1.6.16

Dar a volta por cima




É nos maus momentos, quando as coisas estão negras, quando tudo parece perdido, quando a pressão e a exigência são máximas e não há qualquer margem para errar, que se vê aquilo de que alguém é realmente feito. E os Warriors, no seu pior momento, mostraram que também são feitos de força, determinação, coração e garra. 

Até estas finais de conferência, as maiores adversidades por que a equipa de Golden State tinha passado eram as desvantagens de 1-2 nos playoffs do ano passado (na segunda ronda contra os Grizzlies e nas Finais contra os Cavaliers). E, verdade seja dita, em nenhuma dessas ocasiões os Warriors pareceram realmente em apuros. Nenhuma delas inspirou mais do que uma leve preocupação e em ambas reinou a sensação (confirmada depois) de que bastava jogarem o seu normal para recuperarem.

Ao contrário do que aconteceu nesta série com os Thunder. Desta vez, estiveram mesmo encostados às cordas e à beira da eliminação. Desta vez, o fim da temporada dos actuais campeões esteve por um triz.

Até esta série, tinha bastado aos Warriors jogarem o seu normal para ultrapassar as equipas que lhes apareceram pela frente. Mais tarde ou mais cedo, as outras equipas não conseguiam acompanhar o ritmo. Mais tarde ou mais cedo, os lançamentos começavam a entrar e bastava um parcial daqueles para descolarem no marcador. Até agora, o plano A dos Warriors tinha sido suficiente. E eles sabiam que, com mais ou menos dificuldade, no fim, o talento ia assegurar-lhes a vitória. 

Nos jogos 3 e 4, quando levaram aquelas duas sovas em Oklahoma, foi isso que pareceram. Uma equipa que estava habituada a que aquele plano e aquela forma de jogar chegassem.

Mas os Thunder obrigaram-nos a cavar mais fundo, a não se acomodarem com as primeiras opções e soluções, a procurar alternativas, a ter de movimentar mais a bola e a trabalhar mais no ataque.

Frente à versátil, móvel e longa defesa dos Thunder já não encontravam uma boa situação de lançamento após um ou dois passes e já não conseguiam criar lançamentos fáceis com um pick and roll ou com uma combinação entre dois ou três jogadores. Não, os Thunder obrigaram-nos a fazer muito mais. A fazer vários bloqueios e cortes, a atacar o cesto, a passar e a rodar e mudar a bola de lado até encontrar uma brecha na defesa. Até algum defensor falhar uma troca ou não acompanhar um corte ou chegar tarde a um lançamento ou abrir um caminho para o cesto. Contra os Thunder, tiveram de se esforçar mais. E melhor. 

E é por isso que esta desvantagem pode ter sido a melhor coisa que aconteceu aos Warriors. Esta equipa ainda não tinha sido testada e levada ao limite desta forma. Enfrentaram uma adversidade que nunca tinham enfrentado e foram obrigados a elevar o seu nível de jogo. Foram obrigados a crescer. E saem desta série uma equipa melhor.

Rudy Tomjanovich disse para nunca subestimarmos o coração de um campeão. Nesta série, os Warriors descobriram o seu. Um coração que ainda não tinham precisado de usar e que, perante a maior dificuldade que já enfrentaram, descobriram que tinham. No seu pior momento, os Warriors descobriram que são isso mesmo: guerreiros.

5 comentários:

  1. A talhe de foice, gostaria da saber a vossa opinião relativamente a alguns pontos envolvendo o basquetebol internacional:
    1ª A questão da dopagem em competições internacionais (ou vocês acham que são só os atletas russos ou que os índices físicos de Lebron, Westbrook ou Howard provêm da carne de cavalo que ingerem?), e a ausência de qualquer iniciativa de organizações internacionais para despistagem desta batota? O organismo americano (USADA) era o mesmo que testava o Lance Amstrong e o beisebol com os brilhantes resultados que se conhecem...
    2ª A vergonha da imposição de mais do que um atleta naturalizado (implica a selecção espanhola escolher Ibaka ou Mirotic) quando equipas internacionais como Puerto Rico, Filipinas, Republica Dominicana, Bahamas (onde joga o irmão do Klay Thompson) ou Finlândia (estes ainda queriam o Drew Gooden, filho de mãe finlandesa) estão pejadas de atletas nascidos nos EUA. Que critério é este?
    3º No futebol, os campeões da Europa ou do Mundo têm de efectuar as Competicões eliminatórias para os respectivos Campeonatos! Porque tal não acontece no Basquetebol? Esta protecção à USANMT é simplesmente indecorosa!
    Muito Obrigado!!!

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    1. Eh pá, isso é muita questão para responder assim a talhe de foice!
      Estão entregues, mas não lhes consigo responder já. Mas serão respondidas, dá-me só um tempo para me sentar e juntar umas palavras sobre os assuntos.

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  2. Bom artigo! Contém apenas uma gralha, penso eu, que deveria ser jogos 3 e 4 e não jogos 4 e 5. Continuação do bom trabalho

    João Ribeiro

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    1. Obrigado, João.
      Ainda tinha outra, logo a seguir, estava "levarem" em vez de "levaram". Já corrigi as duas. :)

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  3. Peço desculpa por sair do tópico, mas alguém conhece um bar ou café, no Porto, onde se consiga ver os jogos da final em directo?

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