30.11.13

A melhor vista para o cesto da vitória de Westbrook


Já imaginaram como seria assistir ao vivo e na primeira fila ao cesto da vitória de Russell Westbrook no jogo de ontem à noite? É mais ou menos assim:


29.11.13

Cestos no sapatinho


Se ainda não escreveram a carta ao Pai Natal a pedir a vossa prenda ou se querem uma prenda perfeita para oferecer a alguém (que seja fã de basquetebol, claro), aqui fica uma sugestão:


Um livro de fotos (lindas) de cestos. Em portas de garagem, em quintais, em playgrounds, em campos de terra no meio do nada, são mais de 100 fotografias de cestos de todos os cantos dos Estados Unidos (incluindo os cestos da infância de Kevin Durant, LeBron James, Shaquille O'Neal e Gary Payton, entre outros). Aí fica uma amostra do livro (que podem comprar aqui ou aqui):



28.11.13

Jogar de iPad na mão


Há muito que as equipas da NBA (como tantas equipas e atletas profissionais dos mais variados desportos) recorrem às mais variadas e avançadas tecnologias para melhorar o rendimento dos seus jogadores. Seja nos métodos de treino, na preparação física, na análise estatística, no scouting ou na recuperação de lesões, as equipas e os jogadores armam-se de tudo o que os possa fazer melhores e lhes possa dar vantagem sobre os restantes.

E as sessões de filme são um dos recursos há mais tempo usado por todas as equipas. Nos treinos, antes ou depois dos jogos, para ver o que fizeram bem, o que fizeram mal e o que têm de corrigir, o vídeo é uma parte integral do treino e uma ferramenta que faz parte do dia-a-dia de qualquer equipa e jogador.

Mas agora os Blazers levam-na um passo mais à frente. Se já viram algum jogo da equipa esta época, já devem ter reparado (e se não viram, reparem quando virem): nas paragens de jogo, entre os períodos,  jogadores dos Blazers de iPad na mão a ver imagens desse mesmo jogo.



LaMarcus Aldridge, por exemplo, diz que no fim do 1º período gosta de ver imagens dos minutos iniciais. Diz que costuma ver os seus primeiros lançamentos (e as situações em que e como aconteceram) e de ver como a outra equipa o está a defender e, se estiverem a fazer 2x1, de onde estão a vir as ajudas e quem fica sozinho.

É obvio que o vídeo é muito útil e uma óptima ferramenta de aprendizagem. Para muitos jogadores (e para muitas pessoas), é mais fácil aprender de forma visual do que com conceitos abstractos e é mais fácil explicar situações de jogo e jogadas através de imagens do que através de palavras ou desenhos. Mostrar é, normalmente, melhor do que dizer. 

E as sessões de vídeo são uma das maiores fontes de aprendizagem dos jogadores. Por isso, ter a oportunidade de o fazer durante o jogo e fazer ajustes em função do que se vê só pode ser bom.  Como diz LaMarcus Aldridge, "vídeo é sempre útil, por isso, claro que ver vídeo do jogo que estás a jogar é muito útil e permite corrigir coisas instantaneamente."

Com os avanços tecnológicos e a acessibilidade e portabilidade que os tablets permitem, era uma questão de tempo até alguém encontrar uma forma de usar essa tecnologia. Os Blazers adiantaram-se à concorrência. E com o sucesso que estão a ter esta temporada, a moda é capaz de pegar.

27.11.13

All You Need is Mavs (Ads)


Os Mavs continuam a fazer o que fazem melhor que ninguém na NBA. A equipa de Dallas tem o departamento criativo mais criativo (passe o quase-pleonasmo) da liga e os dois últimos vídeos que saíram de lá não desiludem:




26.11.13

A finta do ano


Não foi na NBA, mas já sabem que abrimos excepções quando é algo imperdível! E esta é muito boa, é a finta do ano:


25.11.13

Rose fora, Kobe dentro


Que dia! Ainda estamos a digerir as duas notícias bombásticas de hoje. Uma que deixou os fãs dos Bulls (e penso que todos os fãs da NBA) tristes, outra que deixou os fãs dos Lakers confusos.



O que acaba com a época dos Bulls como candidatos ao título. É mais uma temporada perdida para a equipa de Chicago, que agora não tem outro remédio que não começar a pensar no futuro e a traçar o plano para as próximas épocas. 

Luol Deng é free agent no fim da época e os Bulls vão ter de escolher entre renovar com Deng ou com Jimmy Butler (que termina contrato em 2014-15). Sem ultrapassar a luxury tax (algo que os Bulls não querem fazer), não conseguem manter os dois. Os Bulls não querem perder Butler (um jovem promissor e, mesmo depois da extensão de contrato, mais barato que Deng), por isso, para não perderem Deng sem receber nada em troca, podem tentar trocar o extremo ainda esta temporada (um contrato a expirar tem sempre procura).

Outra hipótese é amnistiarem Carlos Boozer para tentar renovar com Deng e Butler. Promovem Taj Gibson a power forward titular e procuram um suplente barato (ou mais barato). Podem também ir mais longe e trocar Boozer e Deng para tentar reunir o máximo de peças e escolhas no draft para uma reconstrução. Uma coisa é certa: este grupo não vai continuar junto e um (ou mais) destes três vai sair da equipa. Os Bulls têm decisões a tomar.

_______


Na outra notícia "wtf?!" do dia, os Lakers anunciaram que renovaram com Kobe por mais duas temporadas:


O que deixou muitos fãs dos Lakers contentes. Até aqui tudo bem. O pior foram os valores: 48 milhões por 2 anos. O que deixou outros tantos fãs dos Lakers a coçar a cabeça. 48 milhões por um jogador de 35 anos (que terá 36 e 37 na duração desse contrato) que vem de uma lesão grave? E porquê agora, quando Kobe ainda não jogou um minuto na temporada e ainda não se sabe como regressará?

É um contrato que garante que Kobe vai teminar a carreira como Laker, é uma prova de confiança da parte dos Lakers e provavelmente um gesto de gratidão e reconhecimento pela carreira de um dos melhores Lakers de sempre, mas um passo que parece muito precipitado.

Primeiro, pela razão que já dissemos. Ninguém pode saber com certeza que Kobe vamos ter quando regressar. Por isso, o melhor era esperar para ver antes de decidir quanto dinheiro queriam (ou deviam) investir nele.
Depois, porque gastar metade do espaço salarial de 2014 em Kobe não é a melhor maneira de montar uma equipa de topo. Assim já não vão ter espaço para dois contratos máximos. Já um vai ser dificil (23 m para Kobe + 12 contratos mínimos = 35; restam 15 milhões, mais coisa menos coisa).

E porque amor com amor se paga. Se esta extensão de contrato foi uma prova de confiança e lealdade da parte dos Lakers, Kobe podia ter retribuido na mesma moeda e aceitado renovar por menos dinheiro para terem uma equipa melhor. Foi o que fizeram Tim Duncan, Dirk Nowitzki, Kevin Garnett e todos os veteranos que perseguem uma última hipótese de lutar por um título. 

Kobe não vai jogar mais dois anos pelo dinheiro. Pois se o que ele quer é ganhar um último anel, tinha feito um muito melhor serviço aos Lakers e a si próprio se aceitasse receber menos para poderem construir uma equipa melhor. Assim, vai provavelmente ser o jogador mais bem pago da liga até ao dia em que se retirar. Mas vai provavelmente ver o sexto anel por um canudo.

24.11.13

Bater Bolas


Hoje é dia de bater bolas e responder a algumas das questões que nos enviaram esta semana. E hoje temos uma incontornável: as lesões de Derrick Rose, Andre Iguodala e Marc Gasol. Depois dessa sexta feira negra, foram muitas as questões que recebemos sobre as mesmas e, em particular sobre a lesão de Derrick Rose e as implicações da mesma no futuro do jogador e dos Bulls. Vamos lá então:


Começando pelas lesões de Andre Iguodala e Marc Gasol:

O jogador dos Warriors teve uma distensão muscular na coxa e o jogador dos Grizzlies teve um entorse no joelho. Nenhuma das lesões é muito grave e nenhum deles precisa de cirurgia. É claro que o tempo de recuperação depende sempre da gravidade e extensão do estiramento/entorse e pode variar de pessoa para pessoa (há pessoas que saram mais rápido, outras que demoram mais tempo), mas nenhum deles deve perder muito tempo de competição.

Marc Gasol tem um entorse de 2º grau e o tempo médio de recuperação neste tipo de lesões é de 6 a 8 semanas. Por isso, o poste dos Grizzlies deve estar de volta lá para meados de Janeiro. Mais do que a tempo de recuperar o ritmo e chegar aos playoffs na melhor forma. É uma baixa importante para os Grizzlies, mas seria mais grave no ano passado, quando não tinham um poste suplente. Este ano têm Kosta Koufos, que não é tão bom como Gasol, obviamente, mas deve segurar as pontas até o espanhol voltar. É uma lesão que vai atrasar a equipa de Memphis e pode custar-lhes um ou dois lugares na tabela no fim da temporada regular, mas não lhes estraga a temporada.

Iguodala deve ficar de fora ainda menos tempo, com o tempo de recuperação deste tipo de lesões a variar entre as 2 e as 4 semanas. Por isso, daqui a um mês (ou menos) Iggy deve estar de volta. Até lá, Harrison Barnes vai ocupar o lugar de Iguodala no cinco inicial e a sua lesão não deve ser mais que uma pequena lomba no caminho dos Warriors.



Já a lesão de Derrick Rose é a mais grave das três. O base dos Bulls tem uma rutura no menisco medial do joelho direito (no outro joelho, portanto; a lesão anterior foi no esquerdo) e vai precisar de ser operado para reparar (suturar) o menisco.

O menisco é a cartilagem que fica entre a cabeça da tíbia e a cabeça do fémur e funciona como uma almofada. Encaixa os dois ossos e amortece o impacto entre estes.

Rose rasgou o "medial meniscus"

Podem ver também a explicação do doutor Robert Klapper, que operou Blake Griffin quando este teve uma lesão semelhante em 2012:


Por isso, a operação de Rose é uma boa notícia. Quando ele saiu agarrado ao joelho e abandonou o pavilhão de muletas, temeu-se o pior e que pudesse ter rompido outra vez um ligamento. Felizmente, esse cenário de pesadelo não se confirmou. Depois, quando se soube que tinha "apenas" uma rutura no menisco, havia a questão do local e da gravidade da rutura. Se fosse muito grave e/ou num local que não pudesse ser reparado, esse bocado do menisco teria de ser cortado, o que poderia encurtar a carreira do jogador.

Mas, felizmente para a carreira do jogador a longo prazo, as notícias de que Rose vai reparar o menisco significam que é possível reparar. Infelizmente para esta temporada, a reparação do menisco tem um tempo de recuperação mais longo.


Portanto, possíveis 8 a 10 semanas de recuperação. O que o pode colocar a regressar lá para finais de Fevereiro, inícios de Março. Ainda a tempo de terminar a temporada regular e a tempo dos playoffs. Isto no melhor cenário possível e se Rose não tiver nenhuma complicação na recuperação (Westbrook, por exemplo, teve uma lesão semelhante nos playoffs do ano passado, precisou mais tarde de uma artroscopia e só regressou à competição em Novembro, passados 5 meses).

Por isso, no pior cenário possível, Rose pode perder o resto da temporada, o que colocará fim às aspirações dos Bulls de lutar pelo título (ficam em pior situação que no ano passado, pois este ano nem têm Nate Robinson para substituir Rose no papel de atacar o cesto). E no melhor cenário possível, com Rose a regressar em Fevereiro/Março, vai sempre precisar de tempo para voltar (se voltar) à melhor forma (e vimos como ele ainda estava enferrujado e longe do seu melhor neste início de temporada) e os Bulls podem não ter o Rose de antes (o seu MVP) este ano.

Em qualquer dos cenários, é um grande passo atrás para esta equipa e um obstáculo que se pode revelar impossível de ultrapassar este ano.

23.11.13

A primeira chicotada da época?


Estas palavras de Kevin Garnett depois da derrota pesada de ontem (que deixa os Nets com um já preocupante recorde de 3-9) não podem augurar nada de bom para Jason Kidd:


"A direcção vai provavelmente fazer o que tem de fazer"? Será que os jogadores dos Nets já perderam a confiança nele e estão à espera que ele seja despedido? 

Já tinhamos dito no nosso Boletim de Avaliação dos Nets que a aposta em Kidd era arriscada e que, por muito bom jogador e líder em campo que ele tivesse sido e por muito bom treinador que ele pudesse ser (ou vir a ser), precisava de tempo para aprender a função e para adaptar-se à mesma. E, com uma equipa tão veterana, tempo é coisa que os Nets não têm muito. E é coisa que Kidd também pode não ter  muito mais.

22.11.13

Um MVP e uma defesa


Os Clippers têm o primeiro, mas falta-lhes a segunda. Porque tem sido um início de temporada de extremos (não daqueles que jogam, mas daqueles que são contrários e estão em lados opostos) para a equipa de Los Angeles. De um lado, o ataque da equipa e a prestação de Chris Paul. Do outro, a defesa da equipa e, em particular, a prestação de DeAndre Jordan nesse lado do campo. No primeiro, tem sido um início de época do melhor da liga. Infelizmente, do outro, tem sido do pior.


Ontem, CP3 fez mais um duplo-duplo de pontos e assistências (vão 13 seguidos; conseguiu-o em todos os jogos até agora) e anda em digressão desde o início da temporada com o seu recital de "como-jogar-a-base". Paul está a ser, de caras, o melhor base do campeonato e a jogar a um nível de MVP ("O" MVP até agora e, a continuar assim, será um sério candidato ao prémio): 19.3 pts, 12.5 ast, 5.2 res e 2.5 rb. 

Praticamente 20 pontos e mais de 12 assistências por jogo! São 55 pontos que Paul produz por jogo (pelo menos, porque muitas das assistências são para três pontos)! E isto sem contar com as "hockey assists" (o passe que origina uma assistência; e Paul faz muitos desses, quando inicia a acção e liberta um jogador que depois assiste) e com os roubos de bola, que dão origem a mais pontos. São mais de 60 pontos pelos quais Paul é responsável directo.

Tudo isso com uma grande eficácia. Paul está praticamente com 50% em lançamentos de campo (49.3%), com 94.8% da linha de lance livre e com um PER de 26.8 (recorde-se que a média da liga é 15). 

E não só mas também por isso, a equipa está com um dos melhores ataques do campeonato: 107 pts/jogo (2ºs melhores, atrás dos Rockets) e 110 de OffRtg (4ºs). A evolução no ataque deve-se muito à chegada de mais atiradores (Redick e Dudley, que, como prevíamos no nosso Boletim de Avaliação dos Clippers, encaixam melhor e abrem espaço para Griffin operar no interior e para Paul penetrar e manobrar nos pick and rolls) e têm armas de todo o lado (no interior, a poste baixo, no pick and roll, nas penetrações, no perímetro, ...), mas CP3 é o maior responsável e o maestro que dirige todas as peças.

Bom o ataque e muito bom Chris Paul. Mas muito má a defesa. 

Que está no extremo oposto em todos os indíces. Antepenúltimos em pontos sofridos por jogo (105.1) e em DefRtg (107.8 pts sofridos por cada 100 posses de bola). A bipolaridade da equipa fica bem clara neste quadro com as estatísticas deles e dos adversários (nos primeiros lugares da liga em tudo o que é estatística ofensiva e depois é só dígitos na casa dos 20 em tudo o que é estatística defensiva):


E Blake Griffin e DeAndre Jordan têm sido os maiores responsáveis por essa defesa medíocre.

Chris Paul é um dos melhores bases defensivos da liga (não só nos roubos de bola, é também um dos melhores bases a passar em bloqueios e, com praticamente todas as equipas a usarem pick and rolls nos seus movimentos ofensivos, isso é um aspecto fundamental da defesa para qualquer base), JJ Redick e Jared Dudley não são grandes defensores, mas conseguem fazer um trabalho decente a manter-se à frente dos jogadores que defendem, e o pior tem sido lá atrás. A quantidade de vezes que Griffin e Jordan falham nas rotações defensivas e/ou chegam atrasados às ajudas chega a ser embaraçosa para uma equipa e para jogadores deste nível.

E, nesse particular, DeAndre Jordan, como última linha de defesa e o jogador normalmente responsável por fechar o meio e sair aos penetradores, tem sido o elo mais fraco desta defesa. Está muitas vezes desatento e, quando vem dar a ajuda do lado contrário da bola, chega habitualmente atrasado ao meio do campo. No 1x1 não é um mau defensor, mas na defesa sem bola tem sido péssimo. E sem uma alternativa melhor no banco, esta defesa dos Clippers sofre muitos pontos (pontos demais) na área restritiva.


Esse é, de longe, o aspecto em que os Clippers (e DeAndre Jordan) mais têm de melhorar se querem ter uma defesa como deve ser. Todas as grandes defesas têm uma âncora defensiva lá atrás (jogadores como Roy Hibbert, Marc Gasol, Joakim Noah, Dwight Howard, Tyson Chandler) e se os Clippers aspiram a ir longe, precisam que DeAndre Jordan seja muito melhor nessa parte do jogo.

Há razões para optimismo, no entanto. Nos últimos jogos, há sinais de progresso e Blake Griffin e DeAndre Jordan parecem mais focados e melhor posicionados. Estão a fazer melhor as rotações defensivas e Jordan não está a chegar tão atrasado às ajudas no meio do campo.

Mas ainda é um work-in-progress e ainda estão muito longe de ser uma defesa de topo. O trabalho dos Clippers vai a meio. Para já, têm um MVP (e um ataque), mas ainda não têm uma (boa) defesa. E vão precisar dela para terem qualquer hipótese de lutar por um título.

21.11.13

Questionário SeteVinteCinco


Desde o primeiro dia do SeteVinteCinco que tentamos dar-vos uma dose diária de NBA e trazer-vos artigos e conteúdos originais e interessantes sobre a melhor liga de basquetebol do mundo. E como já dissemos muitas vezes, isto sem vocês não tem a mesma piada. Desde esse primeiro dia que as vossas opiniões, contribuições e sugestões são bem vindas e agora pedimos a vossa ajuda para continuar a evoluir e a melhorar o SeteVinteCinco.


Por isso, dispensam-nos cinco minutos do vosso tempo para responder a um pequeno questionário (é mesmo pequeno e não demora mais de cinco minutos a responder!) sobre este nosso/vosso blogue?

São cinco perguntinhas rápidas (sobre o que gostam, o que não gostam, o que mudavam) que podem responder clicando no link abaixo e as respostas são anónimas, por isso não se acanhem (mesmo que não fossem, também não era razão para se acanharem).


Obrigado desde já pela vossa colaboração e por nos ajudarem a tornar o SeteVinteCinco cada vez melhor.

19.11.13

Fazer falta ou não fazer falta, eis a questão


É uma das discussões frequentes entre quem segue a NBA e uma discussão recorrente nas transmissões da Sport TV: uma equipa está a ganhar por 3 pontos nos últimos segundos do jogo e a equipa adversária tem a posse de bola. Deve a equipa que está a ganhar fazer falta para impedir um triplo (dando à outra equipa dois lances livres e a oportunidade de fazer apenas dois pontos) ou deve defender a posse de bola?

Para o Luis Avelãs, não há discussão: deve-se fazer falta e ponto final (e os treinadores da NBA são todos uns burros por não fazerem). Mas a questão está longe de ser assim tão simples. Ontem tivemos essa situação no final do Thunder x Nuggets. Com 3.9 segundos para jogar e os Thunder à frente por três, Derek Fisher fez falta sobre Ty Lawson assim que ele recebeu a bola e antes que este conseguisse armar um lançamento. Foi uma situação que não vemos muitas vezes na NBA e, aparentemente, a decisão correcta naquela situação (o jogo ficou longe de estar decidido aí, mas já lá vamos). Então porque não fazem isso mais vezes?


Antes de mais, havia alguma resistência de alguns treinadores em relação a essa estratégia, que viam como anti-desportiva. Mas ninguém pensa que é anti-desportivo fazer falta para parar o cronómetro quando se está atrás, e fazer faltas no último minuto de jogo e meter o adversário na linha de lance livre é uma estratégia generalizada. Por isso, porque seria anti-desportivo quando se está à frente? Logo, essa questão filosófica não tem, na nossa opinião, razão de ser e está, de resto, a ser ultrapassada e abandonada pela maioria da liga. Cada vez mais treinadores não têm qualquer problema em fazê-lo. Então porque não vemos isso acontecer mais vezes?

Porque, mesmo pondo de parte a questão filosófica, a questão táctica está longe de ser simples. Por várias razões:

Primeiro, depende de quantos segundos faltem para acabar o jogo; com mais de 10 segundos para jogar, há tempo suficiente para a outra equipa marcar os lances livres e fazer falta a seguir. A equipa que está à frente vai para lance livre e na posse de bola seguinte volta e encontrar-se perante o mesmo cenário. Volta a fazer falta e os outros voltam a fazer falta também e a situação pode repetir-se até acabar o tempo de jogo. E a equipa que está à frente entra num desnecessário e sempre arriscado concurso de lances livres. Por isso, muitas equipas (com razão) preferem defender uma posse de bola a entrar nesse concurso.

Portanto, esse cenário de fazer falta só é opção se estivermos mesmo nos últimos segundos do jogo (Stan Van Gundy punha o limite nos 6'', Phil Jackson nos 5'', por exemplo) e fôr mesmo a última posse de bola do jogo. E mesmo nesse cenário, a situação pode tornar-se imprevisível (ontem tivemos um exemplo disso: depois da falta de Derek Fisher, em 3'' ainda tivemos mais 3 posses de bola - uma para os Thunder e duas para os Nuggets - e a falta de Fisher não impediu os Nuggets de terem uma chance de ganhar).

Depois, e relacionado com a primeira razão, depende se a outra equipa ainda tem descontos de tempo ou não; se não tiver, mesmo que tenham tempo para fazer falta a seguir aos seus lances livres, na posse de bola seguinte terão de repor a bola na linha de fundo (ou ganhar o ressalto) e atravessar o campo todo para conseguir um lançamento. Por isso, fazer falta só é hipótese se faltarem menos de 5 ou 6 segundos e/ou se a outra equipa não tiver mais descontos de tempo.

E por último, pela regra da continuação no acto de lançamento. Fazer intencionalmente falta a um jogador longe da bola está fora de questão, porque uma off ball foul (a um jogador que não está a participar na acção que se desenrola junto à bola) dá direito a lance livre e posse de bola (nos dois últimos minutos de jogo, não há hack-a-ninguém). Por isso, a falta tem de ser ao portador da bola (ou ao bloqueador ou um jogador que esteja a participar na acção junto à bola). E isso, com a regra de continuação da NBA, não é tão fácil de fazer como parece. Como vimos no jogo Knicks x Rockets da passada quinta-feira:


James Harden fez falta sobre Carmelo, mas os Rockets tiveram muita sorte de os árbitros não terem dado continuação e ser uma jogada de possíveis 4 pontos. O árbitro explicou depois que marcou falta no primeiro contacto de Harden, quando Anthony ainda estava de costas para o cesto e por isso não houve continuação. Mas foi uma decisão à justa e que podia ter caído facilmente para o outro lado e saído pela culatra à equipa de Houston.

Por isso, e essa é a regra que muitos treinadores transmitem aos jogadores, fazer falta apenas se o jogador estiver de costas para o cesto. Se ele estiver de frente para o cesto o risco de conseguir três lances livres é grande.

Portanto, fazer falta ou não fazer falta quando se está à frente por 3? Depende das circunstâncias e, mesmo quando estas são ideais, é preciso cuidado ao optar por essa estratégia. Porque, como vimos, é uma questão que é tudo menos simples.

17.11.13

Bater Bolas


Depois de cumprido o dever eleitoral para o All Star (podem ver aqui os nossos votos), vamos lá bater umas bolas e responder a algumas das questões que nos enviaram esta semana:

O Miguel Ribeiro e o João Jordão colocam uma questão sobre o mesmo tema, mas em perspectivas radicalmente opostas. O João pergunta se os Lakers não podem ser os Mavs de 2010-11 e quais as reais possibilidades do conjunto de LA fazer um brilharete esta época. Já o Miguel diz que a offseason dos Lakers é capaz de ter sido a pior do ano e pergunta porque não investiram numa mudança total da equipa. 


Começando pela questão do João: não e 0. Os Mavs, em 2010-11, eram uma equipa já bastante boa (que levava dez épocas seguidas com mais de 50 vitórias e tinham terminado em 2º no Oeste em 2009-10) que adicionou um jogador (Tyson Chandler) que a tornou muito boa. Esses Mavs estavam naquele lote de equipas candidatas a quem faltava uma última peça e Chandler revelou-se essa peça que faltava no puzzle.
Estes Lakers de 2013-14 são um plano B, uma equipa de recurso montada em cima do joelho e com jogadores medianos. Podem vir a ser melhores do que esperado, mas pensar que esta equipa pode ir longe nos playoffs (se lá chegarem!) é ir longe demais. A idade parece finalmente ter apanhado Steve Nash, Gasol também já não vai para novo e não é o mesmo jogador de há uns anos, não sabemos como Kobe vai regressar da lesão (grave) e o elenco de suporte é mediano. Por isso, as hipóteses de um brilharete dos Lakers são, na nossa opinião, nenhumas.

O que nos leva à pergunta do Miguel. Essa mudança total vai acontecer na próxima offseason. Mas sim, deviam ter começado já. Só que era impensável abdicarem desta temporada e fazerem tanking. Objectivamente, era o melhor que faziam e deviam ter começado já a reconstrução que vai acontecer na próxima temporada. Sabemos que essa reconstrução vai ser feita pela free agency e com o espaço salarial gigante que vão ter, mas assim ainda lhe juntavam mais uma escolha alta no draft (e se há draft em que valia a pena ter uma é neste próximo). E uma futura estrela e mais a (ou as) que conseguirem na free agency não era uma má forma de começar a reconstruir. 

Mas era muito difícil fazerem isso. Porque Kobe nunca aceitaria, porque os fãs também não o aceitariam bem  e porque não faz parte da cultura da equipa e na própria organização isso é algo que não é visto como digno duma equipa com a história dos Lakers. E é dificil de discordar. Mas sim, pensando de forma completamente racional, era o melhor que tinham feito.


E a propósito de más offseasons, o Ricardo Matias deixa uma questão sobre os seus Thunder. Diz o Ricardo que vê o maior ponto fraco de OKC na posição de poste e até que ponto seria importante trocar Perkins por um poste mais dominador. E porque não o fazem (ou porque não o fizeram na offseason).


Porque não conseguiram enganar nenhuma equipa. De certeza que Sam Presti gostaria de trocar Perkins por um poste melhor, mas era preciso que alguém estivesse disposto a dar outro poste (melhor) em troca de Perkins. Ainda com dois anos e quase 20 milhões de contrato, boa sorte para arranjar uma troca este ano. Na próxima temporada, no último ano de contrato, podem tentar encontrar alguém que fique com ele (pois há sempre procura para contratos a expirar), mas até lá, vão ter de ficar com ele.

Mas os Thunder tentaram reforçar-se no interior através do draft e usaram uma das escolhas num poste (Steven Adams). Reforçaram a profundidade da posição e pensam já, provavelmente, na sucessão de Perkins. O problema é que Adams pode ser um bom sucessor de Perkins, mas no presente não lhes dá nada diferente dos postes que já têm. Continuam a não ter um jogador interior que jogue de costas para o cesto e que seja uma ameaça a poste baixo. 

E mais do que um poste dominador, precisam de um jogador desse tipo, para lhes dar um ataque mais versátil e variado. Sim, o ponto mais fraco é o poste, mas não na defesa. Porque na defesa são bons e é no ataque que precisam de encontrar mais e melhor ajuda para KD e Westbrook.

Portanto, não trocam o Perkins porque provavelmente não conseguem. Agora, porque não fizeram mais na offseason para se reforçarem, isso já tens de perguntar ao Sam Presti (eu também me pergunto o mesmo e a offseason dos Thunder foi a que recebeu pior nota nos nossos Boletins de Avaliação).



Já sabem, enviem as vossas questões por email (setevintecinco@gmail.com) ou por mensagem no Facebook e, aos domingos, responderemos aqui. Pra semana batemos mais umas bolas.

Votações All Star 2014


Já começaram as votações para os titulares do All Star Game. Podem votar em allstarballot.nba.com .
E estes foram os nossos votos:




E vocês, em quem votaram (ou vão votar)?

16.11.13

Três na mó de baixo


Ainda estamos no início da época, mas quem diria que, ao fim de 10 ou 11 jogos, os Sixers e os Suns estariam com um recorde positivo. Ou que os Blazers estariam com um recorde tão positivo. Estas são algumas das boas surpresas da temporada até agora. Por outro lado, outras equipas estão a surpreender pela negativa, estão com recordes bem piores do que esperaríamos e a desapontar as expectativas. Estas são as três que mais estão a desapontar neste começo de temporada:


Washington Wizards (2-6)
Terminaram bem a época passada (24-25 nos últimos 49 jogos, depois de John Wall regressar) e este ano, com a manutenção do núcleo do ano passado e com as peças que adicionaram este ano, esperava-se que os Wizards lutassem por uma vaga nos playoffs. Mas até agora não se parecem nada com uma equipa desse nível.
Pioraram muito no ponto mais forte do ano passado, a defesa (5ª melhor em 2012-13, 22ª este ano) e o ataque não está muito melhor (30º e último em 2012-13, 21º este ano). Continuam com os mesmos problemas de antes (inconstantes, irregulares, com pouca ou má movimentação da bola no ataque) e acrescentaram problemas novos (pior defesa das penetrações, pior protecção do cesto e da tabela defensiva). 
Uma parte disso deve-se à troca de Emeka Okafor por Marcin Gortat. Okafor não contribuía nada no ataque, mas era um excelente defensor e protector do cesto. Os Wizards sacrificaram uma parte da defesa por um ataque melhor e esperaram que as melhorias no ataque compensassem o que perdiam na defesa. Mas até agora não só o ataque não melhorou, como a queda na defesa foi bem maior do que esperado. Pensavámos que este era o ano em que davam um salto, mas a continuar assim, os playoffs vão ser uma miragem.



New York Knicks (3-5)
E se falamos de continuar a ter os problemas de antes e acrescentar problemas novos, o que dizer dos Knicks? O ataque continua tão individualista e limitado como antes e, com a lesão de Tyson Chandler, a defesa veio por aí abaixo. Estão com uma das piores defesas da liga (a 24ª), são 26ºs na percentagem de ressaltos defensivos ganhos (são, portanto, das equipas que mais ressaltos ofensivos permitem), sem Chandler não têm ninguém que se pareça minimamente com um protector do cesto e aquela área restritiva é um passador.
No outro lado do campo, o panorama não é melhor. A sério, chega a ser constrangedor ver o seu ataque. Vezes e vezes seguidas em que o ataque da equipa se limita a uma jogada de isolamento ou a um jogador receber a bola no perímetro e lançar. O movimentação da bola é má ou inexistente e raramente vão além da primeira ou segunda opção no ataque ("vai já daqui"!). O objectivo assumido publicamente é o título, mas assim nem por sombras lá chegam.



Brooklyn Nets (3-5)
Nenhuma equipa entrou nesta temporada com expectativas mais altas. Com as contratações de Paul Pierce e Kevin Garnett e com os upgrades no banco (que os deixou possivelmente com o melhor banco da liga), os Nets entraram imediatamente no lote dos candidatos ao título. Uma parte da desilusão é culpa dessas expectativas estarem altas demais. 
Porque já sabíamos que o sucesso não seria imediato e que demoraria tempo para transformar as peças que tinham numa unidade coesa e eficiente. Já sabíamos que a aposta dos Nets era arriscada, porque, com jogadores tão veteranos, tempo é coisa que não têm muito (um, dois anos, no máximo). Mas não esperávamos que começasse tão mal.
Pior que o recorde (que é mau) tem sido a prestação da equipa (que está muito longe de jogar como uma equipa de topo: 25º ataque e 14ª defesa) e de Paul Pierce e Kevin Garnett (que estão com mínimos de carreira: 13.5 pts, 2.6 ast e 5.8 pts, 7 res, 0.5 dl, respectivamente). 
Já sabíamos que a idade e a falta de atleticismo do cinco inicial traria desafios defensivos, mas no ataque, com jogadores tão veteranos, não esperávamos 16 turnovers por jogo. Já sabiámos que o ataque ia ser lento (ninguém esperava vê-los a correr e a contra-atacar), mas esperávamos mais segurança e melhor execução.
Como diziamos, não se constrói uma equipa de um dia para o outro (ainda para mais uma com jogadores a terem de mudar os seus papéis habituais e com um treinador rookie e ainda a aprender a função) e é preciso tempo para o fazer. Mas os Nets não têm esse luxo.

14.11.13

Jingle Hoops


Ainda é um bocadinho cedo para pensar em coisas natalícias (para mim, pelo menos), mas a NBA já lançou a sua campanha das (já) tradicionais versões especiais de Natal dos equipamentos. E o anúncio está giro. Já os equipamentos... 







Parecem assim algo entre t-shirts um-bocado-p'ró-feias e equipamentos de hoquéi no gelo justos... Não, não vou pedir nenhuma destas ao Pai Natal.

30 for 30 - Space Jam Edition


Se o duelo entre a TuneSquad e os Monstars tivesse sido um jogo real e se a ESPN fizesse um documentário da série "30 for 30" sobre o mesmo, seria assim:


13.11.13

Há 34 anos, Darryl Dawkins partiu tudo


Hoje é o 34º aniversário do "Chocolate-Thunder-High-Flying, Robinzine-Crying, Teeth-Shaking, Glass-Breaking, Rum-Roasting, Bun-Toasting, Wham-Bam, Glass-Breaker-I-Am Jam":


Uns dias depois da segunda tabela partida por Darryl Dawkins, a NBA determinou que partir uma tabela era proibido e criou uma regra que castigava com uma multa e uma suspensão quem o fizesse. Até que mais tarde, claro, introduziram os cestos flexíveis que temos agora e abandonaram essa regra. 

Quanto ao nome da obra de Dawkins é da autoria do próprio, que gostava de dar nomes aos seus afundanços e tinha, como podem ver, uma grande veia poética.

12.11.13

Já só faltam 7?


A continuar assim, o Top 10 da temporada vai ficar preenchido rapidamente. Estas três devem lá ter lugar no fim da temporada:




E entre passes assombrosos, lançamentos impossíveis e afundanços monstruosos (mais umas equipas-surpresa e uns grandes começos de temporada de alguns jogadores) está a ser um belo início de época!

10.11.13

Bater Bolas


Vamos lá então à primeira edição do Bater Bolas, onde respondemos às vossas questões e discutimos os temas que vocês quiserem. Entre todas as perguntas e sugestões que recebemos, tivemos uma que surgiu mais que uma vez. Por isso, comecemos por aí.


Alguns de vocês perguntaram-nos pelo futuro dos Utah Jazz. O João Saraiva diz que, como adepto dos Jazz, está entusiasmado com os jovens talentos da equipa e pergunta-nos (tal como o André Batista) onde poderá esta equipa chegar daqui a 5 anos e se precisa de uma estrela ou se algum deles (Burke, Burks, Hayward, Favors ou Kanter) poderá ser essa estrela.


Bem, para já, o presente vai ser duro. Mas o plano dos Jazz não é a curto prazo. Este ano adivinha-se uma ano penoso, mas isso já era esperado. Esta é uma época onde têm todo o espaço e tempo para errar e aprender com esses erros. Para além da valiosa aprendizagem dentro de campo e da experiência que não se conquista de outra forma que não a jogar, o máximo que pode acontecer é ficarem com maiores hipóteses de ficar com uma das primeiras escolhas no draft e maiores probabilidades de sacar mais um grande talento.

Se precisam dessa futura estrela? Uma possível estrela (qualquer estrela) nunca é demais e se este grupo já é promissor, com uma potencial estrela o céu é o limite para esta equipa. Porque as perspectivas deste grupo já são boas. Todos os jogadores do cinco (os da foto) têm 23 anos ou menos e todos têm ainda muita margem de progressão. Uns mais que outros, claro, mas podem fazer um cinco inicial muito bom e muito sólido daqui a uns anos. 

Pensamos que dois deles (Favors e Burke) têm potencial para serem All Stars e os outros três talvez não tanto, mas, seguramente, para serem bons jogadores e bons complementos (naquele nível intermédio, não All Stars, mas melhores que role players, tipo JJ Redick, Anderson Varejão e afins). Nenhum deles será, provavelmente, um jogador de top 10 da liga, uma daquelas estrelas capazes de mudar o destino duma equipa por si só (um franchise player), mas poderão ser uma equipa à semelhança de uns Pacers (ou de uns Grizzlies), que não têm (ou não tinham, porque Paul George está a tornar-se) uma estrela dessas, mas que têm bons jogadores em todas as posições e, na soma de todos esses bons, uma equipa muito forte.

Por isso, já serão bons. Juntem a isso a possibilidade de conseguir um desses franchise players no próximo draft e podem ser muito bons. Com este grupo e mais uma (futura) estrela, têm tudo para construir uma equipa de topo e marcarem presença regular em fases avançadas dos playoffs. Se chegará para ir até ao fim? Isso depende de tantos factores que é impossível de prever, mas o potencial para construir uma equipa candidata está lá, o futuro é promissor em Salt Lake City e os fãs dos Jazz têm razões para estarem entusiasmados com ele.


Depois, o Pedro Costa pergunta até que ponto Mario Chalmers é um base de topo ou se, noutra equipa onde tivesse mais protagonismo e onde o jogo passasse mais por ele, seria.


Antes de mais, o que consideras de topo? Top 10? Ao nível de Derrick Rose, Chris Paul, Tony Parker e afins? Nesse caso, não, não é, nem seria. Mas se estivermos a falar de ser um bom base, capaz de conduzir uma equipa, marcar muitos pontos, defender bem, lançar bem, penetrar e passar bem a bola, então já é.

Mario Chalmers já é um bom base. É um bom lançador exterior e é um jogador sem medo de lançar e sem medo de assumir decisões. E também é um base inteligente, que sabe o seu papel na equipa e sabe que nos Heat é mais um atirador que um construtor de jogo. Não temos muitas dúvidas que seria um base melhor (ou teria melhores números) se jogasse numa equipa onde tivesse esse papel e onde tivesse mais vezes a bola nas mãos.

Teria, sem dúvida, melhores números e mais protagonismo, mas continuaria a não ser um base da primeira linha. Mas isso é mais mérito dos fantásticos bases que jogam actualmente na liga do que demérito dele. Porque a primeira linha é mesmo muito boa. Chalmers vive numa época de ouro dos bases e o topo já está muito recheado (Paul, Rose, Rondo, Westbrook, Irving, Parker, Williams, Curry, ...). Já é bom, seria melhor, mas não seria de elite.



Já sabem, enviem as perguntas por email (setevintecinco@gmail.com) ou por mensagem no Facebook e, todos os domingos,  escolhemos algumas para responder aqui. Voltamos a bater umas bolas no próximo domingo.

8.11.13

X's e O's - A jogada que deu a vitória aos Lakers


A palavra do dia é: defesa. Ou falta dela. Porque foi esse o tema recorrente da noite de ontem. Foi isso que condenou os Clippers com os Heat e foi isso que condenou os Rockets com os Lakers.
No caso dos Clippers é um problema crónico, que acontece jogo após jogo (e tantas vezes por jogo) e ao qual dedicaremos um post futuro. No caso dos Rockets, foi apenas um lapso numa jogada, mas que lhes custou a derrota no jogo de ontem. 

Os Lakers perdiam por 2 a 3'' do fim e tinham a última posse de bola, com reposição na linha de fundo. E aconteceu isto:



Sem retirar o mérito à jogada dos Lakers e ao lançamento de Steve Blake (que foi bom), foi uma falha enorme da defesa dos Rockets, que não pode permitir um lançamento completamente livre com uma jogada tão simples.

Tudo começou com Jodie Meeks a repor a bola e os 4 jogadores em campo a colocarem-se junto à linha de lance livre (Pau Gasol num dos cantos, Steve Nash e Steve Blake no topo do garrafão e Wesley Johnson no canto contrário):

Depois fizeram um simples stagger screen, com dois bloqueios consecutivos. Blake corta para a esquerda, para a linha de três pontos, e recebe um bloqueio de Nash e depois de Gasol.

Os Rockets falharam logo no primeiro bloqueio. Pela acção de Jeremy Lin (e pela sua reacção no final da jogada), o plano devia ser trocar nesse bloqueio. Lin ficou com Nash quando este fez o bloqueio, mas Patrick Beverley não trocou e ficou com Nash também.

Dwight Howard estava afastado de Gasol para deixar passar o seu colega de equipa pelo meio, por isso, se Beverley tivesse trocado nesse primeiro bloqueio, não teria problemas para ultrapassar o segundo  bloqueio e chegar a Blake antes deste ter tempo para armar o lançamento. Assim, Blake, com um corte simples, ficou completamente sozinho para receber a bola e lançar.

Quando Howard saiu a Blake já era tarde demais. Foi um grande lançamento do base dos Lakers, mas foi um erro grosseiro dos Rockets, que não podem ser comidos na última posse de bola com uma jogada tão básica.

Air Dunk


Parece que o Air Dunk está na moda este ano:






7.11.13

Mantenham estes debaixo de olho


Anthony Davis é um dos jogadores que começou a época com o pé direito e um dos jogadores a manter debaixo de olho este ano. Mas há outros que estão a ter grandes começos de temporada e que não devemos perder de vista em 2013-14. Por isso, não pestanejem porque podem perder uma grande temporada de:


Eric Bledsoe 
Saído da sombra de Chris Paul e com o comando de uma equipa entregue a si, está a libertar todo o seu potencial e a ter um dos começos de temporada mais tórridos deste ano. Passou de suplente nos Clippers a titular nos Suns, de 20 mins/jogo para 33 e de 8.5 pts, 3.1 ast e 3 res para 21 pts, 7.2 ast e 5 res. Já sabíamos que o Pequeno LeBron ia subir a sua produção e os seus números, mas está a superar todas as expectativas. E sem piorar a eficácia. Podia estar a marcar mais por estar a ter muito mais bola e muitos mais lançamentos, mas está até com melhor percentagem que antes (50%) e com um PER muito melhor (um PER de elite mesmo: 25.1! - a média da liga é 15 e Bledsoe teve no ano passado 17.5). Está a afirmar-se como um dos pilares para o futuro da equipa de Phoenix e vamos ouvir falar bastante nele este ano.

Klay Thompson 
Thompson é o Joe Dumars dos Warriors. Naqueles Pistons, Isiah Thomas era a estrela maior, Bill Laimbeer o bully no interior e Rodman o atleta e defensor incansável. E Dumars era o assassino silencioso de mão certeira que, sem alarido, produzia de forma consistente e regular. Como Thompson.
Numa equipa com muitos bons jogadores, Thompson é, jogo após jogo e sem alaridos, um dos melhores. Curry é a estrela maior, Iguodala o homem da defesa e das jogadas atléticas espectaculares, David Lee uma máquina de 20-10 e Bogut o músculo no interior. E Thompson, de fininho, é o homem  que leva já dois jogos de 30 pontos, que está com uns assombrosos 55% de 3pts e que é o melhor da equipa até agora (24 pts/jogo). Pode não estar entre os nomes mais falados e mais mediáticos dos Warriors, mas é um dos que mais vale a pena seguir este ano.

Monta Ellis
Este não é uma cara nova, nem um jogador que passe debaixo do radar. Mas este ano está a surpreender no aspecto do jogo onde sempre foi acusado (com justiça, diga-se) de ser fraco: a selecção de lançamento. Ellis está a escolher melhor que nunca quando e de onde lançar e está a aproveitar muito bem (e de forma mais eficaz que nunca) os espaços e os momentos no ataque. E está a entender-se muito bem com Nowitzki. O pick and roll entre os dois já se tornou uma das armas de eleição no ataque destes Mavs e Ellis pode fazer este ano a melhor temporada da sua carreira (até agora está a fazer e está com o melhor PER da sua carreira).

Gary Neal
Outro que, com um papel maior na equipa, está a aproveitar as oportunidades e a fazer a melhor época da sua carreira. O tempo de jogo não subiu assim tanto (em três anos nos Spurs fazia 21 mins/jogo e este ano está com 28), mas os números sim. Passou de 9 pts para 15.3 (é o segundo melhor marcador da equipa, atrás de OJ Mayo; e o primeiro em pts por 36 minutos, com 19.3) e está a acertar de três quase ao nível assombroso de Klay Thompson (53.3%). Com a bola mais vezes na sua mão e com luz verde para atacar (subiu de 8 lançamentos/jogo para 13), Neal vai ser um jogador divertido de ver.

Nikola Vucevic
O poste montenegrino dos Magic chamou a atenção na última temporada com alguns jogos monstruosos de mais de 20 pontos e 20 ressaltos, mas não foi o jogador mais regular e, na primeira metade da época, alternava entre um jogo em que fazia números desses e outro em que não chegava a um duplo-duplo. Foi melhorando ao longo da época e nos últimos vinte jogos da temporada regular, os duplos-duplos tornaram-se uma constante.
Este ano está a confirmar essa evolução, está com números de poste de topo (17.8 pts e 13.2 res) e, se mantiver a regularidade, entrará no lote dos melhores postes da conferência (e será um candidato a Most Improved). É manter o olho nele.

5.11.13

O passe do ano


Andre Iguodala teve vários momentos altos no seu regresso a Philadelphia. 27 pontos na 1ª parte (32 no final do jogo, mas, com os Warriors a ganhar por mais de 20, não jogou grande parte da segunda metade), sete triplos (um recorde de carreira), um par de afundanços e um alley oop espectacular a passe de Stephen Curry. Mas o momento mais alto de todos foi este:


Ainda vamos no início da temporada, mas esta assistência EXTRAORDINÁRIA para David Lee é provavelmente o passe do ano! Ainda temos muitos jogos pela frente, mas vai ser preciso um passe de outro mundo para não vermos esta jogada no primeiro lugar do top de assistências no final do ano!

4.11.13

O sucessor de Tim Duncan


Alto, atlético, com braços longos, um monstro na defesa e nos ressaltos, com bons fundamentos ofensivos, bons movimentos a poste baixo e um bom lançamento de frente para o cesto (aqueles 45º à tabela!). Uma máquina de "20-10"s (e quase 3 desarmes de lançamento) e um jogador que dominava nos dois lados do campo. Assim era Tim Duncan no auge da sua carreira.


E assim está a ficar Anthony Davis. Na temporada passada, no seu ano de rookie, começou lesionado e  depois o desempenho de Damian Lillard tornou-se uma das maiores histórias do ano e ofuscou todos os rookies. Para além disso, os Hornets andaram pelo fundo da tabela e fora da luta pelos playoffs, o que também não ajudou à atenção dada aos seus jogadores. E passou um pouco despercebida a boa temporada do rookie de New Orleans.

Apesar do início discreto (e de alguns percalços pelo meio), Davis foi melhorando ao longo da temporada e acabou com uns bons 13.5 pts, 8.2 res e 1.8 dl em apenas 28 minutos/jogo. E com um óptimo PER de 22.3. Foi um jogador eficaz, que precisou apenas de 10 lançamentos de média para aqueles 13.5 pts e mostrou sinais do jogador que podia ser (23% na percentagem de ressaltos defensivos, 5% na percentagem de lançamentos desarmados, números timdunquianos).

Este ano, embora a amostra estatística seja ainda pequena, está a ser esse jogador. Até agora vai com médias de 23.7 pts, 12.3 res e 2,7 dl. Ao nível dos melhores números timdunquianos. E, tão ou mais importante que os números (como dissemos, Davis ainda só jogou 3 jogos e a amostra ainda é pequena), este ano está a mostrar um bom lançamento de meia distância, o que irá variar o seu jogo e elevar a produção ofensiva para outro nível (já não é só um jogador para terminar perto do cesto e é capaz de desfazer de um bloqueio para fora e lançar de meia distância).

Davis tem uma constituição fisica semelhante a Duncan e já é uma besta nos ressaltos e na defesa. E está a caminho de desenvolver um arsenal completo como o de The Big Fundamental. E é ainda mais atlético e rápido que este era. Some-se a tudo isto que quando Duncan entrou para a NBA já tinha 21 anos. Davis, que entrou com 19, só na próxima temporada terá a idade que Duncan tinha na sua época de rookie. E por essa altura é bem provável que faça números ao nível dos deste. 

A comparação Davis-Duncan foi feita desde o momento que entrou para a liga e este ano Davis está a confirmá-la. Parece que temos sucessor de Tim Duncan.

3.11.13

Bater Bolas



Vamos bater umas bolas? Como já dissemos muitas vezes, isto sem a vossa participação não tem a mesma piada. Por isso, no fim de semana em que ultrapassámos os 2000 seguidores no Facebook, lançamos uma nova coluna no SeteVinteCinco.

Uma coluna onde vamos responder às vossas questões e discutir os temas que vocês quiserem. Sobre equipas, jogadores, treinadores, jogadas, regras, curiosidades, história da liga, o que quiserem. Mandem as vossas perguntas, levantem o tema que quiserem e aos domingos respondemos na nova coluna, Bater Bolas.

Enviem as perguntas por mail (setevintecinco@gmail.com) ou por mensagem no Facebook e, todos os domingos, escolhemos algumas para responder e discutirmos aqui. Mandem vir e vamos bater umas bolas.

1.11.13

O futuro da NBA


O que nos reserva 2013-14? Os Thunder campeões? James Harden, MVP da temporada? Phil Jackson nos Knicks? Derrick Rose marca 70 pontos? Kobe retira-se? LeBron no concurso de afundanços?  Clippers, Heat, Bulls ou Warriors campeões? Qual destas (ou alguma destas) "previsões" da TNT se tornará realidade?


Boletim de Avaliação - Sacramento Kings


E chegamos hoje ao fim da nossa avaliação da offseason das 30 equipas da liga. Para encerrar a Pacific Division, depois de Warriors, Clippers, Lakers e Suns, vamos até Sacramento, ver o que a equipa de DeMarcus Cousins (que começou a época em grande, com 30 pontos e 14 ressaltos na vitória sobre os Nuggets!) fez para deixar para trás o drama do último ano e o fundo da tabela por onde tem andado nos últimos anos:


BOLETIM DE AVALIAÇÃO - SACRAMENTO KINGS

Saídas: Tyreke Evans, Toney Douglas
Entradas: Greivis Vasquez, Carl Landry, Luc Mbah a Moute, Ben McLemore (7ª escolha no draft), Ray McCallum (36ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Greivis Vasquez - Marcus Thornton - John Salmons - Patrick Patterson - DeMarcus Cousins
Banco: Isaiah Thomas - Jimmer Fredette - Ben McLemore - Luc Mbah a Moute - Travis Outlaw - Carl Landry - Jason Thompson - Chucky Hayes
Treinador: saiu Keith Smart, entrou Mike Malone

Balanço: Para começar, não mudaram de cidade. Depois duma guerra entre milionários pela posse da equipa e depois de estarem com um pé fora de Sacramento (o primeiro comprador, Chris Hansen, queria levá-los para Seattle), os Maloof venderam a equipa a um grupo de investidores locais liderado por Vivek Ranadive e os Kings continuaram a ser os Kings.

A partir daqui foram só mudanças: mudaram de dono, trocaram o general manager (saiu Geoff Petrie, entrou Pete D'Alessandro) e trocaram de treinador. Mudaram, portanto, todos os responsáveis pela equipa.

No plantel, pelo contrário, não mudaram muito. Mas fizeram algumas boas adições:

Trocaram Tyreke Evans por Greivis Vasquez (não igualaram a oferta dos Pelicans a Evans, que era agente livre com restrições - 44 milhões por 4 anos). Podiam ter igualado ou então deixá-lo sair sem receber nada em troca. Assim, decidiram não gastar esse dinheiro em Evans, mas conseguiram chegar a acordo para um sign and trade. Conseguem um bom jogador para outra posição e dão também mais espaço a McLemore para se desenvolver (na prática, McLemore é um jogador para substituir Evans e ainda reforçaram outra posição).

Sacaram mais dois bons suplentes na free agency: Carl Landry e Mbah a Moute. A contratação de Landry deixa um engarrafamento na posição de power forward (têm Landry, Thompson e Patterson), mas ficam com mais um bom jogador e podem sempre tentar trocar algum dos três no futuro. Mbah a Moute é um excelente defensor e ficam com uma opção defensiva que não tinham na posição de small foward.

E escolheram um dos jogadores mais talentosos deste draft, Ben McLemore. É claro que o shooting guard rookie terá de aprender a fazer mais do que apenas lançar ao cesto, mas é um dos jogadores com mais potencial desta classe de 2013.

Mais do que um verão para fazer grandes mudanças no plantel, foi uma offseason para arrumar a casa e encontrar estabilidade. Para uma equipa há muitos anos disfuncional e sem rumo (e depois de toda a confiusão das últimas épocas), começar de novo a nível organizativo era imperativo. Ainda não será esta temporada que chegam aos playoffs, mas agora estão firmes em Sacramento e têm uma nova equipa a gerir a organização. Agora é continuar esse trabalho (no campo e fora dele).

Nota: 11


Estão analisadas todas as equipas da liga, os jogos já começaram e agora é basquetebol até Junho! Big is on!