeão em 2003 e vai jogar sob as ordens de um treinador que conhece (e o conhece) bem. É uma excelente troca para os Spurs e esperem ver o rendimento de Jackson subir para os níveis anteriores à passagem pelos Bucks. Se os Spurs já eram candidatos antes, reforçam ainda mais essa posição.

Derek Fisher dos Lakers para os Rockets, em troca de Jordan Hill e uma 1ª ronda no draft de 2012
Mais uma boa troca para os Lakers. Com a entrada de Ramon Sessions, Fisher era dispensável e conseguiram em troca um poste suplente (que não tinham). Reforçam o froncourt e preenchem uma posição que precisavam.
Já os Rockets ficam com um excelente mentor para os seus jovens bases e ainda podem ter sorte de sacar algum bom jogador no draft.

E o negócio mais surpreendente do dia:
Nené (Nuggets), Brian Cook (Clippers) e uma 2ª ronda no draft para os Wizards, Nick Young (Wizards) para os Clippers e JaVale McGee e Ronny Turiaf (Wizards) para os Nuggets
Esta troca apanhou-nos (e a toda a gente) de surpresa e ainda não percebemos porque os Nuggets a fizeram. Do lado dos Clippers é fácil: desde que Billups se lesionou que procuravam um shooting guard e dar um jogador que não jogava (Brian Cook) e uma 2ª ronda por Nick Young faz todo o sentido. Young não é um  bom defensor, mas lança bem de fora e pode render bastante com Chris Paul a passar-lhe a bola. E pelo que deram em troca era de aproveitar.
Do lado dos Wizards também é fácil de perceber: trocar um poste irregular e campeão de jogadas idiotas por um com o talento de Nené é de aproveitar sempre. O único caminho para os Wizards é rodear John Wall de talento e, com a experiência do brasileiro, podem finalmente começar a mudar a mentalidade da equipa.
Já do lado dos Nuggets, ainda estamos a pensar no que lhes passou pela cabeça. McGee tem um potencial enorme e um atleticismo doutro mundo, mas Nené é ainda um jogador jovem, por isso, porquê trocar um jogador com talento já provado e que dá garantias por uma aposta de tão alto risco?


Algumas conclusões, em jeito de balanço:

Os Lakers são um dos vencedores do dia. Melhoram bastante o banco (na posição de base e de poste) sem dar em troca alguma peça importante e ainda se livram do pior contrato na equipa. Para já, no papel, ficaram definitivamente melhores.

Os Spurs são outros dos vencedores do dia. Conseguem uma excelente contratação, pois, para além de Jackson ser um excelente defensor e poder também ajudar no ataque, é um jogador que já jogou nos Spurs, conhece os esquemas de Popovich e pode integrar-se imediatamente na equipa. Uma contratação que lhes pode render muitos frutos nos playoffs.

Os Pacers saem bem na fotografia também e juntam mais um bom jogador a um grupo que já era bom. Ficam com um equipa muito profunda, o que é sempre uma vantagem nos playoffs.

Os Blazers estão de volta à estaca zero. As coisas tinham de estar mesmo muito mal para recorrerem a uma solução tão radical. Era uma equipa que prometia tanto no início da temporada, mas agora parece que é tempo de começar de novo.

15.3.12

Game over para D'Antoni


Dizíamos no post anterior que os Knicks tinham de mudar o sistema ou mudar as peças. Pois não foi preciso esperar muito para algo mudar. Mike D'Antoni demitiu-se e (o até agora adjunto) Mike Woodson toma o seu lugar até ao final da temporada. Muda, portanto, o sistema.

No ataque, isto é. Porque Mike Woodson era o especialista defensivo na equipa técnica e o responsável pelos esquemas defensivos. Por isso, essa parte mantém-se tudo na mesma. Quer dizer, tudo espera-se que não. Para o bem dos Knicks espera-se que a aplicação nesses esquemas defensivos seja maior. Mas o sistema mantém-se.

Já no ataque, esperem muitas mudanças. Woodson utilizava muitas vezes nos Hawks (que treinou entre 2004-05 e 2009-10) esquemas ofensivos com jogadas de isolamento, por isso, vamos ver muito mais disso em Nova Iorque no futuro. Carmelo estará como peixe na água nesse sistema, Stoudemire e Lin nem tanto. 

Como falávamos no post anterior, as peças dos Knicks eram incompatíveis no sistema de D'Antoni, por isso o maior desafio de Woodson será encontrar um sistema onde consiga conjugar estes jogadores. Não tem tarefa fácil pela frente. 

Mike Woodson a pensar naquilo em que se vai meter

(para começar, fizeram algo que já não faziam há muito tempo: ganharam um jogo. E não fizeram por menos: ganharam por 42 pontos aos Blazers! Acho que vamos ter de fazer um post sobre o que se passa com estes Blazers também...)



E entretanto, faltam apenas, à hora a que escrevo isto, 17 horas para fechar o mercado de transferências. Descontando a novela de Dwight Howard e os milhões de rumores que circulam sempre nestas ocasiões, têm sido uns dias tranquilos. Até agora, tivemos apenas (ontem) a troca entre os Warriors e os Bucks (Monta Ellis, Ekpe Udoh e Kwame Brown em troca de Andrew Bogut e Stephen Jackson). Mas esperem mais movimentações nestas últimas horas até à data limite (quinta-feira, às 15h nos Estados Unidos, 20h em Portugal). Vamos ver o que o dia de amanhã nos reserva e cá estaremos depois do fecho do mercado para comentar as principais mudanças.

13.3.12

O que se passa, afinal, com os Knicks?


Ontem, no fim de mais um jogo e mais uma derrota dos Knicks, Luis Avelãs estava incrédulo, pois, na sua opinião, a equipa de Nova Iorque tem um dos melhores plantéis, se não mesmo o melhor, da liga. E afirmou de seguida que nem ele, nem ninguém podia explicar o que se passa com os Knicks. Somos obrigados a discordar de ambas as afirmações. 
Sobre a primeira: não, não é o melhor, nem um dos melhores plantéis da NBA. E sobre a segunda: é para isso mesmo que existem os comentadores.


Os Knicks têm jogadores que são muito bons em determinados aspectos do jogo, mas não têm nem jogadores completos, nem um plantel equilibrado. Stoudemire, Carmelo e JR Smith, por exemplo, são excelentes atacantes, mas maus defensores. Tyson Chandler e Landry Fields são excelentes defensores, mas limitados no ataque. E Jeremy Lin, apesar de todo o entusiasmo à volta dele e de toda a excitação que trouxe à liga, é um base mediano e com muitas limitações. 

O que esta equipa de Nova Iorque tem é um plantel que engana o espectador menos atento, mas não sobrevive a uma análise mais informada. Olha-se para os nomes individualmente (Carmelo, Stoudemire, Lin, JR Smith, Chandler, Baron Davis) e dá ares de grande equipa. Mas se olharmos mais de perto, não é bem assim. Não lhes faltam jogadores mediáticos, nem jogadores capazes de highlights memoráveis e jogadas espectaculares. Mas falta-lhes qualquer-coisa-que-se-pareça-com-uma-equipa. Para já, não são mais do que um conjunto de jogadores. E um conjunto sobre o qual pendem muitas dúvidas sobre a sua compatibilidade e capacidade de formar uma unidade coesa. Recorrendo à velha metáfora do puzzle: se as peças não encaixam, não há puzzle para ninguém.

E isto explica já, em parte, o que se passa com os Knicks. Outra parte explica-se com a falta de aplicação (e de vontade?) nas tarefas menos glamourosas do jogo e nas pequenas coisas necessárias para vencer (ir ao chão e lutar por bolas divididas, batalhar nas tabelas pelos ressaltos, suar e sofrer na defesa). São bem conhecidas as deficiências de Stoudemire e Carmelo nesse departamento, pelo que não precisamos de as dissecar mais. Apesar disso, com Chandler no interior e Shumpert no perímetro, a defesa dos Knicks está melhor que antes e não tem sido o maior problema deles este ano.

É no ataque que estão piores que antes. E isso está relacionado com a questão da incompatibilidade e desequilibrio do plantel. Se olharmos mais atentamente para o sistema de Mike D'Antoni percebemos as causas. O sistema ofensivo de D'Antoni é um ataque aberto, sem qualquer jogador a poste baixo ou em posição interior. Começa, tipicamente, com um pick and roll alto, no meio do campo (entre o base e o power forward ou o poste), e os outros três jogadores abertos. Após o bloqueio, o bloqueador desfaz e, dependendo da reacção da defesa, os jogadores abertos mantém-se no exterior para receber e lançar ou cortam para receber mais perto do cesto. É um sistema baseado na penetração do base, no passe, na movimentação da bola e no movimento dos jogadores sem bola. 

Mas, com Chandler e Stoudemire, têm um problema: Stoudemire é mais eficaz como bloqueador-desfazedor no pick and roll do que como jogador aberto. Mas se Stoudemire for o jogador no pick and roll, Chandler fica sem lugar no ataque, pois não é capaz de jogar afastado do cesto ou de lançar de meia distância. Por isso, Chandler é o jogador utilizado no pick and roll. E isso deixa Stoudemire como jogador aberto, muitas vezes do lado contrário do campo, o que tem reduzido bastante o seu papel no ataque e a sua eficácia. 


E o mesmo acontece com Lin e Carmelo. Lin é o base e o jogador que inicia o ataque no pick and roll. Mas Carmelo não sabe jogar sem bola e é perigoso apenas com a bola na mão. Se fosse utilizado como driblador no pick and roll, poderia ser mais eficaz, mas aí eliminaria o papel de Lin no ataque. D'Antoni poderia fazer o pick and roll entre Carmelo e Stoudemire, mas aí Lin e Chandler ficariam sem lugar no ataque. Para além disso, Carmelo recorre muito mais às jogadas de isolamento e temos dúvidas se seria assim tão bom no pick and roll.

Assim, os Knicks iniciam o ataque com Lin e Chandler e Stoudemire e Carmelo tornam-se as opções secundárias e têm de jogar sem bola, algo em que nenhum deles é bom. E as dificuldades em integrarem-se no ataque nesses papéis são óbvias. Carmelo e Stoudemire ficam muitas vezes alheados do ataque e com longos períodos em que não tocam na bola e não participam activamente nos movimentos ofensivos.
JR Smith é outro jogador que só sabe jogar com a bola nas mãos. Por isso, um ataque baseado no passe e na rotação de bola, torna-se um onde cada jogador joga à vez e quando tem a bola.

Tal como acontece na questão do plantel, também o ataque dos Knicks é desequilibrado e disfuncional.
E temos sérias dúvidas que, com estas peças e este sistema, alguma vez deixe de o ser. Ou muda o sistema (algo que só acontecerá se mudar o treinador) ou mudam as peças (algo que, pelo investimento feito nestes jogadores e pelo seu peso mediático, dificilmente acontecerá).

O que se passa com os Knicks? Muitas coisas, como veem. E nenhuma delas é de fácil ou rápida resolução. Por isso, o futuro mais próximo não se adivinha fácil para os lados de Manhattan.

12.3.12

Mais Bynum


Não foi só a jogada final, em que Kobe funcionou como isco e a bola foi antes para Bynum:



Foram também os 16 lançamentos tentados pelo poste dos Lakers (4 acima da sua média da temporada) e, desses 16, os 7 que fez em situações de 1x1 a poste baixo. E os 5 concretizados, para 10 pontos e uma percentagem de concretização de 71.4% no 1x1 a poste baixo.

Ontem, Bynum juntou mais um bom jogo (20 pts, 14 res, 2 ast; 9-16 2pts, 2-4 ll) aos que já fez esta temporada e mostrou quão bons os Lakers podem ser quando exploram mais (e melhor) o jogo interior. 

Ontem pode ter sido contra um frontcourt dos Celtics desfalcado, mas para além dos Lakers, nenhuma outra equipa tem no cinco inicial dois jogadores com 2.13m e com este talento. Têm uma enorme vantagem no jogo interior sobre praticamente todas as equipas e são uma equipa muito mais forte quando tiram partido disso. Já diziamos na temporada passada que os Lakers eram muito melhores quando jogavam mais com Gasol e o mesmo se aplica a Bynum. 

Para além de ficarem com um ataque mais imprevisível e mais versátil, ao recorrerem mais a situações de 1x1 a poste baixo estão apenas a fazer uma das coisas mais básicas que qualquer equipa deve fazer: atacar onde têm vantagem. Como ficou demontrado ontem, os Lakers têm uma coisa a fazer para irem a algum lado este ano: metam a bola dentro.

11.3.12

Afundanço do ano?


Gerald Green para o aro, "Então, como está tudo aí em baixo?", e temos candidato a afundanço do ano:



9.3.12

Candidatos - Dallas Mavericks


Continuamos a nossa análise mais pormenorizada dos candidatos ao título e, depois dos Oklahoma City Thunder e dos San Antonio Spurs, terminamos a ronda pelos candidatos a Oeste com os actuais campeões, os Dallas Mavericks.



Apesar de todas as mudanças no plantel que venceu o campeonato e de todas as saidas na offseason, os Mavs estão a aguentar-se melhor do que muitos esperavam. Estão com um recorde de 23-18 (6º no Oeste) e, depois dum início de temporada fraco, continuam a melhorar com o decorrer da mesma.

E lembremo-nos dos Rockets em 1995: depois de ganhar o título no ano anterior, fizeram uma temporada regular sofrível e terminaram apenas em sexto lugar na conferência. Todos os davam já como derrotados e longe de novo título, mas depois nos playoffs, eliminaram os três primeiros classificados do Oeste (Jazz, Suns e Spurs) e varreram os Magic nas Finais. Poderão os Mavs repetir o feito dos seus vizinhos do Texas? Sim, mas têm várias arestas para limar se querem ter hipóteses de fazê-lo.

Com a saída de Tyson Chandler (e Stevenson) esperava-se uma derrocada na sua defesa, mas estão surpreendentemente com a terceira melhor defesa da liga (99 de Def Rtg; 4º em pontos sofridos, com 91.4/jogo; top 5 nos rb). Estão a defender bem o perímetro, estão com uma boa rotação defensiva e boa defesa do lado da ajuda e, como resultado disso, estão com óptimas percentagens de lançamentos sofridos (3ºs melhores, com 41.9%). Mas precisam claramente de melhorar nos ressaltos. São apenas 22ºs na liga e estão com um diferencial negativo (-1.4). Perdem, portanto, mais ressaltos do que ganham. O que quer dizer que defendem bem e conseguem, muitas vezes, provocar maus lançamentos aos adversários, mas cedem muitas segundas oportunidades. E... no rebounds, no rings.

No ataque, repete-se a (má) história ressaltadora. Quando não concretizam, conseguem menos segundas oportunidades que no ano passado. E é, de resto, no ataque que têm mais aspectos para melhorar.
Saíram atiradores (Stojakovic, Stevenson e também Barea) e Jason Terry (que funcionava também como atirador) tem sido obrigado a fazer o papel de penetrador e pick and roller que Barea fazia. De um ataque baseado no passe e movimentação de bola passaram para um ataque com mais penetrações. De um penetrador e vários atiradores no perímetro passaram para vários penetradores (Carter, West, Beaubois) e menos atiradores.

E com todas essas mudanças, este ataque é ainda um work in progress. É normal que com peças diferentes, o ataque seja diferente e não ataquem da mesma forma. Isso não quer dizer que estas peças não resultam, mas até agora ainda não encontraram o melhor equilíbrio. Não têm sido consistentes e regulares e, como resultado disso, as percentagens de lançamentos estão piores (de 47.5% nos 2pts e 36.5% nos 3pts, em 2010-11, para 43.6% nos 2 pts e 32.7% nos 3 pts, em 2011-12).

O que podem fazer para melhorar? Beaubois terá de assumir mais o papel de penetrador, para Terry poder ser atirador. E Delonte West (quando regressar da lesão) é outro jogador para esse papel. Estes dois com a bola nas mãos no pick and roll e Terry de volta ao perímetro poderá ajudar o ataque dos Mavs a ser mais eficaz. 

Isso e, claro, Lamar Odom voltar. Porque até agora está desaparecido em combate, com mínimos de carreira em tudo (7.7 pts, 4.4 res e 1.7 ast; 36% nos lançamentos). Se Nowitzki é o maior "mismatch" da NBA, Odom, em forma, é outro dos maiores. Com os dois, este ataque pode ser um pesadelo de mismatches, capaz de criar desequilíbrios como muito poucos ataques conseguem. O alemão, depois de um início fraco e fora de forma, já voltou ao seu nível habitual. Para repetir o feito dos Rockets, os Mavs precisam que Odom o faça também.

Tem muito trabalho para fazer esta equipa de Dallas, mas se o fizer, contem com ela. Não se esqueçam do que disse o treinador dos Rockets de 95, Rudy Tomjanovich: "nunca subestimem o coração dum campeão".

8.3.12

Porque hoje é o Dia Internacional da Mulher...


Porque hoje é o seu dia, celebremos as mulheres da NBA (a.k.a, uma boa desculpa para colocar fotografias de cheerleaders):









7.3.12

Wallpapers NBA


Pessoal, se alguém quiser um wallpaper catita com o logo da NBA, o nosso amigo Regivic fez um em vários tamanhos, para o desktop e para o telemóvel (ou ipod). Podem encontrá-los aqui.



6.3.12

Candidatos - San Antonio Spurs


Depois dos Oklahoma City Thunder, continuamos a nossa análise mais pormenorizada de cada um dos candidatos ao título com a equipa que pode ser o maior obstáculo de Durant e companhia numa caminhada até às Finais, os San Antonio Spurs.


Como já é hábito (já lá vai mais de uma década desde a última vez que não o fizeram), estão a fazer mais uma boa temporada regular, com algum do melhor e mais colectivo basquetebol da liga. Estão em segundo lugar do Oeste, com um recorde de 25-12 (14-3 em casa), têm o 6º melhor ataque (Off Rtg 106.9) e a 14ª defesa (Def Rtg 102.6). E fizeram-no, até agora, sem Manu Ginobili (que entretanto já regressou) e com Popovich a limitar os minutos dos titulares.

O que lhes tem permitido fazer isso é um banco melhor e mais profundo que no ano passado. Tiago Splitter, Gary Neal e Danny Green estão mais integrados, o rookie Kawhi Leonard dá-lhes mais profundidade a small forward e uma presença defensiva nessa posição que não tinham e o rendimento que Gregg Popovich retira dos jogadores secundários continua, como sempre, a ser exemplar. Com um banco tão profundo, os titulares dos Spurs são os que jogam menos de todos os candidatos (à excepção de Parker, nenhum jogador chega aos 30 minutos por jogo).

O ataque dos Spurs é dos mais eficazes e bem oleados da liga (2º em TO e 5º em Ast), mas encontramos dois aspectos a melhorar: as penetrações e os ressaltos ofensivos. Se querem desequilibrar defesas adversárias e retirar os defensores de posição (e também provocar mais faltas), precisam de fazer mais penetrações e atacar mais (e melhor) o cesto (são apenas 22º nos lances livre tentados). Mas isso é algo que melhorará com Ginobili em campo.

Já na tabela ofensiva estão no fundo da liga e são apenas a 24º equipa em ressaltos ofensivos conseguidos. Faltam-lhes jogadores interiores atléticos e rápidos, que consigam bater o seu defensor directo para entrar nos ressaltos ofensivos. Isto mostra como o ataque dos Spurs é eficaz, pois quando não marcam à primeira, têm dificuldades em conseguir segundas oportunidades. Só as boas percentagens de lançamento e a boa movimentação de bola lhes permite ter um ataque tão bom apesar de serem tão maus neste aspecto ofensivo.

E isso também torna ainda mais necessária a melhoria nas penetrações. Pois, à falta de jogadores que consigam, sozinhos, criar segundas oportunidades, só conseguindo retirar os defensores interiores de posição e obrigando-os a fazer ajudas defensivas podem melhorar nos ressaltos ofensivos.

Onde precisam mesmo de melhorar é do outro lado do campo. Já não têm a defesa impenetrável e sufocante dos anos em que ganharam os títulos e são apenas 27ºs nos DL. Falta uma presença interior e um protector do cesto para além de Duncan. E o próprio Duncan já tem 36 anos e, apesar de continuar a ser um excelente defensor interior, já não é tão bom como antes. Estão mais expostos a penetrações e para serem bem sucedidos nos playoffs vão ter de melhorar as ajudas defensivas e proteger melhor o meio do campo.

Curiosamente, há um aspecto onde são muito bons: os ressaltos defensivos. São a segunda melhor equipa em ressaltos ofensivos permitidos, o que quer dizer que quando os adversários falham, os Spurs não lhes dão muitas segundas oportunidades. E esse pode ser um aspecto decisivo para vencer uma série contra uma equipa como os Thunder. Contra bons ressaltadores ofensivos, como Perkins e Ibaka, controlar a tabela defensiva é fundamental.

É um caso curioso, este dos Spurs. São maus nos ressaltos ofensivos, o que lhes dá poucas segundas chances de lançamento, mas são bons nos ressaltos defensivos, não dando também segundas chances aos adversários. No lado do campo onde precisam de melhorar (a defesa), têm um dos seus aspectos mais fortes e no lado do campo onde são melhores (o ataque), têm um dos seus aspectos mais fracos. 

Mas, independentemente dos aspectos onde podem melhorar, o mais importante e decisivo para esta equipa é manter a frescura dos veteranos e ter todo o plantel disponível para os playoffs. Porque os pontos menos fortes que destacámos são, em grande parte, consequência de factores que eles não podem inverter, como a idade e o atleticismo. Enquanto, por exemplo, o ponto fraco no ataque dos Thunder é uma questão táctica que pode ser alterada, no caso dos Spurs tudo o que podem fazer é tentar limitar o desgaste da temporada regular e chegar à segunda fase na melhor forma possível.

Por isso, esta temporada regular tem sido feita em gestão. Mesmo em jogos equilibrados, Popovich mantém os titulares no banco durante muito tempo e não perde de vista os objectivos maiores. Se tiverem de perder uns jogos agora para estarem melhores nos playoffs, ele não se importa. Por isso ainda não vimos o máximo dos Spurs.
Vamos vê-lo, se estiverem frescos e saudáveis quando chegarem os playoffs. Aí, se estiverem em boas condições fisícas, vão jogar então no máximo e a sua execução e a sua experiência podem fazer a diferença. É um grande "se", mas se isso acontecer, são os maiores candidatos a Oeste e podem surpreender muita gente e parar só nas Finais.

5.3.12

Rondo: uma noite para a História


O jogo do dia pode ter sido a excelente vitória dos Lakers sobre os Heat, mas a linha do dia é esta de Rondo:


18 pontos, 17 ressaltos e 20 assistências! O base dos Celtics é o terceiro jogador na história da NBA (depois de Oscar Robertson e Wilt Chamberlain) a conseguir pelo menos 15 pontos, 15 ressaltos e 20 assistências num jogo e é também o terceiro jogador na história (depois de Wilt Chamberlain, 25 res e 21 ast em 1968, e Magic Johnson, 17 res e 21 ast em 1983) a conseguir pelo menos 20 assistências e 17 ressaltos. Uma noite de Rondo para os livros dos recordes.


3.3.12

Lebron James: passar ou não passar, eis a questão


Aqui vamos nós: com 4.5 segundos para jogar e os Heat a perder por um, Lebron passou a bola em vez de tentar o último lançamento. E, imediatamente, recomeçou a discussão sobre a sua "clutchness".
Como estamos recordados, depois do seu desaparecimento nos momentos decisivos das Finais do ano passado, James recebeu uma avalanche de críticas. Esta semana, depois do turnover na última posse de bola do All Star Game, essas críticas voltaram. E a discussão está aí para ficar, depois deste final de jogo:


Em relação à jogada no final do All Star Game, nem a vamos comentar, porque é um jogo de exibição e não podemos avaliar a performance de um jogador por uma jogada num jogo que nem sequer é a sério. O All Star Game é festa e diversão, não conta para qualquer discussão séria sobre basquetebol. Comentadores a destacar essa jogada e a tentarem retirar daí qualquer conclusão é puro sensacionalismo para alimentar a polémica e vender jornais, conseguir audiências ou visitas aos sites.

Em relação a este final: mas desde quando é que tomar a decisão certa no final do jogo é criticável?
Lebron tinha dois defensores sobre ele (Howard, que era o seu defensor directo, e Millsap, que ficou a dar um tempo de ajuda após o bloqueio de Haslem). E perante essa situação, fez o mais acertado: assistiu Haslem, que estava sozinho e numa boa posição (no topo do garrafão, de onde lança muitas vezes e de onde tem uma boa percentagem). Por isso, desde quando é que trocar um lançamento com dois defensores em cima por um lançamento sem oposição é uma má decisão?

E dizer que Lebron não assumiu a decisão do jogo também não é justo. Ele assumiu uma decisão. E essa decisão foi passar a bola. Desde quando é que assumir a decisão do jogo significa ter de fazer o último lançamento? Assumir a decisão do jogo significa ter a bola na mão no momento decisivo (que Lebron teve) e optar pela melhor jogada possível (que ele também fez). A melhor opção pode ser lançar ou pode ser passar. Ou vão dizer que nestas duas jogadas, Jordan não assumiu a decisão do jogo?



Mais importante que ser um clutch shooter é ser um clutch player. E isso significa jogar bem nos momentos decisivos. E jogar bem significa ler o jogo e tomar a melhor decisão para a equipa naquele momento. Ser o herói não tem de ser marcar o último cesto. Embora essa seja uma ideia alimentada pelos meios de comunicação (principalmente os americanos), é uma ideia errada. Às vezes ser o herói é fazer o passe certo para um companheiro de equipa em melhor posição. Forçar um lançamento com dois ou três defensores em cima não é heroismo, é apenas uma má decisão. E a de Lebron esta noite foi boa. A única coisa que correu mal naquela jogada foi Haslem ter falhado o lançamento. Tivesse marcado e não estaríamos a ter esta discussão.

2.3.12

Candidatos - Oklahoma City Thunder


Já separámos o trigo do trigo menos bom. Ja falámos aqui anteriormente das equipas que são verdadeiras candidatas ao título e daquelas que não passam de pretendentes. As cinco equipas que escolhemos para o lote de verdadeiros candidatos são as que melhor estão a jogar, mas como não há equipas perfeitas e há sempre coisas para melhorar, vamos então agora analisar mais pormenorizadamente cada uma delas e aquilo que cada uma tem de fazer melhor nesta segunda metade da temporada (e nos playoffs) para aspirar a levantar o troféu Larry O'Brien. Comecemos  pela costa Oeste e pela equipa que lidera a classsificação desse lado dos Estados Unidos, os Oklahoma City Thunder.


Têm, destacados, o melhor recorde da conferência (29-7, quatro jogos à frente dos Spurs e empatados com os Heat para o melhor recorde da liga), têm o segundo melhor ataque da NBA (108.8 de OffRtg) e a 13ª melhor defesa (102 de DefRtg) e têm o melhor recorde da liga em casa (15-1). Durant é o melhor scorer da liga e é o único jogador que se aproxima de Lebron na luta pelo MVP, Westbrook continua a melhorar e está a fazer mais excelente temporada, têm um plantel profundo e equilibrado e um dos melhores bancos da liga. Até agora têm sido dominantes, mas há três aspectos do seu jogo que inspiram alguma preocupação para as fases mais avançadas da temporada. 

O primeiro é a defesa. Como sabemos, e recorrendo ao velho, mas verdadeiro cliché, o ataque ganha jogos e a defesa ganha campeonatos. E uma defesa mediana não ganha campeonatos. E até agora é isso que a defesa dos Thunder tem sido. Em defesa da defesa dos Thunder (passe o trocadilho), o melhor defensor exterior deles, Thabo Sefolosha, está lesionado e isso tem prejudicado a defesa do perímetro. Perkins este ano está mais integrado na equipa, Ibaka está uma máquina de desarmes de lançamento, estão em terceiro lugar na percentagem de ressaltos defensivos conquistados e em primeiro nos desarmes de lançamento. Portanto, na tabela defensiva e na protecção da zona mais perto do cesto não têm tido problemas. 

Quando Sefolosha regressar, a defesa do perímetro deverá melhorar. E, para vencer equipas como os Spurs e os Heat, os Thunder precisam que isso aconteça. 

O segundo aspecto é a falta de uma ameaça ofensiva interior, um jogador capaz de jogar de costas para o cesto. É um problema que já tinham na temporada passada e já falámos sobre ele neste post. E é um problema que continua a existir no ataque deste ano. Os ataques começam invariavelmente no exterior e todo o ataque é baseado em pick and rolls e penetrações. Na temporada regular isso pode chegar. Mas ganhar jogos agora é diferente de ganhar jogos nos playoffs. 

Enquanto na temporada regular as equipas jogam com equipas diferentes todos os dias e não há oportunidade de fazer ajustes, nos playoffs fazem vários jogos seguidos contra a mesma equipa. As defesas ficam a conhecer profundamente os movimentos ofensivos adversários e encontram soluções para os parar. Jogadas que resultaram num jogo, podem ser neutralizadas no seguinte. Para vencer séries à melhor de sete é necessário ter um ataque versátil e com muitas soluções diferentes. Foi essa a maior dificuldade dos Thunder o ano passado e pode voltar a ser este ano.

A outra dificuldade, e o último aspecto a melhorar, é a inexperiência e juventude da equipa. Como sabemos, e como somos recordados todos os anos, nos momentos decisivos a experiência conta. Mas este é um aspecto que só pode ser melhorado, passando por ele. Não há outra forma de ganhar experiência e conseguir aguentar a pressão dos momentos decisivos que não seja passar por momentos decisivos. E os Thunder vão ter os seus quando chegar Maio. Vamos ver como se portam.