Como era esperado, as coisas aqueceram nas últimas horas antes do fecho do mercado. Muitas das equipas envolvidas nas trocas não surpreenderam, mas tivemos algumas trocas bastante inesperadas. No entanto, a notícia do dia não foram os jogadores que mudaram de ares, mas sim aquele que não mudou. Dwight Howard acabou finalmente com a novela (por esta temporada, pelo menos) e activou o ano de opção no contrato. Vamos, portanto, ter Howard em Orlando por mais uma temporada, pelo menos. Este pode não ter saído do sítio, mas houve muitos outros que saíram. Vamos então à lista completa das movimentações e ao comentário da acção neste dia de Trade Deadline:
Monta Ellis, Ekpe Udoh e Kwame Brown dos Warriors para os Bucks, em troca de Andrew Bogut e Stephen Jackson
Esta foi a primeira movimentação deste fecho de mercado, um negócio que foi feito ontem e um negócio entre duas equipas com planos opostos. Em Milwaukee, a aposta é no presente. Bogut e Jackson não jogavam (um por lesão, o outro por questões disciplinares) e, basicamente, ficam com a equipa que já tinham mais duas boas peças que lhes podem dar um empurrão a caminho dos playoffs.
Em Golden State, o plano é o contrário. Com esta troca desistem de lutar pelos playoffs deste ano e começam já a preparar a próxima temporada. Jackson já foi trocado hoje para os Spurs (já lá vamos) e Bogut só joga em 2012-13, por isso, o plano é ficar fora dos playoffs, conseguir uma escolha alta no draft e começar a construir para o próximo ano.
Sam Young dos Grizzlies para os Sixers, em troca dos direitos do base porto-riquenho Ricky Sanchez
Os Sixers recebem um jogador para a rotação e para reforçar o banco. Young não tinha espaço na rotação de Memphis e é um jogador ao estilo de Doug Collins (e perfeito para esta equipa de Philadelphia): bom defensor, com garra e que pode contribuir também no ataque. Não vai transformar a equipa, mas é mais um para ajudar.
Para os Grizzlies, não muda nada. Sanchez joga na Argentina e não faz parte dos planos.
Leandro Barbosa dos Raptors para os Pacers, em troca de uma 2ª ronda no draft
Uma boa troca para os Pacers, que reforçam a rotação dos bases e têm agora uma excelente profundidade no backcourt (Collison e Paul George no cinco, com George Hill e Barbosa a sair do banco). Reforçam-se para os playoffs sem sacrificar a flexibilidade salarial (Barbosa termina o contrato no fim da temporada e os Pacers continuam com os 14 milhões de espaço na próxima offseason) e em troca deram apenas uma escolha na segunda ronda do draft. Um bom dia para os Pacers.
Já em Toronto, não sabemos bem qual será o plano. Não pode ser libertar espaço salarial, pois se queriam fazer isso, só tinham de esperar até ao fim da época. E não receberam nada em troca pque justifique não esperar até lá.
Gerald Wallace dos Blazers para os Nets, em troca de Mehmet Okur, Shawne Williams e uma 1ª ronda no draft de 2012
Com Howard a manter-se em Orlando, os Nets viraram a sua atenção para outros lados e, num esforço para reforçar a equipa e tentar convencer Deron Williams a ficar, conseguiram Wallace. Um jogador que já foi All Star (e ainda pode render perto desse nível) por um jogador que não tem jogado, outro do banco e uma escolha protegida (está protegida até ao nº3, o que quer dizer que se os Nets tiverem uma das três primeiras escolhas no draft, a escolha continua deles) é um excelente negócio. E um cinco inicial com Williams, Marshon Brooks, Gerald Wallace, Kris Humphries e Brook Lopez é um bom princípio de equipa. Resta ver se é suficiente para Williams ficar.
Já em Portland, as coisas devem estar mesmo mal. Foram a equipa mais activa neste dia e decidiram rebentar o plantel actual. O treinador Nate McMillan foi despedido e trocaram vários jogadores (ver negócios seguintes).
Ramon Sessions e Christian Eyenga dos Cavs para os Lakers, em troca de Luke Walton, Jason Kapono e uma 1ª ronda no draft de 2012
Não é o base de elite que os Lakers procuravam, mas é um bom reforço para a posição, sem dúvida. E pelo que deram em troca (dois jogadores do fundo do banco e uma escolha que será previsivelmente para o fim da 1ª ronda), é um grande negócio. Para além disso, conseguiram ainda livrar-se do contrato de Luke Walton (que recebia 7 milhões e não jogava), por isso foi um bom dia para os Lakers também (que não ficaram por aqui nas movimentações).
Marcus Camby dos Blazers para os Rockets, em troca de Hasheem Thabeet, Jonny Flynn e uma 1ª ronda no draft de 2012
Continuou a razia em Portland, já a pensar no próximo capítulo. Camby foi enviado para Houston em troca de uma escolha no bom draft deste ano e dois jogadores que terminam o contrato este ano (e podem ou não fazer parte dos planos dos Blazers no futuro).
No Texas, faz-se uma aposta para o presente, sem comprometer o futuro. O grande contrato de Camby (11 milhões) termina esta época, por isso conseguem um reforço de peso para atacar os playoffs e mantém o espaço salarial para a próxima free agency. Se para ganhar séries de playoff é preciso defender e ressaltar, ficam com dois postes que fazem isso mesmo. E com um frontcourt com Scola, Dalembert e Camby vão ser um osso duro de roer para qualquer equipa.
Stephen Jackson dos Warriors para os Spurs, em troca de Richard Jefferson e uma 1ª ronda
Os problemas disciplinares de Jackson não vão ser um problema em San Antonio. A sua passagem por Milwaukee não correu bem, porque não gostava do treinador e não queria jogar ali. Nesta fase avançada da carreira, queria ir para um candidato ao título e não há melhor equipa para ele que os Spurs. Captain Jack regressa a uma equipa onde foi campeão em 2003 e vai jogar sob as ordens de um treinador que conhece (e o conhece) bem. É uma excelente troca para os Spurs e esperem ver o rendimento de Jackson subir para os níveis anteriores à passagem pelos Bucks. Se os Spurs já eram candidatos antes, reforçam ainda mais essa posição.
Derek Fisher dos Lakers para os Rockets, em troca de Jordan Hill e uma 1ª ronda no draft de 2012
Mais uma boa troca para os Lakers. Com a entrada de Ramon Sessions, Fisher era dispensável e conseguiram em troca um poste suplente (que não tinham). Reforçam o froncourt e preenchem uma posição que precisavam.
Já os Rockets ficam com um excelente mentor para os seus jovens bases e ainda podem ter sorte de sacar algum bom jogador no draft.
E o negócio mais surpreendente do dia:
Nené (Nuggets), Brian Cook (Clippers) e uma 2ª ronda no draft para os Wizards, Nick Young (Wizards) para os Clippers e JaVale McGee e Ronny Turiaf (Wizards) para os Nuggets
Esta troca apanhou-nos (e a toda a gente) de surpresa e ainda não percebemos porque os Nuggets a fizeram. Do lado dos Clippers é fácil: desde que Billups se lesionou que procuravam um shooting guard e dar um jogador que não jogava (Brian Cook) e uma 2ª ronda por Nick Young faz todo o sentido. Young não é um bom defensor, mas lança bem de fora e pode render bastante com Chris Paul a passar-lhe a bola. E pelo que deram em troca era de aproveitar.
Do lado dos Wizards também é fácil de perceber: trocar um poste irregular e campeão de jogadas idiotas por um com o talento de Nené é de aproveitar sempre. O único caminho para os Wizards é rodear John Wall de talento e, com a experiência do brasileiro, podem finalmente começar a mudar a mentalidade da equipa.
Já do lado dos Nuggets, ainda estamos a pensar no que lhes passou pela cabeça. McGee tem um potencial enorme e um atleticismo doutro mundo, mas Nené é ainda um jogador jovem, por isso, porquê trocar um jogador com talento já provado e que dá garantias por uma aposta de tão alto risco?
Algumas conclusões, em jeito de balanço:
Os Lakers são um dos vencedores do dia. Melhoram bastante o banco (na posição de base e de poste) sem dar em troca alguma peça importante e ainda se livram do pior contrato na equipa. Para já, no papel, ficaram definitivamente melhores.
Os Spurs são outros dos vencedores do dia. Conseguem uma excelente contratação, pois, para além de Jackson ser um excelente defensor e poder também ajudar no ataque, é um jogador que já jogou nos Spurs, conhece os esquemas de Popovich e pode integrar-se imediatamente na equipa. Uma contratação que lhes pode render muitos frutos nos playoffs.
Os Pacers saem bem na fotografia também e juntam mais um bom jogador a um grupo que já era bom. Ficam com um equipa muito profunda, o que é sempre uma vantagem nos playoffs.
Os Blazers estão de volta à estaca zero. As coisas tinham de estar mesmo muito mal para recorrerem a uma solução tão radical. Era uma equipa que prometia tanto no início da temporada, mas agora parece que é tempo de começar de novo.