3.3.14

Bater Bolas / Conversa de Bancada - o nosso Monte Rushmore


Com 68 anos de NBA e tantos jogadores extraordinários que já passaram pelos seus campos nessas mais de seis décadas, não é fácil escolher apenas quatro para figurar num hipotético monumento dos melhores de sempre. Não é fácil? É extraordinariamente difícil e uma tarefa inevitavelmente condenada à injustiça. Porque, ao escolher apenas quatro, tantos jogadores que fazem (e farão sempre) parte da história da liga terão de ficar obrigatoriamente de fora. Nenhuma história da NBA será alguma vez justa ou estará alguma vez completa só com quatro nomes.

E como se escolher entre tantos jogadores ímpares não fosse já suficientemente difícil, comparar eras e jogadores de diferentes é uma tarefa muito difícil, se não mesmo impossível. Podemos (e iremos) sempre especular como seria se jogador x jogasse hoje ou se jogador y tivesse jogado noutra década, mas essas são questões às quais nunca teremos resposta. A única coisa que sabemos com certeza é aquilo que eles fizeram no seu tempo, contra os seus contemporâneos e o papel e lugar que conquistaram na história. 

E foi esse o meu principal critério para escolher o meu Monte Rushmore. Entre todos os grandes jogadores que o mundo já viu e entre todas as extraordinárias estatísticas e números individuais e colectivos, quais seriam os quatro que escolheríamos para fazer uma história resumida da liga, os quatro que representam os pontos mais altos da liga e os píncaros desses 68 anos de história. Num monumento, a importância histórica conta. Por isso, é este o meu Monte Rushmore:


Bill Russell e Wilt Chamberlain são os homens dos recordes inigualáveis. Bill Russell tem os recordes colectivos imbatíveis (nunca ninguém vai voltar a ganhar 11 anéis de campeão e oito títulos seguidos) e Wilt Chamberlain é o homem dos recordes individuais imbatíveis (nunca ninguém deverá bater os seus 100 pontos num jogo e nunca ninguém baterá os seus 50.4 pts e 25.7 res de média numa temporada!). Jogaram noutro tempo e não teriam estes recordes se jogassem agora? Provavelmente. Mas foram os maiores responsáveis pelo nascimento do basquetebol como o conhecemos e ninguém lhes pode retirar (ninguém conseguirá retirar) o seu lugar na história (e desconfio que seriam enormes jogadores fosse qual fosse a era em que jogassem).

Michael Jordan não preciso justificar, certo? O melhor de todos os tempos só não ficava com um dos lugares neste monte se fizessem outro monte só para ele.

Estes três anteriores acho que são obrigatórios em qualquer monumento à NBA. Já a escolha para o último lugar no monte é, confesso, pessoal e subjectiva. Magic Johnson é o meu jogador preferido de todos os tempos e não o podia deixar de fora. Magic é a razão porque me apaixonei pela NBA e desconfio que não sou o único. Foi um dos dois jogadores que marcaram a época de ouro dos anos 80 (e aceito quem escolher o outro, Larry Bird, para este lugar) e elevaram a liga a um patamar internacional. E aquele sorriso e aquela magia que espalhou pelos campos e que conquistou tantos e tantos fãs merecem ser imortalizados em pedra.

7 comentários:

  1. Bill Russel e Wilt a jogarem contra quase só brancos de 1,80 metros como eu.. Quase sem competição, poucas equipas e regras duvidosas...

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  2. Não concordo mas cada um tem a sua opinião.

    Dá-me a noção que para escolher estes 3 (Jordan, Bill Russel e Magic) o sucesso em termos de aneis conta imenso. Porque em termos de impacto individual o LeBron está já acima do Magic ou do Bird.

    Mas se o sucesso colectivo tem um grande impacto (e não estou a dizer que está mal, é uma forma de ver as coisas embora não seja a minha) então o Wilt não tem lugar como 4º escolhido. Em termos colectivos numa época em que só existiam dois ou três candidatos e 8 equipas em competição, ganhou muito pouco. Kareem Abdul Jabbar não merecia mais segundo este critério? Ou até o Larry Bird? Ou até o Tim Duncan?

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  3. Não concordo mas cada um tem a sua opinião.

    Dá-me a noção que para escolher estes 3 (Jordan, Bill Russel e Magic) o sucesso em termos de aneis conta imenso. Porque em termos de impacto individual o LeBron está já acima do Magic ou do Bird.

    Mas se o sucesso colectivo tem um grande impacto (e não estou a dizer que está mal, é uma forma de ver as coisas embora não seja a minha) então o Wilt não tem lugar como 4º escolhido. Em termos colectivos numa época em que só existiam dois ou três candidatos e 8 equipas em competição, ganhou muito pouco. Kareem Abdul Jabbar não merecia mais segundo este critério? Ou até o Larry Bird? Ou até o Tim Duncan?

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    1. Sim, eu penso que o sucesso colectivo conta, mas o individual também. Penso que o que conta é o pacote completo e uma combinação dos dois e esses três (Jordan, Magic, Russell) combinam o sucesso individual com o colectivo. Têm os números e prémios individuais junto com os prémios colectivos e títulos. Esses três têm o pacote completo (e em termos de impacto individual, o seu é enorme também, pois foram os maiores responsáveis pelos sucessos colectivos das suas respectivas equipas).

      Quanto ao Wilt, sim, o sucesso colectivo foi menor que os outros, mas os sucessos e recordes pessoais são tão extraordinários que, para mim, tem um lugar aqui.

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    2. Esse comentário é de alguém que conhece (muito) pouco a história da NBA.
      Basta ver as escolhas de jogadores como Kobe, Kevin Durant e o próprio (!) LeBron, em que ambos escolheram Bird e Magic, para se perceber a unamidade que existe em escolher estes 2 jogadores como dos melhores da história.
      Há algo que, tanto o Bird, Magic e (claro) o próprio Jordan tinham que o LeBron não tem e que muitas vezes se vê empurrado para essa situação. É a capacidade de assumir o jogos nos instantes críticos e finais dos grandes jogos.

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  4. Marco Marques, o Mount Rushmore só tem 4 cabeças! Mas percebi o que quiseste dizer... Eu arriscaria a dizer mais coisas em relação a Magic e à sua posição reforçada neste lugar. Arriscaria dizer que Jordan não teria ganho tantos títulos se Magic não tivesse abandonado tão precocemente! Eu sei que nestas situações há muitos ses, mas só não entende quem não viveu o basket e a NBA nessa altura!!! Além de Bird na luta por um lugar eu punha um ou outro nome na luta: o incontornável Kareem Abdul-Jabbar!!! Seja por ser o máximo pontuador da NBA desde sempre, a sua longevidade na competição sempre ao mais alto nível, coisa que nem Jordan conseguiu e a sua imagem, alto, albino, careca, óculos garrafais e o seu skyhook contribuíram imenso para a abertura duma janela para o Mundo. A prova disso o filme do Bruce Lee!! É a minha opinião, tal como o Márcio disse, tudo neste caso é discutível e a história é determinante na avaliação dum caso como este. I LOVE THIS GAME!

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  5. "If you give me 37 shots in a game, I'd put up 60, easy," James
    Estava errado sim.. Eram 33 shots

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