4.8.11

De...fense! De...fense!


Como já todos ouvimos dizer, o ataque ganha jogos e a defesa ganha campeonatos. Por isso, um anónimo (gostava de identificá-lo pelo nome, mas quem fez esta questão não se identificou; se ele se quiser acusar quando ler isto...) perguntava-nos se isso significa que Rick Carlisle teve os melhores esquemas defensivos deste ano. Na verdade, o que ele perguntou originalmente foi quais os esquemas defensivos que tiveram mais sucesso na NBA esta temporada, mas depois a questão evoluiu para aí. Vamos lá então.

Mas primeiro, e antes de falarmos especificamente dos esquemas defensivos, temos de ressalvar que os resultados duma equipa dependem dum sem número de factores e circunstâncias. Ataque, defesa, factores individuais, factores colectivos, factores de conjuntura, factores físicos, factores mentais, etc. O que ganha campeonatos não é a defesa, mas sim a combinação de todos esses factores e a soma de todas essas partes. Uma equipa pode ter a melhor defesa e um ataque mau. Ou um ataque imparável, mas uma defesa má. Ou jogadores que atacam bem e defendem bem, mas que depois falham em momentos chave.
Não se ganha sem uma boa defesa e ter a melhor ajuda muito, mas isso só não chega (veja-se o exemplo dos Bobcats e dos Bucks que tiveram boas defesas, mas falharam noutras áreas).

Por isso, é a equipa que consegue a melhor combinação entre o ataque, a defesa, o rendimento individual dos jogadores, o seu rendimento em conjunto, os aspectos físicos e os aspectos psicológicos aquela que triunfa.


Depois, temos também de dizer que a própria defesa depende igualmente de vários factores (individuais, colectivos, conjunturais, físicos e psicológicos). Qualquer esquema é apenas um ponto de partida e depende da execução dos jogadores dentro de campo. Na teoria todos os esquemas são bons. A questão é quais os mais adequados para os jogadores que se tem na equipa e para as equipas que enfrentamos. E no papel, eles funcionam 100% das vezes. Mas depois vão ser executados por jogadores. Humanos. Que podem falhar.

Por isso, as melhores defesas são aquelas que têm os melhores esquemas, a melhor adequação destes aos jogadores que o treinador têm à sua disposição, a melhor adequação à equipas que vão enfrentar e a melhor execução.

Por isso, como esses factores dependem de equipa para equipa, é possível ter sucesso com esquemas diferentes. Mas apesar das diferenças, há principios comuns a todas as melhores defesas.

Nos principios comuns das defesas que tiveram mais sucesso este ano, podemos identificar a comunicação, a defesa do perímetro, a defesa do garrafão e do meio do campo, a defesa do jogador com bola, a defesa das linhas de passe e as ajudas e rotações defensivas.
Depois, dependendo dos jogadores que têm, cada equipa é mais forte nuns do que noutros e aposta mais nuns que noutros.

Vamos então ver como algumas das melhores equipas defensivas interpretavam estes princípios e em quais baseavam a sua defesa:

Os Bulls e os Celtics (não por acaso têm esquemas semelhantes, porque são obra do mesmo homem, Tom Thibodeau) apostam em sobrecarregar o lado da bola e tapar as linhas de passe. O objectivo é impedir as penetrações e obrigar as equipas a fazer lançamentos longos. Qualquer jogador que penetre vai ter vários jogadores entre ele e o cesto e muitos braços para tentar dificultar passes interiores. Para além disso, tentam impedir (ou dificultar ao máximo) as recepções dos jogadores interiores (que sao defendidos pela frente, muitas vezes). A bola pode rodar pelo perímetro, mas nunca pelo interior.

Já os Heat, como têm Wade e Lebron, apostam na pressão no perímetro. O objectivo é provocar turnovers. Quando a bola entra nos lados, os Heat tentam mantê-la aí ou provocar erros para iniciar contra-ataques com Wade e Lebron. Com defensores exteriores tão atléticos, tentam impedir as penetrações no 1x1 e as rotações e ajudas são o plano B. É um exemplo algo anormal duma boa defesa, onde os defensores exteriores conseguem compensar as deficiências e a falta de velocidade dos jogadores interiores nas rotações e ajudas.

Os Mavs, por sua vez, apostavam na diversidade. Com jogadores veteranos que perdiam a nível atlético para muitas equipas, apostavam na força do colectivo. O plano era levar os atacantes para a linha de fundo onde vinha sempre a ajuda de Chandler (ou Haywood ou Mahinmi). Também recorriam frequentemente à sua zona 2-3 (e foram das equipas que mais defenderam zona na NBA), para baralhar os ataques adversários e compensar desvantagens nos 1x1. Um aspecto curioso e uma adaptação específica de Rick Carlisle feita a pensar nos jogadores que tinha, era o facto de Nowitzki só trocar defensivamente quando o outro jogador era uma ameaça ofensiva menor e não o pudesse colocar em perigo de fazer falta. Se havia um bloqueio, por exemplo, dum jogador como Lebron James ou Kevin Durant ao alemão, não havia troca defensiva, para ele não ficar a defendê-los. Se o jogador que bloqueava era assim um Anthony ou um Sefolosha, então o alemão trocava.

Este tipo de defesa (sobrecarregar o meio, levar para a linha de fundo e fechar o caminho com o poste), é aquele que os Bucks (com Bogut) também faziam.
Enquanto outras equipas, como os Thunder, os Grizzlies e os Hornets, tinham uma mistura dos dois estilos: bons wing defenders (Sefolosha, Ariza e Tony Allen) e pressão no perímetro aliada à estratégia de levar para a linha de fundo, onde têm os postes para fechar o meio e contestar lançamentos (Perkins, Marc Gasol e Okafor).

Todas estas equipas encontraram sucesso com as suas defesas (umas mais que outras, claro) e foram das que melhor defenderam este ano. Para algumas isso traduziu-se vitórias e uma ida até às fases mais avançadas dos playoffs (até às Finais para duas delas e o título para uma), para outras não foi suficiente. Mas para nenhuma delas o problema esteve na defesa.

3 comentários:

  1. São estes tipos de post que fazem-me acreditar que este é o melhor site de NBA portugues.

    Continua no bom trabalho!

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  2. este é o único que leio! há mais algum? eheh
    mais um grande post, obrigado!

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  3. Bem, penso que estão aí as respostas a todas as minhas perguntas, mesmo aquelas que não fazia ideia que tinha! É, de facto, uma salada de frutas de factores (literalmente) em campo, que é quase um milagre que um treinador planeie uma vitória e que esteja confiante de que a vai obter...haja fé!
    Fico à espera de mais!
    Bruno

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