22.11.15

Decidir bem ou decidir mal, eis a questão


Já o dissemos muitas vezes (por exemplo, aqui e aqui a propósito de LeBron; ou aqui a propósito de Kobe): ser decisivo no final de um jogo, ser um clutch player, não significa obrigatoriamente fazer o último lançamento. Nem sequer obrigatoriamente fazer a assistência para o último lançamento. Às vezes pode-se ser decisivo com um passe que leve a uma assistência (a chamada hockey assist). Ou até mesmo com um passe que inicie uma ação que leve a uma assistência e/ou a um bom lançamento. 

Como Reggie Jackson podia ter feito ontem e não fez (a partir dos 01:57):


Com 8 segundos para jogar e a perder por 2, os Pistons foram para a sua jogada predilecta desta temporada: um pick and roll alto entre Reggie Jackson e Andre Drummond:


Marcin Gortat fez 2x1 e defendeu a penetração de Reggie Jackson, Andre Drummond desfez para o cesto e ficou completamente sozinho dentro do garrafão. Primeira oportunidade para Jackson assistir para um colega em posição para um lançamento fácil (ou para uma assistência para Ilyasova, se Garret Temple rodasse defensivamente):

Mas o base dos Pistons continuou a driblar. Gortat não o largou e Drummond continuava sozinho, debaixo do cesto:

Só que Jackson continuou a driblar, até à linha de fundo. Gortat acompanhou-o até lá, Garrett Temple rodou defensivamente e ficou com Drummond. Jackson continuava com dois defensores consigo e Drummond tinha posição debaixo do cesto sobre um defensor mais baixo. Nova oportunidade para Jackson assistir para alguém em muito melhor posição:




Finalmente, tendo parado o drible e esgotadas as possibilidades de conseguir um lançamento, Jackson soltou a bola para Marcus Morris, num passe longo e que deu tempo a Otto Porter de rodar e fechar sobre o atirador. E Morris tentou um triplo contestado que nem ficou perto de entrar.

Não sabemos se o plano dos Pistons era tentar um triplo para ganhar o jogo ou tentar um lançamento de dois para empatar. Mas duas coisas sabemos: esta não era a jogada que Stan Van Gundy queria; e Reggie Jackson tentou ser o herói, procurou primeiro o seu lançamento e segurou a bola por muito mais tempo do que devia. Tivesse optado pela melhor jogada e podíamos estar aqui a fazer um post sobre a jogada que deu a vitória aos Pistons.

Como já dissemos antes, mais importante do que ser um clutch shooter é ser um clutch player. E isso significa jogar bem nos momentos decisivos. E jogar bem significa ler o jogo e tomar a melhor decisão para a equipa naquele momento. Ser clutch não é tentar ser herói à força. É fazer a jogada certa.

7 comentários:

  1. Fábio Espinha24/11/15, 00:53

    Márcio, e sobre mais uma birrinha do sr. LBJ?

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    1. Não se faz, é condenável, ele próprio admitiu logo a seguir que perdeu a cabeça, pediu desculpa e pronto, segue-se em frente, não vale a pena fazer um grande drama disso. ;)

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  2. Boas, também a próposito desta temática, qual a tua opinião quando recuperas a bola e falta cerca de 40/35 segundos (e não é o último período). Fazer um lançamento rápido mesmo que não seja o melhor para ter outra possessão de bola ou é melhor fazer uma jogada que demore mais próximo dos 24 segundos?

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    1. Vamos falar sobre isso no MVP desta semana. ;)

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    2. Na minha opinião, acho que o factor mais importante é até a capacidade ressaltadora: se a (nossa) equipa tiver maus ressaltadores defensivos (e ofensivos) e a outra bons ofensivos é deixar correr até 24 segundos, enquanto se tiver bons ressaltadores penso que se deve fazer o lançamento rápido. Mas claro que há outras nuances como por exemplo ter um Curry em que mesmo que mande todo trocado corre sempre o risco de acertar ehehehe.

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  3. Excelente discussão que, se for analisada sob uma perspectiva apenas de jogo jogado, a vossa é sem dúvida a posição mais coerente. Mas aqui entra a idiossincrasia da própria NBA que, por vezes, privilegia a componente espectáculo à estritamente basquetebolística.
    Quanto à birrinha de Lebron, Fábio, sem ter nada com isso, já todos conhecemos a sua concomitante atitude passivo-agressiva que desta vez também não compreendo; mas é a sua forma de "liderar". Mais que isso, gostava de falar do jogo dos Cavs e da eventualidade, que agora parece quase impossível com os imbatíveis GSW, de ganharem os Warriors numa possível final. Com Moz, Shumpert, Kyrie e Mo lesionados e não jogando ao máximo dominaram completamente os últimos finalistas da EC. Fico feliz particularmente por Blatt, que me parece não se lhe dar o justo valor apenas por treinar Lebron; um rookie que chega às finais com dois dos três melhores jogadores lesionados e como titular um base undrafted que muitos diziam não ter talento suficiente para sequer jogar na NBA.
    Esta época promete, há muito tempo que não estava tão entusiasmado com uma...

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  4. Papa Valdemares26/11/15, 00:01

    A inteligência e a capacidade de ler o jogo nãos e compram. E o RJ, claramente, não é muito dotado na área.

    Aliás, a NBA sempre oscilou entre esses dois pólos: a força bruta versus a inteligência a jogar e a capacidade de ler o jogo, passe a metáfora gasta.

    Depois há o umbigo desta gente, que atrapalha amiúde. São muito poucos aqueles que entendem e aceitam pacificamente que o seu papel na equipa não é o de estrela, mas de simples contribuinte para o sucesso da equipa e para que as verdadeiras estrelas brilhem.

    E depois há os treinadores: será que, quando reviram o jogo no dia seguinte, o técnico lhe deu na mona a sério?

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