Com a segunda ronda mais ou menos a meio (e que segunda ronda que está a ser!), o Pedro Silva olha para os heróis (e vilões) dos playoffs até ao momento (sem nenhuma ordem em particular, segundo o próprio):
Heróis dos Playoffs
Os óbvios:
Stephen Curry - É o mais lógico vencedor destes playoffs até agora, independentemente do resultado da série com os Spurs, que vai empatada 2-2, ninguém deu tanto espectáculo como o jovem Curry. Triplos, assistências bonitas, mais triplos e o lançamento mais esteticamente perfeito da liga, Curry conquistou os corações de todos os que o têm visto actuar e conseguiu desenterrar a pergunta que estava no ar desde Fevereiro - Como diabo é que este miúdo não foi ao All Star Game?!
Nate Robinson - Um dos poucos Bulls que ainda sobra para a mostra, o pequeno Nate tem já um punhado de jogos brilhantes nesta acidentada campanha de Chicago, sobretudo na série com os Brooklyn Nets.
Joakim Noah - Os adeptos de Chicago adoram-no, os outros começam aos poucos a afeiçoar-se à sua interminável raça e dedicação ao jogo. Nem sempre é bonito - o próprio e o seu estilo de jogo - mas coração não falta.
Tom Thibodeau - O treinador de Chicago continua a conseguir tirar todas as gotas e mais algumas de uma equipa quase comicamente debilitada. Por mais lesões e sinistras doenças que amaldiçoem os Bulls, Thibodeau consegue colocar uma equipa competitiva em campo, levando estes Bulls até bastante mais longe do que parecia possível.
Marc Gasol - O melhor poste da NBA (opinião pessoal, mas sou eu que escrevo a coluna, quando forem vocês, elegem quem quiserem e bem entenderem) está a mostrar-se nestes playoffs a alguns dos adeptos mais distraídos ou que simplesmente não viram Memphis jogar durante a época regular porque, enfim, é Memphis, e quem imaginaria que havia interesse em ver uma equipa de Memphis? Defensivamente brilhante, sobretudo pelo posicionamento virtualmente perfeito em quase todos os lances (eleito Jogador Defensivo do Ano, não esquecer) Gasol tem mostrado excelência também no campo de ataque, marcando pontos com simplicidade e eficiência e encontrando os colegas com passes certeiros quando a defesa recorre ao "dois-contra-um". Um prazer vê-lo jogar.
Kevin Durant - Desde a lesão de Westbrook, Durant não teve outro remédio senão fuçangar um bocado (e contra a sua vontade, quase) e desatar a marcar pontos para levar a sua equipa às costas. Na série com os Grizzlies, Durant apontou 35, 36 e 25 pontos, contribuindo ainda um total de 36 ressaltos e 20 assistências nos três jogos.
Os Menos Óbvios
É fácil apreciar o trabalho de algumas das estrelas que marcam pontos às dezenas e cujos comentadores se lhes desfazem em elogios. Há, no entanto, uma série de jogadores em quase todas as equipas que fazem muito do trabalho sujo e merecem uma nota de apreço:
Klay Thompson - Naturalmente ofuscado pelo brilho de Curry, Thompson tem sido outra revelação no "backcourt" dos Warriors, com um lançamento também de grande qualidade e bom defensor do outro lado. No jogo dois contra os Spurs, registou o seu máximo de carreira, com 34 pontos (e 14 ressaltos!)
Kawhi Leonard - Tenho a dizer que sou fã incondicional deste small-forward dos San Antonio Spurs. Defensor de topo, atleticamente muito forte, capaz de marcar triplos quando têm espaço e pessoa que no geral sabe exactamente o que faz e o que não sabe fazer. Típico jogador altamente eficiente que Popovich cria no seu ginásio.
Paul George/David West/Roy Hibbert - Podia falar deles individualmente, mas o trio dos Indiana Pacers está a fazer uma série de alta qualidade contra os NY Knicks, sobretudo a nível defensivo, onde têm estado soberbos.
Jimmy Butler - Trabalhador incansável que tem acumulado milhares de minutos nestes playoffs (jogou todos os 48 minutos dos jogos 6 e 7 contra os Nets e dos jogos 1 e 3 contra os Heat)
Pablo Prigioni - Não é só por ser fã dos Knicks (ou se calhar até é), mas caramba que é divertido ver Prigioni a maçar os adversários, pressionando as colocações de bola em jogo e sendo no geral chatinho na defesa, da mesma forma que é criativo e nada egoísta no ataque.
Os vilões
Por vilões não quero dizer que sejam más pessoas ou maus jogadores, simplesmente que são jogadores cuja imagem e performance tem sido prejudicada com estes playoffs:
Kendrick Perkins - Jogador fundamental na equipa campeã da NBA dos Celtics há uns anos, Perkins tem sido um desastre nestes playoffs, sobretudo nesta série contra os Memphis Grizzlies. Defensivamente abaixo do seu potencial e ofensivamente uma nulidade. Aliás, pior que nulidade, que a palavra sugere um impacto neutro, quando Perkins tem literalmente atrapalhado o ataque dos Thunder, falhando lançamentos, cometendo turnovers e no geral ocupando espaço.
Scott Brooks - Quem diria que Brooks nos enganou estes anos todos e afinal não é grande coisa como treinador? A perda de Westbrook foi naturalmente um choque que afectou a equipa profundamente, mas a incapacidade de Brooks se adaptar e compreender a desgraça que Perkins tem sido é assustadora, sobretudo quando a equipa tem conseguido decentes resultados nas tentativas de jogar "small-ball" em alguns períodos da série, com Kevin Durant na posição 4 e apenas um "grandalhão" (normalmente Ibaka).
Carmelo Anthony & JR Smith - Dois jogadores super-talentosos e capazes de marcar pontos de todo o lado e dois jogadores capazes de estragar um jogo quando tentam forçar demaaaaaasiados lançamentos difíceis e com poucas possibilidades de sucesso, vezes seguidas. Com os Knicks em desvantagem na eliminatória, vamos ver se a pressão ajuda ou atrapalha.
Derrick Rose - Não sei de vocês, mas eu estou até à ponta dos cabelos com a conversa de Rose voltar ou não no próximo jogo. É discutível se faz bem em não jogar quando os médicos dizem que está clinicamente apto mas o próprio se diz sem confiança, mas se não vai jogar, que faça o favor de se chegar à frente e dizer de uma vez por todas que só para o ano, que estas especulações infinitas não dão jeito nenhum - muito menos à própria equipa.