13.2.15

CONTRA-ATAQUE - Regresso ao Futuro (All Star Edition)


Esta semana, invertemos a ordem das coisas. Triplo Duplo na quinta e Contra-Ataque na sexta. E na sua crónica desta semana, o Ricardo Brito Reis regressa da sua viagem ao futuro e conta-nos como foi vai ser o Fim de Semana All Star. Obrigado, Ricardo.


Regresso ao futuro - All-Star edition

por Ricardo Brito Reis

O Márcio confessava, há dias, que o excesso de trabalho lhe tem roubado tempo para dedicar ao SeteVinteCinco. Pois, esta semana, fui invadido por um espírito altruísta e decidi dar-lhe os próximos dias de folga aqui no blogue. Amigo Márcio, segue em baixo a crónica sobre o All-Star deste ano:


Rising Stars Challenge
Era o aperitivo para o fim-de-semana e prometia deixar-nos de água na boca. Como sublinhei na crónica da semana passada, a mudança de formato no jogo das futuras «estrelas» da NBA era uma ideia que tinha tudo para dar certo – uma salva de palmas para Adam Silver! - e, mais do que isso, para fazer a ligação com os adeptos dos quatro cantos do Mundo. Tal como se esperava, assistimos a três períodos de baixa intensidade defensiva, muitos alley-oops, uma quantidade infindável de lançamentos triplos e, sobretudo, sorrisos e boa disposição dos jovens atletas de 1º e 2º ano. Depois, no quarto e último parcial, começou a verdadeira competição, com a defesa aguerrida e uma melhor selecção de lançamentos. E algo pelo que valia a pena lutar. Os norte-americanos, ainda na ressaca do recente triunfo no Campeonato do Mundo, quiseram provar que são melhores do que os outros. Os outros provaram que o basquetebol não-americano é capaz de «bater o pé» à equipa da casa. Cada um a defender a sua pátria, mas em representação de todos os países do Resto do Mundo. E todos nós, do lado de cá da televisão, tivemos uma equipa por quem torcer.

Nota: 7/10
Destaque: Andrew Wiggins e Giannis Antetokoumpo lideraram a equipa do Resto do Mundo a uma vitória claríssima, mas os afundanços de Zach LaVine ficaram na retina e mostraram por que razão era o favorito a vencer o concurso de afundanços.


Skills Challenge
O All-Star Saturday Night abriu com o Shooting Stars, mas o verdadeiro interesse surgiu, apenas, quando começou o Skills Challenge. Oito atletas completaram um percurso com vários obstáculos, que testava a técnica individual de cada um deles, nomeadamente o drible, o passe, o lançamento e a agilidade. E, até às alterações de última hora, havia um grande motivo de interesse. Seria Jimmy Butler, o único participante que não é point guard, capaz de mostrar capacidade técnica para fazer frente aos pequenos bases? Nunca saberemos, pois Butler acabou por desistir da sua participação no concurso devido a uma lesão num ombro, que, ainda assim, não o impediu de participar no All-Star Game de domingo.

Nota: 6/10
Destaque: Isaiah Thomas e Jeff Teague mediram forças por um lugar na final e logo aí se percebeu que, o que vencesse desses dois, ia derrotar Brandon Knight na ronda decisiva. Assim que recebeu o troféu, Teague chamou os outros jogadores dos Atlanta Hawks presentes no pavilhão e, juntos, deram um abraço de grupo.


Three-Point Contest
Foi, sem sombra de dúvida, o momento mais aguardado do fim-de-semana. Os participantes do concurso de lançamentos triplos eram oito dos melhores «atiradores», não só da liga deste ano, mas de sempre. Duas salvas de palmas para Adam Silver! Os «Splash Brothers» como cabeça de cartaz, sobretudo depois de Stephen Curry ter marcado dez triplos frente aos Dallas Mavericks (4 Fev) e Klay Thompson ter concretizado onze, incluindo nove num só período, diante dos Sacramento Kings (23 Jan). Curry tinha até uma vantagem do ponto de vista técnico, pois é o jogador da NBA que melhor lança a partir do drible e o concurso de triplos, com as bolas colocadas ao lado dos atletas, replica o armar do lançamento após drible. Depois havia Kyle Korver, o jogador da NBA com a melhor percentagem de lançamento exterior (53,2%). E havia James Harden, melhor marcador da liga norte-americana e 5º em ambos os rankings de triplos tentados e convertidos. E havia Kyrie Irving, vencedor do concurso em 2013 e que, este ano, já marcou onze triplos num jogo contra os Portland Trailblazers (28 Jan). E havia Marco Belinelli, vencedor do concurso na temporada passada. E havia Wesley Matthews, líder da NBA em triplos tentados e concretizados. E havia J.J. Redick, que está a realizar a melhor época da sua carreira no que ao «tiro» exterior diz respeito. E havia um twist na competição, com uma das séries de lançamentos a ser exclusivamente com money balls, numa posição previamente definida pelo atleta. E… o que mais poderíamos desejar?

Nota: 10/10
Destaque: Curry disse, há dias, que vai continuar a participar no concurso de lançamentos de três pontos até ganhar. Pois o jogador mais votado pelo público para o All-Star Game vai ter mesmo que voltar na próxima época. Numa final entre os 3K (Klay, Kyle e Kyrie), a vitória de Klay Thompson foi totalmente merecida e só foi pena aquela única bola que falhou.


Slam Dunk Contest
Com os anos, o concurso de afundanços foi perdendo interesse. Os atletas perderam interesse em participar e o público perdeu interesse por causa das sucessivas mudanças de formato, sempre para pior. Este ano, recuperou-se o formato clássico – meia salva de palmas para Adam Silver! -, mas isso ainda não foi suficiente para convencer os melhores atletas a participar. Ainda assim, o cartaz apresentou quatro jovens com capacidades atléticas que deixavam antever um bom espectáculo. Havia três jogadores de segundo ano, mas era o único rookie que reunia o favoritismo. O base dos Timberwolves, Zach LaVine, tem uma impulsão fora do normal e, sempre que afundou, fez lembrar Vince Carter. Victor Oladipo era o mais baixo dos quatro e isso foi-lhe favorável, para além de que o base dos Magic prometeu doar parte do prémio a instituições de caridade, o que lhe valeu mais uns pontinhos dos jurados. Giannis Antetokoumpo tem uma morfologia que lhe permitiu fazer coisas que mais ninguém fez, enquanto Mason Plumlee jogava em casa e contava com o factor surpresa, por ser o underdog.

Nota: 8/10
Destaque: Antetokoumpo e LaVine passaram facilmente à final, que foi ganha pelo «Greek Freak» com um afundanço a duas mãos, após saltar um metro atrás da linha de lance livre.


64th NBA All-Star Game
O jogo deste ano estava já marcado pelas ausências. Kobe Bryant, Blake Griffin, Dwayne Wade e Anthony Davis foram substituídos por DeMarcus Cousins, Damian Lillard, Kyle Korver e Dirk Nowitzki, respectivamente. Paul George e Dwight Howard nem entraram nas contas. E até Carmelo Anthony, Jimmy Butler e LaMarcus Aldridge jogaram condicionados. Mas All-Star é All-Star e este correspondeu às melhores expectativas. Quem dizia que o Oeste ia dominar a seu bel-prazer estava redondamente enganado. A selecção do Este, liderada por LeBron James, John Wall e Pau Gasol esteve na frente do marcador desde o início e só no quarto período o Oeste conseguiu dar a volta, quando Steph Curry e James Harden deixaram de jogar para os seus números, numa espécie de duelo pelo título de MVP, e decidiram que estava na altura de passar a bola a Kevin Durant. A formação orientada por Steve Kerr estava na frente do marcador e tudo parecia indiciar o triunfo do Oeste. No entanto, o momento mais inesquecível da noite aconteceu quando, numa acção absolutamente inesperada, Adam Silver pegou no microfone – três salvas de palmas para o comissário! - e, com menos de um minuto para a buzina final, anunciou uma convocatória de última hora para a equipa do Este. Do topo do pavilhão para o centro do campo, como se de um super-herói se tratasse, desceu DeMarre Carroll. O treinador Mike Budenholzer meteu em campo Jeff Teague, Kyle Korver, Paul Millsap e Al Horford e – claro! – o Este ganhou.

Nota: 9/10
Destaque: Dois co-MVPs não é algo inédito na história dos All-Star e aconteceu mais uma vez. Este ano, Steph Curry (57 pontos, com 15 lançamentos triplos) e DeMarre Carroll (2 roubos de bola e 1 desarme de lançamento, nos 43 segundos que jogou) partilharam a honra, naquele que foi um All-Star Weekend memorável.

3 comentários:

  1. Ricardo, tenho a dizer que o contra-ataque desta semana está fantástico!!!
    Já agora, podes ir ao futuro ver se os Bulls e o Benfica (futebol) são campeões?

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  2. Muito bom. Só um pouco de exagero no jogo em si. Eheheh, o Curry não deve ter minutos para ter tantos lançamentos xD
    DP

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  3. Professor Mambo em acção!
    Já acertaste num jogo(talvez o mais obvio) mas se acertares nos concursos e especialmente na vinda do Carrol ainda vou a pé até Fátima acender-te uma vela(eu moro a 3000km de Portugal)!!!
    Grande texto!
    João Higino

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