3.5.16

Três razões para uma derrota


Vamos começar pelo fim e pela jogada de que toda a gente fala. Foi falta ofensiva do Dion Waiters na última reposição de bola dos Thunder? Claro que sim. A própria NBA já o admitiu. Mas não foi por isso que os Spurs perderam. 
A equipa de San Antonio teve, na mesma, aquilo que teria se os árbitros tivessem assinalado a falta: posse de bola. E até podemos argumentar que, com o roubo de bola que conseguiram após a reposição, tiveram uma posse de bola mais vantajosa do que teriam numa posse de bola após falta e com a defesa de OKC montada. Tiveram um contra-ataque e uma situação de 3x1 com duas boas situações de lançamento que desperdiçaram. 

E nem vale a pena discutir todos os "ses" dessa bizarra posse de bola final, porque senão nunca mais saíamos daqui e tínhamos alguns 50 cenários e variáveis possíveis (se a violação anterior do Ginobili tivesse sido assinalada; se a falta do Waiters tivesse sido assinalada; se a falta de Leonard sobre o Westbrook tivesse sido marcada; se houve falta sobre o Durant; se Ginobili tivesse lançado; se o lançamento do Mills tivesse entrado, se a falta do Ibaka sobre Aldridge tivesse sido marcada).
Não foi por uma jogada que perderam. Manu Ginobili resumiu-o melhor que ninguém quando lhe perguntaram se o jogo lhes foi roubado nesse lance: "Não, claro que não. Não foi essa jogada que decidiu alguma coisa até porque conseguimos o roubo de bola e tivemos um lançamento."

Terá sido então, como o Luís Avelãs disse durante a transmissão da Sport TV, simplesmente porque os Spurs jogaram mal? Segundo ele, os Thunder não fizeram nada de diferente e os Spurs é que jogaram pior do que no jogo 1. Mas não, também não foi por isso que perderam.

Perderam, porque, entre outras coisas, e ao contrário do que o Luís afirmou, os Thunder fizeram três mudanças fundamentais:

A primeira foi uma mudança de atitude. Neste jogo 2, foram muito mais agressivos. Foram mais agressivos na defesa, pressionaram muito mais o portador da bola, mantiveram-se muito mais colados aos jogadores sem bola e fecharam muito melhor as linhas de passe. E foram muito mais agressivos nas tabelas, ganhando mais 11 ressaltos que os Spurs (no jogo 1, tiveram menos 5).

As outras foram dois ajustes defensivos.

Primeiro, depois de ter sido Durant a ter essa tarefa no jogo 1, começaram com Andre Roberson a defender Kawhi Leonard. O shooting guard menos shooting da liga pode ser uma nódoa no ataque, mas ontem fez um bom trabalho na defesa, andou sempre colado a Leonard, obrigou-o a trabalhar mais para receber a bola e dificultou-lhe bastantes lançamentos. Depois de, no jogo 1, o extremo dos Spurs ter marcado 25 pontos em apenas 13 lançamentos, ontem marcou apenas 14 pontos em 18 lançamentos (com 0-3 em triplos).

Segundo, mudaram a defesa do pick and roll. No primeiro jogo, o defensor do bloqueador recuava para parar a penetração:






Como resultado disso, os jogadores dos Spurs que penetravam tiveram espaço para operar e tempo para pensar. Tony Parker, em particular, aproveitou esse espaço da melhor forma para distribuir e assistir o jogador (Aldridge, na maioria das vezes) que desfazia do bloqueio e terminou com 12 assistências.

Ontem, colocaram o defensor do bloqueador a sair, a pressionar o portador da bola e a afastá-lo do cesto (a fazer um "show" agressivo):






No jogo 1, os Spurs iniciaram ataques a partir do pick and roll sempre que quiseram e como quiseram. Ontem essa tarefa foi muito mais difícil. Tony Parker fez metade das assistências do jogo 1 e não teve nem metade do espaço e do tempo para operar e distribuir a bola e os Spurs, no total, tiveram menos 20 (!) assistências que no primeiro jogo.

Os Thunder também melhoraram no ataque. Moveram mais e melhor a bola, envolveram mais Adams e Ibaka (e Kanter e Waiters) e tiveram melhores situações de lançamento. Em vez de se ficarem pela primeira opção do ataque, procuraram muitas vezes as segundas e terceiras opções e, coisa às vezes rara no seu ataque, mudaram a bola de lado e procuraram jogadores sozinhos do outro lado do campo.

Mas a maior diferença foi na defesa. Depois de terem sofrido 124 pontos em apenas 84 lançamentos e de terem deixado os Spurs fazer tudo o que queriam no ataque, ontem sofreram apenas 97 em 94 lançamentos e obrigaram os Spurs a trabalhar mais para conseguir situações de lançamento e forçaram-nos a fazer lançamentos piores. 

Se, como se diz, uma série só começa quando uma equipa vence fora de casa, então esta começou ontem. Pop, é a tua vez.

3 comentários:

  1. Joao Lopes03/05/16, 20:51

    Boa análise. Ab Marcio

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  2. Não tive a oportunidade de ver o 2º jogo, mas após a coça que foi o 1º é bom sinal que OKC tenha feito ajustes e conseguido equilibrar e até levar 1 vitória. Pode ser que assim tenhamos uma eliminatória até ao jogo 7 :)

    Obrigado pela análise e vamos ver como Pop responde ;)

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