10.6.16

All you need is no Love



Comecemos a análise do jogo 3 pelo fim. Isto é, pelos jogos que se seguem. E pela decisão que Tyronn Lue terá de tomar para os mesmos: com o regresso de Kevin Love, o que fazer com ele? Fazê-lo sair do banco o resto da série? Colocá-lo apenas durante poucos minutos de cada vez e/ou com a segunda unidade?

Porque fazer isso pode ser a melhor hipótese que os Cavaliers têm para sonhar com uma vitória nestas Finais. Não é que os Cavs sejam uma equipa pior com Love. E não é que Kevin Love não seja bom jogador e não tenha pontos muito fortes. Mas, neste matchup em particular, os seus pontos fracos são impossíveis de esconder e são, para seu azar, alguns dos pontos mais fortes dos Warriors.

Senão, vejamos: no jogo 3, houve quatro diferenças nos Cavs (para melhor) em relação ao jogo 2. Dessas, duas são diretamente relacionadas com a ausência do power forward.

Sem Love, LeBron James passou para 4. O que permitiu aos Cavs trocar nos pick and rolls sem ficar em desvantagem nos matchups, uma vez que James é mais do que capaz de acompanhar Curry e Thompson no perímetro. Não há o desequilíbrio típico de quando um jogador interior fica com um dos bases de Golden State, porque James não é um jogador interior e fica, na mesma, um jogador exterior a defendê-los. Portanto, a defesa do pick and roll foi incomparavelmente melhor.

Quem também beneficiou com a ausência de Love foi Tristan Thompson.
No ataque, sozinho no interior e em situações de 1x1 com Bogut ou Green, voltou a ser um problemas para os Warriors. Ganhou sete ressaltos ofensivos, e manteve várias outras bolas vivas e com possibilidade de outros Cavs lutarem por elas.
Na defesa, sem ter de compensar e sair tanto de posição (e quando saiu, nos pick and rolls, também fez um bom trabalho), portou-se muito melhor na tabela defensiva e não cedeu os ressaltos ofensivos dos jogos anteriores.

Esse foi, de resto, um benefício que se estendeu a toda a equipa. Como puderam manter mais as posições defensivas e não se perderam em rotações como nos dois primeiros jogos, seguraram muito melhor a tabela defensiva e cederam apenas 8 ressaltos aos Warriors.
Love pode ser apenas um jogador e apenas uma das peças da defesa, mas que cria um efeito de cascata e desequilibra todo o conjunto. Ainda mais quando é logo na ação com que os Warriors começam tantos dos seus ataques. A defesa começa logo torta e andam a tentar compensar logo a partir do primeiro movimento do ataque. Não só não conseguem defender esse movimento fundamental, como depois ficam também completamente fora de posições para o ressalto.

Na defesa, ficam, portanto, muito melhores sem Love. No ataque, para manter o espaçamento ideal, precisam que outros jogadores assumam o seu papel e acertem triplos (Channing Frye e JR Smith, principalmente) mas, como vimos e como aconteceu neste jogo 3, é possível compensar a sua produção. O que não deveria deixar muitas dúvidas a Lue sobre o que fazer no resto da série.

Normalmente, após a vitória de uma equipa, é sobre o outro treinador, o da equipa derrotada, que recai a pressão de responder e fazer ajustes. E diríamos, nessas condições normais, "é a tua vez, Steve Kerr". Mas, após este jogo 3, é sobre Tyronn Lue que recai essa responsabilidade. E é a ele que dizemos: "your move, Tyronn."

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