22.3.14

A Grande Tarefa


Vocês deixaram aí os vossos já quase há uma semana e o nosso vem com muitos dias de atraso, mas como mais vale tarde que nunca, cá vai o nosso bitaite sobre a ida de Phil Jackson para os Knicks, o grau de dificuldade da tarefa que o Zen Master tem pela frente e se ele terá sucesso na mesma.


Começando pela dificuldade: é grande. Com um plantel desequilibrado, um ataque limitado e individualista, uma defesa atroz e um treinador que parece perdido no meio disto tudo (e não parece ter o respeito e a confiança do grupo), esta equipa precisa de uma revolução completa.

Para além de difícil, vai ser também uma tarefa longa. Sem escolhas no próximo draft, com os enormes contratos de Stoudemire, Bargnani e Chandler (49 milhões entre os 3!) a consumir o espaço salarial e sem peças para usar em trocas (a única peça apetecível para outras equipas, Tim Hardaway Jr., é uma de que os Knicks não se querem desfazer), Phil Jackson não vai poder fazer grande coisa nesta offseason e terá de esperar até 2015, quando esses três contratos terminam, para fazer uma grande remodelação na equipa e poder começar a montar um candidato ao título.

E será que Phil Jackson é capaz de levar essa tarefa a bom porto?
Uma das maiores críticas à contratação de Jackson para este cargo e uma das razões apontada por muitos jornalistas e comentadores para um possível falhanço é a falta de experiência de Jackson como dirigente. "Sim, ele foi muito bom como treinador, mas esta função é completamente diferente", "ele nunca esteve nesta posição", "uma coisa é treinar e trabalhar no campo, outra é trabalhar no gabinete" dizem esses críticos, sugerindo que, por isso, poderá não ser bem sucedido.

Mas o que eles estão a dizer (ou deveriam estar a dizer) com isso é que, simplesmente, não sabem como ele se vai portar. Ele vai estrear-se como responsável máximo pelo basquetebol duma equipa e estamos todos curiosos para ver como se safa. É só isso que sabemos. Estar numa nova função quer dizer apenas isso, não quer dizer que não se vai sair bem. Não temos forma de prever e tentar fazê-lo (ou tentar prever um fracasso) é apenas especulação e extrapolação. 

Quando Jackson se estreou como treinador da NBA também ninguém sabia como se ia sair. E não se saiu nada mal, pois não? E se tivéssemos de arriscar, diríamos que nesta nova função também não se deve sair nada mal.

Primeiro, porque mesmo sem nunca ter sido general manager ou presidente, ele sempre teve um papel activo na construção dos plantéis que treinou e ninguém sabe melhor que ele o que é preciso para montar uma equipa campeã. Jackson foi jogador durante mais de uma década, foi treinador durante três décadas, está neste mundo da NBA desde os anos 70 e tem um conhecimento profundo de todos os seus meandros. Ninguém ganha 11 anéis de campeão sem conhecer, por dentro e por fora, tudo o que diz respeito ao basquetebol da NBA.

Para além disso, é um líder e motivador ímpar, que sempre se soube rodear das pessoas certas e retirar o melhor dessas pessoas. Esse era um dos seus pontos fortes como treinador (um dos pontos fortes de qualquer bom treinador), ser o gestor duma equipa de pessoas que dominavam cada uma das áreas necessárias. E não nos parece que vá deixar de fazer isso agora. Em vez duma equipa com treinadores adjuntos e jogadores, tem de montar uma equipa com um bom general manager, um especialista no tecto salarial e nas regras do CBA e bons olheiros.

Portanto, a tarefa que tem pela frente é difícil e longa. Exigirá paciência e não será realizada num ano nem em dois. Mas se tivéssemos de arriscar, diríamos que Jackson sabe bem o que precisa fazer para ser bem sucedido. E tem tudo para o ser.

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