30.8.11

A nossa selecção


Este Eurobasket promete. A maioria das selecções apresentam-se na máxima força (ou muito perto dela) e a grande maioria dos jogadores europeus que militam na NBA vão estar presentes. Se noutras edições, ora por questões físicas, ora por questões contratuais, muitos optavam por não representar o seu país, o lockout deste ano parece ter tido o efeito contrário. Com os training camps ainda longe de começar e com a possibilidade da temporada ser mais curta, a questão do desgaste da competição internacional e do peso que isso pode ter na longa temporada da NBA não se coloca e quase todos decidiram representar os seus países.


À excepção dos ausentes por lesão e um ou outro (Marcin Gortat e Ben Gordon) que tiveram problemas com o seguro em caso de lesão, vão estar presentes as principais estrelas europeias. E com isso, ganha a competição e ganhamos nós. Porque este Eurobasket vai ser uma representação fiel do valor do basquetebol europeu e promete basquetebol do mais alto nível.

Ora neste panorama, que podemos esperar da participação da nossa selecção? Incluída no grupo A, vamos apanhar pela frente a favorita Espanha, a anfitriã e candidata Lituânia, a poderosa e também candidata Turquia e ainda a Polónia e a Grã-Bretanha. Um grupo difícil, com três potências do basquetebol europeu (e mundial), uma boa selecção polaca e a acessível Grã-Bretanha.

Que armas temos para enfrentá-las? Antes de mais, temos de falar das armas que não vamos ter. Lesionados e fora dos planos de Mario Palma, estão Heshimu Evans, João "Betinho" Gomes, Paulo Cunha e Nuno Cortez, todos jogadores importantes e cuja falta será sentida. Assim, as doze armas que temos são:

Bases - António Tavares (Benfica), José Costa (Porto), Miguel Minhava (Benfica) e Filipe da Silva (Paris-Levallois, França)

Extremos - Carlos Andrade (Porto), João Santos (Porto), José Silva (Barreirense) e Fernando Sousa (Académica)

Postes - Elvis Évora (Benfica), Miguel Miranda (Porto), Cláudio Fonseca (V. Guimarães) e Marco Gonçalves (Ginásio Figueirense)

Destes, o cinco inicial provável será José Costa, Carlos Andrade, João Santos, Miguel Miranda e Elvis Évora.


Quais são então as forças e fraquezas desta selecção? Comecemos por estas últimas.

- Falta de wing players
Temos jogadores exteriores e interiores, mas faltam-nos jogadores intermédios, capazes de fazer o jogo de ligação entre um e outro, elementos com jogo de meia distância e penetrações capazes de desequilibrar e tirar as defesas de posição (o tipo de jogo que encontramos em Paul Pierce Shawn Marion ou Lebron James, para dar exemplos da NBA). Carlos Andrade é o único com a versatilidade para fazer esse tipo de jogo, mas mesmo ele é mais um shooting guard defensor e atirador.

- Défice de altura
Este é um problema histórico em Portugal. Somos um país de gente pequena e não podemos fazer nada contra isso. Todas as selecções do grupo têm vários jogadores com 2,08m ou mais e pelo menos um jogador acima dos 2,10m. Nós não temos ninguém que ultrapasse os 2,06m.

- Pouca versatilidade dos bases
Os nossos bases são essencialmente organizadores e atiradores. São jogadores que operam essencilamente pelo perímetro e o único capaz de penetrar e jogar no 1x1 é António Tavares.

- Falta dum go-to player
O nível no cinco inicial é homogéneo e ninguém se destaca, mas o que pode parecer uma coisa boa revela também um lado negativo: falta-nos uma estrela da equipa, um jogador que desequilibre e a quem possamos recorrer em alturas ou posses de bola decisivas.

- Banco
O cinco inicial é competitivo e experiente, mas depois Mário Palma não tem tantas opções no banco como gostaria. Com as lesões, foram chamados nomes menos habituais e alguns deles têm pouca ou nenhuma experiência a este nível. Nos bases, o nível é homogéneo e podemos fazer qualquer rotações com os quatro bases, mas nas outras posições as alternativas aos titulares são inferiores, especialmente nos extremos, onde não há alternativa à altura para João Santos e Carlos Andrade.

Como é sempre o caso, temos de fazer das nossas fraquezas forças e tentar aproveitar o que temos de melhor:

- Distribuição da marcação de pontos
A homogeneidade do cinco e a falta dum go-to player deve ser aproveitada para tornar o ataque mais imprevisível. Não há ninguém que seja a ameaça óbvia e não há um jogador para a equipa adversária neutralizar. Todos os jogadores podem marcar (no último jogo, frente à Finlândia, quatro jogadores marcaram na casa das dezenas, por exemplo).

- Lançamento de 3 pontos
Esta é a nossa especialidade. Tanto que às vezes abusamos dela e conformamo-nos com os lançamentos exteriores. Mas com o défice de altura dos jogadores interiores e a falta de wing players, é uma arma que teremos sempre de explorar e de que precisamos para conseguir espaço noutras áreas do campo.

- Experiência
O núcleo desta selecção já esteve no Europeu de 2007 e já tem experiência a este nível. Por isso as emoções estarão sob controle. E jogadores experimentados e calmos conseguem controlar melhor o ritmo de jogo e ter melhores decisões em campo.

Mas ainda estamos longe das selecções de topo e são, portanto, modestas as aspirações de Portugal neste Eurobasket. Com os três primeiros de cada grupo a passar para a segunda fase, as hipóteses de Portugal consegui-lo são diminutas, para não dizer nulas. Mas já é bom lá estarmos e marcarmos presença nos principais palcos da modalidade. Agora o objectivo é conseguir uma vitória frente à mais fraca Grã-Bretanha ou frente à desfalcada Polónia (sem Gortat e Maciej Lampe, do Caja Laboral) e fazer uma boa figura e o melhor possível contra Espanha, Lituânia e Turquia.


(e o primeiro jogo é já amanhã - ou hoje, dependendo de quando estiverem a ler isto -, quarta-feira, frente à Turquia, às 15:45, com transmissão em directo na SportTV. Podem ver aqui o lista completa e os horários dos jogos da 1ª fase que a SportTV vai transmitir e ver aqui um calendário maravilha de todo o torneio)

29.8.11

Bola(s) ao ar no Eurobasket 2011


A Lituânia é um país de basquetebol. É o desporto mais popular do país, com mais de 25000 praticantes federados (parece um número pequeno, mas a Lituânia tem apenas 3 milhões da habitantes e, para terem uma noção, é o dobro dos praticantes de futebol). Os jogadores de basquetebol são os desportistas mais famosos do país. Os Cristianos Ronaldos e Fábios Coentrões lá do sítio chamam-se Sabonis, Marciulonis ou Jasikevicius.

E para dar início às festividades do Eurobasket 55000 lituanos juntaram-se para driblar 55000 bolas de basquetebol, estabelecendo o recorde do mundo para o maior número de pessoas a driblar ao mesmo tempo:


"Estamos muito contentes por mostrar ao mundo o que o basquetebol significa para nós e o quão loucos por basquetebol somos", disse o presidente da organização, Mindaugas Spokas. Acho que ninguém ficou com dúvidas.

Portugal no Eurobasket


Desculpem a ausência nos últimos dois dias, mas o trabalho tem apertado e entre um Domingo a trabalhar das 11 às 11 e mais umas noitadas na agência não sobra muito tempo para escrever.
Mas, em resposta à questão do JP nos comentários do post anterior, sim, claro que vamos acompanhar as desventuras da nossa selecção no Eurobasket.


Como está escrito na nossa apresentação, o SeteVinteCinco é o blogue português da NBA, por isso antes de sermos da NBA, somos portugueses. E não podemos ficar indiferentes ou ignorar uma rara participação da nossa selecção num Campeonato da Europa. Já basta a distracção das nossas televisões e jornais desportivos.
Para além disso, a NBA continua sem novidades (vamos ter reunião entre os donos e os jogadores esta semana, vamos ver o que dá) e prolonga-se a silly season ad eternum.

Por isso, mantemos um olho no outro lado do Atlântico e vamos ficar atentos ao que por lá aconteça, mas as nossas atenções voltam-se para a Lituânia e para o torneio que começa já esta quarta-feira. Fica prometido para amanhã o post com a análise da selecção portuguesa.

27.8.11

Um pequeno que deixou uma grande marca


Muito bom o artigo de Shaun Powell no NBA.com sobre Muggsy Bogues e os jogadores com menos de 6 pés (1,83m) que tiveram carreiras bem sucedidas na NBA. Uma leitura imperdível sobre o jogador mais baixo de sempre que jogou na NBA (5'3'' ou 1,59m). Um grande jogador que nos fez sonhar a todos e nos fez acreditar, a nós minorcas, que era possível jogar na NBA.


É verdadeiramente inacreditável o que o pequeno Bogues fazia e como conseguiu ter uma carreira de 14 anos nesta liga de gigantes. Como diz no artigo Allan Bristow, seu antigo treinador nos Hornets, "Toda a gente fala de como nunca vai haver outro Michael Jordan ou outro Larry Bird. Mas a verdade é que nunca vamos ver outro Muggsy Bogues."


25.8.11

Era Uma Vez a NBA: os anos 00


E chegamos ao fim da nossa viagem pela história da NBA com a primeira década do novo milénio. E se a NBA já terminou o século XX como uma liga global só reforçou essa posição no início do século XXI. Para isso muito contribuiu a entrada dum gigante que levou a fama da NBA até um país (e um mercado) gigante. Yao Ming abriu as portas da China e ajudou a NBA a conquistar mil milhões de fãs e o espaço que faltava para se tornar verdadeiramente universal.

Para além do fenómeno Yao, uma nova geração de jogadores veio substituir o vazio deixado pela retirada de Michael Jordan e dos outros grandes nomes dos anos 80 e 90. Jogadores como Iverson, Garnett, Nowitzki, Duncan e Bryant (que se estrearam ainda no final dos anos 90, mas atingiram o seu auge nos anos 00) e a primeira geração de estrelas do novo milénio, com Carmelo, Lebron, Howard, Paul, Stoudamire ou Wade.


A nível colectivo, a década começou como acabou: sob o reinado dos Lakers. Com Shaq e Kobe, de 2000 a 2002, e Kobe e Gasol, em 2009 e 2010. E sempre com Phil Jackson. E estas duas encarnações da equipa do Zen Master foram duas das equipas da década. A escolher entre uma delas, a vantagem vai para a primeira. Shaq e Kobe foram uma das melhores duplas interior-exterior de sempre e o Diesel era, no seu auge, um jogador imparável. A única forma de o impedir de marcar era atirar dois ou mesmo três defesas contra ele. Ou então fazer falta e metê-lo na linha de lance livre (o Hack-a-Shaq que Popovich e os Spurs celebrizaram).
E a única coisa que os impediu de dominar toda a década foi o choque de egos entre Shaq e Kobe. Aquele balneário era pequeno para os dois e um, Shaq, acabou por ser trocado. Não fosse isso e quem sabe quantos títulos podiam ter ganho.


Quem ganhou com isso foram as outras duas equipas da década: os Spurs e os Pistons.
Em 2004, a equipa de Detroit aproveitou da melhor maneira a guerra civil que consumia o balneário dos Lakers na última temporada em que Kobe e Shaq jogaram juntos e protagonizou a maior surpresa da década: 4-1 nas Finais frente aos favoritíssimos Lakers de Kobe, Shaq, Payton e Malone. Para além do título desse ano e mais uma ida às Finais no ano seguinte, foram candidatos eternos no Este, com seis finais de conferência seguidas entre 2003 e 2008.

A equipa de San Antonio era já uma das maiores ameaças ao reinado Shaq/Kobe (venceram-nos mesmo e foram campeões em 2003) e aproveitou o fim da sua dinastia para ganhar mais dois, em 2005 e 2007. Foram os campeões dos anos ímpares.

Um destaque ainda para os Celtics de 2008, que criaram muita expectativa com a reunião do seu Big Three de Garnett, Allen e Pierce e dominaram a temporada seguinte. Tivessem-se eles reunido no auge das suas carreiras e quem sabe o que podia ter acontecido. É mais uma dinastia-que-podia-ter-sido. Mas pelo que foi (ainda que curto) e pela amostra que deram do que podia ter sido, terão sempre um lugar em qualquer história desta década. E o nome deles lá estará na lista de campeões da década:

(se bem se lembram, os campeões estão a amarelo e as cruzes indicam as equipas com o melhor recorde da temporada)


Década esta que termina com a ascensão de uma nova geração de jogadores. Rose, Durant, Westbrook, Griffin, Rondo, Curry ou Love são nomes que vamos ouvir bastante nos próximos anos. Mas nos dez anos que ficaram para trás, foram estes os melhores:

Steve Nash - guard
Kobe Bryant - shooting guard
Lebron James - forward
Tim Duncan - power forward
Shaquille O'Neal - center

(esta posição de base não foi nada fácil de escolher. Nash foi o eleito porque 2 MVPs consecutivos é coisa para muito poucos e um feito reservado aos melhores, mas Jason Kidd, que liderou os Nets a duas Finais e é um melhores organizadores e distribuidores de sempre, e Allen Iverson, que foi MVP em 2001 e melhor marcador em 2001, 2002 e 2005, estão taco a taco com ele)

24.8.11

Jordan regressa e traz amigos


Com o início da temporada na NBA em risco, alguns dos melhores jogos de basquetebol deste Outono podem acontecer numa consola perto de ti. O novo NBA2K12, que sai no dia 4 de Outubro, traz, para além de Michael Jordan (que já estava na versão anterior do jogo), mais 15 lendas da NBA.

A lista é apetitosa: Julius Erving, Kareem Abdul-Jabbar, Wilt Chamberlain, Oscar Robertson, Jerry West, Bill Russel, Patrick Ewing, Hakeem Olajuwon, Karl Malone, John Stockton, David Robinson, Scottie Pippen, Isiah Thomas e ainda os Warriors de 91 (o RUN TMC de Hardaway, Mullin e Richmond) e os Kings de 02 (Chris Webber, Stojakovic, Divac e companhia).

E já que por aqui andamos numa de memórias, o trailer do jogo continua a onda de nostalgia:


23.8.11

Space Jam 1.0


Já todos viram o filme, mas quem é que conhece o site original? A Warner Bros mantém online essa verdadeira relíquia, tal como era em 1996, aquando do lançamento do filme. Thank you for the memories.


22.8.11

Era Uma Vez os logos da NBA


Bem a propósito da nossa viagem pela história da NBA, podem fazer uma viagem pela história dos logos das equipas neste artigo de Josh Cohen, do site oficial dos Orlando Magic. Podem ver a evolução dos logos de todas as equipas e recordar alguns saudosos logos, como este dos Mavs:

Ou o clássico dos Pistons:

Ou o pacman dos Hawks dos tempos de Dominique Wilkins:

Ou ainda o melhor logo dos Warriors de sempre:
E o meu preferido dos Jazz:

E um dos mais icónicos de sempre, da única equipa que nunca mudou de logo:

21.8.11

Era Uma Vez a NBA: os anos 90


Depois de anos 80 a NBA ter chegado aos telespectadores e fãs de todo o mundo, na década de 90 continuou a sua globalização com a chegada de dezenas de jogadores internacionais. Depois de pioneiros como Drazen Petrovic, Vlade Divac ou Detlef Schrempf nos anos 80, a década de 90 assistiu à chegada de jogadores de todo o mundo e a NBA tornou-se uma verdadeira liga mundial, com os melhores jogadores do mundo a actuar nas suas equipas.

Foi também a década em que os jogadores profissionais americanos foram autorizados a jogar nas competições internacionais e em que a melhor equipa que já pisou um campo de basquetebol foi formada: o primeiro Dream Team.


Foi mais um passo na globalização do jogo e da NBA. A passagem do Dream Team pelos Jogos Olímpicos de Barcelona 92 despertou mais entusiasmo e atenção mediática que qualquer equipa alguma vez tinha despertado. Foram embaixadores do jogo e a melhor promoção que o basquetebol podia ter. Depois do Dream Team assistimos a uma explosão de popularidade da modalidade em todo o mundo e o nível de jogo (no mundo e, por consequência, na NBA) tem vindo a subir desde aí. (podem ler este artigo que escrevi no Planeta Basket sobre o Dream Team, para uma história mais pormenorizada desta selecção histórica)

E foi, claro, a década dos Bulls. A equipa de Chicago ganhou 6 títulos nestes 10 anos e se Michael Jordan não se tivesse retirado e ficado fora da NBA durante quase duas temporadas, podiam mesmo ter igualado aquele recorde dos Celtics, que se pensava impossível de atingir, de oito títulos consecutivos.
Não igualaram esse, mas bateram outro que também durava há quase tanto tempo. Na temporada de 95-96 (com Jordan, Pippen, Rodman e Kukoc) bateram o recorde de vitórias na temporada regular (que pertencia aos Lakers de 72, com 69-13) e fizeram a melhor temporada de sempre na história da NBA: 72-10.


É claro que tivemos outras grandes equipas nesta década. Apenas tiveram o azar de ser contemporâneas destes Bulls. Os Blazers de 92 (com Clyde Drexler, Terry Porter, Jerome Kersey e Cliff Robinson), os Suns de 93 (com Charles Barkley, Kevin Johnson, Dan Majerle e Cedric Ceballos), os Sonics de 96 (com Gary Payton, Hersey Hawkins, Detlef Schrempf e Shawn Kemp). Todas elas fizeram grandes temporadas e chegaram às Finais, mas nunca conseguiram ultrapassar o último obstáculo de Jordan e companhia. E nenhuma equipa representa isso melhor que os Jazz.

Dois anos seguidos, em 97 e 98, tiveram temporadas acima das 60 vitórias (64-18 e 62-20) e perderam nas Finais para os Bulls. Jerry Sloan fez verdadeiros milagres com os jogadores que tinha e, com uma equipa com menos talento e atleticamente inferior, lutaram com tudo o que tinham e levaram os Bulls ao limite. Mas nunca os conseguiram derrotar. E Malone e Stockton, os mestres do pick and roll e dois dos melhores jogadores de sempre nas suas posições, nunca ganharam o anel que mereciam.

Quem aproveitou da melhor forma as duas temporadas sem Jordan foi outra das equipas da década, os Rockets de 94 e 95. O melhor poste da década liderou-os até dois títulos consecutivos. Um frente a outro candidato a melhor poste da década, Patrick Ewing, e outro frente a outro poste que viria a dominar a NBA uns anos mais tarde, Shaquille O'Neal. E Olajuwon dominou-os aos dois. Como na finais de conferência dominou outro candidato a poste da década, David Robinson. Por isso, nesses dois anos, eliminou as dúvidas que podiam existir e afirmou-se como o melhor.

Robinson teve a sua oportunidade de conquistar o anel em 99, já com a ajuda de Tim Duncan, o que completa a lista dos campeões destes 10 anos:


Nesta década, a NBA continuou a crescer no número de equipas também. Depois da expansão de 88 (quando entraram os Heat e os Hornets), em 89-90 a NBA acolheu mais duas equipas: os Magic e os Wolves. E em 95-96, a liga deu as boas-vindas aos Raptors e os Grizzlies. Assim, quando a década terminou, eram já 29 as equipas que competiam na NBA (faltava apenas uma para as 30 que temos hoje).
O número de jogadores internacionais cresceu progressivamente também. De 20 jogadores não-nascidos nos Estados Unidos que jogavam na NBA em 1989, passámos para mais de 70 em 99. E o mediatismo da liga em todo o mundo cresceu exponencialmente nesses anos. A NBA tornou-se verdadeiramente global.

E enquanto a NBA conquistava o mundo, os jogadores que conquistaram um lugar no melhor cinco da década foram estes:

John Stockton - guard
Michael Jordan - shooting guard
Charles Barkley - forward
Karl Malone - power forward
Hakeem Olajuwon - center

(para forward, foi realmente difícil escolher entre Pippen e Barkley, mas no fim optei pelo jogador que tinha mais distinções individuais. Mas é uma escolha muito renhida e não vou discutir com quem preferir um cinco com Pippen no lugar de Barkley. Para além disso, um cinco onde não cabem Scottie Pippen, David Robinson, Clyde Drexler ou Pat Ewing mostra como esta década foi boa e recheada de enormes jogadores)

19.8.11

Era uma vez uns posters


Antes de nos despedirmos dos anos 80 e continuarmos a nossa viagem pela história da NBA, fiquem com uma série de posters que ganharam fama nos Estados Unidos durante essa década e mudaram a história dos posters de desporto.

Até ali os posters eram todos iguais, com imagens dos atletas em situações de jogo. Até que os irmãos John e Tock Costacos levaram a coisa para outro nível:







18.8.11

Um bom dia para o basquetebol nacional


Fazemos aqui um parênteses na NBA para dar os parabéns à selecção nacional pelo apuramento para o Eurobasket 2011. Com a vitória desta noite na Hungria (66-57), já temos um lugar garantido na prova que vai decorrer entre 31 de Agosto e 18 de Setembro na Lituânia. Agora é só ver se acabamos o apuramento em primeiro ou segundo (falta um jogo frente à Finlândia e quem ganhar fica em primeiro) para ver em que grupo ficamos no Europeu.

Se ficarmos em primeiro, ficamos no grupo da Bósnia, Macedónia, Croácia, Montenegro e Grécia. Se ficarmos em segundo, apanhamos pela frente a Espanha, a anfitriã Lituânia, a Turquia, a Polónia e a Grã-Bretanha.
Tarefa bem complicada em qualquer um deles, mas estamos na Lituânia, agora vamos tentar fazer tão bom ou melhor que em 2007 (uma tarefa muito difícil, eu sei, mas vamos lá tentar).

Mas para já, vamos festejar o apuramento e Parabéns, Portugal!


17.8.11

Era Uma Vez a NBA: os anos 80


E eis-nos chegados aos anos 80. Esta foi a década em que a NBA chegou a Portugal, através das transmissões televisivas na RTP2 e da distribuição de revistas espanholas como a Superbasket e a Gigantes do Basket e em que muitos de nós conhecemos a NBA pela primeira vez.

E esta foi a década de ouro da NBA, não só porque a liga americana ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos e espalhou-se pelo mundo, mas também porque alguns dos melhores jogadores de sempre pisaram os campos da NBA nestes anos. Lendas como Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, Julius Erving, Kareem Abdul-Jabbar, Charles Barkley, Moses Malone, Hakeem Olajuwon, Patrick Ewing, Isiah Thomas, Karl Malone, Dominique Wilkins, Kevin McHale, John Stockton e a lista podia continuar.


O enorme crescimento que a liga conheceu a todos os níveis (número de equipas, fama, talento, competitividade) nos anos 70 continuou nesta década e o nível e quantidade de talento atingiu a estratosfera. E se aqueles nomes já eram suficientes para levar a fama da NBA até aos quatro cantos do mundo, algumas das equipas mais memoráveis e algumas das rivalidades mais inesquecíveis de todos os tempos ajudaram a tornar a liga americana num fenómeno mundial.

Quem pode alguma vez esquecer os fenomenais duelos entre os Celtics de Bird e os Lakers de Magic? O Big Three de Bird, Parish e McHale versus o Big Three de Magic, Kareem e Worthy. Os operários de Boston contra o Showtime de Los Angeles. Estas foram as duas equipas que dominaram a década e moldaram a NBA que conhecemos. Enfrentaram-se em três Finais antológicas (84, 85 e 87) e entre ambas ganharam oito títulos (cinco para LA e três para Boston).


Mas se estas foram as equipas da década, as equipas memoráveis não ficaram por aqui. Tivemos também os Sixers de 83, com Dr. J, Moses Malone e Maurice Cheeks, que ganharam 65 jogos na temporada regular (o segundo melhor recorde da história da equipa) e venceram o título cedendo apenas um jogo nos playoffs (com a famosa previsão de Moses Malone - "fo, fo, fo" - quase a concretizar-se).

E os Bad Boys de Detroit, com Isiah, Dumars, Laimbeer e Rodman. Com a sua defesa agressiva e nos limites da legalidade, a sua garra e luta e a sua atitude de "fazemos-tudo-mesmo-tudo-o-que-tivermos-de-fazer-para-ganhar" conquistaram adeptos por todo o mundo. Estes Pistons conseguiram destronar os Lakers no final da década, marcaram uma época e mostraram ao mundo que o trabalho duro pode levar-te longe.

Estas quatro equipas foram presença habitual nas Finais e levaram para casa os títulos da década:

(já sabem, a amarelo o campeão e a cruz indica que a equipa teve o melhor recorde da temporada regular)

E houve mais nos anos 80: a linha de três pontos transformou o jogo, o All Star Game cresceu para All Star Weekend e nasceram os Concursos de Triplos e os Concursos de Afundanços.
Portanto, para além de todo o talento individual e das rivalidades inesquecíveis, tivemos também acontecimentos e eventos que transformaram o jogo e tornaram a NBA em algo mais que um fenómeno desportivo. A NBA tornou-se parte da cultura mundial.

E assim, nos anos 80 a NBA chegou à sua época moderna. Foi uma década de jogadores inigualáveis, equipas especiais e momentos e imagens que ficaram e perduram no imaginário de todos os fãs. Esta é, por isso, a década que muitos consideram como a melhor da história da NBA. E do imenso lote de puro talento basquetebolístico destes anos, estes são os que entram no nosso cinco:

Magic Johnson - guard
Michael Jordan - shooting guard
Julius Erving - forward
Larry Bird - forward
Moses Malone - center

(Meu Deus, que cinco inicial! Será este o melhor cinco de sempre? Ou vamos ter de decidir no photo finish com o dos anos 60? Ou ainda, será que o dos anos 90 e 00 pode rivalizar com algum desses?)

16.8.11

Uma dica para os fãs


David Aldridge, autor da excelente coluna Morning Tip do NBA.com, está de férias desde ontem. E o que é que nós temos a ver com isso, perguntam vocês? Bem, durante as suas férias, quatro convidados vão escrever a coluna. E um deles pode ser um de vocês.
Depois dos três convidados escolhidos por Aldridge, o quarto vai ser escolhido entre os fãs que enviarem os seus textos. O próprio explica:

As for the NBA fan -- you -- I have an idea. I want you to write a guest column, about how you're coping -- or not coping -- with this lockout. I want you to tell me what it is you love so much about pro ball, how it gets inside you, how it makes you watch 25-year-old games on NBA TV or read old Jack McCallum or Jackie MacMullen pieces in Sports Illustrated. Why you love Granny Waiters just as much as you love Blake Griffin. Why you come back, after the work stoppages and The Brawl and everything else. And I want you to tell me why you, of all the NBA fans, should write it.

The e-mail, again, is daldridgetnt@gmail.com. We'll sort through the best offers while I'm at the beach and let you know who wins in a couple of weeks.


Por isso, ponham mãos e canetas à obra e quem sabe não vêem o vosso texto (sim, tem de ser em inglês) no site da NBA. Eu? Já estou a pensar no meu, claro!

Lockout Art


Quando os fãs expressam os seus sentimentos sobre a paragem da NBA. É o lockout a inspirar a criatividade:


(via marcjizz)

15.8.11

Era Uma Vez a NBA: os anos 70


Nos anos 70, a NBA conheceu a concorrência de outra liga que foi ganhando adeptos por todo o país, a American Basketball League (ABA).

A ABA foi criada ainda na década de 60, mas ganhou a sua fama na década seguinte. Enquanto a NBA era a liga "oficial" dos americanos, a ABA tornou-se a liga alternativa, com a sua famosa bola tri-color (uma ideia do seu primeiro comissário, a ex-estrela da NBA, George Mikan), os jogadores com as grandes afros e a pioneira linha de 3 pontos (que a NBA só adoptou em 79). A NBA era a liga certinha e a ABA era a liga do estilo e do espectáculo.


No entanto, as duas estavam intimamente ligadas. A própria origem da ABA esteve ligada à NBA. Em 1967, a NBA tinha 10 equipas e resistia a aumentar esse número, pedindo preços exorbitantes a qualquer equipa interessada em juntar-se à liga. Como resposta, um grupo de empresários decidiu criar outra liga de basquetebol profissional para competir com a NBA.
Mas desde o início que o seu objectivo era juntarem-se à NBA. Criaram a ABA para construir equipas fortes, atrair jogadores bons e obrigar a NBA a unir-se a eles. E logo desde as primeiras épocas da ABA, que as negociações para uma futura fusão começaram.

Assim, na primeira metade dos anos 70, e enquanto as várias tentativas de fusão decorriam, as duas ligas seguiram os seus caminhos paralelos.

A NBA era já uma liga famosa e estabelecida. Algumas das estrelas responsáveis pela enorme evolução técnica dos anos 60 continuavam a jogar (Oscar Robertson, Jerry West, Wilt Chamberlain) e todos os anos chegavam mais novos talentos. Lew Alcindor (mais tarde conhecido como Kareem Abdul-Jabbar), Walt Frazier, Willis Reed, Bob McAdoo, Elvin Hayes, Pete Maravich, Nate Archibald, entre muitos outros. A evolução técnica que aquelas estrelas dos anos 60 trouxeram para o jogo, massificou-se nos anos 70 e os talentos individuais eram cada vez mais e melhores.


Enquanto isso, a ABA tinha a espectacularidade que muitos gostavam que a NBA tivesse: um estilo de jogo rápido, com muitos contra-ataques, muitos afundanços, muitos triplos e, graças à linha de 3 pontos que forçava os defensores a sair aos atiradores e não os deixava ficar tão fechados no garrafão, mais espaço para jogar. Enquanto a NBA era a liga séria, o basquetebol da ABA era o fun basketball.
Para além disso, a ABA foi também pioneira no recrutamento de jogadores do liceu (as equipas da NBA apenas podiam seleccionar jogadores da universidade), pelo que conseguia desviar muitos talentos para as suas equipas. Como consequência disso, o seu nível técnico era tão bom (ou melhor, para alguns) como o da NBA.
Mas a NBA tinha uma coisa que a ABA não tinha: fama e dinheiro. E com esta segunda recheada de talento, mas à beira da falência, deu-se finalmente a fusão. Ou, melhor, a absorção da ABA pela NBA.

Em 1976, quatro equipas da ABA (Denver Nuggets, Indiana Pacers, San Antonio Spurs e New York Nets) passaram para a NBA e os jogadores das restantes equipas (entretanto extintas) foram espalhados pelas equipas da NBA, num draft especial.
A NBA deu as boas vindas a jogadores como Julius Erving, Connie Hawkins, George Gervin, Artis Gilmore, Moses Malone, Maurice Lucas ou Rick Barry e tornou-se definitivamente a maior concentração de talento basquetebolístico do mundo.

Entre os jogadores que foram chegando na primeira metade da década e os que depois chegaram da ABA, a NBA teve nos anos 70 uma injecção de talento nunca antes vista.

E com o fim da dinastia dos Celtics, o terreno estava livre para novos pretendentes. Foi o começo duma nova era. Depois do domínio dos Lakers nos anos 50 e dos Celtics nos anos 60, os anos 70 foram anos de equilíbrio. Nesses 10 anos, oito equipas diferentes ganharam o título. Cinco equipas ganharam o seu único título (ou títulos) nesta década (Knicks, Bucks, Trail Blazers, Bullets e Sonics). Esta é a lista completa de finalistas e campeões:


A década de 70 foi uma década de crescimento e paridade sem paralelo. Em 1979 a liga tinha crescido até às 22 equipas e o nível de jogo era melhor que nunca. A NBA chegou à sua idade adulta. E, numa era com tantos talentos individuais, eleger os cinco melhores é uma tarefa mais difícil, mas aqui ficam as nossas escolhas para o melhor cinco dos 70's:

Walt Frazier - guard
John Havlicek - shooting guard
Rick Barry - small forward
Elvin Hayes - power forward
Kareem Abdul-Jabbar - center

14.8.11

Um Verme chorão


Dennis Rodman foi um jogador diferente. Logo o seu discurso na cerimónia de nomeação para o Hall of Fame não podia ser igual aos outros. E depois de o ouvir é impossível não gostar deste homem. Ele pode ter sido muitas coisas ao longo da carreira (e nem todas elas boas), pode ter causado muitos problemas e polémicas pelas equipas por onde passou, mas ninguém pode dizer que ele não punha o coração e a alma no que fazia. Às vezes o problema era pôr demais.

Na conferência de imprensa no dia anterior à cerimónia, ele já antecipava que no dia seguinte ia ser dificil controlar-se:



E como prometido, Rodman, o jogador que teve sempre as emoções à flor da pele, foi um homem com as emoções à flor da pele. E alguém que chora desta maneira ao ser nomeado para o Hall of Fame, alguém com um coração destes, só pode ficar no coração de todos os fãs. Rodman era apenas um miúdo frágil a tentar agradar aos outros e a desejar que as pessoas gostassem dele. Tudo o resto, todos os adereços, todas as atitudes extravagantes, era só uma capa:


Grande Dennis! Quem sente o jogo desta maneira é cá dos meus.

12.8.11

Era Uma Vez a NBA: os anos 60


Se a década de 50 foi de afirmação da NBA como a melhor liga de basquetebol dos Estados Unidos e de evolução do jogo para o formato moderno, a década de 60 foi aquela onde a NBA explodiu a nível técnico. Foi a época dos recordes (individuais e colectivos) e das temporadas individuais históricas.


No início da década, duas das equipas mais vitoriosas mudaram-se para cidades e mercados maiores (os Lakers de Minneapolis para Los Angeles e os Warriors de Philadelphia para San Francisco) e a liga ganhou uma dimensão verdadeiramente nacional. Estas duas equipas tinham ganho, entre si, 7 dos primeiros 10 títulos e continuaram a lutar pelos primeiros lugares nesta década com jogadores como Wilt Chamberlain, Elgin Baylor, Jerry West, Nate Thurmond e Rick Barry.
Nestes anos 60 assistimos também ao nascimento da maior rivalidade da história da NBA: Lakers e Celtics. Ao longo destes 10 anos, as duas equipas encontraram-se nas Finais por seis vezes. Infelizmente para os Lakers, sempre com a vitória a sorrir aos Celtics.

E os verdes de Boston foram a equipa da década. Liderados por aquele que é considerado um dos melhores postes de sempre (o melhor de sempre para muitos), Bill Russel, dominaram a liga como nenhuma equipa tinha feito até ali (e irá alguma vez fazer). O seu domínio tinha já começado no final dos anos 50, com a conquista do campeonato em 1959, e estendeu-se até 1969. Nessas 11 temporadas os Celtics ganharam o título 10 (!) vezes.
Entre 59 e 66 a equipa de Boston ganhou oito títulos consecutivos (um recorde da NBA e que muito dificilmente será alguma vez batido) e apenas os Philadelphia 76ers, em 66-67, conseguiram impedir que ganhassem o campeonato em todos os anos da década.

E foi preciso uma temporada histórica dos Sixers para o impedir. Nessa temporada de 66-67, a equipa de Philadelphia, liderada por outros dos melhores postes de todos os tempos (o melhor para muitos também), Wilt Chamberlain, estabeleceu um recorde de vitórias na temporada regular que durou até 1996: 69-13. Conseguiram finalmente ultrapassar os Celtics na final da conferência Este (na altura era ainda designada por Eastern Division), 4-1, e venceram depois os Warriors nas Finais, 4-2.

Bem, e o quadro dos campeões da década é fácil de imaginar, mas aqui ficam todos os finalistas:

(a amarelo a equipa campeã e a cruz indica o melhor recorde da temporada regular)


E se os recordes colectivos alcançados nos anos 60 foram impressionantes, que dizer dos individuais? Esta é a década do jogo dos 100 pontos de Chamberlain, dos 50.4 pts e 25.7 res de média numa temporada, também de Chamberlain (em 61-62; a melhor de 9 temporadas impressionantes, com médias sempre acima dos 30 pts e 20 res), do triplo-duplo de média numa temporada de Oscar Robertson (30.8 pts, 12.5 res e 11.4 ast, em 61-62; a primeira e única vez que tal feito foi conseguido) e do MVP das Finais de 69 para Jerry West (a única vez que o MVP foi para um jogador da equipa perdedora).


Alguns dos melhores jogadores da história da NBA jogaram nesta década e a sua enorme evolução técnica aliada a um estilo de jogo mais aberto da época, contribuiu para estes recordes quase inimagináveis hoje em dia. Eram jogadores extraordinários sem concorrência à altura. E desses, os cinco melhores foram:

Oscar Robertson - guard
Jerry West - shooting guard
Elgin Baylor - forward
Bill Russell - center
Wilt Chamberlain - center

(No melhor cinco desta década tivemos de optar por um alinhamento diferente do habitual, com dois postes, pois é impossível deixar Russell ou Chamberlain de fora. Os dois melhores postes de sempre tinham de entrar neste cinco e como um, Russell, dominava completamente na defesa e o outro, Chamberlain, dominava completamente no ataque, seria um frontcourt compatível. Bem, seria o melhor frontcourt de todos os tempos. Era como juntar o Luke Skywalker com o Darth Vader. A galáxia seria deles.)

10.8.11

Era Uma Vez a NBA: os anos 50


(Continuando a responder às vossas questões e sugestões, o João Lemos sugere debatermos os melhores 5's de cada década. Como este é um tema que exige a devida contextualização, vamos fazer mais do que isso. Vamos recordar e resumir a história de cada uma das décadas, apresentando no final os cinco melhores jogadores desses dez anos. Já fizemos aqui um artigo sobre a origem da liga e a sua época de estreia em 46-47. Continuemos então a história.)


Depois da temporada inaugural de 46-47, as duas épocas seguintes foram anos que estabeleceram os alicerces do jogo e lançaram as bases da futura NBA, mas que ainda tinham pouco que ver com o jogo como o conhecemos hoje. A recém-criada liga era ainda designada por Basketball Association of America (BAA) e conquistava aos poucos o seu espaço junto do público americano. Mas não se destacava ainda das outras ligas existentes, era apenas uma das ligas de basquetebol dos Estados Unidos. Isso estava, no entanto, prestes a mudar.

Em 1949, a BAA fundiu-se com a National Basketball League e adoptou a designação de National Basketball Association. Nascia oficialmente a NBA.

Coincidentemente, nesses anos de 49 e 50 a recém-nascida liga deu as boas vindas a nomes que mudaram a face da mesma e do jogo de basquetebol. Jogadores como Bob Cousy, Paul Arizin, Bill Sharman ou Dolph Schayes juntaram-se aos já estabelecidos George Mikan e Joe Fulks e começaram a moldar o jogo nos contornos que conhecemos hoje.


Na forma como definimos hoje a posição, Bob Cousy (que fez ontem 83 anos), dos Celtics, foi o primeiro verdadeiro point guard. Introduziu um controlo de bola e habilidade de passe únicos para a altura. O "Mr. Basketball" foi o melhor organizador de jogo e distribuidor da sua época e foi o líder de assistências durante 8 temporadas consecutivas.

Paul Arizin, dos Philadelphia Warriors, introduziu o lançamento em suspensão (jump shot). Naquela época o lançamento era afectuado com as duas mãos e os pés no chão (algo semelhante aos lançamentos actuais no corfebol) e Arizin foi um dos pioneiros do lançamento em suspensão com uma mão (aquele que é hoje praticado por todos os jogadores). Foi o melhor marcador duas vezes e teve uma média superior a 20 pts durante 9 temporadas consecutivas.

Bob Pettit (que entrou na liga em 54), dos St. Louis Hawks, e Dolph Schayes, dos Syracuse Nationals, foram jogadores que definiram a posição de power forward. Bons ressaltadores e bons jogadores interiores, capazes de jogar de costas para o cesto, mas também capazes de encará-lo e lançar de frente para o mesmo.

E George Mikan, dos Lakers, definiu a posição de poste. Foi o pioneiro do poste moderno. Com 2,08m (o maior jogador da liga na época), dominou o interior durante toda a sua carreira, aperfeiçoou a arte do ressalto, do lançamento em gancho e dos desarmes de lançamento. Liderou os Minneapolis Lakers a cinco títulos e foi verdadeiramente um dos jogadores que mudou o jogo. Foi por sua causa que a largura do garrafão foi aumentada.

Para além do grande desenvolvimento técnico que a NBA conheceu nesta década, também foram introduzidas regras que definiram o jogo de basquetebol moderno. E nenhuma mudou mais o jogo que a regra dos 24 segundos.

Depois dum horrível resultado final de 18-19 num jogo em 1953, o dono dos Syracuse Royals, Danny Biasone, estava determinado em melhorar o espectáculo para os fãs e contrariar a táctica, usada por muitas equipas, de trocar a bola indefinidamente no ataque para empatar tempo.
Biasone sugeriu a criação dum limite de tempo para o ataque (chegaram aos 24 segundos dividindo o número de segundos num jogo - 2880 - pelo número médio de lançamentos num jogo - 120) e os restantes donos aceitaram experimentar. E assim em 1954, foi criado o relógio dos 24 segundos.


Nessa temporada de 54-55 a média de pontos subiu quase 15 pontos por jogo (de 79 pts para 93 pts) e o basquetebol tornou-se um jogo mais rápido e mais espectacular.

E para a espectacularidade e popularidade do jogo contribuiu também outra criação da liga nos anos 50: o All Star Game. O primeiro All Star Game foi realizado em 1951, fruto da ideia de Haskell Cohen, relações públicas da liga, de promover o campeonato da NBA (para saber mais, podem ver aqui o artigo que escrevi para o Planeta basket sobre a história do All Star Game).

Houve ainda mais uma inovação nos anos 50, esta cultural: foi quando a NBA aboliu a barreira da cor e permitiu a entrada de atletas negros (pode parecer ridículo agora, mas temos de nos lembrar que eram outros tempos e a segregação racial subsistiu em alguns estados americanos até aos anos 60).

Com todas estas inovações, a década de 50 foi um período de afirmação e transformação. Afirmação da NBA como a liga que contribuiu mais para a evolução do jogo e como a melhor liga de basquetebol dos Estados Unidos. E o início da transformação do jogo de basquetebol no jogo que temos hoje.

Para fechar a história desta década pioneira, fiquem com a lista das Finais...

(imagem Wikipédia; a amarelo temos a equipa campeã e as cruzes indicam que a equipa teve o melhor recorde da temporada regular)

E, finalmente, o melhor cinco da década:

Bob Cousy - guard
Bill Sharman - guard
Paul Arizin - forward
Bob Pettit - forward
George Mikan - center

8.8.11

Ganhar ou formar?


Ainda a propósito do nosso artigo sobre a formação de jogadores, acaba de ser editado um livro que levanta outra questão muito importante sobre o tema. Embora o nosso artigo incida na problemática da formação em Portugal e este livro seja sobre uma realidade da formação nos Estados Unidos, levanta uma questão que, embora numa escala e contornos diferentes, acontece também no nosso país.

Em Play Their Hearts Out, o jornalista da Sports Illustrated George Dohrmann narra os oito anos que passou a acompanhar os Inland Stars, uma equipa de miúdos do Sul da Califórnia (desde que eles tinham 10 anos e começaram a jogar nas ligas infantis, até aos 18 anos e ao fim do liceu) e o seu pouco escrupuloso treinador.


Joe Keller era um treinador ambicioso, mas com pouca formação, que tinha o objectivo de descobrir o próximo Lebron James e, com isso, tornar-se rico e famoso. Em 2000, numa conversa casual com Dohrmann, Keller (que descobriu Tyson Chandler e perdeu-o para treinadores mais experimentados) disse ao jornalista que tinha juntado um grupo de miúdos que viriam a ser melhores que Chandler. Sedento de fama, Keller deu acesso total a Dohrmann e este passou os oito anos seguintes a seguir a evolução destes pequenos jogadores.

E ao longo desse tempo, o que vemos é um treinador que coloca as vitórias acima do ensino, marcas de ténis que disputam miúdos a partir de idades tão precoces como os 10 anos, olheiros de liceu e universidades a lutar pelos melhores talentos e miúdos sujeitos a pressões e expectativas irrealistas e sufocantes.

É claro que a realidade portuguesa pouco ou nada tem a ver com esta. Ninguém fica rico por descobrir um talento e não temos miúdos de 13 e 14 anos a assinar contratos com marcas desportivas. Mas, independentemente da conjuntura, a questão profunda por detrás é a mesma. Seja à escala dos milhões americanos ou à nossa escala, este erro de colocar os resultados e o reconhecimento acima do ensino do jogo é um dos mais comuns e frequentes.

Vejam este exemplo: para atrair a atenção (e os dólares) das marcas desportivas, Keller precisa que os Inland Stars vençam o título nacional de sub-13 da AAU. Por isso, os seus jogos são questões de vida ou morte, com Keller a berrar com os miúdos incessantemente, a gritar em todas as jogadas, desesperado por ganhar e impressionar as pessoas que estão a ver.

Quantas vezes não viram isto acontecer cá? Se costumam assistir a jogos de escalões de formação, já o viram muitas vezes, seguramente. Treinadores aos berros, miúdos pressionados para ganhar, pais enervados na bancada a insultar os árbitros, jogos de iniciados e até mesmo de minibasquete encarados como se fossem a final do campeonato do mundo.

Todos parecem esquecer-se (ou não se importar) que o objectivo da formação é ensinar o jogo. As vitórias são bem vindas, sim, e podem ser desejadas, mas apenas como consequência, nunca como objectivo. Daqui a 10 anos ninguém se vai lembrar quem ganhou o jogo x ou o título y. Aquilo que vai ficar é quantos desses jogadores chegaram ao fim da formação e quantos se tornaram jogadores (ou treinadores, ou árbitros ou dirigentes, porque não estamos apenas a formar jogadores, estamos a formar futuros agentes do jogo).

É um dos erros mais comuns na formação. Mas este não é exclusivo de Portugal. Este, infelizmente, parece que é um mal geral.

6.8.11

Goodies para os fãs


Hoje só temos coisas boas para vocês:

Querem dar uma alcunha ao novo pavilhão dos Oklahoma City Thunder? Vão aqui ao site do Daily Thunder e deixem as vossas sugestões. Bem, o pavilhão não é mesmo novo. Na verdade foi o pavilhão anterior que sofreu umas remodelações e mudou de patrocinador e nome. Mas como o novo nome (Chesapeake Energy Arena) não é nem fácil de dizer, nem apelativo, procuram-se alcunhas em Oklahoma.


E querem ter um quadro do Dennis Rodman, uma bicicleta, uma mesa de bilhar ou este belo stand up em vossa casa? É só irem aqui ao site da South Coast Auction, onde o Verme está a leiloar mobília, roupa e muitos objectos pessoais. Se por acaso quiserem uma casa de bonecas, ele tem também.


E esta actuação de James Dolan, o dono dos Knicks, com a sua banda de blues JD & The Straight Shot? A música chama-se Fix The Knicks e a letra... bem, é melhor ouvirem (podem lê-la aqui):