6.9.11

E para terminar: Portugal - Lituânia


Acabou o Eurobasket para a selecção portuguesa. Na quinta e última jornada do grupo foi a vez de defrontar os anfitriões. Portugal aguentou 19 minutos e chegou ao último minuto do 2º período empatado a 35. Não fossem dois triplos consecutivos dos lituanos nos dois últimos ataques e podíamos ter chegado ao intervalo com um surpreendente empate. 

Depois na segunda parte, os lituanos deixaram claras as diferenças entre as duas equipas e nem precisavam do empurrão dado pelos árbitros no início do 3º período, com uma técnica pra lá discutível ao banco português (por ter um jogador em pé, algo proibido pelas regras, mas algo que acontece em todos os jogos e algo para o qual é sempre dada uma grande margem de tolerância) e uma técnica a Mário Palma por protestar a primeira. Mas, independentemente disso, a Lituânia não deixou dúvidas sobre a sua superioridade e o jogo terminou com o máximo de pontos sofridos pela nossa selecção e a maior diferença de pontos dos cinco jogos (98-69). 

E a diferença foi mais que óbvia em três áreas: ressaltos (40-26), percentagens de lançamentos (59.5% dos 2pts e 63.6% dos 3pts contra 34.3% de 2pts e 37% de 3 pts dos portugueses) e contra-ataques (a velocidade dos lituanos no contra-ataque fazia parecer que estavámos a recuperar defensivamente em câmara lenta).


No fim, mais um jogo, mais uma derrota e terminamos a participação no último lugar do grupo sem qualquer vitória. É claro que o mais importante estava conseguido com o apuramento para o torneio. E qualquer balanço deste Eurobasket é sempre positivo só pelo facto de estarmos presentes. É fundamental para a evolução da modalidade e dos jogadores portugueses que Portugal marque presença nos principais palcos do basquetebol europeu. Ser uma presença regular é não só desejável como necessário para a promoção do basquetebol e para a captação de mais praticantes. E só a jogar com os melhores podemos aspirar a ser melhores.

Mas fica também algum amargo de boca por não termos conseguido vencer um jogo. E por termos desperdiçado duas oportunidades para o conseguir. Se era irrealista pensar que conseguiamos fazê-lo contra Espanha, Lituânia e Turquia, não só era possível como tivemos todas as hipóteses para o fazer contra a Polónia e a Grã-Bretanha.

E é sintomático da nossa inadaptação a este nível de competição o facto de termos jogador melhor nos jogos frente às três selecções mais fortes (jogos onde não tinhamos nada a perder) do que nos dois jogos frente às selecções acessíveis. Foi nestes últimos, sob a pressão de ganhar, que mais falhámos. Uma consequência da nossa falta de experiência a este nível e um sinal da nossa incapacidade de lidar com a pressão da competição ao mais alto nível.

Como sintomático é que os nossos jogadores não consigam aguentar o ritmo de cinco jogos em seis dias. Porque não estão habituados. Porque jogam uma vez (ou duas, no máximo) por semana e fisicamente não são desenvolvidos ao máximo.

Algo que só a presença habitual nestes eventos e uma maior exigência no trabalho dos clubes e nas competições domésticas podem mudar. A única coisa que nos pode preparar para aguentar a pressão é passar muitas vezes por situações de pressão, vezes e vezes sem conta até ser algo a que estejamos perfeitamente habituados. E a única coisa que nos pode preparar para jogar a este ritmo é jogar, jogar e jogar mais. Por isso, se queremos ter mais sucesso no futuro é bom que recordemos este Eurobasket. E que todos (clubes, federação e atletas) trabalhem mais e melhor. Para nos aproximarmos dos outros. E para aguentarmos a pressão e a exigência física de jogar com eles. É isso que todos desejamos, não é? Mãos à obra então.

6 comentários:

  1. Com o (pouco) dinheiro (e não só...) que se investe no basquetebol em Portugal, só a participação já é um grande motivo de celebração! Estão de parabéns!

    De qualquer modo, e tal como aconteceu nos mundiais de atletismo, ficou a sensação que poderíamos ter alcançado mais... depois lembro-me que não estamos a falar de futebol (onde há dinheiro para tudo), e acho que as nossas pálidas prestações noutras modalidades a nível internacional são o espelho do desequilíbrio que existe no nosso país em termos desportivos...

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  2. Antes de mais Parabéns Márcio! pela cobertura do Eurobasket e mais uma vez a qualidade do que fazes a vir ao de cima...
    Em relação a selecção antes e mais de tudo muito orgulho na representação portuguesa...e que sirva para abrir os olhos aos responsáveis portugueses...tanto a termos de apoios como de melhorar o que esta errado...a começar com os lances livres a insistência em sistemas que não funcionam e aos postes com pouca inteligência de jogo...aquele Cláudio Fonseca não tem nada para la estar...e um zero!
    Continua com o bom trabalho :)

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  4. Pessoal, como já avisei anteriormente, posts com insultos e ofensas pessoais serão censurados. A discussão pode ser acesa, mas sempre saudável e sem entrar no domínio pessoal! Obrigado.

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  5. LOL Marcio. Quem seria essa msg? Alguem que exigia que Portugal ganhasse o Eurobasket? Ja vi tantos comentarios em jornais on line a mandar vir com a selecção de basket e atletismo, quando só se lembram deles na altura das grandes competições!!

    A selecção podia ter feito melhor? Sem duvida, especialmente frente à Polonia, contudo, era impossivel pedir mais a atletas poucos habituados a estes eventos.

    Já agora, o que dizer do sorteio dos grupos da I Fase, que permitiu os seguintes grupos na II: França, Servia, Espanha, Turquia, Lituania e Alemanha num lado, Russia, Eslovenia, Grecia, Finlandia, Georgia e Macedonia no outro???

    que desequilibrio

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  6. Desculpa lá estes comentários, nao fui eu que os escrevi, mas um anormal, Continua o bom trabalho que tens feito no blog

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