30.11.15

Querido Basquetebol


Não foi propriamente uma surpresa. Na verdade, foi apenas o anúncio oficial daquilo que já se esperava e daquilo que parecia cada vez mais certo. Mas, por mais previsível e inevitável que seja, é sempre um momento triste e carregado de emoções. E mais ainda pela forma como Kobe o anunciou, numa sentida e emotiva carta de despedida dirigida ao desporto ao qual ele dedicou a vida.

Muitas palavras já se escreveram desde que a carta foi publicada ontem à noite e muitas mais se vão escrever nos próximos dias e meses (e nós também haveremos de escrever as nossas). Mas para já, antes de quaisquer outras, devemos ficar com as palavras dele. Aí têm a carta de Kobe, traduzida para a nossa língua (e boa sorte para tentar segurar uma lágrima; eu não consegui, quando estava a fazer a tradução):


Querido Basquetebol,
Desde o momento
Em que comecei a enrolar as meias do meu pai
E a lançar imaginários
Cestos da vitória
No Great Western Forum
De uma coisa tive a certeza:

Apaixonei-me por ti.

Um amor tão profundo que te dei tudo -
Do meu corpo e mente
À minha alma e espírito.

Como um miúdo de seis anos
Tão profundamente apaixonado por ti
Nunca vi o fundo do túnel.
Só me vi a mim
A sair de um.

E então corri.
Corri para cima e para baixo de cada campo
Atrás de cada bola por ti.
Pediste-me o meu esforço 
Eu dei-te o meu coração
Porque trazia tanto mais.

Joguei para além do suor e da dor
Não porque o desafio me chamava
Mas porque TU me chamavas.
Fiz tudo por TI
Porque é isso que fazes
Quando alguém te faz sentir tão 
Vivo como tu me fazias sentir.

Deste a um miúdo de seis anos o seu sonho de Laker
E amar-te-ei sempre por isso.
Mas não te posso amar obsessivamente por muito mais tempo.
Esta temporada é tudo o que me resta para dar.
O meu coração aguenta a pancada
A minha mente suporta as mossas
Mas o meu corpo sabe que é hora de dizer adeus.

E não há problema.
Estou preparado para te deixar ir.
Quero que saibas agora
Para que possamos apreciar cada momento que nos resta.
Os bons e os maus.
Demos um ao outro
Tudo o que temos.

E ambos sabemos, faça o que fizer a seguir,
Que serei sempre aquele miúdo
Com as meias enroladas
Caixote do lixo no canto
:05 segundos no relógio
Bola nas minhas mãos
5... 4... 3... 2... 1...

Amo-te para sempre,
Kobe 

27.11.15

MVP #009 - Episódio com bolinha


Uma alcunha para o cinco de "small ball" dos Warriors, um prognóstico para os Pacers, uma cura para a Zingsanity, uma resposta à duvida "lançar rápido no final do período para ter uma posse de bola extra ou não?" e soluções para todos os problemas do David Blatt. Podem encontrar tudo isto e mais no episódio desta semana do MVP:


26.11.15

O melhor afundanço esquecido de sempre?


Um power forward voador e com afundanços de cair o queixo? Antes de Blake Griffin houve o aniversariante do dia:




E o afundanço que está em 3º lugar neste top não tem o reconhecimento e o lugar devido na memória dos fãs. Não só devia ser o nº1 deste top, como é um dos grandes afundanços esquecidos na História da NBA:


É um afundanço de concurso feito em jogo. Um misto de técnica, força e capacidade atlética com um grau de dificuldade enorme. Uma jogada que, quando pensamos nos melhores afundanços em jogo de sempre, merecia estar ao lado de afundanços como o do Vince Carter sobre o Frederic Weis ou o do Blake Griffin sobre o Perkins (ou sobre o Mozgov) ou o do Jordan na cara do Ewing.

Por isso, aqui fica o nosso contributo para a correcção dessa falha. Agora deem o vosso e partilhem. Porque este afundanço não merece ser esquecido.

22.11.15

Decidir bem ou decidir mal, eis a questão


Já o dissemos muitas vezes (por exemplo, aqui e aqui a propósito de LeBron; ou aqui a propósito de Kobe): ser decisivo no final de um jogo, ser um clutch player, não significa obrigatoriamente fazer o último lançamento. Nem sequer obrigatoriamente fazer a assistência para o último lançamento. Às vezes pode-se ser decisivo com um passe que leve a uma assistência (a chamada hockey assist). Ou até mesmo com um passe que inicie uma ação que leve a uma assistência e/ou a um bom lançamento. 

Como Reggie Jackson podia ter feito ontem e não fez (a partir dos 01:57):


Com 8 segundos para jogar e a perder por 2, os Pistons foram para a sua jogada predilecta desta temporada: um pick and roll alto entre Reggie Jackson e Andre Drummond:


Marcin Gortat fez 2x1 e defendeu a penetração de Reggie Jackson, Andre Drummond desfez para o cesto e ficou completamente sozinho dentro do garrafão. Primeira oportunidade para Jackson assistir para um colega em posição para um lançamento fácil (ou para uma assistência para Ilyasova, se Garret Temple rodasse defensivamente):

Mas o base dos Pistons continuou a driblar. Gortat não o largou e Drummond continuava sozinho, debaixo do cesto:

Só que Jackson continuou a driblar, até à linha de fundo. Gortat acompanhou-o até lá, Garrett Temple rodou defensivamente e ficou com Drummond. Jackson continuava com dois defensores consigo e Drummond tinha posição debaixo do cesto sobre um defensor mais baixo. Nova oportunidade para Jackson assistir para alguém em muito melhor posição:




Finalmente, tendo parado o drible e esgotadas as possibilidades de conseguir um lançamento, Jackson soltou a bola para Marcus Morris, num passe longo e que deu tempo a Otto Porter de rodar e fechar sobre o atirador. E Morris tentou um triplo contestado que nem ficou perto de entrar.

Não sabemos se o plano dos Pistons era tentar um triplo para ganhar o jogo ou tentar um lançamento de dois para empatar. Mas duas coisas sabemos: esta não era a jogada que Stan Van Gundy queria; e Reggie Jackson tentou ser o herói, procurou primeiro o seu lançamento e segurou a bola por muito mais tempo do que devia. Tivesse optado pela melhor jogada e podíamos estar aqui a fazer um post sobre a jogada que deu a vitória aos Pistons.

Como já dissemos antes, mais importante do que ser um clutch shooter é ser um clutch player. E isso significa jogar bem nos momentos decisivos. E jogar bem significa ler o jogo e tomar a melhor decisão para a equipa naquele momento. Ser clutch não é tentar ser herói à força. É fazer a jogada certa.

20.11.15

MVP #008 - Episódio Sem (não é gralha!)


No episódio desta semana do MVP, temos mais um convidado muito especial: Carlos Seixas, ex-jogador do Benfica, Porto e Oliveirense (entre outros) e actualmente treinador e comentador na Sport TV.

Estivemos à conversa sobre o despedimento de Kevin McHale e a justiça ou injustiça do mesmo; se George Karl é o próximo; quem são os melhores europeus que (ainda) não estão na NBA; e se está para breve termos lá um português. Para terminar, o Carlos vestiu ainda a pele de um dos grandes atiradores da história da NBA:

19.11.15

Um adeus ao Triplo Duplo



Pessoal, tenho boas e más notícias. As boas é que fui promovido no trabalho. As más é que, por causa disso, não vou continuar a fazer o TRIPLO DUPLO. 
Infelizmente, o tempo não dá para tudo e não tenho disponibilidade para todos os projectos em que estou metido, pelo que tive de cessar a minha colaboração no Triplo Duplo.

Eu saio, mas o programa não pára e podem continuar a seguir e a ouvir o Landim, o Costa e o Flávio no canal do videocast no YouTube.

Resta-me agradecer a quem me viu e ouviu nestes mais de dois anos no programa e agradecer, claro, aos meus colegas de painel por estes dois anos, por estes mais de 50 episódios que fizemos juntos e por tantas horas a discutir este desporto que tanto gostamos. Para eles, muito boa sorte e bons cestos!

18.11.15

Uma ode à persistência




Hassan Whiteside tomou a NBA de assalto na temporada passada. Foi uma das revelações da época e a mais surpreendente de todas, porque surgiu de repente, aparentemente do nada e sem ninguém o prever.

Depois de ter sido seleccionado pelos Kings na segunda ronda (33ª escolha) do draft de 2010 e ter sido dispensado em 2012 após duas temporadas em que apenas foi utilizado em 19 jogos, depois de dois anos fora da NBA passados a jogar na D-League, na China e no Líbano, e depois de tentativas de regresso à liga com nova passagem pela D-League e uma passagem sem sucesso pelos Grizzlies, os Heat ofereceram-lhe um contrato mínimo e um lugar na equipa.

E saiu-lhes um prémio muito maior do que esperavam. Procuravam um jogador útil e que ajudasse no interior, saiu-lhes um excelente ressaltador e defensor, um poste dominador e que se tornou o titular da posição. Terminou a temporada com médias de 11.8 pts, 10 res e 2.6 dl e ficou em 4º na votação para Jogador Mais Evoluído.

Este ano está ainda melhor. Continua a ressaltar como os melhores, está ainda mais dominador na protecção do cesto (lidera a liga com uns monstruosos 4.6 desarmes de lançamento por jogo!) e juntou a isso um renovado arsenal ofensivo. Surgiu com um lançamento melhor e com mais e melhores movimentos a poste baixo. Ontem fez o segundo triplo-duplo da carreira (22 pts, 14 res e 10 dl!) e está com médias de 15.3 pts, 12 res, os tais 4.6 dl e 63% em lançamentos de campo.

Mas será que os olheiros e os treinadores andaram todos a dormir? Como é que é possível que ninguém tenha detectado este talento antes? Porque ele não era este talento.

Quando entrou na liga era um projecto. Como tantos outros que lá chegam. Um miúdo muito grande com um enorme potencial, com uma capacidade física acima da média, uns braços intermináveis e um jeito inato para desarmar lançamentos. Mas era um jogador em bruto, sem técnica, com movimentos ofensivos rudimentares, com um lançamento fraco e com muito para melhorar.

Só que ele foi fazendo isso mesmo. E nem quando se viu fora da liga deixou de fazer isso. Continuou a trabalhar, a evoluir, a tornar-se melhor. E parece que todo esse trabalho e amadurecimento compensou.

Hassan Whiteside não é uma pérola que 29 equipas desperdiçaram. Hassan Whiteside é uma criação do próprio. É o resultado de muito trabalho e muitas horas em ginásios e pavilhões. Não foi falha dos outros, foi mérito dele. 

15.11.15

Fazer falta ou não fazer falta? Fazer.


Os Nets (os Nets!) deram mais luta aos campeões e até agora demolidores Warriors do que qualquer outra equipa esta temporada. E só não acabaram com o recorde perfeito da equipa de Golden State por culpa própria. Nomeadamente por isto:


Com 9 segundos para jogar e três pontos de vantagem, os Nets tiveram oportunidade de fazer falta sobre Draymond Green e não fizeram, o que permitiu depois o triplo do empate de Iguodala.

Eu não sou daqueles que defende que se deve SEMPRE fazer falta quando se está a ganhar por três. Como já escrevemos aqui em 2013 (num texto a propósito dessa discussão recorrente nas transmissões da Sport TV), é uma questão táctica que, ao contrário do que o Luis Avelãs defende, está longe de ser assim tão simples.
 
Podem ler nesse texto as razões porque a questão não é simples e porque não se deve fazer falta sempre. Apesar de nesta situação em particular um dos requisitos para ser "uma situação em que se deve fazer falta" - o tempo que falta para jogar - estar mesmo no limite, pensamos que teria sido a melhor opção.

Oito segundos ainda dava tempo para os Warriors fazerem falta a seguir e terem uma nova posse de bola após os dois lances livres para os Nets, e entrar num concurso de lances livres seria sempre um risco. Mas dar um lançamento triplo a estes Warriors é um risco ainda maior.
Se a muitas equipas seria melhor dar dois lances livres do que um triplo, contra esta então era seguramente melhor (ainda para mais quando Green e Iguodala não são os jogadores mais fiáveis da linha de lance livre).

Para além disso, nesta situação não havia o risco do jogador adversário conseguir três lances livres.
Essa é a principal razão porque a estratégia de fazer falta pode ser perigosa e correr mal (e a grande diferença entre usar essa estratégia na NBA ou na FIBA). A regra da continuidade na NBA torna perigoso fazer falta a um jogador fora da linha de três pontos, porque este pode armar o lançamento quando sofre a falta e os árbitros darem a continuidade e os três lances livres.

Mas neste caso, esta situação preenchia na perfeição esse requisito para fazer falta: Draymond Green recebeu a bola de costas para o cesto e DENTRO da linha de três pontos pelo que, mesmo que os árbitros lhe dessem a continuidade e considerassem uma falta em acto de lançamento, teria sempre dois lances livres apenas:


Fazer falta não é sempre a melhor estratégia, mas nesta situação teria sido e teria dado à equipa de Brooklyn maiores probabilidades de sair da Oracle Arena com uma vitória surpreendente.


(é claro que, logo a seguir, isto não também ajudou:


Duas oportunidades de ouro de conseguirem a maior vitória da temporada, dois tiros no pé.)

13.11.15

MVP #007 - Eu jogo, tu jogas, ele treina


No episódio desta semana do MVP, falamos de Kobe Bryant, de divas e da legalização da marijuana em New Orleans. Também falamos dos Pistons e do seu bom início, dos Raptors e dos jogadores no activo que podem dar melhores treinadores.
Ainda temos tempo para eu vestir a pele do general manager dos Grizzlies e decidir se despeço o Dave Joerger e para o Ricardo vestir a pele do jogador que entrou nesta temporada com a fasquia mais alta da liga:

11.11.15

This is (really) the end



Pode ser doloroso, custar a aceitar, parecer impossível imaginar a NBA sem ele, mas uma coisa parece certa e temos que nos preparar para isso: esta é a última temporada de Kobe Bryant na NBA.

Interrogámo-nos em Janeiro, quando Kobe se lesionou e perdeu o resto da temporada passada, se seria o fim. Dessa vez, respondemos que não. Acreditávamos que não era o fim, "simplesmente porque Kobe deve ser o jogador mais teimoso que já pisou um campo da NBA e é aí, dentro de campo, que vai querer terminar a carreira. Só por isso, deve fazer tudo para regressar e jogar no próximo ano.

Acreditamos, portanto, que não foi a última vez que vimos Kobe Bryant num campo da NBA. Mas também acreditamos que nunca voltará a ser o mesmo. Se já não era antes, agora a próxima temporada será, quase de certeza, a temporada de despedida. Kobe regressará para pisar pela última vez os campos onde nos encantou (e exasperou, e deliciou, e irritou, e maravilhou) tantas vezes. E para nos despedirmos."

E parece claro que é isso que temos de fazer. As evidências estão à nossa frente:

Os números
Os números têm sido maus. É um facto que três temporadas quase sem jogar fazem isso a qualquer jogador. Mas se fazem isso a qualquer jogador, imaginem o que faz um homem de 37 anos que joga na liga há 20 épocas. É notório e inegável que o corpo de Kobe está a chegar aos seus limites. Ele pode melhorar um pouco, mas não vai voltar ao que era. Nem perto disso. Daqui para a frente é mais ou menos isto que vamos ter. E Kobe não vai querer isso.

O descanso ao fim de 7 jogos
Ao sétimo jogo, Kobe descansou (e não foi por ser Deus). Segundo o próprio, "é do uso e desgaste. É dorido, algo que consigo debelar com um pouco de descanso e tratamento."
Houve ocasiões em que Kobe pode ter-nos feito pensar que era sobre-humano, mas ainda não é desta que alguém vence o Tempo. O tempo leva sempre a melhor. E levou mais uma vez (reler o que escrevemos em cima e o que escrevemos no texto de Janeiro). 

Os cumprimentos
Kobe pode não o admitir, mas todos os abraços com jogadores e fãs e os high-fives e os cumprimentos e acenos para o público que vai fazendo em cada pavilhão que os Lakers visitam? Não, não nos parece que esteja apenas a agradecer as palmas, parece mesmo de alguém que não vai voltar a jogar naquele pavilhão.

O desejo de ir aos Jogos Olímpicos
Kobe quer fechar a carreira com... chave de ouro?

As câmaras
Esta é provavelmente a mais reveladora de todas: Kobe contratou uma equipa de filmagens e tem andado com ela atrás para todo o lado. Vamos ter documentário sobre a sua última temporada e a sua despedida da NBA? Cheira mesmo a um "Kobe - Doin' His Final Work".

Por isso, é aproveitar, ver os jogos que faltam e prepararem-se para o momento doloroso. Têm 5 meses (vá, 9, se ele for ao Rio).

9.11.15

Boletim de Avaliação - Central Division


Como a temporada já leva três semanas e ainda nos faltam 10 Boletins De Avaliação, vamos mudar um bocadinho as regras da coisa e, em vez de fazer uma equipa de cada vez, vamos despachar logo uma divisão inteira. Por isso, vamos lá ao resumo e avaliação da offseason das equipas da Central Division. 

Uma divisão onde uma equipa que já era muito forte ficou mais forte, outra apostou na continuidade do plantel, outra continuou a sua remodelação, outra surpreendeu e outra fez uma mini-revolução:







BOLETIM DE AVALIAÇÃO - CENTRAL DIVISION


CHICAGO BULLS


Saídas: Nazr Mohammed
Entradas: Cristiano Felicio, Bobby Portis (22ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Derrick Rose - Jimmy Butler - Tony Snell - Nikola Mirotic - Pau Gasol
No banco: Aaron Brooks - Kirk Hinrich - E'Twaun Moore - Mike Dunleavy - Doug McDermott - Taj Gibson - Joakim Noah
Treinador: saiu Tom Thibodeau, entrou Fred Hoiberg

Balanço: Na 50ª temporada da equipa na liga, apostaram na continuidade do plantel, mas não na do timoneiro. Depois de anos de rumores sobre a má relação que Tom Thibodeau mantinha com os dirigentes dos Bulls (rumores confirmados pelo comunicado que divulgaram quando anunciaram o seu despedimento), despediram Thibs e contrataram Fred Hoiberg.

As equipas de Thibs eram conhecidas pela defesa, as de Hoiberg são mais conhecidas pelo que fazem do outro lado do campo. Hoiberg gosta de ataques rápidos, com 4 jogadores abertos e com maior preponderância do lançamento exterior. E é isso que estamos a ver dos Bulls este ano.

Mirotic foi promovido a titular e se ele e Gasol formam um excelente frontcourt no ataque, do outro lado já não é bem assim e vamos ver se esta equipa consegue lutar por um título com um jogo interior defensivo composto por estes dois jogadores.

De resto, na offseason, como dissemos, foi aposta total na continuidade: renovaram com Jimmy Butler, Mike Dunleavy e Aaron Brooks, e as únicas novidades no plantel deste ano são o jovem brasileiro Cristiano Felicio e Bobby Portis, que foi a escolha da equipa no draft.

No que ao plantel diz respeito, ficaram praticamente na mesma. Quanto à aposta em Hoiberg, vamos ter de esperar para ver. Não conseguiram ganhar um título com defesa, vamos ver se conseguem com ataque (e com um treinador rookie, como os Warriors no ano passado).

Nota: 11

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CLEVELAND CAVALIERS




Saídas: Shawn Marion, Kendrick Perkins. Mike Miller, Brendan Haywood
Entradas: Mo Williams, Richard Jefferson, Sasha Kaun, Jared Cunningham
Cinco Inicial: Kyrie Irving - Iman Shumpert - LeBron James - Kevin Love - Timofey Mozgov
No banco: Mo Williams - Matthew Dellavedova - JR Smith - Richard Jefferson - Tristan Thompson - Anderson Varejão
Treinador: David Blatt

Balanço: A equipa que foi às Finais está de volta e acrescentou mais umas peças.

A prioridade em Cleveland era renovar com os muitos free agents que tinham este ano e conseguiram fazê-lo com todos. Renovaram com LeBron James (2 anos/47 milhões), Kevin Love (5 anos/110 milhões), Iman Shumpert (4 anos/40 milhões), JR Smith (2 anos/10 milhões), Matthew Dellavedova (1 ano/1.2 milhões) e James Jones (1 ano/1.4 milhões). E, depois dum braço de ferro que durou até à pré-temporada, renovaram também com Tristan Thompson, por uns explicáveis mas muito exagerados 82 milhões por 5 anos.

Embora não o pudessem deixar sair e não tivessem grande alternativa, é um contrato muito dispendioso para um jogador tão limitado como Thompson (vão pagar mais de 16 milhões por ano pelo power forward suplente, e um jogador que só faz uma coisa acima da média: ressaltar; é um defensor competente e será um jogador muito útil para a equipa, mas o preço para o manter foi muito alto). É só por isso que não levam uma nota melhor.

Porque de resto, contrataram Mo Williams e ficaram com mais profundidade no backcourt (precisavam de um suplente para Irving e de um criador e marcador de pontos para a segunda unidade e conseguiram um dos melhores jogadores possíveis para esse papel); e contrataram Richard Jefferson e ficaram com melhor profundidade a small forward (Jefferson é mais útil que Marion no ataque, logo um jogador mais utilizável, que terá mais minutos que Marion e poderá dar mais descanso a James).

Fizeram o que precisavam de fazer: trouxeram todos os principais jogadores de volta, seguraram os melhores e mais jovens jogadores por vários anos e reforçaram os dois pontos mais fracos da equipa. O único senão é que a conta foi alta (historicamente alta: vão ter a segunda folha salarial mais alta de sempre, mais de 110 milhões - que com a luxury tax, pode ultrapassar os 180 -, só atrás dos 190 milhões dos Nets em 2013-14). 

Mas isso é um problema para Dan Gilbert. Porque no que diz respeito ao que se passa dentro das quatro linhas, David Griffin fez o seu trabalho e os Cavs vão atacar de novo o título.

(obviamente que aquele não é o cinco inicial que usam agora, é o cinco com que jogarão quando todos estiverem disponíveis)

Nota: 14

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DETROIT PISTONS



Saídas: Greg Monroe, Caron Butler, Shawne Williams, Quincy Miller
Entradas: Marcus Morris, Ersan Ilyasova, Steve Blake, Aron Baynes, Reggie Bullock, Stanley Johnson (8ª escolha no draft), Darrun Hilliard (38ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Reggie Jackson - Kentavious Caldwell-Pope - Marcus Morris - Ersan Ilyasova - Andre Drummond
No banco: (Brandon Jennings) - Steve Blake - Jodie Meeks - Stanley Johnson - Anthony Tolliver - Aron Baynes
Treinador: Stan Van Gundy

Balanço: Uma offseason onde se perde um dos melhores jogadores não costuma ser boa. Mas os Pistons tinham um grave problema de compatibilidade. E assim, apesar da saída de Greg Monroe, a equipa ficou melhor. Porque ficou com peças que se encaixam melhor.

Depois da decisão inédita de dispensar Josh Smith na temporada passada, Stan Van Gundy continuou, neste Verão, a remodelar a equipa à sua imagem e a procurar peças para preencher o perímetro à volta de Andre Drummond (à semelhança do que fez com Dwight Howard em Orlando).

Aproveitaram a necessidade dos Suns de libertar espaço salarial para ir atrás de LaMarcus Aldridge e conseguiram Marcus Morris (e Reggie Bullock) por uma pechincha (uma 2ª ronda em 2020); trocaram Caron Butler por Ilyasova; trocaram Quincy Miller por Steve Blake; e no draft seleccionaram Stanley Johnson, um jovem que apesar de precisar de desenvolver o lançamento exterior, é um extremo muito forte e atlético e um jogador não só com enorme potencial, mas também já com capacidade para os ajudar a curto prazo.

Por último, no ponto mais questionável da sua offseason, renovaram com Reggie Jackson por muito mais do que ele merecia (outro caso parecido com o de Tristan Thompson: não o podiam perder e não tinham muitas alternativas; depois de terem trocado por ele no final da temporada passada, não o podiam agora perder por nada e tiveram de pagar um preço alto para o manter).
Jackson é bom a criar a partir do pick and roll, mas, para além de ser um jogador irregular, tem ainda que melhorar muito o lançamento exterior. Os Pistons apostaram no potencial e no jogador que acreditam que ele pode ser. Vamos ver se ganham essa aposta.

Perderam um dos melhores jogadores, pelo que não deveria ter sido uma boa offseason. Mas, como estão a mostrar neste início de temporada, ficaram com uma equipa mais equilibrada e, apesar da aposta arriscada em Jackson e do preço que pagaram por ele, foi uma offseason deveras positiva.

Nota: 12
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INDIANA PACERS


Saídas: Roy Hibbert, David West, Luis Scola, Chris Copeland, CJ Watson
Entradas: Monta Ellis, Jordan Hill, Chase Budinger, Shayne Whittington, Myles Turner (11ª escolha no draft), Joe Young (43ª escolha no draft)
Cinco Inicial: George Hill - Monta Ellis - CJ Miles - Paul George - Ian Mahinmi
No banco: Joe Young - Rodney Stuckey - Chase Budinger - Solomon Hill - Miles Turner - Lavoy Allen - Jordan Hill
Treinador: Frank Vogel

Balanço: Fora com os grandes, venham os mais pequenos e mais móveis. Depois de várias temporadas com um frontcourt clássico, com dois jogadores interiores grandes, menos móveis e que jogam perto do cesto (e, preferencialmente, de costas para este), e depois de anos com um estilo de jogo baseado na defesa, os Pacers decidiram mudar de estilo e apostar no small ball e no ataque.

Entram Monta Ellis, Chase Budinger e jogadores interiores mais rápidos e móveis, como Hill e Turner.

A decisão de mudar até se compreende, porque com a equipa que tinham não iam destronar os Cavs (a melhor hipótese que tiveram de lutar por um título foi em 2012-13 e 2013-14 e se calhar já tinham perdido a janela de oportunidade), mas o problema é que com esta também não. Ficaram até mais longe dessa possibilidade.

Porque a fórmula pode ser a que tanto sucesso rendeu (e está a render) aos Warriors, mas os resultados em Indiana vão ficar muito longe disso. Porque os executantes não são tão bons. Os sistemas não são perfeitos e as receitas não são mágicas. Dependem sempre dos executantes. E os dos Pacers, lá está, não são tão bons.

Foi um Verão de mudança em Indiana e têm muito trabalho pela frente para voltar a lutar por um título. Vão ser bons, mas não mais do que isso.

Nota: 10
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MILWAUKEE BUCKS



Saídas: Ersan Ilyasova, Zaza Pachulia, Jared Dudley
Entradas: Greg Monroe, Greivis Vasquez, Chris Copeland, Rashad Vaughn (17ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Michael Carter-Williams - Khris Middleton - Giannis Antetokounmpo - Jabari Parker - Greg Monroe
No banco: Greivis Vasquez - Jerryd Bayless - OJ Mayo - Chris Copeland - John Henson - Miles Plumlee
Treinador: Jason Kidd

Balanço: Um dos free agents de topo escolheu Milwaukee. Um jogador que podia ter ido para Nova Iorque ou para Los Angeles preferiu ir para Milwaukee. Não lemos estas palavras muitas vezes. Mas isso mostra o potencial que esta equipa tem e o bom trabalho que têm feito na construção da equipa.

Greg Monroe escolheu os Bucks e assinou por 3 anos (e 50 milhões). Monroe pode não ser uma grande estrela, nem um grande defensor (defesa também não é a área onde precisavam de se reforçar mais), mas vai dar um grande contributo no ataque (aqui sim, precisavam de se reforçar) e é a peça interior que faltava neste cinco de miúdos (com 25 anos, vai ser o mais velho dos cinco).

Renovaram com outro desses miúdos, Khris Middleton, por 5 anos e 70 milhões (viva o novo acordo televisivo!), assegurando este cinco inicial pelos tempos mais próximos.

E essas são as palavras-chave nesta equipa e nesta offseason: tempos mais próximos. Esta equipa tem um potencial tremendo e um futuro risonho à sua frente, mas o presente pode não ser risonho como se espera. Infelizmente, não deverá ser este ano que concretizam todo esse potencial.

Porque perderam todos os jogadores mais velhos e experientes. E essa falta de experiência e de veteranos no plantel pode ser fatal para os Bucks este ano.

Como sabemos (e como já o disse no podcast MVP, quando os apontei como a possível desilusão desta temporada), a temporada é longa e é comum ver equipas jovens perderem a concentração e o foco e não conseguirem manter a regularidade ao longo dos 82 jogos. É por isso que é importante ter veteranos numa equipa. A contribuição destes no departamento psicológico e motivacional pode ser tão ou mais importante que a sua contribuição em campo. E nesse departamento, os Bucks saem a perder nesta offseason.
Por conseguirem mais uma peça para o futuro, só podem levar uma boa nota. Mas por terem perdido todos os veteranos e não terem reposto essa necessária experiência, não podem levar mais. O futuro é muito risonho, mas este deve ser um ano de dores de crescimento. 

Nota: 12



(a seguir, para terminar - finalmente! - os Boletins de Avaliação das 30 equipas da liga: a Southeast Division)

8.11.15

Triplo Duplo #53 (3ª temporada)


O Triplo Duplo desta semana sofreu um acidente. O Google Hangouts comeu uma parte do programa e ficámos sem as previsões para Rookie do Ano e Sexto Homem do Ano. Sobreviveram as de Jogador Mais Evoluído, Defensor do Ano, Treinador do Ano e MVP:

(eu já tinha feito as minhas previsões para os prémios individuais da temporada no 4º episódio do podcast MVP; por isso, aqui falei das apostas que fiz nessa altura, de quais mantinha agora e de quais mudava)


- Jogador Mais Evoluído (03:34)
- Defensor do Ano (17:27)
- Treinador do Ano (29:25)
- MVP (41:09)

6.11.15

MVP #006 - Pegar o touro pelos cornos


O nosso convidado desta semana dispensa apresentações, mas vamos fazê-las:
Luís Avelãs, jornalista do Record, famigerado comentador da Sport TV, conhecido fã dos Bulls e tão ou mais conhecido hater de Tom Thibodeau, juntou-se a mim e ao Ricardo para falar dos destaques deste início de temporada.
Falámos de Kobe e dos Lakers, de Steph Curry e dos Warriors, mas também de Dirk Nowitzki, Blake Griffin e turnovers. E claro, falámos dos Bulls. No fim, tivemos ainda um "Se Eu Fosse" a dobrar, com o Luís a vestir a pele não de uma, mas de duas personalidades da NBA:

4.11.15

DeAndre Jordan é O MENINO ASSUSTADO


Não sou eu que o digo, são os Mavs no vídeo que passaram ontem no American Airlines Center antes do primeiro jogo da equipa em casa:


Sabem aquelas declarações do Mark Cuban de que já não tinha mais nada a dizer sobre esse assunto e "DeAndre who?" e não sei mais quê? Pois, afinal, parece que os Mavs ainda tinham muito para dizer sobre a saga DeAndre Jordan. E não se pouparam nas palavras:


Uau... sugerir homossexualidade entre Chris Paul, LeBron James e Dwyane Wade, chamar cobarde a DeAndre Jordan com todas as letras... isto não é um vídeo feito por uns trolls quaisquer na net ou por um fã de cabeça quente para o Youtube, é um vídeo que passou mesmo no pavilhão de uma equipa da NBA.
Não é todos os dias que vemos uma equipa a gozar abertamente com jogadores e com outra equipa desta forma (aliás, acho que não me lembro de alguma vez ter visto. Brincar, sim. Provocar com humor, sim. Mas gozar de forma tão agressiva não me recordo de alguma vez ter acontecido). Parece que Cuban e os Mavs ainda estão muito longe de ter ultrapassado o assunto.

3.11.15

Mais do que um jogo


Está difícil conseguir terminar os Boletins de Avaliação (o trabalho e a agenda não têm andado fáceis). Mas como não quero que a vossa vinda até aqui tenha sido em vão, enquanto isso (para quem nunca viu ou para quem quiser rever), fiquem com a história do homem que foi esta noite o mais jovem de sempre a atingir os 25000 pontos quando ele era ainda um rapaz.
É o documentário "More Than a Game" completo:



1.11.15

A espera acabou


A NBA está de volta e sabem o que isso significa? Afundanços espectaculares, jogadas fabulosas, lançamentos incríveis e exibições extraordinárias como as que Stephen Curry tem feito?
Sim, isso também. Mas significa que temos novos anúncios dos Spurs para a cadeia de supermercados H-E-B! 
E, tal como em anos anteriores, são hilariantes:






Por favor, Spurs, nunca mudem!