3.8.12

Uma Nigéria para o livro dos recordes


Comecemos pelo que já todos noticiaram, destacaram e elogiaram do massacre dos EUA à Nigéria:

A selecção americana fez um jogo e um resultado históricos, quebrou o recorde de pontos num jogo nos Jogos Olímpicos (o anterior era 138), conseguiu a maior margem de vitória de uma selecção americana nos JO (a anterior era 68), quebrou o recorde de triplos marcados e tentados num jogo (29 em 46), quebrou o recorde da melhor percentagem de lançamento num jogo (71%!) e Carmelo Anthony quebrou o recorde de pontos marcados por um jogador americano (37 pts em apenas 14:29!, supera os anteriores 31 de Stephon Marbury, mas o recorde dos JO continua a pertencer ao brasileiro Oscar Schmidt, com 55).

Talvez tenham sido as críticas depois do jogo com a Tunísia, talvez tenham sido algumas palavras de Mike Krzyzewski, talvez tenha sido apenas o orgulho dos jogadores. Seja qual fôr a razão, os americanos caíram com tudo em cima da Nigéria e desta vez não tiraram o pé do acelerador.

Depois do jogo contra os campeões africanos, muitos criticaram a postura da equipa dos EUA e acusaram-nos de falta de empenho e até de falta de profissionalismo por jogarem em ritmo de treino e ganharem por "apenas" 47 quando podiam ganhar por 70 ou 80 se jogassem a fundo o jogo todo. Pois neste jogaram sempre em quinta.


Agora a parte que ainda ninguém destacou:

A Nigéria deu uma grande ajuda. Foi um massacre histórico da selecção americana, mas, verdade seja dita, os nigerianos avançaram para o massacre de braços abertos. Ou melhor, de braços abertos no ataque, porque na defesa nem isso fizeram. A diferença deste para o jogo anterior não foi apenas a atitude dos americanos, foi também a atitude dos adversários. Porque desta vez quem jogou de forma displicente e em ritmo de treino foi a outra equipa.

No outro jogo, os EUA jogaram em velocidade de cruzeiro, sem acelerar muito, mas os tunisinos jogaram a sério, de forma inteligente e para perder pela menor diferença possível. Geriram o tempo das posses de bola, seleccionaram bem os lançamentos e tentaram fazer o jogo que mais lhes convinha (ataques longos e sem lançamentos precipitados, para evitar os contra-ataques e o jogo de transição dos americanos).

Já os nigerianos entraram com ataques curtos e precipitados e sem qualquer preocupação defensiva. Era run and gun dos dois lados. E nesse jogo, era óbvio que seriam massacrados. Os EUA tiveram percentagens excelentes de lançamento, mas não tiveram qualquer oposição na maioria deles. Carmelo (e qualquer jogador americano que recebesse a bola no exterior) estava sempre livre, com o defesa a um ou dois metros e com espaço para lançar. 

É claro que estiveram com a mão quente a noite toda (até para um jogador em treino, a lançar sozinho, aquelas percentagens não seriam fáceis de fazer), mas parecia um All Star Game. Quem chegava ao ataque, lançava (porque estava sempre sozinho). Nem sinal de defesa. E com tantos maus ataques e maus lançamentos dos nigerianos, os americanos fizeram mais contra-ataques que nos outros jogos todos juntos.

Sem retirar mérito aos EUA (que fizeram a sua parte, fizeram tudo o que pediam deles e não têm culpa se os outros não os defendem), os nigerianos fizeram tudo para entrar nos livros dos recordes. Pois, conseguiram. Ficarão para sempre na História dos JO. Só que no lado errado.

28 comentários:

  1. Alguem sabe uma hiperligação para ver os melhores momentos deste jogo? abraços

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Vai ao rojadirecta, que deve lá estar o jogo.

      Eliminar
  2. Em parte acho a análise correcta, Márcio. Mas o que penso que "matou" os nigerianos foi quererem jogar de igual para igual com os EUA. E claro, aquela (não) defesa não lembrava ao diabo. Acho que desde aquele jogo em 1990 que os Phoenix Suns ganharam aos Nuggets por 173 a 143 (não tenho a certeza se a pontuação dos Denver foi 143, mas foi por aí), que não via coisa semelhante. Aquilo era mesmo ataca e atira. Mas até penso que ofensivamente, os nigerianos nem estiveram mal.

    ResponderEliminar
  3. os nigerianos podem nao ter defendido mas na minha opiniao eles no ataque nao estiveram nada mal eles foram a equipa que marcou mais pontosaos americanos nestes jogos olimpicos e nos contra-ataques que fizeram tentaram dar espetaculo

    ResponderEliminar
  4. Papa Valdemares03/08/12, 23:51

    Foi isto (em versão reduzida e encripatada, como é típico do «comment») que ontem opinei. E até acrescentei que os norte-americanos de nada tiveram culpa.

    ResponderEliminar
  5. Este "jogo" foi um misto de Globetrotters e all star game . Todos atacam e ninguem defende ... enfim , foi um pouco mais ligeiro do que um treino !
    Para quem gosta de basquetebol este jogo pouco ou nada acrescentou , pelo menos assim penso . Receio que ganhem o ouro em ritmo de passeio , nao creio q haja alguma selecao capaz de discutir algum resultado .

    ResponderEliminar
  6. Stoudemire04/08/12, 00:42

    Márcio, LOL

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Este comentário é genial, demonstrativo de grande inteligência. Eu próprio, da próxima vez que comentar, vou escrever: Márcio, não LOL! ou então: Márcio, talvez LOL!

      Eliminar
    2. Stoudemire04/08/12, 15:17

      Basta ter 1 dedo de testa para ver que quem comentou é a pessoa que se faz passar por mim desde há muito tempo.
      Ou seja há um "bonzinho" deste blog que faz estes comentários, e tu comentando como anónimo...

      Eliminar
    3. Paulo Dias04/08/12, 23:19

      Stoude, LOL

      Sê homem e assume as tuas porcarias. Deve ser por isso que, volta não volta, as tuas produções de comentarista são apagadas.

      Eliminar
    4. Stoudemire05/08/12, 00:26

      Achas mesmo que fui eu a comentar?

      Só tens de ler os comentarios e comparar uns com os outros para ver quando sou eu ou não.

      Eliminar
  7. Papa Valdemares04/08/12, 01:58

    GRANDE Charles Barkley: "That's probably how many points they'd beat the '92 team by ... if we played today."

    Reação ao jogo patético entre os EUA e aqueles lunáticos africanos. A lambada do treinador africano é significativa.

    ResponderEliminar
  8. Stoudemire04/08/12, 16:35

    Então nos momentos apertados era a hora do Kobe, Carmelo, Durant, tudo menos Lebron...
    LeBrick, LeCold, LeChoker...

    ResponderEliminar
  9. Paulo Dias04/08/12, 23:17

    Sonhei que alguém tinha dito que esta malta nada ficava a dever ao DT de 1992.
    Nota-se! Mesmo assim, parece-me que continuam a ser os favoritos.

    AÍ VEM... AÍ VEM...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. copiador

      Eliminar
    2. paulo dias, não provoques o pessoal, cada um tem a sua opinião...

      eu prefiro a de 92 do que esta que está em londres, mas se não existissem lesões e fossem rose, wade, bosh e howard em vez do davis, love, iguodala e harden já teria dúvidas e se calhar ia optar pela 2012...

      mas é sempre bom provocar quando se está em cima, mas se eles enfiarem uma coça à argentina, arriscas a ouvir...

      Eliminar
    3. Paulo Dias05/08/12, 00:36

      As opiniões têm de ser sustentadas. Por outro lado, era evidente que aquele jogo foi um «case». Além disso, este Dream Team é muito individualista: bola na mão, cesto.

      Isto é um bocado como a malta que afirma, sem rebuço, que o CR7 é o melhor jogador de todos os tempos, quando nunca viram jogar o Eusébio. Assim, peremptoriamente.

      Mas ninguém tem dúvidas que os EUA vão ganhar o torneio e por margem assinalável. A única seleção que poderia dar uma lutazinha, pelo que vi hoje (e não só) - a Espanha -, a continuar assim vai passar um mau bocado.

      Por outro lado, a coisa correu bem aos de Leste porque a pontaria estava um «must». Caso contrário, levavam igualmente uma coça. Seja como for, é o terceiro jogo (salvo erro) no contexto Jogos em que os EUA vencem sem a vantagem esperada.

      Eliminar
    4. Os EUA, em 1992, ganharam à Lituânia por uma diferença de 51 pontos!! A equipa dos EUA de 2012 é bastante boa, mas fica um ou dois degraus abaixo da de 1992 por ter um jogo interior claramente inferior ao dream team original.

      Eliminar
    5. Queres comparar o basquet a nível mundial em 2012 com o de 1992?

      A Lituânia de 2012 ganhava por 51 à Lituânia de 1992.

      Eliminar
    6. Isiah_Thomas05/08/12, 07:08

      Por 51?
      Segundo essa lógica, baseada em "factos reais", a actual selecção da Lituânia, num dia de inspiração ganhava por uns 15, 20 pontos ao Dream Team.

      Seguindo essa mesma lógica, a Argentina que ganhou por 20 e poucos pontos à actual selecção da Lituânia, num dia de inspiração passava a ferro o Dream Team.

      E podia continuar, mas acho que já fui ridículo o suficiente. Mesmo assim não consegui chegar o nível de ridicularidade do jogo interior da equipa actual dos EUA.

      Eliminar
    7. Este comentário foi removido pelo autor.

      Eliminar
    8. O problema do jogo interior do Team USA tem sido a lesão de Chandler, mas não só. Não se entende que seja ele o único verdadeiro poste da equipa. É verdade que olhando para o actual panorama da NBA, não se vêm muitos pivots de grande qualidade, mas creio que, por exemplo, Bynum ou Hibbert, neste jogo eram capazes de ter feito a diferença.
      Creio que o grande erro foi cometido na escolha de jogadores para a selecção. Obviamente são todos bons jogadores, mas a equipa é desiquilibrada. Fiaram-se na qualidade inquestionável dos jogadores, e menosprezaram este detalhe da altura. Provavelmente, não acontecerá jogo igual, maas chegou este para demonstrar as fragilidades da equipa.
      Além disso, acho que o treinador lhes deve dizer: "Peguem na bola e atirem", não deve intervir em mais nada.
      É uma questão de soberba, e desta saiu-lhes mal.

      Eliminar
    9. Paulo, há duas frases que definem bem a diferença entre as duas seleções. Uma foi dita por um dos membros do Dream Team:
      "Eles aprenderam muito connosco, nós não aprendemos nada com eles"
      A outra, foi dita por Kobe Bryant na conferência de imprensa após o jogo com a Nigéria:
      "Eles são autênticas lendas vivas. Nós, temos que jogar bem e sonhar que um dia seremos Hall of Famers"

      Eliminar
    10. Vic, o Hibbert joga pela selecção da Jamaica. Senão tenho a certeza que estaria ali! :) De resto se calhar um Cousins faria ali muito jeito, apesar da personalidade difícil dele. Ou um Greg Monroe ou Al Jefferson.

      Em relação à diferença entre as selecções da Lituânia actual e a de 92 não sei se serão assim tão grandes. Não esquecer que era a Lituânia do Sabonis e Marciulionis que acabaram por ser vice-campeões europeus em 95.

      Eliminar
    11. Bound, não sabia que o Hibbert é jamaicano. Mas além dele haveria sempre o Bynum, como refri, ou o Monroe como dizes (mais talvez do que o Cousins ou Jefferson). De qualquer maneira, não há dúvida que se tratou de um erro dos seleccionadores. Penso que confiaram demais nos nomes da selecção.
      Em relação à Lituânia, nem vale a pena argumentar. Se é verdade que é muito difícil fazerem-se comparações entre selecções com 20 anos de diferença, é fácil constatar que sendo esta uma selecção de transição, a de há 20 anos era talvez a melhor da Europa, e penso mesmo que nunca mais houve jogadores lituanos que criassem tanto impacto na liga como os 2 que referes.Era realmente uma grande equipa. O que não invalida que esta ontem tivesse jogado muito bem.

      Eliminar
    12. O Hibbert nasceu nos EUA mas o pai é jamaicano e a partir de 2008 optou por jogar pela Jamaica. Se calhar já está arrependido :P Ou se calhar foi por motivos pessoais e queria mesmo representar a Jamaica porque sentia uma ligação ao país.
      O Bynum se calhar acharam que, pela imaturidade de que ele é sempre acusado, poderia não ser um bom elemento na equipa. Também poderia ser o problema com o Cousins mas eu acho que (e se calhar vou dizer uma grande asneira) o Cousins vai ser o grande poste desta decada!

      E em relação à Lituânia, de referir ainda que muitos dos jogadores da selecção de 92 ganharam o ouro nos Jogos Olímpicos de 88 a representar a União Soviética. Até acho que tem sido uma selecção que tem mantido sempre a mesma qualidade, a diferença talvez seja que na altura tinham jogadores já mais conceituados e actualmente está numa fase de transição como referiste.

      Eliminar
  10. Papa Valdemares05/08/12, 02:56

    O individualismo é tal que frequentemente lançam sem ter ninguém num raio de metros para disputar o ressalto.

    ResponderEliminar