6.6.16

O plano A dos Cavs


Temos três perguntas sobre o jogo de ontem: o que aconteceu à comunicação na defesa dos Cavaliers? O que aconteceu aos bloqueios defensivos dos Cavaliers? E o que raio aconteceu ao cabelo do Shumpert? 


Para esta última, não temos resposta e só o próprio poderá explicar o que lhe passou (literalmente) pela cabeça. Para as duas primeiras, já conseguimos encontrar uma ou duas explicações.

Nestes dois primeiros jogos, os Cavs recorreram à estratégia defensiva que os Thunder usaram (com bastante sucesso) contra os Warriors: trocar nos pick and rolls e em todos os bloqueios. Os objectivos principais são manter sempre um defesa na frente de Curry e Thompson e impedir que os jogadores (tanto os Splash Brothers como os outros) se libertem nos bloqueios.

O problema é que esta defesa exige muita concentração e muita comunicação. E isso não tem abundado no meio campo defensivo da equipa de Cleveland. 
Enquanto, contra os Thunder, os Warriors precisavam de 5, 6 ou mais passes e de procurar segundas e terceiras e quartas opções ofensivas até encontrar ou forçar uma falha na defesa, basta muitas vezes um bloqueio ou um corte para encontrar um buraco na dos Cavs.

Neste par de jogos, têm tentado defender como os Thunder defenderam e como os Warriors defendem. Só que não têm nem os mesmos jogadores para o fazer, nem a mesma prática. É uma defesa que não usaram ao longo da temporada, e que não é natural neles.

Como tal, buracos é o que tem abundado naquela defesa. Até conseguem defender bem em alguns períodos do jogo, mas não o conseguem fazer de forma consistente e regular ao longo do jogo. Entre trocas e rotações falhadas, jogadores perdidos a meio dos cortes ou linhas de passe desprotegidas, têm sido muitos (demais!) os lapsos ao longo destes 96 minutos.


Outro dano colateral desta estratégia defensiva são os ressaltos ofensivos que têm permitido.

Ao trocar nos pick and rolls, os jogadores interiores ficam temporariamente a defender no perímetro e longe do cesto. Por isso, para defender bem neste sistema, precisas de jogadores exteriores que sejam fortes fisicamente, que consigam defender temporariamente jogadores interiores e que sejam também bons ressaltadores. Os Thunder conseguiam fazer isso com o Westbrook e com o Roberson. Estes ficavam muitas vezes a defender o Green ou o Barnes em posições interiores e conseguiam segurá-los no poste baixo, e eram ambos bons ressaltadores e conseguiam assegurar os ressaltos defensivos.

O mesmo não tem acontecido com os Cavs. Por causa das trocas, Tristan Thompson e Kevin Love são apanhados muitas vezes em áreas mais afastadas do cesto e fora de posição para assegurar o ressalto. E sem ajuda adequada dos bases, a tabela tem ficado muitas vezes exposta (já para não falar das deficiências defensivas de Irving e JR Smith no interior - sempre que o Irving fica com o Barnes é abusado a poste baixo e o JR com o Green também tem sido um festival para o extremo-poste dos Warriors).

O problema não é necessariamente o sistema, mas sim as peças para o executar (podemos argumentar que, sem peças para o executar, usar esse sistema é errado, mas isso são contas de outro rosário). Defender os Warriors daquela forma costuma dar alguns frutos e tem sido a melhor forma de os limitar. Os Cavs simplesmente não conseguem executar bem esse sistema. Andam a tentar caçar com gato. E o resultado, como normalmente acontece quando se tenta fazer isso, não tem sido bom. Tempo de tentar um plano B?

4 comentários:

  1. Papa Valdemares07/06/16, 16:12

    Ter um plano estratégico e um treinador costuma ajudar nestas coisas.

    O problema é que os Cavs não têm um treinador, um técnico, ou o que se lhe queira chamar; têm um sujeito escolhido por LBJ. E esse é um dos problemas: ele tem tanto de bom jogador como de auto-imagem de que é, basquetebolisticamente falando, muito inteligente e com um QI superior. Depois quer mandar, quer ser o MVOP, o treinador, o general manager, etc. E assim vai acumulando derrotas. E este ano não se pode queixar de nada: tem o treinador que quis, afastou o que não queria, tem um big three, um banco com profundidade, soluções para tudo e mais alguma coisa... e não está a dar.

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  2. Sou só eu a achar que, apesar de todas as lacunas que os Cavs têm apresentado nestas Finals, os GSW têm tido uma proteção completamente desnecessária por parte da equipa de arbitragem?

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  3. Em relação á vitória de ontem dos Cavs, já se sabia que a NBA não permitiria esta série acabasse 4-0.
    Curry tirado bem cedo do jogo por faltas, Klay no balneário durante um bom tempo, faltas ofensivas não marcadas (ou marcadas ao contrário), uma falta marcada no lançamento longo dos Warriors (que os Cavs aproveitaram e abusaram pra contestar esses lançamentos) ontem deu para tudo.

    Boas exibições de Irving e Thompson, que ofensivamente comandaram a equipa (um a pontuar quando foi preciso, outro a transformar a tabela dos Warriors na dele.

    A pergunta que se faz para o jogo 4 é: o que fazer com Love?

    Abraço

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    1. Come on, man... achas mesmo que foi por causa da arbitragem que os Cavs ganharam? Defenderam muito melhor e jogaram muito melhor que os Warriors ontem.

      Quanto ao que fazer com Love: metê-lo no banco durante longos períodos. ;)

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