A presença do troféu Larry O'Brien em Portugal (hoje, na Sport TV) serve de mote ao Contra-Ataque do Ricardo Brito Reis desta semana:
Quem
quer tocar no Larry?
por Ricardo Brito Reis
A iniciativa da SportTV
de permitir que, esta quinta-feira, os adeptos portugueses da NBA possam tirar
fotografias com o troféu Larry O’Brien serviu de mote para a crónica desta
semana. Afinal, o que falta às melhores equipas da liga norte-americana para se
tornarem verdadeiros candidatos a marcar presença nas Finais e poderem, elas
também, ter a oportunidade de tocar no troféu de campeão? Será que estas
equipas vão retocar os respectivos plantéis, através de trocas ou da contratação
de free agents, por forma a eliminar
os problemas que têm revelado nesta primeira metade da época? Esta semana,
debruço-me sobre os cinco conjuntos do Este que se destacam dos demais e que,
na minha opinião, são as únicas formações desta conferência com hipóteses de
lutar pelo título.
Atlanta Hawks (35-8)
Há dias escrevi aqui sobre as razões do sucesso dos Hawks. Na altura, sublinhei também algumas das
suas lacunas. A formação de Atlanta precisa de uma maior presença nas zonas
interiores e, sobretudo, quando a luta é na tabela atacante. O treinador Mike
Budenholzer privilegia uma boa transição defensiva a uma segunda oportunidade
no ataque e, talvez por isso, os Hawks são a pior equipa da NBA no ranking dos
ressaltos ofensivos (8.4) e nos pontos após ressalto ofensivo (10.5), para além
de ocuparem a 23ª posição nos pontos marcados na área restrictiva (41.0). Como
referi na crónica sobre os Hawks, este factor poderá ser importante nos
playoffs, frente a equipas com atletas grandes nas áreas próximas do cesto.
Washington Wizards
(29-14)
O que dizer de uma equipa
que parece ter tudo, pelo menos no papel? Que é preciso melhorar a eficácia da
linha de lance livre. Os Wizards são uma das equipas mais completas do Este,
com um backcourt de excepção e
jogadores interiores dominadores. É verdade que o número de perdas de bola
preocupa – são a 12ª equipa da liga com mais turnovers, com 14.8/jogo -, mas
este número vai baixar nos playoffs, quando tudo abranda e se joga mais em
meio-campo. Mas, para serem candidatos ao que quer que seja, não podem lançar
apenas 73.9% da linha de lance livre. E talvez precisem de mais um atirador
para a rotação, pelo que não é de estranhar o alegado interesse em contratar
Ray Allen e em voltar a juntá-lo ao seu amigo de longa data Paul Pierce.
Toronto Raptors
(27-15)
Os canadianos são um
daqueles casos de uma equipa cujo foco é ganhar jogos a marcar mais pontos do
que os adversários. De facto, não são uma grande equipa defensiva e a ausência
de um poste que proteja o cesto é evidente. O lituano Jonas Valanciunas não é
um grande defensor e isso ajuda a explicar que os Raptors sejam a 20ª equipa da
NBA no ranking do rácio defensivo (104.5 pontos sofridos por cada 100 posses de
bola dos adversários), para além de que estão no top-10 das equipas que mais
pontos permitem na área restrictiva (43.2) e no top-5 das formações que mais
pontos permitem após ressalto ofensivo dos adversários (14.3). E, no ataque,
não podem estar tão dependentes do base Kyle Lowry.
Chicago Bulls (27-16)
Tal como os Wizards, os
Bulls têm todas as peças. Na teoria. Os comandados por Tom Thibodeau não têm
maus registos em todas as áreas do jogo, mas também já não são a força
defensiva que foram nos últimos anos. Nas épocas mais recentes, os Bulls têm
estado no top-3 dos vários rankings defensivos e, este ano, estão a meio dessas
tabelas. De facto, nota-se uma diminuição da intensidade defensiva dos
jogadores de Chicago, o que os leva a ser a 3ª equipa da NBA que menos roubos
de bola faz (6.2) e, consequentemente, uma das que menos pontos marca após turnovers
dos adversários. No entanto, o factor mais importante para estes Bulls serem um
verdadeiro candidato é a saúde das suas «estrelas», como Derrick Rose e Joakim
Noah. Sem lesões, os Bulls podem sonhar.
Cleveland Cavaliers
(23-20)
Os responsáveis dos
Cavaliers identificaram bem cedo que os maiores problemas da equipa estavam no
meio-campo defensivo. Os Cavs apresentam vários indicadores negativos, no que
diz respeito ao desempenho defensivo da equipa, e as recentes chegadas de Iman
Shumpert e Timofey Mozgov servem para colmatar essas fraquezas. O poste russo
está a assentar que nem uma luva e Shumpert, quando recuperar da lesão no
ombro, também deverá ser um upgrade à
defesa do perímetro. Assim que o base entrar no cinco inicial, J.R. Smith
regressa ao banco e, nessa altura, veremos se tudo bate certo ou se a rotação
do técnico David Blatt ainda precisa de mais alguém.
Na próxima semana, farei
o mesmo exercício no Oeste. Terei trabalho a dobrar, portanto.


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