Este Eurobasket promete. A maioria das selecções apresentam-se na máxima força (ou muito perto dela) e a grande maioria dos jogadores europeus que militam na NBA vão estar presentes. Se noutras edições, ora por questões físicas, ora por questões contratuais, muitos optavam por não representar o seu país, o lockout deste ano parece ter tido o efeito contrário. Com os training camps ainda longe de começar e com a possibilidade da temporada ser mais curta, a questão do desgaste da competição internacional e do peso que isso pode ter na longa temporada da NBA não se coloca e quase todos decidiram representar os seus países.

À excepção dos ausentes por lesão e um ou outro (Marcin Gortat e Ben Gordon) que tiveram problemas com o seguro em caso de lesão, vão estar presentes as principais estrelas europeias. E com isso, ganha a competição e ganhamos nós. Porque este Eurobasket vai ser uma representação fiel do valor do basquetebol europeu e promete basquetebol do mais alto nível.
Ora neste panorama, que podemos esperar da participação da nossa selecção? Incluída no grupo A, vamos apanhar pela frente a favorita Espanha, a anfitriã e candidata Lituânia, a poderosa e também candidata Turquia e ainda a Polónia e a Grã-Bretanha. Um grupo difícil, com três potências do basquetebol europeu (e mundial), uma boa selecção polaca e a acessível Grã-Bretanha.
Que armas temos para enfrentá-las? Antes de mais, temos de falar das armas que não vamos ter. Lesionados e fora dos planos de Mario Palma, estão Heshimu Evans, João "Betinho" Gomes, Paulo Cunha e Nuno Cortez, todos jogadores importantes e cuja falta será sentida. Assim, as doze armas que temos são:
Bases - António Tavares (Benfica), José Costa (Porto), Miguel Minhava (Benfica) e Filipe da Silva (Paris-Levallois, França)
Extremos - Carlos Andrade (Porto), João Santos (Porto), José Silva (Barreirense) e Fernando Sousa (Académica)
Postes - Elvis Évora (Benfica), Miguel Miranda (Porto), Cláudio Fonseca (V. Guimarães) e Marco Gonçalves (Ginásio Figueirense)
Destes, o cinco inicial provável será José Costa, Carlos Andrade, João Santos, Miguel Miranda e Elvis Évora.

Quais são então as forças e fraquezas desta selecção? Comecemos por estas últimas.
- Falta de wing players
Temos jogadores exteriores e interiores, mas faltam-nos jogadores intermédios, capazes de fazer o jogo de ligação entre um e outro, elementos com jogo de meia distância e penetrações capazes de desequilibrar e tirar as defesas de posição (o tipo de jogo que encontramos em Paul Pierce Shawn Marion ou Lebron James, para dar exemplos da NBA). Carlos Andrade é o único com a versatilidade para fazer esse tipo de jogo, mas mesmo ele é mais um shooting guard defensor e atirador.
- Défice de altura
Este é um problema histórico em Portugal. Somos um país de gente pequena e não podemos fazer nada contra isso. Todas as selecções do grupo têm vários jogadores com 2,08m ou mais e pelo menos um jogador acima dos 2,10m. Nós não temos ninguém que ultrapasse os 2,06m.
- Pouca versatilidade dos bases
Os nossos bases são essencialmente organizadores e atiradores. São jogadores que operam essencilamente pelo perímetro e o único capaz de penetrar e jogar no 1x1 é António Tavares.
- Falta dum go-to player
O nível no cinco inicial é homogéneo e ninguém se destaca, mas o que pode parecer uma coisa boa revela também um lado negativo: falta-nos uma estrela da equipa, um jogador que desequilibre e a quem possamos recorrer em alturas ou posses de bola decisivas.
- Banco
O cinco inicial é competitivo e experiente, mas depois Mário Palma não tem tantas opções no banco como gostaria. Com as lesões, foram chamados nomes menos habituais e alguns deles têm pouca ou nenhuma experiência a este nível. Nos bases, o nível é homogéneo e podemos fazer qualquer rotações com os quatro bases, mas nas outras posições as alternativas aos titulares são inferiores, especialmente nos extremos, onde não há alternativa à altura para João Santos e Carlos Andrade.
Como é sempre o caso, temos de fazer das nossas fraquezas forças e tentar aproveitar o que temos de melhor:
- Distribuição da marcação de pontos
A homogeneidade do cinco e a falta dum go-to player deve ser aproveitada para tornar o ataque mais imprevisível. Não há ninguém que seja a ameaça óbvia e não há um jogador para a equipa adversária neutralizar. Todos os jogadores podem marcar (no último jogo, frente à Finlândia, quatro jogadores marcaram na casa das dezenas, por exemplo).
- Lançamento de 3 pontos
Esta é a nossa especialidade. Tanto que às vezes abusamos dela e conformamo-nos com os lançamentos exteriores. Mas com o défice de altura dos jogadores interiores e a falta de wing players, é uma arma que teremos sempre de explorar e de que precisamos para conseguir espaço noutras áreas do campo.
- Experiência
O núcleo desta selecção já esteve no Europeu de 2007 e já tem experiência a este nível. Por isso as emoções estarão sob controle. E jogadores experimentados e calmos conseguem controlar melhor o ritmo de jogo e ter melhores decisões em campo.
Mas ainda estamos longe das selecções de topo e são, portanto, modestas as aspirações de Portugal neste Eurobasket. Com os três primeiros de cada grupo a passar para a segunda fase, as hipóteses de Portugal consegui-lo são diminutas, para não dizer nulas. Mas já é bom lá estarmos e marcarmos presença nos principais palcos da modalidade. Agora o objectivo é conseguir uma vitória frente à mais fraca Grã-Bretanha ou frente à desfalcada Polónia (sem Gortat e Maciej Lampe, do Caja Laboral) e fazer uma boa figura e o melhor possível contra Espanha, Lituânia e Turquia.
(e o primeiro jogo é já amanhã - ou hoje, dependendo de quando estiverem a ler isto -, quarta-feira, frente à Turquia, às 15:45, com transmissão em directo na SportTV. Podem ver aqui o lista completa e os horários dos jogos da 1ª fase que a SportTV vai transmitir e ver aqui um calendário maravilha de todo o torneio)






































