15.11.15

Fazer falta ou não fazer falta? Fazer.


Os Nets (os Nets!) deram mais luta aos campeões e até agora demolidores Warriors do que qualquer outra equipa esta temporada. E só não acabaram com o recorde perfeito da equipa de Golden State por culpa própria. Nomeadamente por isto:


Com 9 segundos para jogar e três pontos de vantagem, os Nets tiveram oportunidade de fazer falta sobre Draymond Green e não fizeram, o que permitiu depois o triplo do empate de Iguodala.

Eu não sou daqueles que defende que se deve SEMPRE fazer falta quando se está a ganhar por três. Como já escrevemos aqui em 2013 (num texto a propósito dessa discussão recorrente nas transmissões da Sport TV), é uma questão táctica que, ao contrário do que o Luis Avelãs defende, está longe de ser assim tão simples.
 
Podem ler nesse texto as razões porque a questão não é simples e porque não se deve fazer falta sempre. Apesar de nesta situação em particular um dos requisitos para ser "uma situação em que se deve fazer falta" - o tempo que falta para jogar - estar mesmo no limite, pensamos que teria sido a melhor opção.

Oito segundos ainda dava tempo para os Warriors fazerem falta a seguir e terem uma nova posse de bola após os dois lances livres para os Nets, e entrar num concurso de lances livres seria sempre um risco. Mas dar um lançamento triplo a estes Warriors é um risco ainda maior.
Se a muitas equipas seria melhor dar dois lances livres do que um triplo, contra esta então era seguramente melhor (ainda para mais quando Green e Iguodala não são os jogadores mais fiáveis da linha de lance livre).

Para além disso, nesta situação não havia o risco do jogador adversário conseguir três lances livres.
Essa é a principal razão porque a estratégia de fazer falta pode ser perigosa e correr mal (e a grande diferença entre usar essa estratégia na NBA ou na FIBA). A regra da continuidade na NBA torna perigoso fazer falta a um jogador fora da linha de três pontos, porque este pode armar o lançamento quando sofre a falta e os árbitros darem a continuidade e os três lances livres.

Mas neste caso, esta situação preenchia na perfeição esse requisito para fazer falta: Draymond Green recebeu a bola de costas para o cesto e DENTRO da linha de três pontos pelo que, mesmo que os árbitros lhe dessem a continuidade e considerassem uma falta em acto de lançamento, teria sempre dois lances livres apenas:


Fazer falta não é sempre a melhor estratégia, mas nesta situação teria sido e teria dado à equipa de Brooklyn maiores probabilidades de sair da Oracle Arena com uma vitória surpreendente.


(é claro que, logo a seguir, isto não também ajudou:


Duas oportunidades de ouro de conseguirem a maior vitória da temporada, dois tiros no pé.)

3 comentários:

  1. Qual é a diferença entre as regras da FIBA e da NBA em relação à continuação?

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    1. A regra na FIBA é mais apertada e só dão "falta em acto de lançamento" se o jogador já estiver iniciado o gesto antes de sofrer a falta.
      O critério na NBA é mais largo e muitas vezes, um jogador sofre a falta, arma o lançamento no momento em que sofre a falta ou imediatamente a seguir e dão-lhe o "acto de lançamento". É por isso que fazer falta fora da linha de três pontos é mais arriscado, porque podes fazer falta e mesmo assim o outro jogador ter três lances livres.

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