Na semana passada, o Ricardo Brito Reis falou-nos daquilo que cada uma das equipas candidatas no Este precisa para meter as mãos no troféu Larry O'Brien. No Contra-Ataque desta semana, a segunda parte dessa reflexão e o que cada uma das candidatas a Oeste precisa para levar o Larry para casa:
Quem
quer tocar no Larry? – parte II
por Ricardo Brito Reis
Na sequência da crónica da semana passada,
e conforme prometido, é tempo de olhar para o que falta às melhores equipas do
Oeste para estarem mais perto de receber o troféu Larry O’Brien das mãos do
comissário Adam Silver. E, se havia cinco candidatos no Este, a conferência
Oeste tem, pelo menos, sete.
Golden State Warriors
(36-7)
Nem os «Splash Brothers»,
nem a promoção de Draymond Green ao cinco inicial. A chave do sucesso dos
Warriors é o poste Andrew Bogut. Sem ele, esta temporada, a formação de Oakland
tem um registo de 9 vitórias e 5 derrotas. O australiano é uma autêntica âncora
defensiva e a equipa ressente-se sempre da sua ausência, como provam os
números. A equipa orientada por Steve Kerr sofre, em média, mais oito pontos
por cada 100 posses de bola quando Bogut está de fora. Outro problema a
resolver é o número de turnovers da equipa (6ª pior equipa da NBA, com 15.1 por
jogo), embora isso resulte do estilo up-tempo
dos Warriors, que acabam por obrigar os seus adversários a cometer, igualmente,
um número elevado de perdas de bola sem lançamento.
Memphis Grizzlies (33-12)
O estilo «grit and grind»
do conjunto de Memphis tem chegado para resolver os jogos na fase regular, mas,
quando chegarmos aos playoffs e a velocidade abrandar, a falta de espaçamento
no ataque pode ser um problema.O poste Marc Gasol está a fazer uma época que o
coloca na luta pelo título de MVP, o base Mike Conley começa a receber o
reconhecimento devido e a adição do extremo Jeff Green vem ajudar a colmatar a
principal lacuna dos Grizzlies: o lançamento exterior. É que os Grizzlies são a
4ª equipa da liga norte-americana que menos triplos tenta por partida (média de
16.0).E é preciso mais. Talvez por isso se justifiquem os rumores que dão conta
do interesse dos responsáveis da equipa em Chris Copeland, dos Indiana Pacers.
Portland Trailblazers
(32-14)
O problema dos
Trailblazers está no banco de suplentes. Ou melhor, não está! O treinador Terry
Stotts tem um dos bancos mais fracos da NBA, sobretudo no meio-campo ofensivo,
e isso será bem evidente nos playoffs, numa altura em que a intensidade
defensiva aumenta e muito. Com um cinco inicial fortíssimo, alavancado num
extremo/poste de eleição e num dos bases mais promissores da liga, os Blazers
ficam expostos aos adversários quando Stotts começa a rotação. Para além que
dependem em demasia do tiro exterior, uma vez que são a 2ª equipa da NBA que
menos pontos marca no interior da área restrictiva. E como diz
Charles Barkley: «If you live by the jumper, you die by the jumper».
Los Angeles Clippers (32-14)
O técnico Doc Rivers já
assumiu que tem um grande desafio pela frente, que passa por dotar a sua equipa
de uma mentalidade defensiva. O talento no meio-campo ofensivo dos Clippers é
tanto, que o treinador afirma que, muitas vezes, sente que os atletas entram em
campo apenas com o objectivo de marcar mais pontos do que a equipa adversária.
E acrescenta que só defendem a sério quando querem. No dia de Natal, por
exemplo, quiseram e arrasaram os Golden State Warriors. Actualmente, os
Clippers ocupam o 14º lugar do rácio defensivo (pontos sofridos por cada 100
posses de bola do adversário), mas já estiveram bem perto do 20º lugar desse
ranking esta época. Ou seja, bem pior. Ou seja, estão a defender melhor à
medida que a época avança. Se, à entrada para o playoff, estiverem no top-10 (e
se, entretanto, reforçarem a posição de small
forward), temos candidato.
Houston Rockets (32-14)
James Harden defende (melhor).
Josh Smith está a encontrar o seu papel na rotação da equipa. Dwight Howard
está mais evoluído no ataque, sobretudo no reportório individual nas zonas
próximas do cesto. À volta do poste, atiradores e mais atiradores. O plano é
perfeito. Ou quase. Os comandados por Kevin McHale fazem uma média de 17.3
turnovers por partida – pior só os 76ers, com 18.6/jogo – e, como consequência,
sofrem mais de 15 pontos por jogo, em situação de contra-ataque. Falta,
portanto, um bom base para que os Rockets tenham hipóteses de ir longe nos
playoffs. Jose Calderon e Pablo Prigioni, ambos dos New York Knicks, estão
disponíveis para uma troca e qualquer um deles (sobretudo o argentino) encaixaria
bem no sistema de McHale.
San Antonio Spurs
(30-17)
Acabem em 1º, 2º ou no
actual 7º lugar da Conferência Oeste, os Spurs serão sempre favoritos. Mas, tal
como os L.A. Clippers, os actuais campeões têm que ultrapassar um bloqueio
mental. Se na época passada tiveram que lidar com a frustação de perder as
Finais de 2013, esta temporada têm que lidar com o oposto, ou seja, com a
eventual falta de motivação, depois de umas Finais de 2014 em que jogaram o
melhor basquetebol que o mundo da NBA viu nos anos mais recentes. Ainda assim,
Gregg Popovich já demonstrou ter experiência suficiente para motivar as suas
tropas. Mas, pela primeira vez, parece que a idade está mesmo a ter um impacto
na saúde física dos veteraníssimos Spurs. E, mesmo abusando dos DNP, isso é
algo que Pop não controla.
Dallas Mavericks (30-17)
Com 110.1 pontos por cada
100 posses de bola, os Mavericks só não lideram o ranking do rácio ofensivo
porque há uma equipa chamada Los Angeles Clippers (111.0). E, tal como os
Clippers, a defesa é a preocupação da equipa técnica liderada por Rick
Carlisle, mesmo com a subida nos rankings defensivos depois da troca que trouxe
Rajon Rondo de Boston. E, tal como os Clippers, os ressaltos são a outra lacuna
do conjunto do Texas, mesmo que Rajon Rondo seja o melhor base ressaltador da
NBA. Rondo trouxe muito aos Mavericks, mas o que os Mavs deram em troca –
leia-se alguns dos melhores elementos da rotação da equipa - pode custar-lhes a
longevidade nos playoffs. Cuban tem sempre uma carta na manga e diz-se que
Jermaine O’Neal pode ser essa carta…
P.S.: Escrevi, há duas semanas,
que não acredito que os Oklahoma City Thunder (23-23) atinjam os playoffs. Mas
não sou o Nostradamus, pelo que admito que Durant, Westbrook e companhia lá
cheguem. E, se chegarem, têm que ser considerados candidatos.


Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.