18.11.15

Uma ode à persistência




Hassan Whiteside tomou a NBA de assalto na temporada passada. Foi uma das revelações da época e a mais surpreendente de todas, porque surgiu de repente, aparentemente do nada e sem ninguém o prever.

Depois de ter sido seleccionado pelos Kings na segunda ronda (33ª escolha) do draft de 2010 e ter sido dispensado em 2012 após duas temporadas em que apenas foi utilizado em 19 jogos, depois de dois anos fora da NBA passados a jogar na D-League, na China e no Líbano, e depois de tentativas de regresso à liga com nova passagem pela D-League e uma passagem sem sucesso pelos Grizzlies, os Heat ofereceram-lhe um contrato mínimo e um lugar na equipa.

E saiu-lhes um prémio muito maior do que esperavam. Procuravam um jogador útil e que ajudasse no interior, saiu-lhes um excelente ressaltador e defensor, um poste dominador e que se tornou o titular da posição. Terminou a temporada com médias de 11.8 pts, 10 res e 2.6 dl e ficou em 4º na votação para Jogador Mais Evoluído.

Este ano está ainda melhor. Continua a ressaltar como os melhores, está ainda mais dominador na protecção do cesto (lidera a liga com uns monstruosos 4.6 desarmes de lançamento por jogo!) e juntou a isso um renovado arsenal ofensivo. Surgiu com um lançamento melhor e com mais e melhores movimentos a poste baixo. Ontem fez o segundo triplo-duplo da carreira (22 pts, 14 res e 10 dl!) e está com médias de 15.3 pts, 12 res, os tais 4.6 dl e 63% em lançamentos de campo.

Mas será que os olheiros e os treinadores andaram todos a dormir? Como é que é possível que ninguém tenha detectado este talento antes? Porque ele não era este talento.

Quando entrou na liga era um projecto. Como tantos outros que lá chegam. Um miúdo muito grande com um enorme potencial, com uma capacidade física acima da média, uns braços intermináveis e um jeito inato para desarmar lançamentos. Mas era um jogador em bruto, sem técnica, com movimentos ofensivos rudimentares, com um lançamento fraco e com muito para melhorar.

Só que ele foi fazendo isso mesmo. E nem quando se viu fora da liga deixou de fazer isso. Continuou a trabalhar, a evoluir, a tornar-se melhor. E parece que todo esse trabalho e amadurecimento compensou.

Hassan Whiteside não é uma pérola que 29 equipas desperdiçaram. Hassan Whiteside é uma criação do próprio. É o resultado de muito trabalho e muitas horas em ginásios e pavilhões. Não foi falha dos outros, foi mérito dele. 

3 comentários:

  1. Uma curiosidade qual o valor de um contrato mínimo na NBA?

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    1. Depende dos anos de experiência na liga. Os contractos mínimos começam nos 500.000 dólares para jogadores com 0 anos de NBA e vão até aos 1,4 milhões para veteranos com mais de 10 temporadas.
      Podes ver aqui a tabela do Acordo Colectivo de Trabalho actual:
      http://basketball.realgm.com/nba/info/minimum_scale

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  2. Uma história inspiradora. Quem diria..

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