16.6.15

Warriors x Cavs - 5º round



"Se eu errei? Ouve, quando estás a orientar um jogo, tens de tomar decisões. E eu achei que a melhor hipótese de nos mantermos no jogo e de termos uma hipótese de vencer era jogar da maneira que jogámos hoje." Assim justificou David Blatt, após o jogo 5, a decisão de manter Timofey Mozgov no banco e tentar bater os Warriors no small ball.

Era a melhor hipótese que os Cavaliers tinham de ganhar ou foi uma estratégia suicida? Vamos mais pela segunda. Poderia ser uma boa estratégia. Mas, perante as circunstâncias, foi deveras kamikaze.

Foi uma decisão surpreendente (ainda mais depois do bom jogo de Mozgov no jogo 4), mas não é isso que a torna má ou suicida. Às vezes fazer o que o adversário não espera de nós pode ser positivo e apanhar o adversário de surpresa é uma coisa boa. O que a torna suicida é que, neste caso, não só foram, durante todo o jogo, de encontro àquilo que o adversário faz melhor, como o tentaram fazer sem ter condições para tal.

Porque tentar bater os Warriors no seu jogo apresenta dois grandes perigos: o de se esgotarem fisicamente e o dos Warriors engatarem e começarem a carburar num estilo de jogo onde estão confortáveis e no qual mais facilmente se podem sair melhor.

Justiça seja feita a David Blatt, tirar Mozgov aos 7:09 do 1º período e com os Cavs a perder 8-2, não resultou mal. O jogo mais aberto não foi mau para a equipa de Cleveland. Ficaram com melhores encaixes defensivos, tiveram mais espaço para os ataques ao cesto de LeBron, mais espaço para ele penetrar e criar, e conseguiram ser mais móveis. E saíram-se bem no small ball durante três períodos. 

Mas para vencer os Warriors nesse tipo de jogo, precisam de estar bem fisicamente e de correr tanto como eles. O que já adivinhávamos no 1º período que estes Cavs não seriam capazes de fazer até ao fim. Durante 30 e tal minutos, aguentaram a jogar assim, mas depois aconteceram as duas coisas que referimos em cima: o esgotamento fisico dos Cavs e o engate dos Warriors.

A decisão de jogar small ball não foi má. E fazê-lo em alguns períodos do jogo até poderia ter sido uma grande estratégia. Mas era previsível que não conseguiriam ganhar a jogar assim durante todo o jogo. O que torna difícil de compreender a decisão de não voltar a meter Mozgov e não tentar, em alguns momentos ou no fim do jogo, contrariar o small ball dos Warriors, não os deixar ficar confortáveis nesse jogo e alternar esse tipo de jogo com cincos mais altos (com os quais os Cavs se têm dado bem também).

No início do jogo, por exemplo, o maior problema dos Cavs não estava no cinco mais alto. O maior problema estava na forma como o estavam a usar e como estavam a meter a bola no interior em Mozgov. Ficarem estáticos e despejar a bola no poste baixo não funciona. Não só assim os defensores dos Warriors tiveram tempo para fechar as linhas de passe e interceptar passes, como Mozgov não é tão eficaz dessa forma. Precisam de movimento e de envolver o russo em pick and rolls. Ou então envolver Thompson no pick and roll, com Mozgov a cortar para o cesto no lado contrário. Mas em movimento e com Mozgov a rolar e a cortar para o cesto.

Blatt também disse que sim, Mozgov fez um bom jogo 4, mas os Cavs perderam o jogo, e por muitos. Só que não foi por jogarem "big" que perderam. Foi por estarem de rastos. O problema do jogo 4 não foi a estratégia, foi a execução (ou a falta de pernas para a executar a estratégia).
Neste jogo 5, gostávamos de ter visto a mesma estratégia executada com mais pernas. Não sabemos se seriam bem sucedidos. Não temos qualquer garantia disso. Mas desconfiamos que teria corrido melhor.

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Quem não tem culpa da decisão de David Blatt são os Warriors, que aproveitaram o small ball da melhor maneira, para, como no jogo 4, correr e atacar de forma mais rápida e móvel. E Draymond Green, que continuou a fazer bem o seu papel de "bloqueador e rolador", a receber várias vezes a bola no meio do campo após o pick and roll e ora a ir para o cesto, ora a distribuir para jogadores abertos nos cantos.

E Stephen Curry, que foi, mais uma vez, um dos catalisadores do small ball dos Warriors. Aquela ação do Draymond Green começava com o base de Golden State a reconhecer o 2x1 e a soltar para o jogador que desfazia. Curry fez isso bem ao longo de todo o jogo (e tem feito ao longo de toda a série). E depois tomou conta do jogo no final com alguns triplos incríveis e impossíveis de defender. No jogo 5, o MVP da temporada regular voltou a aparecer e a ser decisivo.

E deixa os Warriors a uma vitória de, 40 anos depois, voltarem a levantar o troféu Larry O'Brien. Vamos ver se é já hoje. 

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