17.12.12

Uma Tribo Chamada Banco


É sabido que para ganhar títulos é preciso ter profundidade. A temporada é longa, os minutos começam a pesar, as lesões podem aparecer e, mesmo quando tal não acontece, os 82 jogos deixam mossa no corpo e chega-se aos playoffs cansado, com pequenas mazelas acumuladas e longe da melhor forma. Qualquer treinador sabe bem que manter os seus melhores jogadores frescos para a segunda parte da época pode ser a diferença entre ganhar um campeonato ou ficar pelo caminho. 

Perguntem a Gregg Popovich ou a Doc Rivers, por exemplo. Com Manu Ginobili a 50% em 2010-11, os Spurs ficaram pela primeira ronda e no ano passado perderam o gás a dois jogos das Finais. Em 2009, com Kevin Garnett a jogar só com uma perna, os favoritos Celtics não resistiram aos Magic e no ano passado o gás chegou miraculosamente para levar os Heat até ao jogo 7 na final de conferência, mas não deu para mais.

E embora manter as pernas o mais frescas possível seja mais urgente e necessário numa equipa veterana, é uma verdade que se aplica a todas as equipas. No ano passado, os Clippers chegaram aos playoffs com as duas maiores estrelas, Chris Paul e Blake Griffin, limitadas por lesões e não foram páreo para os Spurs.

É, por isso, fundamental gerir os minutos dos titulares ao longo da maratona que é a temporada regular, poupá-los e tê-los na melhor forma possível na altura que mais importa. E para isso é indispensável, claro, ter um bom banco. Um banco que consiga manter o nível de jogo da equipa, manter uma vantagem e até aumentá-la. 

Nas últimas duas temporadas o Bench Mob dos Bulls foi o exemplo perfeito disso. Com ausências importantes durante grandes bocados dessas duas épocas (Noah e Boozer em 2010-11 e Rose em 2011-12), a segunda unidade ganhou-lhes muitos jogos, levou-os ao melhor recorde dessas temporadas regulares e mostraram como um banco pode tornar uma equipa muito melhor. E quando um banco tem direito a uma alcunha própria isso mostra o protagonismo e a importância que ganharam.


Pois este ano temos um outro banco com direito a nome próprio. Senhoras e senhores: o banco dos Clippers. Ou, como agora são conhecidos, A Tribe Called Bench (um trocadilho com o nome do grupo de hip hop A Tribe Called Quest, cuja música "Scenario" toca nos vídeos de highlights da segunda unidade que os Clippers passam no seu pavilhão). Se o nome é o melhor é discutível, mas indiscutível é que tem sido, de longe, o melhor banco da liga.

São uma unidade com uma identidade definida, que defende muito bem e sai muito rápido e muito bem em transição. Defesa, contra-ataque e uma regularidade e coesão difícil de encontrar até mesmo entre muitos cinco iniciais da NBA. Esta tribo do banco (Bledsoe-Crawford-Barnes e qualquer combinação de Odom-Hollins-Turiaf) está com uns bons 103 pontos marcados por cada 100 posses de bola e com uns fantásticos 89 pontos sofridos por cada 100 posses de bola. São 14 pontos de diferença entre o Rating Ofensivo e o Rating Defensivo, uma marca ao nível dos melhores cincos da liga.

E quanto à missão de manter e aumentar vantagens, têm sido tão bons que, nos últimos 4 jogos dos Clippers, em três deles os titulares não jogaram no último período. Tal como o Bench Mob dos Bulls tantas vezes fazia, foi a segunda unidade dos Clippers que várias vezes ganhou vantagens decisivas e deixou os oponentes para trás. Têm sido dominadores e têm proporcionado muitos minutos de descanso a Griffin e Paul. E isso, quando chegarem os playoffs, como se sabe,  pode fazer toda a diferença.

17 comentários:

  1. Ricardo faria18/12/12, 00:39

    nao tenho o conhecimento dessas estatisticas mas o banco dos nuggets costuma fazer mais pontos que o 5

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  2. Eu acho é que quando chegarem aos playoffs tem que continuar a meter esta equipa suplente muitos minutos ! Eu não vejo esta equipa jogar tanto "porque querem poupar gás nos titulares", eu vejo esta equipa a jogar porque tem mais qualidade que alguns 5 titulares na liga. Bledsoe é um talento incrível, assim que tiver aprendido tudo com Paul devia meter-se numa equipa onde seria o titular. Crawford nem é preciso falar, já escolhido com sexto jogador, é do mais brilhante que há na liga ao nível do drible e criação de jogadas para ele. Barnes ? Perguntem aos Lakers se têm saudades. Quanto ao interior, são dois jogadores de grande trabalho e aptidão defensiva e Odom, que aos poucos tem vindo a melhorar e com a paciência que estão a ter com ele as coisas estão a aparecer. Odom no seu nível seria assustador mas já nem espero isso.

    Concluindo, acho que em alguns jogos esta equipa joga em vez da "titular" porque consegue jogar melhor, e nos playoffs acredito e espero que continuem a ter muito tempo de jogo.

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  3. Nos Clippers ate' os lesionados sao bons Grant Hill e Chauncey Billups !
    Sao uma equipa com qualidade e profundidade , a par com os Nuggets e Wolves sao os melhores planteis ,competitivos e equilibrados no seu todo .

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  4. Bem, o 'bench mob' dos Bulls não lhes valeu de muito nas últimas temporadas. Sendo obviamente uma mais valia ter um banco de luxo como os Clippers vamos a ver se isso os ajuda nos playoffs, onde as rotações diminuem. Não vai haver minutos para toda a gente e egos para gerir...pelo Viny Del Negro. Continuo a não acreditar nos Clips.

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  5. http://youtu.be/_WxjuPvKSs0 - Não sei se já foi abordada por aqui esta questão dos Centers, mas o vídeo está muito muito bom, com grandes música e lyrics

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    1. Stoudemire18/12/12, 13:52

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    3. Stoudemire18/12/12, 17:02

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    5. Stoudemire18/12/12, 17:27

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    6. Stoudemire18/12/12, 17:35

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  6. Stoudemire18/12/12, 13:50

    O problema é o treinador, mas isso nunca se sabe...
    Candidatos fortíssimos.

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  7. O banco dos Clippers de dos Knicks são os melhores sem dúvida...

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  8. É incrivel a profundidade do plantel dos LAC, o que permite trocar os "titulares",quanndo não apresnetam bom rendimento ou mesmo para descansar, pelos "suplentes" sem perda de qualidade de jogo e ainda tem o Billups e o Hill lesionados!

    Ja agora é um prazer ver jogar o Jamal Crawford e os seus crossovers!!

    Saudações Basquetebolisticas :)
    http://lancamentolivre.blogspot.pt/

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  9. Slice of Butter19/12/12, 19:05

    Bledsoe, Crawford, Barnes, Odom e Turiaf/Hollins já era um 5 inicial forte para uma equipa a lutar pela entrada no playoff (pelo menos no Este, penso que era).

    Mas temos mais exemplos, basta ver Minnesota. Com as sucessivas lesões que têm tido nesta época regular, é incrível como ainda vão tendo um conjunto de soluções bastante razoável. Com o plantel todo disponível ficavam com 2 soluções muito boas para cada posição: Rubio/Barea; Roy/Ridnour; Kirilenko/Bundinger; Love/Williams; Pekovic/Stiemsma. E ainda sobram o Shved (que tem estado bem e até tem tido mais minutos de utilização que, por exemplo, o Barea), o Cunningham, o Malcolm Lee e o Lou Amundson.

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