6.12.15

Kobe para sempre



Desde que soubemos, através das suas próprias e emotivas palavras, que esta é a última temporada que vamos ver Kobe Bryant nos campos da NBA, muito se tem escrito sobre a sua carreira e o seu lugar na história. Como não podia deixar de ser, também nós aqui no SeteVinteCinco temos umas palavras a dizer sobre isso:

Kobe Bryant é um dos jogadores mais amados de sempre. E é também um dos mais odiados de sempre. Na história da liga, são poucos os jogadores com tanto sucesso individual e colectivo e, ao mesmo tempo, com tantos detratores e críticos como o Black Mamba (aquele que mais se aproxima nessa lista será LeBron James). E poucos serão os jogadores que, como Kobe, tanta discussão levantam sobre o seu valor e o seu lugar na história. Porque o seu legado é complicado.

E porque, ao reflectir sobre a carreira e o legado de Kobe Bryant, é preciso distinguir entre o seu valor estatístico e o seu valor mitológico. E entre o seu talento e o uso que fez do mesmo.

No valor estatístico e analítico, no seu contributo para o sucesso colectivo das suas equipas, o seu legado é ambíguo. Tem números extraordinários, mas não da forma mais eficiente e muitas vezes de forma contrária aos fundamentos do jogo. Números individuais extraordinários, mas feitos à maneira dele e, muitas vezes, em prejuízo da própria equipa.

A mesma dicotomia que encontramos no seu talento. Kobe é o jogador mais talentoso da sua geração e um dos jogadores mais talentosos de sempre, mas muitas vezes não usava esse talento da forma mais colectiva. Quis sempre fazer as coisas à sua maneira e nem sempre essa era a melhor maneira. Só que conseguia ter sucesso jogando dessa forma errada devido a esse talento extraordinário.

E a mesma dicotomia que encontramos na sua personalidade. Um jogador que queria ganhar acima de tudo, mas nos seus termos e condições. Queria ganhar, mas numa equipa onde ele fosse o líder e melhor jogador. Queria ter sucesso colectivo, mas sem sacrificar o seu sucesso individual.

Para a história fica uma carreira ímpar, mas que podia ter sido ainda melhor (vamos sempre perguntar-nos o que poderia ter sido se Kobe e Shaq tivessem continuado juntos). Poderia ter sido colectivamente melhor, mas se calhar teria sido individualmente pior. É esse o dilema do legado de Kobe.
Um jogador que, para o bem e para o mal, quis sempre ser o melhor. E que nunca sacrificou o indivíduo em prol da equipa. E é isso que os seus detratores usarão sempre contra ele e invocarão sempre para o baixar lugares na lista dos melhores de sempre.


Mas no plano mitológico, o seu valor é indiscutível.
Um miúdo de 10 anos que começa a ver a NBA não está a pensar se ele tem o rating ofensivo x ou o rating defensivo y, qual é a sua percentagem de lançamento ou a sua "true shooting percentage". Está apenas a ver as jogadas espectaculares, os afundanços, os lançamentos impossíveis, os feitos heróicos. Vê o que ele faz e não a eficiência com que o faz.

A reputação dele pode não corresponder totalmente à verdade, pode ser exagerada (e em algumas aspectos do jogo é), mas isso também tem valor. Para a lenda, a reputação conta. Ninguém sabe se Ulisses ou Aquiles ou o Rei Artur fizeram mesmo os feitos narrados nas suas epopeias, mas isso não retira nada à inspiração que deram a tantos.

Se no plano estatístico há discussão sobre o lugar de Kobe na história, não há qualquer discussão sobre o seu valor e lugar no plano mitológico. Podemos discutir se ele é top-3, top-5, top-10 ou top-20 de sempre, mas é indiscutível que é o jogador mais importante da NBA pós-Jordan e o jogador que mais fez pela fama da liga e do basquetebol neste período.

Kobe inspirou milhares de miúdos e graúdos em todo o mundo e conquistou milhões de fãs para o basquetebol. Jogadores como Paul George, LeBron James ou Kevin Durant afirmaram que queriam ser como o Kobe quando eram miúdos. Que ele foi o Jordan deles.

E por isso temos de lhe estar eternamente gratos. Kobe é o herói desta geração. Kobe é e será sempre o Jordan desta geração.

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