9.5.11

Swan Lakers


O jogo da reviravolta transformou-se no canto do cisne. O luminoso Laker Show acabou num bailado trágico. E não foi bonito de ver. Diz-se que quanto maior a ascensão, maior é a queda. Pois, os Lakers estiveram no topo da montanha durante os últimos 4 anos, nos píncaros da glória basquetebolística durante quase quatro temporadas consecutivas. A queda não podia ser pequena.

Chegou ontem, mais rápido do que alguém esperava. E foi tão memorável como o domínio que os Lakers tiveram nos dois títulos. Ou não fossem eles da terra do espectáculo, Hollywood. Espectaculares na subida, espectaculares na descida. Estiveram no topo, onde poucos estiveram. E caíram como poucos também, com o primeiro sweep da carreira de Phil Jackson, com Odom e Bynum de cabeça perdida a acabarem expulsos (depois de dois golpes baixos que deixam uma nota de mau perder e mancham a saída dos bi-campeões), com uma derrota pesadíssima, com uma falta de alma e acusações entre os jogadores de falta de espírito de equipa.

Parece que o cansaço e o desgaste de três idas consecutivas às Finais apanhou-os. O Zen Master acredita que sim, que "sabia que era uma grande desafio para esta equipa conseguir o threepeat. Fomos às Finais e voltar lá duas vezes e ganhar depois daquela derrota de 08 põe muita pressão num clube, em todos os aspectos. Personalidades. Espiritualmente. Fisicamente. Emocionalmente. Recarregar baterias jogo após jogo, assalto após assalto (...). Foi um desafio maior do que nós este ano."

E se a temporada regular deixava dúvidas sobre se estariam à altura desse desafio, esta série não deixa as menores dúvidas que não estavam. Porque quando Stojakovic e Nowitzki mostram mais intensidade defensiva que os teus jogadores, quando a tua defesa faz o Barea parecer o Chris Paul e quando o teu melhor jogador não faz uma única entrada na passada em 4 jogos, sabes que estás em apuros.


Crédito à defesa dos Mavs, foi muito boa durante toda a série. A sua defesa individual sobre Kobe e Gasol foi agressiva e tanto um como outro tiveram muita dificuldade em conseguir espaço para lançar dos seus locais mais confortáveis. Quando conseguiam ganhar algum espaço ou passar o seu defensor directo a ajuda estava sempre lá e aquela área restritiva dos Mavs esteve sempre repleta de gente a tapar o caminho para o cesto.

Já a dos Lakers, bem, foi uma verdadeira sodomia do seu garrafão e da sua defesa. Os Mavs entravam e saíam a seu bel-prazer. E nem encontraram resistência. Expuseram mais que nunca a fragilidade defensiva dos Lakers na posição de base (um problema antigo dos de Los Angeles; Derek Fisher não conseguiu sequer abrandar alguém nesta série!) e abusaram da sua má transição defensiva, más rotações defensivas e má recuperação nas ajudas. Os jogadores de Los Angeles chegavam sempre tarde nas rotações e sempre que um Laker ia dar uma ajuda dentro, demorava uma eternidade a regressar ao jogador exterior. Resultado disso? 49 triplos marcados pelos Mavs, um recorde dos playoffs para uma série de 4 jogos. 62.5% detrás dos 7,25 neste jogo e 46.2% na série.

Poucas coisas correram bem aos Lakers. A defesa foi péssima nos 4 jogos e nem o banco, que este ano estava muito melhor e foi uma das chaves do sucesso desde o início da época, se safou. Nos 4 jogos foi batido 198-89 pelo banco de Dallas.

Com a retirada de Phil Jackson e este feio final de temporada, os Lakers vão ter que pensar muito no seu futuro. Lá iremos mais tarde fazer essa análise. Mas para já, a época continua. E os Lakers saem de cena. O seu reinado terminou. Vamos ter um novo campeão.

8.5.11

Rondo, o desfibrilador


Quando alguém desloca o cotovelo num jogo, supõe-se que esse jogador está acabado para esse jogo, certo? Bem, se esse jogador veste de verde e branco e chama-se Rajon Rondo não é bem assim.
Se os Celtics pareciam quase mortos e ligados ao ventilador nesta série, Rondo pode ter-lhes dado o choque que precisavam para acordar. O heroísmo de Rondo (que jogou o 4º período praticamente só com o braço direito e ainda conseguiu fazer um roubo de bola com a mão esquerda!) inspirou o público e os restantes Celtics e deu o impulso final para a necessária vitória sobre os Heat.

O base dos Celtics acreditou que "podia mudar o momento do jogo se conseguisse defender e chegar a umas bolas e para isso só preciso de duas pernas."
O seu estado para o próximo jogo é incerto. A lesão parece séria e pode significar paragem (embora depois disto, tudo é possível). Mas o estatuto de herói do jogo 3 (e da recuperação dos Celtics, se esta se concretizar) já ninguém lhe tira.


7.5.11

O threepeat dos Lakers


Kobe Bryant após o jogo 2, a responder a uma pergunta sobre a dificuldade de fazer um threepeat: "Se queremos fazer história, temos de fazer coisas históricas."
Pois bem, vão ter de fazer a coisa mais histórica de todas, aquela que nenhuma equipa da NBA alguma vez conseguiu: recuperar de uma desvantagem de 0-3.

Mas para isso vão ter de fazer muito melhor do que aquilo que têm feito. Porque até agora o que fizeram foi um threepeat de jogos a defender muito mal. Para vencer um jogo aos Mavs vão ter de defender o pick and roll muito melhor que isto:


Ou que isto (um verdadeiro exemplo de como não defender o pick and roll; Odom esboçou apenas uma tentativa de tempo de ajuda que não fez o driblador desviar-se um milímetro do seu caminho, Fisher nem se deu ao trabalho de libertar-se do bloqueio - e àquela distância da linha de 3 pts, podia ter passado por trás do bloqueio que não havia perigo de lançamento triplo - e se a ajuda se chegasse mais tarde dava tempo a Barea para fazer um piquenique no garrafão antes de marcar):


E defender muito melhor Nowitzki do que têm feito. E pensar em colocar outro jogador que não Gasol a defendê-lo. O alemão sempre teve dificuldades com defensores mais físicos e agressivos. O que não é o forte do espanhol. Senão o extremo dos Mavs vai continuar a marcar com a facilidade que temos visto. Se a defesa ganha campeonatos, defender tão mal dá um bilhete garantido para casa.

5.5.11

Em maus lençóis


No ano passado por esta altura, os Lakers estavam a varrer os Jazz e facilmente a caminho da final de conferência e os Celtics estavam a mandar Lebron para férias (depois de já terem mandado Wade!). Mas isso foi o ano passado e, embora tanto em Los Angeles como em Boston se comece a suspirar por esses bons tempos (e se não fôr pelas vitórias, é porque eram todos um ano mais novos que agora!), a verdade é ambas as equipas cavaram um belo buraco nestas suas eliminatórias de 2011. E com elementos estranhamente semelhantes em ambas.

De todas as equipas que ainda estão a jogar (e de todas as que já não estão também!), os Lakers e os Celtics são as duas com mais experiência, as mais veteranas e com mais jogos realizados nos playoffs nas últimas três épocas. Os de Los Angeles estiveram nas últimas três Finais e os de Boston estiveram em duas Finais nesses três anos (e no ano em que não foram às Finais, avançaram até à final da conferência). E, por isso, de ambas esperava-se que tivessem a vantagem psicológica nas respectivas eliminatórias.

Os Celtics são uma equipa dura, com uma defesa física e agressiva e amiga de jogos psicológicos e provocações para desconcentrar os adversários. Os Celtics são os bullies, os miúdos que fazem as regras do playground.
Os Lakers são uma equipa talentosa, que confia na sua superioridade para os levar aos objectivos. Os Lakers são os bons, que tiveram todo o ano à espera dos playoffs e do momento de brilhar. São os miúdos populares, as estrelas do playground.
E ambas as equipas já estiveram aqui antes, várias vezes. Sabem o que é preciso e sabem o que fazer. São equipas testadas e experimentadas na batalha.


Para além disso, as equipas que enfrentam não são (ou não tinham sido até aqui) propriamente os melhores exemplos de equipas mentalmente fortes. Os Heat foram vítimas do bullying dos Celtics ao longo da temporada regular (3-1 para os Celtics nos jogos entre ambos) e foram vários os momentos na época em que, pressionados, jogaram pior. E os Mavericks têm uma longa história de quebras e desilusões nos playoffs. São os miúdos no playground que têm de esperar vez dos mais velhos para jogar.

Tudo parecia indicar que os Celtics e os Lakers puxariam dos seus galões e mostrariam que aqui ainda mandam eles. Mas nestes dois jogos de cada série tem acontecido exactamente o contrário: os menos experimentados têm sido os agressores. Mavs e Heat tem sido mais confiantes, mais determinados e têm tremido menos. Têm sido mais consistentes, mais regulares e mais concentrados. A vantagem psicológica que não estava no seu lado à partida, é sua agora. Mostraram aos bullies e aos bons (e a eles próprios) que este playground também é deles.

E assim, de forma inesperadamente semelhante, Lakers e Celtics encontram-se em circunstâncias que não estão habituados: num buraco e com os miúdos que antes dominavam a tentar correr com eles do playground. Será que o conseguem reclamar de volta?

3.5.11

OKC: Falta-lhes um bocadinho assim


Muito se escreveu sobre a surpreendente performance dos Grizzlies nestes playoffs. Muito se falou da sua vitória no primeiro jogo das semi-finais do Oeste, frente aos Thunder. E muito se diz sobre aquilo que falhou na equipa de Oklahoma nesse jogo e sobre aquilo que têm de melhorar para vencer a incrivelmente sólida equipa de Zach Randolph e Mike Conley (e poucas vezes no passado se escreveram estas palavras junto ao nomes destes jogadores).

Falou-se do mau jogo de Russell Westbrook e dos muitos turnovers que cometeram, falou-se que Kevin Durant tem de ser mais solicitado e a equipa tem de jogar mais para ele, falou-se da excessiva utilização de jogadas de isolamento e de penetrações (que foram muito bem defendidas pelos Grizzlies) e falou-se do menor rendimento de James Harden. Todas essas são razões que ajudam a explicar o resultado final desse jogo e todas elas são coisas que podem ser corrigidas e melhoradas para os seguintes. Mas, no entanto, há algo que falta a esta equipa de OKC e não pode ser corrigido para o próximo jogo. Nem para o outro a seguir, nem para nenhum jogo desta época.


Na verdade, se olharmos para a história da NBA, é algo que todas (bem, há uma excepção*) as equipas que foram campeãs tinham: um jogador capaz de jogar de costas para o cesto. Um poste ou um power forward capaz de atacar a partir da posição de poste baixo. Uma presença ofensiva interior.

Os Lakers têm Gasol (e Bynum), os Celtics tinham Garnett, os Spurs tinham Duncan, os Pistons tinham Rasheed Wallace, os Lakers do início do século tinham Shaq, os Rockets tinham Olajuwon, os Bulls do 1º threepeat tinham Horace Grant, os Pistons de 89 e 90 tinham Laimbeer e por aí fora. Podemos recuar até aos primórdios da NBA e esse é um elemento comum a praticamente todas as equipas que chegaram ao título.
E as razões para tal são óbvias: quem tem um jogador com estas características (aliado a jogadores exteriores) tem um ataque mais versátil e imprevisível. O ataque pode ser iniciado no exterior ou no interior e o leque de possibilidades e movimentos ofensivos é mais vasto.

E é essa a falta de versatilidade que assola os Thunder. Os seus dois All-Star são jogadores que atacam de frente para o cesto. Ora em penetrações, ora em lançamentos (criados por eles ou após bloqueios para os libertar, mais Durant no segundo caso), mas de frente para o cesto. São dois jogadores exteriores, com movimentos de jogador exterior.
Perkins e Ibaka são dois defensores e ressaltadores excelentes, mas nenhum deles é um jogador ofensivo dotado. E embora Ibaka esteja a desenvolver um bom lançamento de meia distância, também só funciona após assistência. Nenhum deles tem bons movimentos ofensivos a poste baixo ou consegue criar as suas próprias situações ofensivas. O que significa que o ataque dos Thunder começa sempre no exterior.

E essa é uma grande limitação no seu ataque. Seja através de penetrações, pick and rolls ou bloqueios e assistência para um lançador, tudo começa sempre no exterior. Nunca há um passe interior para um jogador que ganhou a posição a poste baixo e para este atacar a partir dessa posição. O que significa que as defesas adversárias nunca têm de fechar sobre um jogador interior. O que significa que as defesas já sabem o que esperar e têm menos alternativas para cobrir. E quanto menos alternativas, mais fácil de defender.

E, como nos mostra a história, isso não leva uma equipa ao título. Por isso, os Thunder não vão ser campeões este ano. E para o serem no futuro vão ter de encontrar essa peça que falta.


*A única equipa que venceu um título (ou três!) sem um jogador bom a poste baixo?
Os Bulls do segundo threepeat, com Dennis Rodman e Luc Longley no interior. Mas essa era uma equipa muito especial. É um caso raríssimo em que os restantes eram tão bons e tão melhores que os outros que ganharam mesmo sem isso. E o triângulo ofensivo de Phil Jackson é um sistema particular, que vive tanto da capacidade de passe do jogador na posição interior como da sua marcação de pontos (e isso Luc Longley fazia bem).

2.5.11

Bola ao ar na 2ª ronda


Se a primeira ronda foi fabulosa, esta segunda promete ser épica. Nos dois jogos de ontem, os Grizllies continuaram a surpreender e tornaram-se no primeiro 8º classificado que elimina o 1º e depois ganha o primeiro jogo da série seguinte. E a sua pose de veteranos continua a ser impressionante. Enquanto os Thunder acusaram os nervos duma equipa jovem que está nestas andanças pela primeira vez, os Grizzlies, mais uma vez, tiveram uma calma e uma compostura que desafia a lógica (18 TO de OKC, contra apenas 7 de Memphis; 7 TO de Russell Westbrook, contra 0 de Mike Conley!).

Ganham aos Spurs de forma convincente, chegam a Oklahoma com apenas um dia para preparar o jogo e, perante um efusivo e muito barulhento público local, dominam os Thunder e ganham com à-vontade. As equipas que são bem sucedidas nos playoffs são aquelas que têm mais uma velocidade e conseguem subir um nível em relação à temporada regular. Pois os Grizzlies meteram umas duas acima e carregaram no acelerador a fundo! E qual Perkins e Ibaka, Zach Randolph e Marc Gasol foram os reis do garrafão!

No outro duelo, o muito aguardado Heat-Celtics, a turma de South Beach segurou para já a vantagem casa e venceu o sempre importante primeiro jogo no seu pavilhão. Num jogo que foi como toda a série promete ser (físico, com muita luta, provocações, algumas querelas e o seu quê de polémica), os Heat apoiaram-se na sua defesa atlética e num inspirado James Jones (25 pts do banco, a substituir o menor rendimento do terceiro vértice dos Super-Amigos, Bosh). Este rendimento de Jones não vai acontecer muitas vezes, por isso não podemos tirar grandes conclusões para os próximos jogos, mas uma coisa ficou clara para os Celtics: se tentam vencer os Heat no plano atlético (como fizeram neste), perdem. Se querem vencer está série têm de se apoiar no seu jogo mais colectivo e táctico. Têm de ser mais inteligentes que os Heat, porque mais jovens e atléticos nunca vão ser.

Esta noite começam os outros dois duelos (um Lakers-Mavs que vai ser uma prova de fogo para os bi-campeões e um Hawks-Bulls, com a equipa de Atlanta a tentar mostrar que podem rivalizar com os melhores do Este). Até lá, para fechar o resumo da 1ª ronda, fiquem com as suas 10 melhores jogadas:


1.5.11

As melhores imagens da 1ª ronda


No dia em que começa a segunda ronda (Heat-Celtics, já falta pouco!), fiquem com um resumo em imagens desta primeira ronda inesquecível.

Derrick Rose, praticamente sozinho, afundou os Pacers.


Ray Allen fez as pazes com os cestos e parecia que não falhava um lançamento,


enquanto Rondo passou pela defesa dos Knicks como faca quente em manteiga.


Os Sixers não foram oposição à altura de Lebron e companhia,


e os Hawks voaram mais alto que os Magic.


No Oeste, Chandler dominou as tabelas e o garrafão para os Mavs,


contra Brandon Roy e uns Blazers que nunca encontraram equilíbrio no seu jogo.


Os Hornets até se esforçaram e ainda assustaram, mas no fim


os Lakers tiveram a última palavra e o melhor afundanço da ronda.


A série que se esperava mais embrulhada, ficou resolvida cedo


e os Grizzlies partiram com tudo para cima dos Spurs,


com uma defesa sufocante que fechou todos os caminhos aos 1ºs classificados.