2.8.13

Os Pistons aceleram, mas para onde?


Uma das novelas desta offseason chegou ao fim e o melhor free agent ainda disponível tem, finalmente, equipa. Brandon Jennings não despertou o interesse na free agency que o próprio esperava (a sua própria equipa não estava interessada em oferecer-lhe um contrato de longa duração e comprometer-se com ele para o futuro) e parecia que teria de se conformar com a qualifying offer dos Bucks por um ano e voltar a ser free agent no próximo ano.

Nenhuma das equipas que tinham espaço salarial para oferecer um contrato grande a Jennings o fez e preferiram gastar esse dinheiro noutros jogadores. Agora não restava nenhuma equipa que lhe pudesse fazer uma oferta como free agent e a única hipótese dele não ficar em Milwaukee era conseguirem encontrar uma equipa interessada em fazer uma troca.

E conseguiram. Chegaram a acordo com os Pistons para um sign and trade e Jennings foi para Detroit em troca de Brandon Knight, Khris Middleton e Viacheslav Kravtsov. 


E assim, os Pistons preparam-se para pôr um ponto final no jejum de idas aos playoffs. Depois de contratarem Josh Smith, juntam mais uma peça para os levar de volta à segunda fase da temporada. Mas, com estes dois, alguma vez poderão aspirar a mais do que isso?
Jennings e Smith são dois jogadores mais que capazes de os colocar nos playoffs e de devolver os Pistons à competitividade e à relevância. Ficam com uma equipa mais que suficiente para ir aos playoffs durante anos, mas construir uma equipa à volta de Jennings e Smith não deve chegar para mais do que isso.

O ex-Hawk e o ex-Buck são dois jogadores com muito bons números totais, mas bastante ineficientes.
Smith tem 17.5 pts de média na carreira, mas 15.6 lançamentos de média (46% em lançamentos na carreira, o que para um jogador interior não é bom - e porque ele insiste em lançar no exterior, onde tem 30% nos 3pts). E Jennings tem 17 pts de média na carreira, mas 15.5 lançamentos de média para conseguir esses pontos (39% em lançamentos na carreira).

E têm ambos o mesmo problema: uma péssima selecção de lançamento. Jennings não só sempre gostou de exagerar nas tentativas de lançamento e sempre precisou de muitos lançamentos para marcar muitos pontos, como, muitas vezes, escolhe mal as alturas para lançar. 

E Smith é o rei dos lançamentos ineficientes, um jogador que, apesar de não ter uma boa percentagem, insiste em fazer muitos lançamentos de dois longos e tentar mesmo vários triplos (as equipas adversárias agradecem sempre que ele se afasta do cesto - onde aí, sim, é muito bom -).


Agora imaginem os dois na mesma equipa. Esperem uma boa defesa (como em Milwaukee, as debilidades defensivas de Jennings serão escondidas e compensadas por um bom frontcourt e bons defensores do cesto atrás de si), mas esperem muita má selecção de lançamento e muitos lançamentos disparatados naquele ataque. Podem marcar muitos pontos, mas vão precisar de muitas posses de bola para isso (e nos playoffs isso paga-se caro, a eficiência é que ganha séries).

Não nos interpretem mal. Não queremos com isto dizer que os Piston serão maus. Os Pistons serão muito melhores na próxima temporada. Mas não será com Smith e Jennings que lutarão por um título.

Os Pistons vão ser os próximos Atlanta-Hawks-da-última-meia-dúzia-de-temporadas. Aquela equipa boa, capaz de ganhar 40 e tal, 50 jogos por temporada, ficar nos primeiros 6 da conferência, ir aos playoffs e ficar pela primeira ou segunda ronda. Bons, mas não bons o suficientes. 

Se o plano dos Pistons é voltar a ter uma equipa competitiva que, pelo menos, vá aos playoffs e reentre no radar da NBA, será um plano bem sucedido. Mas se o plano é lutar por um título, vão ter uma desilusão. Os Pistons aceleram para os playoffs, mas não nos parece que tenham potência para mais.




(curiosamente, são os dois canhotos, o que nos leva ao prometido artigo dos melhores canhotos de sempre. Como referiu o TomArtx nos comentários ao post sobre o dono duma das melhores mãos esquerdas de sempre, dia 13 de Agosto é o nosso dia, e com essa data tão perto, é irresístivel fazer o artigo nesse dia. Por isso, fica marcado para dia 13. No dia Internacional dos Canhotos, publicaremos aqui a nossa lista dos melhores esquerdinos de sempre)

3 comentários:

  1. Excelente artigo Márcio. À primeira vista parece-me uma equipa de playoffs, ainda para mais quando está no Este. Se o Brandon Knight não tinha saído, ficavam com uma equipa extremamente jovem. Penso que agora falta um bom triplista para o banco.

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  2. O korver seria bom para os pistons mas mesmo assim são uma equipa para o 7/8 lugar na conferência e 1a ronda nos playoffs.

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  3. off topic, Oden finalmente em Miami onde só é realmente necessario nos playoff's! tem 10 meses para lentamente ganhar ritmo, resistencia e poder de choque. a ver se aguenta a evoluçao e resiste à tentaçao de força para poder ser sim uma mais valia aquando dos jogos a serio la para maio/junho de 2014.

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