31.1.11

Um jogo de números?


Com esta recente polémica em torno da performance de Kobe em crunch time, os números e as estatísticas avançadas estão na ordem do dia. Podem as estatísticas representar fielmente e explicar tudo o que se passa em campo?

Nos últimos 10, 15 anos, a NBA protagonizou uma revolução no registo e processamento da informação. Uma nova geração de general managers (como Daryl Morey, dos Rockets) procurou novas formas de analisar o jogo e novas formas de retirar o melhor rendimento possível dos seus atletas. Nas palavras de Leslie Alexander, dono dos Houston Rockets, "queria alguém que fizesse mais do que olhar para os jogadores da maneira normal. Quer dizer, eu nem sei se estamos a jogar da maneira certa."

É claro para toda a gente que as estatísticas clássicas não contam toda a verdade sobre o que acontece em campo. Um jogador pode ter um impacto determinante num jogo e isso não se traduzir nos números normais (pontos, assistências, ressaltos, etc). Com este desejo de informação, as equipas (e os jornalistas e os comentadores), procuram cada vez mais e mais dados que expliquem o jogo e lhes permitam saber exactamente o que cada jogador contribui e onde cada equipa pode ter vantagem sobre a outra. Informação é poder.

Sobre esta temática das estatísticas e das formas avançadas de analisar o jogo, deixo-vos aqui três bons artigos:

- Um clássico do género, este artigo de Michael Lewis no New York Times, sobre a importância fundamental dum jogador aparentemente banal: Shane Battier, the no stats All Star.

- do blogue brasileiro Bola Presa, um extenso artigo sobre a importância dos números: A revolução será calculada.

- Também do New York Times, do seu blogue da NBA, Off The Dribble: Kendrick Perkins, the some stats All Star.

Boas leituras.

29.1.11

Afinal, Kobe é clutch ou não?


A questão surgiu nos comentários do post anterior e é a discussão mais acesa na blogosfera NBAiana por estes dias: Kobe é um bom clutch player ou não?


Tudo começou com um artigo de Henry Abbott, no True Hoop. Em "The truth about Kobe in crunch time", Abbott defende que Kobe, apesar da percepção geral, não é um bom jogador nos minutos finais dos jogos. No início da época, os general managers das 30 equipas responderam ao questionário anual e 79% responderam "Kobe Bryant" à pergunta "Que jogador gostaria de ter a fazer o último lançamento no final dum jogo renhido?"
Esta é também a opinião generalizada entre a maioria dos fãs da NBA. Mas Abbott discorda. Para ele, "há zero chances de Kobe ser o rei do crunch time." Em toda a sua carreira, Bryant lançou 115 lançamentos nos últimos 24 segundos de jogos em que os Lakers estavam empatados ou a perder por dois ou menos pontos. Converteu 36 desses lançamentos e falhou nos outros 79, para uma percentagem de concretização de 31%. Para Abbott, "só nos highlights do Youtube e na mitologia da NBA é que Kobe é o melhor marcador nos momentos finais."

Zach Lowe, do blogue Point Forward da Sports Illustrated, respondeu ao artigo e defende que os números de Abbott estão correctos, mas isso não quer dizer que o jogador dos Lakers seja mau nos momentos finais. Na verdade, Kobe está na média (e não nos podemos esquecer que esta média não é de todos os jogadores da NBA, mas antes uma média dos melhores jogadores, pois só estes é que têm a bola nas mãos nestes momentos). A verdade, segundo Lowe, é que todos os jogadores baixam a percentagem nestas situações. Há várias razões que o explicam: as defesas esforçam-se mais e fazem tudo para não sofrer um cesto (não é o mesmo sofrer um cesto aos 24 minutos do jogo, onde ainda há mais 24 para jogar, e nos últimos segundos, onde já não há tempo para recuperar. É uma situaçao de tudo ou nada), os árbitros permitem mais contactos (pelo que se torna mais difícil marcar), os jogadores estão mais cansados, os ataques das equipas são mais previsíveis, recorrendo muitas vezes a jogadas de isolamento e, muitas vezes, também não há tempo para procurar uma situação de lançamento mais favorável e têm de lançar pressionados ou em desvantagem. Por isso, Kobe não é mau. É apenas, como todos os outros, pior nessas situações do que no resto do jogo.

Em que ficamos? Kobe é um bom clutch player ou não? Pois bem, na verdade, ambos têm razão.
De facto, ele lança quase sempre, o que o torna mais previsível e facilita o trabalho da defesa. E dar a vitória à equipa não tem de ser sempre marcar o último cesto. Pode ser fazer uma assistência a um companheiro livre (lembram-se de Michael Jordan a assistir para John Paxson e Steve Kerr nas Finais, quando toda a defesa caía em cima dele?). Sim, Kobe podia ser melhor nessas situações de final de jogo, se não insistisse sempre em querer decidir o jogo sozinho. O próprio Phil Jackson já afirmou mais que uma vez que gostava que Kobe confiasse mais nos seus colegas e tivesse um jogo mais colectivo nesses momentos. Para o Zen Master, o triângulo ofensivo é para continuar a ser executado sempre.

E sim, Kobe tem piores percentagens em crunch time do que no resto do tempo. Não podemos negar os números. Mas temos de saber contextualizá-los. Um lançamento nos últimos segundos não é o mesmo que um no resto do jogo. Há factores físicos, mentais e conjunturais que tornam esses lançamentos muito mais difíceis que qualquer outros. Por isso, podemos compilar as todas as estatísticas que quisermos desses minutos, mas estas não dizem a verdade toda. E a lógica que usamos para analisar o resto do jogo não se aplica em crunch time. Se durante um jogo, uma percentagem de 31% é francamente má, em lançamentos de final de jogo é aceitável. Mais: é do melhor que qualquer jogador consegue.

Kobe é clutch? Se compararmos com os números dos primeiros 45 minutos dum jogo, não. Mas não é disso que estamos a falar aqui. Aqui estamos a falar dos últimos minutos. Aqueles onde mesmo os melhores de todos não conseguem fazer melhor. Aqueles onde, se até os melhores pioram, imaginem o que os outros fariam. Sim, ter a bola nas mãos de Kobe não é uma vitória garantida. Mas é a melhor hipótese que podes ter.

28.1.11

A Este e Oeste, algo de novo?

Os titulares do All Star Game de 2011 foram desvendados esta noite e o anúncio trouxe poucas surpresas. Estes são os jogadores que vão defender, no dia 21 de Fevereiro, as cores do Este e do Oeste e os votos recebidos por cada um:

Este

Guard: Derrick Rose - Bulls (1.914.996)
Guard: Dwayne Wade - Heat (2.048.175)
Forward: Lebron James - Heat (2.053.011)
Forward: Amare Stoudemire - Knicks (1.674.995)
Center: Dwight Howard - Magic (2.099.204)


Oeste

Guard: Chris Paul - Hornets (1.281.591)
Guard: Kobe Bryant - Lakers (2.380.016)
Forward: Kevin Durant - Thunder (1.736.728)
Forward: Carmelo Anthony - Nuggets (1.299.849)
Center: Yao Ming - Rockets (1.146.426)


A Este, as novidades são a escolha, pela primeira vez, de Derrick Rose para o cinco inicial e a selecção de Amare Stoudemire, que já alinhou em anos anteriores pelo Oeste e veste agora a camisola do Este pela primeira vez. Mas ambas as escolhas eram esperadas.
Rose esteve numa luta renhida com Rondo e acabou à frente deste por pouco mais de 300.000 votos (o base dos Celtics acabou com 1.587.297). Mas o base dos Bulls tem sido o melhor do Este e merece a votação.
Kevin Garnett esteve à frente de Stoudemire durante muito tempo, mas o power forward dos Knicks tem sido um dos responsáveis (o maior responsável?) pela época positiva da equipa da Big Apple e tem melhores números individuais que Garnett, por isso também nada a apontar à sua selecção.
No resto do cinco inicial, nenhuma discussão. O melhor shooting guard, o melhor small forward e o melhor poste. A Este nada a apontar.

A Oeste, duas injustiças claras. Yao Ming, pelas razões óbvias, e Carmelo Anthony, porque há outros extremos a fazer épocas melhores.
O poste dos Rockets está de fora toda a temporada e já se sabia, desde antes do começo das votações, que não podia jogar. A sua votação só se justifica como homenagem a um jogador que pode nunca mais voltar a jogar na NBA ou então por fanatismo dos fãs chineses.
Já a votação de Carmelo só se explica pela popularidade que ele tem (afinal, ele é bom naquilo que é mais visível no jogo: marcar pontos). Apesar de todos os rumores de transferência e toda a instabilidade que isso tem provocado nos Nuggets, Carmelo não está a fazer uma má temporada (23.6 pts, 8.0 res). No entanto, outros estão a fazer melhor. Blake Griffin e Kevin Love têm números individuais muito mais impressionantes, mas ambos jogam em equipas mais fracas, o que os prejudica nas votações. Dirk Nowitzki tem números individuais semelhantes aos de Carmelo, mas numa equipa melhor e que está a lutar pelos primeiros lugares da conferência.
No resto do cinco inicial, temos o melhor base, o melhor shooting guard (Kobe Bryant, que foi o jogador mais votado de todos) e o melhor small forward. Nada a apontar.

Algo de novo a Este, com justiça. A Oeste, nada de novo. Infelizmente.

27.1.11

Mais candidatos a lançamento do ano


Um dos nossos leitores sugeriu mais um candidato a lançamento do ano e como nunca nos cansamos de lançamentos espectaculares, aqui fica a sua sugestão:



E os candidatos a lançamento do ano não param. Um dia depois de Lamar Odom fazer o incrível lançamento do post anterior, o rookie dos Clippers Al Farouq Aminu (uau, um highlight dos Clippers que não é de Blake Griffin!) conseguiu este truque de circo: