22.1.15

CONTRA-ATAQUE - Quem quer tocar no Larry?


A presença do troféu Larry O'Brien em Portugal (hoje, na Sport TV) serve de mote ao Contra-Ataque do Ricardo Brito Reis desta semana:


Quem quer tocar no Larry?

por Ricardo Brito Reis

A iniciativa da SportTV de permitir que, esta quinta-feira, os adeptos portugueses da NBA possam tirar fotografias com o troféu Larry O’Brien serviu de mote para a crónica desta semana. Afinal, o que falta às melhores equipas da liga norte-americana para se tornarem verdadeiros candidatos a marcar presença nas Finais e poderem, elas também, ter a oportunidade de tocar no troféu de campeão? Será que estas equipas vão retocar os respectivos plantéis, através de trocas ou da contratação de free agents, por forma a eliminar os problemas que têm revelado nesta primeira metade da época? Esta semana, debruço-me sobre os cinco conjuntos do Este que se destacam dos demais e que, na minha opinião, são as únicas formações desta conferência com hipóteses de lutar pelo título.

Atlanta Hawks (35-8)
Há dias escrevi aqui sobre as razões do sucesso dos Hawks. Na altura, sublinhei também algumas das suas lacunas. A formação de Atlanta precisa de uma maior presença nas zonas interiores e, sobretudo, quando a luta é na tabela atacante. O treinador Mike Budenholzer privilegia uma boa transição defensiva a uma segunda oportunidade no ataque e, talvez por isso, os Hawks são a pior equipa da NBA no ranking dos ressaltos ofensivos (8.4) e nos pontos após ressalto ofensivo (10.5), para além de ocuparem a 23ª posição nos pontos marcados na área restrictiva (41.0). Como referi na crónica sobre os Hawks, este factor poderá ser importante nos playoffs, frente a equipas com atletas grandes nas áreas próximas do cesto.

Washington Wizards (29-14)
O que dizer de uma equipa que parece ter tudo, pelo menos no papel? Que é preciso melhorar a eficácia da linha de lance livre. Os Wizards são uma das equipas mais completas do Este, com um backcourt de excepção e jogadores interiores dominadores. É verdade que o número de perdas de bola preocupa – são a 12ª equipa da liga com mais turnovers, com 14.8/jogo -, mas este número vai baixar nos playoffs, quando tudo abranda e se joga mais em meio-campo. Mas, para serem candidatos ao que quer que seja, não podem lançar apenas 73.9% da linha de lance livre. E talvez precisem de mais um atirador para a rotação, pelo que não é de estranhar o alegado interesse em contratar Ray Allen e em voltar a juntá-lo ao seu amigo de longa data Paul Pierce.

Toronto Raptors (27-15)
Os canadianos são um daqueles casos de uma equipa cujo foco é ganhar jogos a marcar mais pontos do que os adversários. De facto, não são uma grande equipa defensiva e a ausência de um poste que proteja o cesto é evidente. O lituano Jonas Valanciunas não é um grande defensor e isso ajuda a explicar que os Raptors sejam a 20ª equipa da NBA no ranking do rácio defensivo (104.5 pontos sofridos por cada 100 posses de bola dos adversários), para além de que estão no top-10 das equipas que mais pontos permitem na área restrictiva (43.2) e no top-5 das formações que mais pontos permitem após ressalto ofensivo dos adversários (14.3). E, no ataque, não podem estar tão dependentes do base Kyle Lowry.

Chicago Bulls (27-16)
Tal como os Wizards, os Bulls têm todas as peças. Na teoria. Os comandados por Tom Thibodeau não têm maus registos em todas as áreas do jogo, mas também já não são a força defensiva que foram nos últimos anos. Nas épocas mais recentes, os Bulls têm estado no top-3 dos vários rankings defensivos e, este ano, estão a meio dessas tabelas. De facto, nota-se uma diminuição da intensidade defensiva dos jogadores de Chicago, o que os leva a ser a 3ª equipa da NBA que menos roubos de bola faz (6.2) e, consequentemente, uma das que menos pontos marca após turnovers dos adversários. No entanto, o factor mais importante para estes Bulls serem um verdadeiro candidato é a saúde das suas «estrelas», como Derrick Rose e Joakim Noah. Sem lesões, os Bulls podem sonhar.

Cleveland Cavaliers (23-20)
Os responsáveis dos Cavaliers identificaram bem cedo que os maiores problemas da equipa estavam no meio-campo defensivo. Os Cavs apresentam vários indicadores negativos, no que diz respeito ao desempenho defensivo da equipa, e as recentes chegadas de Iman Shumpert e Timofey Mozgov servem para colmatar essas fraquezas. O poste russo está a assentar que nem uma luva e Shumpert, quando recuperar da lesão no ombro, também deverá ser um upgrade à defesa do perímetro. Assim que o base entrar no cinco inicial, J.R. Smith regressa ao banco e, nessa altura, veremos se tudo bate certo ou se a rotação do técnico David Blatt ainda precisa de mais alguém.
  

Na próxima semana, farei o mesmo exercício no Oeste. Terei trabalho a dobrar, portanto.

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