12.3.14

Arrefecimentos e Abrandamentos


A um mês do início dos playoffs, numa altura da temporada em que as equipas candidatas devem ter a sua identidade estabelecida, em que se espera que estejam a atingir o pico da forma e a começar a preparar-se para os playoffs, os Heat e os Pacers atravessam uma das fases mais negativas das respectivas épocas. Ambas tiveram na última semana a maior série de derrotas consecutivas do ano e (para ser simpático) não jogaram propriamente ao nível de candidatos ao título.

Os Pacers perderam quatro jogos seguidos pela primeira vez esta temporada e os Heat, pela segunda vez este ano, perderam três seguidos. Ambas, já puseram, entretanto, fim a essas séries (os Heat com uma boa vitória frente aos Wizards, os Pacers com uma pouco convincente frente aos Celtics) mas não às dúvidas de muitos comentadores e fãs. Terão estas dúvidas sobre as duas equipas que lideram a conferência Este algum fundamento? Será este momento menos bom razão para alguma destas equipas entrar em pânico?

Para entrar em pânico, não. Para nenhuma delas. Porque a temporada regular é longa e é normal passar por fases menos boas. Acontece a todas as equipas. Nem todos os jogos correm bem e em 82 alguns vão correr mal. É uma maratona que vai ter altos e baixos. Por isso, não, não é motivo para entrar em pânico.

Mas para exigir atenção e reflexão, sim. Para uma delas.

O arrefecimento dos Heat deve-se mais à falta de motivação e empenho numa temporada regular que eles querem que acabe o mais rápido possível para passarem ao que realmente lhes interessa. A identidade dos Heat está mais que estabelecida, esta é uma equipa testada e experimentada em combate e não há fase boa ou menos boa na temporada regular que vá mudar alguma coisa do que eles são e fazem. Com três idas consecutivas às Finais em três anos, não há nada que esta equipa não tenha já visto e passado e eles querem é começar os playoffs e tentar a quarta.

Já o abrandamento dos Pacers exige atenção porque não se deve a falta de motivação ou empenho na temporada regular, mas antes tem sido consequência de (e tem revelado) uma falha no seu jogo. 

Desde o primeiro dia que a equipa de Indiana não escondeu o seu objectivo na temporada regular: conseguir o melhor recorde, o 1º lugar da conferência e a vantagem-casa sobre os Heat. Por isso, a motivação está lá. Para eles, a temporada regular importa e eles querem ganhar o máximo de jogos possível nesta fase. Não perderam estes jogos por estarem em velocidade de cruzeiro.

Perderam por não atacarem o cesto. No jogo contra os Mavs, por exemplo, isso foi claríssimo, porque do outro lado tiveram uma equipa que fez isso e a diferença nos ataques foi óbvia. A equipa de Dallas passou o jogo todo em modo de ataque, a tentar penetrar para o cesto em quase todas as posses de bola, enquanto Indiana fez muitos lançamentos contestados no exterior e na meia distância (e os pontos no interior vinham de jogadas a poste baixo de Hibbert e West). 

Quando um jogador penetra para o cesto, abre um mundo de possibilidades. Pode marcar ou criar para os outros. Ou consegue um lançamento mais fácil perto do cesto ou consegue atrair a defesa e assistir (para um jogador interior ou para colegas que ficam sozinhos no exterior). Foi o que aconteceu com os Mavs naquele jogo. Com as penetrações constantes de Monta Ellis ou Vince Carter, não só conseguiram muitos lançamentos perto do cesto, como tiveram inúmeros triplos sem oposição. 

Os Pacers são uma equipa muito mais perigosa e mais difícil de defender quando Paul George e Lance Stephenson atacam o cesto. Sem estes dois a atacar e a criar oportunidades para os outros, o seu ataque é muito mais previsível e estático e muito menos eficaz. E isso é algo que exige a atenção dos Pacers. Felizmente, é uma falha que ainda vão a tempo de corrigir.

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