10.6.15

Warriors x Cavs - 3º round




Foi uma partida de loucos, um 4º período insano e um final de jogo de maluquinhos. Por isso, vamos lá tentar meter ordem no que aconteceu ontem na Quicken Loans Arena:

O que aconteceu até ao ao fim do 3º período?
Uma exibição medíocre dos Warriors e uma defesa sufocante dos Cavs. Sim, quem diria antes desta série que seriam capazes de limitar desta maneira o ataque de Golden State, mas pelo segundo jogo consecutivo conseguiram fazer algo que ninguém tinha conseguido em toda a temporada: manter os Warriors abaixo dos 60 pontos ao fim de 3 períodos.

Stephen Curry até entrou bem no jogo e, nos minutos iniciais, os Warriors moveram mais e melhor a bola que nos dois primeiros jogos. Curry estava mais agressivo e a atacar mais o cesto, e mesmo sem conseguir encontrar espaço para lançar, estava a distribuir, a abrir espaços para os outros, a passar e a iniciar as ações no ataque. No jogo 2, fizeram apenas 16 assistências em todo o jogo e ontem tinham 8 assistências em 9 lançamentos de campo no fim do 1º período.

O problema é que, mais uma vez, Curry não teve grande contribuição dos jogadores para quem soltava a bola (o frontcourt voltou a ser uma nulidade no ataque e Barnes/Green/Bogut marcaram apenas 11 pontos entre os três, com 4 em 21 em lançamentos). Com o desenrolar da primeira parte, Curry foi desaparecendo, os Warriors deixaram de mover a bola, recorreram mais a ações individuais e regrediram para a equipa sem qualquer consistência e regularidade no ataque dos dois primeiros jogos.

Mérito também, e muito, para a defesa de Cleveland, que conseguiu fechar todos os espaços no perímetro e não dar lançamentos sem oposição aos Splash Brothers. Na primeira parte, concederam apenas 37 pontos, um novo mínimo na temporada para os Warriors (só para se ter noção: durante a temporada, os Warriors marcaram 37 ou mais pontos NUM PERÍODO 18 vezes).
E se na primeira parte já tinham sido muito bons nesse lado do campo, no 3º período a sua defesa atingiu níveis excepcionais e sufocou verdadeiramente o ataque dos Warriors. Foram muito mais aguerridos, muito mais agressivos, lutaram por cada ressalto (Tristan Thompson voltou a ser enorme nesse capítulo) e por cada bola dividida (Dellavedova foi gigante nesse particular, atirando-se a cada bola como se a sua vida dependesse disso), e dominaram fisicamente os Warriors, tanto na tabela como no perímetro. Durante 36 minutos, a equipa de Cleveland foi muito melhor.

O resultado no fim do 3º período parecia impensável para esta equipa dos Warriors: apenas 55 pontos marcados (mínimo na temporada ao fim de 3 períodos). E 17 de vantagem para os Cavs. Parecia decidido, certo? Errado.


O que aconteceu no 4º período?
Os Warriors mostraram porque é que contra eles nenhuma vantagem é segura. Acordaram e, durante 6 minutos, foram a equipa que vimos durante toda a temporada: uma equipa que num ápice pode marcar mãos cheias de pontos. Em três ataques, marcaram dois triplos e um lançamento na passada e reduziram a diferença para 9. E nas primeiras 8 posses de bola do período, marcaram 18 pontos e voltaram à discussão da partida.

Isto aconteceu, não coincidentemente, com a entrada de David Lee. O power forward que não tinha jogado nos dois primeiros jogos (e não jogava desde o jogo 4 da finais de conferência) já tinha sido lançado uns minutos no 2º período, mas foi neste período que mostrou como pode ser importante para a equipa. 
Lee é melhor que qualquer outro jogador interior dos Warriors a desfazer do bloqueio e a rodar para o cesto e deu uma opção ofensiva interior que faltava à equipa. Com ele a receber a bola após o pick and roll e ora a ir para o cesto, ora a passar para o homem livre quando vinha a ajuda, o ataque dos Warriors ficou mais móvel e com melhor rotação da bola. 

Também ajudou que Curry tenha acordado e o MVP tenha aparecido para jogar estes minutos finais. E a 2:47 do fim, marcou um triplo que colocou os Warriors a um. E depois tivemos o tal final de loucos.


Dellavedova respondeu ao MVP na posse de bola seguinte e marcou dois pontos com falta. Curry fez um turnover no ataque seguinte e LeBron marcou um triplo que colocou os Cavs a ganhar por 7 a 1:44 do fim. Dagger Three? Agora estava decidido? Ainda não.

Entre os Cavs a dar tiros no pé e a oferecerem duas bolas aos Warriors, Curry a fazer novo turnover, Dellavedova a fazer um mergulho sensacional e a recuperar mais uma bola dividida e Curry a marcar triplos inacreditáveis de todo o lado e com 3 e 4 Cavs em cima, tivemos um minuto final que deve ter provocado ataques de coração por todo o Ohio. Mas os Cavs foram marcando os seus lances livres, sobreviveram ao susto e saíram com a vitória.


O que aconteceu afinal neste jogo?
Uma equipa de Cleveland com mais garra, mais luta e mais determinação, e que continua a fazer milagres com os jogadores que tem disponíveis venceu uma equipa dos Warriors que precisa de fazer muito melhor e a quem não basta jogar bem alguns minutos por jogo.
Foram três períodos medíocres de Golden State, depois 6 minutos bons no início do 4º período e dois minutos finais incríveis de Curry. O que não chega para quem quer ser campeão.
Os Cavaliers voltaram a superar-se, fizeram um esforço defensivo inimaginável e, mais uma vez, mereceram ganhar.


E o que vai acontecer agora?
Se há coisa que já aprendemos nesta série, é que tudo pode acontecer. Portanto, boa sorte para qualquer previsão. Podem não estar a ser as mais bonitas ou bem jogadas, mas estão a ser umas Finais emocionantes, muito interessantes e muito, muito divertidas de seguir. Venha o jogo 4!

3 comentários:

  1. Os Cavs até podem perder as finais e não serem campeões (espero bem k não), mas acho k ficou claro que esta é uma das equipas mais lutadoras e guerreiras que passaram pela NBA. Só com 7 ou 8 jogadores a jogarem efectivamente e não dão uma bola como perdida, lutam por tudo o k é ressalto, todos os jogadores se entre-ajudam, enfim, têm tido um espírito e uma entrega sensacionais.

    E acho que também é justo dizer que o Lebron, apesar de não estar a lançar com as percentagens k já nos habituou, tem estado a dominar o jogo por completo. Ele marca, assiste, ressalta e acima de tudo controla o ritmo e a velocidade do jogo de uma forma incrível, o que tem contribuído para baixar a eficácia do ataque dos warriors.
    No entanto acho k os Warrios talvez ainda sejam um pouco favoritos, porque não sei se os Cavs conseguem aguentar jogar com tão poucos jogadores na rotação mts mais jogos. Vamos ver como corre o próximo jogo que é bastante importante, e espero sinceramente k os Warriors continuem desinspirados e a equipa dos Cavs continue com o mesmo ritmo e a mesma garra que estão agora.

    E já imaginaram o que será para o legado de Lebron se ganhar este ano? Eu acho que ele merece ter sorte pelo que abdicou e pela coragem em voltar para casa e espero que ele consiga levar os Cavs à glória. Que história linda que vai ser caso os Cavs ganhem as finais, mas caso não ganhem acho k nada pode apagar o mérito que este equipa teve em chegar até aqui e a excelente série que estão a fazer netas finais.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "pelo que abdicou"?

      Hmmm se calhar não foi bem assim...

      Ele saiu de uns Heat que sinceramente não iam dar mais que aquilo, devido ao que os big-three ganhavam.
      Foi para os Cavs, que nos ultimos 4 anos tiveram a sorte de ter 3 numero 1 picks no draft.
      Andrew Wiggins, Anthony Bennet e Kyrie Irving que lhes deu uma enorme margem de manobras para negociar jogadores. Não sei se é inédito, mas se não é deve andar lá perto.
      Já para não falar de Dion Waiters (que foi 3ª ou 4ª pick em que conseguiram o Iman Shumpert e o JR Smith por ele) e de Tristan Thompson que também foi uma das early picks de 2011.
      Ou seja, talento ali não faltava.

      O risco de LeBron foi totalmente calculado, porque Cleveland tinha uma margem de manobra em relação a talentos e tecto salarial que poucas equipas tinham.
      E conseguiu construir uma equipa com muita muita qualidade (que tem-na demonstrado nestes play-offs) apesar das lesões de Love, Irving e Varejão.

      Rodrigo Paulo

      Eliminar
    2. Ok admito que foi calculado, mas não deixou de ser um risco e para mim abdicou.
      Sair de uma equipa já formada e com rotinas como os Heat, com jogadores consagrados e habituados a confrontos e jogos de playoffs, com um treinador também já experimentado e tendo o Pat Riley como presidente para ir para os Cavs foi um risco.
      Os Cavs tinham o irving e o Wiggins (o Bennet pff..) e mais nada, eram inexperiente e sem grande talento, uma franquia mal gerida e problemática, com um treinador rookie na NBA (eu tenho gostado do trabalho dele, mas na altura não se sabia se iria dar certo) e ele abdicou de tudo o que tinha nos Heat para ir para esta equipa.

      Eliminar